Promise Me
6 Chá de cogumelos.
Notas iniciais
O príncipe e o plebeu iniciavam a sua caminhada a pouco mais de uma hora, passavam por árvores, animais, pedras e troncos largados, e tudo estaria no mais perfeito silencio se não fosse pelo moreno, reclamando a cada trinta segundos.
–Você tem certeza de que sabe por onde estamos indo? –O moreno questiona se desequilibrando
–Já lhe disse que não! –Kurt o segura – Três vezes!
–Me desculpe, mas pensei que você deveria saber, já que mora nas matas. –Blaine comenta
–Não acredito nisso. –O castanho revira os olhos – Eu não moro nas matas, eu tenho casa, em uma vila, com pessoas.
–Certo, certo. –Blaine o encara – Não se estresse.
–Eu só não sei porque você decidiu vir comigo. –Kurt volta a caminhar
–Eu apenas não queria voltar para o palácio. –O príncipe mente
Na verdade, Blaine não mentiu por completo, uma parte de seu corpo queria ir com o castanho para poder ficar mais perto dele, já que o príncipe estava adorando a companhia do ladrão, mas o outro lado queria sim, não voltar mais, pois ele sabe que no exato momento em que pisar seus pés no palácio terá que se casar com a princesa, o que ele não pretende fazer.
–Se não quer se casar com ela, não se case. –Kurt sugere pulando um tronco
–Não é tão fácil assim. –Blaine diz pulando o mesmo tronco – No palácio as coisas não são da mesma forma que na sua vila, ninguém se casa quantas vezes quiser, ou com quem quiser. –O castanho está lhe olhando literalmente de boca aberta – Ou fazem sexo quando querem, ou comem com as mãos...
–Desisto. –Kurt diz respirando fundo – Você acha mesmo que as pessoas na minha vila fazem isso?
–Não fazem? –Blaine parece confuso
–Não, elas não fazem. –Kurt novamente suspira – Apenas vamos continuar andando e se possível tentando evitar o contato.
Os dois continuam caminhando, mas a inquietação do moreno é tão grande que ele começa a cantar, sem parar.
–Será que você pode se calar? –Kurt diz o encarando, mas o moreno não para – Certo, sua voz é linda, mas por favor, preciso de silencio para o meu raciocínio. –Ele continua cantando – Príncipe! Príncipe! –Kurt grita – Blaine cale essa boca!
O moreno lhe olha assustado e por fim cessa a cantoria, o que acaba fazendo o castanho dar uma risada inapropriada.
–Me perdoe por isso. –O castanho diz ainda rindo
–Você tem um sorriso lindo. –O príncipe diz lhe observando
Kurt reduz o seu sorriso, dando agora espaço para um rosto corado pela vergonha.
–Você costuma elogiar homens no palácio? –Kurt questiona lhe encarando
–Eu apenas disse uma verdade, que mal há nisso? –Blaine rebate lhe olhando – Da mesma forma que posso elogiar uma moça posso muito bem fazer o mesmo com um homem.
–Apenas... –O garoto diz se virando de costas – Apenas vamos continuar andando.
–Me conte mais sobre você. – O príncipe corre conseguindo chegar ao seu lado
–Por que tamanho interesse em minha vida?
–Eu realmente quero lhe conhecer melhor. –O castanho lhe observa como nunca
Muitas coisas se passam pela cabeça do plebeu. A promessa que ele fez ao seu falecido pai parece estar tomando rumos diferentes do que foi imposto, tendo em vista, que segundo o patriarca, Kurt não deveria se juntar ou muito menos ter contato com qualquer pessoa do palácio e é exatamente isso que está acontecendo.
–Por que quer tanto me conhecer? Você não irá me prender na sarjeta de seu palácio? –Kurt continua caminhando
–Eu apenas quero saber mais a seu respeito, quantos anos tem, como era sua vida. – O príncipe tenta acompanhar o castanho com passos apressados
Hummel respira fundo e pensa duas vezes se deve ou não dar continuidade a essa conversa, já que no fundo ele até se agradava da companhia do príncipe.
–Certo. –Ele encara o moreno que por sua vez sorri — Eu tenho 19 anos de idade, e como já lhe disse meu pai faleceu e por isso agora moro só, ou moraria se você não fosse me prender. – Blaine deixa escapar uma risada pelo comentário – E eu também tenho apenas um amigo, ele é aleijado e se chama Artie.
–Aleijado? – O príncipe parece curioso
–Sim, não consegue andar, já nasceu com esse problema, mas ele não é amaldiçoado antes que você diga algo do gênero. –Kurt suspira – Eu gosto de criar roupas, porém não tenho moedas ou panos suficientes para fazer isso. Na verdade, meu pai e eu nunca tivemos muito, quando sequer tínhamos algum alimento simplesmente dividíamos e sabe se lá quando teríamos outro.
–Isso é muito triste Kurt.
–De fato é triste, mas talvez isso tenha me tornado mais forte e eu não me arrependo um minuto sequer de ter dedicado toda à minha vida ao meu pai. Nunca amei ninguém tanto quanto amei ele e é exatamente por isso que eu estava chorando daquela forma ontem à noite, pois caiu a ficha de que agora eu estou sozinho em um mundo gigante.
–Você não está sozinho. –Blaine lhe olha
–Há não? –Kurt indaga – Vocês irão me prender, em uma sarjeta fria e imunda, vou ficar sozinho para o resto da minha vida, apenas por ter roubado algo para salvar alguém.
–Kurt se acalma. –Blaine se assusta ao ver o garoto irritado
–Me acalmar? Como posso? Se você me diz que não estou sozinho? Príncipe, me desculpe, mas não sou você que tem um palácio, criadas, uma futura esposa e muitas moedas a sua disposição, eu não sou ninguém!
–Sim, você é alguém! –O príncipe grita
–Eu poderia fugir agora, poderia muito bem lhe dar um soco no meio da cara, ou quem sabe bater em você com uma pedra! –O moreno arregala os olhos – Mas não, por que diabos eu estou aqui? Conversando com você?
–Vai ver você gosta de mim! –Blaine grita o encarando – Da minha companhia, das nossas conversas.
–Faça-me o favor! –O castanho indaga
–Então por que eu estou conversando com um ladrão? Por que não fui no lugar do Sam e deixei ele vir com você?
–Porque você é louco, ou burro demais! –O castanho o encara
–Você está reclamado da sua vida, mas não pensa que eu também perdi a minha mãe, que estou prestes a me casar com alguém que não amo e ainda por cima ganhar como brinde um palácio que eu não quero governar! –O moreno desabafa
–Já disse que se não quer se casar, não se case! –Kurt comenta lhe olhando
–Preciso me sentar. –Blaine diz respirando fundo e se sentando em uma pedra
–Precisamos continuar. –Kurt diz, mas logo cede também se sentando ao lado dele
–Eu prometi a minha mãe, que me casaria com a princesa. –O moreno diz encarando o castanho com um olhar de tristeza
–E eu prometi ao meu pai que nunca me meteria no caminho de ninguém do palácio e que ficaria sempre ao lado dele, mas acho que isso não está acontecendo. –Kurt rebate
–Por acaso você já namorou alguma vez? –Blaine questiona olhando nos olhos azuis do garoto
–Não, nunca... e você?
–Também não, talvez seja isso que esteja me impedindo de subir ao altar, não vivi os sentimentos básicos da vida, como posso querer me casar?
–Por mais hilário que seja você está perguntando para a pessoa menos experiente nesse assunto. – Kurt lhe encara
–Eu não consigo acreditar que você nunca se relacionou com ninguém.
–Por que é tão difícil acreditar? – Kurt questiona confuso
–Olhe só para você, forte, alto, tem olhos azuis e é corajoso, qualquer mulher se atiraria aos seus pés. – Blaine retruca
–E olhe só para você, príncipe, rico, elegante, carismático. Por que é tão difícil se casar? Só é você ir lá e trocar as alianças, um dia amará ela.
–Talvez não. – O moreno respira fundo
–Pelo menos ela não é louca e lhe joga na cama para tentar algo. – Kurt acaba pensando alto
–O que? Como assim?
–É que... – O castanho pensa duas vezes se deve contar ou não – Talvez eu me case.
O olhar do moreno muda por completo, ele nesse exato momento parece estar surpreso e ao mesmo tempo triste com essa notícia e o próprio não sabe dizer ao certo a causa disso.
–Uma moça bastante bonita me galanteou há alguns dias atrás, mas eu recusei suas cantadas, no entanto a mesma disse que falaria com os pais para que nos casássemos.
O príncipe continua sem ter palavras certas para falar nesse momento. Ele continua boquiaberto e sem nenhuma reação.
–Você não vai dizer nada? –Kurt questiona lhe encarando
–Eu diria meus parabéns, no entanto você vai ser preso o que não adiantará. –Blaine rebate um pouco irritado, sendo assim ele se levanta
–Você ainda vai me prender? –Kurt observa ele de baixo
–É para isso que o cavalheiro e o caçador foram atrás de ajuda, não? –Blaine parece bem mais irritado do que de costume
–Por que está falando comigo dessa forma? –Kurt questiona de uma maneira assustada
–Por que você continua sendo um ladrão! – O príncipe rebate
–Agora é a sua vez de rebater! – Uma voz masculina soa de dentro da mata
Kurt rapidamente se levanta da pedra e Blaine assustado encara o lugar, os dois arregalam os olhos e ambos pegam algo para se defender. O príncipe sua espada e o plebeu uma pedra, já que o seu arco foi retirado pelo cavalheiro.
–Por que pararam de brigar? Estava tão hilário! –Novamente a voz
–Quem está aí? –Blaine questiona erguendo a espada
–Sou eu. – Um rapaz aparece do nada dando um pulo engraçado
Os dois rapazes se assustam ao ver um rapaz não tão alto, magro dos olhos verdes assim como a sua roupa. Ele tem umas sobrancelhas engraçadas e um sorriso bastante peculiar.
–Eu quem? –Kurt questiona confuso
–Sou aquele que vos dará um teto na noite fria que está por chegar. –Ele comenta se aproximando – Alias, vocês saberiam me dizer, o que é uma casinha sem tranca e sem janela?
–O que? –Kurt parece confuso com a pergunta por enquanto que o rapaz caminha na direção dos dois de uma forma um tanto... engraçada.
–Não chegue mais perto! –Blaine aponta a espada para ele e com o braço puxa Kurt para trás dele, numa espécie de proteção
–Que ato de bravura... – O rapaz observa os dois – Acho tão bonito alguém protegendo o seu... amigo?
–Ele não é o meu amigo. – Blaine rebate
–Há não? Então o que seria? – O rapaz junta as duas mãos e as coloca abaixo do queixo, ele parece realmente interessado
Os dois permanecem em silencio, ambos não fazem a mínima ideia do que são um para o outro e em consequência a isso não sabem o que responder ao rapaz.
–Somos conhecidos. – Kurt quebra o silencio
–Isso, conhecidos. – Blaine complementa
–Certo. – O rapaz dá uma risada e se aproxima mais – E então? Não sabem responder a minha pergunta?
–Do que ele está falando? – Hummel sussurra atrás do príncipe
–Sem problemas. – Ele anda mais uma vez em passos engraçados – A resposta seria, o ovo! –Ele dá uma gargalhada e os rapazes lhe olham assustados – Entenderam? O ovo!
–Não, nós não entendemos. – Blaine diz lhe encarando
O plebeu observa o rapaz enquanto ele dá altas gargalhadas, e questiona a si próprio o porquê de tal pergunta a dois estranhos. Sendo assim, ele decide guardar para si mesmo o que o estranho vos disse.
–Acho que começamos com o pé esquerdo. – O estranho se aproxima rindo – Me desculpem pelo susto, meu nome é Rory Flanagan. – Ele estende a mão
–Sem problemas. – O príncipe mesmo receoso a aperta
–Já que estamos falando desse assunto, poderiam me dizer o que é seu, mas seus amigos usam mais do que você? – Ele novamente questiona rindo
–O meu nome? – O príncipe questiona confuso e com as sobrancelhas arqueadas
–Exato! – Rory comemora batendo palminhas – Você não seria o príncipe?
–Sim, eu mesmo. – Blaine se arma em postura – Blaine Anderson.
–Muito prazer majestade. – Rory se inclina em respeito – E o seu conhecido? Quem seria?
–Este é o Kurt Hummel. – O moreno apresenta o castanho que por sua vez apenas o cumprimenta com um movimento de cabeça – Estamos em busca da vila onde ele mora.
–Será por isso que tive o desprazer de tombar com seus guardas há alguns dias? – O rapaz rebate
–Eles foram a minha vila, eu estava lá no dia. – Kurt comenta
–Então quer dizer que estamos próximos? – O príncipe questiona esperançoso
–Pode ser que sim, pode ser que não. – Rory dá uma risada – Vamos a minha humilde casa, lhes darei algo de comer e vocês poderão dormir por lá esta noite.
–Acho melhor não. – O príncipe comenta receoso
–Será uma honra receber o futuro rei em meu lar. –Rory insiste – Veja só você, tão poderoso, astuto, magnifico. – O rapaz enche cada vez mais a bola do príncipe
–Bom... – O moreno junta seus dedos da mão e os meche em um gesto esnobe – Não costumo ir a lugares onde estranhos moram, mas você me parece ser um ótimo rapaz.
–Garanto que não irá se arrepender digníssima majestade. – Rory comenta sorrindo
–Já que insiste tanto. – Blaine o retribui com um sorriso
O rapaz vestido de verde retribui o sorriso e só então dá dois passos mata adentro, Kurt por sua vez observa essa conversa desde o início e nada do que foi dito parece lhe agradar. Enquanto o príncipe parece ter sido convencido apenas pelos elogios que aumentaram ainda mais o seu ego.
–Blaine. – Kurt puxa o braço do moreno
–Sim? – Blaine retruca
–Você vai mesmo a casa dele? Mal o conhece.
–Primeiro, eu também não conhecia o caçador e ele nos ajudou muito, segundo, eu não vou a casa dele... nós iremos. – O príncipe rebate
O moreno dá as costas ao castanho e segue o rapaz que por sua vez já está bem na frente de ambos. Esse seria o momento ideal para o castanho fugir, o príncipe caminha na frente e ele agora está só, mas seu coração quase que lhe suplica para não fazer algo do tipo. Ele pensa e pensa, sem parar um segundo, olha em frente para a mata e tem como tradução do caminho a palavra liberdade, mas ele sente que isso não é correto, afinal de contas ele quem cometeu algum erro e, portanto, deve paga-lo. Sendo assim depois de dar um longo suspiro Kurt dá seu primeiro passo, em direção aos dois.
Depois de passar por bastantes folhas e flores e caminhar em silencio por mais ou menos uns vinte minutos, Kurt e Blaine por fim chegam a casa do sorridente Rory.
–Que lugar maravilhoso Rory. – O príncipe comenta observando cada canto
–Desse jeito o senhor me deixará corado, caro príncipe. – O rapaz dá um sorriso e por fim abre a porta de seu chalé – Podem entrar.
O castanho e o moreno dão seus primeiros passos na casa do rapaz. O lugar é incrível, todos os moveis de madeira escura são decorados com panos coloridos, plantas e flores que arrodeiam cada canto. Jarros e mais jarros fazem parte da decoração, bem como diversas prateleiras com vários potes contendo frutas.
–Se sentem, irei preparar para os dois um chá. –Ele diz dando um enorme sorriso
Enquanto Rory caminha em direção a sua pequena cozinha, o cavalheiro e caçador juntos vão em busca de caminhos que darão ao palácio. Tudo estaria indo bem se não fosse o arrependimento batendo no loiro, por simplesmente ter deixado seu amigo a sós com um ladrão.
–Estou seriamente preocupado com o príncipe. – Sam comenta enquanto observa a floresta
–Cavalheiro, o rapaz não parece nem um pouco perigoso. – O caçador rebate sentado logo atrás do loiro em cima do cavalo
–Isso é o que você pensa, ele age justamente dessa forma para pensarmos que é alguém do bem, no entanto, usa disso para ter o momento certo para escapar.
–Acho que você pode estar equivocado. – Finn rebate
–Como tem tanta certeza a respeito disso? – Sam questiona irritado
10 anos atrás....
–Finn eu preciso que você vá buscar as ervas. – Carole diz massageando o pé
–Mas mãe, a senhora sabe que nunca sai deste lugar. – O pequeno chora pelo medo
–Meu filho, por favor, sei que você tem medo do mundo lá fora, mas eu preciso. – Carole se contem para não chorar – Como vou me tratar? Como irei arranjar comida para nós dois?
–Mas mamãe, e se me acontecer algo? – O menino insiste soluçando entre o choro
–Finn, não irá acontecer nada. –Ela encosta a mão sobre o ombro do menino – Nunca lhe contei isso, mas seu pai foi o homem mais corajoso que conheci em toda a minha vida e infelizmente você não teve a sorte de lhe acontecer o mesmo. Mas meu filho, lhe digo que não acontecerá nenhum mal, você é igual a ele.
–Como a senhora sabe disso? –Ele chora
–Eu confio em você. – Ela olha para o menino com um sorriso dolorido – Vá ao lado de fora e faça um pequeno buraco ao lado da árvore. Após achar um presente que seu pai deixou para você, quero que vá em busca das ervas.
O menino olha para a mãe, ele não tem outra saída a não ser lhe ajudar. Sendo assim, com apenas um sinal positivo da cabeça ele se cobre com mais uma camada de roupa, pega algumas frutas sobre a mesa e sai porta a fora. A neve está profunda, mas isso não o impede de tentar achar o que seu pai lhe deixou de lembrança. Ele caminha até a arvore e assim que chega nela, cai de joelhos no chão e com as mãos nuas começa a cavar a neve. Mesmo com o frio, Finn cava e cava, até que enfim, acha uma caixa abrindo e retirando dela um machado de prata.
Os olhos do garoto brilham por simplesmente saber que aquilo foi deixado por seu desconhecido pai. Hudson segura a arma na mão e com força a ergue, o machado é mais pesado do que o próprio menino. Sendo assim carregando o instrumento Finn anda em direção aonde possivelmente possa ter algumas ervas que curem a sua mãe. A ideia de acha-las é ridículo, afinal e contas, estão no inverno e a neve cobre toda a vegetação rasteira.
Depois de muito andar, em vão é claro, o garoto acaba avistando algo um tanto quanto curioso. Ele se aproxima mais e por fim nota a presença de um outro garoto, largado no chão e aparentemente desacordado.
–Menino! –Finn cutuca o garoto com os pés – Acorde!
O menino não fala nada, apenas com um olhar fraco gira sua cabeça em direção ao mais alto e permanece com seus olhos nos dele.
–Você está bem? – Hudson questiona assustado, mas o garoto não responde
Finn olha as mãos do menino, elas estão mais pálidas do que qualquer outra coisa já vista e suas unhas estão roxas bem como os seus lábios. O mais alto não aguenta e se agacha em segundos, retirando rapidamente o pano que arrodeia os seus ombros, sendo assim o coloca sobre o corpo do mais baixo.
–Vamos, me ajude a lhe aquecer. – O mais alto diz
O garoto sem forças abre os seus olhos, estas são as íris mais azuis que Finn já viu, são quase semelhantes a um lago em dia de verão.
–Aperte o pano para se aquecer. – Finn ordena ao menino
E então ele o obedece, apertando o pequeno pano de um modo que consiga aquecer todo o corpo inclusive as suas mãos pálidas.
–Tome, você deve estar com fome. – Hudson diz tirando de sua sacola as frutas que trouxe de casa, sendo assim leva uma delas até a boca do mais baixo que a morde lentamente.
Até que enfim Hudson escuta passos vindo de dentro da mata. Ele se levanta rapidamente e coloca seu mais novo machado na frente para a sua defesa se for preciso. Até que, rapidamente dois homens bem mais velhos aparecem.
–Achamos! –Um deles grita indo em direção ao menino caído
Finn encara um dos homens que tenta salvar o menino. Hudson já viu esse rosto antes, esse homem visitara constantemente a sua casa, no entanto as escondidas dele.
–O que você ia fazer com ele? – O mais velho questiona encarando Finn
–Eu não ia fazer nada, apenas estava ajudando! –Ele diz assustado
O homem careca retira os olhos do menino e encara agora Finn, ele também parece o reconhecer.
–Você ia matar ele? – O careca grita se aproximando de Hudson – Por que ia matar ele? – Ele insiste em gritar
–Vamos matar você menino! – O outro grita
–Eu não ia matar ele, apenas estava tentando não deixar ele morrer! –Finn nunca esteve tão assustado em toda sua vida, ele recua em passos lentos e com dificuldade por conta da neve
–Isso é mentira! – O velho grita – Vou matar você agora!
–Pa-pai! – O garoto caído gagueja com a voz fraca – E... ele não estava me fazendo nenhum... nenhum mal. – Ele continua a falar com dificuldade – Ele me ajudou, eu estava morrendo.
–Isso é verdade meu filho? – O homem questiona ao menino de olhos azuis
–Sim, ele me ajudou. –O garoto responde tossindo
–Certo. – O pai encara o Hudson – Vamos! Vá embora! Suma da nossa frente!
Sem pensar duas vezes Finn dá as costas e corre, como se não houvesse amanhã. Essa foi a primeira vez que ele viu alguém que não fosse o homem calvo ou sua mãe e foi a primeira vez que ajudou alguém que também não fosse ela, fora o fato de que no fim das contas teve a ajuda retribuída.
Ainda correndo, ele por fim dá uma parada para respirar. Ele não sabe ao certo quem é o homem careca, apenas sabe que ele visitara sua casa há alguns anos e é o pai do menino. No entanto isso não parece incomodar Finn, tendo em vista que é a primeira vez que vê um garoto de sua idade, e com certeza ele nunca esquecerá a ajuda retribuída e o rosto do menino.
[...]
–Eu apenas tenho certeza cavalheiro. – Finn comenta sorrindo no canto da boca – Ele não nos trará nenhum mal.
O cavalheiro e o caçador seguem a viajem enquanto os rapazes observam o estranho a esquentar um chá para ambos.
–Em um lago tem 10 peixes, 5 morreram afogados, quantos ficaram? – Rory questiona dando gargalhadas
–Ele é louco. – Kurt sussurra na orelha do príncipe que parece também estar concordando com o castanho
–Mas ele nos ofereceu a sua casa, não podemos tratar ele mal. – O moreno rebate observando assustado o estranho
–Mas ele continua sendo louco! – Kurt retruca indignado
–E então?! –O estranho grita se virando rapidamente com uma bandeja na mão – Já sabem a resposta?
–Sobram 5 peixes? – O príncipe sugere
–Não! –Ele grita arregalando os olhos, deixando os rapazes assustados – Peixes não morrem afogados, meus caros.
–Nisso ele tem razão. – Kurt se dá por vencido
–Fiz um chá para vocês. – Ele estende a bandeja para os rapazes que encaram as xicaras um pouco... desconfiados.
–Do que seria esse chá? – O príncipe questiona
–Não se preocupe, nada que alguém da realeza não tomasse. – O estranho insiste inclinando mais a bandeja
–Certo. – Blaine diz segurando uma das xicaras
–Você vai beber isso mesmo? – Kurt questiona olhando o liquido branco
–Você também deveria meu caro. – Rory inclina a bandeja para Kurt
–Claro. – O castanho diz pegando a xicara
–Vamos, bebam, irá alimentar vocês. – Rory diz gesticulando com as mãos
Blaine encara Kurt, e logo após os dois encaram as xicaras, afinal de contas o estranho é um pouco excêntrico, mas de qualquer modo ele apenas quer ajuda-los. Sendo assim, ambos levam a xicara até os lábios e lentamente bebem o liquido.
–Isso é bom. – O príncipe diz assustado – Isso é uma delícia!
–É realmente. – Kurt diz passando a língua nos lábios
–Eu sabia que vocês irão gostar. – Rory comenta animado – Agora me contem, como é a vida dos dois? Como se conheceram?
–Ele roubou a coroa da minha mãe. – O príncipe comenta
–Eu deveria me preocupar com os meus bens? – O estranho questiona
–Eu não irei roubar suas coisas, da mesma forma que não roubei a coroa por ser um ladrão, eu tive motivos e você sabe muito bem quais foram. – Kurt encara o príncipe
–Não importa quais foram os motivos, sei muito bem... – Blaine para por um instante e sente a cabeça girar – De qualquer forma você iria se casar com uma moça...
–Isso é ciúmes, caro príncipe? – Rory questiona curioso
–Qual é o problema em me casar? – Kurt diz e seus olhos começam a lacrimejar – Você é o único que pode?
–Eu... – O príncipe cerra os olhos, sua visão parece estar ficando diferente do normal – Eu só não quero que você se case.
–Quantas revelações. – Rory comenta rindo e se acomodando na poltrona
–Por que não quer que eu me case? Por acaso você queria estar no lugar da moça? – Kurt questiona tentando se levantar mas tomba para o lado – O que está acontecendo com a minha cabeça? Está tudo girando.
–Eu não queria estar no lugar da... – O príncipe tomba para o lado no sofá – Da moça. Mas você bem queria que eu estivesse.
–Só por que você é bonito, não quer dizer que eu... – Kurt começa a ver o príncipe mais pequeno
–Então eu sou bonito? – O príncipe questiona começando a ver tudo de um jeito diferente – Rory o que você pôs nesse chá?
–Nada demais. – Rory dá uma gargalhada enquanto Kurt cai mais uma vez no sofá – É apenas um chá de cogumelos.
Blaine e Kurt estão sentados no sofá, ambos olham para frente e isso está ficando um pouco diferente do normal. Eles começam a ver os objetos menores do que eles mesmos, e seus membros como os braços e pernas ficam maiores e mais estranhos.
Kurt cerra os olhos e observa tudo como se estivesse girando no sentido anti-horário ao mesmo tempo que Blaine começa a ver as coisas em cores diferentes.
–Por que as coisas estão ficando cor de rosa? – O príncipe questiona coçando os olhos
–Vocês gostam de música? – O estranho questiona pegando ao seu lado um instrumento de flauta feita com bamboo
–Eu adoro música. – Blaine dá um sorriso e logo após olha para Kurt – Você é bem bonito também.
Um sorriso sai da boca de Kurt e logo após se torna uma gargalhada, sendo assim Blaine confuso apenas se levanta do sofá desajeitadamente e começa a abrir os botões de sua roupa ao mesmo tempo que Rory começa a tocar o instrumento.
De costas, o príncipe abre todos os botões de sua roupa, retirando a sua camisa logo em seguida. Kurt por sua vez não consegue evitar de olhar para as costas do moreno, para o rapaz elas parecem tão definidas e fortes. Kurt vai desviando o seu olhar de cima e indo devagar até em baixo parando a sua visão nas nádegas do príncipe.
–Eu sou o único que estou suando? – O príncipe questiona se virando de volta e pegando no flagra Kurt olhando para o seu corpo – Perdeu algo aqui?
–Não, mas quem sabe um dia eu possa. – Kurt dá uma risada e logo após é acompanhado de Blaine que lhe estende a mão
–Aceita dançar comigo? – O príncipe questiona
–Dois homens dançando juntos? – Kurt rebate cerrando os olhos já embaçados
–Sim, dois homens dançando juntos. – Blaine continua com a mão estendida
Kurt lhe olha dos pés à cabeça, fixando seu olhar no dele e só então segura a mão do moreno que lhe retribui com um sorriso. Hummel se levanta e Blaine logo o puxa para mais perto de seu corpo ao mesmo tempo que Rory observa tudo atento.
O príncipe segura com força na cintura do mais alto que por sua vez segura nas costas e aproxima seu rosto do dele. Os dois dançam lentamente de um lado para o outro, ambas as vistas estão multicoloridas e as cabeças giram como se estivessem bêbados.
–Por que eu estou dançando com um bandido? –Ele sussurra na orelha de Kurt
–Por que você gostou de mim e eu não deveria, mas também gostei de você. – O castanho dá uma risada sentindo um pouco de cocegas na orelha por conta da respiração do moreno – Eu também não quero me casar.
–Ótimo, não nos casaremos. – O príncipe dá uma risada – Não me sinto atraído por ela mesmo.
–Se não é atraído por ela, então por quem você é? – Kurt questiona arrastando sua mão das costas do moreno até a nuca dele
–Acho que por você. – Blaine responde, olhando nos olhos de Kurt e deixando escapar agora uma risada aleatória de Rory – Ontem eu queria tanto ter te beijado, não sei por que, mas eu queria.
–Você é louco, assim como esse daí. –Kurt aponta de uma forma desajeitada para o estranho
–Você não queria me beijar? – O príncipe questiona alisando as costas do castanho que por sua vez se arrepia
–Não é o certo. – Kurt volta a pôr suas mãos nas costas dele
–Essa não foi a minha pergunta. – O moreno retruca aproximando um pouco seu rosto do dele
–Eu senti algumas coisas estranhas que jamais senti com ninguém ao seu lado, mas isso continua não sendo o certo. – Kurt rebate enquanto sua cabeça parece ficar mais tonta
–Essa ainda não foi a minha pergunta. – O príncipe insiste
–Sim, eu queria beijar você. – Kurt por fim fala – Mas mudei de assunto pois isso é um erro.
–Mas esse poderia ser o nosso erro. – Blaine fala se aproximando mais de seu rosto
O moreno olha para os lábios do castanho, mas algo impede que ele faça qualquer tipo de movimento. De uma só vez, seus ouvidos começam a apitar de um jeito ensurdecedor e dolorido. O príncipe larga o corpo do castanho e começa a gritar caindo de joelhos no chão.
–Blaine? – Kurt questiona preocupado
–Ótimo! – Rory comemora parando de tocar a flauta – Já terminei meu trabalho por aqui.
–Que trabalho? – Kurt questiona lhe encarando enquanto príncipe ainda grita
–Nenhum. – Rory se levanta da poltrona e Kurt cambaleando vai em sua direção
–Me diga que trabalho! Você está com os guardas do palácio? – O castanho questiona irritado apertando o braço do estranho
–Kurt! – Blaine grita ainda com as mãos nas orelhas, ele se levanta do chão e sem conseguir se guiar acaba caindo no sofá
–O que você fez a ele? – O plebeu grita em desespero
–O que é que nós matamos quando está nos matando? – Rory questiona apertando agora o braço de Kurt
–Kurt! – Blaine grita em desespero
–Vamos, me diga meu caro, você sabe essa resposta mais do que qualquer outro! – Rory arregala os olhos que nem um louco
–A fome. – Kurt responde lhe olhando
–Exato! – Rory por fim empurra ele com força no sofá
Kurt cai bem ao lado de Blaine que parece estar ficando completamente sem forças e pálido. O castanho começa a sentir as mesmas coisas que ele, inclusive a dor de ter seus ouvidos apitando e seu corpo ficando sem força.
–E por fim e não menos importante. – Rory dá outra gargalhada – O que é que nunca passa, mas sempre está na frente? – O rapaz encara os dois que já tem dificuldades de respirar
–O que você nos deu? – Blaine questiona gritando sem conseguir respirar
–Vamos morrer. – Kurt fala caindo fraco sobre o peito do moreno
–Me respondam! O que é que nunca passa, mas sempre está na frente? – O rapaz insiste ao mesmo tempo que Kurt fecha os olhos
–O futuro. – Blaine responde ficando com a sua vista escura
–Ponto para a majestade. – Rory comenta rindo
Kurt está desacordado sobre o peito do príncipe, que por sua vez observa de longe o estranho rindo e encarando os dois, a visão de Blaine vai escurecendo e escurecendo até que por fim assim como Kurt ele também fecha os olhos.
–Durmam, meus caros, durmam. –Rory finaliza
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