Promise of Reunion
3 Capítulo 2 - Sequência
Notas iniciais
Promise of Reunion
Capítulo 2 — Sequência
Garry lentamente abriu os olhou, ainda atordoado por tudo que havia acontecido em um período de tempo tão curto. Sentou-se e pousou as mãos levemente sobre a cabeça. O que tinha acontecido? Lembrava-se vagamente de ter encontrado com Mary e visitar a galeria. Mary? Galeria? Oh certo. Rapidamente recobrou as memórias. Ele havia aberto uma porta e eles haviam caído em algum lugar. Esfregou os olhos, forçando a visão, claramente em vão. Os olhos azuis escuros, tão escuros que quase remetiam a cor violeta, não enxergavam nada muito mais que uma sala ampla, aparentemente vazia e escura. O tique-taque do relógio — cujo ele se perguntava onde estava e como era, porque não o encontrava e sua curiosidade levou-o a pensar de que tamanho o relógio deveria ser para soar tão estrondosamente — era intenso e o deixava nervoso, como se algum tempo limite estivesse expirando. Levantou lentamente e escutou murmúrios de Mary. Ela, quase tão atordoada, demorou para acordar, mas assim que seus olhos abriram-se ela levantou-se em um salto. Com as mãos firmemente agarradas em seu punhal, ela olhou minuciosamente os arredores, em busca de um inimigo, mas apenas encontrou Garry. Suspirou em alívio — não havia sido pega de guarda baixa. "Estamos seguros" ela sussurrou. "E agora, onde estamos?" Garry indagou, esperando uma resposta positiva. "Ah não..." Mary colocou as mãos sobre a cabeça. "Ei, você está bem?" ele aproximou-se da garota. "Garry... Será que você esquece de tudo tão fácil assim...?" ela apontou para o chão, e então as coisas começaram a ficar claras. Como se um interruptor tivesse sido ativado no quarto, as luzes azuladas lentamente começaram a surgir, e símbolos — como estivessem sido desenhados com giz de cera por uma criança — tornaram-se luminosos no chão.
Nenhuma outra palavra precisou ser dita. Sketchbook. O mundo imaginário de Mary, cujas leis iam além do domínio de qualquer um, exceto a mesma. Onde os mais simples desenhos poderiam tornar-se o pior pesadelo até do homem mais valente. Garry suspirou. Pobre garota. Ele sabia bem o que era sofrimento, mas de um modo ou de outro, a vida dele deu um salto para um futuro melhor. Mas ela. Ela sempre esteve no meio termo da balança entre esperança e o desespero. Uma menina que agora teria o que,16 anos? Que em um único dia sequer passou sem sofrer, com medo do escuro? Aí estava um fardo e tanto para carregar. "Precisamos sair daqui, o mais rápido possível" Mary disse, dispersando qualquer pensamento que impedia Garry de agir. "E que tal aquela porta ali no fundo?" ele apontou, uma porta amarela brilhante chamava atenção "Tentar não custa nada, não é mesmo?". Mesmo após inúmeras tentativas, a porta não se abria. "Droga..." ela suspirou, até que seu olhar foi pego em desenhos na parede.
Uma sequência de desenhos — Coração, Olho, Lua, Sol, Estrela, Espiral, Cereja, Par de Lábios — era seguido da palavra "Start". Os dois olharam curiosos. O que era aquilo, em primeiro lugar? Mary olhava, olhava, olhava e ainda assim não entendia. A sequência de desenhos formava um caracol. Garry olhou para os desenhos no chão. Havia um grande quadrado desenhado, e alguns pontos vermelhos chamavam atenção. Mas o que mais o chamava atenção era um desenho, que mais parecia um desenho de uma explosão. O que aquilo poderia significar? "Não podemos perder tempo, precisamos decifrar isto!" ela olhou, irritada e preocupada para Garry. Mas eram palavras vazias, já que nem a mesma sabia o que era — e pensar que ela era a própria autora.
"Vamos Mary, tente-se lembrar de algo!" Garry disse, já começando a ficar nervoso, os dedos remexendo nos cabelos de tão ansioso. "Mas eu não lembro! E você, me ajude! Você já esteve aqui, não esteve?" ela gritou. É verdade, ele esteve lá. Mas o que havia acontecido mesmo? Ele apenas lembra da imagem de Ib, agarrada a seu braço. Ah sim. Ib. Ele esboçou uma expressão de decepção. Ib era quem tinha resolvido esse "quebra-cabeça". Garry apenas ficou parado, observando enquanto a garota pulava vivamente botão sobre botão. E aí como em um estalar de dedos, a chave estava lá. Mas a questão é, a porta já estava aberta. O que eles precisavam era abrir a porta, e não de uma chave estúpida. Porta. Uma porta, era só daquilo que eles precisavam. Porta... Ah sim! "Mary eu lembrei de algo importante!" ele exclamou, animado. "E o que é?" ela sentiu-se forçada a prestar atenção, entusiasmada com a ideia. "Veja bem, antes de estarmos aqui — digo, eu e Ib — aquela porta já estava aberta. Nós não estávamos aqui, a porta já estava aberta. Mas aí eu me lembrei: Antes de entrarmos aqui, precisamos abrir aquela porta. E a porta estava barrada com uma parede de gelo, um gelo sólido que só com o toque arrepiava!". Mary agora sorria "É isso! Gelo!" ela correu até uma das paredes, passando a ponta do punhal. Até que ouviram um arranhão, um som estridente e horrível, que fez com que Garry arrepiar-se todo. Ela fez um sinal com a mão, como se estivesse chamando-o. "Quebre o gelo" ela ordenou. Ele lançou um olhar de desprezo evidente — garotinha insolente — mas mesmo assim martelou o gelo com o punhal. Era uma arma pequena, o que levou horas e horas para terminar o serviço, mas enfim, ele conseguiu abrir uma passagem e eles saíram.
"Viva!" ambos exclamaram. Mas ainda assim não havia o que comemorar. O lado de fora não possuía uma porta. "Não..." Mary murmurou. "Ainda teremos que decifrar aquele código se quisermos achar Ib...". Eles olharam em volta. A pequena cidadela feita de giz ainda permanecia a mesma. O coração de Mary sentiu uma pequena dor ao ver tudo aquilo outra vez. Ela lembrou vagamente de alguns desenhos, magoada e ressentida com tal visão. Tudo aquilo era tão precioso naquele tempo... Mas agora tudo soava como um pesadelo horrível. Ela suspirou. "Ei Garry, vamos dar uma olhada em volta... Quem sabe não descobrimos como decifrar aquilo?". "Vamos..." ele suspirou, e ambos caminhavam lado a lado, observando cada detalhe na esperança vaga de encontrar o que procuravam.
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