Promises

3 Parte 3 - Benjen Stark


Notas iniciais
Ah, como vocês são fofos, tem até recomendação! Obrigada pessoal, espero que estejam mesmo gostando :)

Não esqueçam de comentar!

bjs

Era tarde e o castelo já estava em completo silencio. Benjen duvidava que houvesse alguém acordado àquela hora, além dele. Ele se sentou na cama e afastou as cobertas para longe de si. Levantou-se e vestiu-se depressa, calçou as botas de couro negro e vestiu a capa com pele de lobo na gola.

Acendeu um lampião e abriu a porta em silencio, caminhando calmamente pelos corredores de pedra, descendo as escadas e saindo para a passarela coberta que ia dar na biblioteca. Era onde ele gostava de passar suas noites de insônia, envolto em livros com as historias dos mais brilhantes cavaleiros que Westeros já tivera. Ele gostava de intercalar suas noites em claro entre a biblioteca e a cripta. Na biblioteca lia as histórias dos cavaleiros e na cripta imagina como seria se os Reis do Inverno nunca tivessem dobrado os joelhos para os Targaryen.

O lado de fora estava mais gelado do que ela podia se lembrar, então aumentou o passo para chegar logo a biblioteca. Em noites frias como aquela as criptas eram o ultimo lugar que Benjen desejava estar, era o lugar mais frio de Winterfell.

Quando ele chegou até a torre a porta estava entre aberta, e quando entrou encontrou uma vela acesa sobre uma das escrivaninhas. Ele iluminou sua volta, mas o lugar era vasto demais e estava escuro demais para que ele conseguisse ver qualquer coisa. Talvez o maester tivesse esquecido uma de suas velas, ou talvez estivesse para voltar.

Benjen passou os olhos por alguns volumes dispostos sobre a mesa de estudos, mas nenhum deles realmente chamou a sua atenção. Abaixou-se perto de uma estante e leu os títulos de baixo para cima, tendo o vento que entrava pela porta entreaberta e as sombras lançadas pelo lampião como companhia.

Uma rajada de vento soprou mais forte e a luz na vela se apagou na mesma hora em que Benjen ouviu um soluço baixinho. Olhou por cima do ombro, mas tudo que encontrou foi a escuridão. Pegou o lampião e se levantou, andando calmamente por entre prateleiras e cadeiras, quando a encontrou em um canto escuro da sala.

Ayana ergueu-se rapidamente quando percebeu que tinha companhia. “Meu senhor.” Saudou, com a cabeça baixa.

“Lady Ayana?” perguntou, observando a garota. Os cabelos ruivos estavam molhados, assim como o vestido e a capa que ela usava. “Posso perguntar o que faz aqui?”

A garota olhou a sua volta e passou a mão pelo rosto. A voz tremeu quando ela finalmente falou. “Nada.. Eu acho.”

Benjen notou a voz tremula e embargada enquanto ela falava. Garotas, pensou consigo mesmo, sempre tão sensíveis. Gostava de Lyanna porque ela se parecia mais com os irmãos do que com uma garota de verdade. Ela não era nem de longe tão sensível e boba como a maioria

“Se me permite, senhora, onde esteve?” perguntou com o cenho franzido, observando a garota abraçar o próprio corpo. Algo dentro de Benjen quis que ele a abraçasse, ela parecia tão indefesa e frágil. Mas não era a coisa certa a se fazer. “Onde conseguiu se ensopar dessa maneira?”

Um sorriso triste correu os lábios de Ayana enquanto ela puxava uma mexa de cabelo por cima do ombro. “O Bosque Sagrado.” Ela respondeu. “Gosto de ir lá quando quero ficar só, mas a neve... Estava muito frio.” Ela ergueu rosto e se desculpou. “Não queria incomodá-lo, meu senhor.” Ela fez uma pequena reverencia e começou a se afastar, mas Benjen segurou seu braço, fazendo-a parar ao seu lado.

“Você não pode pensar sobre ela todo o tempo.” Ele sussurrou.

Ayana suspirou. “Eu não sei como deixá-la para trás.” E então riu sem humor. “Não sei como deixar nenhum deles para trás.” Sussurrou, enquanto se afastava, deixando um confuso Benjen na biblioteca.

[ . . . ]

Quando Benjen desceu ao Grande Salão foi como entrar em uma casa estranha. Estava acostumado a encontrar as mesas cheias de pessoas: homens de armas, intendentes, o pai e os irmãos. Gente que falava alto, dava risadas e contava historias. Mas não era assim que as coisas andavam acontecendo na ultima semana, agora eram poucas as pessoas que quebravam o jejum junto dele.

Apenas uma das mesas estava ocupada. Na ponta inferior Sor Rodrik Cassel e alguns homens de armas comiam, enquanto na outra ponta, perto da cadeira do senhor, Jory o esperava.

Sentou-se na cadeira e olhou em volta, mas não achou Ayana em lugar nenhum. Uma serva se aproximou e colocou seu desjejum na mesa, e antes que ela pudesse sair Benjen a parou.

“Lady Ayana já quebrou o jejum?”

“Levamos algo para ela em seu quarto, meu senhor. O maester estava com ela.” A garota respondeu sem erguer o rosto.

“O que ela tem?” foi Jory quem perguntou.

“Estava ardendo em febre esta manhã, mal conseguiu se levantar. Mas maester Luwin prometeu que ela ficaria bem.”

Benjen assentiu e deixou que a garota se retirasse. “Você a viu ontem a noite?” ele virou para encarar o amigo.

Jory demorou um pouco antes de responder. “Wallys estava de guarda, não eu.”

“Acho que ela ficou na neve.” Benjen comentou, observando o amigo enquanto comia um pedaço de pão preto.

Jory engoliu a comida e bebeu um pouco de cerveja, observando suas mãos sabre a mesa, sem erguer o rosto para encarar Benjen. O Stark mais jovem olhou o perfil do amigo e deu um grande gole em sua cerveja antes de voltar a falar.

“Há algo de errado com ela.” Afirmou, fazendo com que o soldado erguesse o olhar para ele.

Jory deu de ombros e olhou o amigo com indiferença. “É uma garota, quem entende?” brincou.

Benjen sorriu com ele e voltou ao seu desjejum, esquecendo-se de Ayana por um tempo. Antes que se retirasse da mesa, Maester Luwin o encurralou com contas e cargos que precisavam ser distribuídos, falando sobre a Festa da Colheita que, mesmo estando em guerra, deveria acontecer e de como a Cidadela estava mandando corvos para informar que o inverno não estava indo embora, que aquela primavera que havia sido anunciada um ano atrás, quando partiram para Harrenhal, era mentirosa.

Quando finalmente foi liberado, Benjen voltou a pensar em Ayana. Ao invés de ir para o campo de treinamento com Sor Rodrik, o mais novo mestre de armas do castelo, ele subiu a torre de visitas e caminhou até a câmara de Ayana. Hesitou por um segundo, mas depois lembrou-se que era o senhor de Winterfell, enquanto seu irmão estava longe, era senhor de Winterfell. E enquanto Vayon Poole estivesse longe, era dever dele proteger e zelar por Ayana.

Fechou as mãos em punhos e bateu contra a porta, a resposta demorou a chegara, mas após algum tempo a garota apareceu. Abriu a porta com cuidado, segurando o roupão de pele perto do pescoço.

“Senhor.” Ela baixou os olhos em sinal de respeito e lhe deu espaço para entrar no quarto.

Benjen pensou um segundo e depois entrou nos aposentos da garota. Ayana tinha os olhos opacos e um pouco vermelhos, os lábios pálidos e um sorriso forçado nos lábios.

“Minha senhora sente-se melhor?” ele perguntou com cuidado, parando perto da janela.

“Bastante.” Ela voltou a forçar um sorriso. “Apenas um resfriado, acredito que não foi sábio ficar na neve, senhor.”

Benjen deu um pequeno sorriso e se aproximou dela. “Tudo isso é por causa de Lyanna?” perguntou com cuidado, mas direto.

O sorriso desapareceu aos poucos do rosto da garota, e ela o encarou seria. “Sim e não. Talvez tudo, talvez nada.” Deu de ombros, passando por Benjen e ficando próxima da janela.

“O que quer dizer com isso?” perguntou confuso, esquecendo-se de toda a cortesia.

Ayana ergueu os olhos para ele e respondeu seca, sem emoção. “Que nada disso é da sua conta, senhor.”

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.