Princesas & Maldosas
7 Depressão ou Aceitação?
Notas iniciais
Hanna Marin
Eu procuro qualquer ferimento nos braços de Aria, qualquer buraco de bala, mas não vejo sangue. Não dela. Olho para Spencer, atrás de mim, ela levanta a cabeça, ilesa e eu agradeço por estar bem. Emily agarra meu braço assustada, me sacudindo como se não acreditasse que eu estou mesmo viva. Eu olho em meio a poeira, procurando algum sinal de Alison, –A ou qualquer um daquele time.
– Ezra?! Foi o Ez... – Aria demorou um tempo para entender, assimilar a minha presença e finalmente saltar sobre os meus braços e começar a me beijar.
Aria chorou, gritou, extravasou nos meus braços e tudo o que não conseguia fazer era soltar, nem eu queria que ela soltasse. Eu sorri calmamente, com olhos cheios de água e fiz com que ela também fosse se acalmando, assim como as meninas.
– Me diz agora o que está acontecendo! – Spencer me encarou, mas as palavras congelaram na minha garganta.
Eu encarei os cantos como se olhos me vigiassem e eu tinha certeza que vigiavam. Eu pensei no que dizer... Eu estava mesmo ferrada.
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– Você nunca mais vai fazer uma coisa dessas! – Aria me beijou mais uma vez e Emily deu um sorriso meio amarelado.
– Vocês estavam juntas esse tempo todo? De baixo dos nossos narizes e nem nos contaram! – Spencer balançou a cabeça. – Não podia simplesmente terminar com ela? Tinha que fingir a morte também?
– Era um mal necessário. – eu sorri e segurei com força a mão de Aria. – Desculpe por todo o sofrimento que eu fiz vocês passarem nas ultimas semanas, mas seu eu não fizesse, –A podia matar uma de vocês. De verdade!
– Eu ia dizer que não tem como morrer de mentira, mas esquece. – Ems olhou para os cantos e depois sorriu para mim. – Meu Deus Han, você fez tanta falta... Não imaginaria isso para sempre.
– Nem eu. Graças a Deus você está bem. Mas queremos saber de tudo! Agora.
– Vou querer ouvir tudo isso com calma. – Aria sussurrou no meu ouvido e eu a abracei apertando seus peitos contra os meus.
– Não é seguro falar aqui, não estamos seguras em lugar nenhum. Não podem confiar em ninguém, estão ouvindo?! Ninguém!
– Isso tudo por causa de –A?
– Isso é muito maior que –A. Precisamos de um lugar vazio, onde ninguém vai nos ver chegando ou sair. Ninguém pode saber que eu estou viva também, pelo menos não agora. Vai gerar um choque muito maior do que o necessário.
– Então... Um porão? – Ems olhou para mim e eu assenti.
– Eu estou morta para Rosewood, então se vamos nos encontrar, não pode ser aqui. –A me encontraria fácil.
– Han... O que está realmente acontecendo?
– Alison está viva, Spencer. E foi ela que salvou você hoje de receber um tiro na meio da testa! E eu sei disso, o que significa...
Todas nós nos entreolhamos. A tensão na sala tomou conta do espaço por completo.
– Que agora –A quer me matar também.
Alison DiLaurentis
Eu chutei uma lixeira com força, havia acabado de perder uma chance maravilhosa de descobrir quem é –A. Eu estava cara a cara com ela, mas fui incapaz de atirar nela, pelo menos não para matar. Eu errei o alvo de propósito, por medo. E se –A fosse na verdade alguém que eu jamais imaginaria que tivesse motivos para me ferir? Eu era uma chantagista, mentirosa, manipuladora... Eu não tinha salvação. As coisas que me fizeram mudar, foram as mesmas coisas que me tornaram um monstro: minhas mentiras, meus erros, algumas lembranças... Existem coisas que não podem ser apagadas.
– O que aconteceu com você?! – CeCe me olhou espantada quando abriu a porta do apartamento. Eu fechei todas as janelas, tranquei as portas, mas não despi o casaco vermelho. Era burrice fazer isso, –A está em todos os lugares.
– Não tenho tempo para falar agora, onde você estava quando te liguei?
– Tomando um café, no banho... Eu não sei! Alison, o que está acontecendo?
– A vadia da –A de novo! – eu sentei com as mãos apoiadas nos joelhos, tremendo de raiva. – Estive tão perto de matá-la... Um tiro e ela cairia morta.
– E por que não atirou? – a voz de CeCe falhou e eu senti um desconforto. Eu a encarei com ainda mais raiva.
– Porque eu não sou um carrasco.
Ela se calou, não voltou a falar em –A enquanto eu estive ali. Não podia demorar muito, do contrário, eu seria um alvo muito fácil. Não sabia o quanto –A sabia sobre mim e CeCe, e ela podia até saber se defender sozinha, mas –A era mais esperta. Se CeCe carregava uma arma, –A colocaria uma bomba no cano, esperando CeCe ser estúpida o suficiente para disparar contra ela. Eu era tão boa em fugir dela por isso, por pensar exatamente como ela, pensar que era burrice estar ali, mas... Que seria uma grande burrice tentar alguma coisa sob a luz do sol, mesmo com janelas fechadas, o que limitavam suas alternativas de saída.
– Quer tomar um banho comigo? – CeCe me puxou pelo braço e me beijou, mas eu dei um passo para trás.
– Não estou nem um pouco no clima CeCe...
– Por favor, Ali! – ela me puxou de novo e dessa vez eu não resisti. – Por mim?
Eu não ofereci resistência, mas fiz tudo com cautela e não pretendia me arriscar em chegar perto das janelas e principalmente trancar a porta do banheiro apenas comigo e CeCe sozinhas. Minhas paranóias podiam ser grandes, mas –A sabia que eu tinha um mérito. Afinal, nem CeCe sabe onde eu penduro meu casaco...
Aria Montgomery
Eu agarrei Hanna pela camisa e a tirei de qualquer jeito. Ela me empurrou contra a parede, beijou meu pescoço e foi descendo até começar a chupar meus seios. E ela passava a língua, mordia devagar, e eu sentia minhas pernas começarem a tremer e minha voz ficar presa na garganta.
– Ah Hanna... – eu gemi bem baixo, mas ela sorriu e foi direto para meu lábios.
Eu a agarrei e puxei seu sutiã, eu queria senti-la, um desejo tão voraz que chegava a doer. Ela me empurrou na cama e subiu em cima de mim, ela gostava de ter o controle e aquele controle me dava tanta segurança... Ela me excitava. Hanna foi descendo meu short e beijando minha barriga até chegar embaixo. Ela foi passando a língua entre a minha calcinha e finalmente, onde deveria estar. Eu estava perdendo o controle, pedindo desesperadamente.
– Peça, por favor, e eu penso no seu caso... – ela continuou movendo a língua de um lado para outro, desceu a minha calcinha e começou a me chupar.
Aquele desejo por ela... Ia muito mais além de qualquer outra coisa. Ela penetrou dois dedos e subiu para beijar meus lábios enquanto eu explodia num frisson e em uma vontade de gozar. Quanto mais ela penetrava e mais me beijava, mais essa vontade crescia. Eu a segurei com força pelos ombros, tentando fazer com que ela penetrasse cada vez mais fundo, era tão bom... Eu gemia seu nome.
Quando eu finalmente gozei, foi a vez de eu fazer Hanna sentir prazer. Eu comecei mordendo seu pescoço, desci para seus seios, barriga até mais em baixo. Eu apertava seus mamilos, puxava seu corpo para colar no meu, sentir seus seios em minhas mãos me deixava excitada. Eu chupei seu beiço e desci novamente. Eu não esperei que Hanna fosse gemer tanto, mas considerando as ultimas semanas, não era de se admirar que ela estivesse tão suscetível ao sexo.
Meus dedos passearam por seu clitóris antes de penetrar. Isso fazia o semblante dela parecer cada vez mais desesperada por prazer, e eu gostava de assistir ela se excitar para mim. Hanna começou a arranhar meus braços, costas e me puxar para cima dela, que eu fiz de bom grado. Ela gemeu meu nome no meu ouvido e eu sorri de felicidade quando eu a senti ficar molhada entre suas pernas. Eu desci para sentir seu gosto doce, e ela ainda gemeu mais. Depois me joguei pingando de suor ao lado dela e senti os braços dela me envolverem na cintura, até meus seios, depois voltando para cintura.
– Dessa vez você se superou! – Hanna sorriu tão radiante que eu não pude deixar de reparar no brilho natural que vinha dos seus olhos. – Nunca foi tão bom.
– Para alguém que está morta, você se saiu muito bem!
As mãos dela estavam tão suadas quanto as minhas, e ela passou no meu rosto, afastando meus cabelos colados no meu corpo, da frente dos meus olhos. Ela me olhou como se estivesse tocando meu coração, foi como eu melhor pude definir. Um olhar inocente... Eu estava tão apaixonada, que poderia estar cega, mais ainda a veria em meu pensamento.
– Eu te amo. – ela disse.
As palavras fizeram um arrepio descer a minha espinha e eu fiquei paralisada por alguns minutos. Eu não sabia o que responder, não sabia nem o que... pensar. Os momentos com Hanna, vieram passando pela minha cabeça, desde quando nos conhecemos em mais um dia de aula com Ali, até o pior momento da minha vida, quando eu vi um caixão com seu nome gravado indo para o fundo da terra.
– Aria? – ela me fitou, talvez esperando uma resposta. Eu estava insegura, mas apenas deixei as palavras fluírem sem pressão, até soar natural.
– Eu também te amo.
Ela sorriu radiante de novo e depois me beijou. Eu levantei para tomar um banho, enquanto Hanna ficou deitada na cama, pensativa. Eu me deitei enrolada na toalha ao seu lado, me perguntando o que estaria passando por sua cabeça. Eu ainda tinha vontade de puxá-la para mim e transar enlouquecidamente com ela, mas me controlei. Eu não queria que Hanna levantasse e sumisse como Ali fez, e eu tinha esse medo tão claro nos meus olhos que talvez fosse nisso que ela estava pensando. Eu tinha medo de perguntar.
– O que foi? – eu passei a mão nos seus cabelos. – Transamos e você parece mais indiferente que nunca.
– Não tem nada a ver com isso... Só coisas da Ali.
– Está pensando nela? – eu fiquei confusa e Hanna sorriu singelamente.
– Não como penso em você. Mas tem isso... – ela puxou o celular e depois guardou de novo. – Aria... provavelmente eu vou ter que sair de Rosewood até as coisas com –A baixarem. E agora que você sabe que eu estou viva... Isso complica tudo. Você tem que fingir que não me viu, tem que continuar com Ezra e tem que esquecer tudo isso.
– Esquecer isso aqui? – ela me beijou. – Me leve com você.
– Não vou te colocar em um perigo maior, Aria, você vai fazer o que eu estou falando. Vai continuar com o Ezra e quando eu puder, eu volto para ficar com você.
– Ezra?! Eu o vi apontar uma arma para mim!
– Você estava atordoada, Ems disse que não conseguiu ver quem estava por baixo do capuz.
– Mas eu vi! Hanna, eu tenho certeza que era o Ezra. – e eu tinha. – E eu preciso tirar essa história a limpo antes de você ir embora.
– Aria, você não vai confrontar o Ezra sozinha!
– Então me impeça... – eu comecei a vestir a roupa e quando finalmente estava pronta para ir embora, Hanna apenas virou o rosto. – E então?
– Aria, se eu ficar, sendo o Ezra do –A Team ou não, –A vai me matar e todos aqueles que testemunharam Ali em vida. Você está vendo coisas e...
– Vai ou fica? – eu tentei ser clara.
Meus olhos arderam em lágrimas que queriam descer, e eu as segurei o máximo que eu pude.
– Eu não posso ficar.
E eu finalmente saio batendo a porta.
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Eu ainda estava com a arma de Spencer no meu carro, no porta malas e eu tinha medo de erguer aquilo. Tinha mais medo ainda de olhar para Ezra, eu tinha certeza que eu o tinha visto apontar essa mesma arma para mim. Eu podia até estar errada, mas a visão era tão clara... Era o Ezra.
Eu peguei o taco de basebol do Mike no banco de trás e sai batendo a porta em direção as escadas. Eu disparei até ficar sem fôlego e bati na porta de Ezra com força. Quando abriu, tinha uma expressão extremamente assustada, meio maliciosa, aquele olhar psicopata me deu medo. Ele cheirava a álcool e cigarros e me perguntei o que realmente estava acontecendo com ele. Ezra jamais cheiraria tão mal, se vestiria tão mal, com camisas tão surradas... Quem era aquele Ezra na minha frente?
– Pretende me acertar com esse taco, amor? – ele sorri com mais malicia ainda e eu estalo a minha mão na cara dele. – Você é louca?!
Ezra me agarrou pelos pulsos me apertando com tanta força que senti a circulação parar. Eu estava ficando roxa e eu gritava para que ele parasse, o taco caiu no chão para longe de mim e eu estava vulnerável. Aqueles olhos negros... Não eram os doces olhos castanhos do Ezra.
– Tire as mãos dela Mason! Agora.
Quando eu olho para trás, haviam dois dele. Dois Ezra Fitz. Um que me machucava brutalmente e o outro que bradava palavras de ordem como se fizessem algum efeito.
– Ela é toda sua irmãozinho. – o Outro me largou e eu me afastei assustada, tremendo, completamente confusa.
– O que está acontecendo aqui? – eu dei um grito que ecoou por todo apartamento, até atravessando a barreira das paredes.
– Aria, esse é o meu irmão gêmeo. Mason Fitz...
Quando ele terminou a frase, fui atingida por algo pesado na nuca. O bastão de basebol de Mike estalou na minha cabeça, me fazendo cair desmaiada no chão tentando buscar ar. Eu me sentia sufocando, como se minha cabeça fosse explodir.
– Precisava bater com tanta força? – ouvi um deles dizer. Não sabia dizer qual.
– Ah, precisava. Tão vagabunda quando a Alison, combinam como amigas. – o Outro se ajoelhou do meu lado, levantou minha cabeça enquanto eu arfava de dor e sorriu cruelmente. – Não se preocupe amor... Não vai lembrar de nada disse depois.
O Outro pegou o taco e ergueu sobre a minha cabeça. O impacto era eminente e eu sabia o que estava por vir. Apenas fechei os olhos e os dois disseram em coro:
– As coisas que faço por amor...
E o taco acertou em cheio minha cabeça.
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