Promises
15 Capítulo 14 - Querida Vingança
Notas iniciais
Acordei com toque suave dos seus lábios contra a pele da minha omoplata. O seu cheiro inebriante provocou as minhas narinas forçando-me a distinguir o sonho da realidade, um sorriso involuntário aflorou aos meus lábios quando um rouco “bom dia” inflamou os meus ouvidos. O meu corpo despertou automaticamente para aquele momento. Damon, coberto apenas por um lençol branco, descia agora os lábios em direção à minha espinha causando-me arrepios de prazer.
Eu estava deitada, de barriga para baixo, na sua cama, meia coberta pelo mesmo lençol e ainda não acreditava que não estava presa em algum tipo de sonho por demais realista. Mas aquelas sensações eram demasiado intensas para que a minha mente as pudesse fabricar.
Voltei-me na sua direção abrindo os braços para aquele ser perfeito que se aninhou entre eles pousando a cabeça em cima do meu estômago liso. Passei os dedos pelos seus fios negros sentindo a suavidade dos mesmos, contornei o seu maxilar e depositei um beijo na ponta do seu nariz.
– Bom dia – Murmurei baixinho ao seu ouvido, um pouco envergonhada, eu não sabia como reagir após uma noite como a anterior, sentia-me um bocado desnorteada. O que é que é suposto duas pessoas dizerem na manhã seguinte? É suposto comentarem sobre o ocorrido? Eu não tinha muito à-vontade no assunto e perguntava-me se ele havia gostado tanto como eu.
– Ficas tão linda a dormir – Senti as minhas faces ruborizarem ao ouvi-lo pronunciar aquelas palavras. Escondi o rosto com os meus próprios cabelos e pude senti-lo rir baixinho. – Escusas de ter vergonha de mim, pequena.
Espreitei por entre a minha cortina de longos fios castanhos e deparei-me com uns olhos incrivelmente límpidos que me fitavam apaixonadamente. A voz dele a pronunciar pequena ainda retumbava dentro de mim provocando-me uma das mais deliciosas sensações de sempre.
– Damon, eu… — Parei não sabendo bem o que lhe dizer. Era impossível expressar o que eu estava a sentir, não havia palavras suficientes para descrever tamanha emoção.
Ele encostou o dedo levemente nos meus lábios impedindo-me de justificar o que quer que fosse.
– O amor não se diz – Senti aqueles olhos azuis percorrem todo o meu ser até penetrarem a minha alma, vendo dentro de mim, conhecendo toda a extensão do meu sentimento. De início não compreendi as suas palavras mas quando ele terminou de falar não pude deixar de pensar que ele nunca havia dito algo tão incrivelmente sábio.
– Como assim?
– O amor não se diz, Elena… O amor sente-se – E dito isto perdi-me novamente na imensidão do seu ser, entregando-me a ele de corpo e alma, deixando-o marcar-me como sua, única e exclusivamente sua.
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Nós bem queriamos ficar o resto do dia em casa, a amar-nos mutuamente, mas infelizmente tivemos que correr para o estúdio pois estavamos atrasados. Segundo o realizador e toda a equipa, a nossa química inegável estava nos picaros e eles conseguiam sentir uma obra de arte a nascer diante dos olhos deles, eu ficava feliz por ver o meu esforço recompensado e o de Damon também. Estar com ele vinte e quatro horas por dia não era minimamente fatídico, muito pelo contrário mas como todos sabem, o que é bom infelizmente acaba rápido.
POV Katherine
Imagens aleatórias dos dois anos mais felizes da minha vida passavam diante dos meus olhos, como seria possível que eu alguma vez o pudesse esquecer? Afinal ele era o amor da minha vida. Eu iludira-me como uma adolescente tolinha, iludira-me que tudo ficaria bem, que nós nos amariamos para sempre e não pude ver o comboio a tempo de o travar e o acidente ocorrera. Ela sobreviveu e Damon também, ele escolheu-a, julgando-me morta mas o que ele não sabia é que eu estava mais que viva e pronta para cobrar uma doce e querida vingança.
E sentia que essa vingança estava próxima.
Nem pensar que eu ia desistir assim tão facilmente, seria como desistir de mim mesma e eu cuido sempre de mim primeiro, independentemente de quem se magoe no caminho, afinal de contas é praticamente impossível conseguir evitar danos colaterais.
Caminhei sinuosamente até ao arranha-céus em que ele vivia após estacionar o carro numa rua afastada para que ele não o visse quando chegasse. Esbocei o meu melhor rosto inocente e aproximei-me do porteiro que sorriu de imediato, reconhecendo-me.
– Senhora Pierce – Cumprimentou com um aceno de cabeça.
– Olá – Sorri educadamente – O Damon está? Ou a irmã dele? – Senti algo revolver-se dentro de mim ao coagitar a possibilidade de ela já ter estado no andar que antes fora apenas meu e dele.
– Não, senhora. O Sr.Salvatore saiu faz algum tempo, de carro, mas não deu para perceber se havia mais alguém com o senhor … — Senti um alivio no peito quando ele não pode confirmar a presença de outra pessoa e conclui que eles não haviam estado juntos.
– Bolas – Suspirei frustrada recebendo um olhar inquisidor em resposta — Desculpe mas não tem aí consigo as chaves suplentes da penthouse? É que eu perdi a carteira e tive que vir a andar porque tinha lá as chaves do carro e também às chaves de casa, vai ser mesmo uma chatice se eu tiver que ficar aqui à espera dele…
– Compreendo, ainda por cima parece que o tempo irá piorar e acho que o Sr. Salvatore não gostaria nada que eu deixasse a deixasse cá fora – Ausentou-se regressando dois minutos depois com a chave suplente que Damon tinha ali, por segurança.
Subi até ao último andar e quando entrei vi que estava tudo arrumado na entrada, na sala, na cozinha. Abri a porta do corredor e fui diretamente até ao quarto gelando quando abri a porta do mesmo. Os lençóis encontravam-se revolvidos na cama que estava em completa desordem. Lágrimas grossas escorreram pelos meus olhos turvando-me a visão. Eu sabia que Damon não tinham sonhos assim tão dinâmicos ao ponto de desfazerem a cama por isso só havia uma justificação para tudo aquilo, justificação essa que fazia o meu peito arder de ódio e angústia. Como é que ele pudera descartar-me daquele jeito? Como se eu não valesse nada e de seguida foder a própria irmã? Aquela criança sonsa merecia uma valente lição. Não se brinca com os mais velhos, queridinha, murmurou o meu subconsciente.
Rezei para que ela também aparecesse, ia ter uma surpresa tão agradável…
POV Elena
Depois das gravações eu e Damon decidimos que ficar trancados todo o dia no loft não era nada agradável e que precisavamos de sair. Fomos dar um passeio pela praia, comemos gelado e todas essas coisas típicas de casais.
Se é que nós eramos um… Na verdade eu não sabia bem o que eramos, eram muito cedo para rotular-mos a nossa relação, talvez nunca o fossemos fazer. O que quer que fosse que nós tinhamos era perfeito e não havia necessidade de arruinar isso.
Após o nosso passeio passamos pelo meu apartamento para que eu pudesse ir buscar um pijama, coisas de higiene e uma muda de roupa, passaria a noite com Damon. Caroline não ficou propriamente alegre mas também conseguiu controlar o asco que sentia em relação ao moreno e foi mais ou menos civilizada.
Damon entrou pela garagem, estacionando no devido lugar e em poucos minutos abri a porta da penthouse.
Estava tudo impecável exceto o quarto, lembrei-me corando ao de leve ao recordar cada segundo da noite anterior.
– Queres que vá arrumar o quarto? – Perguntei olhando para algum ponto afastado dos seus olhos maliciosos.
– Não é preciso, amor, eu vou. Não queres cozinhar um jantar delicioso para nós os dois? – Sorri entusiasmada com a ideia de cozinhar para ele, a cozinha era uma das minhas paixões eu era capaz de perder horas no meio de livros de receitas e ingredientes.
Eu estava entretida a vasculhar o frigorífico quando ouço Damon gritar “merda”. Curiosa fui até ao quarto e o que vi fez com que algo dentro de mim se revolve-se provocando-me enjoos.
Katherine, vestida apenas com um conjunto de lingerie ridiculamente sedutor, passava as mãos ao longo dos braços de Damon e mordia o lábio provocadoramente.
– Elena! – Damon gritou descontrolado afastando-se da morena.
– Merda! Damon quando me disseste para vir não sabia que era mais tarde! – O rosto de Katherine era uma máscara de preocupação e choque, como se ela e Damon tivessem sido apanhados no flagrante.
– Cala a boca – Rugiu Damon aproximando-se de mim – Elena, tens que me ouvir…
– Shiu! – Ordenei, sem olhar para ele, vendo o sorriso satisfeito da morena.
Surpreendendo-os aos dois comecei a rir da situação, como é que era possível?
Simplesmente não conseguia parar de rir, era tão ridículo e infantil. Mordi o lábio na tentativa de me calar mas foi completamente em vão. Quando o ataque de riso parou os dois olhavam-me atordoados.
– Eu não acredito nisto! Como é que é possível que tu penses que estes planos de filme de segunda categoria resultam? – Perguntei a Katherine que pareceu furiosa. – Eu confio no Damon e sei que ele nunca me magoaria deste jeito. Tu perdeste tempo a arquitetar todo um plano, bastante clichê e infantil, para nada. Honestamente? Tenho pena de ti – Cuspi as palavras com escárnio, sentindo nojo de estar na presença de alguém como ela. Eu estava farta de ser sempre boazinha e perdoar todos. Ela fizera aquilo para me atingir, eu não tinha direito de fazer o mesmo?
– Sua vaca! – Berrou com as ações toldadas pelo ódio. Antes que qualquer um de nós pudesse impedir ela avançou para mim dando-me um estalo bem forte. A minha cabeça girou completamente e a minha bochecha ardia. – Que tipo de puta desesperada é que dá para o irmão? Nós eramos felizes antes de tu apareceres sua nojenta de merda!
As palavras dela magoaram-me profundamente, eu não “dera para o meu irmão” eu entregara-me a ele, nós fizeramos amor, algo sagrado não algo que devesse ser violado por bocas sujas. A dor atrofiou o meu peito e era como se o chão debaixo de mim tivesse simplesmente desaparecido.
E se fosse errado o que nós haviamos feito? Não, não podia ser… Desde quando é que o errado parecia tão certo?
Damon arrastou Katherine até à porta, pedindo-lhe que se acalmasse. Arrependi-me do que lhe disse. Quando somos apenas controlados pelas nossas emoções, como ela, perdemos a racionalidade e tudo o que importa é que o nosso coração continue a bater como dantes.
Sentei-me na ponta da cama completamente absorta de tudo o que me rodeava. Eu e Damon eramos feitos um para o outro por isso não havia nada de errado no que haviamos feito, certo? Não era sexo impuro…
Imaginei-o a fazer o mesmo com Katherine e senti-me a morrer por dentro apenas de pensar nisso, mas por isso mesmo é que eu podia até compreende-la. Odiava-a, sem dúvida, mas entendia-a mais ou menos. Só não entendia como é que ela pudera fazer uma coisa daquelas.
– Em que é que ela se baseou para agir deste modo, Damon? – Perguntei ao senti-lo a meu lado, com receio de me tocar.
– O amor tem duas faces: a que te completa e a que te destrói, Elena. – Respondeu simplesmente.
Pousei a cabeça no seu peito e deixei-me ficar assim. Nós eramos certos, eu não podia duvidar disso.
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Nessa noite eu e Damon não nos tornamos a unir mas não rejeitei o calor do seu corpo, eu precisava de sentir aqueles braços à minha volta, eles suportavam-me quando tudo à minha volta parecia ruir.
Pensei em Katherine até adormecer e dei por mim preocupada com ela, não queria que ela cometesse nenhuma loucura, ela precisava de uma amigo e fora por isso que eu, quando Damon já dormia, sai sorrateiramente de casa, roubando o número dela do telemóvel do meu anjo para poder ir à procura dela. Eu precisava de me desculpar pelas palavras crueis que lhe havia dito.
E, bolas, porque é que eu tinha que ter uma consciência pesada quando tudo na minha vida se estava a recompor?
Notas finais
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