Promessas

5 Fuga em silêncio?


Assim que Foxy desligara o telefone, fui ligar para Erick, imaginando que ele estivesse aproveitando a folga para terminar de assistir os seriados que estava acompanhando, além daqueles programas que seus pais nem imaginam, se é que vocês me entendem muito bem.

Sim, ele gosta daqueles poneis.

“Fala Hipster, não acha que está muito tarde para você me ligar não?” Erick disse rindo.

“Pela sua voz, vejo que não estava dormindo. O que me dá todo o direito de te ligar.” Respondi rindo “Preciso te perguntar uma coisa.”

“Pergunte, ora essa” Fica um barulho estranho no telefone, provavelmente estava bebendo alguma coisa enquanto falava ao telefone.

“Você quer fazer a maior besteira da sua vida?”

“Hum, fale mais. O que você quer invadir desta vez?”

“Preciso de toda sua coragem, masculinidade e bravura! Se você aceitar, você será HOMEM!”

“EU SOU HOMEM! PODE MANDAR!”

“Preciso que você traga o caminhão do seu pai até a Pizzaria Fazzbear a meia noite.”

“Virei gay.” Erick desliga o telefone, e eu ligo para ele de novo.

“Porque desligou?!”

“Não sou louco, muito menos doente! Gosto da minha vida, sabia? Já pulei grade de ferro velho, já invadi terreno abandonado e já arrombei porta de construção abandonada, tudo por causa da curiosidade e a inocência de imaginar que há algo misterioso ali!” Ele ri “Bom, no caso do ferro velho foi porque queriamos peças para nossos robôs, mas o resto foi palhaçada de criança!”.

“Mas vai ser por uma causa nobre!”

“NÃO QUERO VIRAR RECHEIO DE ANIMATRONIC!” Meu amigo gritou.

“Eles não vão te colocar dentro de um boneco! Eu falei com eles!”

Erick ficou em silêncio.

“Pare de mentir, algum funcionário está te pregando uma peça.”

“Eu falei com o Foxy! Preciso que você me ajude a tirar os onze animatronics lá de dentro da pizzaria e escondê-los no meu atelier!”

“Não. N-Ã-O”

“Vou pedir para Juliet te convencer...”

“Hunf! fique A VON-TA-DE!”. Novamente, Erick desligou o telefone.

Eu conheço esse babaca desde o jardim da infância. Sempre foi medroso, porém muito curioso. Pele negra, cabelo encaracolado armado, olhos castanho escuros, um pouco mais baixo que eu, porém bem mais forte. Costumava brincar de criar bestas de lego comigo quando eramos crianças e agora nós construímos diversas máquinas monstruosas.

Juliet surgiu em minha vida no 2ºano, quando um garoto havia roubado o pavão de pelúcia dela(Não me pergunte onde ela conseguiu um PAVÃO de pelúcia) e o resultado foi uma surra. Ela ficou chorando, pois não sabia costurar o rasgado no pescoço que o idiota fizera nele, mas eu consegui resolver(Grampeando).

Ela tem origem japonesa, cabelos negros, sempre com mexas de cores aleatórias, fortes e chamativas. O lado esquerdo é longo e o direito é raspado. Usa roupas rippongas, não dá nem para descrever, nunca consigo entender a mistura de cores e de tecidos.

Quer que um teimoso concorde com você em dois segundos? Peça para a asiática.

“Alô, Julie?”

“To ocupada”.

“Não, você está jogando jogo online”.

“É o único momento que eu tenho, me deixa.”

“Para um pouco aí!”

“Não tem como pausar jogo online!”

“To afim de aprontar”.

“A internet caiu, pode falar.”

Sempre funciona. “Preciso que você convença o Erick a levar o caminhão do pai até a Pizzaria Fazzbear a meia noite.

“Uhuhu! Alguém quer desbravar as assombrações daquele lugar?”

“Quero resgatar todos os onze animatronics dali, é um pedido de socorro.”

Ela fica em silêncio.

“Aí, você se drogou com o que?”

“Foxy perguntou a mesma coisa.”

“ENTÃO É VERDADE?” Juliet diz surpresa “NÃO ERA UMA LENDA URBANA?”

“Não, totalmente verdade. Eles estão vivos”.

Ela começou a rir descompassadamente, esbanjando alegria.

“Qual o motivo da felicidade?”

“FINALMENTE ALGO IMPOSSÍVEL SE TORNOU POSSÍVEL! HAHÁ!” Ela gritou.

“Mas você não vai contar para ninguém, essa foi a condição que Foxy ordenou.”

“Ok! Vou convencer aquele Mijão!”

Enquanto ela ligava para Erick, tornei a andar pelo atelier. Decidi dormir lá para conseguir arrumar as coisas pros novos convidados. Se o plano der certo.

Meu atelier é bem espaçoso. Possui dois andares: No primeiro, há duas salas fechadas do lado esquerdo, uma para guardar entulhos e a outra guarda os robôs. Do lado direito, há uma grande mesa de família, daquelas que jantam até oito, onde eu monto meus robôs. E há várias estantes com mais entulhos e peças que podem ser reutilizadas. O segundo é uma grande varanda, onde nós costumamos dormir, comer... É como se fosse uma “casa”.

Há vários exaustores que ventilam dentro do atelier, e há alguns ventiladores que ficam presos nas paredes(antes eram aqueles que ficavam no chão, mas eu aparafusei na parede, e deu muito certo). Caso esteje muito quente, abrimos as quatro grandes portas e deixamos o vento entrar. Para completar, há uma grande janela hexagonal no topo da parede da frente e da trás. Ilumina bastante, tornando desnecessário ligar varias luzes quando o sol ainda está lá em cima.

Como consigo dinheiro para tudo isso? Meu avô me deu uma grande ajuda. Por debaixo do chão do atelier, há cristais que quando pressionados, produzem energia. Como eu não paro no lugar, consigo bastante eletricidade. Demora muito para trocá-los e sempre mantenho um dinheiro reserva caso ocorra algum defeito. Os torneios e patrocínios fornecem dinheiro suficiente para eu sustentar esse meu cantinho.

Minha mãe me ajuda com algumas despezas, mas em troca eu tenho que fazer a manutenção da casa dela, é claro.

Meu pai... Bom, meu pai é bem fixo em seus conceitos. Adorou ter o filho independente, mas detestou a forma. Ele não gosta de robôs. Acha que vão substituir os humanos pouco a pouco. Eu nunca fiz um androide. Nem quero. Para que eu iria fazer isso? Tenho meus amigos, minha família e pessoas ao meu redor. Só faço robôs animais e bestas fantasiosas.

Minha maior criação foi Hannibal, uma cobra de 2,15 metros de altura. Toda cor de cobre e dourado, olhos negros e dentes platinados. Possui 12 dentes ao todo na boca, todos funcionam como furadeiras, sendo os dois caninos de cima os mais afiados. Nas laterais de seu corpo, há uma abertura fina com o formato de uma estrela de 7 pontas, por onde sai uma serra que pode se encaixar em qualquer uma das pontas. Na parte de cima e na de baixo de seu corpo, há várias rodinhas que permitem sua locomoção. Nem me lembro quantas tem.

Ele consegue girar cada junta de seu corpo 360°, consegue investir e rolar pelo chão, permitindo várias manobras evasivas. Um perfeito robô de briga.

O único defeito é que eu não consigo fazer com que seu movimento em “S” funcione perfeitamente, às vezes algumas rodinhas não viram para o lado certo e ainda não consegui torná-lo muito rápido.

O robô de Erick se chama Protheus ou Heavy Rain. Uma réplica de cavalo Mangalarga, revestido de peças escuras que brilham como o céu noturno. Corre feito um descompassado, o que o torna meio difícil de controlar. Ele foi projetado para corridas de alta velocidade ou servir de veículo quando não tem alternativa.

Não posso falar nada do robô da Juliet, ela mesmo diz que é surpresa. Não mostrou nem para mim.

O telefone tocou novamente...

“Alô?”

“Tá, me diz aí o plano, seu cadáver maldita.” Erick resmunga, trazendo um sorriso em meu rosto. Sentei-me numa poltrona no segundo andar e tirei meu bloco de notas do bolso, onde o plano estava arquitetado.

“Bom vou começar...”

Assim que der meia noite, todos vão para cima do guarda. Ninguém irá matá-lo, só deixá-lo escondido.

Alguém irá danificar as câmeras.

Chegaremos com o caminhão à 00:30, onde Foxy irá quebrar o trinco da porta e sair com os amigos.

Guardamos todos no caminhão e rapidamente nos mandamos dali, direto para o atelier.

FIM

“Ok e se tiver alguém olhando?”

“Ninguém fica próximo dessa pizzaria de madrugada. É suicídio” Eu respondi.

“Oh, legal! Se é suicídio, PORQUE VAMOS ENTRAR??”

“Não vou discutir de novo. Me pega no posto às 23:50, falô?”

“ARGH! TÁ! BELEZA!” Ele gritou.

“Avisa para a Juliet”

“Mais alguma coisa, Senhor?”

“Não. Isso é tudo, Alfred.” Respondi rindo.

...

(Foxy)

Faltavam poucos minutos para a meia noite. Todos estavam preparados para sumir com o guarda. Seria algo rápido, implorei para ninguém matá-lo, somente fazê-lo perder a consciência. Mangle ficou no teto do corredor em frente a porta e eu fiquei encostado na parede, para que ele não me visse. Balloon Boy já estava dentro do ducto e Toy Bonnie no outro.

O que estava me preocupando era a chance de nós quatro colidirmos na hora de atacar.

O guarda aparentava estar despreocupado, pronto para sobreviver a mais uma noite. Até comecei a sentir um pouco de pena dele.

“Tudo pronto, Foxy?” Toy Chica perguntou “As câmeras já foram danificadas”.

“Sim, ao meu sinal...”

3...2...1...

“CORRE! SEUS PUTOS! SE NÃO ELE FOGE!” Balloon Boy berrou.

Tomei um susto desgraçado e saltei para dentro da sala berrando. Não consegui pegar impulso para saltar em cima dele, então acabei escorregando ao tentar me apoiar em quatro patas. O gancho não serve para muita coisa.

O guarda berrou e subiu na mesa, Mangle se lançou para dentro da sala, se pendurando bem em frente ao guarda. Ele se joga para trás, caindo de costas no chão. Eu saltei por cima da mesa e mandei todos pararem com o estardalhaço.

“Aí marujo, não vamos te matar, muito menos te usar como enchimento.”

O guarda não conseguia responder, apenas gemia de medo.

“Quero que você fique quietinho, enten...” Um tablet acertou a cabeça dele em cheio, fazendo-o perder a consciência. “MAS QUE MERDA FOI ESSA?” Eu olhei para trás e Balloon Boy estava rindo. “SEU ANÃO PSICOPATA! QUAL O SEU PROBLEMA?”

“Tava demorando demais! Bocó!” Ele respondeu em meio as risadas “Vai lá abrir a porta!”

Eu abaixei as orelhas um tanto surpreso e assustado. Passei por ele quase virando o pescoço a 360° para ter certeza de que aquele diabo não ira aprontar com o inocente.

Marionette estava no corredor com os olhos arregalados.

“O que foi?” Perguntei.

“Tem vezes que esse guri me assusta”.

Foi a primeira vez que eu concordei com ele.

Ao chegarmos na porta, tentei arrancar o trinco, mas meus dentes ficaram escorregando, eu não conseguia fincá-los no metal.

“Está difícil?” Marionette perguntou.

“Pra cassete.”

“O que faremos agora, Sherlock?”

“Hum... BONNIE! PLANO B! TRÁS O KNOCK KNOCK!”

“Knock knock?” Marionette olhou para trás.

“SEUS DESGRAÇADOS! ME PONHAM NO CHÃO! SOCORRO!” Freddy berrou.

“KNOCK KNOCK!” Bonnie berrou e jogou Freddy na porta, esmigalhando o vidro todo.

“SEUS RETARDADOS! VOCÊS JOGARAM FREDDY NO MEIO DO ESTACIONAMENTO! COMERAM MERDA?” Marionette berrou “O GAROTO SÓ VEM DAQUI A 20 MINUTOS E TEMOS UM ROMBO NA PORTA!”

“Essa rua aqui é mais vazia que cidade fantasma, relaxa, ninguém está vendo.” Eu tentei acalmá-lo.

“AH! EU TO DO LADO DE FORA! EU TO BERRANDO DO LADO DE FORA!” Freddy não sabia o que fazer.

“PARE DE GRITAR!” Eu gritei.

“VOCÊ ESTÁ GRITANDO!”

“ESTOU GRITANDO PORQUE VOCÊ NÃO QUER OUVIR!”

“FREDDY! TRÁS ESSA BUNDA GORDA AQUI PARA DENTRO A-GO-RA!” Marionette gritou.

Freddy tentou se levantar, mas estava parecendo mais uma tartaruga tentando se virar.

“ALGUÉM PODERIA ME AJUDAR? OU VÃO FICAR ME ASSISTINDO?”

“Olha, ainda prefiro assistir.” Eu disse rindo, mas Bonnie me deu um tapa na cabeça. “´TÁ! EU VOU!”

Saltei para fora do estabelecimento e senti um choque correr sobre meu corpo. Eu estava do lado de fora. Depois de todos esses anos, eu consegui ver o céu sem ser por de trás de uma janela.

“AÍ! VIAJA DEPOIS! ME AJUDA!”

Levantei-o do chão e ele correu para dentro. Mas eu simplesmente não consegui fazer o mesmo.

“FOXY! ENTRA!” Marionette gritou.

Não consegui responder. Estava tão bom o ambiente do lado de fora. Não havia paredes, não havia escuridão. Havia a luz dos postes, a fraca luz das estrelas e uma meia lua. Fiquei estático, olhando para cima. Parei de escutar o que gritavam para mim e o meus pés começaram a se locomover caminho a frente. Era uma sensação tão hipnotizante, tão confortável. Estava preso há tanto tempo... 27 anos no mínimo.

Eu não sentia meu corpo de metal e sim meu corpo humano... Eu já fiz isso algum dia... As estrelas, minha casa...

Meus pés encostaram no gélido asfalto, onde uma luz forte atrapalhou minha visão.

“FOXY!” Escutei a voz danificada de Mangle.

Algo forte me atropelou, me lançando do outro lado da pista.

Recebi um tapa no rosto, retirando-me do transe. Deparei-me com Toy Chica em cima de mim.

“SEU FILHA DA PUTA! VOCÊ ENLOUQUECEU? O QUE DEU EM VOCÊ?”

“Uh....?” Nem eu sabia direito. Acabei levando outro tapa.

Era o caminhão que havia parado na pista. Ele nem iria me atropelar, parou antes mesmo da Toy Chica saltar em mim em pânico.

“Chichi, calma...”

“CALMA É O CARA...” Eu fechei o bico dela antes que ela fosse mais boca suja do que eu.

“FOXY!” Era o rapaz saltando de dentro do caminhão. “O que deu em você?”

“Marujo, eu experimentei uma droga chamada ar puro.” Eu respondi tentando me levantar, recebendo ajuda da desesperada.

“Anda, vamos para o caminhão! RÁPIDO!”

Uma jovem japonesa e um garoto com um afro estranho abriram as portas de trás do caminhão e pouco a pouco todos foram entrando. Assim que um Freddy passava, o garoto escuro se encolhia de medo.

“Boo” Freddy disse brincando.

“PARA! ISSO NÃO TEM GRAÇA!”

O Urso ri e entra. Eu e Toy Chica entramos em seguida, logo as portas foram fechadas.

“O QUE DEU EM VOCÊ?” Bonnie brigou.

“Não sei, não consigo explicar. Foi estranho demais. Eu perdi o controle do meu corpo.”

Bonnie olhou para Marionette.

“NÃO OLHE PARA MIM! Se eu estava mandando esse bastardo entrar, eu não posso ser o culpado!”

“Pessoal, sem briga aqui dentro. Por favor.” Toy Bonnie implorou “Lembrem-se que estamos saindo pela primeira vez daquela pizzaria! NEM TEMOS NOÇÃO DO QUE ESTÁ ACONTECENDO LÁ FORA!”

“Vaca, vaca, vaca, vaca...” Toy Freddy diz rindo, o que acabou tirando algumas risadas de nós.

Toy Chica se sentou ao meu lado e Mangle ficou do outro, mas estava distraída com a conversa do pessoal. Até Golden Freddy estava sendo um pouco piadista. Sempre irônico.

Não estava me sentindo muito bem, um dos motivos era o choque que eu tive ao ver Toy Chica naquele estado desesperado e o outro eu não sei explicar. Parecia estar com febre ou algo do tipo. Mas como não tenho nenhum órgão, muito menos sangue, descartei a possíbilidade.

Encostei minha cabeça na dela por causa do cansaço e ela não reagiu contra.

“Foxy...” Toy Chica disse baixo.

“Diga...”

“Era essa a coragem que você falou que afunda seu navio?”

Fiquei em silêncio, até que respondi. “Sim”.

“Minha vontade era quebrar teu focinho”. Ela rosnou.

“Acho que eu notei”.

“Você merecia essa surra” Mangle virou para mim e disse com raiva.

“Desculpe, Mandy. Eu acho que saí de meu próprio corpo naquela hora.”

Mangle se deitou nas minhas pernas.

“Você é um grande encrenqueiro, sabia?” A raposa disse chateada.

“Novidade.”

“AÍ, A ORGIA JÁ COMEÇOU?” Toy Bonnie disse rindo.

“CALA A BOCA TOY BONNIE!” Toy Chica gritou.

“Foxy e suas puta” Balloon Boy disse rindo.

“AH NÃO! GAROTO, AGORA VOCÊ VAI TOMAR UMA SURRA! SEGURA MEU BICO FOXY!”

“PEGUEI SEU BICO! MATA ESSE DESGRAÇADO!”

Alguém deu 3 socos na parede do caminhão.

“AÍ! VAMOS SOSSEGAR? ASSIM O CAMINHÃO VIRA!” Douglas gritou.

Toy Chica rosnou.

“ISSO NÃO TERMINA AQUI, MULEQUE.” Ela voltou a sentar ao meu lado.

“Acalme-se... Depois nós resolvemos” Eu estava me sentindo sem energia.

“Foxy, tudo bem?” Toy Chica me perguntou preocupada.

...

(Mangle)

Ele desligou.

Notas finais
HEY YO! Postei! Gostaram? Não entendo como eu estou escrevendo isso! Até agora não perdi o pique!