Promise Me
20 O julgamento.
Notas iniciais
Os quatro se encaram como jamais fizeram antes, seus olhos estão quase pulando de suas faces e suas respirações aceleram rapidamente bem como as batidas de seus corações.
–Blaine!? – Rachel questiona chocada
–Rachel!? – O príncipe rebate no mesmo tom
–Ah meu deus. – Finn se arrasta pelo resto da cama se levantando em seguida
–O que você está fazendo aqui com o plebeu? – A princesa encara Kurt que por sua vez está boquiaberto
–Eu que deveria perguntar o que você fazia aos beijos com o caçador! – Blaine grita
–Ah meu deus. – Finn repete a fala arrastando as mãos pelos cabelos
–Por favor, vamos manter a calma. – Kurt diz suavemente
–Manter a calma? – Rachel encara o moreno – O que vocês dois estavam fazendo numa cama?
–Você estava vindo também para esta mesma cama! Com ele! – Blaine aponta para Finn
–Ah meu deus. – Finn está mais pálido do que nunca
–Vocês dois parem, não irá adiantar ficar discutindo. – Hummel sai da cama – E Finn, pare de ficar repetindo a mesma coisa, isso também não irá ajudar. – O castanho respira fundo e coloca as mãos na cintura encarando cada um em seus rostos – Nós todos vamos conversar, civilizadamente.
Se passam alguns longos minutos, a princesa está sentada em uma ponta do sofá, o príncipe em outra, o caçador no meio deles e o plebeu permanece em pé observando todos.
–Vamos lá. – Kurt respira fundo
–Você estava na cama com um homem! – Rachel grita
–Você estava indo para a cama com outro homem! – Blaine grita de volta
–Parem. – Finn coloca as mãos nas orelhas – Por favor, parem!
–Eu poderia estar com ele apenas conversando! – Anderson grita
–Ah Blaine! Não venha querer mentir! Ninguém fica junto a outra pessoa debaixo das cobertas! – Berry rebate
–Vocês dois, por favor! Isso não irá resolver! – Hummel grita
O plebeu pode parece estar em uma espécie de homem corajoso nesse momento, mas no fundo ele está se tremendo por inteiro. Kurt não acredita que mais pessoas irão saber sobre os dois, e por pior que pareça, não é qualquer pessoa e sim a futura esposa do príncipe... ou melhor, seria a futura esposa dele se não tivesse ocorrido tamanha surpresa.
O príncipe cessa a gritaria com Berry e só então encara o castanho. Blaine parece realmente estar incomodado com o que está acontecendo. Ele passa as mãos suadas sobre a sua calça e respira fundo fechando os olhos, como se estivesse tentando desaparecer de sua vida.
–Seguinte. – Hummel encara a princesa – Acho que ficou mais claro do que nunca que a senhorita e o caçador têm algo a mais do que uma simples amizade. – O castanho fala mais o silencio é quase sufocante – E eu acho que isso resulta no fato de que não irá querer se casar com o Blaine.
–Claro que irei me casar com ele! – A princesa indaga
–Rachel. – Finn a encara surpresa e a mesma abaixa a cabeça
–Bom... – Kurt solta uma grande quantidade de ar pela boca – Juro que pela primeira vez na minha vida, não sei o que dizer.
Blaine o encara boquiaberto após essa frase, parece que o mundo do príncipe caiu de vez. Kurt sempre sabe o que fazer, o que falar, como agir em qualquer situação muito ao contrário de Anderson que quando acerta em algo foi pura e simplesmente sorte.
–Cansei. – Blaine se levanta do sofá respirando fundo – Sim, Rachel. – Ele a encara – Kurt e eu estamos juntos, eu o amo, e não quero me casar com você. Na verdade, eu nunca quis, mas me obrigaram. E eu juro, que faço qualquer coisa para poder ficar com o Kurt e não irei desistir dele, nem que você e eu estejamos casados.
–Eu sabia! – Hudson grita e todos se assustam – Eu sabia que vocês estavam juntos!
–Você sabia? – Berry o encara incrédula
–Isso era obvio. – Finn começa a rir como nunca – Eu estava certo! Eu sabia que estava certo! – Ele bate com a palma da mão na perna pelas gargalhadas – Juro que ia até comentar com você Blaine, mas deixei passar. – Ele continua em comemoração
–Mas ele é um homem... Blaine. – Berry diz em choque
–E daí? – Anderson a encara pálido – Eu o amo, e estou disposto a ter ele em meus braços até o meu último suspiro.
O plebeu encara o príncipe fraco, seu único desejo agora era o de cair em seus braços, porém esse não é o momento.
–Está me dizendo que você permanecerá com ele mesmo que nós dois nos tornemos marido e mulher? – A princesa questiona pasma
–Sim Rachel, é exatamente isto que eu estou dizendo. – Blaine fecha os olhos e respira, abrindo eles logo em seguida – Você pode ir sair falando para os conselheiros, ou quem quiser, eu não ligo, eu estou com o Kurt e é exatamente com ele que eu irei ficar.
O quarto fica em silencio absoluto. O príncipe acabara de confessar a sua noiva que está apaixonado por um homem e ele não faz ideia do que ela pensa a respeito.
–Rachel, vamos. – O plebeu a encara – Você gosta do Finn, confesse. Não vamos criar problemas, vamos achar uma solução para tudo isso.
–Não vou mentir que eu me sinto confortável com a companhia dele, mas foi um erro, assim como vocês dois. – Ela diz tentando não olhar para o caçador
–Rachel, você sabe que isso não é um erro. – Hudson diz querendo chorar
–Foi um erro desde o início Finn. – Ela rebate
–Finn, conserte as coisas, diga o que você sente pela princesa. – Hummel se intromete
O caçador encara o plebeu assustado, ele foi pego completamente de surpresa com esse pedido.
–Eu... – O caçador parece mais nervoso do que nunca – Bom... – Ele se levanta do sofá e se vira para ela, lhe olhando bem nos olhos – Rachel, isso pode parecer estranho para você, já que na sua frente eu sempre tentei ser o homem mais forte e corajoso, mas a verdade... – Finn desaba os ombros
–Fale. – Kurt aperta os ombros dele
–Eu morava na floresta... – Ele volta a falar – E jamais sai da minha casa, até o exato dia em que eles dois apareceram na minha porta. Como um favor, resolvi ajuda-los e por isso eu estou aqui. Não vou mentir que no começo lhe achava a pessoa mais irritante de todo esse maldito reino. Mas depois de tanto lhe dar patadas percebi que você era assim como eu, tinha medo de tentar viver por estar presa. E se eu me libertei, por que você não poderia fazer o mesmo?
A princesa está com os olhos iluminados em sua direção, Kurt deixa escapar um leve sorriso enquanto o príncipe respira fundo.
–E então eu lhe beijei naquele dia, e mesmo sendo a força pelos primeiros segundos não posso mentir a respeito de que, foi o melhor momento da minha vida. Jamais pensei que acharia o amor, pensei que sempre ficaria só e que nunca poderia dizer que amava alguém, até lhe conhecer. – Finn respira fundo – Sei que é bem cedo para dizer algo assim a uma moça, ainda mais sendo uma princesa, mas eu realmente quero seguir em frente com isso que nós temos, mas isso só depende de você. – Ele engole a saliva a seco
O quarto mais uma vez fica em silencio estão todos com os olhares direcionados ao caçador, que por sua vez parece ter chegado ao limite de declaração pelo dia. Os olhos do príncipe se guiam lentamente até Rachel, ele parece querer enforca-la para que diga algo, enquanto o plebeu sente uma ponta de orgulho do Hudson.
–Finn... – Finalmente ela fala respirando fundo – Eu gosto muito de você, e pelo que vejo esses dois também se gostam... mas... – Ela encara o príncipe – Blaine, o meu pai quer ver um casamento e se isso não acontecer só os anjos sabem pelo que iremos passar.
–Do que está falando? – O moreno cerra os olhos
–Eu estou dizendo que o meu pai é capaz de fazer qualquer coisa se esse casamento não acontecer. Hiram é um homem muito bom, porém quando tem seus planos interrompidos se torna em uma pessoa terrível e sem escrúpulos.
–Mas você é a filha dele, e se não quer se casar basta apenas dizer... não é? – Hummel opina
–Ele escolheu o príncipe Blaine desde que eu tinha meus 15 anos de idade... mas ele estava ocupado demais e também teve outra possível noiva. – Berry diz
–Nem me lembre da Sugar Motta. – Blaine se arrepia
–Ou seja... – Hudson questiona confuso
–Se Blaine e eu não nos casarmos coisas serias podem acontecer a esse reino... e quando eu digo serias, quero dizer algo como falência, dividas ou até mesmo guerra.
–Seu pai não faria isso. – Kurt ri ironicamente, mas todos estão sérios – Faria?
A princesa acena a cabeça em positivo retirando do castanho um olhar espantado.
–Esse reino não é ameaçado de guerra há mais de cem anos. – Blaine se levanta do sofá preocupado
–Meu pai e o Leroy são do tipo de pessoas que não desistem até conseguirem o desejado.
–O que faremos então? – Finn questiona espantado – Vocês vão se casar? Eu irei ficar sem você Rachel?
–Blaine... – Kurt segura a mão do príncipe que por sua vez está pálido – Você não pode se casar, temos que fazer algo.
–O que vamos fazer? – Finn enche os olhos de lagrimas
–Temos que achar alguma solução. – Kurt fala encarando Blaine
–Estamos todos mortos. – Berry diz
–Parem! – Blaine grita encarando eles – Não vamos fazer nada, pelos menos por enquanto. Kurt o seu julgamento é amanhã, vamos resolver primeiro esse problema para depois verificar os outros. – O moreno respira fundo – Até lá, isso fica como o nosso segredo, certo?
–Sim. – Finn acena com a cabeça
–Eu vou voltar aos meus aposentos. – Blaine diz largando a mão de Kurt
–Blaine, me perdoe por isso. – Rachel se levanta
–Não há porque pedir perdão. – Ele diz abaixando a cabeça
E só então Anderson rapidamente sai do quarto deixando os três em silencio.
–Acho que também vou dormir. – Rachel diz suspirando – Será que podem sair do meu quarto?
–Esse quarto é seu? – Kurt dá um passo para trás – Nos desculpe por invadir ele.
–Desculpados. – Ela rebate e só então caminha até o banheiro
–Vamos. – Finn joga seus braços pelo ombro do plebeu
Os dois caminham juntos até o lado de fora. Um silencio se segue e Finn continua com seu braço apoiado nele.
–Você acha que esse assunto de guerra pode ser sério? – Hudson questiona
–Não sei... não faço a mínima ideia. – Kurt suspira – Prefiro fazer o que o Blaine disse, não me preocupar, pelo menos não agora.
Eles continuam caminhando em silencio e Finn ainda com o braço apoiado nele fala:
–Eu sabia que vocês estavam juntos.
–Está tão na cara assim? — Kurt questiona sem interesse
–Não vou mentir... – Finn para de andar e o olha – Naquele dia em que estiveram na minha casa, quando você saiu para tomar um ar e logo após o Blaine foi atrás de você eu acabei vendo pela brecha da minha janela os dois quase se beijando. Não sou do tipo de pessoa que acha isso estranho, na verdade, não se se percebeu mas fiz de tudo para que o Sam os deixasse em paz. Sabia que daquele quase beijo poderia vir a surgir um amor forte e eu não queria estragar isso.
–Obrigado Finn. – Kurt dá um sorriso triste
–E em relação ao casamento, nós daremos um jeito. – Ele aperta o ombro do castanho – Do mesmo jeito que você não quer ver o Blaine se casando com a Berry eu não quero ver ela se casando com ele. Portanto, apenas relaxe.
–Será que o Blaine ficou com raiva? Não gostei do modo como ele saiu do quarto, me pareceu... o velho príncipe que eu vi no nosso primeiro encontro. Pensei que ele tinha mudado.
–E ele mudou Kurt, só deve estar estressado. Casamento, a corte amanhã, tudo está mexendo com a sua cabeça. Apenas dê uma folga para ele e trate de se preocupar com o seu julgamento.
–Vai ser um pouco difícil mas irei tentar. – Hummel suspira
–Bom... estou indo para o meu estabulo. –Finn se afasta
–Você dorme com os cavalos? – Kurt questiona confuso
–Sim. – Finn lhe dá as costas
–Por que? Por que não dorme em um quarto aqui no palácio? – Kurt grita a medida que ele se afasta mais
–Porque eu prefiro dormir com os cavalos do que dormir em um lugar com pessoas como estas do reino. – Finn dá uma gargalhada já longe – E vá por mim plebeu... os cavalos podem não ser seres racionais, mas são bem mais verdadeiros que estas pessoas.
[...]
–Bom dia príncipe. – Mercedes diz abrindo a cortina – Seu banho já está fervido, sua roupa já está devidamente engomada e seu café já está mais quente do que um deserto em chamas.
–Não estou de bom humor hoje. – Blaine diz com a cara enfiada no travesseiro
–Posso saber o motivo? – Ela questiona se aproximando – Não seria pelo julgamento certo? Se o senhor estará como juiz no fim de tudo nem se preocupe.
–Não é só pelo julgamento. – O moreno fica de barriga para cima suspirando
–E eu posso saber do que se trata? Se me permite questionar, é claro.
–E sobre o meu casamento com a princesa. Se eu não me casar com ela tudo está arruinado, e todo o reino estará sobre perigo.
–Mas e se o casamento não acontecer? – Ela se senta sorrateiramente na cama – Se ele não acontecer por sua vontade e sim da Berry?
–Como assim? – O moreno arqueia as sobrancelhas
–Faça ela dizer não. – Mercedes bate duas vezes no joelho do príncipe – E chore após isso, chore como se não houvesse amanhã. Como se tudo dependesse desse seu casamento com ela.
–Está me pedindo para sair de vítima? – O príncipe parece se interessar a respeito – E só assim os pais dela pensaram que eu não tive nada a ver e quem se sairá como vilã é a Rachel...
Um sorriso lento e gradual aparece no rosto de Blaine, Mercedes lhe deu um plano completamente aceitável. Pelo que a princesa lhe disse, se qualquer um dos dois dissesse não ou sequer tentasse estragar os planos, o rei poderia atacar o reino, mas se o Blaine se passar como vítima Hiram pode perceber o quanto a sua filha é ruim e verá que Blaine precisa de outra mulher que não seja ela.
–Mercedes, como eu viveria sem você? – O príncipe agarra a mão dela
–Não sei... tente descobrir. – Ela dá uma risada e se levanta da cama – Só mais um aviso... a área externa do palácio já contém milhares de pessoas, se eu fosse o senhor me arrumaria rápido pois o plebeu será julgado em breve.
–Irei fazer isso. – Blaine pula da cama para se arrumar
–E príncipe... – A morena diz já na porta
–Sim? – Ele lhe olha atento
–Salve o Kurt.
A morena lhe encara e o príncipe faz o mesmo, sendo assim com um gesto de concordância feito por ele, ela se afasta fechando a porta atrás de si. O príncipe corre para o banheiro afim de se arrumar, ao mesmo tempo que Quinn também já está convocando o plebeu.
–Pensei que ainda não estivesse acordado. – Ela menciona na porta
–Não só me acordei como já estou pronto. – Kurt diz fechando a bota
–Nunca vi ninguém tão alegre em ser julgado. – Ela o encara da cabeça aos pés
–Não é todo dia que isso acontece, não é mesmo? – Ele lhe dá um sorriso
–Bom... espero que esse sorriso se feche logo, pois lugar de ladrão é na sarjeta. – E só então ela fecha a porta com força
–Nossa. – Hummel suspira para si mesmo
E só então mais uma vez a porta se abre, porém, que entra dessa vez é o cavalheiro.
–Sam? – Kurt o encara
–Vim lhe buscar. – Ele diz segurando uma corda nas mãos
–Vai me amarrar? – Hummel questiona
–Sim, todos que serão julgados precisam ter os pulsos presos. – Sam diz desinteressado
O castanho observa o loiro vindo na sua direção, ele continua com o mesmo olhar triste. Kurt não gosta de ver ninguém dessa forma, principalmente se sabe que a causa é ele mesmo.
–Sam... – Kurt diz enquanto ele o vira de costas
–O que? – O mesmo questiona juntando seus pulsos
–Por que você me odeia tanto?
O cavalheiro para de juntar seus pulsos e o encara, mas fica em silencio e volta a fazer a ação de antes.
–Vamos me diga, o que eu fiz para você? É porque o príncipe e eu estamos próximos, é isso?
–Veja só plebeu. – Sam aperta com força seus pulsos retirando um olhar de dor do Hummel – Blaine e eu sempre fomos melhores amigos, e desde o maldito dia em que você apareceu ele mal fala comigo. Sim, eu tenho raiva de você pelo simples fato de que roubou o meu amigo de mim e eu não me agradei nem um minuto disso.
–Eu não roubei o seu amigo. – Kurt se volta para ele
–Há não? – O loiro dá uma risada irônica – O Blaine praticamente só vive com você. Vamos comer? Chamem o Kurt. Vamos as compras? Chamem o Kurt. Vamos respirar? Chamem o Kurt! Eu já estou exausto disto, entendeu? – Ele o encara – Você não é digno de perdão. Já não bastasse roubar a coroa ainda teve que fazer o mesmo com o príncipe. Você se agrada mesmo das joias da rainha, não? – Sam o encara bem nos olhos
–Talvez Blaine tenha um motivo para ser tão próximo a mim. – Kurt comenta
–E eu posso saber qual seria esse motivo?
–Por que você mesmo não pergunta a ele? Talvez o seu melhor amigo lhe diga.
O loiro o encara de uma forma confusa, mas ele permanece em silencio, sendo assim segura com força no braço de Kurt e o arrasta para fora do quarto. Os dois caminham pelo corredor já vazio do palácio. A cada passo que se aproximam do portão principal escutam vozes e mais vozes de várias pessoas que possivelmente irão assistir ao julgamento.
–Tem alguma dica para mim? – Kurt questiona ao chegar no portão
–Tenha sorte. – Sam rebate o olhando nos olhos
Sendo assim, o grande portal de madeira se abaixa lentamente fazendo subir diversas poeiras de neve que estavam sobre ele. A cada centímetro que a madeira se aproxima do chão, Kurt consegue enxergar um grande número de pessoas, na verdade ele nunca viu tantas como agora.
Quando o portão enfim chega ao chão, Sam o puxa com força e os dois dão o primeiro passo. Vários guardas encaram o plebeu que por sua vez se desvia dos olhares. Eles caminham cada vez mais próximos e só então ambos avistam um palco montado completamente enorme. Sobre ele, estão sentados Mike, Jesse, Kitty, Rachel e Blaine.
Sam o leva cuidadosamente até o palco e assim que os dois chegam lá, Kurt sobe sozinho e encara de longe o príncipe que por sua vez lhe joga um olhar de confiança. Blaine se levanta da cadeira quando o plebeu se estabelece no lugar denominado, sendo assim se aproximando um pouco mais dos camponeses ele enfim fala:
–Cidadãos de Lionheart, nós iremos dar seguimento a corte que decidirá o futuro do plebeu Kurt Hummel. Peço a colaboração de todos para o silencio e peço a compreensão acerca do acusado.
Todos fazem silencio e por isso Mike se levanta logo em seguida. Encara cada um em seus olhos e começa a falar:
–Kurt Hummel, a princípio pode parecer um homem bom, mas seria mesmo que alguém tão bondoso poderia ter a audácia de roubar a coroa da rainha? Pam estava debilitada e por isso Hummel se aproveitou para furtar o seu bem mais precioso, talvez ele tivesse terceiras intenções como trazer mais tormenta a esse reino, ou simplesmente fez pôr na verdade ser um homem mau. Portanto, Kurt, se pronuncie.
O plebeu encara cada um e engolindo a saliva a seco pela vergonha, dá um passo à frente e explica o seu lado da história.
–Pode parecer apenas mais uma desculpa esfarrapada de minha parte, mas durante todos os meus anos de vivencia tive que competir com a vida, pela minha própria vida. Meu pai e eu sempre passamos por privações, seja de fome a frio, ou de doenças a inseguranças. Nós nunca tivemos muito e éramos felizes por isso, até o exato minuto em que meu pai descobriu que estava doente. Tentei de tudo para conseguir moedas, plantei frutas, mas elas não cresceram, criei bichos, mas todos morreram, tentei até arranjar um emprego, porém eles na vila estavam escassos. – Kurt respira fundo – Já não sabia o que fazer, meu pai precisava de mim, ele era a única pessoa na qual eu sempre quis estar ao lado e eu precisava fazer algo. Foi então que depois de semanas pensando resolvi que uma joia poderia trazer o dinheiro que eu necessitava. E ninguém na vila possuía joias... foi então que eu decidi ir atrás de quem as tinha, a rainha.
–E você se achou no direito de rouba-las? – Mike questiona
–Não. Mas era necessário. Talvez alguns de vocês aqui sejam tão pobres quanto eu sou, talvez já tenham passado fome, frio, dentre outras privações, e vocês devem saber que quando se está neste estado a pessoa faz qualquer coisa para haver uma melhora. Eu admito que errei ao roubar algo tão valioso para rainha, mas e para mim? Iria perder o meu bem mais valioso? O meu pai? Não.
–E então você roubou a coroa... conseguiu salvar seu pai?
–Não. Ele infelizmente faleceu e eu como um tolo tentei me livrar da joia.
–E por que não a devolveu ao reino?
–Porque vocês iriam saber que fui eu o ladrão.
–Mas de qualquer forma, você não conseguiu se livrar dela, certo? Ou seja, tudo foi em vão?
–Nem tudo. – O plebeu joga um olhar disfarçado para o príncipe
–E o que não foi em vão? – Mike o olha desconfiado
–Aprendi com meu erro, acho que isso é algo bom, não estou certo? – Ele fala, mas o conselheiro permanece em silencio. Kurt observa que todos o estão olhando completamente comovidos, talvez ele tenha conseguido algum resultado satisfatório.
–Se você aprendeu tanto com seus erros nos explique... porque fugiu da prisão? Como fugiu? – Mike volta a questionar
–Sei que isso foi outro erro gravíssimo da minha parte, porém, eu não sou de ficar preso...
–Isso não justifica. – Mike interrompe abrindo um sorriso sínico
–Mas também fugi por outro motivo... o Cooper. – Kurt mente e Mike o encara assustado – O príncipe estava...
–CERTO! – Mike grita em desespero e todos o encaram –Já entendemos o que você quer dizer, o Cooper é uma má influência.
–É isso mesmo que você quer dizer a respeito do Cooper, plebeu? – Jesse questiona
Kurt joga um olhar para o conselheiro do príncipe. Mike está quase voando encima dele para tampar a sua boca.
–Sim. – Kurt diz e Mike respira aliviado – O Cooper é uma má influência.
–Tem algo a mais para questionar a respeito dele Mike? – O príncipe pergunta
–Não acho que não... acho que nós podemos dar a sentença. – Mike se pronuncia desinteressado – Kitty dê seu comunicado.
–Ótimo. – Kitty fala e todos a olham – Anteriormente, o príncipe havia dito que ele mesmo seria o responsável pelo futuro do plebeu. Porém, a pedido do conselheiro dei uma rápida lida em alguns documentos do reino e todos eles dizem que qualquer julgamento feito terá como palavra final a do conselheiro e não a do príncipe.
–O que? – Blaine se levanta rapidamente
Kurt olha rapidamente para o príncipe, o plebeu nunca esteve tão pálido como nesse exato minuto. Ele sabia no fundo que tudo isso daria errado, agora Kurt será preso, senão morto.
–De acordo com os documentos se você fosse o rei Blaine, poderia opinar, mas como você ainda não se tornou, infelizmente terá que aceitar a palavra do conselheiro Mike. – Kitty continua
–Isso é um absurdo! – Blaine grita se aproximando
–Eu não faço as regras, meu caro. – Mike comenta sorrindo
–Isso é errado! Eu não sabia dessa regra, não! – Anderson entra em desespero
–Blaine, se acalme. – Jesse fala – Nem sabemos ainda qual será o parecer do Mike.
–Pois bem, se sentem, já tenho minha última palavra. – O conselheiro encara Kurt
As pernas do castanho estão fracas como jamais estiveram antes. É como se toda a sua força acabasse de ser retirada bruscamente do corpo. Blaine quer chorar, mas ele não pode fazer isso, não na frente de todos. Finn se preocupa, ele sabe do que o Mike é capaz, Sam abaixa a cabeça pois para ele tanto faz se isso der ou não continuidade, Rachel se preocupa principalmente agora que sabe de toda a verdade dos dois, Mercedes enche seus olhos de lagrimas e Quinn parece indiferente, Jesse os observa bem como Kitty faz o mesmo e Mike... ele olha de longe para Sebastian, que por sua vez está dando um sorriso discreto em sua direção.
–Vamos enfim, para não perdemos mais tempo. – Mike respira fundo e encara todos principalmente Sebastian – Minha sentença...
Kurt e Blaine fecham os olhos.
–O plebeu Kurt Hummel deverá ser desculpado por qualquer crime que envolva esse reino, ele não fez nada do que nenhum de nós faríamos para salvar alguém, ele foi preso por injustiça, mesmo com a coroa em nossas mãos mais uma vez.
O plebeu abre os olhos sem acreditar e Blaine faz o mesmo. Todo o lugar ficou em silencio e cada morador tem seus olhares dirigidos ao conselheiro.
–Sendo assim, Kurt Hummel, eu o torno inocente, não pelo seu crime, mas sim pela sua justiça. Você está livre.
Sebastian sorri olhando para baixo, Mercedes comemora e Finn parece estar desconfiado do que aconteceu, mesmo estando feliz por saber que Kurt está livre. Rachel dá um leve sorriso e Blaine por sua vez quer abraçar de qualquer forma o seu amado, mas se contém.
–Eu... – Kurt fala e Mike lhe olha – Eu... eu estou...
–Livre. – O conselheiro sorri – Sim, você está completamente livre!
Kurt não parece acreditar no que ele está dizendo, na verdade ninguém parece acreditar. Blaine caminha em passos curtos na direção do plebeu enquanto Jesse aparece atrás de Kurt e liberta seus pulsos.
–Meus parabéns. – St. James sussurra para ele
–Obrigado. – Kurt sorri sem acreditar ao mesmo tempo que todos voltam a falar e um barulho enorme atinge o lugar
Blaine para enfim na frente dele, o desejo do castanho nesse exato minuto é de simplesmente beija-lo na frente de todos, porém algo melhor acontece. O moreno lhe abraça, tão forte e tão cuidadoso que o plebeu se sente levado pelo aperto sincero de seus braços.
–Eu sabia que íamos conseguir. – Blaine sussurra
–Eu não acredito. – Hummel diz enquanto é apertado
Até que enfim, o barulho cessa. Os dois se assustam por pensar que tenha sido pelo abraço, mas assim que se afastam um do outro percebem que todos os olhos estão dirigidos para outro lugar. O príncipe e o plebeu olham para a multidão, alguns homens retiram seus chapéus, algumas mulheres levam suas mãos até as bocas e as crianças parecem estar perplexas.
–Para onde eles estão olhando? – Kurt questiona
–Atrapalho alguma reunião de emergência? – Uma voz completamente grossa e masculina soa atrás dos dois
Blaine arregala os olhos e Kurt fica sem entender o motivo. Até que enfim, o príncipe gira seu corpo lentamente se virando na direção da voz e só então se depara com nada menos nada mais do que:
–Pai? – Blaine engole a saliva a seco
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