Promise Me
28 Descumpridor de promessas, part 1.
Notas iniciais
Santana anda de um lado para o outro enquanto Elliott segura com força os braços amarrados de Kurt, que por sua vez fecha os olhos a cada grito vindo do lado de fora.
-Está com medo? – A feiticeira questiona
-Santana, por favor, retire isso que você fez. – Kurt continua com os olhos fechados – Essas pessoas não merecem passar por isso. Tem crianças na vila, mulheres e idosos, por tudo que é mais sagrado pare com isso seja lá o que tenha feito.
—É ótimo querer algo, mas ao mesmo tempo não perceber que tirou tudo de outras pessoas. – Santana alisa o rosto dele e por fim Hummel abre os olhos – Você matou uma garotinha quando pequeno, cresceu e se apaixonou por um homem, o fez desistir de tudo pelo seu amor, atrapalhou os meus planos e descumpriu uma promessa que o seu pai suplicou para que não a quebrasse.
-O problema é o Blaine? – O castanho grita – Se ele é o problema saiba que nós não estamos mais juntos!
Santana cai na gargalhada. A morena leva as mãos até a boca para conter os risos e seus olhos negros brilham como se fossem luas cheias em um dia de inverno.
-Querido Kurt... – Ela leva suas unhas até o queixo dele – Você desvendou duas de minhas charadas. Soube que o grande problema de um reino é aquele que tomará o trono, ou seja, o seu amado. Ele teve dois caminhos, um seria não tomar suas decisões e ser quebrado ao meio e o outro era acabar tomando as decisões e se tornar um homem feito. Seu amado seguiu o segundo caminho e de fato o mais correto, porém, deixou se levar pelo poder.
-Por que você está me falando isso? – Kurt puxa o rosto e sua pele acaba sendo cortada pela unha dela
-A segunda charada não foi você que descobriu. Na verdade, foi o seu querido amor. – Ela prossegue e Kurt fica confuso – Blaine ao subir no altar se deparou com as palavras do clérigo, o príncipe descobriu que ao seguir o segundo caminho teve a consequência de quase dar seu nome à pessoa na qual ele não ama. Porém, como sempre você foi mais esperto e arruinou mais uma vez os meus planos.
Outro grito soa do lado de fora, dessa vez aparenta ser dado por pelo menos duas mulheres. Kurt fecha os olhos e seu corpo estremece, ele jamais esteve com tanto medo.
-A terceira você descobriu no dia de hoje. Soube que em consequência a sua coragem, todos estão sofrendo assim como você sofreu quando mais novo. Foram os piores anos de sua vida e eles estão voltando à tona em um dos momentos mais perigosos que esse reino poderia ter. – Ela passa o dedo no sangue que escorre na bochecha dele – Se você não tivesse roubado aquela coroa... tudo seria diferente. Talvez ninguém estivesse correndo perigo por sua culpa.
-Pare! – Kurt grita começando a chorar – Por favor, pare!
-E chegamos ao meu tópico. – Ela sorri e Elliott aperta mais os braços dele – Ainda lhe resta duas charadas Kurt... será que você irá conseguir desvenda-las antes que seja tarde demais?
-Por favor me deixe em paz! – Kurt está vermelho pelo choro e suas pernas estão fracas. Ele olha para Artie caído de bruços no chão e uma dor lhe atinge o peito.
-O traga para fora. – Santana ordena e Elliott acena em concordância
A feiticeira caminha na frente e Elliott arrasta com dificuldade o plebeu logo sem seguida. Kurt não para de chorar um minuto sequer, ele perdeu dois amigos e um deles era inseparável. A dor que atinge o seu peito lhe deixa fraco e são tantos problemas encima de seus ombros que acabam o fazendo pensar que ele não irá resistir.
Ao passar pela porta, os três observam que já está amanhecendo. O sol ilumina os velhos pastos cobertos por neve, o ambiente está frio, porém aconchegante. Os moradores que restam continuam andando de um lado para o outro. Hummel tenta não olhar para os corpos caídos no chão, mas são tantos que acaba se tornando inevitável.
-Eu vou lhe fazer uma última pergunta. – A morena gira em sua direção – Quem está comandando o reino nesse exato minuto?
O castanho se assusta com a pergunta, ele fica confuso, mas ao mesmo tempo algum sentimento de alivio lhe atinge o peito.
-O conselheiro do príncipe. – Kurt rebate – Ele passou a perna no Blaine e está no poder.
-Estou pensando seriamente em fazer uma visita ao reino e matar esse homem. – Santana retruca – Porém não agora, quero que todos sofram com a guerra. E por enquanto que isso acontece, acho que você deveria voltar para lá, não quer ver o seu homem morto, certo?
-Não... – Kurt diz em preocupação
-Pois bem... Elliott, se afaste dele. – A mulher ordena e ele a obedece – Você me foi muito útil querido pescador. – Ela se aproxima de Gilbert enquanto Kurt observa isso confuso – Na verdade, acho que foi o melhor ajudante que tive até hoje, é uma pena que eu tenha que me desfazer de você.
-O que? – Gilbert questiona assustado
-Eu até poderia continuar com essa nossa aliança, mas eu sou melhor sozinha. – Ela sorri e o pescador dá um passo para trás pelo medo – Um homem ruim e enfeitiçado, comandou seu corpo e o pôs de lado, sempre mentindo e trazendo desgraça para aqueles que o amor era sagrado. Talvez ser bom seja uma virtude do mesmo jeito que vos os ilude, com beijos e trapaças, matando por dentro a grande massa. – Ela levanta os braços e os dois se assustam – Volte pescador, a ser quem vos era e tente não morrer, não de uma morte severa.
Elliott dá um passo para trás e só então sente uma dor atingir o seu coração. Ele leva a mão até o peito e começa a ficar com falta de ar, se ajoelhando aos poucos e cerrando os dentes pela dor. Hummel fica em pleno choque pelo que está presenciando. Os olhos de Elliott se desviram, tudo fica branco, mas aos poucos volta a ser como antes, olhos azuis brilhosos e dóceis. O pescador começa a gritar pela dor, é como se milhares de espadas perfurassem o coração. Por fim, ele retira as mãos do peito e respira fundo de uma só vez, como se todo ar tivesse voltado à tona para seus pulmões.
O pescador olha para os lados em plena confusão, olha em frente e vê um rapaz na qual nunca tinha visto amarrado pelas mãos, logo após ele olha para Santana e tenta se lembrar se a já viu antes e enfim olha ao seu redor, para todos os corpos largados no chão. Um pavor lhe atinge o corpo.
-Onde estou? – Ele questiona tentando permanecer de joelhos
-No inferno. – Santana fala
-Não diga isso! – Kurt grita e só então caminha na direção dele – Você está bem... Elliott Gilbert.
Hummel está prestes a se agachar na frente dele, mas algo o impede de fazer isso. O pescador sente falta de ar novamente e sua boca começa a espumar. O castanho dá um passo para trás pelo susto e Elliott começa a tossir espuma. Ele agarra o peito mais uma vez e só então se deita aos poucos, lentamente na neve escura que cobre a terra. O sol começa a ficar mais forte e ele se treme um pouco, Kurt não consegue fazer nada, tendo em vista que seus pulsos continuam amarrados. Santana observa tudo atenta até que enfim o pescador para.
-Oh meu deus. – Kurt diz assustado vendo o corpo dele imóvel
-Nós podemos prosseguir agora? – Santana diz caminha na direção dele – Elliott até demorou a morrer. – Ela vira o castanho e de uma só vez desfaz o nó de seus pulsos – Não estava apaixonado por ele, certo?
-Como você pode? – Ele grita
-Bem-vindo a minha vida meu queridinho. – Ela sorri
Hummel não responde ela e só então corre na direção dele e se agacha. Elliott está com seus olhos azuis abertos.
-Só não toque na espuma, é o meu veneno. – Ela adverte
O plebeu enfim põe suas mãos nos olhos dele e os fecha lentamente. Kurt quer chorar, não pelo fato dele ter morrido e sim pelo fato de que tudo está acontecendo de uma só vez e ele não consegue mais suportar.
-Os irmãos do Sam! – Kurt grita chorando – Onde eles estão?
-Devem estar matando pessoas por aí. – Santana observa as próprias unhas – Não se preocupe, ainda não os mataram. As crianças são duras na queda.
-Eu quero eles! – Kurt se levanta irritado
-Se você quiser procura-los fique à vontade. – Ela se afasta – Apenas estará perdendo o seu precioso tempo.
Kurt observa a mulher se afastando, ela arrasta seu longo vestido preto na neve e tudo ao seu redor fica em silencio. Ele percebe então que esse é o momento no qual precisa partir, para longe, para o reino, para qualquer lugar que não seja este.
[...]
Todos no reino dormem no maior e puro silencio. Os rapazes estão espalhados pelo quarto e até o próprio Richard não resistiu ao cansaço e adormeceu. Porém uma única pessoa se mantém acordada, o príncipe Blaine.
O moreno gira uma moeda de ouro em sua mão, ele olha para o teto ao mesmo tempo que permanece deitado no chão frio do quarto. Ele não consegue tirar de sua mente o castanho, não suporta o fato de não ter notícias dele a pouco mais de dois dias. Ele continua girando a moeda entre os dedos e por fim olha para o lado, vendo algo diferente de se acontecer.
Anderson observa uma taça que antes estava com vinho, porém agora está vazia, em cima da mesa de canto. A taça treme, como se várias pessoas estivessem pulando no piso do quarto para a fazer balançar. O príncipe acaba se levantando do chão e permanece sentado a observando. Isso é uma das coisas mais estranhas que ele já observou.
Até que enfim, do nada ele escuta um barulho completamente alto vindo do lado de fora do palácio. Rapidamente todos que estão no quarto se acordam assustados, Blaine se levanta em menos de dois segundos e os homens tentam se acordar por inteiro.
-O que foi isso? – Puck questiona assustado
-Acho que chegou a hora. – Sam fala engolindo a saliva a seco
-Chegou a hora? Chegou a hora de que? – Puck arregala os olhos
-De tentar ficar vivo. – Blaine rebate friamente
A porta se abre e por ela entra correndo o artesão, ele está mais vermelho do que nunca e todos o encaram assustados.
-Atacaram ao redor do reino. – Will diz tentando respirar – Vendas foram destruídas.
-Sam... – Blaine se volta para o loiro – Sei que você não está mais conosco, porém esses homens sempre serão seus e não do Sebastian. Portanto, junte todos e vamos lutar.
-Sim. – O loiro responde firmemente e só então faz um sinal positivo com a cabeça. Blaine enfim o puxa e o abraça, os dois amigos juntam seus corpos trêmulos em uma troca de carinho há tempos não dada.
-Isso é tão comovente. – Richard dá uma risada – Cuidado para ele não tentar lhe deixar nu cavalheiro.
-Cale essa boca! – Blaine grita – Você irá ficar nesse maldito quarto! – Ele o encara – Se tentar sequer se soltar, ou fazer qualquer outra coisa que não seja ficar sentado aí no chão eu irei lhe matar.
-Você teria coragem de matar o seu próprio pai? – O grisalho questiona ironicamente
-Você não é o meu pai. – Blaine rebate o olhando nos olhos
-Você é igualzinho ao seu irmão. – Richard abre um sorriso – Só espero que vocês dois morram.
-Nós esperamos o mesmo para você. – Sam o interrompe – Vamos, precisamos de vocês. – Ele olha para Puck e Will
-Se eu morrer por favor me enterrem ao lado de moedas de ouro. – Puck dá uma risada e só então anda em frente, passando por Richard e lhe lançando uma careta feia
-Onde a Emma irá ficar? – Will questiona sussurrando
-Eu até mandaria você levar ela para a vila, mas a coisas não estão bem por lá. – Sam pensa – A leve para floresta.
-O que? Ninguém irá levar a minha mulher para floresta! – Richard grita incrédulo
-Pode apostar que eu irei. – Will o encara – E cai entre nós... eu não resisti e a beijei e tenho quase certeza de a sua mulher está apaixonada por mim. – Richard o olha incrédulo e só então Will sai do quarto
-Perdeu sua mulher para um artesão? Que lastima. – Puck dá uma gargalhada e só então sai porta afora
Sam olha para Blaine e ele entende o recado. Sendo assim, ambos saem do quarto logo sem seguida, deixando o antigo rei trancado.
-Temos que preparar os meus homens. – Sam diz tomando a frente
Sam, Puck e Blaine caminham pelos corredores e só então escutam mais uma vez um barulho, e gritos seguidos disso. Blaine começa a tremer o corpo e ele quer parar bem onde está, mas respira fundo e continua seguindo os dois.
Sam olha para janela o exato minuto em que os dois exércitos se atacam. Todos os homens correm com espadas e começam a lutar.
Puck acaba fazendo o mesmo que o cavalheiro. Ele observa pela enorme janela do corredor pessoas correndo, em sua grande maioria crianças que aparentavam estar brincando do lado de fora. Uma lagrima escorre de seus olhos, mas ele logo a limpa para não parecer fraco.
-Chegamos ao tão glorioso dia! – Mike aparece na frente deles. O conselheiro está sorrindo como se fosse uma espécie de louco – O que temos para hoje?
-Não sei, nos diga você. É o novo rei de Lionheart, não? – Blaine o interrompe – Em pensar que você era o meu amigo.
-Eu apenas tenho um único amigo em minha vida... e sou eu mesmo. – Ele sorri e se aproxima do moreno – Onde está seu namorado?
-Salvando vidas, coisa que com certeza você não é capaz de fazer. – Blaine aproxima seu rosto do dele
-Querido Blaine, se seu pai não tivesse matado os meus pais nada disso estaria acontecendo. – Mike diz e mais um som de canhão é escutado. Puck rapidamente se agacha no chão pelo reflexo e Sam cerra os punhos
-Eu não tenho nada a ver com o meu pai.
-Na verdade... – Mike toca no rosto dele – Você é a cópia fiel dele.
-Você está mentindo! – Blaine grita, mas Puck o segura pelos braços
-Vamos, pare! – O ladrão grita em seus ouvidos – Temos assuntos piores para serem resolvidos!
-Isso, escute o seu amiguinho de cabelo estranho. – Mike diz desinteressado e mais gritos são escutados
-Temos que fazer alguma coisa! – Blaine fala fechando os olhos ao escutar a gritaria
-Cavalheiro? – Sebastian aparece consigo trazendo alguns homens e mulheres
Mike encara o recruta, uma espécie de ódio sobe pelo seu corpo.
-Esses são alguns de meus líderes... homens e mulheres que irão lutar. – Sebastian dá espaço para eles e que formam uma fila — Joe, Ryder, Jake... – Ele começa a apresenta-los – Spencer, Roderick, Jane e os gêmeos Mason e Madison.
-É uma honra. – Blaine diz e todos respondem em concordância
-O resto dos homens já estão do lado de fora lutando. – Smythe acrescenta. Ele aparenta querer ser o mais responsável possível na frente do moreno
-Vocês são tão tolos! – Mike dá uma risada o interrompendo – O exército de Blue Sky é considerado um dos melhores. Os rouxinóis jamais perderam uma guerra!
-Essa eles perderão. –Sam rebate – Vamos está na hora... – Ele se volta para o amigo – Blaine, onde você irá ficar?
-Eu irei lutar com vocês. – Blaine rebate
Puck cai na gargalhada e todos o encaram. Ele olha para cada um e não consegue evitar de rir.
-Me desculpem... –Ele continua rindo – Mas é impossível não rir de um homem que brigou a unhadas com outro e agora quer participar de uma guerra.
-De fato Blaine... – Sam entorta a boca – Não me leve a mal, mas você... bom...
-Eu estou chocado com tamanha critica a minha pessoa. – Blaine abre a boca leva a mão ao peito incrédulo – Eu posso não saber lutar, mas...
-Blaine, você não irá lutar. – Sam diz, o loiro já está quase querendo rir
-Bom, eu mando em vocês, portanto...
-Você mandava. – Mike o interrompe, mas Blaine o ignora
-Eu irei... – O moreno prossegue, mas Smythe o interrompe com um tossir proposital
-Se me permitem opinar, eu tenho um lugar ótimo onde o Blaine poderá ficar, garanto que estará a salvo. – Ele diz e Mike revira os pequenos olhos
-Ótimo. – Sam diz iniciando uma caminha – O leve até lá.
Anderson continua olhando em choque para o amigo que segue seu caminho sem ele. Puck rapidamente vai atrás e leva consigo o restante de homens. Apenas Sebastian continua junto a ele, o recruta lhe encara com um sorriso no rosto e só então fala:
-Vamos?
-Eu não tenho outra opção. – O moreno revira os olhos e só então o segue
Rapidamente os dois caminham em direção a área externa do palácio. Eles avistam pessoas e mais pessoas correndo e logo após isso o exército de Lionheart se preparando para atirar uma bomba de canhão.
Blaine sabe que o exército de Blue Sky é bem melhor e bem mais organizado e talvez seja exatamente por isso que ele está quase afirmando que essa será uma guerra perdida. Tudo que o moreno queria era apenas ter os lábios do castanho mais uma vez nos seus, porém isso parece que irá demorar um pouco para acontecer.
-Sebastian... – Blaine diz andando escondido – Eu nunca vim para esses lados, como achou algum lugar aqui? As pessoas conhecem?
-Na verdade é um lugar só meu. – Smythe diz se agachando por fim no chão
O recruta começa a tirar a neve do chão e só então o moreno percebe que há uma pequena e velha porta de madeira logo em baixo.
-Você não acha que eu deveria ir atrás do Kurt? – Blaine questiona amedrontado, ele olha diversas vezes ao seu redor para se certificar que ninguém irá aparecer
-Blaine, o Kurt está a salvo lá e você ficará a salvo aqui. – Sebastian diz abrindo a porta e ficando de pé novamente – Vamos, entre rápido.
Blaine o olha ainda incomodado mas acaba cedendo e dando um passo à frente. O moreno olha para baixo e vê que há uma escada na passagem sendo assim ele entra e permanece em pé no primeiro degrau.
Anderson está preparado para descer, mas algo lhe assusta. Ele arregala os olhos em direção a um homem loiro do exército oposto que corre de longe para vir atacar o recruta.
-Sebastian! – Blaine grita apontando
E só então Smythe rapidamente retira da cintura a sua espada e se vira em questão de segundos para o homem. O loiro corre na direção dele e também ergue a espada, sendo assim os dois atingem o metal e começam a lutar.
-Desça! – Sebastian grita para Blaine
O moreno lhe olha assustado, mas logo o obedece, sendo assim ele desce e fecha a pequena porta. Tudo no ambiente é escuro, porém quente, quente até demais. Blaine tenta observar os objetos do lugar, porém a sua visão não permite, sendo assim ele começa a tocar em tudo para se guiar.
-Mas que diabos... – Ele diz tocando em algo afiado
Blaine sente como se fosse uma espécie de faca afiada e arrastando as mãos mais um pouco ele começa a sentir algo como cordas, pedras e até correntes de ferro.
Sebastian enfim abre novamente a pequena porta e Anderson dá um pulo para trás pelo susto. O recruta desce as escadas e em menos de cinco segundos ele acende uma vela que está sobre uma das mesas. Blaine olha para o rosto dele, está melado de sangue, mas não o dele e sim do loiro que acabara de matar. O ambiente fica mais claro e enfim Blaine consegue observa-lo.
As paredes são marrons e vários tipos de armas estranhas estão penduradas ou espalhadas pelo chão.
-Sebastian... – Anderson diz confuso – Que lugar é este?
-Esse lugar... – O recruta dá um sorriso atrás do moreno e pega uma pedra grande ao seu lado – É o nosso refúgio. – E só então ele bate a pedra com força na nuca de Blaine o fazendo cair desmaiado logo em seguida.
[...]
Cooper se balança no chão. Ele está com medo e não faz ideia do que esteja acontecendo, pessoas gritam do lado de fora e ele escuta tiros de ganhão e sons de espadas se batendo umas nas outras. O prisioneiro começa a chorar pelo desespero, ele nunca esteve tão sozinho como agora.
Ele leva as duas mãos até as orelhas e cobre ambas para não escutar mais aquilo que lhe faz perturbar a mente. Cooper não sabe se tudo isso vem de sua imaginação por ele estar ficando louco ou realmente está acontecendo.
-Cooper? – Jesse aparece correndo degraus abaixo e os dois escutam outro tiro de canhão
-Jesse o que está havendo? – Cooper chora como se não houvesse amanhã
-Os pais da Rachel declararam guerra ao reino pois seu irmão se negou a se casar com ela e ainda por cima permitiu que o caçador a raptasse. –Ele fala retirando um chaveiro de seu bolso
-O que? O Blaine não se casou? Raptaram ela? Estão em guerra? – Cooper arqueia as sobrancelhas ao mesmo tempo que St. James insere a chaves nos cadeados – O que você está fazendo?
-O que acha? – Jesse abre um cadeado por vez – Não quero ver o amor da minha vida, preso em um lugar como esse enquanto uma guerra acontece do lado de fora.
-Jesse... – Cooper se levanta e cambaleia para o lado – Você tem certeza?
-Jamais tive tanta certeza em minha vida como agora. – Ele destranca o ultimo cadeado e enfim abre a cela – Vamos meu amor.
-Jesse eu não sei... – Cooper dá um passo para trás – Eu não... eu não estou bem para sair. – Os dois escutam mais gritos
-Ou você vem ou eu vou aí e lhe carrego. – Ele fala irritado – Vamos Cooper.
O prisioneiro lhe olha nos olhos mais uma vez e só então em passos curtos caminha na sua direção. Cooper agarra os metais da cela e Jesse o segura para que fique firme, sendo assim ambos se afastam. Anderson olha para trás e observa o lugar por onde esteve durante seis anos e como um flashback tudo volta à tona em sua cabeça, o momento no qual seu pai lhe largou lá dentro e lhe esqueceu de vez.
Cooper fecha os olhos e respira fundo. O mauricinho lhe aperta nas costas como se quisesse afirmar que tudo ficará bem, sendo assim os dois pisam no primeiro degrau.
Ambos sobem as escadas devagar e escutam a cada passo dado mais gritos e mais bombas lançadas. O reino que antes estava em silencio agora parece o lugar mais barulhento do mundo. Eles andam lentamente pelo corredor e observam de longe criadas se escondendo ou correndo para o mais longe possível e por fim os dois avistam uma pessoa no qual o prisioneiro sentiu a maior falta.
-Kurt! – Cooper grita em alegria
-Cooper? – Kurt que antes parecia procurar por alguém se vira para ele e abre um sorriso largo – Oh meu deus! Cooper!
O conselheiro larga seu amado e dá um sorriso ao ver ele correndo e mancado na direção do castanho que também anda ligeiro em sua direção. Os dois se abraçam e o prisioneiro dá dois tapas fortes em suas costas.
-Seu desgraçado! – Cooper fala dando tapas nele
-Como você está? – Kurt questiona tocando no rosto dele – Oh meu deus!
-Jesse me libertou... eu não faço a menor ideia do que está acontecendo aqui, apenas sei que estamos em guerra. – Ele diz tocando no rosto de Hummel
-Precisamos fazer alguma coisa. – Jesse se aproxima deles
-Eu não entendo... – Kurt olha para o conselheiro confuso – Por que soltou ele?
-Porque nós somos namorados! – Cooper cai na gargalhada
-O que? – Kurt indaga
-Quem disse? – St. James o questiona incrédulo e Hummel fica boquiaberto
-Eu disse. – Cooper se alegra – Se não somos agora seremos futuramente pois ninguém resiste aos meus encantos.
-Você é igualzinho ao seu irmão. – Kurt dá uma risada, mas logo fecha o sorriso – O Blaine... onde ele está?
-Não sabemos... não vejo ele nem os rapazes desde a noite passada. – Jesse rebate e só então os três observam outra pessoa correndo na direção deles
-Puck! – Kurt grita
O ladrão encara todos eles, ele está assustado e parece ter vindo pedir ajuda.
-Kurt, você já voltou? – Ele questiona se aproximando rapidamente – O Sam me pediu para eu vir procurar reforços – Ele guia o olhar para Cooper – Quem é esse?
-O irmão do Blaine... aquele que eu queria salvar quando você veio me libertar. – Kurt responde
-Ótimo, nós precisamos de reforços. – Puck o puxa pelo braço e Cooper quase cai
-Não o puxe! – Jesse o puxa de volta
-Eu posso saber por que não posso puxa-lo? – Noah indaga
-Porque só eu posso puxar o meu namorado, certo? – Jesse diz irritado e todos principalmente Cooper o encaram perplexos
-O que? – Puck indaga – Namorado? Por que todos que eu conheço gostam de homens!?
-Então agora eu sou seu namorado? – Cooper começa a rir
-Depois nós conversaremos a respeito. – Jesse desvia o olhar dele
-Essa conversar está muito agradável, mas eu ainda preciso de reforços. – Puck diz mais uma vez
-Eu irei levar o Cooper para um lugar seguro, ele não está em condições. Após eu fazer isso encontro os dois lá fora. – Jesse diz, mas antes que possa se mexer Kurt o segura pelo braço
-Você está ciente que lutará contra o seu reino, não?
-Estou. – Jesse o olha nos olhos – Lionheart é o meu verdadeiro reino, devo lutar por ele.
Kurt faz um sinal positivo com a cabeça e só então Jesse e Cooper se afastam. Puck começa a andar rapidamente pelo corredor e o castanho lhe segue.
-Muitos já morreram? – Kurt questiona
-Você acha que eu estou em busca de reforços por que Kurt? – Ele rebate em desespero – Me desculpe... eu nunca lutei em uma guerra e não faço ideia do que fazer... – Eles continuam andando até que Noah o encara – Espere um minuto... onde está o Dave, o Artie e o seu namorado estranho?
Kurt para de andar e olha para baixo. Puck percebe logo em seguida o que ele quis dizer com isso, sendo assim ele não fala nada, leva uma de suas mãos até o ombro dele e por fim voltam a caminhar.
Os dois continuam andando e a cada sala Kurt para e verifica se Blaine não está dentro, porém ele não acha nada.
-Onde está Blaine? – Ele questiona já entrando em desespero – Não me diga que ele está lutando.
-Kurt, nós não somos loucos de mandar o Blaine para o meio disso. – Puck diz e o castanho respira aliviado – Ele está com o Sebastian.
-O que? – Kurt grita e seu desespero volta – Vocês enlouqueceram? O Sebastian é maluco! Para onde eles foram?
-Eu não sei... ele disse que levaria o Blaine para um lugar seguro, mas não disse qual.
-Oh meu deus! – Kurt grita levantando as mãos e só então os dois escutam um barulho e logo após isso se assustam ao se depararem com um guarda sendo lançado pela a janela do corredor, quebrando ela em pedaços
Puck rapidamente o puxa e os dois desabam no chão. Noah o arrasta para longe por segurança e só então eles observam o corpo do homem caído:
Joe do exército de Lionheart.
-Socorro! – Joe grita em desespero
-Precisamos ajudar ele. – Kurt sussurra e Noah agarra o seu braço
-Da última vez que ajudamos uma pessoa você acabou namorando ela. – Ele diz irritado
-Puck, eu não vou sair daqui sem ajuda-lo. – Hummel o encara nos olhos
O ladrão revira os olhos e só então os dois engatinham na direção do homem ferido. Joe grita como nunca e está mais desesperado que tudo. Quando enfim os dois chegam ao lado dele, mais uma vez um refluxo sobe pelo corpo do castanho, o rapaz está sem a metade da perna direita.
-Me ajudem! – Ele grita cerrando os dentes pela dor
-Claro, claro. – Kurt diz ficando pálido e tonto – Precisamos achar a Tina.
-Eu a vi na biblioteca. – Puck rapidamente responde
-Certo. – Kurt limpa o suor da testa e pensa — Você irá levar ele até lá e eu vou atrás do Sam.
-O que? Por que eu? Se é você que quer ajuda-lo? – Ele questiona incrédulo enquanto Joe continua a gritar
-Puck, por favor! – Hummel insiste
-Certo! Certo! – Ele bufa pela boca – Eu vou segurar você pelos cabelos, não quero tocar em seu sangue.
Kurt o encara em repreensão e por fim o ladrão esquece o plano de arrasta-lo pelos longos cabelos e faz isso pelos braços dele.
Noah o arrasta deixando um rastro de sangue e em poucos minutos os dois somem da vista do castanho. Kurt agora caminha sozinho e vai escondido para o mais longe possível. Ele olha através da janela que alguém incendiou as casas dos camponeses, quase tudo está pegando fogo. Mulheres gritam sem parar, elas tentam segurar seus filhos pequenos, mas eles também estão em desespero.
Hummel fica nervoso e logo volta a sua mente a imagem de Sebastian fazendo algo de ruim para Blaine. Sua cabeça está cheia e parece querer explodir principalmente por conta de Santana e suas ameaças
Kurt continua andando e se lembrando de tudo que a feiticeira lhe disse, recapitulando cada maldita palavra lançada pela sua boca. Talvez se Kurt não tivesse descumprido a promessa de seu pai, ou o Blaine não tivesse feito o mesmo com a da sua mãe nada disso estaria acontecendo. Os dois são descumpridores de promessas e segundo a feiticeira apenas estão pagando a língua pelos que eles mesmo causaram.
Quando enfim o plebeu chega ao lado de fora avista milhares de pessoas brigando. Ele retira de suas costas uma flecha e a posiciona no arco até que enfim um homem corre em sua direção, mas Kurt atira a flecha que atinge no peito dele. Outro homem corre e o castanho tenta ser rápido sendo assim, ele retira outra flecha, mas o homem consegue lhe alcançar.
Ele empurra o plebeu que se desequilibra e quase caí no chão. O homem avança em sua direção com a espada, mas Kurt se desvia desajeitadamente, sendo assim com um chute dado pelo castanho na perna dele, o homem cambaleia para o lado permitindo que Kurt consiga atirar a flecha em seu peito.
Hummel respira fundo e só então anda em frente. Ele cerra os olhos a procura de Sam e pede aos anjos que não seja tarde demais. Até que enfim, ele consegue ver o conselheiro Jesse correndo na direção de alguém e ele consegue avistar que graças aos céus é o cavalheiro.
Porém Kurt percebe algo além disso. Sam está gritando sem parar, a sua perna está presa em uma espécie de armadilha e o conselheiro está tentando desfaze-la. Hummel dá o primeiro passo para correr na direção deles, no entanto algo o impede de fazer isso.
Um tiro de canhão é lançado, exatamente ao lado do conselheiro e do cavalheiro, fazendo tudo ao redor deles por fim explodir.
Fale com o autor