Princesas & Maldosas
8 Duplicatas Fitzgerald
Notas iniciais
Hanna Marin
“Me encontre hoje a noite, quinta avenida, no último bar da rua, chegue exatamente as oito horas. Precisamos conversar.
–A. A verdadeira.”
Eu sentei em uma das cadeiras do bar, de cabeça baixa, com um capuz preto. Ninguém entre aqueles bebados sem noção poderia dizer o próprio nome, imagina me identificar. Ali havia escolhido com certeza um bom lugar. Eu continuei de cabeça baixa, até que ao invés de mais uma dose, a garçonete me deixou um bilhete em letras firmes e bonitas.
“Vá para o banheiro.”
Quando eu levantei a cabeça, Alison piscou para mim e eu sorri. Eu me levantei deixando qualquer gorjeta em cima da mesa e fui diretamente para os fundos, com uma placa improvisada escrito banheiros. Ali me seguiu e assim que eu passei pela porta, ela se fechou atrás de mim e de Ali. Eu me assustei no inicio, mas esperei Ali dizer alguma coisa.
– Eu espero que não se incomode com lugares apertados. – ela disse enquanto se encostava no espelho da parede do banheiro.
Alison puxou o espelho da parede e para minha supresa, havia uma passagem nele. O quarto de Alison ficava entre o bar e o banheiro, ou melhor, atrás de um banheiro. De todos os lugares que não gostaria de morar, esse com certeza seria um dos primeiros da lista. Ela me conduziu até o pequeno quarto, sem janelas, com apenas um ventilador. As paredes eram cobertas de fotos, informações e localizações, haviam três computadores, vários celulares. A cama era bem simples e eu imaginei que nada confortável. Tinha uma pequena geladeira, mais nada. Ali puxou uma cadeira para mim, depois voltou a porta e passou um cadeado, uma tranca com senha e a ativou com o computador. Ela se sentou na cama e me encarou sorridente.
– Então é aqui que Alison DiLaurentis pendura sua capa... – eu sorri e olhei para os lados, observando os detalhes.
– Era o único lugar disponível na época... Não poderia encontrar lugar melhor.
– Acho que vou ter que discordar de você. – eu olhei para a porta. – Quantos caras bêbados não passam a madrugada, transando, vomitando ou se drogando nesse banheiro?
– Já me acostumei com o barulho. E aqui é seguro... Você é a única que sabe sobre esse lugar.
– Nunca trouxe CeCe aqui?
– Pode apostar que a minha cama está limpa. – nós rimos, mas havia certa tensão na sala. – Eu não posso confiar em ninguém Hanna, já te disse isso.
– Se não pode, por que eu estou aqui?
– Por que você precisa tomar uma grande decisão, e aqui é o único lugar que –A não pode nos atrapalhar. Vcoê ainda está morta para o resto de Rosewood e mesmo que você volte, vai colocar a Aria em um perigo desnecessário.
– Ela foi confrontar o Ezra sobre –A.
– Ela foi o que?! – os olhos de Ali se arregalaram.
– Não se preocupe, ela estava delirando, Ezra não é –A, ele não machucaria Aria.
– Temos que ir! – Alison pega seu casaco preto e joga em cima de mim. – Agora!
– Por que?
– Aria não pode falar com Ezra, ele não é confiável.
– Foi você mesmo quem disse que ela estaria segura com ele!
– Isso se ela estivesse calada! Se a Aria começar a fazer perguntas demais, pode...
Antes que Ali terminasse de falar, todos os telefones naquela sala começaram a tocar. O meu, os de Ali e todos os outros em cima da bancada, assim como uma mensagem no seu computador. Ali digitou rapidamente uma senha, que calou a sala enquanto eu a encarava apavorada.
– Você não disse que –A não sabia sobre esse lugar?!
– E não sabe! – ela cruzou os braços e me fitou. – Você foi seguida.
– Que ótimo, agora o único lugar seguro em Rosewood foi por agua abaixo.
– Ai meu deus...
“Ambulância passando! Ops, acho que agora é a vez da Aria. Cuidado vadias, não vão querem se meter comigo de novo.
–A”
Quando Alison abriu um anexo, havia uma foto de Aria jogada no chão com sangue por cima de todo seu rosto, quase irreconhecível. Eu imediatamente corri para porta e tentei abri-la de qualquer jeito, mas a porta não se movia.
– Não se abre assim.
– Então abre isso agora!
– Não pode confrontar o Ezra, Rosewood pensa que você está morta!
– Se você não abrir, eu vou jogar cada tudo que eu achar pela frente nessa porta, até ela abrir!
Alison clicou na tela duas vezes e as trancas soltaram. Depois, tirou o trinco, passou a senha e retirou a cadeado. Quando eu finalmente me vi livre, antes deu abrir a porta que dava para o bar, Ali agarrou meu braço e me fitou aflita.
– Se vai fazer isso, faça direito. Cuidado. O Ezra é ainda mais perigoso do que você pensa.
Ali me entregou as chaves de um carro e uma máscara preta. Mas eu não pretendia ficar observando as coisas de longe como ela faz, esperando pela melhor parte do show. Eu gostava de estar no show, dar um rumo diferente... Improvisar. Eu sai então como um rojão do banheiro, olhei para o relógio que marcava quase dez horas, e eu não podia acreditar como o tempo passava rápido. Cada segundo que eu estava aqui e Aria no hospital, me fazia pensar em um segundo de diferença entre viver e morrer. Dava para imaginar o que ela havia sentido quando eu havia estado na mesma situação.
E ainda tinha o Ezra. Alison não confiava nele, eu não sabia porque e nem onde haviam se conhecido, mas algo entre eles mostrava certo remorso, pelo menos pela parte dela. Nem imaginava o que Aria estaria passando, até chegar ao hospital e dar de cara com as meninas, tão aflitas quanto eu.
– Não deveria estar aqui, Hanna! – Ems quase sussurrou no meu ouvido.
– Como ela está? O que foi que aconteceu... Como?
– Calma, os médicos disseram que não era alarmante. Mas que precisam esperar ela acordar e ver se ela pode dizer o que aconteceu. – Spencer disse com a voz firme, não havia motivos para não acreditar nela. – Parece que ela...
– Parece que ela o que?
– Alguém acertou ela com um taco de basebol. Duas vezes, com força. – Ems completou.
– Seja lá o que Aria estava fazendo na casa do Ezra, –A sabia, e ele também. – Spencer desviou o olhar para um canto.
Quando eu passei a encará-lo, ele parecia tranquilo. Ezra estava encostado na parede, tomando café, como se nada estivesse acontecendo. Eu abaixei o capuz, assustando as meninas e andei de punhos cerrados em direção a ele. Eu não me importava que alguém ali me visse, nem mesmo –A. Contanto que eu pudesse confrontá-lo e culpá-lo pelo que aconteceu com Aria, minha mente estaria ocupada.
– Quer alguma coisa? – ele me olhou com arrogância, como se nem me conhecesse. Eu tentei me controlar cerrando os punhos com ainda mais força, mas aquele olhar debochado tornava tudo mais difícil.
– Quero que você arda no inferno. – eu disse ríspida.
– Perdão?
Foi a gota d’gua. Eu dei um soco na cara dele e ele arfou de dor por alguns segundos. O que mais me surpreendeu, foi ele não ter reparado que eu na verdade estou viva. A forma como ele me tratou, sugeriria até que nem me conhecia. Eu esperei ele se recuperar e olhar para mim, foi quando ele arregaçou as mangas e eu vi marcas de agulhas por todo seu braço. Ele só podia estar chapado, foi essa a única explicação decente que eu encontrei. De qualquer forma, Ezra não era do tipo que costumava se drogar, nem fazia o tipo dele. Ezra era certinho... E aquilo me dava tanta raiva, porque para mim, ele merecia estar com Aria. Merecia. Antes. Antes de tudo isso.
– É bom começar a pensar em uma história para contar quando a policia vier prendê-lo, seu chapado filho da puta. Vou garantir que apodreça por um bom tempo pelo que fez a Aria. – eu dei de costas e passei por entre as meninas que me seguiram, me levando de cabeça baixa para um banheiro.
A última expressão de Ezra, tinha sido insana. O brilho no olhar dele, era negro como um poço. Não havia luz, nem mesmo bondade, coisa que eu reconhecia nele. Eu não conheci entender, porque até a voz parecia diferente. Quem era aquele Ezra diante de mim? Talvez ele fosse mesmo –A.
– Você ficou louca Hanna?! Isso vai constar na camera de segurança! –A vai conseguir isso rapidinho!
– Cansei de –A, Spencer. Isso acaba essa noite. Quando Aria acordar, ela vai dizer a todos quem é o verdadeiro –A.
– De quem está falando? – Ems pareceu confusa.
– Ezra Fitz. Quem mais poderia ser?
Alison DiLaurentis
Eu olhava de longe, Mason encostado na parede. Não posso mentir e dizer que não tremi quando Hanna o socou, achei que ele fosse matá-la ali mesmo. Mas ele se segurou, e algo na minha intuição dizia antes, que ele estava envolvido nisso. Tudo que diz respeito aos Fitz, ou melhor, aos Fitzgerald, sempre é muito previsível. Acho que é por isso que minha mãe se deu tão bem com um deles...
Ezra apareceu por trás de Mason, segurando sua boca e o puxando para dentro do banheiro. Aquele encontro de irmãos me dava arrepios. Dá ultima vez que participei de um encontro como estes, me lembro de ter acabado humilhada, na noite do meu desaparecimento, quando fui enterrada viva. Não por eles... Mas não iria me surpreender se fosse. Ambos tinham bons motivos para me querer morta. Ambos tem bons motivos para ser –A.
Eu puxei um micro-microfone do bolso, é tão pequeno quanto um brinco. Passei pela porta do banheiro e deixei cair no chão, o chutando para debaixo da porta. Depois me sentei em qualquer cadeira e coloquei o fone. Essa era definitivamente uma conversa que eu queria escutar.
– Já chega de criar problemas com meu nome Mason! Na verdade, porque diabos está aqui? – eu sabia distinguir a voz quase inocente de Ezra, da agressividade de Mason. Os dois podiam passar despercebidos aos olhos de um leigo, mas não aos meus.
– Você sabe exatamente porque eu estou aqui, irmãozinho... Ezzy.

– Para de me chamar assim, não estamos mais no colegial. – a voz de Ezra ficou mais dura. – O que você quer?! Voltar para Radley ou para reabilitação? Deixo você escolher dessa vez!
– O que eu quero, é que você faça a sua escolha certa dessa vez.
– Não vou fazer isso. Essa sua insanidade... Deve estar perdendo a cabeça.
– –A precisa de nós Ezra... Precisa de você!
– Eu não vou permitir que machuque a Aria novamente, ouviu Mason? Essa sua palhaçada acaba aqui.
Ezra dá passos largos em direção a porta, sinto pela proximidade que os passos tem do microfone.
– Só acaba, quando eu disser que acaba! Quando eu disser!
Os passos de Ezra cessam. Foi quando eu escuto um estrondo forte, similar a um soco. Eu aperto o microfone para ouvir melhor e olho desesperadamente para porta. O barulho foi alto, pessoas próximas a porta tinha notado.
– Ah... As coisas que faço por amor... Não é? – Ezra bate os pés e quase sussurra. – Fique longe da Aria.
Vejo quando Ezra sai do banheiro e abaixo a cabeça e o observo de relance. Ele me olha, mas não me identifica, enquanto limpa os punhos machucados. Eu espero o momento certo para me levantar e sair e vou em direção a porta da saída, mas é necessário passar pela frente da porta do banheiro. Temo que Mason saia e foi exatamente o que aconteceu. No esbarrão, eu levanto a cabeça e o encaro e ele me puxa para dentro do banheiro com ele, enquanto eu me debato.
– Tire suas mãos de mim!
– Engraçado... Sinto um dejavú nessa frase.
– Mas dessa vez, você vai tirar. – eu me desvencilho dos braços dele. – O que você quer em Rosewood?
– Vim fazer uma visitinha ao meu irmão mais velho, ou mais novo... Eu nunca tive tempo de perguntar a minha mãe qual de nós dois nasceu primeiro. – as brincadeiras de humor negro dele, me assustavam.
– E quanto tempo vai ficar?
– Te interessa, amor? – ele coloca as mãos no meu rosto e eu as tiro com nojo. – Acho que eu não tenho tempo para um encontro.
– Não tenho a menor intenção de passar tempo algum com você!
– Então é melhor tomar cuidado com quem você passa seu tempo. A nossa última vez em Cape May não foi das melhores... Ou será que estou me esquecendo da noite que você morreu?
– Meus fantasmas vão voltar para te assustar.
Ele me fitou com os olhos fervendo, naquela insanidade que passava pela sua cabeça. Ele se aproximou de mim e sussurrou com uma voz ecoando.
– Os meus também. – e desapareceu dali, me deixando enjoada.
Eu puxo o telefone desesperada, mal conseguindo discar os números.
– Policia de Rosewood? Eu tenho informações sobre a agressão a Aria Montgomery... – eu estava fazendo a coisa certa? Não tinha tempo de pensar. – Tenho certeza que foi o Ezra Fitz.
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