Princesas & Maldosas
5 Raiva
Notas iniciais
Spencer Hastings
Eu me deitei ao lado de Toby, que parecia tão sem rumo quanto eu. Eu queria poder contar a ele sobre –A, desabafar e chorar até não conseguir mais, mas quando ele segurava a minha mão e dizia que ficaria tudo bem, eu conseguia encontrar alguma paz. Mas eu estava com tanta raiva, que meus punhos andavam fechados e cerrados, eu só conseguia pensar em arrancar a cabeça de –A e depois pisá-la.

– Quer conversar a respeito? – Toby passou a mão nos meus cabelos, mas eu desviei nervosa.
– Não tem nada para dizer.
– Eu também já perdi alguém importante, sei o quanto isso machuca.
– Já disse que não quero conversar, Tobias!
Eu me levantei e fui até a bancada pegar alguma coisa para amarrar meu cabelo. Depois de preso, eu me sentei de costas para ele e liguei meu computador e comecei a procurar os arquivos das ultimas mensagens que –A havia nos mandado na noite em que Hanna morreu. Eu a acharia. E eu me sentia culpada por ter provocado –A, se eu não tivesse feito, talvez Hanna ainda estivesse bem. Por isso, eu teria que terminar o que havia começado e não tinha outro jeito.
– Spencer, acho que está na hora de você começar a esquecer –A. Deus me livre que –A decida que está na hora de você também morrer e...

– Esquecer?! – eu virei de braços cruzados. – Eu vi a minha amiga sangrar até desmaiar no asfalto, ficar entubada e depois ser eletrocutada. Eu vi ela morrer na minha frente e não pude fazer nada a respeito! Eu vou encontrar –A, e vou acabar com ela, nem que seja a última coisa que eu faça. – eu voltei a dar as costas a ele. – Se está incomodado vá embora.
– Eu vou. Não vou ficar aqui para ver você morrer.
Toby pegou sua camisa em cima da cama e fechou a porta com força, descendo as escadas com raiva. Ele não tinha o direito de me mandar parar, não depois do que –A tinha feito. Aria definitivamente era a mais descontrolada entre nós e eu me preocupava em quanto tempo levaria para ela conseguir ficar bem de novo.
Eu usei o meu celular em um progama de rastreadores e de cifra de códigos de telefone. Se –A tivesse usado o celular de Hanna para enviar uma mensagem para Aria, eu conseguiria triangular a origem do celular. Eu também conseguiria rastrear o celular de Hanna, mas não era necessário. A primeira pesquisa não deu em nada, o celular deveria ser um pré-pago ou com chips com senhas, que me levariam no máximo a uma caixa postal. Mas então pensei que se eu achasse o celular de Hanna, poderia usá-lo como fonte para achar o celular de –A. Eu esperava encontrá-lo em algum lugar próximo a casa de Aria ou o necrotério. Mas a pesquisa me levou até a velha estação de ônibus de Rosewood, que estava abandonada a dez anos. Não era considerado um lixão, então por que alguém descartaria um telefone ali?
– Te achei. – eu disse com malícia.
Abri em uma nova guia, um mercado livre de armas. Usei os dados do meu pai e consegui encomendar uma pistola que tivesse uma câmara com dez balas. Queria ter certeza que –A estaria morta quando eu a achasse e eu a mataria.
– O que você está fazendo ai, Spencer? – eu ouvi a voz de Melissa assustada, me encarando atrás do computador.
– Nada! – eu fecho o computador. – O que você quer?
– Pegar as minhas coisas. Ainda moro nessa casa, esqueceu?
– Espero que não por muito tempo. Pegue o que quiser e dê um fora daqui.
– Sinto muito pela sua amiga...
– Não sente porra nenhuma. Nem gostava da Hanna, na verdade, nunca gostou de nenhuma de nós!
– Calma ai, Spencer, eu só...
– Já está de saída? – eu a fitei com ira. Eu não tinha tempo para as bobagens melodramáticas de Melissa. Eu não tinha paciência para nada naquele exato momento.
– Só por que está com raiva, não quer dizer que possa descontar nos outros.
– Saia daqui agora!
Ela saiu do meu quarto tão rápido quanto entrou. Eu cerrei os punhos e conclui a compra da arma, com as mãos juntas. Eu iria fazer uma visita a –A amanhã, quanto soubesse exatamente o que iria enfrentar, levaria a minha arma e com certeza, ela estaria feita.
Hanna Marin
– Não tem televisão aqui? – eu perguntei e Ali e CeCe apenas sorriram.
– É uma estação de ônibus abandonada. Tem sorte por eu conseguir colocar uma geladeira aqui.
– Precisa de uma boa reforma!
Ali apoiou a cabeça no ombro de CeCe e segurou a minha mão. Ela estava extremamente preocupada com meu estado de saúde, em eu pegar qualquer infecção e ter que voltar para o hospital. O lugar era úmido, mais era escondido e bastava para ser convincente.
– Você viu a Aria? – eu perguntei, mas minha voz falhou no final. Eu estava com medo da resposta.
– Ela está... superando.
– Não minta para mim. Quero saber como ela está.
– Se eu te disser a verdade, com certeza vai fazer uma besteira. O plano está dando certo e não podemos falhar com –A.
– Como ela está?!
Alison hesitou em me dizer, eu temia que ela ainda estivesse em negação. Mas se algum dia ela aceitasse a minha morte e resolvesse seguir em frente, –A finalmente conseguiria me destruir.
– Deprimida, esgotada, com raiva... Com medo. Ela definitivamente sente a sua falta, mas Ezra estava com ela quando a vi, não pude chegar mais perto.
– Ezra? Ezra Fitzge...
– Ele mesmo. – Alison interrompeu CeCe de continuar e fez uma cara estranha, como se estivesse escondendo alguma coisa de mim.
– Você conhece o nosso professor de inglês? Desde quando?
– Conheço por vista. Ele sempre esteve muito com a Aria... Talvez essa seja uma conversa para outra hora.
Uma hora em que CeCe não estiver aqui, eu pensei.
– Eu preciso vê-la, Ali. Se eu explicar tudo para ela, com certeza ela vai guardar o segredo e tudo vai ficar bem de novo.
– A dor dela só faz com que –A saboreie a vitória, e que aquela vadia comemore enquanto pode. Faz com que tudo pareça mais real. Se ela descobrir que estamos vivas, com certeza –A vai estranhar e aí... Bem, você já sabe.
– Ela pode fingir estar triste.
– Ninguém encena tão bem quanto eu vi hoje. Ela estava em prantos, com certeza deveria estar agonizando. – Alison bateu no ombro de CeCe a repreendendo.
Mas CeCe estava certa, Aria não estava nada bem, e pelo menos eu sabia disso. Temia até quanto de dor ela poderia aguentar, sem desistir de me amar. Com certeza, me amar, até enquanto estávamos juntas, não era a coisa mais fácil. Penso que agora, tudo só se amplificou.
– Até quando vamos ficar aqui? – eu seguro a mão de Ali. – Afinal, você deve mudar toda hora enquanto foge de –A.
– Sim, mas precisamos esperar você estar melhor. Mudar não é tão fácil, porque depois que sairmos daqui, precisamos apagar qualquer rastro que diga que já estivemos um dia aqui. Isso demora tempo.
– Quanto tempo, Ali?
– Tenha paciência. Se concentre em ficar melhor rápido e depois veremos.
Alison puxou o celular do bolso e leu uma mensagem que apareceu na sua tela. Seu rosto corou e CeCe percebeu, assim como eu, de quem se tratava.
– Eu quero ver, Alison.
– Não é nada, é apenas o diretor de Radley com quem faço contato para saber sobre a Mona.
– Chega de mentiras. É –A, não é?
“Acha que pode me enganar vadia? Pode tentar, vai falhar. Se eu não levar Hanna para o túmulo, terei que substituí-la. Devo começar com a Aria?
–A”
– Essa vagabunda! – eu apertei o celular com força. – Eu não vou deixar ela chegar perto da Aria!
– Eu disse que –A começaria a nos provocar. Isso é só o inicio... Não pode ceder as provocações Hanna. –A acha que Aria vale mais viva, é o único jeito de fazer você aparecer.
– E se ela mexer com uma das meninas?
– Não vai. Aria está sob os cuidados de Ezra, quanto mais tempo ela passar com ele, mais segura está. Eu espero... Assim como Spencer, com Toby.
– E Emily? Não podemos simplesmente...
– Emily está tão segura quanto. Andei conversando com o centro de reabilitação da Filadélfia e parece que Maya está prestes a sair. Quanto mais a cabeça delas se distrai, melhor estão.
– Já estava sentindo falta da inveja do relacionamento perfeito da Emily.
– Maya realmente é uma garota de sorte. – senti uma pontada de ciúmes na voz de Ali, mas não disse nada. – Fico feliz por elas.
Mentira, eu pensei comigo. Ali estava perdendo as suas habilidades, ou havia mesmo mudado para melhor. A única coisa que transformava Ali em uma megera, eram suas mentiras e segredos. Chega disso.
– Tem certeza?
Ali sacou o celular e abriu em um bloco de notas. Ela olhou para trás para ver onde CeCe estava, depois ergueu o celular para mim.
“Não, mas não quero que CeCe saiba.” – ela já havia tido Emily nas mãos. Onde será que a Ali aprendeu a perder tantas coisas boas de uma vez?
Aria Montgomery
Eu me deixei ao lado de Ezra, impaciente com qualquer coisa que ele falava ou fazia, nem queria mesmo estar ali. Queria estar na minha cama, abraçada com Hanna, pensando no futuro, fazendo planos contra –A. Queria me ver livre daquela vadia!
– Aria... Eu acho que você está muito... Sei lá, focada na morte da Hanna ou em –A. Sei que a amizade de vocês duas era forte, mas isso está passando dos limites.
– Você não tem o direito de diminuir a minha dor. Ela era a minha melhro amiga, se não sabe o que isso significa o problema é seu! – eu fechei a cara para Ezra que cruzou os braços.
– Nem o Caleb está assim. Está agindo como se Hanna fosse a sua namorada ou algo do tipo! É insano e...
– Cala a merda da sua boca. – a palavra namorada havia sido a gota d’gua. – Não quero ouvir você dizer o nome dela. Você não merece dizer o nome dela.
Ezra então se calou e andou até a cozinha para pegar um café que estendeu a mim, mas eu recusei.
– Aria, acho melhor você ir e voltar quando estiver mais... calma.
– Está me expulsando?
– Já fui ofendido o suficiente, não acha?
Eu cruzei os braços e levantei para pegar as minhas coisas. Eu deixei o celular cair e se abriu em uma mensagem de –A que Ezra pegou num reflexo e olhou. No mesmo momento, eu estendi a mão para pegar o celular que ele puxou de volta. Ele cerrou os punhos e mostrou a tela para mim.
– O que é isso aqui?
Uma foto. Uma foto minha e de Hanna. Uma foto nossa se beijando.

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