Promise of Reunion
2 Capítulo 1 - Amarelo-discórdia e azul-solidão
Promise of Reunion
Capítulo 1 — Amarelo-discórdia e azul-solidão
O local da exibição estava particularmente cheio. Mary não imaginava que Guertena fosse tão famoso assim. Era mesmo possível que ele fosse tão conhecido assim? Ouvira boatos de que ele havia dado uma entrevista para um famoso jornal do país. Era estranho. Se fosse tão famoso assim, não teria passado por tantos problemas financeiros e todos os seus quadros trancados em sua própria casa. “Estranho...” ela balbuciou, sem que percebesse. “Algo de errado, Mary?” Garry olhou curioso em sua direção. “N-não é nada, apenas estava pensando alto demais” ela disse, virando o rosto e afundando suas mãos no bolso de seu casaco. Estava surpreendentemente fria aquela tarde de sábado. Mary poderia jurar que ontem mesmo estava um calor insuportável. A instabilidade do tempo havia lhe passado sem que percebesse.
Não mais que de repente, ouviram-se sons de alguns tambores. “Bem-vindos, bem-vindos! Eu estou tão honrado com a presença de vocês!” o palhaço, cujo Mary julgava ser Juggling, começou o discurso. O discurso do palhaço – não – malabarista, de nada serviu para Mary. Mas ainda assim era como se ela percebesse que o olhar dele toda vez voltava a tentar encontrar os perdidos olhos da jovem. Ao fim do discurso, as pessoas ao redor começaram a aplaudir. “Bravo!”; “Magnífico”; “Esplêndido!”; algumas moças perto de Garry diziam. Mary não sabia descrever a sensação, mas sabia que já havia encontrado tais mulheres em algum outro lugar. Eram três jovens muito parecidas – idênticas, se lhe era permitido dizer. Entretanto, algo estranho se passava com elas. Mary conseguia facilmente ouvir suas vozes, porém ela não era capaz de enxergar com clareza os detalhes de seus rostos. Sabiam que todas tinham olhos e cabelos da mesma cor, porém ela não conseguia dizer que cor era a qual ela enxergava. Também era muito estranho o fato de que seus vestidos possuíam o mesmo estilo, porém com cores diferentes. Pensou em dizer algo a respeito para Garry, porém o som de suas palavras fora completamente ignorado quando abriram-se as portas para a entrada na galeria.
“Vamos?” Garry gentilmente estendeu sua mão para Mary. Ela hesitou por um momento. Olhou para trás, olhos as pétalas de cerejeira que caiam de sua árvore com o soar da brisa. Suspirou. Será que ela poderia mesmo sair daquele lugar viva? Será que seria capaz de reverter o “final infeliz”? É claro. Ela sorriu. Não seriam apenas dois a sair. Sim. Certamente. “É claro” lançou seu olhar confiante para Garry e o puxou para dentro da galeria. As portas de vidro abriram-se com um rangido. Ao adentrar na galeria, vozes e vozes eram ouvidas. Muitos idiomas conflitavam-se no espaço da galeria: desde o tradicional inglês até línguas totalmente diferentes, como o húngaro. Garry notou que a galeria era mais ampla do que havia conhecido pela primeira vez. Bem, ele não esperava que estivesse exatamente do mesmo jeito, só que a galeria estava muito mais ampla. Os – agora — quatro andares da galeria estavam mais espaçados, onde as esculturas não estavam tão apertadas quanto na última galeria.
Ambos andaram lado a lado enquanto exploravam a galeria. Algo estava relativamente estranho ali, mas era difícil dizer o que. A atmosfera pesada, as vozes das pessoas, esse pressentimento bizarro que não saia da cabeça de Mary começava a crescer mais e mais. As horas passavam como segundos, fora do consentimento tanto de Mary — quanto de Garry. Quase como se fosse uma piscadela de olho, havia escurecido e a galeria estava quase deserta. Garry apressou-se em sair do lugar, porém já era tarde demais. “Ora, se não está aqui a ‘rosa azul da solidão”. Juggling trancou a porta e encostou-se nela. “Você...” Mary lançou um olhar raivoso para o malabarista – não – pintura. “Eu deveria saber... Era muita coincidência...” ela disse. Juggling soltou uma risada macabra e aproximou-se da garota “Por que Mary, você nos abandonou? A 'rosa amarela da discórdia', a última de todos, logo a mais querida, como pode nos trair desse jeito?” ele tocou o rosto dela e em um ataque de fúria ela deu-lhe um tapa no rosto. Ele exclamou de dor. “Veja Mary, não é maravilhoso? Eu, você, agora todos nós sentimos. A dor, ah a dor, sentir não é mágico?”. Ele riu mais uma vez “Agora diga-me, o que irá fazer? Você mesma pode ver, não há escapatória”. Mary cerrou os olhos “Eu não vim aqui porque precisava de uma saída, meu caro palhaço. Mas sim...” Ela agarrou a mão de Garry e começou a correr “Porque preciso de uma entrada!”. Subiram juntos até o quarto andar, sendo constantemente perseguidos por Juggling, até que chegaram no andar desejado. Paredes amarelas decoravam o local, onde ali estava uma porta e seis quadros – três de cada lado da porta. A pergunta era simples, e complicada ao mesmo tempo: “Quem é que fala a verdade?”. Seis pessoas, apenas uma falava a verdade. Não havia tempo suficiente para raciocinar direito, cada um dizia algo, um falatório que não se cessava, as palavras girando na cabeça de Garry. Qual era a resposta? Até que Mary reparou um punhal, pequeno, quase impossível de se ver, apenas uma ponta da lâmina cintilante brilhava atrás do quadro. Garry sem pensar, derrubou o quadro e pegou a lâmina. “Ataque-os!” Mary gritou, enquanto tentava barrar Juggling, furioso, do caminho. Um por um, os quadros começaram a encher-se de sangue, e atrás deles escrito “Mentiroso!” , até que a resposta apareceu na porta “Quatro passos ao leste e dois passos ao norte”. Garry fez o que as instruções mandavam e ao dar o último passo, uma chave apareceu no chão. Rapidamente, Garry pegou a chave e destrancou a porta. “Mary!” ele gritou, e puxou a garota. Assim, ambos caíram na escuridão atrás da porta, que os levaria para um mundo mais estranho do que conheciam anteriormente: as profundezas da galeria.
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