Primeiros Erros

1 Primeiro dia dele


Notas iniciais
Feriado é dia de escrever, e eu tenho andando doida pra postar essa fic pra vocês, então vamos lá! Boa leitura ♥ Segue meu insta, previa de cap... https://www.instagram.com/pensamentosdathayy/

Primeiros Erros

primeiro dia dele

—Finalmente doutora Cullen! — Eleazar diretor do hospital me saudou. Todos os médicos do alto escalão já estavam lá.

—Desculpe o atraso, a cirurgia foi difícil. -Me desculpei em tom baixo e rumei para a cadeira vazia em volta da mesa.

—Meu marido está apenas sendo dramático, não esperamos tanto tempo. -Carmen, a obstetra mais incrível que eu conhecia e pessoa mais amável me tranquilizou.

—Ela está mentindo, você demorou e muito, mas a companhia do novo doutor nos distraiu bastante.

Alice sussurrou ao meu ouvido.

—Então ele já foi apresentado? Posso voltar ao meu trabalho?

—Não, Isabella. Ele foi...ah olha ele aí. Deixe que te ajude Damon. — Eleazar se levantou afobado para ajudar o recém-chegado que tentava equilibrar uma bandeja com salgadinho numa mão e duas garrafas de refrigerante na outra.

Damon. O nome pareceu ecoar no meu cérebro.

Desviei o olhar de Alice para ver o doutor Damon Salvatore.

Todo o meu corpo congelou e tenho certeza que se já não estivesse sentada, teria caído no chão

Era ele. O homem de quinze anos atrás. Esse era o nome dele.

Damon Salvatore.

15 anos atrás.

—Bella, eu realmente não quero ser chata, mas estou cansada, meus pés doem!

—Rose por favor! É Veneza! Não podemos perder nada! — andei na sua frente e abri os braços mostrando a enormidade da praça. Eu estava encantada com tudo! Apesar da noite quente de verão, havia uma brisa fresca que envolvia meus cabelos e os fazia balançar.

Rosalie, minha amada prima, revirou os olhos e juntou os cabelos muito longos num coque frouxo.

—Eu realmente estou cansada Bella. Teremos um mês inteiro para explorar a cidade, acabamos de chegar.

—Mas eu não quero perder um minuto!

Comecei a dar piruetas na praça, rindo. Esse intercâmbio era o meu sonho!

—Você parece uma criança! -ela estava mesmo brava, porém eu não deixaria seu mau humor me afetar.

—Cuidado! A advertência dela veio tarde demais, uma bicicleta me atingiu com força me levando ao chão.

Eu ri mais ainda apesar da dor. Rose estava ao meu lado em um segundo.

—Ótimo, tia Renée vai me matar se a filha dela morrer aqui!

Eu estava mesmo eufórica, ria muito da situação. Por cima da minha risada havia as broncas de Rosalie, e a voz do rapaz que havia me atropelado.

Ele se desculpava em italiana.

Suas mãos me procuravam afoitas, tentando me levantar, garantindo que eu não tinha me ferido acho. O vestido leve de verão teve seu preço, e como resultado eu tinha os joelhos ralados. Apesar da ardência eu ria.

percebendo que nenhuma de nós falava a língua dele, o jovem começou a falar a nossa de forma hesitante.

—Se machucou? — Ah esse sotaque! parei de rir, e olhei bem para seu rosto. Senti que meu coração parou, e depois voltou a bater num ritmo completamente novo e enlouquecido.

—N-não. — Gaguejei. Droga, eu não gaguejava!

Fiquei presa nos olhos azuis dele, eu nunca tinha vista tom mais claro, seria possível? E a força do seu olhar… senti minhas pernas fraquejarem, e agradeci por ele manter um braço firme em minha cintura. Aqueles olhos claros era um contraste incrível com seus cabelos escuros e bagunçados. Tive que olhar para cima para ver bem seu rosto, ele era bem mais alto que eu.

Me senti meio boba naquela situação, presa em seus braços, mas não fiz nada para sair dali. Parecia uma cena de filme e eu aproveitaria cada momento nos braços daquele italiano lindo.

Isso se eu não estivesse com a minha prima Rose.

—Claro que a machucou, o joelho dela está sangrando! você não olha por onde anda? -Como Rosalie podia ser imune a beleza desse Deus italiano e ainda brigar com ele?!

Ele corou adoravelmente sob as broncas dela.

—Scusa. — disse com os lábios fazendo um biquinho. Ah, eu com toda a certeza iria amar beijar esses lábios.

Comecei a pôr meu plano nem tão planejado em prática.

—Rose, está ardendo muito, pode voltar a pensão e pegar gelo?

Ela arregalou os olhos escuros para mim.

—De jeito nenhum vou deixá-la sozinha, vamos garoto, me ajude a levar minha prima para dentro, a pensão não fica longe.

Não sei se ele não entendeu o discurso rápido de minha prima, ou se achou engraçado a forma como ela o tratava, afinal com toda certeza ele tinha a mesma idade que nós duas, ou um pouquinho mais velho só.

—Acho melhor eu ficar aqui, se me mover pode sangrar mais. — Nem estava sangrando para isso, contudo Rose acreditaria.

—Tudo bem, mas se ele quiser te tirar daqui, grite. — Ela disse e correu.

Sacudi a cabeça inconformada com o jeito da minha prima. Como ela podia ser indiferente ao lindo italiano que eu tinha em meus braços?

—Realmente não está machucada? — Ele sussurrou no meu ouvido causando arrepios por todo meu pescoço, coluna, braços, o que vibrou em meu baixo ventre, mandando aquela corrente de energia para o meio de minhas pernas, ótimo, calcinha molhada.

Ele tinha um sorriso safado brincando no canto da boca, então ele sabia o efeito que tinha nas mulheres, em especial sobre mim naquele momento.

—Você sabe que não, foi só um arranhão. — Pisquei e me desvencilhei dos seus braços para manter alguma distância. Ele ampliou o sorriso.

—De férias?

—Mais ou menos, intercâmbio. Você é daqui, certo?

—Nascido e criado. — Ele se inclinou e ofereceu a mão num floreio para beijar a minha. Eu aceitei.

—Americanas ou inglesas?

—Americanas. — Confirmei.

—Apesar de você não ter se machucado muito, me ofereço para ser seu servo durante sua estadia aqui, como forma de desculpas.

—Tem certeza? Posso exigir sua companhia constante.

—Estou contando com isso. — Sussurrou

E foi aí que começou o melhor verão da minha vida. Com aquele sorriso, aquele bendito sorriso, com aqueles olhos, aquela boca, aquele olhar….



—Bella?! — Alice estalava os dedos na minha frente me trazendo de volta a realidade.

Eu olhava o novo médico congelada no lugar.

—Oi Ali. — Sussurrei tentando voltar ao presente.

—O Dr. Salvatore está se apresentando para você! — Ela cochichou sorrindo sem jeito para o homem à minha frente. Seus olhos estavam ligeiramente divertidos, ele tinha me reconhecido. Já fazia quinze anos, e ele tinha me reconhecido.

—É um prazer conhecer uma neurocirurgiã tão jovem e brilhante, Eleazar falou muito sobre você. — Ele estendeu a mão, como quando nos encontramos pela primeira vez, e eu vi minha mão ir para junto da sua e ele a beijou. E piscou para mim! Como ele ousa?!

—Finalmente deixamos as formalidades de lado, continue a me chamar de Eleazar. — Meu chefe aprovou.

Se anos antes meu coração disparava enlouquecido na presença desse homem — Demon — hoje ele tinha ido embora, eu não o sentia bater, todo o meu corpo estava frio.

—Bella você está bem? parece pálida. — Alice tomou o meu pulso, eu podia sentir meus batimentos fracos sob sua pressão.

—Ah o seu plantão foi duro, fora as cirurgias marcadas, teve duas de emergência, a propósito, você devia ter largado o plantão a seis horas. — Tanya, diretora do RH disse com a voz severa, ela estava sempre tentando fazer com que nós não passássemos do horário, o que quase sempre era impossível.

—Acho que pulei algumas refeições. — Sussurrei ainda petrificada olhando para o homem diante de mim.

—E eu tenho certeza que você não comeu nada! Vou ligar para Edward vir te buscar, não vou deixá-la dirigir para casa assim.

—Não precisa Ali, vou comer algo antes de ir. — A menção de ter Edward, meu lindo e dedicado marido, vindo me buscar no trabalho na minha atual condição, me fez voltar a realidade.

—Bom, então coma algo. — Eleazar disse rude, tentando esconder sua real preocupação comigo. — Só queria te apresentar ao Dr. Salvatore, que estará na sua equipe a partir do seu próximo turno.

Eu deveria ter visto uma foto dele antes, Alice tentou me mostrar, mas eu estava tão focada nos pacientes do dia que dispensei, se tivesse visto o teria reconhecido e evitado esse constrangimento.

—Seja bem-vindo, Dr Salvatore, espero que logo esteja encabeçando sua própria equipe. — Consegui usar o tom mais normal. Ele me deu seu maldito sorriso.

—Assim que possível Dra…

—Cullen. Isabella Cullen.

Me despedi dos demais na sala de forma rápida, e corri para minha a fim de pegar minhas coisas. Alice me seguiu.

—O que foi aquilo?! Parecia que você tinha visto um fantasma!

Eu não poderia confessar a ela que eu tinha sim visto um fantasma, um lindo e delicioso fantasma que habitava minhas memórias da juventude e que apenas Rosalie tinha conhecimento.

—Eu realmente não comi nada. — Justifiquei. — Minha pressão baixou um pouco.

—Ok, vou engolir essa. — Ela cruzou os braços na frente do corpo, olhei sua pequena figura, o rosto rendendo, os olhos grandes, o cabelo comprido, ela realmente devia ir para a pediatria, as crianças iriam amá-la.

—Por que está me olhando assim? — ela se encolheu e eu tive que ri, o som saiu meio nervoso, como seu eu estivesse prendendo o choro.

—Você parece uma fada, devia mesmo ir para pediatria. — Terminei de pôr minhas coisas na bolsa e desliguei meu computador.

—Ah eu gosto de lá, mas não dá pra mim, eu choraria com as mães, com os pais, com as crianças e com as enfermeiras. Você sabe, nem sempre as notícias são boas, e lidar com crianças na minha área… — ela encolheu os ombros. Alice era da Oncologia.

—Eu sei. -Sorri triste para ela. depois suspirei. — Me acompanha até o refeitório?

—Com certeza, vou fazer um lanche, não quero passar na mal na frente no novo Dr. Gostoso como você. -Ela riu.

—Muito engraçado.

—Fala sério, aquele homem é muito gostoso, imagina só tudo aqui na nossa festa de fim de ano? Pena que é casado.

—Ele é? — Espero que ela não tenha notada o interesse na minha voz.

—Você não reparou aliança super grossa no dedo dele? — Ela sacudiu a cabeça sonhadora. — Quando um homem desses vai colocar uma aliança no meu dedo? — Suspirou.

—Quando você parar de ser tão exigente; alta, mas nem tanto, loiro, mas nem tanto, nem muito magro, nem muito bombado. — Imitei sua voz fina. Ela me empurrou com o ombro, mas riu.

—Eu não sou muito exigente, um homem como Damon Salvatore já estaria bom. Ou o Edward. — Ela me olhou cética.

—Você está mal, por que Edward é casado, comigo, e esse Damon — Falar seu nome me deu um frio na barriga — Parece ser bem casado.

Ela suspirou.

—Parece que eu cheguei atrasada, todos os bons partidos já estão casados depois dos trinta.

A abracei pelos ombros.

—Não, nós vamos arrumar o marido perfeito para você.

Seus olhos brilharam.

—No máximo na nossa festa de fim de ano?

A festa de fim de ano seria dali a três semanas, era um marco no hospital, já que fechávamos um hotel durante um fim de semana. Os residentes sempre eram os que mais se divertiam, e davam vexame.

—No máximo nessa festa. — Prometi

Fiz um lanche rápido, e ela insistiu em me acompanhar até o carro, com o pretexto de que se voltasse não faria o horário de intervalo correto.

—Está bem mesmo para dirigir? — Ela protelou ao lado da porta do motorista.

—Sim, estou. Foi só uma queda de pressão. — Garanti.

—Me avise quando chegar a casa, ou eu conto o bombeiro gostoso que a esposa dele não se alimenta direito.

Agindo de forma infantil mostrei minha língua para ela e dei a partida.

É claro que fui assolada com mais lembranças de Damon no caminho para casa.

—Você não é uma princesa ou coisa assim, não é? — Ele disse com falso alarme nos olhos.

Fingi pensar.

—Não mesmo, jamais me deitaria com um plebeu se fosse princesa. — Ri saindo de sua cama enrolada no lençol, parei em frente as grandes janelas de vidro, a noite de verão era agitada a baixo de nós.

—Eu só consigo pensar nisso, para você não querer revelar o seu nome. — Ele estava sentado agora, recostado na cabeceira da cama, o lençol branco cobrindo seu corpo da cintura para baixo.

Não era possível eu sentir tanto desejo por ele, tínhamos acabado de transar!

—Só temos mais quinze dias juntos, então voltarei aos Estados Unidos, começarei a faculdade de medicina, e não terei tempo para nada. — Desabafei olhando a noite. — É muito melhor assim não acha? Será mais difícil de você me preocupar e confundir minha vida acadêmica.

—Vai começar a faculdade… então tem dezoito anos.

—Isso. -Confirmei. — E você?

Me sobressaltei com seus braços me envolvendo, mas logo relaxei deixando que me puxasse para perto, minhas costas em seu peito nu.

—Então a idade é algo seguro a compartilhar? Tenho vinte.

—Faculdade?

—Não… não sei se quero fazer isso.

—Isso o que? — Me libertei de seus braços para olhar seu rosto tão bonito. A diversão parecia tê-lo deixado.

—Uma profissão, para o resto da vida.

—Não precisa ser para o resto da vida. Pode fazer algo que gosta hoje, depois outra coisa, depois outra....

Ele fez uma careta.

—É preciso investir muito tempo nisso. — Sua careta foi tão fofa que puxei seu rosto para um beijo.

—Não é um sacrifício se gostarmos. Eu amo a medicina.

—Então estou transando com uma futura médica. — Ele me beijou mais fundo, as mãos puxando o lençol para deixar meu corpo exposto como o seu.

—Sim. — Sussurrei em seus lábios.

O lençol caiu aos meus pés e ele me conduziu para fora deles, me imprensou de costas para a parede, ao lado da janela, seus lábios deixaram os meus buscando meu pescoço fazendo pequenas sucções ali, ah ele deixaria marcas. no meu corpo, minha alma.

Ele mordicou o lóbulo da minha orelha sussurrando palavras em italiano que eu não entendia, o que só poderia significar duas coisas; ou eram obscenidades, ou eu não estava absorvendo nada do meu curso de verão. eu torcia para ser a primeira.

De repente ele puxou minha perna esquerda a encaixando em seu quadril, levantei a outra circulando sua cintura com ambas, encaixando nossos sexos, gemi com o contato, seu pau duro friccionou meu clitóris causando um choque de prazer, e eu não podia esperar, eu precisava dele dentro de mim.

—Vem. — Ronronei em seu ouvido. Ele deslizou para dentro de mim sem cerimonias.

Arfamos com o contado. Abri os olhos e o encontrei focado em mim, azul, um oceano escuro, parecia em tempestade. Tanto a ser dito para que nós conhecêssemos, era isso que diziam não? Conversar contar sobre o presente, passado e planos futuros... mas nada disso era relevante entre nós, e nenhuma palavra era necessária. Já parecíamos nos conhecer perfeitamente bem. Ficamos apenas nos olhando, pele na pele, nossos corpos conectados. Então eu me mexi, buscando mais, e ele começou a entrar e sair de dentro de mim, cada ir e voltar eram como as ondas da maré, numa tempestade, ah eu não sabia mais com o que comparar o que ele me fazia sentir.

Foi demais, era de mais e quando atingi o clímax encostei a cabeça em seu ombro e deixei que ele me invadisse, até finalmente se libertar dentro de mim.

—Ah! – O gato pulando no capô do carro me trouxe de volta ao presente.

—Miau. – Ele me olhava como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. Yuno era um saco de pelos muito, muito estranho.

Sai do carro olhando em volta, como eu tinha chegado na garagem de casa? Só esperava não ter atropelado ninguém no caminho.

—Vem cá sua bola de pelos. — O peguei de cima do carro, ele estava bem gordo, o veterinário iria reclamar de novo.

—Miau. — Ele se alinhou nos meus braços, fazendo carinho com sua enorme cabeça.

—O que você comeu nesses dois dias em? pizza eu aposto. — Entrei pela porta da garagem, que dava na cozinha, àquela hora da tarde não deveria ter ninguém em casa.

—Eu vou pegar mais batatinhas! — o grito de Enzo me alertou do contrário. Ele parou no meio da cozinha ao dar de cara comigo, o celular em uma mão, a outra com uma tala imobilizadora do polegar ao pulso. -Mãe?!

Revirei os olhos pondo Yuno no chão.

—Porque esse choque? Eu moro aqui. -Coloquei minha bolsa no balcão.

—Achei que você estivesse de plantão. — Ele deu de ombros.

Enzo estava naquela fase com seu aniversário de quinze anos assomando no horizonte. Meio criança para uma coisa (responsabilidades) adolescentes para outras (posso cuidar de mim mesmo!)

—Eu estive dois dias de plantão, eu devia estar em casa… — Olhei o relógio em meu braços. — Seis horas atrás.

Ele fez uma careta.

—Tem adolescentes na minha casa? — Me preparei para a bagunça que encontraria.

—Só algumas pessoas do time, sabe nós ganhamos hoje. — Ele disse com a cabeça dentro do armário da cozinha.

Merda, o jogo! Meu filho era goleiro do time de futebol da escola, o qual Edward seu pai, era treinador. E eu quase nunca ia aos jogos. Esse eu tinha prometido, preparado todo o tipo de alarme para não esquecer…

—Desculpa filho, eu tive duas cirurgias de emergência...

—Tudo bem, mãe, já sei. — Ele deu pouco caso. — Nós ganhamos. — Falou voltando a me olhar, finalmente com o saco de batatas nos braços.

Enzo estava… diferente. Quando foi que seu rosto tão cheinho ficou mais fino? E essas espinhas? Os olhos azuis pareciam mais sérios.

—Filho eu…

—Ta tudo bem. — Ele se levantou só um pouco para beijar minha testa. — Vou ficar com os meninos na área lá fora, jogando vídeo game, para não fazer barulho. Você comeu? O papai fez almoço, deixou um prato pra você na geladeira.

—Ele foi pro plantão? — Edward era bombeiro, ele combinava suas escalas para treinar o time de futebol da escola.

—Sim ele ficou a noite hoje por causa do jogo. Come, toma um banho e dorme tá? Não vamos fazer barulho. Vem Yuno, a mamãe tem que descansar.

Fiquei imóvel na cozinha, olhando meu filho equilibrar nosso gato em um braço e o saco de batatinhas no outro, chamar os amigos para fora.

Quando o meu filho tinha ficado tão responsável? Pior quando ele tinha começado a cuidar de mim?

Eu precisava descansar, a presença de Damon não iria me abalar assim, eu o teria na minha equipe por pelo menos seis meses, seu período de avaliação, até que ele tivesse a própria. Ele me reconheceu, e agiu como se não me conhecesse, é claro, afinal nunca nos apresentamos de forma adequada.

Eu ri sentindo meu rosto esquentar. ‘’De forma adequada’’, passei um mês transando loucamente com ele! Não nos apresentarmos só tornou tudo mais… fantástico.

Damon Salvatore… o nome parecia a cara dele. Era estranho saber seu nome agora, dar um nome a pessoa das lembranças que eu guardava tão fundo na minha mente, que às vezes achava fazer parte de um sonho.

Damon Salvatore era real, era médico, faria parte da minha equipe médica e eu teria que esquecer o que vivemos.

Nossa, isso não poderia ser difícil! Estava no passado, coisa de jovens e irresponsáveis, algo completamente diferente do que éramos agora.

Ele não tinha nenhum poder sobre mim ou coisa assim.

Decidi que um banho de banheira era o que eu precisava, enchi a banheira, coloquei meus sais de banho favoritos, e ao me despir e entrar nela relaxei. Meu corpo precisava muito disso.

Estava tão cansada que acabei adormecendo e fui despertada por beijos em meu pescoço.

—Não acredito que você já está em casa. — Sussurrei. O cheiro de Edward me invadiu, suor misturado ao seu perfume favorito.

—Emmett está me cobrindo. — Emmett Mccarty era o melhor amigo dele. — Vem, eu te ajudo a sair.

Fiquei em pé e ele enrolou na toalha como se eu fosse criança.

Eu estava sonolenta e com o corpo rígido.

—Quanto tempo fiquei aqui? — Perguntei deixando que ele me carregasse no colo.

—Acho que duas horas no máximo. — Ele me colocou com carinho na cama, me aconcheguei nas cobertas.

—Deita aqui. — Chamei manhosa.

Ele tirou a camisa vermelha do uniforme, e a calça, eu não o vi de botas então ele tinha tirado na entrada como era seu costume. Ficando só com a cueca box azul marinho ele se deitou ao meu lado e me puxou para seus braços.

Deitei a cabeça em seu peito me sentindo confortável.

—Não vai ter problemas por sair no meio do turno?

—As coisas estão tranquilas, se houver necessidade Emmett vai me ligar.

—E passar aqui pra te buscar com o caminhão dos bombeiros aposto. — Levantei a cabeça para olhar seu rosto tão querido. A barba como sempre bem-feita, o queixo quadrado, os olhos verdes brilhantes, transmitindo todo o amor que sentia que sentia por mim.

Ah, eu era uma mulher de muita, muita sorte.

—Então o que achou de Damon?

—Como?! -Fiquei atônica com o seu questionamento.

—Damon Salvatore, o novo médico.

Franzi a testa para ele, como Edward sabia de Damon?

Ele riu da minha expressão de pânico.

—Eu sabia que você não estava prestando atenção quando eu te falei. — Ela sacudiu a cabeça descrente. -Amor, eu indiquei o Damon ao Eleazar. Eu te disse isso.

Uma conversa durante o jantar se fez presente nas minhas lembranças, de fato Edward havia comentado algo sobre um amigo dele médico estar se mudando para Chicago.

—Era esse Damon? — perguntei cautelosa. Eu nunca havia contado a Edward sobre esse relacionamento meu em especial. Conheci meu atual marido no mesmo dia em que deixei Damon na Itália para voltar aos Estados Unidos. Por mais que já tivéssemos conversados sobre relacionamentos passados, esse em especial nunca falei.

Damon era uma aventura gostosa de ser lembrada, e eu tendia a deixá-lo para mim, no meu íntimo. Afinal nem o nome dele eu sabia até poucas horas atrás!

Descobrir que Edward o conhecia…

—Vocês não são amigos no Facebook ou coisa assim? -Questionei tentando ser leve. — Nunca vi uma foto desse cara!

—Nunca te mostrei? -Ele parecia em dúvida. Eu tinha certeza que não, isso não passado despercebido. — Damon não é muito de redes sociais, mas deve ter fotos nossas juntos bem lá de trás. Ou em algum lugar dos meus álbuns de fotos.

—E de onde vocês se conhecem mesmo? — Não o olhei ao fazer a pergunta, concentrada demais em brincar com os pelos poucos pelos no seu peito.

Ele me olhou exasperado.

—Bella, Damon e eu crescemos juntos. Eu passava todos os verões na casa dos meus avós na Itália. Damon era vizinho deles.

puta. que. me. pariu.

O meu Damon era o mesmo Damon, amigo de infância de Edward, que eu nunca dei atenção as histórias? Eu não poderia ser um pouco mais curiosa?

—Desculpe amor, eu só estou muito cansada hoje. — Me estiquei para beijá-lo. Ele bufou, mas correspondeu ao beijo com entusiasmo me apertando junto ao seu corpo, uma mão no meu rosto e o braço que circulava minha cintura se esticou com a mão no meu quadril, alisando minha bunda.

—Cansada demais para fazer amor? — Sussurrou.

—Eu não seria muito participativa. — Avisei.

Ele soltou um som de descontentamento do fundo da garganta.

—Então é melhor deixá-la dormir. -Ele se afastou um pouco e beijou minha testa. — Você deve estar mesmo muito cansada, nem brigou por eu ter deitado sujo na cama.

Torci o nariz.

—Estava feliz demais por ter meu marido comigo.

Ele me respondeu com aquele tipo de sorriso que fazia meu coração acelerar.

—Vou ver o que nosso filho está fazendo, tomar um banho e volto para você, e aí você me conta tudo o que achou do Damon.

—Eu só fui apresentada a ele. — Puxei as cobertas para me cobrir melhor.

—Mesmo assim, quero saber suas impressões. Não durma!

Reforçou e saiu.

É claro que eu iria dormir, nem o pequeno nervosismo pelas descobertas de hoje seria capaz de me manter acordada.

Minha aventura da juventude trabalharia comigo. E daí?

Ele era amigo do meu marido. E daí?

Isso já tinha passado, iremos fingir que nunca nos víamos e tudo daria certo.

Afinal ter um ‘’ex-cazinho’’ de férias quinze anos depois vivendo por perto não era algo para alarde. As coisas vão continuar como estão, eu iria ajudá-lo na transição dentro do hospital e só. Nunca iremos tocar no assunto do que vivemos.

Minha certeza absoluta quase me fez dormir tranquila, porém eu ainda estava meio acordada quando Edward se deitou ao meu lado de banho recém tomado. E eu o abracei temerosa sobre o que poderia pensar se descobrisse que já tinha me relacionado com seu amigo de infância.

Notas finais
O que esperam? Gente bora comentar que isso dá uma vontade de escrever enorme! bjs >