Primeiros Erros

4 Primeiro contato


Notas iniciais
oi oi oi!!!! Só porque é feriado e eu to de boas no trabalho resolvi já trazer para vocês Segue meu insta, previa de cap... https://www.instagram.com/pensamentosdathayy/ Boa leitura ♥

Primeiro Contato

Passar meus dias em um hospital no posto de acompanhante era algo novo e intrigante. Eu ficaria mais complacente com os acompanhantes dos meus pacientes.

Logo que a medicação foi retirada de Enzo e ele acordou, foi transferido para a UTI, onde passou uma semana. Na nossa segunda semana no hospital ele foi para o quarto e nossa família veio visitá-lo e Edward resolveu que era hora de contá-lo o que tinha acontecido aos seus amigos.

–Não acho que devemos falar para ele sobre Jullian, vai ser um golpe e talvez prejudique a recuperação dele.

–Bella ele tem que saber. É melhor que saiba por nós do que por algum amigo que logo virá visitá-lo.

Eu discordava fortemente daquilo, mas Edward sempre parecia saber o que era melhor.

–Acredite em mim, adolescentes tem seu próprio jeito de sentir as coisas, e nada é comparado a revolta de quando escondemos algo dele. Vamos? — Ele me convidou ao abrir a porta.

Nosso filho estava num quarto sozinho é claro, como filho de uma das médicas mais importantes do hospital não poderia ser diferente. O quarto era espaçoso e estava coberto de balões e ursos que ele havia recebido de amigos dele, e amigos nossos.

–Pai, você trouxe o meu notebook? — ele estava sentado recostado nos travesseiros, respirava sem ajuda os pulmões se recuperando como o esperado. A perna ainda suspensa no ar com os fixadores. Aquilo ficaria com ele por meses ainda.

–Bom dia para você também, rapaz. — Edward foi para o lado dele bagunçando seus cabelos.

–Bom dia pai — Remungou.

–Dormiu bem? — O abracei e beijei na bochecha.

–Sim. — ele me beijou de volta.- Achei estranho você não estar aqui quando acordei.

–Desculpa filho…

–Não estou chateado mãe! — ele riu. — Ficou feliz, você precisa descansar.

–Ela só foi comer comigo na cantina. — Edward esclareceu abrindo as janelas. — E quanto ao seu nootebook, ele está no carro. Como você deve receber muitas visitas hoje achei melhor deixar por lá por enquanto. Precisamos conversar.

–Edward… — Eu não queria que meu filho sofresse com isso.

–O que houve? — Enzo olhou de um para outro buscando respostas.

Edward puxou uma cadeira da pequena mesa que havia no quarto e se sentou ao lado dele.

–O acidente foi muito grave, filho. Todos os seus amigos se feriram… uns mais que outros.

–Achei que eu tivesse me ferrado mais, sabe? Porque eu estava em pé. — Ele fez uma careta. — O Jullian também estava, fomos tão idiotas…

–Filho o Jullian morreu. — Edward soltou, sem mais preparação.

Prendi a respiração esperando a reação do meu filho. Sei lá, gritos e revolta talvez. Só que mais uma vez ele me surpreendeu agindo no oposto ao que eu esperava.

–Eu imaginei. Sabe você não falou dele desde que acordei. — Ele disse para o pai. -Antes de apagar eu vi ele no ônibus… ele parecia morto. — Sua voz falhou no final.

–Filho eu sinto muito. — Falei afagando sua bochecha. alguns lágrimas escorreram por ali e as limpei.

Ficamos um pouco sem falar, deixando que ele se expressasse como achasse melhor.

–A vida é uma merda. — ele sussurrou para ninguém em especial. — As pessoas morrem pai.

Ele olhou para Edward com tanta dor que o abracei.

–Como você aguenta mãe? você vê gente morrer todo dia. — Ele me abraçou mais forte pela cintura.

Se fosse um residente eu teria dito ‘’não é meu parente’’, mas aquele era meu filho que acabara de perder um amigo.

–Eu digo para mim mesma ‘’foi o melhor. Talvez se ele sobrevivesse teria sequelas que não conseguiria lidar.’’

–Você tem razão. Eu provavelmente não vou mais jogar bola, mas tudo bem eu nem gostava tanto assim. Mas o sonho do Jullian… era ser jogador. — Ele engasgou na última frase e chorou.

Sua cabeça ficou em meu peito e permiti que ele chorasse buscando passar consolo para ele, meus olhos o tempo todo em Edward tentando ver uma forma de como agir.

Edward era tão melhor que eu, por que ele não dizia algo sábio que fizesse nosso filho parar de chorar?

–Filho você vai ficar, ok? Só se permita melhorar, tenho certeza que é não é tão ruim quanto parece. — Ele disse olhando a perna suspensa.

Na verdade era sim tão ruim quanto parecia, e nosso filho demoraria um bom tempo e muita fisioterapia para poder voltar a andar sem a ajuda de muletas, mas eu estava sendo prática e isso não ajuda. Eu tinha que ser otimista, esse era meu papel de mãe.

–Você vai ficar bem, querido. Vai estar correndo por aí antes do esperado.

Acho que minha voz soou falsa, porque tanto pai quanto filho reviraram os olhos e trocaram um sorriso.

–Obrigado mãe, sei que vou ficar bom porque você está cuidando de mim.

–Na verdade não sou eu, não como médico pelo menos. o Doutor Salvatore que assumiu o seu caso, já que nosso parentesco os leva a acreditar que não posso cuidar de você profissionalmente. — Deixei que a ironia tingisse a minha voz. Teve o efeito esperado e ele riu.

–Tenho certeza que é um bom médico, se a senhora o aprovar.

–Ele salvou a sua vida, então sou eternamente grata a ele.Minha voz ficou embargada, e eu estava cansada de chorar. -Vou ver se o seu médico chegou, já volto. — O beijei na bochecha.

Encontrei o dito médico na sala da matinal, ele estava designando os residentes. Fiquei a porta observando a cena, ele tinha maestria e confiança com os mais novos, parecia estar em casa não um novato.

Os jovens perguntaram como eu estava e como Enzo estava, os respondi de forma rápida.

–Tenham um bom dia e não me envergonhe com o doutor Salvatore. — Recomendei.

Esperei que estivessemos a sós para falar.

–Fico feliz que esteja bem à vontade por aqui. — Falei recolhendo alguns copos com resto de café e jogando no lixo. Não brigamos muito com eles por isso, sabíamos que estavam sobre muita pressão com provas e o expediente, fazer vista grossa por um pouco de bagunça era rotina.

–Todos tem me ajudo bastante.

–Claro. — Eu não sabia bem o porque, mas vê-lo no meu lugar me deixou com um gosto amargo na boca.

Damon pareceu perceber, deixou seus papéis na mesa e passou as mãos pelos cabelo.

–Não quero pegar o seu lugar nem nada disso.

–Não estou preocupada com isso. — Logo o contradisse, mas o gosto amargo persistiu. Respirei fundo. — Estou muito grata que tenha salvado meu filho. Se você não estivesse aqui…

—Outro médico competente faria às honras. Por falar nele tenho que visitá-lo.

–Foi por isso que vim atrás de você. — confessei. — Não imaginei que Eleazar deixaria você encarregado dos residentes.

–Foi uma surpresa para mim também, espero alcançar as expectativas dele.

–Continue assim e consiguirá. — Fiquei meio desconfortável, sem ter mais o que acrescentar.

–Vamos então? — Ele me indicou a porta. Assenti e andei em sua frente.

–Os internos estão indo bem o caso da menina com o tumor no cérebro.

Ah meu bom Deus, eu estava sendo negligente.

–Eleazar pegou o caso. — Ele logo esclareceu quando viu meu olhar de pânico.

–Me mantenha informada. — Pedi. Abri a porta dando passagem para que ele entrasse. — O médico na frente. — Tente brincar.

–Bom dia. — Damon comprimentou.

Edward estava sentado ao lado de Enzo na cama e os dois riam de algo que Edward mostrava para ele no celular.

–Esse é o homem! -Edward se levantou sorrindo brilhante para Damon. -Meu amigo, e sabia que deveria te manter por perto.

Eles se abraçaram dando tapinhas nas costas.

–E eu sou eternamente grato pela oportunidade que você conseguiu para mim aqui. Como estamos hoje Enzo?

–Reflexivos. Fiquei sabendo que meu melhor amigo morreu. A vida não é curta?

Troquei um olhar tenso com Edward.

Damon quebrou o clima gélido que se instalou soltando uma sonora gargalhada.

–Depende de como você a leva. É triste que seu amigo tenha morrido, assim tão jovem. Mas ele com certeza fez a diferença no pouco tempo de vida que teve, você nunca irá esquecê-lo, nem o que aprendeu com ele, os pais dele foram completamente transformados através do nascimento dele, qualquer pessoas que ele conheceu durante esses poucos anos de vida, absolutamente todos, terão algo a falar sobre ele. E sabe o que mais? Ele se tornará um santo. Quando as pessoas morrem só lembramos do que fizeram de bom.

—Doutor, você é estranho. — Enzo disse serio. — Quando vou poder ir embora?

–Logo eu espero.

Ele examinou Enzo por um tempo enquanto Edward e eu esperávamos pacientes mais próximos da janela.

–Seus pulmões estão bons, logo vou te dar alta. E quanto a essa perna… muita fisioterapia, e uma dose de determinação e você ficará novinho em folha.

–Não disse? — Me aproximei de Enzo. Ele fez uma careta para mim, mas pude notar que estava contente.

–Há quanto tempo você e meu pai se conhecem?

Damon e Edward trocaram um olhar.

–Não sei, desde que seus pais te trouxeram até minhas terras? -Ele brincou coçando o queixo.

–Acho que tínhamos uns sete ou oito anos. O vovô levava a gente para pescar num lago. — Os olhos de Edward brilharam ao lembrar o avô falecido.

–E o Edward não sabia nadar. Você tinha que ver o seu pai achando que se afogaria no raso.

Damon e Edward se lançaram a história de sua infância em conjunto, e pude observar que era exatamente isso; uma infância em comum. Eles cresceram e não continuaram a amizade, por isso eu não sabia da existência direta de Damon na vida de Edward — porque isso não existia- e não cruzei com Edward durante o meu verão na Itália.

Eles foram amigos na infância, não eram amigos de infância. Isso me trazia algum alívio.

Logo Damon nos deixou para ver seus (meus!) outros pacientes. passamos a manhã apenas nós três no quarto, joguei video game com eles, e apesar de não ser o melhor momento de nossas vidas, pude perceber que esses pequenos momentos em família me faziam falta. Se esse acidente serviu para algo, foi para abrir meus olhos para o que realmente importava.

Depois do almoço , no horário de visitas os pais de Edward e os meus pais apareceram.

Não fiquei realmente muito surpresa com a presença do juiz Swan, afinal Enzo era seu neto, seu garoto, o filho homem que ele sempre quis ter.

Minha mãe parecia desconfortável, com certeza doida para cumprir seu papel avó e correr para algum compromisso social ou apenas para um de seus afazeres; Renée odiava hospitais.

Os pais de Edward estavam preocupados e simpáticos como sempre. Eu às vezes me perguntava que tipo de pessoa seria se tivesse nascido na família Cullen e Edward na Swan.

—Aquele motorista vai apodrecer na cadeia. — Charlie disse firme ao lado do leito do meu filho.

–O Sr. Lee não teve culpa. -Enzo disse.

–Filho ele estava sob poder de remédios daquele dia. Não deveria nem ter ido trabalhar. — Edward disse tentando ser imparcial.

Enzo mordeu o lábio, uma típica atitude herdade de mim, mas sua bondade infinita era de Edward, ele procurava um argumento para defender o motorista.

–Ele não queria ferir ninguém. -Disse baixo sabendo que seu argumento era fraco.

–Mas feriu todos, e matou dois. -Meu pai foi grosso.

–Pai. -Adverti vendo a tristeza voltar ao rosto do meu filho.

Charlie bufou, mas entendeu.

–Ele cometeu um crime,garoto. terá que arcar com as consequências.

–Mas quem vai ficar com a filha dele? — Enzo arqueou uma sobrancelha.

–Ela está num abrigo, é claro.

–Acho que falo em nome de todos quando digo que não estou entendo. — Carlisle se fez ouvir, ao lado de Edward no sofá. Estava com terno impecável azul marinho, que o dava um ar mais sério do que ele era. Os cabelos louros estavam ficando mais ralos, a idade estava chegando, contudo continuava tão bonito quanto no dia em que o conheci.

–Charlie já conversou com alguns amigos, e ele irá julgar o caso desse motorista. — Minha mãe explicou sem tirar os olhos da tela do celular.

–Pai você não deveria se meter nisso.

–Não me meter? — ele me olhou incrédulo, o bigode tremendo. Os olhos castanhos em chamas. — Ele quase matou o meu neto, Bella. O seu filho por sinal.

Estremeci. Esme ao meu lado afagou meu braço.

–E os pais das outras crianças estão revoltados também. O delegado responsável é tio de um dos garotos que morreu.

–Então o senhor vai ser julgado duramente. — Edward disse baixo para ninguém em especial.

Enzo tinha a testa franzida, provavelmente pensando que era tudo muito injusto com o tal motorista, mas o homem tinha de fato quase tirado a vida do meu filho e eu queria justiça.

–Ele tem uma filha de três anos. A mulher faleceu no ano passado, ele cuida da menina sozinho. — Enzo explicou nos olhando suplicante.

–A criança está sendo muito bem cuidada no abrigo. — Charlie disse inflexível.

–Vocês não entendem… — Ele tentou voltar, mas para nossa salvação Emmett abriu a porta com força trazendo um saco enorme nos braços.

–Onde está o meu sobrinho favorito?!

–Oi tio! — Enzo sorriu verdadeiramente ao vê-lo.

–Eu trouxe muita comida de verdade para você se curar rápido! — Quando ele adentrou o quarto, deixou o caminho livre para que pudéssemos ver uma Rosalie de terninho marrom, cabelo preso num coque bastante firme, e os lindo olhos azuis escondidos por óculos de lentes muito grossas.

Eu ainda não entendia porque ela usava esses óculos ao invés de fazer a cirurgia que lhe aconselhei.

–Boa tarde a todos. — Falou de forma contida.

–Querida, como tem coragem de andar com uma roupa nessa cor? desfavorece demais você — Renée disse de forma chocada, como sempre se Rosalie estivesse no recinto ela conheça a atacá-la.

–Mãe, esse vestido apertado e estampado em onça também não lhe favorece em nada. Principalmente porque… você ganhou algum peso.- Falei de forma clara fazendo minha voz soar um pouco afetada. Teve o efeito desejado, ela se olhou avaliativa.

–Hoje é feriado escolar ou algo assim? — Charlie comentou com desdém. Rosalie era sobrinha dele, filha do seu irmão já falecido. A escolha dela por ser professora desagradava a todos na família Swan, e Charlie não deixava passar uma oportunidade de desmerecê-la por isso.

–Não senhor, pedi a outra professora para cobrir minhas aulas. Eu queria ver o Enzo.

–Vem aqui tia. — Enzo estendeu os braços num convite para ela.

–Vocês vieram juntos? -Edward perguntou com malícia. Emmett abriu um sorriso largo e bobo, e Rosalie ficou muito corada.

–Não! — Ela respondeu como se tivesse sido acusada de assassinato.

–Nos encontramos na garagem. — Emmett deu de ombros como quem lamenta.

Rosalie achava as investidas de Emmett brincadeira, nunca o levava a sério. E apesar dele sempre parecer feliz e confiante, eu começa a desconfiar que ele estava esfriando com ela. Seu interesse por ela sempre foi real para mim, e para qualquer um que os conhecesse,mas nos últimos meses ele parecia estar desistindo dela.

Afinal, correr atrás de uma mulher por quinze anos não é para qualquer um.

A presença de Emmett deixou o quarto mais leve e as risadas mas frequentes, Charlie não procurou motivos para desmerecer minha prima, Renée ficou mais concentrada em seu celular, Esme prometeu fazer um almoço em família logo que Enzo tivesse alta. Ele ficaram até muito depois do horário de visitas.

–Preciso te contar uma coisa. — Sussurrei para Rosalie ao me despedir dela no corredor.

–Imagino que tenhamos muito que conversar, faz tempo desde a última vez que saímos!

–Rose, Damon está aqui. — Falei o nome esperando que fizesse sentido para ela.

Claro que não faria, ela não sabia o nome dele.

–Meu namorado italiano. -sorri provocativa. Seus olhos esbugalharam-se, e senti que ela tinha parado de respirar.

–Rosalie! — segurei seus braços.

–Como? Eu-e-eu não entendo…

Contei para ela sem grandes detalhes.

–E agora somos colegas de trabalho. — Finalizei.

–Bella isso é péssimo! — ela sibilou.

–Você acha que não sei? — revirei os olhos. — O pior que… ele ainda me faz sentir aquilo. — Confidenciei.

–Aquilo? Bella você é mulher casada!

A puxei mais para longe da porta do quarto, que apesar de fechada Edward continuava lá dentro com Emmett.

–Casada não casdrata. O Damon foi...uma loucura lembra? E Quando o vejo parece que sou aquela Bella com dezoito anos.

—Mas você não é. Tem que contar ao Edward!

–Não seja louca. Não posso contar, já passaram três semanas que ele chegou, como vou dizer ‘’ Edward, não tem seu amigo Damon? Nós transamos loucamente há quinze anos!”’ a Hora de falar a verdade já passou.

ela cruzou os braços.

–Então vocês vão continuar fingindo que não se conhecem?

–Bom agora somos colegas de trabalho. — Dei de ombros.

–Não acredito que você deixa ele cuidar do Enzo! E se....

–Ele é um bom médico. só isso importa.

A porta do quarto abriu e Emmett saiu com Edward. Rosalie tentou disfarçar a cara tensa, mas não deu muito certo.

–O menino apagou. — Edward parou a nossa frente.

–Era de se esperar. — Falei.

–Eu já vou meninas. — Emmett deu um beijo no meu rosto e no de Rosalie. Ela corou com o contato.

—Volte amanhã- Pedi.

–Amanhã não vai dar, vou viajar essa noite. — Ele coçou a cabeça parecendo sem jeito.

–Que viagem pode ser mais importante que a saúde do seu afilhado? — Rosalie acusou. Eu sabia que na verdade ela queria saber os planos de Emmett, a diminuição do interesse dele nela, deve ter atraído sua atenção.

–Nenhuma viagem é mais importante que o moleque, mas ele está indo bem e eu realmente não posso adiar.

–Espero que dê tudo certo para vocês. — Edward o puxou para um abraço. Toquei um olhar com Rosalie curiosa, o que estava acontecendo?

–Tudo certo é se ela disser sim, né? — Ele riu nervoso. Emmett nervoso?

Antes que eu pudesse questionar, ele acenou para nós e saiu.

–Edward, o que Emmett tem? — perguntei logo.

–Não posso falar. — Ele disse culpado.

–Você vai falar sim. — Ameacei seria.

—Nós precisamos saber. — Rosalie apoiou.

–Vocês duas… bom, vocês se lembram de Kate?

Kate era uma namoradinha dele, pou melhor tretapada certa.

–Sim. — respondemos juntas.

—Ele vai pedi-á em casamento. — Justificou.

–Ele não pode. — Rose reagiu antes de mim.

–Por que não? ambos são solteiros, têm coisas em comum, se dão bem…

–Isso não é bastante para casar com alguém. -Rosalie disse veemente.

—E o que é razão o bastante para casar com alguém? — Entendi a de Edward, ele estava provocando Rosalie. Ela ficou desconfortável.

–Amor. — sussurrou olhando o chão.

–Talvez ele a ame. — Completei olhando divertida para o meu marido. Rose ergue a cabeça chocada.

—Mas…

–Você que não o quis Rose. Ele tem o direito de ser feliz. — Edward disse sério, e percebi que era então tudo verdade e não mais joguinhos dos dois.

—Ah amiga…

—Bella! — Alice se materializou na nossa frente.

–Sim…

–Damon passou por aqui?!

—Não.

–Que droga!

—O que aconteceu? — perguntei estranho seu tom. Ele tinha corrido em nossa direção.

–Ele perdeu um paciente.

Ah não. Aquele momento na vida de um médico em que ele questiona tudo e todos. E o universo.

—Como aconteceu? — Perguntei.

–Homem, cinquenta e sete anos dois infartos no histórico, estava tendo um derrame. Teve uma parada cardio-respiratória e Damon não conseguiu reanimar. Haviam outras complicações no histórico também… — Ela deu de ombros. — Mas perder uma vida, sempre é perder uma vida. Principalmente em nossas mãos. Como ele saiu disparado, fiquei preocupada, estou tentando achá-lo para… não sei, talvez possa ajudar de algum jeito.

Havia um lugar para onde os médicos iam quando perdiam alguém. Damon já devia saber o esconderijo do choro.

—Ele só pode estar em um lugar. — A olhei e ela pareceu entender.

—Ah.

—Deixa que eu vou, afinal, era para eu estar tomando conta dele.

Me despedi de Rosalie e dei um beijo rápido em Edward.

Não sabia porque queria ajudar Damon nesse momento, apenas parecia a coisa certa a fazer, todos nós já perdemos algum paciente, um porque não havia mais o que ser feito, outro a vida escorregou por entre seus dedos… todos tínhamos uma história, todos éramos marcados pelas vidas que partiam em nossas mãos. Com certeza não podia ser a primeira dele, mas era a primeira aqui, no meu hospital e eu me sentia responsável de alguma forma por ele.

Eu conhecia bem o caminho para as escadas de emergência, quem queria chorar ficava entre o andar onze e doze, pois era muito difícil alguém utilizar as escadas nessa altura, mesmo que fosse descer um andar. Fui de elevador até o décimo segundo andar.

—Eu sabia que encontraria você aqui. — Suspirei e me sentei ao seu lado na escada. Damon permaneceu de cabeça baixa.

—Noite difícil né? — Eu não era boa em puxar papo, não assim no trabalho. Mas eu sabia bem o que Damon estava passando.

—Eu quis ser médico por sua causa. — Ele sussurrou fitando as mãos. — Foi fácil entrar na faculdade, foi divertido e desafiante. Mas cada vez que eu perco uma vida… isso me destrói. — Sua voz saiu cortada no fim, como se ele tivesse levado um forte golpe na boca do estômago. Apertei seu braço com uma mão.

—Sinto muito ter te inspirado para essa vida.

–Não sinta. — Ele levantou a cabeça, sua expressão fez meu coração se apertar. — Eu não tinha propósito algum quando eu te conheci, Bella. Estava...completamente perdido na vida. Eu queria ser como você, apaixonado por algo, algo que fizesse a diferença. Eu amo a medicina, eu só queria ser melhor.

—Pessoas morrem Damon. Isso está fora do nosso controle. — Falei de forma suave.

—Eu poderia ter feito algo! — Agora a raiva o fazia fechar as mãos em punho. Peguei suas mãos na minha com suavidade até que ele abrisse os dedos.

–Você fez. Fez tudo o que pode. Agora se recomponha, há outros pacientes que podem ter segundas e terceiras chances graças a você hoje. — Me levantei e estendi uma mão para ele.

Ele pegou minha mão,mas não a soltou quando já estava de pé, pelo contrário, me puxou para mais perto, uma mão na minha entre nossos corpo, a outra em minha nuca.

–Damon… — Alertei, contudo não me afastei, tinha que admitir que gostava da proximidade e das sensações que ele me causava.

Eu estava um degrau acima dele, mesmo assim ele era pelo menos um palmo mais alto.

—Não é possível que você não sinta… essa energia entre nós. -Ele sussurrou. Pegou minha mão na sua e a ergue entre o nosso corpo, mantendo próxima a sua sem de fato me tocar. Era sim possível sentir a energia entre nossos corpos, nossa respiração entre cortada.

Eu estava ficando louca só podia ser isso.

–Estou completamente enfeitiçado por você. — Sussurrou. Ele usou o polegar eo indicador em meu para puxar meu rosto para cima para que eu o olhasse.

Resisti um pouco, sabendo que olhar em seus olhos me desestabiliza, mas cedi.

Eram azuis como o oceano a noite, escuros, profundos e eu sentia que podia me perder neles. Olhar dentro deles era como olhar para mim mesma anos atrás, e eu senti a Bella que fui vir à superfície, menos responsável, brincalhona, que dava em cima de um cara sem grandes motivos, só por achá-lo atraente.

Há quanto tempo eu não ia a um bar? beber um pouco, conversar e rir? Há quanto tempo eu não fazia algo apenas por diversão?

Damon continuava a minha frente, a respiração muito próxima, seu cheiro misturado ao meu.

Ele estava acariciando minha bochecha, do jeito que ele fazia quando queria ser carinhoso e me incentivar a ter mais calma, aproveitar mais o momento. Ele estava me dando tempo para decidir…

decidir o que?

Trair meu marido?

—Maike! Alguém pode nos ver aqui! — O sussurro um tanto alto no andar de baixo nos sobressaltou, subi outro degrau me afastando de Damon. Olhamos para baixo e vimos com clareza apesar da pouca luminosidade, Maike e outra residente de cabelos claros.

—Não mesmo, os médicos de plantão estão na sala de convívio, ou em cirurgia. Nossos colegas no descanso, ninguém vem as escadas dessa alá. — Ele respondeu afoito tentando tirar o jaleco dela.

—Ah eu amo esses jovens. — Damon disse irônico. Aproveitei o momento de lucidez e corri dali.

—Bella! — ele sibilou, mas eu já estava abrindo a porta e voltando ao corredor. Que porra eu estive prestes a fazer?

Senti meu braço ser segurado com força.

–Espera. — Estanquei no lugar.

–Damon fique longe de mim, ok? — Tive medo que alguém nos visse tão próximos.

—Nós precisamos resolver isso.

—Não temos nada resolver. Somos duas pessoas trabalhando juntas apenas isso. Esquece o passado.

Jacob e Ângela apareceram no início do corredor conversando animadamente, ainda não tinham nos visto.

Puxei meu braço do seu aperto.

—Ei Âng! — Ergui meu braço acima da cabeça e acenei ridiculamente para ela.

—Bella! Eu estava falando com Jake que iria visitar seu filho agora. Vantagens de ser médica. — Ela piscou animadamente sob seus óculos. Esperei que eles não tivessem notado a tensão entre mim e Damon, mas Jacob lançava olhares estranhos entre nós, sua testa franzida.

—Vamos juntas.

—Tenho que olhar alguns pacientes, mais tarde passo lá. — Jacob justificou.

-Passe mesmo, Edward trouxe um video game. — Convidei

Seguimos de braços dados pelo corredor, não olhei para ver o que Damon tinha decidido fazer.

—Fiquei satisfeita em saber que você tirou licença para cuidar do Enzo. — Ela disse com um aperto em meu braço.

—Tanya me obrigou. Teria sido tranquilo conciliar as coisas, ainda mais com ele aqui. Consegui pelo menos barganhar com ela, minha licença começa oficialmente quando ele tiver alta.

Claro que eu ficava feliz de poder cuidar do meu filho de perto, contudo ficar longe do hospital era muito estranho.

—Você não é uma máquina. Esse tempo em família vai te fazer bem.

—Você fala como se fossem férias. — Ri ainda um pouco nervosa. Ela deu de ombros sem negar.

—Não deixam de ser.

Ri com o jeito leve de Âng, o som saiu um pouco entrecortado eu ainda estava nervosa com o que tinha acabado de acontecer.



Notas finais
A coisa esquentou! E quanto a Rosalie... ''quem não da assitencia abre vaga...'' O que acharam? o que esperam? vejo vocês nos comentários bjs :*