Promise Me
8 Sentimentos básicos.
Notas iniciais
Blaine se acorda depois de uma noite longa de sono, coça seus olhos embaçados e se espreguiça um pouco. Ele ergue a cabeça e vê o plebeu ainda dormindo ao seu lado. O príncipe não consegue evitar de ficar lhe olhando e isso acaba fazendo surgir em seus lábios um sorriso na qual ele não consegue mais conter.
Anderson se senta e permanece observando o castanho que parece estar completamente cansado, pois dorme em um sono profundo. O moreno se aproxima mais um pouco dele e continua lhe olhando, até que enfim, leva uma de suas mãos até o rosto dele e com o dedo indicador alisa a sua pele lentamente.
O príncipe está sentindo coisas que jamais pensou que sentiria, ele realmente tem vontade de estar ao lado do Hummel, mesmo sabendo que ele cometeu um crime e que não só ele fez isso, como também o próprio Blaine está cometendo por estar com esses tipos de sentimentos em relação a Kurt o que é completamente proibido.
–Blaine? – Kurt se acorda e acaba dando um susto de leve no príncipe que rapidamente fica corado por ter sido pego no flagra alisando seu rosto
–Sim? – Ele retira rapidamente sua mão e se constrange
–O que estava fazendo? – O castanho dá uma risada engraçada por conta da sonolência e acaba retirando do príncipe mais um sorriso bobo – Estava me alisando? – Ele insiste em questionar se virando agora para o moreno
–Talvez. – Ele responde envergonhado – Como foi sua dormida?
–Serio que depois de dois beijos essa é a única coisa que você tem a me perguntar? – Kurt arqueia as sobrancelhas e mais uma vez o moreno fica corado
–Você está me deixando constrangido. – Blaine diz olhando para baixo, mas logo desvia o olhar para o castanho – Eu... posso?
–Pode? Pode o que? – Kurt parece confuso
–Te... – Blaine coça a cabeça pois ele não faz ideia de como pedir isso
–Te? –Kurt meche a cabeça como se estivesse tentando compreender
–Posso te... – Ele realmente está envergonhado – Te dar um beijo?
O plebeu cai na gargalhada. Ele não consegue se segurar e simplesmente agarra sua barriga com as mãos e sente o riso subir por todo seu corpo. Blaine lhe olha confuso e as risadas não cessam.
–Eu não deveria ter pedido isso. – Blaine rebate tentando se levantar, mas Kurt o puxa de uma só vez e ele acaba caindo com seu rosto bem próximo ao dele
–Essas coisas não se pedem, príncipe. – Kurt lhe olha nos olhos enquanto o príncipe desviar o seu olhar para os lábios do mais alto
E só então Blaine leva sua boca até a do castanho. Seus lábios se juntam mais uma vez e o corpo do moreno se estremece. Kurt leva uma de suas mãos até as costas do mais baixo e o puxa para mais perto dele, sendo assim, Blaine junta seu corpo no de Hummel e aos poucos vai se deitando mais juntamente com ele.
A respiração dos dois se misturam bem como as suas línguas que dançam juntas. O príncipe arrasta sua mão pelo peito do castanho que por sua vez entrelaça sua perna na dele o deixando completamente sem forças por esse ato.
–Você me deixa fraco. – Blaine fala ainda de olhos fechados
E só então Kurt mais uma vez volta a lhe beijar, o castanho puxa seu corpo e aperta com força a farda do príncipe bem como a pele dele. Blaine por sua vez, acaba deixando sua mão entrar por debaixo da camisa do castanho que se arrepia por completo pelo gesto. O príncipe não consegue se segurar e acaba se deitando em cima do mais alto, que perde as forças e agarra a sua nuca.
O príncipe por sua vez arrasta suas mãos do peito do castanho pela sua barriga e vai indo em direção a sua calça.
–Blaine, Blaine. – Kurt para de beija-lo e lhe encara
–O que? – O príncipe questiona um pouco atordoado
–Acho... –Ele empurra um pouco o príncipe – Acho que estamos indo um pouco além do que deveríamos.
–Claro, claro. – Blaine se recompõe ao lado do castanho – Desculpe-me, acho que fiquei um pouco empolgado.
–Eu só acho que... – Kurt respira fundo – Bom... nos conhecemos a poucos dias, e nos beijamos pela primeira vez ontem e eu ainda estou digerindo tudo isso que está acontecendo, já que há alguns dias eu simplesmente te odiava e você estava me caçando.
–Sim, eu entendo perfeitamente bem, me perdoe. – Blaine coça a cabeça em um gesto envergonhado
–Eu só não quero apressar as coisas, tenho medo de me machucar se eu fizer isso. – Kurt comenta olhando para o moreno
–Bom... –Ele segura na mão de Hummel que desvia seus olhos para esse ato — Se depender de mim, isso nunca vai acontecer com você.
–Eu realmente fico muito feliz por isso... só que... –Ele olha mais uma vez nervoso para o príncipe – Uau. Eu realmente estou me envolvendo com alguém?
–Por que é tão difícil de acreditar nisso? – Blaine dá uma risada
–Não é difícil, é estranho. –Ele acaba rindo
–É estranho por que são dois homens ou por que você jamais pensou em ter algo com alguém? –O príncipe arqueia as sobrancelhas triangulares
–Acho que as duas opções. – Kurt suspira – Eu só...
O príncipe parece perceber que algo incomoda o plebeu que por sua vez parece não querer dizer o que é.
–Vamos Kurt, me diga o que se passa em sua cabeça.
–Eu sei que estou sendo um pouco precipitado, mas... você vai se casar com a princesa Berry e eu provavelmente com a Brittany. Por que estamos fazendo isso?
Pela primeira vez Blaine não sabe o que responder ao castanho e por isso, ele abaixa a cabeça e permanece em silencio, tentando buscar alguma solução, mas nada lhe vem à mente. Kurt realmente está certo, assim que os guardas chegarem para busca-lo tudo mudará, o plebeu será preso, o príncipe se casará e tudo voltará a ser como antes.
–Eu não vou voltar ao palácio. – O príncipe afirma voltando a lhe olhar
–Você está louco. – Kurt dá uma risada, mas logo percebe que o príncipe está sério – Isso é sério? Blaine, você não pode fazer isso.
–Você vai me dizer que não estou fazendo o certo? Kurt, eu nunca senti com ninguém o que eu estou sentindo com você. – Ele segura as mãos do mais alto – Eu sei que isso não é apenas uma ilusão, sei que nós podemos viver muito mais disso. Basta apenas eu não voltar ao palácio.
–Você só pode estar com aquele chá ainda dentro do seu corpo. – Kurt parece abismado – Acho que se esqueceu que os guardas irão me prender com ou sem a sua ordem.
–Darei meu jeito. – O príncipe afirma levantando-se – Não é todo dia que você passa a gostar de um ladrão.
Kurt não se aguenta e dá mais um sorriso bobo, a mesma coisa que se passou pela cabeça do moreno está se passando pela sua, “Não é todo dia em que você passa a gostar de um príncipe”, mas por pior que seja essa frase ainda teria continuidade “ E não é todo dia que um príncipe corresponde os seus sentimentos”.
Essas frases acabam permanecendo na mente de Kurt. Ele realmente estava gostando de um príncipe, alguém da realeza. Isso é muito difícil de acreditar.
–Está com fome? – Kurt questiona sendo ajudado a se levantar – Ontem acabou dormindo sem comer as frutas.
–Eu não queria mais comer frutas. – O príncipe faz uma cara manhosa e abraça a cintura do castanho – Não podemos arranjar outra coisa?
–Claro que podemos, mas levará um pouquinho mais de trabalho. – Kurt fala lhe olhando nos olhos e o príncipe se aproxima para mais um beijo. – Nada... – Kurt põe a mão no rosto do moreno para impedi-lo – De beijos agora, estou morto de fome.
O príncipe dá uma risada pela ousadia do príncipe, jamais ninguém pôs sequer um dedo em frente ao seu rosto, para ele antes isso seria um completo desrespeito, mas agora, o moreno se esqueceu completamente disso.
–Vamos príncipe, hoje você sujará as suas mãozinhas. – Kurt diz dando as costas a ele e caminhando em frente
–Eu vou sujar minhas mãos? – O príncipe se preocupa correndo em sua direção – Kurt, não é nenhum tipo de repulsa minha, mas eu nunca trabalhei pesado...
–Para tudo tem uma primeira vez, não? – O castanho questiona lhe encarando e só então como uma criança emburrada o príncipe apenas faz que sim com a cabeça
Os dois vão em direção a floresta e caminham por mais ou menos uns dez minutos em silencio. O plebeu parece estar atento ao ambiente enquanto o príncipe apenas observa confuso essa atenção dele.
–O que de fato estamos fazendo? – Blaine questiona
–Silencio. – Kurt o repreende – Aqui em cima!
–Aqui em cima, aonde? – Blaine olha para cima
–Na árvore. – Kurt rebate indo em direção ao caule dela
–Kurt, o que você vai fazer? – O príncipe questiona assustado
–Vou arranjar o nosso desjejum. – O castanho dá uma risada e só então apoia suas duas mãos no caule da árvore
–Kurt você não irá.... –Blaine olha, mas já é tarde – E ele já foi.
O plebeu está literalmente escalando a árvore, ele apoia suas duas mãos em alguns galhos de cima e com as pernas dá um impulso para subir. Assim que faz isso, com atenção vai se apoiando para subir mais e mais.
–Kurt... – O príncipe começa a olhar de um lado para o outro – Vai me deixar aqui só?
–Quer subir? – O castanho grita já lá de cima
–Eu não sei subir em árvores, na verdade eu não sei subir em nada, a não ser em um cavalo é claro. – O príncipe parece preocupado por estar sozinho
–Vocês do palácio sempre foram assim? – Kurt aparece com a cabeça entre as folhas
–Assim como?
–Tão... sem vida. – Ele acaba dando uma risada
–Eu não sou sem vida. – O príncipe se ofende – Eu me acordo, tomo meu café com os conselheiros, depois tomo um banho e pratico minhas higienes, após isso tenho aulas de esgrima, ando um pouco a cavalo, almoço, dou um cochilo, logo após meu chá da tarde mais uma vez com os conselheiros, toco um pouco de harpa e por fim espero a refeição noturna para ir dormir.
–E isso é viver? – O castanho questiona ironicamente – Sua vida realmente é muito empolgante.
–E o que você faz, posso saber? – Ele questiona colocando as duas mãos no quadril em indignação
–Eu faço o que me der vontade. – Kurt rebate – Não tenho uma rotina, simplesmente me acordo e faço aquilo que quero.
–Sem rotinas? – O príncipe parece confuso – Isso é possível?
–Blaine, basta apenas você querer. – O castanho está surpreso por saber que o príncipe não vive. – Como por exemplo, daqui a dois segundos estarei jogando alguns ovos aí para baixo, se eu fosse você pegaria todos eles.
–Você o que? – Blaine se assusta
–Ai vai o primeiro! – Kurt grita e só então joga um ovo
O príncipe dá um pulo para trás e o ovo acaba estourando bem ao seu lado, ele se assusta e observa mais uma vez outro ovo vindo da árvore para baixo.
–Calma! – Ele grita – Kurt!
–O que? – O castanho questiona
–Você pode ao menos esperar eu me ajeitar? – Ele indaga
–Você precisa se arrumar para pegar alguns ovos? – Kurt indaga confuso
–Pronto. – Blaine diz se armando em postura
E só então dando uma gargalhada Kurt começa a jogar um ovo de cada vez, o príncipe agarra todos delicadamente e vai os pondo no chão. Assim que Hummel termina de jogar os ovos, ele olha para frente e vê algo curioso.
Os olhos do plebeu brilham, ele está bem diante do caminho que leva até a vila. O castanho não sabe o que fazer, não sabe se desce e conta logo ao príncipe ou se simplesmente não fala nada, afinal de contas tudo que ele menos quer é chegar a vila é ser preso e em consequência ficar longe do moreno.
Sendo assim Kurt permanece por enquanto em silencio e logo desce com agilidade da árvore.
–Você sabe que alguma mãe irá procurar esses ovos não? – O príncipe questiona lhe entregando três ovos para ele segurar
–Você come ovos no palácio? – Kurt questiona rindo
–Sim...
–Pois bem, ninguém pensa na mãe deles quando vão comer. – Ele por fim começa a caminhar de volta a cachoeira – Você precisa viver mais príncipe.
–Já disse que vivo bem.
–Não foi o que me pareceu. – Kurt lhe olha – Viver em uma rotina pode até ser bom, mas seguir isso por anos não é saudável.
–E o que você sugere que eu faça? – Blaine questiona
–Sugiro que fique ao meu lado, eu farei você viver como se deve. – Kurt dá um sorriso
O moreno acaba correspondendo o sorriso, nunca se vira alguém tão bobo por outra pessoa como o príncipe está com o plebeu. O castanho é completamente sarcástico, esperto, corajoso e vivido, isso dá ao príncipe todas as qualidades e características que ele jamais teve.
–Eu acho que vou adorar ficar ao seu lado. – O príncipe retruca
–E eu vou adorar te ter ao meu lado. – O plebeu rebate
Os dois sorriem e ficam corados sendo assim andam os próximos três minutos em silencio chegando logo a cachoeira.
–E o que nós iremos fazer com esses ovos roubados? – O príncipe questiona
–Primeiramente, nós não roubamos, apenas pegamos eles. – O castanho retruca – Nós vamos fazer uma fogueira e vamos frita-los.
–Eu nunca cozinhei. – Blaine rebate receoso
–As pessoas de lá fazem tudo por você? – Kurt questiona pegando alguns gravetos
–Sim, basicamente tudo. – Blaine o observa
–Lhe dão até banho? – Kurt rebate rindo
–Quando eu estou precisando de alguém que lave as minhas costas...
–Oh não. – Kurt se assusta – Eu estava brincando! Não acredito que lhe dão banho! Blaine, isso é o cumulo do absurdo.
–Por que? Ninguém nunca lhe deu banho? – Blaine questiona enquanto Kurt junta os gravetos
–Sim, minha mãe, até os meus cinco anos de idade. – Kurt diz debochadamente
O príncipe lhe encara, tudo o que o castanho vem lhe dizendo de fato é ridículo. Blaine sempre foi o filho preferido da rainha, desde de pequeno sempre ganhou os melhores presentes, as melhores comidas, as melhores roupas ao contrário de seu irmão que quando ganhara algo simplesmente era para não dizer que não ganhou.
Quando a rainha Pam soube que estava gravida todo o reino foi à loucura, fizeram festas, banquetes e lhe deram milhares e milhares de presentes e a própria rainha os recebeu com o maior sorriso no rosto. O rei Richard por sua vez já passou a amar o seu filho muito antes dele nascer e quando enfim veio ao mundo ele simplesmente pagou moedas de ouro a criadas especificas para o recém-nascido. Isso de algum modo deixava o príncipe Cooper em angustia, ele observava o tão grandioso amor dos pais com o filho mais novo e o desprezo tão visível com ele, o que não lhe agradava.
E desde então, o amor com o príncipe Blaine só viria crescendo, bem como o seu jeito esnobe e a sua dependência de pessoas que lhe ajudassem. Ele nunca aprendeu nada sozinho, sempre teve que ter pessoas ao seu redor para lhe mostrar tudo, como se deve montar em um cavalo, como galantear uma moça, como ter postura na mesa dentre outras coisas que ele poderia muito bem ter aprendido só assim como o plebeu.
–Eu só tive muitas pessoas que me ajudassem com tudo. – Blaine rebate
–Veja. – Kurt lhe encara – Eu jamais coloquei sequer meus pés no palácio, não sei como funciona tudo lá, mas eu garanto que se você quisesse ter privacidade e aprender sozinho sobre a vida, você poderia. Quando te vi pela primeira vez, tive uma impressão na qual eu não gostaria...
–Que seria? – O príncipe questiona
–Vi um homem esnobe, medroso, incapacitado de fazer algo só e completamente irritante.
–Uau. – Blaine diz boquiaberto
–Eu não estou lhe criticando, apenas dizendo que essa não é uma boa impressão, nem para um príncipe. – Kurt se aproxima
–Mas eu fui criado assim. – O príncipe rebate um pouco triste
–Eu sei, são modos de vida completamente diferentes e eu não estou lhe dizendo para deixar de ser quem é, afinal de contas, eu gosto de você assim, do seu jeitinho. – Kurt envolve seus braços no pescoço do moreno – Apenas tente não ofender as pessoas ao seu redor, ninguém é melhor do que ninguém. Me entende?
–Mas eu não ofendo ninguém. – Blaine observa ele
–Quando estávamos à procura da vila naquele dia com o cavalheiro, você disse que não se juntava com imundice, isso me ofendeu.
–Por favor, me perdoe não quis dizer aquilo, eu estava com raiva e o Sam estava me irritando com implicância dele com você...
–Blaine, Blaine. – Kurt dá uma risada – Eu sei.
–Estou me sentindo um crápula. – Ele meche a cabeça em negativo
–Mas você não é, apenas tente tratar as pessoas do reino de Lionheart como elas merecem ser tratadas. – Kurt aproxima seu rosto do dele – Me promete?
–Eu prometo. – O príncipe dá um sorriso e só então um pouco tímido aproxima sua boca do castanho
Blaine junta mais uma vez seus lábios nos do castanho que por sua vez suspira com o beijo. Kurt permanece com seus braços envoltos ao pescoço do mais baixo que abraça as suas costas.
–Isso é tão louco. – Kurt dá uma risada entre o beijo
–Você ainda está pensando naquilo de ser estranho? – Blaine rebate ainda lhe beijando
Os dois mudam a cabeça de posição e Blaine puxa o corpo do plebeu para mais perto do dele, seus lábios parecem que foram feitos um para o outro.
–Eu... – Kurt afasta seus lábios deixando escapar um suspiro do moreno – Eu odiava todos do palácio, até te conhecer.
–E eu nunca pensei que fosse me apaixonar, até te conhecer. – O príncipe lhe olha
O rosto do castanho muda completamente de expressão, o príncipe acabou de falar que estava apaixonado por ele. Mas como algo desse gênero foi acontecer? Os dois se conhecem a poucos dias e já estão realmente gostando um do outro? Isso seria uma loucura, tendo em vista que nada poderá dar certo se ambos ficarem juntos.
Kurt abraça o príncipe com força, encosta seu rosto do pescoço do mais baixo e sente seu aroma. Blaine por sua vez o aperta com força, e sente a energia positiva que o plebeu está lhe transmitindo pelo abraço. A floresta nunca esteve em tamanho silencio.
–Vamos... – Kurt suspirando voltando a realidade – Vamos comer.
–Vamos. – O príncipe sorri e só então dá uma bicada nos lábios do plebeu
–Vou te ensinar a fazer fogo. – Kurt entrega dois gravetos ao moreno
Os dois se agacham no chão e Blaine segura firme os dois gravetos, junta eles dois e os leva até o resto. Kurt ensina com as mãos como se deve fazer o procedimento e obediente o príncipe pela primeira vez na vida faz algo do gênero. O plebeu lhe observa enquanto ele tenta em vão fazer o fogo. Kurt não consegue mais tira-lo da cabeça e isso tudo parece ser tão estranho para o castanho, já que em toda sua vida ele foi rodeado de casais constituídos por homens e mulheres e agora ele está se relacionando com o príncipe e de uma forma maluca, está adorando tudo isso.
–Estou fazendo certo? – O príncipe questiona já com as palmas das mãos vermelhas
–Sim, sim. – Kurt lhe observa até que enfim uma faísca sai das madeiras – Agora assopre.
Blaine mais uma vez obedece a ele, continua atritando os gravetos e assoprando até que enfim ele consegue fazer o fogo.
–Oh meu deus! – O príncipe grita arregalando os olhos – Eu consegui?
–Você conseguiu! –Kurt sorri
–Ah meu deus! Eu consegui, eu realmente consegui! – Blaine grita e só então abraça o castanho – Obrigado! Eu consegui!
Kurt nunca viu ninguém tão feliz por conseguir algo tão simples em sua vida. Talvez Hummel terá que transformar um pouco esse príncipe desengonçado em alguém mais ágil e vivido.
–Agora vamos cozinhar. – O castanho comenta rindo
–O que? Cozinhar? Não, não! – Blaine arregala os olhos
–Vamos Blaine! – Kurt eleva o tom da voz
–Certo. – O príncipe resmunga
Os dois pegam os ovos e sobre uma pedra de mármore achada por Kurt, cozinham eles. Se passam alguns minutos e enfim está pronto, o plebeu e o príncipe se sentam encostados em uma árvore e observam a cachoeira de longe.
–Eu estou me sentindo tão livre. – O príncipe comenta
–Como assim? – Kurt questiona
–Sem o conselheiro, ou o cavalheiro. Eles sempre vivem me dizendo o que devo fazer, o que é certo, o que é errado e nada do que eu faço é por livre e espontaneidade minha.
–Quem é o seu conselheiro? O que ele faz para você?
–O nome dele é Mike. Ele me ajuda em tudo que envolve o palácio, na verdade a voz dele as vezes é mais forte do que a minha em relação a poder.
–Mas você é o príncipe.
–Mas ele é quem me aconselha.
–Não entendo essas regras do reino. – Kurt comenta comendo – Mas ele é seu amigo?
–Às vezes ele ultrapassa dos limites, mas sim... acho que considero ele meu amigo.
[...]
–Onde está o meu colete verde do colarinho reto? – Mike grita andando de um lado para o outro
–Está em seu armário conselheiro. – Quinn se aproxima do móvel
–E por que você não o colocou sobre a minha cama!? –Ele grita fechando com força a porta – Quantas vezes vou dizer que você me obedece? Sua criada imunda!
–Me desculpe. – Ela fala abaixando a cabeça
–Estou perdido. – Ele comenta se aproximando dela
–Qual seria o motivo?
–Preciso do príncipe aqui, mas esses imprestáveis estão demorando séculos para sequer sair do reino. – Ele estende os braços enquanto Quinn lhe veste
–O senhor dará continuação aos seus planos? – Ela questiona limpando um pouco de poeira nos ombros dele
–Você por acaso é surda? – Ele grita se virando para ela – Eu acabei de dizer que preciso do príncipe aqui! Quero que ele assine o maldito testamento e me dê o que eu quero.
–Mas o senhor acha mesmo que ele lhe dará a permissão de governar o reino? – Ela questiona receosa – E o Cooper?
–Aquele devasso não terá a menor chance, com certeza se eu largar qualquer homem dentro da sarjeta com ele, irá me ceder o direito, afinal ele deve estar em abstinência de sexo.
–E o Sam?
–Mato ele. – Mike rebate – Será que não entendeu que faço o que for preciso para governar esse lugar?
–Ainda acho um pouco arriscado.
–Olhe aqui. – Ele leva uma de suas mãos até o rosto dela e o alisa – Quando eu governar esse lugar, nada será como antes. Todos irão estar em ordem, muito ao contrário do que eram com a rainha. Mato quem for preciso para ter esse poder, e não é o maldito devasso, aquele cavalheiro imprestável, o príncipe inútil ou muito menos alguém como você irão me impedir de ter o que eu quero. – E só então alguém bate em sua porta
Quinn se afasta do conselheiro e caminha em direção a porta, a abre e se depara com Sebastian mais pálido do que nunca.
–O que aconteceu Sebastian? – Mike questiona
–Alguém matou todos os guardas que foram dar o aviso sobre a morte da rainha e o roubo de sua coroa. – Ele entra no quarto
–O que? Como assim mataram eles? – Mike questiona preocupado
–Mataram todos, sem exceção. – Ele diz preocupado – Como vamos atrás do príncipe agora? Não podemos ir apenas Sam, eu e mais alguns. Isso irá atrasar as buscas.
–Daremos nosso jeito. – Mike olha para os dois que estão na sua frente
[...]
A manhã se passou assim como a tarde que deu lugar a uma noite fria. Os dias de outono pelo reino só não são piores do que o inverno pois o lugar nessa época cria um aspecto angustiante. Os rapazes passaram toda a tarde tendo conversas aleatórias e se conhecendo melhor, todo esse sentimento que ambos estão tendo um com o outro só está crescendo a cada palavra dada.
–Fogueira feita! – Blaine comemora por mais um fogo feito
–Meus parabéns. – Kurt ri
–Agora nunca mais irei esquecer disso. – Blaine se aproxima do castanho e se senta ao seu lado
–Fico feliz por ter lhe ensinado algo útil. – O castanho comenta passando as próprias mãos nos braços para se aquecer
–Está com frio, não? – O príncipe questiona se juntando mais a ele
–Um pouco. – Kurt fala soltando fumaça gelada pela boca
O príncipe se aproxima mais do castanho e por fim ergue seu braço e o coloca sobre os ombros do plebeu, lhe abraçando em uma espécie de aquecimento.
–Obrigado. – Kurt sorri
–Essas suas roupas estão bem velhas. – Blaine comenta, pois, o próprio percebeu que elas mal dão para aquecer o castanho
–Ainda dão para o gasto. – Kurt diz tremendo um pouco
–Nada disso, quando der irei lhe presentear com novas roupas.
–Blaine, por favor. – O plebeu se incomoda com o comentário
–Nem adianta dizer que não, já está falado. Quando voltarmos irei comprar roupas novas para você e alguns panos para que possa fazer o que gosta. – Ele sorri e acaba arrancando um sorriso do castanho
–Acho que nunca recebi um presente. – Hummel comenta
–Assim como você me disse mais cedo, para tudo se tem uma primeira vez. – O moreno sorri e só então encosta sua testa na dele – Gosto tanto de ficar assim com você.
Kurt não queria falar isso, mas ele realmente não pode esconder nada do moreno e talvez esse seja o momento, afinal de contas, apenas o futuro dirá o que está reservado para eles.
–Blaine... – Hummel inicia
–Sim?
–Hoje pela manhã quando subi na árvore para pegar a nossa refeição... – Ele olha nos olhos do moreno que parece estar preocupado – Eu vi...
–Você viu?
–Vi o caminho que nos leva até a minha vila.
O moreno fica em silencio, ele não tem palavras para descrever o que está sentindo agora. Milhares de coisas passam pela sua cabeça, se eles voltarem a vila e os guardas forem lhe buscar irão prender o castanho, mas se não forem irá ser pior pois poderão encontrar ele e mata-lo.
–O que acha que devemos fazer? – Kurt questiona
–Eu não sei. – O príncipe rebate respirando fundo – Não faço a menor ideia.
–Nós não podemos morar pela floresta e querendo ou não sinto saudades do Artie e da minha casa.
–Eu entendo...
–Você apenas vai dizer isso?
–Kurt, por mim eu não voltaria ao palácio nunca e eu estou gostando tanto de você que não queria ir para longe.
–E se nós dois ficarmos alguns dias na minha vila? – Kurt lhe olha
–Nós não já estávamos indo para lá de qualquer forma?
–Eu sei.... porém, nós íamos para lá ficar à espera dos guardas que iriam me prender. – Ele segura a mão do príncipe – Agora nós podemos ficar aguardando eles de um modo diferente... – Kurt lhe olha com a expressão um pouco... sacana.
–Do que está falando? – O príncipe questiona rindo
–Apenas estou dizendo que seria bom ficar na minha casa com você. – Kurt rebate e só então olha para os lábios do mais baixo
–Kurt, não me faça pensar besteiras. – O moreno olha para sua boca
–Não estou fazendo, apenas disse que ao contrário do que faríamos antes, agora ao menos poderíamos aproveitar um pouco mais. – Ele se aproxima um pouco da boca do moreno, no entanto desvia para a sua orelha – Apenas nós dois. – Ele sussurra
–E eu posso saber o que faríamos apenas você e eu em sua casa? – O príncipe questiona sentindo a respiração quente do castanho em sua orelha
–Já disse que não vivo a base de rotinas, apenas o futuro dirá o que faríamos. – Kurt por fim dá uma leve mordida na orelha do príncipe que se arrepia instantaneamente
–Certo. – Blaine se exalta – Nós iremos a sua vila.
–Está feito. – Kurt sorri
–Onde fui me meter?
–No melhor problema de todos.
O plebeu beija a bochecha do moreno e vem vindo para cada vez mais próximo de sua boca e quando por fim chega, lhe beija, de uma forma quente e aguçada. Kurt agarra a nuca do moreno e vai se deitando com ele aos poucos, o príncipe por sua vez se entrega aos encantos do plebeu.
–Você está me deixando louco. – Blaine suspira entre o beijo
–Então estou cumprindo com meu trabalho. – Kurt agarra as costas dele – Vamos dormir?
–O que? – Blaine para de lhe beijar e o encara – Por que faz isso? Me beija, me deixa fraco e no fim...
–No fim? – Kurt questiona sarcasticamente
–É, eu realmente gosto de você. – O príncipe por fim diz suspirando em conformidade
Kurt dá uma gargalhada e só então Blaine acaba se juntando a ele. O plebeu está deixando ele completamente bobo e perdido nesses sentimentos, isso para alguém como o príncipe pode ser a melhor coisa a se fazer.
O castanho se deita no peito do moreno ao mesmo tempo que ele aquece em seus braços. Os dois olham para cima e tentam observar as estrelas dentre as neblinas, e depois de alguns longos minutos acabam dormindo abraçados, algo que jamais nenhum dos dois pensaria em fazer com qualquer pessoa.
No dia seguinte, os dois são acordados por algum barulho um tanto suspeito. Ainda abraçados, ambos ergues suas respectivas cabeças e encaram com os olhos embaçados algo na qual eles não gostariam de presenciar.
–Ora, ora, ora. – O homem que roubou a Amora do príncipe está parado bem na frente dos dois, com a égua atrás de si e uma espada em sua mão.
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