Prison of Love

23 Talvez esteja na hora de outro ship


POV Luke

Depois de andar por meia hora desisti de procurar Annabeth.

Nico já deve ter achado ela.

Suspirando, volto ao refeitório. Querendo ou não, eu não comi nada e ainda estou morrendo de fome.

Penso que vou chegar no refeitório, sentar e apreciar minha comida na mais perfeita paz.

Esse pensamento é arruinado ao passo que mesmo á uma distância razoavelmente longe do refeitório já consigo ouvir gritos.

Apresso o passo e fico bem surpreso ao perceber que os gritos pertencem é Thalia e Liz.

Uma em frente á outra, separadas pela mesa, ambas se inclinando para frente.

— Então você vai defende-lo? – grita Thalia em tom acusatório que faz com que Liz se encolha um pouco. Mas ela logo volta á postura intimidadora que não afeta Thalia do jeito que eu acho que ela queria que afetasse.

— Quer saber Thalia? Vou sim! Sabe por que? Por que foi a vaca ruiva que beijou ele, e não o contrário. Percy não tem culpa de nada!

Recuo um passo, agora entendendo a gravidade da situação.

A realidade me atinge com uma ferocidade maior do que um soco. Na realidade, sinto como se tivesse levado um soco no peito, mas é claro que ninguém o fez.

Recuo mais um passo, recobrando o fôlego e o equilíbrio.

Elas continuam gritando uma com a outra, Thalia defendendo Annabeth e Liz defendendo Percy.

Como é que Liz pode defender um canalha daquele? Tudo bem, entendo que realmente foi Rachel quem agarrou ele, mas Percy está totalmente errado á partir do momento em que tentou contribuir o beijo da ruiva.

Já recuperado do choque inicial, ando até Thalia e coloco-me ao lado dela defendendo a loira que eu realmente espero que Nico tenha achado.

Pelo amor dos deuses que Nico tenha achado Annabeth. Imagino o quanto ela deve estar... Não sei, desconsolada?

É, acho que sim.

Liz me encara esperando uma reação. Então entendo que ela me fez uma pergunta.

E está aí minha resposta super demais, mais que inteligente, mais que genial:

— Hãn?

Liz revira os olhos ao passo que Thalia ri levemente, cotovelando-me.

— Você não acha? – pergunta Liz. Ao ver minha cara de confuso, ela bufa impaciente e esclarece – Não acha que Percy não tem culpa? Que a culpa foi da Rachel e que Annabeth está dramatizando tudo, ao invés de parar e deixar que ele se explique?

— Não, não acho.

Luiza agora está realmente assustadora.

Seus olhos castanho-dourados agora estão em uma tonalidade mais escura que os de Nico Di Ângelo, e olhe que os olhos dele são pretos.

Ela balança a cabeça irritada e seus cabelos se soltam dos grampinhos que os prendiam em uma delicada trança, se espalhando por suas costas.

Ela endireita os ombros, em seus olhos estampados á pergunta que ela não quer abrir a boca para fazer.

Por que?

— Por que? – pergunto, meio hesitante ao olhar dela. Me sinto uma gazela que está sendo observada cuidadosamente por um leão.

Nossa que gay. Desde quando eu penso coisas tão gays?

Desde que você gosta da Liz.

Cale a boca consciência de merda.

Ainda sou parte de você. Se eu sou de merda, você também é. E não estou falando para calar a boca, e sim expressando o pensamento lógico em sua cabeça, seu idiota.

Se eu sou idiota, você também é idiota. Chupa essa lesada!

Não necessariamente. Se eu sou de merda, você é de merda por que eu sou umas das suas partes principais e o que eu faço/sou reflete em você. Se você é idiota, eu não sou idiota por que essa sua parte lesada não me atinge, consequentemente, o que você faz/é não reflete em mim. Sacou?

PN consciência. Entendi porra nenhuma.

Depois ainda diz que eu que sou a idiota. Senhor dai-me paciência, se me der força capaz de eu quebrar a cabeça dessa criatura desprovida de inteligência.

— Por que, Castellan? – pergunta Liz, retoricamente.

Balanço a cabeça, me livrando dos pensamentos imbecis da minha consciência.

— Por que, Luiza? Por que? – pergunto ironicamente – Vou te dizer por que. Por que Percy Jackson é um imbecil. Por que ele correspondeu o beijo da “vaca” ruiva. Por que ele decepcionou Annabeth depois de conquista-la, o que eu garanto ser muito difícil. Por que ele é o maior babaca da face da Terra.

Muito bom, Luke. Gostei de ver.

Obrigada consciência, eu consigo ser inteligente quando quero.

Você poderia querer mais vezes e não bancar o papel de lesado, idiota, imbecil e estúpido que você banca.

Agradeço a preocupação e a sugestão, mas recuso sua oferta. Gosto de bancar o papel de lesado, idiota, imbecil e estúpido que eu banco.

Ai, ai... Senhor dei-me paciência...

— Mas foi a Rachel que beijou o Percy! – exclama Liz indignada.

— Tudo bem, Luiza. Rachel beijou o Percy. Nisso você está certa – concordo.

— E o Percy não tem culpa! – prossegue ela.

— Na verdade, a partir do momento que ele correspondeu o beijo que Rachel lhe deu, o Percy assumiu total culpa e parcial responsabilidade – contesto.

— Annabeth está sendo adiantada, antipática e dramática ao correr para fora sem esperar nem um explicação! – berra ela, gesticulando sem parar, como se tentasse nos fazer entender algo óbvio.

Na verdade, a única coisa óbvia aqui é a culpa do Percy ao decepcionar Annabeth e em quanto á loira está certa ao sair correndo. A única que não enxerga isso é Liz.

— Na verdade, ela está certa – contesto.

— Annabeth é uma imbecil, estúpida! – grita ela.

Não vejo quando, só me dou conta do que aconteceu quando escuto o barulho do impacto da mão de Thalia contra o rosto de Liz, fazendo com que Liz caia no chão devido á força que a morena ao meu lado colocou na mão.

Com ajuda de Percy, Liz se coloca em pé, indignada. Tem a marca de cinco dedos na bochecha esquerda, onde Thalia bateu. Tem lágrimas em seus olhos, ameaçando escorrer, mas ela pisca repetidamente, afastando-as.

Thalia parece muito satisfeita consigo mesma pelo tapa. Realmente foi um tapa e tanto.

— Nunca mais abra sua boca para falar mal da Annabeth, Luiza Connor. Se olhe antes de falar dela. Vá dar na esquina que você ganha mais do que aqui, falando essas merdas, por que não tem nenhuma privada aqui.

Dito isso, Thalia pega meu braço, arrastando-me para fora do refeitório, deixando para trás uma Luiza incrédula e um Percy chocado com as mãos em volta dos braços de Liz.

Já fora do refeitório, Thalia me olha.

— Obrigada.

Surpreso, obrigo-me a perguntar.

— Por?

— Me ajudar. A defender Annabeth. E ficar contra Liz, por que você gosta dela e tals.

— Bem, Annabeth está certa. Percy é um babaca. E, ao contrário do que você pensa, meu doce, posso não gostar de Liz tanto assim. Não depois disso.

Thalia ri.

— E eu que sonhava com o ship Lizke, que vocês iam casar, ter filhos chamados Luis e Louise e eu seria madrinha.

Não consigo evitar soltar uma gargalhada com esse pensamento.

Olho bem para a morena á minha frente. Sua mecha azul caindo-lhe pelos olhos também azuis, com uma intensidade faiscante.

Sua face delicada, seu nariz arrebitado, seus olhos bem delineados por uma maquiagem preta e parecendo queimar em um incrível azul.

Seus lábios naturalmente rosados, sem maquiagem nenhuma.

— Quem sabe – começo – Talvez esteja na hora se um outro ship. Sabe, eu acho Thaluke muito legal.

— E nossos filhos poderiam se chamar... Lua? Talhes?

Rio junto com ela.

— Sabe, Lua é bem bonito.

— É, fui eu que sugeri.

Convencida. Mas isso faz com que eu ria.

Não me pergunte quem se aproximou primeiro. Na verdade, acho que nos encontramos ao mesmo tempo.

Só tenho noção de estar segurando ela pela cintura, ela na ponta dos pés e nossos lábios de encontro um com o outro, provocando-nos um choque que vai da coluna até a nuca.