Prison of Love
28 Onde você estava, Sally Jackson?
Notas iniciais
POV Sally
Aperto minha bolsa ao sair do reformatório, retardando o máximo possível chegar em casa.
" — Ah, agora você vem me ver?? Depois de tanto tempo mãe? Bom, se é que posso te chamar assim...
– Percy, para com isso — peço, sentindo meus olhos se umedecerem.
– Parar com o que, Sally?
– De me tratar assim... Percy eu amo...
– Não diga que me ama! — vocifera ele, irritado.
– Percy, eu amo você — sussurro.
– Ah, então você me amava quando me vendeu? — pergunta ele, soltando uma risada sarcástica.
– Percy eles iam te levar para um orfanato, eles me prometeram! — exclamo, sentindo lágrimas escorrerem por minhas bochechas.
– Ah, mamãe, parece que eles não cumpriram o acordo não é? — pergunta ele ironicamente — Ou isso se parece com o orfanato que eles iam me mandar?
Meu filho abre os braços, indicando o lugar ao redor de si.
– Filho — sussurro — Eles me disseram...
– E você pelo menos teve a decência de se certificar disso, Sally Jackson?
– Eu não podia!
– E por que não?
– Percy...
– Não comece! Você me abandonou, Sally.
– Filho!
– Eu até posso ser seu filho, Sally, mas você não é minha mãe."
Sinto lágrimas escorrendo por minhas bochechas e entro em um café que tem na praça.
– Boa tarde senhora, posso ajudar? — pergunta um garçom, parando ao lado da minha mesa com um bloquinho.
Abro a boca para responder, mas alguém responde por mim.
– Ela quer um café expresso com adoçante e uma rosquinha de creme.
Limpo as lágrimas rapidamente e abro um pequeno sorriso ao reconhecer a voz que á tanto tempo eu não escutava.
– Boto no nome de quem? — pergunta o garçom enquanto eu me viro para encarar quem quer que seja.
– Ponha no nome de Daniel Selinger — diz Daniel, contornando a mesa e se sentando em frente á mim.
O garçom anota e sai.
– Oi — diz ele, olhando-me.
– Oi — respondo — Você mudou.
E é verdade. O cabelo ruivo está um pouco mais comprido e os olhos castanhos não tem mais o mesmo brilho de antes.
– É Sally. Você também.
Sorrio levemente.
– Não foi para melhor — digo, suspirando.
– O que?
– Minha mudança, Daniel. Não foi para melhor.
Ele fica em silêncio.
Ficamos ali, só nos encarando.
" — Eu te amo Sally! Vou te amar para sempre!
– Danny — chamo, rindo — Ambos sabemos que para sempre é muito tempo!
– Sally — diz ele no mesmo tom que o meu — Eu te amo mais que o sol e as estrelas juntos!
Rimos, correndo sobre a chuva.
Somente dois adolescentes que não sabiam o que querer da vida, correndo sobre a grama enquanto chovia e fazendo juras de amor que ambos sabiam que não poderiam ser cumpridas. "
Suspiro, lembrando de como éramos felizes.
Até que eu, como sempre, estreguei tudo.
– Passou muito tempo, não é? — pondera ele.
Concordo com um aceno.
Ficamos em um silêncio desconfortável enquanto o garçom volta, trazendo consigo meu café e uma rosquinha.
Pego o café e ele pega a rosquinha.
– O que conta de novo? — pergunta ele tentando amenizar a tensão.
– Nada e você? — pergunto.
– Também nada. Está namorando? — pergunta ele.
– Sou casada — respondo, sorrindo minimamente.
Quem dera eu não ser casada.
– Ah...
– E você Daniel? Está namorando?
Ele ri.
– Uma menina que eu conheci á uns meses...
Rio também e assim conversamos normal, como velhos amigos.
– Tudo bem? — pergunto para alongar a conversa.
Bebo um gole do café.
– Tudo e com você?
Estou péssima.
– Ótima — respondo, rindo um pouco.
Ele ri também.
– E o... Jack? — diz ele — É o nome do seu filho, não é?
Suspiro, balançando a cabeça negativamente e rindo.
– Não? — pergunta ele, sorrindo — Espera, eu vou adivinhar!! Mas Sally... Quando você descobriu que estava grávida e a gente terminou você disse que iria por... Ai Sally, que nome você disse que ia por?
– Per...
– NÃO TERMINA! — gritou ele, fazendo todos da cafeteria nos olharem. Mas não nos importamos e continuamos rindo — Per... Per... Per... Perseu?
– Isso!
Começamos a rir.
" — Mamãe! Mamãe! — grita Percy, correndo pela casa só de cueca.
– Volte aqui Percy! — grito, fazendo-me de irritada, mas a verdade é que estou me segurando para não rir.
– Não mamãe! — grita ele, risonho — Você nunca me pegara com vida!
– Percy! Você precisa tomar banho, filho!
– Não! — nega ele, entrando no quarto.
– E sua namorada? — grito, entrando no quarto atrás dele.
Percy para, olhando-me.
– Que. Namorada?
– A sua ué — respondo, rindo.
– Sally Jackson, como você descobriu que eu tenho namorada? — pergunta ele, olhando-me.
Paro encarando meu filho chocada.
– Eu não sabia, Perseu Jackson.
– Mas...
– Eu falei brincando, Percy.
– Ah droga!
– E você acaba de se entregar! — grito, pegando meu filho no colo.
– Ah droga! — repete ele, passando os bracinhos pelo meu pescoço.
– Depois do banho você vai me contar tudo! Se já beijou, como ela é e o nome dela!"
Termino o café.
– Ele prefere ser chamado de Percy.... — conto.
– Que legal — comenta Daniel.
– Preciso ir, Danny — digo levantando.
– Já Sally? — pergunta ele, levantando também e terminando sua rosquinha.
– Sim, me desculpe — respondo, pegando a bolsa.
– Nem pegue, Sally Jackson, eu pago — diz ele e eu rio.
– Tchau Danny — beijo sua bochecha.
– Tchau Sally — responde ele, beijando a minha de volta — Nos vemos por aí?
– Nos vemos por ai — concordo, saindo.
(...)
Chego em casa, abrindo a porta discretamente, tentando fazer o mínimo de barulho possível.
Suspiro de alívio ao ver que Paul não está me esperando, mas meu alívio dura pouco.
Vou até a cozinha e o encontro sentado na mesa, uma garrafa de cerveja na mão.
– Onde você estava, Sally Jackson? — pergunta ele, se enrolando nas palavras, assim como se espera de um bêbado.
– Paul querido, eu fui á biblioteca.
– VOCÊ FOI VER O PERSEU! — berra ele, fazendo com que eu me assuste.
– Sim querido — admito, sabendo que se eu mentir será pior — Ele é meu filho.
– ELE É UM PUTO! EU DISSE QUE VOCÊ NÃO PODERIA VÊ-LO! — grita ele, se levantando.
Ele vem em minha direção e eu recuo.
Fico encurralada pela parede e ele se aproxima.
Sinto um ardor na bochecha esquerda, já sabendo que ele me bateu.
Olho para ele e abro a boca para me justificar quando sinto outro tapa, desta vez mais forte, que faz com que eu caia no chão.
– Por que, Sally?
– Paul eu..
No termino pois ele me chuta.
Engasgo com o ar no segundo chute que acerta minha barriga.
Meu celular toca na bolsa que está no sofá e ele vai até lá.
Aproveito e levanto, correndo até o banheiro.
Pego Ativan* e volto para a sala, encontrando ele me olhando.
Ele segura meus pulsos com força, os torcendo.
– Quem é o Daniel que estava te ligando? — pergunta ele, irritado.
– Paul, querido, você está me machucando — sussurro, desprendendo minha mão direita e fazendo ele engolir o remédio com muito custo.
Logo ele me solta, indo até o sofá e dorme.
Suspiro, subindo as escadas com minha bolsa.
Vou até o quarto da minha filha mais nova, Mylena e a encontro acordada.
Seu pescoço tem uma marca roxa de quando Paul tentou enforcá-la por não me achar, na semana passada quando eu fui ao mercado.
Não sei por que milagre ele não descontou a raiva nela hoje, mas agradeço por isso.
– O papai enlouqueceu de novo? — pergunta ela, me olhando.
– Sim querida — respondo, acariciando seus cabelos.
– Ele vai ficar bem? — sussurra ela, caindo no sono.
– Ele sempre fica — respondo, beijando sua testa.
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