Prison of Love
22 A tarde é nossa, loirinha....
Notas iniciais
POV Nico
Luke e eu saímos do refeitório pisando duro.
Depois de andar por uns dez minutos, decidimos nos separar para procurar Annabeth.
Luke foi para a esquerda e eu para direita.
Depois de andar por uns vinte minutos, quando já estava desistindo, uma porta se abre e vejo Annabeth sair dela. Os cabelos loiros totalmente embaraçados, olhos vermelhos que não negam que ela estivera chorando e as roupas meio amassadas.
Ela passa as mãos com força sobre as bochechas e me vê. Sorri minimamente e eu devolvo o sorriso, tímido.
– O que tem nessa sala? – pergunto, para puxar assunto.
– Tudo que não podemos ter. Celulares, computadores, facas, armas, cocaína...
– Espera, cocaína? – pergunto.
– Sim – responde ela confusa com minha pergunta.
– Pode pegar por favor?
Annabeth entra de novo na sala e volta com um pacotinho branco. Sorrio e ela me olha mais confusa ainda.
Passo o braço sobre os ombros dela.
– Hoje a tarde é nossa, loirinha.
Pego o saquinho e coloco no bolso da calça jeans.
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Puxo ela por entre as árvores. Annabeth é impaciente mesmo, sempre me perguntando aonde estamos indo.
Chegamos em uma parte do muro onde estão sentados conversando e fumando cigarros.
Ao nos verem, eles levantam.
– O que querem? – pergunta o mais alto.
– Sair – respondo, dando de ombros.
Eles se entreolham e riem.
– Ah, claro. Vamos deixar vocês saírem como somos apaixonados pelo presidente.
Reviro os olhos diante do seu sarcasmo.
– Quem sabe uma hora com a loirinha – pondera o mais novo.
– Isso com certeza não é negociável – rebato ao ver que Annabeth está se escondendo em mim e um pouco trêmula.
Tiro o saquinho do bolso e estendo para eles verem.
Ambos arregalam os olhos, dando á nós passagem para o lado de fora do reformatório.
Entrego a cocaína á eles e puxo Annabeth pela cintura para fora.
Eles me estendem uma carteira, obviamente com dinheiro e eu agradeço com a cabeça.
Ao sairmos, Annabeth me olha curiosa.
– Vamos conhecer melhor Nova Iorque? – pergunto, sorrindo maroto.
Annabeth ri e sua risada parece ser exatamente o que eu queria ouvir, por que fico feliz com isso.
Depois de andar por uns dez minutos, Annabeth começa a reclamar.
– Meus pés estão doendo.
– Não andamos nem cinco quilômetros, menina.
– Mas estão doendo!
Bufo revirando os olhos e flexiono levemente os joelhos.
Annabeth, entendendo a deixa, recua um pouco para tomar impulso e pula nas minhas costas, prendendo as pernas na minha cintura.
Eu rio segurando as coxas dela e ela passa os braços pelo meu pescoço.
E assim vamos seguindo.
Annabeth nas minhas costas e ambos rindo feitos retardados.
Ao chegar no “centro” de Nova Iorque, Annabeth desce das minhas costas e enlaça sua mão na minha.
Estranho o gesto, mas nada digo. Talvez ela só esteja carente, precisando de um amigo.
Se eu estivesse no lugar dela, precisaria desesperadamente de um amigo, eu acho.
– O que quer fazer? – pergunto.
– Que tal irmos ao shopping? Acredita que eu nunca fui em um shopping? – pergunta ela rindo.
– Nossa Annabeth, você é a única adolescente de dezessete anos que eu conheço que nunca foi á um shopping. Até a chata da Thalia e a enjoada da Liz foram em um shopping – digo brincando, fazendo uma careta.
Annabeth ri.
– Thalia não é chata e Liz não é enjoada! E eu nunca fui á um shopping por que eu tinha trabalho – ela fala a última parte tão baixo que eu quase não escuto. Seus olhos marejam e me lembro da seu antigo “trabalho” como assassina.
– Tudo bem – respondo, puxando ela e abraçando-a de lado – Vamos mudar isso hoje!
Annabeth ri do meu entusiasmo e eu a puxo em direção ao shopping.
Chegamos no shopping e vamos direto á praça de alimentação por que Annabeth está com fome.
Bom, ela não comeu nada não é? Quando chegou ao refeitório viu Percy beijando a Rachel e saiu correndo...
– Vamos comer aonde? – pergunta ela olhando em volta.
– Mc Donalds – respondo sorrindo.
– Hm?
– Gosto do Mc Lanche Feliz. Deixo você ficar com o brinquedo – digo, brincando com ela.
– Ah claro, até por que tudo o que eu quero mesmo é o brinquedo – responde ela, rindo e revirando os olhos.
Rio também e resolvemos que vamos comer pipoca e assistir um filme, depois, se ainda estivermos com fome, vamos lanchar no Mc Donalds e ela disse que me deixaria ficar com o brinquedo.
Vamos assistir Noé (N/A: foi o primeiro que pensei, não me julguem u-u).
Compramos pipoca e refrigerante com o dinheiro que tem na carteira que aqueles caras me entregaram.
Entramos para ver o filme já devorando a pipoca e rimos.
O filme mal começa e nem eu nem Annabeth prestamos muita atenção nele. Annabeth olha fixamente a poltrona á sua frente e eu olho para ela, percebendo o quanto ela é linda.
Acho que nunca tinha reparado bem nisso, na verdade.
Seus traços são delicados que nem o de uma boneca de porcelana. Seus olhos incrivelmente cinzas lembram tempestades, mas hoje estão claros quase azuis de felicidade. Sua boca fina e delicada é naturalmente avermelhada, dando á impressão que ela está usando batom, mas eu sei que não está.
Acho que durmo no filme, por que só me lembro de Annabeth me acordar rindo.
Ao sairmos, vemos umas daquelas máquinas que você coloca uma moeda, entra e ela tira cinco fotos.
Annabeth pede que eu vá com ela e eu não recuso.
Coloco uma moeda de um real e entramos.
Na primeira foto, Annabeth olha para o próprio nariz, ficando “vesga” e coloca a língua para fora. Eu semicerro os olhos e jogo a língua contra a minha bochecha direita.
Rimos e nos preparamos para a próxima foto.
Annabeth puxa-me para perto e beija minha bochecha. Eu sorrio, passando os braços em volta dela.
Na última foto, porém, Annabeth me beija.
Fico surpreso no início, mas coloco uma das minhas mãos em sua nuca e a outra na sua cintura, puxando-a para mim e as mãos dela, ainda que hesitantes, envolvem minha cintura. Sinto a língua quente dela e eu sorrio contra seus lábios, fazendo ela sorrir também.
Saímos depois disso, ainda meio confusos.
Pegamos as fotos.
A primeira fizemos caretas e está bem engraçada.
A segunda ela está beijando minha bochecha e eu estou sorrindo.
A terceira estamos nos beijando. Se analisar bem, consigo ver a língua da Annabeth e eu sorrindo como ela.
Ficou muito legal. Bonita. Não, ficou bem.... Surpreendente.
Isso, ficou surpreendente.
Annabeth ri.
– Posso ficar com as fotos? – pergunta ela, me olhando.
– Claro – respondo – Mas eu quero uma cópia.
Ela ri e vamos á uma papelaria que tira cópias e pedimos uma cópia da foto.
A balconista nos olha, ela deve ter por volta dos vinte e cinco.
– Vocês formam um casal bonito – comenta ela, sorrindo meigamente para nós, nos analisando.
Me mexo desconfortável.
– Nós não somos... Ah.... – começo a explicar, mas Annabeth enlaça minha mão na sua, apertando meus dedos.
– Obrigada – é a única coisa que a loirinha responde, sorrindo radiante á balconista que nos entrega a cópia das fotos depois de dizer que é por conta da casa.
Saímos de mãos dadas enquanto eu penso que esse é, provavelmente, um dos melhores dias da minha vida.
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