Notas iniciais
Chegou o dia do aniversário do Jason. Eu sabia que era uma festança, mas não achei que mais da metade da faculdade seria convidada. O bom era que tínhamos muito espaço, petiscos e bebida.
Calcei um tênis All Star comum, uma calça jeans simples e uma camisa preta normal. Passei as mãos pelo meu cabelo curto e liso. Suspirei, lembrando-me de um sonho que eu havia tido.
Flashback on
Abri meus olhos lentamente. Pisquei algumas vezes. Onde eu estava?
Escutei alguns passarinhos cantando e senti meu corpo no chão, exceto minha cabeça que estava sobre algo macio. Percebi que eu estava no campo, embaixo de uma árvore que proporcionava uma larga sombra. Olhei para baixo e vi que estava com a cabeça escorada na perna de alguém. Esse alguém começou a percorrer, delicadamente, seus dedos finos pelo meu couro cabeludo. Mirei meu olhar para cima e dei de cara com o sorriso mais bonito do mundo.
Senti-me imediatamente. Eu não conseguia acreditar no que eu estava vendo. Era impossível!
– Melanie? – pus uma das minhas mãos na sua bochecha.
Melanie estava sentada no chão de frente para mim. Seu vestido, estilo medieval, era amarelo claro com pequenos detalhes dourados, possuía mangas longas e apertava seu busto. Seu cabelo estava naturalmente perfeito. Ela usava uma coroa de flores brancas na cabeça, o que a deixava ainda mais bonita, se é que aquilo era possível. Ela sorriu para mim e eu fixei meu olhar em suas íris cinzentas e hipnotizantes.
– Oi Perseu. – acariciou minha mão.
– Como... Isso não é possível! O que... – encostou o dedo indicador nos meus lábios.
– Não temos muito tempo.
E com isso, ela me puxou para um beijo. Apesar de estar louco para conversar com ela e fazer algumas perguntas, eu não era um otário para recusar um beijo dela.
Deitei-me sobre ela. Enfiei minha língua na boca dela e ela gemeu. Movi meus lábios violentamente contra os dela, abafando nossos gemidos. Quando ela estava sem ar, desci minha boca para o seu pescoço, dando beijos e leves mordidas e fui para seu colo.
– Espera. – disse ela. Encarei a – Diz que me ama.
Sorri.
– Eu te amo. – falei – Eu sempre vou te amar.
– Eu também te amo. – lambeu meu lábio inferior – Não sabe o quanto eu esperei por esse nosso momento juntos.
Continuamos nos agarrando. Tirei o vestido dela e ela fez o mesmo com as minhas roupas. Quando nossos corpos se colaram, senti-me completo e feliz, coisas que eu não era há muito tempo.
Ela gemia meu nome, sussurrava que me amava e que sentia minha falta. Eu fazia o mesmo. Beijei sua testa.
– Queria que isso pudesse durar mais. – comentou.
– Eu queria que isso pudesse durar para sempre. – beijei seu queixo – E para sempre ainda não seria suficiente.
– Pena que não dá. Bom, por enquanto...
Olhei a, interrogativo.
– O que quer dizer?
– Logo, logo, ficaremos juntos Perseu. – ela sorriu – Para sempre. Agora, adeus! Nós nos veremos em breve, eu prometo.
– O que...
Acordei de repente.
Flashback off.
Eu tinha certeza que aquele sonho não era uma lembrança, porque aquela cena nunca aconteceu realmente. Porém, foi tão real! O seu cheiro, sua pele macia, seus lábios delicados, nossa atividade sexual... Tudo foi tão real, nem parecia um sonho. Confesso que fiquei triste quando acordei, pois a saudade que eu já sentia dela só aumentou. Mas, foi absurdamente ótimo ficar com ela, depois de séculos.
Esfreguei meu rosto com as mãos e saí do quarto. Fui direto para cozinha, abri a geladeira e peguei uma lata de cerveja.
Fui para o local reservado para a festa. Estava lotado, alguns malucos já estavam na piscina e tinha um DJ.
– Oi! – disse alguém atrás de mim. Surpreendi-me de ter escutado algo em meio aquela barulheira. Virei-me.
– Leo? – pronunciei – O que está fazendo aqui?
– Também é um prazer te ver. – ironizou – Qual é? Achou mesmo que perderia uma festança dessas? À propósito, essa é a Calypso. – apresentou uma garotinha muito bonita. Tinha pele clara, cabelo e olhos amendoados e um sorriso encantador.
– Oi Calypso. – falei – Sua amiga, Leo?
– Não, é minha futura namorada! – respondeu alegremente.
– Que? – foi o que conseguiu sair da minha boca.
– Eu a pedi em namoro, só que o pai dela só permitirá quando ela completar treze anos. – explicou Leo.
– E quantos anos você tem? – perguntei para Calypso.
– Fiz doze ontem. – respondeu.
Leo bufou olhando para sua “futura namorada”.
– Duas características minhas que eu adoro: Minha persistência e minha paciência. – disse ele.
– Esqueceu-se da falta de vergonha na cara. – falei, saindo de perto dos dois.
Fui até um frízer e peguei uma garrafa de uísque. Bebi diretamente na boca da garrafa. Minha meta, nesse dia, era beber, pegar alguma garota, beber e beber um pouco mais! Eu queria esquecer um pouco da minha vidinha de merda e aproveitar como nunca aproveitei antes. Alguém me cutucou e eu vi quem era.
– Oi Jennifer. – sorri para ela.
– Olá Percy! – ela me abraçou e eu retribuí o abraço.
Depois de eu ter levado um fora da Jennifer, acreditem ou não, fiquei amigo dela. Ela era uma ótima pessoa e muito legal. Às vezes, nós saíamos juntos para o cinema, boates ou praias. Se pintou algum clima entre nós? Não!
– Você está linda!
– Obrigada.
Ela realmente estava uma gata! Usava uma saia roxa curta, sapatos de salto alto e fino, uma camisa branca e rendada e uma casaco preto. Ela tirou o casaco e o entregou para mim.
– Pode guardar para mim, por favor? – pediu fazendo bico.
Apenas ri e peguei aquela peça de roupa. Entrei em casa e fui até um armário, que ficava em baixo da escada, onde tinha alguns casacos guardados. Quando abri a porta, fiquei perplexo com a cena que vi.
Tinha um casal se agarrando lá dentro. Na verdade, parecia que um estava querendo engolir o outro. A garota estava sentada sobre uma pequena cômoda, com as peras tão abertas que parecia que ela estava fazendo um exame ginecológico. O garoto estava no meio das pernas dela, beijando a de maneira intensa e apertando a coxa dela com uma das mãos. Eu conheço essa garota...
– Piper? – perguntei.
Rapidamente, os dois pararam de se “roçar”. Era a Piper! Só que aquele garoto não era o Jason. O garoto olhou para mim e, se eu não me engano, ele era um nerd desengonçado do curso de história.
– Percy... – começou Piper – Por favor... Esqueça essa cena e não conte nada ao Jason.
Apenas deixei o casaco lá e saí sem dizer nada. Pode parecer estranho, mas eu estava sentindo raiva da Piper e do Jason. Ambos tinham alguém para amar, mas preferiam trair! Se eu tivesse uma namorada que gostasse de mim e eu dela, eu realmente faria de tudo para manter nossa relação estável. Se a Piper não gosta do Jason, por que ela não termina o namoro? E por que o Jason não faz o mesmo?
Povo idiota!
Estava tão focado em meus pensamentos, que acabei esbarrando em alguém. Não cheguei a cair ou a derrubar a pessoa, foi apenas um pequeno susto.
– Desculpa. – falei estressado, mas, quando vi quem era, a raiva passou quase que instantaneamente. Era a Annabeth.
Não sei por que, mas acabei segurando os dois braços dela. Ela olhou para mim sem expressão no rosto. Como sempre, usando maquiagem pesado nos olhos, mas com os lábios bem clarinhos.
Puta que pariu! Ela estava linda! Ela usava aquele vestido azul marinho que eu havia visto antes. Sabia que ela ficaria incrível com ele.
– Percy... – pronunciou meu nome bem baixinho.
– O que? – quase sussurrei, como se fosse um segredo. Será que ela vai dizer que gosta de mim? Será que ela vai me beijar na boca? Será que eu conseguirei tirar essa cara de trouxa?
Ela se aproximou mais de mim, deixando-me nervoso.
– Por que você está babando? – perguntou e eu corei. Aquilo foi um soco na cara! Saí de lá, envergonhado, e enxugando o canto da boca com um guardanapo.
Acho que ficarei traumatizado com isso pelo resto da minha eternidade!
Consegui uma garrafa de vodka e mais três latas de cerveja e fui para perto da Jennifer. Ela estava sozinha, só curtindo o embalo da música eletrônica.
– Quer se entupir de bebida alcoólica, Jackson? – brincou, mas, no fundo, eu senti que ela estava preocupada.
– Exatamente! Não precisa se preocupar gatinha. É difícil eu ficar muito bêbado e começar fazer besteira.
Gatinha? Droga! Quando eu bebia muito, começava a chamar qualquer garota de gatinha. Eu sei que é estranho, mas só acontecia.
Perdi a conta de quantas latas de cerveja eu já tinha bebido. O tempo estava passando tão rápido e eu percebi que não havia aproveitado quase nada da festa. Arrastei Jennifer para pista de dança. Sinceramente, eu não dançava porcaria nenhuma. Só pulava, cantava junto com a música e observava a Jennifer rir da minha cara.
Avistei Thalia e Luke e fui conversar com eles. Eles estranharam minha empolgação, mas deixaram de lado. Bebi um pouco mais e me joguei na piscina com roupa e tudo!
– Percy! – gritou Jennifer quando eu subi pela borda. Eu ria de uma maneira estranha e doida – Olha para você! Está todo encharcado e com hálito de cerveja!
– Estou irresistível, não estou? – brinquei.
– Não, não está! Estou preocupada com você!
– Preciso repetir que não precisa se preocupar? Jennifer, eu estou bem!
Consegui uma toalha e me enxuguei. Fiquei com bastante frio, mas não deixaria de aproveitar a festa.
https://www.youtube.com/watch?v=ejYyasKSVjw
Uma música romântica começou a ecoar. Formaram-se vários casais, até Leo estava dançando com a Calypso. Abracei a cintura da Jennifer e ela fez o mesmo com o meu pescoço. Apenas nos balançávamos calmamente. Como ela fazia faculdade de dança, era uma ótima dançarina. Às vezes, eu a rodava e a inclinava para trás. Ela deitou a cabeça no meu ombro.
Vi de longe Thalia e Luke. Ele estava beijando a testa dela, enquanto ela sussurrava algo que parecia um “eu te amo, bobão”, o que fazia Luke sorrir. Mirei meu olhar para outro local. Jason e Piper também estavam dançando. Meu olhar se encontrou com o da Piper e ela fez cara de culpada e eu, de nojo.
Tentei mudar minha atenção e foi pior! Aquela cena simplesmente acabou comigo! Nico e Annabeth estavam se beijando. Senti meus olhos se enxerem d’água. Eu estava triste e com inveja, coisas que eu não deveria estar sentindo. Eu deveria estar feliz pelo Nico, já que ele estava feliz com uma namorada que gostava dele.
Mas, eu não posso negar: Eu queria a namorada dele para mim! Annabeth poderia não ser a Melanie, mas ela mexia comigo. O que eu não daria para descobrir o porquê dela ser tão... Do jeito dela. Por que ela quase não fala? Por que só usa roupa preta? Será que ela pensa em mim? E se ela pensa, o que é que ela pensa?
Por um momento, imaginei-me no lugar do Nico. Eu queria, pelo menos, um beijo dela. Poderia ser um simples selinho, um beijo de cinema, de língua, com pegada, tanto faz! Mas, eu queria tanto um beijo da Annabeth!
– Percy, está tudo bem? – perguntou Jennifer – Você está chorando!
Enxuguei minhas lágrimas.
– No fundo, eu estou péssimo.
– Posso fazer alguma coisa?
– Não Jennifer. Sou eu que tenho eu fazer!
Acho que eu bebi demais!
Afastei-me dela e fui até o DJ. Parei a música e recebi alguns protestos. Peguei o microfone.
– Escutem! – falei no microfone – Já, já, colocarei uma música melosa de novo para vocês continuarem se pegando, ok? – todos se calaram – Só gostaria de dizer algumas palavras. Primeiramente, sou Percy Jackson, do curso de arquitetura. Moro nessa casa grande, cheia de encrenqueiros. O que eu tenho a dizer sobre eles? Bom, o Luke – apontei para o mesmo e todos olharam para ele – é um cara muito legal. Ele é casado com a branquela do lado dele, a Thalia. – algumas pessoas riram e o Luke teve que segurar a mulher dele, para que ela não viesse dar na minha cara – Todos nós devemos concordar com que eles formam um casal bonito, não é? – muitos assentiram – Mas, talvez a Thalia não tenha se tocado que o Luke é doidinho para ser pai. O Castellan já veio até conversar comigo, dizendo que já pensou em furar a camisinha para a Grace engravidar “acidentalmente” – fiz aspas com as mãos – já que ela não quer ter filhos agora!
Thalia olhou para o marido dela perplexa.
– Luke, isso é verdade? – perguntou ela.
– É sim! – eu respondi por ele – Mas, eu ainda não terminei meu discurso, então, vocês dois se acertam depois. Continuando... Eu também moro com o Jason e a Piper. – apontei para eles e eles acenaram para o público – Eles dois são muito caras de pau! Eles namoram, mas um trai o outro!
– O QUE? – Jason e Piper se olharam e perguntaram ao mesmo tempo.
– É verdade! – falei – Piper tem um caso com aquele garoto ali. – apontei para o amante da Piper – E, se eu não me engano, Jason tem um caso com a Drew, amiga da Piper.
– Você me traiu com o Octavian? – indagou Jason furioso.
– E você me traiu com a minha amiga, ou melhor, ex-amiga? – rebateu Piper.
– EI! – gritei – Deixem a briga para depois, pois eu ainda não terminei.
– Termina logo, idiota! – ordenou Jason – Termina, que eu vou acabar com a raça do Octavian!
– Relaxe, chifrudo! – brinquei e ele mostrou o dedo do meio para mim – Só tenho mais uma coisa a dizer. Nico, – olhei para ele – você é um grande amigo. Espero que possa me perdoar pelo o que eu estou prestes a fazer.
Larguei o microfone e corri. Empurrei o Nico, afastando o de Annabeth. Grudei rapidamente nossas bocas. Pude sentir seu corpo em choque, ela não se mexia. Nosso beijei durou menos do que eu esperava, já que o Nico me puxou para trás e socou o meu olhou. Apaguei!
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