Promises
1 Parte 1 - Benjen Stark
Notas iniciais
“Eu vou com você.” A voz teimosa insistiu. Já era um homem feito, não tinha por que ficar para trás.
“Não.” A voz do irmão era dura e cheia de autoridade. Ele estava vestido em sua armadura sobre um corcel marrom com o elmo na mão. Todos os seus homens estavam a postos. “Sempre há de ter um Stark em Winterfell, Benjen.”
Eddard olhou para trás de si. Precisava cavalgar entre seus homens, mostrar que estava na liderança e que estaria na linha de frente. Nunca peça a um homem para morrer por um estranho, a voz do pai soou em sua cabeça. Ele voltou a encarar o irmão mais novo. Benjen era apenas dois anos mais novo que ele, mas às vezes Eddard achava-se muito mais velho do que ele. Achava-se mais velho até mesmo que Brandon. Tolo Brandon, pensou com amargura. Queria que o irmão estivesse ali, ele sim havia sido criado para liderar o exército, e Ned para segui-lo.
“Precisa ficar aqui e cuidar de Winterfell até que eu regresse.” Continuou, e depois sua expressão se suavizou. “Eu prometo, vou trazer Lyanna para casa.” E com essas palavras ele colocou o elmo e partiu para junto dos homens.
Ela não quer voltar. Benjen quis gritar. Mas a guerra já estava feita, não havia nada que ele pudesse dizer para acalmar o ego ferido de Lord Baratheon. Na verdade, o que ele tinha a dizer só pioraria as coisas. Se ele nunca soubesse, talvez Lyanna pudesse ser feliz no futuro – se o irmão e Lord Baratheon ganhassem a guerra.
Eu prometo, as palavras soaram de volta na sua cabeça, fazendo com que Benjen se perdesse nas memórias. Todos lhe fizeram promessas, mas nenhum havia cumprido. Primeiro sua mãe que havia prometido estar sempre com ele, mas que fechara os olhos para nunca mais abri-los quando ele tinha apenas sete anos. Depois Lyanna, que prometera mandar uma ave para o pai, mas a ave nunca chegara. Depois Brandon prometera trazer Lyanna de volta, e o pai trazer os dois. Mas o rei louco os matara acusados de alta traição. E agora Ned partia com mais promessas que Benjen tinha medo de nunca serem cumpridas.
Ele ficou debaixo da neve por algum tempo ainda, depois de ver desaparecer o exercito do irmão no horizonte. Ned ia para Correrrio cumprir com seu dever e casar com Catelyn Tully, e depois partiria com a adição das tropas Tully para o sul, para enfrentar os Targaryen ao lado de Robert Baratheon na esperança de trazerem Lyanna de volta.
Ela não quer voltar. Quis gritar novamente. Mas você prometeu que não diria nada. Você acobertou, você cuidou para que ninguém descobrisse que ela havia partido antes que ela estivesse longe o suficiente. Você fez isso com Brandon, com seu pai.
Benjen olhou a sua volta e suspirou longamente. Agora cabia a ele cuidar do lugar, já que todos haviam partido com o irmão. Mesmo Vayon Poole, que como o intendente de Winterfell, havia partido com Eddard. E a Benjen sobrara o trabalho de nomear novas pessoas para novos cargos.
“Eles já se foram, senhor.” A voz tão conhecida soou ao seu lado e Benjen voltou a suspirar.
“Ned levou seu pai.” Ele voltou-se e encarou o único filho sobrevivente de Martyn Cassel.
“Ele é um bom espadachim. Vai sobreviver.” Jory continuou a olhar os portões de Winterfell.
Benjen sorriu para ele. “Queria ser tão otimista quanto você.”
Jory virou-se para ele com um sorriso maldoso nos lábios. “Você nunca vai ser nada parecido comigo, Benji...” ele deu tapinhas leves no ombro revestido de cota de malha de Benjen, e o outro sorriu.
Benjen e Jory tinham a mesma idade, haviam crescido correndo pelos corredores de Winterfell, escalando muros e lutando com espadas de madeira, sempre ouvindo os gritos de sor Rodrik Cassel para que não se matassem. Havia sido uma infância feliz, e Benjen desejou que pudessem voltar aquele tempo. Mas havia algum tempo que ele aprendera a deixar aqueles desejos para trás, e o medo também. Ele precisava ser o senhor de Winterfell agora, porque talvez ele tenha de ser o senhor de Winterfell para o resto da vida.
Os dois caminharam de volta para o castelo e Benjen seguiu para os aposentos de Maester Luwin. O maester aconselhou e indicou nomes para os cargos vagos e falou muita coisa que Benjen não prestou atenção de verdade. Ele olhou para fora da janela, viu enquanto a neve caia e se perguntou como seria estar lutando lá fora agora. Ele devia ter ido com Eddard, era seu dever. Ele queria ser um cavaleiro, lutar contra dragões e homens maus. Desde criança era o que ele queria e ninguém nunca tirou essa ideia da cabeça dele, sendo o terceiro filho seria difícil que fosse ele a se tornar senhor de Winterfell. Lhe assustou pensar que talvez estivesse mais próximo disso do que nunca.
Já era noite cerrada quando Benjen finalmente deixou os aposentos do Maester. Ele seguiu vagueando sozinho pelos corredores do castelo sem um rumo certo. Não sabia bem aonde queria ir, mas quando se deparou parado em frente a porta do quarto de Lyanna, ele sentiu saudades. Mais uma vez.
Ele abriu a porta com cuidado, mas as velhas dobraduras de ferro rangeram e assustaram a garota que estava lá dentro. Os cachos ruivos moveram-se como molas quando ela se levantou da cama, limpando o rosto e o encarando com os olhos azuis marejados.
“Meu senhor.” Ela fez uma pequena reverencia e baixou o rosto. “Eu sinto muito, sei que não deveria estar aqui...”
“Tudo bem.” Benjen respondeu rapidamente, evitando que ela desse maiores explicações.
Ele entrou no quarto e passou a mão por cima de uma caixa de madeira branca entalhada que ficava sobre a penteadeira de Lyanna, onde ela guardava suas joias. Pelo espelho ele viu quando a garota caminhou para perto da janela.
Ayana Poole era a irmã mais nova de Vayon Poole, nomeado intendente de Winterfell pouco antes do desaparecimento de Lyanna. Tinha quinze anos e seguia Lyanna para cima e para baixo, sempre disposta a ajuda-la em qualquer que fossem seus planos.
Por um minuto pegou-se pensando se ela também não havia feito promessas a Lyanna das quais se arrependia.
“Como se sente?” Ayana perguntou e Benjen se virou para encará-la.
“Todos eles se foram.” Respondeu, encarando as costas da garota.
Ela pressionou a mão direita sobre o vitral que havia na janela e observou enquanto sua mão deixava marcas no vidro úmido.
“Eles irão voltar.” Ela sussurrou para ele.
“Eu não tenho certeza.” Ele respondeu, encostando-se a penteadeira.
“Eles irão. Ela prometeu que não me deixaria para trás. Ela tem de voltar.”
A voz da menina soava tão confiante que Benjen quase acreditou nela.
“Ela não foi porque quis, Ayana.” Ele repetiu a mentira que vinha contando a tanto tempo para si mesmo.
“Eu sei o que dizem. Mas eu sei a verdade. Você sabe a verdade.” Ela se virou para ele com os olhos úmidos de lágrimas. Benjen teve medo que talvez ela soubesse de sua promessa. “Todos que conhecem Lyanna deveriam saber a verdade. Ela sabe lutar, luta muito bem. Você a ensinou.” Insistiu.
“Mas ela é fraca. Não conseguiria abater um homem em uma luta corpo a corpo.”
“Mas ela sabe correr. Ela é uma ótima amazona.” A menina insistiu novamente, caminhando em direção a Benjen. “Você sabe que ela não foi contra a vontade. Você sabe, Benjen.” O rapaz olhou para as botas sem responder e Ayana continuou. “Ela estava apaixonada. Chegava a ser ridículo, mas ela estava. O príncipe... Ela o amava, teria feito de tudo por ele... E ele por ela. Ele a coroou Rainha do Amor e da Beleza, na frente de todos.”
“Se ela o amava mesmo, e vice versa, o que lhe faz acreditar que ela voltará?” Benjen perguntou um tanto quanto irritado.
Ele nunca fora realmente amigo de Ayana, ela era apenas a amiga tímida e boba de sua irmã. Apenas a menina ruiva que seguia Lyanna como uma sombra. E ela não tinha direito de aborrecê-lo falando sobre Lyanna. Ele sabia sim da verdade, mas não queria mais pensar nela.
Na verdade, só queria fechar os olhos e acordar quando tudo voltasse ao normal.
“Porque se ela não voltar significa que todos eles também não voltarão.” Ela voltou a murmurar, baixando o rosto para as mãos.
“Então eu digo que esse príncipe era um tolo, se não conseguir vencer essa guerra.” E Benjen realmente acreditava naquilo.
Uma parte dele queria que os Targaryen vencessem, porque ai Lyanna seria realmente feliz. E a outra parte queria que eles perdessem, porque ai o irmão não morreria e Lyanna estaria de volta com ele, e ele poderia se tornar o cavaleiro que estava destinado a ser.
“Por quê?” Ayana perguntou, os olhos azuis cerrados em confusão. “Por que o acha um tolo?”
“Porque ele irá perder um reino todo pelo amor de uma mulher.” Respondeu duro, erguendo a cabeça.
Ayana deu um sorriso triste antes de tornar a perguntar. “Você já amou alguém... Meu senhor?”
“Como?” perguntou um tanto quanto confuso com a pergunta, e a menina tornou a sorrir tristemente.
“Porque se já tivesse amado, saberia que é como se pudéssemos fazer qualquer coisa. Como se pudéssemos arriscar tudo sem medo de perder.”
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