Procura-se um amor que tenha Olhos Cinzentos.
6 Jennifer Carly
Notas iniciais
Duas semanas se passaram. Evitei ao máximo ficar perto da Annabeth. Por quê? Bom, eu estava bastante intrigado com aquela notícia do internato. Fora que, toda vez que ela chegava perto, eu sentia minhas pernas tremerem. Tentava ao máximo não parecer um bobo na frente dela.
Meu dia amanheceu como outro qualquer. Acordei, fiz minha higiene matinal, vesti-me e fui tomar café-da-manhã. Na sala de janta, enchi uma xícara com café. Peguei uma torrada. Piper apareceu de mãos dadas com o Jason. O Grace nojento também estava me evitando. Por mim tanto faz!
Luke tomava café e lia o jornal. Thalia comia cereal com leite.
– Tenho um anúncio a fazer. – falou Jason – Mas vamos esperar o Nico e a Annabeth aparecerem.
Revirei os olhos. E foi quando ela apareceu. Como sempre usando roupas e maquiagem escuras. Só que algo chamava a minha atenção: ela sempre estava usando pulseiras largas de tecido preto. Será que só eu percebia aquilo? E por que ela usava tanto?
– Onde tem uma bandeja? – perguntou Annabeth.
– Dentro do armário. – respondeu Thalia apontando para uma portinha de madeira ao meu lado – Por quê?
– Nico está doente. Os remédios o deixam meio zono e sonolento. Prefiro que ele fique na cama mesmo.
Annabeth caminhou até mim. Tentei não ficar nervoso e tomei um gole de café de maneira distraída. Ela pegou uma bandeja branca e a pôs sobre a mesa.
– Vou dar logo o meu recado. – disse Jason – Nesse fim de semana, darei uma festa em comemoração ao meu aniversário. Teremos muitas bebidas e preciso da casa.
– Ok. – disse Thalia. Ela sabia que não adiantaria dizer não para o irmão dela. Eu estava pouco me lixando para essa festa.
Annabeth saiu levando a bandeja com café, torradas e um pouco de manteiga.
[...]
A aula estava chata demais! Que bom que já estávamos no fim. Além de ter que aturar o babaca do professor substituto (que era um velho que parecia Charles Darwin), eu tive que aturar o olhar raivoso da Chloe Campbell. Aquela patricinha atirada continuava achando que eu ainda daria bola para ela?
Percebi algo: já fazia semanas que eu não saia com nenhuma garota! Talvez eu devesse fazer isso. Não queria arranjar uma namorada, só queria parar de pensar na Annabeth.
A aula, até que enfim, terminou. Fui direto para o estacionamento, para não ter que conversar com a Chloe. Meu automóvel estava ao lado do carro preto do Luke.
– Ei, Percy. – chamou-me Luke – Estamos indo numa lanchonete. Vem com a gente?
– É, pode ser. – falei dando de ombros.
– Annabeth. – falou Thalia, avistando Annabeth de longe. A loira olhou para ela rapidamente – Quer vir conosco almoçar numa lanchonete?
– Acho melhor não. Vou ficar com o Nico.
Não vou mentir, fiquei tranquilo quando ela recusou o convite.
[...]
A lanchonete não tinha nada de simples. Era bem grande, cheia de mesas redondas e retangulares, com cadeiras acolchoadas. O piso perolado e as janelas de vidro deixavam o ambiente ainda mais claro. Os garçons e as garçonetes usavam um uniforme todo branco, composto por: tênis, calça e camisa de botão. Pareciam ter, em média, dezoito anos. Pareciam estudantes de enfermagem.
Sentamos todos em uma mesa retangular fixa na parede. De um lado, ficamos eu, Thalia e Luke e do outro, Piper e Jason.
– Olá. – pronunciou uma voz feminina do meu lado. Virei-me para ver quem era. Bom, era uma desconhecida, absurdamente, bonita. Parecia ter 1,69m de altura, era magra, mas possuía curvas bem atrativas, tinha pele clarinha e o cabelo... Era incrível. Terminava um pouco abaixo da região do busto, era levemente cacheado e tinha uma cor que parecia alaranjado natural. Seus lábios eram finos e o sorriso dela era lindo. As íris dos seus olhos pareciam mel. Usava o mesmo uniforme que os outros garçons.
– Oi. – falei sorrindo minimamente.
– Então, o que vão querer pedir? – perguntou ela.
– Por enquanto, vamos querer só água. – disse Thalia – Ainda não decidimos.
Ela assentiu e saiu.
Foi quando algo inesperado aconteceu. http://www.youtube.com/watch?v=hOfg4Z3Lq1w A ruiva (ela podia ser considerada ruiva?) se juntou com os colegas de trabalho. Contando com ela, dava um total de três moças e três rapazes. Uma música começou a tocar. Formaram três casais.
Cada rapaz pôs a mão na cintura de sua parceira. As três garçonetes foram erguidas. Desceram e começaram a pular e a chutar o ar de maneira animada. Os garçons fizeram o mesmo.
Só eu estranhava tudo aquilo?
A coreografia deles era bem animada e sincronizada. Todos rodavam, se requebravam e contagiam a plateia. Teve um momento que as meninas se sentaram em um dos ombros dos rapazes. Foram erguidas mais uma vez enquanto recebiam aplausos. Até eu aplaudi. E os empregados realmente se divertiam. Será que isso sempre acontecia ou era só uma brincadeira?
Quando pararam de dançar, agradeceram pelos aplausos e pelas palmas, que ainda recebiam. Levantei-me e fui até a garçonete.
– Você dança bem. – comentei.
– Obrigada. – agradeceu e estendeu uma mão para mim – Eu sou Jennifer Carly.
– Percy. – falei apertando sua mão de maneira delicada.
Terminei de almoçar com os meus amigos. Quando fui pagar a conta, convidei a Jennifer para sair comigo. Deixei que ela escolhesse para onde iríamos e ela escolheu uma boate famosa que ela adorava.
[...]
http://www.youtube.com/watch?v=FT7MWDoW_rc
A boate se chamava We Love To Dance. Era um local enorme, fechado e lotado de pessoas. Jennifer caminhava do meu lado. Usava um tênis All Star cinza, uma saia azul clara e uma camisa branca. Ela segurou minha mão e me arrastou para o meio da pista de dança.
Dancei com ela. Várias luzes de várias cores atrapalhavam a minha visão. O som era bem alto. Puxei Jennifer para mais perto de mim. Apertei sua cintura e deixei sue rosto bem próximo do meu. Olhei no fundo dos seus olhos de maneira atrativa. Ela apenas piscou.
– Quer beber algo? – perguntou para mim, estragando o nosso “clima”.
– Por que não? – perguntei retoricamente.
Fomos até um balcão de mármore. Pedi ao Barman vodca. Jennifer optou por uma cerveja. Quando aquele líquido alcóolico desceu pela minha garganta, eu estremeci. Não que eu não gostasse. É que fazia muito tempo que eu não bebia vodca. Bebi mais e mais.
Dessa vez, eu arrastei a Jennifer. Dei alguns pulinhos e ela riu de mim. Acabei rindo também.
Fiquei olhando para o balançar hipnotizante que o seu quadril fazia. Grudei nossos corpos, com ela de costas para mim. Abracei sua barriga e ela abraçou os meus braços. Encostei meus lábios no seu ouvido.
– Você dança muito, muito, muito bem!
E com isso eu capturei sua boca para mim.
[...]
Estávamos dentro do meu carro, em frente à casa da Jennifer. Ela mordeu de leve o meu lado inferior e eu grunhi. Enquanto beijava a, guiei uma das minhas mãos para o cós da minha calça. Desci meu zíper e abri o botão. Ela percebeu o que eu estava fazendo e parou de me beijar.
– Que foi? – perguntei encarando seus lábios inchados.
– Por que está baixando a sua calça?
– É que eu estou ficando excitado. Agora vem!
Tentei beijá-la, mas ela recuou e se afastou de mim.
– Eu não quero transar com você! – ela foi bem direta.
– O que?
– Eu só aceitei sair com você. Nós saímos, nos beijamos e foi tudo muito bom, mas eu não quero nada além disso com um cara que eu não namoro e mal conheço.
Cobri meu rosto com as mãos e as deslizei pelo meu cabelo.
– Que merda! – falei suavemente, por incrível que pareça.
–Foi mal, espero que você me entenda...
– Não é você, sou eu! Sou um merda, tenho uma vida de merda! – ajeitei minha calça – Por favor, sai do carro.
Ela abriu a porta e saiu.
– Desculpa Percy, mas não dá...
– Tudo bem. – interrompi a.
– Tchau. – disse ela. Eu apenas acenei.
Dei partido no carro. Saí de lá. Talvez, tenha sido melhor não ter ocorrido nada entre nós. Jennifer era uma garota legal e não era uma má pessoa. Eu não podia simplesmente usá-la e depois jogá-la fora, como fiz com várias garotas.
Suspirei pensativo.
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