Promise Me
3 Comemoração dos tolos.
Notas iniciais
Os velhos da vila tocam seus instrumentos com agilidade enquanto todas as moças e rapazes dançam juntos em perfeita sintonia. Kurt por sua vez carrega seu amigo Artie nos braços o trazendo pela primeira vez em anos para o lado de fora. Todos lhe olham assustados, não gostam do menino, mas isso não impede Kurt de deixar o amigo feliz em poder olhar o lado de fora e sentir o ar fresco da noite mais uma vez.
–Eu disse que me notariam. –Artie fala sendo ainda carregado pelo garoto
–Eu não ligo, já lhe disse que essa festa é nossa e não deles. –Kurt rebate colocando o menino deitado como se fosse um imperador sobre uma tabua de madeira
–Onde está seu pai? –O aleijado questiona
–Está dormindo. –O garoto responde atento as bebidas que estão sobre a mesa, ele se inclina pega dois copos de argila e entrega um ao seu amigo
–Não lhe perguntaram de onde vieram essas moedas? –Artie questiona segurando o copo
–Não, você acha mesmo que alguém irá querer saber de onde vieram? Eles apenas se importam se haverá bebida. – Kurt dá um gole no liquido – Além do mais, não quero pensar nisso, quero aproveitar essa festa.
–Acho que você não é o único. –Artie diz apontando para uma moça loira que dança observando o castanho
A moça de cabelos longos lisos e loiros observa com seus olhos claros o castanho que por sua vez apenas continua bebendo o liquido azedo que estão dispondo para a sua festa. Kurt tenta evitar olhares diversas vezes, mas é impossível, a moça continua dançando, para ele.
–Não está interessado nela Kurt? –Artie pergunta dando um gole na bebida
–Não. –Kurt se vira automaticamente de costas para ela
–Ela é maravilhosa, veja só está dançando para você, queria eu ter uma mulher tão linda assim dançando para mim. –Artie suspira
–Ótimo, vá atrás dela você. –Kurt rebate
–Se eu pudesse iria. –Artie comenta deixando escapar uma risada de ambos os amigos – Mas é sério Kurt, por que não vai? O que custa? Ela pode ser o tão famoso verdadeiro amor que a feiticeira falou.
–Prefiro aproveitar a festa sozinho. –O garoto rebate virando o copo de bebida
Enquanto os amigos riam dos comentários um pouco desapropriados de Kurt, Blaine e Sam já estavam com seus cavalos na floresta escura e fria do reino.
–Não já passamos por aqui? –O príncipe questiona puxando o seu cavalo branco
–Não sei, parece que estamos andando em círculos. –Sam responde fazendo o mesmo com seu cavalo
–Não acredito nisso! É uma perca de tempo, não deveríamos ter saído tão tarde, agora estamos os dois sujeitos aos perigos desta floresta imunda. –Blaine observa com desprezo cada canto da floresta
–Blaine, não estou querendo falar mal de seu plano, mas... aonde exatamente estamos indo? –Sam questiona curioso
A pergunta pegou o moreno de surpresa, ele não sabia ao certo para onde ele e o melhor amigo estavam indo, com certeza não pensou em tantos detalhes visto que ele não estava nem um pouco disposto a passar mais um dia sequer no palácio.
–Não sei Sam, apenas vamos continuar a busca, veremos se tem alguma vila ou casa escondida. Não deve ser tão difícil procurar um marginal.
–Me perdoe, mas eu ainda acho que fez mal em deixar sua noiva sozinha no palácio. –Sam comenta observando a floresta
–Por que de tantas mulheres escolheram logo ela para ser a minha esposa? –Blaine questiona lhe encarando
–Príncipe, me perdoe mais uma vez, mas o senhor sabe muito bem que ela não foi a primeira escolhida.
–É deprimente um príncipe tão cheio de fortunas que nem eu, ter de escolher entre a irritante princesa Sugar Motta ou a dissimulada Rachel Berry. – Ele parece ofendido
–O senhor não quer se casar de jeito nenhum, não é mesmo?
–Não agora Sam. –O príncipe suspira – Eu preferia me casar com alguém que eu realmente ame e não com um par arranjado.
–E quando essa mulher irá aparecer em sua vida? Quando irá se casar e assumir o trono?
–Não dê cerveja aos bêbados Sam, é exatamente isso que eles querem. –O príncipe rebate – E só então o moreno parte novamente com seu cavalo em frente, correndo como nunca
[...]
–Precisamos de mais carnes. –Kurt fala ao amigo
–Ainda acho um absurdo você gastar suas moedas com essas pessoas. –Artie indaga
–Artie, já lhe disse que estou cansado de tudo isso! Venho a procura de ajudas para o meu pai há muito tempo e nada parece funcionar.
–Então continue tentando!
–Eu irei. –O castanho encara o debilitado – Mas não agora. – Ele respira fundo – Agora nós precisamos de mais carnes.
–Vá lá buscar, tomo conta de sua bebida. –Artie diz segurando o copo do amigo
O garoto caminha em direção a casa do amigo afim de pegar as carnes para a festa. Não há ninguém em casa, sua mãe está assim como os outros aproveitando a comemoração dos tolos. Kurt sempre gostou do pequeno chalé que seu amigo mora, é bem simples, porém organizado, e nos dias de frio cheira a chá de ervas. O castanho possui boas lembranças não só dos seus dias de infância com seu melhor amigo como também das diversas conversas que sua mãe tinha com a mãe de Artie.
Hummel abre a porta da casa do amigo e olha mais uma vez cada cantinho do chalé, e só então depois de alguns segundos caminha em direção as caixas onde estão as carnes quando sem ao menos esperar escuta a porta se fechando atrás dele. O garoto se assusta ao se virar e ver diante de seus próprios olhos a bela moça que dançava na festa para ele.
–O que está fazendo aqui? –Ele questiona recuando
–Já fomos apresentados? –Ela se aproxima do garoto – Me chamo Brittany.
–Prazer. –Ele diz lhe olhando desconfiado –Vi sua dança...
–E se agradou? –Ela questiona chegando bem próximo ao castanho e ele por sua vez tropeça em uma mobilha lhe impedindo de recuar mais– Estava dançando para você.
–Eu notei isso. –Ele diz olhando para os dedos da moça que alisam o seu rosto
–Achei muito bom de sua parte dar essa festa para os seus amigos. –Ela diz aproximando sua boca da dele
–Brittany. –Ele diz se afastando dela – Só tenho dois amigos nessa vila, meu pai e o Artie.
–Por que está fugindo de mim? –Ela pergunta novamente se aproximando
–Não estou fugindo de você, só acho que uma moça não deve ficar a sós com um rapaz em uma casa, à noite. –Ele diz se afastando mais uma vez
–Eu não ligo. –Ela diz jogando o garoto que cai desajeitadamente em cima da cama do amigo – Você é o marido que sempre sonhei em ter.
–Acho que você está equivocada. –O garoto rebate lhe olhando assustado
A garota não mede esforços e se aproxima do castanho, com sua boca bem próxima da dele apenas suspira deixando escapar seu ar que toca no pescoço do garoto. A menina beija o rosto de Kurt e desce com suas mãos por sua camiseta aos poucos desfazendo o nó que a fecha, o garoto por sua vez tenta afastar ela diversas vezes em vão.
–Preciso me casar. –Ela diz alisando a pele do garoto – E eu escolhi você.
Brittany beija todo o seu peito e leva suas duas mãos até a calça do castanho, as abaixando um pouco sendo assim ela levanta seus longos e delicados vestidos e se senta no colo do menino, o fazendo ficar mais assustado ainda, Kurt não sabe o que fazer, ele ao menos está excitado com essa situação.
–Brittany, saia de cima de mim. –O garoto diz tentando afasta-la
–Vamos, vai dizer que não quer o mesmo? –Ela questiona beijando o pescoço do garoto
–Não, na verdade eu não quero. –Ele diz a empurrando, fazendo ela cair deitada ao seu lado
–Qual é o seu problema? Qualquer homem aqui desta vila se mataria para me ter em suas camas e eu como uma tola lhe escolhi!
–Eu não sou qualquer homem. –O garoto diz se levantando – Você é muito bonita e eu estou lisonjeado, mas não posso fazer isso. –Ele fecha a sua camiseta e sobe a sua calça
Com essa última frase o castanho dá as costas a menina desapontada e sai da casa do amigo sem ao menos pegar as carnes. Assim que ele coloca os pés do lado de fora avista de longe três guardas, o garoto se assusta automaticamente. Provavelmente descobriram o seu paradeiro e vieram lhe prender, na verdade o castanho continua pensando isso até o exato momento em que a música cessa e um dos guardas fala:
–Temos um comunicado importante. –Ele grita subindo em cima de um tronco – A rainha faleceu.
Os olhos azuis do castanho se arregalam como nunca, o garoto está pensando que teve algo a ver com a morte da rainha o que não vem ao caso. Todos da vila se surpreendem com a notícia e o garoto mais uma vez não sabe o que fazer.
–Quem irá ocupar o cargo dela? –Um velho grita
–Não sabemos ainda. –O guarda responde – Mas provavelmente será seu filho mais novo, que futuramente irá se casar com a princesa Rachel Berry.
–O que? –Todos indagam
–Com aquela imprestável? –Um grita
–Estamos arruinados!
–Já não bastavam o grande imposto que pagamos e agora teremos que suprir as necessidades de beleza daquela mulher!
–Isso não pode acontecer!
–Vocês se calem! –O guarda grita – Não possuem poder de voto algum aqui. O primeiro aviso está dado. O segundo é que roubaram a coroa da rainha.
Todos se espantam novamente inclusive o garoto que dá dois passos para trás e logo se agacha e se esconde em um arbusto ao lado da porta do amigo.
–Pela manhã nós iremos vasculhar a casa de cada um dessa vila desprezível, e se vermos a coroa com qualquer um de vocês não prometemos que sairão ilesos.
Através de uma abertura entre as folhas do arbusto Kurt olha em frente e vê o velho Figgins o encarando. O garoto sabia que não poderia deixar a coroa na mão do senhor, não era de seu costume trazer perigos para os demais ao seu redor sendo assim ele precisava pegar a joia e esconde-la em qualquer lugar.
–O segundo aviso está dado, podem continuar esta festa nojenta! –O guarda grita
Os três guardas são acompanhados por uma senhora até o chalé dela, provavelmente passarão a noite na vila, o que dificulta mais um pouco os planos de Kurt.
–O que você está fazendo aí? –Brittany pergunta saindo da casa
–Nada. –O garoto diz se levantando
–Está se escondendo? –Ela questiona arrumando seu cabelo
–Já disse que não estava fazendo nada! –Ele se irrita e encara a garota com olhos severos
–Não fale comigo nesse tom! –Ela rebate – Será que não percebe que nós faríamos um par perfeito?
Kurt não está dando a mínima para o que a garota está falando ele apenas consegue olhar para trás e verificar de longe os guardas sendo acomodados no chalé da senhora.
–Eu estou falando com você! –Brittany puxa o garoto pelo braço e lhe encara nos olhos
–Brittany, você é uma pessoa incrivelmente esbelta, e eu estou muito lisonjeado por você ter me escolhido para ser seu marido, mas agora eu realmente não posso lhe dar atenção.
–E quando você poderá me dar a atenção que necessito? –Ela questiona se aproximando dos lábios do castanho
–Logo. –Ele retira seu braço das mãos da garota – Vou resolver alguns problemas, quando voltar nós conversaremos, certo?
–Me prometa. –Ela lhe encara
O garoto arregala seus olhos, uma promessa na vila onde ele mora é como uma joia preciosa e se caso você possuir ela em suas mãos, não poderá destruí-la.
–Eu preciso ir. –Kurt fala se afastando e andando o mais ligeiro possível para longe da garota
–Falarei com meus pais! –Ela grita, mas o garoto já está longe
O plebeu caminha em direção ao velho Figgins que está suando como se tivesse cometido o maior crime de todos.
–Onde está? –Kurt sussurra
–Na minha casa. –O velho diz assustado
–Vá pegar, preciso esconde-la. –O garoto diz empurrando literalmente o velho que logo corre em direção a sua casa e só então Kurt corre agora em direção ao seu amigo
–Você viu? –Artie questiona assustado
–Vi, o que eu faço agora? –Kurt está mais desesperado do que nunca
–Você tem que jogar ela em algum lugar bem longe daqui, nas matas ou em algum lago, mas tem que fazer isso logo pela manhã. –O amigo sugere
–Kurt. –O velho Figgins aparece atrás dele com uma sacola
–Ótimo. –O garoto diz segurando – Me perdoe por isso, arranjarei moedas que lhe cubram a despesa.
–Sem problemas, apenas desapareça com isso. –O velho diz se afastando
Kurt olha para o amigo e corre em direção a sua casa, antes de tudo ele tem que procurar algum canto para escondê-la pela noite. O garoto abre a porta de seu barraco escuro e para por alguns segundos observando o ambiente, vai em todas as partes mas decide que o melhor lugar deve ser dentro de um tronco ao lado da cama de seu pai.
O menino esconde a sacola e encara o patriarca.
–Pai? –O castanho pergunta, mas Burt não responde – Pai? –O menino se senta ao lado do velho e começa a balança-lo – Pai! Acorda! Pai!
Lagrimas começam a rolar pelo rosto do menino que continua em desespero balançando o seu pai.
–Pai, por favor, acorda! Eu lhe peço, por favor! – Kurt chora como se não houvesse amanhã – Por favor, meu deus. Não me deixe pai, por favor!
Kurt ergue o corpo de Burt e o abraça com força, ainda chorando deixando com que suas lagrimas caiam sobre o pano bastante usado de suas roupas.
–Eu não sou ninguém sem o senhor, por favor não me deixe. –Ele chora abraçando o pai – Você se lembra tudo que fez por mim? Se lembra dos momentos em que passamos juntos? Todo erro se tornava um acerto quando feito ao seu lado meu pai. –Ele chora ainda mais – Por favor, não me deixe. –Ele balança o corpo do patriarca – Burt! Acorda Burt!
Ele abraça ainda mais forte o seu pai e suas lagrimas escorrem com velocidade pelos seus olhos.
–Eu lhe fiz uma promessa! Não me faça quebra-la! – Ele segura a mão de Burt – Por favor, apenas abra os olhos e diga que me ama! Por uma última vez! Por favor! – O garoto começa a soluçar pelo choro – Pai... por favor.
O menino não consegue acreditar que o seu herói não está mais com ele, que não se despediu nem muito menos sorriu por uma última vez. Para quem agora ele iria fazer suas promessas?
–Não quero ficar só, o mundo é gigante e eu não sou ninguém sem você. Por favor, eu tenho medo. – Ele encara o pai com seus olhos azuis cheios de lagrimas – Oh meu deus. Por favor pai, não me deixe sozinho, não vá, por favor, não vá!
Kurt começa a gemer pelo choro e o seu soluço atrapalha a sua respiração.
–Eu te amo muito pai. –Ele diz vermelho pelo choro –Oh meu deus. –Kurt nunca chorou tanto em sua vida, nem quando sua mãe veio a falecer.
Ainda chorando, Kurt deita novamente seu pai sobre o acolchoado velho e usado de sua cama e se levanta, sem conseguir ao menos conter as lagrimas. Ele leva uma de suas mãos até o rosto e o cobre como se seu mundo estivesse acabado de vez. Ele agora estava sozinho.
–Não vou descumprir a minha promessa. –Ele olha para o pai e enxuga as lagrimas — Preciso esconder você. –Ele diz encarando a coroa
[...]
–Blaine eu não aguento mais galopar! –Sam diz completamente cansado
–Certo, nós vamos parar por aqui mesmo. –Blaine diz saindo de cima do cavalo –Solte eles para que possam beber a água do lago.
–Nós vamos ficar aqui mesmo? –Sam questiona olhando o lago escuro e assustador
–Está com medo? –Blaine dá uma gargalhada – Não acredito que o chefe dos guardas está realmente com medo.
–Não estou com medo. –Sam recua indo em direção a uma árvore –Apenas cansado. –Ele desaba no chão
–Eu também estou bastante exausto, mas preciso cumprir a promessa que fiz a minha mãe. –Blaine diz se juntando a ele no chão
–A sua promessa foi encontrar a coroa? – O cavalheiro questiona se acomodando no tronco na árvore
–Em parte sim. –Blaine suspira
–E será que pela manhã vamos conseguir encontrar o ladrão? –Sam suspira
–Não sei, mas seja lá quem ele for não se safará. –Blaine fecha os olhos
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