Princesas & Maldosas
6 Barganha
Notas iniciais
Spencer Hastings
Eu passei a semana lidando com a minha raiva, focada no momento em que finalmente colocaria as minhas mãos e –A. Eu queria que –A sofresse exatamente tudo que sofremos nesses últimos dias, porque eu não poderia viver com a culpa do que havia acontecido com Hanna. Quando finalmente minha encomenda chegou, tive que fazer de tudo para manter longe dos olhos enxeridos de Melissa, e da curiosidade absurda da minha mãe. Até Toby ficou curioso, mas ultimamente, não estava o tratando da melhor forma. Não era só eu que estava afundando meu relacionamento, Aria também estava entregando os pontos com Ezra e tudo só iria acabar quando eu acabasse com –A.
– Pensei em sairmos nesse final de semana... Ver um filme quem sabe.
– Tenho planos. – eu disse com a voz seca. – Eu te disse.
– E eu disse que queria sair com você. Spencer, até quando vamos ficar nesse clima?
– O que você quer dizer, Tobias?
– Nesse clima que você me trata como seu empregado e não como seu namorado. Eu entendo a sua perda, mas já está na hora de você começar a superar! – ele pegou as coisas com raiva, e eu esperei ele acabar o show dele. – Você está tão obcecada em achar essa –A, que não percebe que ela sumiu e você que está se aterrorizando.
– Já disse que se tiver algum problema, sempre pode usar a porta.
– Se eu sair por aquela porta eu não vou mais voltar, Spencer.
Eu o encarei fervendo de raiva, por aquele egoísmo mesquinho dele. Mas se para conseguir matar –A, eu precisasse me afastar de Toby, esse era um preço justo a ser pago. Eu quero –A morta primeiro, e depois que ela estiver morta, eu também posso morrer. Que só me deixem viver até eu completar a minha missão, ou... A minha cadeia, será a minha própria existência. Soou dramático demais até para mim.
– Está terminando comigo?
– Eu não posso estar com você se eu não puder te ajudar. Já disse o que eu penso sobre –A. Você precisa deixar para lá, Spencer. – ele passou a mão delicadamente no meu rosto, mas eu me desvencilhei rapidamente. – Somos nós que estamos em risco.
– Acho que não existe mais “nós”, Toby.
– Então seja feliz na sua vida de loucuras com –A. – ele caminhou de punhos cerrados até a porta. – Não tem lugar pra mim nessa vida que você escolheu.
Senti meu coração se despedaçar por dentro, lágrimas caírem do meu rosto, mas eu estava convicta. Se eu desistisse, –A teria essa vitória e entre todas, essa teria um valor de submissão. Eu não iria me curvar diante de –A, nem aceitar a morte de Hanna de bom grado, não vou! Tobias poderia dizer o que quisesse, e eu o amava, mas não conseguia fazer isso agora... Não agora.

Eu saquei o telefone do bolso e disquei rapidamente o número de Aria. Não precisei de mais de três toques para que ela me atendesse com certo desanimo. Eu respirei fundo e tentei pensar nas palavras que usaria, Aria estava pior que qualquer uma de nós, era compreensível, mas eu não entendia porque tanto. Tanto quanto eu.
– Aria, precisamos conversar... Sobre –A. Tenho um plano para acabar com ela de uma vez por todas.
Emily Fields
Eu estava deitada na cama, deixando a minha cabeça descansar dos dias cansativos e extremamente depressivos que eu estava tendo. Mais um enterro de uma amiga e eu finalmente estaria sendo enterrada também. E para completar, eu ficava relendo a minha última mensagem recebida, com os olhos cheios de lágrimas e completamente confusa.
“Estou voltando para Rosewood. Podemos nos encontrar? Com amor, Maya.”
Fazia tanto que eu e Maya não nos víamos, que eu não tinha certeza se ela tinha escolhido a melhor hora. Eu estava cheias de coisas para pensar, mas mesmo assim, resolvi entrar de cabeça e chamar Maya para sair. Não demorou para ela me responder, e na verdade, estava me ligando dentro de uma hora. Minhas mãos suaram, quando pretendia atender.
– Ei! Já estava sentindo a sua falta, meu amor. – a doce voz dela fez meu coração desacelerar e eu comecei a relaxar.
– Maya... Eu também. Quando vamos nos ver mesmo?
– Esse final de semana estarei voltando para Rosewood, como andam as coisas?
Eu pensei em Hanna, mas não sabia por onde começar. Com certeza era com Maya que eu gostaria de desabafar, por mais que meus sentimentos por ela estivessem completamente confusos. Eu tinha perdido meu norte, e não sabia como encontrar. As coisas iam de mal a pior.
– Maya, nós precisamos conversar pessoalmente. Mas... Tem que ser o mais cedo possível.
– Tudo bem então... Eu te amo.

Foi então que eu desliguei, porque eu não poderia aguentar mais daquela tortura. E se eu já não amasse mais Maya como amava antes? As coisas estavam começando a mudar tão rápido... Foi então que para piorar a situação, Spencer me ligou. Eu atendi imediatamente, desesperada por segundos daquela voz, e então eu percebi o quão grave era o assunto.
– Vamos atrás de –A hoje. Agora! Você vem ou não?
–A já tinha matado uma de nós e eu não deixaria que Spencer fosse a próxima. Que seja, eu estou dentro!
Aria Montgomery
– Que loucura é essa Spencer? – Emily perdeu a cor quando viu a arma prateada brilhando nas mãos de Spencer.
Eu também não estava confortável vendo Spencer armada. Ela engoliu três pílulas controladas para sono, aqueles soníferos que só se vendem com receita. Eu pensava que isso realmente era uma loucura, mas eu sabia também que era nossa única saída. Ezra sabia sobre mim e Hanna e agora, ele pensa que sou uma vadia promíscua ou sei lá o que, pouco me importava.
– Está carregada? – eu pergunto temendo a resposta.
– Dez balas, e mais dez para o caso de –A resolver complicar as coisas... Esse mistério acaba hoje.
A convicção na voz dela me dava medo. Íamos para cadeia? Se –A iria morrer, eu também deveria morrer. Queria poder ficar do lado de Hanna, em qualquer lugar em que ela estivesse. Céu, inferno ou paraíso, que seja! Meu desejo é apenas de poder estar mais uma vez com ela.
– Para onde estamos indo?
– A velha estação de Rosewood. Escolheu um lugar perfeito para montar sua toca, está abandonada a mais de dez anos.
– Não acha melhor colocar a policia nisso? É mais seguro e...
– A mesma policia que deixou –A matar Hanna, Ems?! – Spencer a interrompeu com fúria e um tom desesperado. – Ou ela ou a gente!
– Ta bom, ta bom! Só não sei se me encaixo no perfil de assassina.
– –A é a assassina Ems, não nós. Vamos vingá-la, por nós. – Spencer me olhou porque sabia que tinha meu total apoio.
Eu queria –A morta e eu queria Hanna vingada, mas só pensava no depois. E depois que tudo acabasse? Daríamos um tiro em nossas cabeças também? Eu estava nervosa, mas não havia tempo para recuar. Estávamos em frente ao terreno abandonado, Spencer com a arma nas mãos e sempre apontando para frente, com medo de dar mais um passo.
Subimos as escadas em passos lentos, ouvindo vozes atrás da porta da qual nos aproximávamos. Eu estava tremendo e suando, não sabia o que esperar do outro lado. E então, tudo ficou em silencio e Spencer meteu o pé na porta com toda força, apontando a arma até achar um alvo.
– É melhor aparecer –A! – ela berrava. – Acabou o seu jogo!
O jogo só tinha acabado de começar.
Hanna Marin
Eu e Alison pulamos para debaixo da mesa quando ouvimos passos na escada. Quando a porta se escancarou, eu vi Spencer com uma arma na mão, berrando palavras descontroladamente, como uma louca. Eu pensei em correr, abraçar Aria, mas não podia, Ali me prendia no braço, me impedindo de fazer qualquer movimento.
– –A armou para gente. – ela sussurou no meu ouvido.
– O que fazermos, Ali? Elas vão nos achar. – eu murmurei de volta.
– Fique quieta!
– Vamos –A! Eu não tenho o dia todo! – Spencer berrou mais uma vez.
Eu tinha certeza que ela estava sobre o efeito de alguma droga, do contrario, não estaria tão fora de si. Não teríamos tempo para nos explicar, se aparecêssemos, Spencer atiraria em nós ou talvez –A o fizesse. Eu olhei para baixo e Ali estava com o celular na mão que estendeu para mim, para que eu lesse a mensagem.
“Ora ora, não se brinca com fogo. Devo ensinar bons modos a Spencer. Vejo vocês daqui a pouco meninas.
–A”
– –A está aqui! – Ali murmurou desesperada. – Ela sabe que estamos aqui... Está sentindo esse cheiro de gás?
Eu olhei para os lados e foi a mesma pergunta que Aria fez. Quando menos esperava, ouve um estouro. O barulho fez com que o botijão de gás na cozinha nos jogou para os lados e eu bati a cabeça atrás do armário. Eu procurei Alison em meio a poeira e a puxei para perto de mim, quando vi –A, de casaco vermelho e mais alguém com casaco preto passar por nós.
A fumaça era tanta, nos sufocava. Mal víamos para onde estávamos indo, e se estávamos saindo. Eu tentei olhar para –A, mas seu capuz vermelho cobria seu rosto. Spencer e –A entraram numa briga pela arma e eu me levantei para tirar Aria da mira.
– Não Hanna! – Alison gritou de longe.
–A tomou a arma das mãos de Spencer a encostou bem na cabeça dela. Enquanto isso, o homem de casaco preto, apontou uma outra arma para Aria e Emily.
– Ezra? – Aria gritou com os olhos arregalados.

As duas armas disparam. Eu vejo dois corpos no chão. Eu procuro os olhos de Aria e os encontro... Eu a salvei?
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