Promises

29 Capítulo 28 - Porta de Saída


Notas iniciais
Gente, amanhã vou de férias, uhuh, desejem-me boa viagem ahahah :D

Bem, secalhar depois deste capítulos até me vão desejar uma péssima viagem :x mas prfv, não me odeiem, sim? (a)

Damon caminhou até mim e depositou um beijo na minha testa, deixando o meu pobre coração a mil.

– Sabes que me podes contar tudo, meu doce – Ele sorriu ternamente e passou os dedos levemente pela minha face. Enconstei o rosto àquela mão enorme e uma lágrima solitária verteu secretamente. Limpei-a antes que Damon a notasse e forcei um sorriso fraco.

– Amor eu… eu… — Gaguejei e travei por completo. Porque é que as malditas palavras simplesmente se recusavam a sair? Sobretudo quando eu mais precisava delas, elas decidiam abandonar a minha mente fazendo-me perder qualquer resquício de sanidade.

Nunca me havia sentido assim, tão impotente e fraca ao mesmo tempo. Onde estava a minha coragem? Onde estava aquela menina pequena que enfrentou a morte dos pais e mais tarde tornou a fazê-lo e sobreviveu? E continuou a lutar, dia após dia, pelo seu momento de felicidade. Aquele fugaz segundo em que o mundo faz sentido.

Inspirei fundo e busquei, algures perdida num canto recôndito da minha mente, essa mesma menina, essa lutadora adormecida.

– Damon, eu… quero muito ter filhos! – Disparei, encarando-o em desafio. O medo havia partido e dado lugar a uma determinação inegualável, era necessário remover aquele peso dos meus ombros, independentemente do que custasse.

Damon olhou-me sem pronunciar uma única palavra, fazendo o meu nervosismo disparar como uma flecha, os olhos encontravam-se ligeiramente arregalados e a boca semi-aberta. Comecei a suar frio.

– Co-como assim queres ter filhos? – Franziu o sobrolho, fitando-me com intensidade e uma certa agressividade, como se quisesse remover essa ideia à força, porém nunca iria conseguir.

– Quero ter filhos, Damon! Ficar grávida, construir uma família…

– Nós já temos uma família! – Interrompeu, bastante nervoso.

– Sim, mas eu quero aumentá-la. Quero um bebé, eu estou pronta para ser mãe.

– Tens a Gracie…

– Damon! A Gracie não é minha filha, que eu saiba.

– Sim mas tu ajudas a tratar dela como se fosse tua filha. – A nossa discussão era cada vez mais disconexa, os seus argumentos não faziam sentido e tinha noção que os meus também não estavam a ser bem expressos.

– Mas eu quero um filho que eu posso chamar de meu, que quando ele conquistar algum feito eu posso dizer com orgulho e lágrimas nos olhos “É o meu filho!” – Limpei uma lágrima cristalina que escorreu solitária pelo meu rosto, Damon pareceu nem se importar, ele estava demasiado abosorto nos caminhos contrubados que eram desbravados na sua mente, naquele preciso momento.

– Mas… — Era como se ele nem conseguisse raciocinar.

– Mas o quê? – Insisti.

– Mas no carro, depois da consulta, disseste-me que não querias ter filhos, quando eu te perguntei… — Ele estava tão perturbadoramente perdido que eu me senti um mostro, por momentos, por confundi-lo daquela forma. Era como se ele não conseguisse processar a cena que se desenrolava perante os seus olhos incrédulos.

– Eu menti, Damon, ok?! E agora responde-me a uma coisa, queres ter um filho comigo? – Olhei-o em desafio, não vacilando um único segundo que fosse. Ter um filho era o meu maior desejo e eu não ia abdicar disso.

Ele pareceu ter ligado o botão on e ter voltado subitamente à realidade.

– Elena… — Chamou, como se eu fosse uma criança birrenta que não fazia a menor ideia do que estava a falar. – Dorme e pensa melhor nisso está bem?

Irritei-me com a atitude dele, eu estava bastante determinada e certa de que era aquilo que queria, não iria deixar ninguém tratar-me como se eu tivesse perdido o juízo.

– Não Damon! Não! Eu já pensei muito nisto e estou mais que certa que o que eu quero é um filho, estou decidida, entendes isso? Não me vais tirar o meu sonho. Eu amo-te, Damon, mas do que alguma vez amei alguém, e queria realizar este sonho a teu lado, pode ser? – Perdi a pose de durona e aproximei-me dele, sentindo-me ridiculamente carente e necessitada. – por favor – Pedi, com os olhos cheios de lágrimas.

Ele olhou-me com ternura mas havia ali uma pontada de tristeza que não me passou despercebida.

– Elena, eu também te amo, mais do que tudo, mas eu não quero ser pai, não estou pronto para abdicar da vida que tenho, para me dedicar a mudar fraldas e passar noites em branco. Estamos tão bem, só nos os dois, porque haverias de querer mudar isso? – Ele parecia realmente confuso e ligeiramente magoado, como se, de certo modo, o facto de eu querer um filho significasse que não gostava na nossa vida, quando era exatamente o oposto, eu amava-a imenso.

Segurei o seu rosto entre as minhas mãos e olhei bem fundo naqueles olhos azuis lindos.

– Meu amor… O facto de eu querer ter um bebé não significa que queira mudar a nossa relação. Eu acho que a nossa vida é ótima juntos e sei que pode ficar ainda melhor ao cuidarmos, juntos, do nosso filho – Tentei explicar mas era um daqueles momentos em que, quanto mais necessitas de palavras, mais elas parecem não existir.

– Eu não quero um filho, Elena. Desculpa, eu não sirvo para pai – Ele disse, completamente inflexível – Não quero criar criança nenhuma contigo e também estou bastante decidido. Por isso esquece essa ideia.

O meu coração deu um baque e eu quase me ajoeilhei no chão, afastei-me daquele ser como se ele tivesse lepra e olhei-o com desgosto.

– Não!

– Como assim não?

– Não, não e não! Então eu tenho que abdicar do meu desejo de ser mãe para tu ficares contente? Não! Eu vou ter um filho, com ou sem ti, Damon – Praticamente cuspi as palavras. O meu ódio era monumental, e eu só queria estrangular aquela criatura rídicula. Eu amava-o tanto, porquê é que ele tinha que ser assim?

– Então espero que gostes de ser mãe solteira! – Com raiva ele virou costas e encaminhou-se para a saída, ia-me deixar ali sozinha, de coração na mão.

– E o que vai ser de nós, então? Ahn, Damon? Depois de tudo o que passamos? – As lágrimas escorriam violentamente pelo meu rosto e eu nem me dava ao trabalho de tentar contê-las, sabia que nunca conseguiria.

– Não sei, Elena, diz-me tu – Ele voltou-se, os olhos vermelhos e com lágrimas por cair – Afinal, tu é que nos estás a destruir. Partiste-me o coração, Elena, essa é a verdade. E claramente temos objetivos diferentes na vida, objetivos que não dá para conciliar. Por mais que me custe eu só vejo uma saída – Ele deixou as lágrimas escorrerem e nem se preocupou em limpá-las.

O meu peito ardia de dor, todo o meu ser desmoronava aos poucos, como se me fossem roubando as peças essenciais para viver. Comecei a chorar desesperadamente ao encarar a porta de saída do paraíso, agarrei-me ao meu tronco pois tinha a sensação que ele poderia despedaçar-se a qualquer instante. Tanta dor…

Porquê? Porquê? Porquê?

Damon, meu amor, não entendes que és tudo para mim? Não percebes que eu, por ti, faria os possíveis e os impossíveis? Pensei, enquanto tentava recuperar as peças roubadas, mas o ladrão era mais veloz e eu morria a cada passo que dava em direção àquela porta de saída. Porque é que não podes tu fazer um sacrifício por mim? Prometeste-me que ficarias sempre comigo, prometeste-me que nunca mais quebrarias essa promessa na tua vida e olha para o que estás a fazer, estás a ir embora! O desespero trepava pela minha garganta e difundia-se para o ar em gritos de agonia, um choro, um lamento, uma dor eterna. Por favor, não vás! Eu preciso tanto de ti, quem sou eu sem o meu Damon? Ninguém, ninguém! Ele abriu a porta de casa e olhou-me, esperando que eu dissesse algo mas as palavras que eu tentava imitir transformavam-se em mais choro quando atingiam os meus lábios, as minhas cordas vocais haviam-se rompido cruelmente. Não quero chorar mais, já chorei tanto durante a minha vida, mas dói, amor, dói tanto. Queima, arde, sangra. Uma tortura psicológica que fere mas sem deixar uma ferida visível, sem deixar transparecer o que necessita de ser curado, afinal, como se cura uma ferida na alma? Corri, indo buscar forças ao além, e agarrei-me às suas costas, molhando imediatamente a sua t-shirt escura. Ouvi o seu gemido de agonia e senti lágrimas cair nas minhas mãos, que repousavam no seu peito. Não me deixes amor, não me assassines deste jeito cruel. Sabes que eu sem ti não existo portanto, se passares por essa porta eu serei apenas uma concha vazia. Um fantasma de uma vida passada, uma mera e insignificante carcaça, sem vida, completamente apagada, deixada entregue ao fatores de erosão que lentamente desgatariam a carcaça até que, por fim, ela simplesmente deixasse de existir e a sua existência fosse totalmente esquecida, apagada.

– Sempre te amarei, Elena, mesmo que sigas com a tua vida, arranjes alguém que te dê o que tu tanto queres eu sempre estarei nas sombras, ansiando por ti, desejando que o mundo fosse um lugar diferente, tomando conta da pessoa que amo, o teu anjo da guarda. – Depositou um beijo nos meus lábios que se mistorou com as sofridas lágrimas.

– Não vás – Implorei, finalmente ligando as minhas cordas vocais novamente.

– Abdicas do teu desejo? – Perguntou sem esperança, tal como eu me sentia naquele momento, completa e totalmente sem esperança. Neguei com a cabeça já sentindo mais lágrimas chegar com o que aquele gesto provocaria.

– Então abdico eu de um dos meus, tu. Adeus, Elena.

E foi embora.

– NÃO! NÃO! NÃO! – Gritei, os meus pulmões estouravam violentamente, a minha garganta fechava-se e eu não me importava de ser tragada por aquela solidão que me envolvia e me puxava cada vez mais para o fundo. Tudo dentro de mim se desfazia e o ar tornou-se subitamente escasso. O meu Damon… perdido. – PORQUÊ?


Deixei-me escorregar pela porta ao sentir as minhas pernas fraquejarem. Nunca havia sentido tamanha dor, era tão debilitante. Era o meu destino, perder todos que eu alguma vez amara.

XxX

O telemóvel tocou, provocando um som estridente e irritante, enquanto eu estava no escritório de minha casa, a conferir uns e-mails e a pensar na minha loira favorita.

Atendi a contragosto e esforcei uma voz aceitável, tentando não soar mal educado.

– Estou?

– Klaus Mikaelson?

–O próprio. Posso saber com quem estou a falar?

– Claro, peço desculpa, o meu nome é Daniel McLewis e eu contactei com a sua secretária mais cedo, ela deve ter-se esquecido de o avisar, ela passou-me o seu número para que eu pudesse entrar em contacto consigo e discutir uma proposta.

– De que se trata? – Perguntei assumindo um tom ainda mais profissional. Reconheci imediatamente o nome e a figura e senti-me honrado por estar a falar com alguem do seu estatuto.

– Eu sou o realizador do filme “Inaptos” e estou bastante interessado no seu prodígio – Comecei a tremer de excitação, quase todos no mundo do cinema tinham algum interesse nos meus prodígios mas Daniel McLewis era um nível acima, sem dúvida.


– Qual deles? – Perguntei, quem seria? Robert? Elena? Paul? Damon? Sophie? Elise? Eram tantos.

XxX

Fiz a minha mala num pressa furiosa, a dor havia dado lugar ao ódio, uma consequência de toda aquela mágoa. Atirei tudo o que me pertencia lá para dentro, escrevi uma carta a Stefan e a Rebekah que haviam levado Gracie a passear e pus-me no carro, ainda não sabia para onde ir, apenas sabia que não podia ficar mais tempo naquela casa. Ver Gracie apenas me faria mal naquele momento.


Parei ao ver um bar e estacionei o carro perto, precisava de uma bebida forte e esquecer completamente a existência de Damon.

XxX

– IDIOTA, IDIOTA, IDIOTA! – Senti sangue escorrer pelo meu punho após esmurrar a maldita parede do meu quarto, que outrora não me pertencera só a mim. Stefan havia ligado, dizendo que Elena se fora embora. A dor que senti nesse momento foi indescritível, trouxe-me de volta à realidade. Aquilo estava mesmo a acontecer, eu tinha perdido a minha pequena.

Não sabia se me insultava a mim ou a ela, não sabia a quem dirigia o meu ódio ou por quem caíam as minhas lágrimas. Eu estava derrotado, completamente derrotado, ela era teimosa e queria o impossível. Custava-lhe assim tanto abdicar daquela maldita criança que ela tanto queria? Não podia fazer isso por mim?

O telemóvel tocou e nem me preocupei em atender, a única coisa que queria naquele momento era morrer, porém tornaram a ligar e a ligar.

– Quem é? – Atendi furioso, sem qualquer educação ou simpatia.

– Damon, sou eu o Klaus – O loiro estava ridiculamente entusiasmado que nem notou o meu tom de voz. – Tenho uma proposta.

E durante a meia hora seguinte fiquei a perceber que ia começar a ser conhecido, e não seria pouco, eu já tinha uma certa fama mas o filme “amor & sentimento” não fora um sucesso tão grande como o que se pensou, de início as audências haviam disparado, mas desceram rapidamente.

O filme seria realizado na Europa, mais concretamente na Alemanha.

Isso foi o suficiente para diminuir o meu entusiasmo, eu não queria sair de perto de Elena, não estava pronto para começar a superá-la, nem sequer estava pronto para não a ver todos os dias.

Eu tinha prometido que seria o seu anjo da guarda, e tinha que cumprir.

– Então aceitas? – Ele perguntou.

– Não.

– Não?! Damon, nunca terás outra oportunidade assim…

– Klaus, eu não posso!

– Porquê é que havias de desistir dos teus sonhos? – Ele parecia realmente incrédulo e uma raiva apoderou-se de mim. Ela não tinha desistido dos sonhos dela, nem por mim, então porque é que eu haveria de fazer o mesmo? Não era justo! Ela deitara-me fora quando eu a contrariei minimamente, sentia-me usado, traído e sabia que não era racional mas não queria saber.

– Tens razão, eu aceito.

– Ótimo! Os castings são terça-feira de manhã, às 9h em ponto, naquele estúdio que fica perto do Froiz, não me lembro nome, sabes quel é certo?

– Sei, Klaus, respira.

– envio-te já o guião, vá, boa sorte!

E desligou, não sabia se o que estava a fazer era o que me traria mais felicidade a longo prazo, mas naquele momento era o que me trazia mais alívio.

Notas finais
Até os casais mais unidos têm os seus pontos fracos, não é? :x
Mil desculpas, gente, não me matem está bem? Eles ficarão bem, em princípio :D
Este cap não tem extra e enviarei o do anterior quando regressar, se me esquecer mandem mp a lembrar sff ahahah
IMPORTANTE:
Cenários da fic:
http://promisesfanfiction.tumblr.com/cenarios
pois, não era assim tão importante mas queria mesmo que vissem, beijooooo