Prison of Love
29 Você é dessas, minha querida.
Notas iniciais
POV Annabeth
Depois que o Percy saiu daquela sala e que Sally foi embora, o clima descontraído e engraçado morreu totalmente.
Liz, que a foi a primeira a ter reação, levantou e foi, provavelmente, para seu quarto.
Luke foi o segundo, indo em direção ao refeitório.
Thalia levantou e despediu-se, beijando a bochecha de Nico e em seguida a minha.
Nico e eu ficamos sentados em silêncio, nenhum de nós ousava quebrar o silêncio.
O silêncio era totalmente desconfortável e a tensão era quase papável, mas não seria eu a primeira a falar.
Nico parecia pensar a mesma coisa, de modo que ficamos vários minutos em silêncio e a única coisa possível de se ouvir eram nossas respirações e vez ou outra um suspiro.
– Annabeth – finalmente falou ele. Não respondi, só olhei para ele – Precisamos conversar.
– Hum ruum – resmungo, ainda sem falar nada.
Ele levanta, estendendo a mão para que eu a pegue.
Pego-a e ele me puxa, ajudando-me a levantar.
Ele continua segurando minha mão, guiando-me.
Entramos no reformatório, passando por corredores que eu não conheço.
Logo, ele entra em uma sala e me puxa, fechando a porta atrás de mim.
– Annabeth – começa ele – Olha, não é você, sou eu...
Começo a rir, já entendendo.
Ele me olha confuso.
– Ai Nico, que clichê! – reclamo – “Não é você, sou eu”, Nico Di Ângelo, todo mundo usa essa desculpa. Se vai terminar comigo, seja original – digo, fazendo uma pose de brincadeira.
Ele ri e isso acaba com toda a tensão entre nós no momento.
– Tudo bem, tudo bem – se rende ele – O problema não sou eu, droga. O problema é você mesmo – diz ele, rindo ironicamente – Original o bastante, Annabeth Chase?
– Olha, doeu. To magoada com isso, mas sim Nico Di Ângelo, foi original o suficiente – respondo, mas estou rindo.
– Te magoou á ponto de você passar uma semana em estado vegetativo comendo chocolate e assistindo filmes que te fazem lembrar de nosso relacionamento e fazer você chorar loucamente e me ligar desesperada comendo brigadeiro?
– Não, Di Ângelo. Eu sou mais durona que isso – respondo, rindo.
Ele ri também.
– É sério Annabeth – recomeça ele, parando de rir. Porém, continua com um sorriso nos lábios – Olha, o problema sou eu mesmo.
– Como assim Nico?
– Você é legal, inteligente, linda, gostosa, maravilhosa e.... A pessoa mais irritante que eu já conheci – continua ele, rindo na última parte.
– Bom saber que você me ama tanto – comento sarcasticamente, revirando os olhos e arrancando uma risada dele.
– Annabeth, você é... Nem sei te descrever, merda.
Minha vez de rir.
– Mas é que eu ‘to apaixonado por outra garota, Annie.
– Entendo.
– Ela é... É o meu tipo de “garota perfeita” sabe?
– Sim, sei – respondo – A verdade é que você também não se encaixa muito no perfil “garoto ideal para Annabeth Chase”.
A vez dele de rir.
– Você não reclamou disso quando me beijou – acusa ele.
– Não estou reclamando – devolvo – Só estou revelando fatos.
Ele ri.
– Agora Annabeth, vamos conversar sério ok?
– Ok.
– Bem, eu amo você. Não como namorada, claro, mas como... Uma irmã mais nova.
– Owwn – brinco.
– Eu tinha uma irmã mais velha. Lembra que eu contei essa história? – pergunta ele.
Concordo com a cabeça.
– Bem – continua ele – Ela morreu. E você... Annabeth, você é como se fosse minha irmã mais nova...
– Você já disse isso, seu mala.
– Eu sei.
– Eu deveria ser mais velha – reclamo – Sou mais responsável que você, com certeza – reclamo, rindo.
– Continuando – diz ele, fuzilando-me – Você é como se fosse uma nova chance para mim... Não vou dizer que você é inocente demais para esse mundo perverso, como dizem os irmãos mais velhos de suas irmãs mais novas pois eu estaria mentindo, não é? – ri ele.
Rio junto.
– Mas você tem um jeitinho tão... Meigo. É, Annabeth você é meiga. E eu tenho medo que a vida te tire isso, entende?
– Sim.
– Então eu sinto... Sinto uma necessidade de proteger você, pequena.
Ronrono com o apelido, sendo ele tão fofo.
– Tudo bem entre a gente, pequena?
– Tudo sim... Nico – respondo – Ainda estou pensando em um apelido fofo para você.
Ele ri.
Saímos da sala ainda de mãos dadas, sem nos importar com isso.
Andamos por aí, sem um rumo definido.
Por fim, paramos no refeitório.
Peço um pudim, mas a mulher diz que não servem isso em um reformatório.
Me indigno, quase arrumando briga ali mesmo, se não fosse por Nico me tirando dali.
Tirando não, arrastando mesmo.
Cara, por que não tem pudim no reformatório? Tipo, gente, é pudim.
P-u-d-i-m.
Como eles querem que nós vivamos sem pudim? Sendo o pudim tão maravilhosamente perfeito?
Por que vida?? Por queeee????
Vida sem pudim é vida sem nada.
Tudo bem, vida sem pudim continua sendo vida, mas deixe para lá.
– Nico?
– Sim pequena?
– Quem é?
– Quem é o que, criatura?
– A menina.
– Que menina?
– Ai senhor, como é lerdo!! A menina por quem você esta apaixonado, retardado.
– Olha, você rimou.
– Sim, eu rimei por que sou diva, agora não me desconverse. Quem é a bendita menina?
– Hmhmhhm – resmunga ele.
– É o que?
– Hmhmhm – repete ele.
– Nico Di Ângelo, fale mais alto querido. Não estou entendendo nada!
– Thalia Grace! – exclama ele, intrigado.
Engasgo com o ar.
– Oi?!
– O que você ouviu.
– Mas Nico...
– Ah, cale a boca – reclama ele, corando.
– Owwn — começo – Ele tá com vergonha!
– Para Annabeth!
– Tá ficando vermelhinho – cantarolo, vendo as bochechas pálidas dele avermelhando-se.
– Sabe aquelas pirralhas super chatas?
– O que isso tem á ver? – pergunto, confusa.
– Sabe aquelas irmãs mais novas irritantemente chatas, idiotas, pirralhas desgraçadas?
– Sei... O que que tem?
– Você é dessas, minha querida.
Solto uma exclamação indignada, batendo nele.
Ele ri, desvencilhando-se de mim.
Ele corre e eu corro atrás.
Como irmão mais velho e irmã mais nova.
E esse pensamento me conforta, não sei por que.
Acho que por que gosto muito dele, de modo que adorei quando ele se tornou meu “irmão mais velho” alegando sentir necessidade de proteger-me.
E confesso que fiquei muito feliz em ver que meu sentimento de preocupação fraternal por ele é retribuído com a mesma intensidade.
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