Primeiros Erros
9 Primeiro Jantar
Notas iniciais
Primeiro jantar
Eu gostava de dar jantares em casa. Gostava de exibir meus utensílios domésticos, e a minha família. Também gostava de quem vinha a minha casa, sempre. Nunca convidava alguém que eu não gostasse, isso era fato.
Pela primeira vez na minha vida de casada, eu estava ajudando meu marido a fazer um jantar para pessoas que não gostava nem um pouco. Bom, Damon eu não gostava. Disso eu tinha certeza, contudo não conhecia sua esposa para ter uma opinião formada.
—Ainda estou preocupado com você — Edward comentava vez ou outra durante os preparativos.
—Não deveria, estou ótima! — E até estava, feliz por compartilhar aquele tempo com ele, entre beijos, carinhos e temperos.
—O que aconteceu ontem… você realmente me assustou. Sei que você e Charlie não se dão muito bem… — Me inclinei para calá-lo com um beijo.
—Nós nos damos muito mal. Mas isso não importa. Vamos receber a família do seu amigo, e tudo será perfeito.
—Odeio quando você age assim, como se estivesse atuando. -Ele tinha a testa franzida. Suspirei largando a cebola na pia olhei bem para ele, esse homem bonito e amável, que por um mistério do universo me amava.
Sorri sacudindo a cabeça, Edward Cullen era um mistério para mim. Voltei a cortar a cebola, agora falando.
—Quando eu tinha seis anos, eu chamava a cozinheira e o motorista da casa de ‘’mãe’’ e ‘’pai’’. Não me lembro quando começou, só sei que a cozinheira, que já não me lembro seu nome, me repreendia no começo, mas depois se acostumou. Apenas pediu para que eu nunca fizesse isso na frente dos meus pais. — Eu não tinha coragem para olhar Edward naquele momento, podia ouvir sua respiração tranquila atrás de mim, o avental de cozinheiro roçando na minha blusa pelas costas. Continuei.
—Um belo dia, voltando da escola eu corri para dentro de casa gritando ‘’mãe! mãe! Eu consegui ler!’’ Minha mãe não tinha ido ao cabeleireiro, como era seu costume nas quinta-feiras. Estava na sala, deitada no sofá, eu não a vi. Mas ela me ouviu. Eu corri em direção a cozinha, a cozinheira que eu chamava de mãe já estava na porta com a expressão apavorada.
—’’O que temos aqui?!’’ — Renée disse chocada quando me viu pendurada nos braços da mulher. Não me lembro com exatidão do que ocorreu em seguida, eu tomei uns beliscões no braço, a cozinheira foi demitida, e o motorista também. Meu pai arranjou novos empregados, e ficou os trocando a cada três meses, até que eu entrasse na adolescência e não quisesse me afeiçoar a ninguém.
‘’Entenda, Edward; pais amorosos e presentes como os seus são grandes raridades. Eu não fui o filho homem que meu pai sonhou, fui um desastre como a mocinha dele, e minha mãe não gerou mais filhos depois de mim. ‘’
—Bella… — Ele me abraçou.
—Eu nunca quis agradá-los, isso o que eu tentava me convencer, no fim eu só queria que eles me deixassem em paz, entende? Mas não, era impossível! Nada do que eu fazia era bom o bastante, e o que eu fazia de errado parecia o fim de mundo. Você… — me virei nos seus braços para olhá-lo. Tomei seu rosto em minhas mãos, olhando cada detalhe, com medo do dia em que não pudesse mais tê-lo tão perto. — Foi o melhor que fiz a eles. E o meu pai quer se aproveitar da sua imagem e popularidade com a comunidade, para se eleger prefeito. — Terminei com um sorriso e o beijei.
—Não vou me meter em política. — Ele fez uma careta adorável.
—Seu sogro vai te empurrar, acredite. E o melhor para uma vida pacífica é você apoiá-lo.
—Bella. — Ele me pegou pela cintura e me fez olhá-lo. — Não quero entrar para a política, nem mesmo para apoiar seu pai. Principalmente para apoiar o seu pai. Ele está pegando pesado com o motorista do ônibus escolar.
—Ele ainda está preso?
—Sim. E pior, a filhinha dele está num abrigo.
—Edward, ele matou pessoas. Crianças. Tem que pagar pelos seu crime!
—Eu sei, mas a forma como estão tratando isso…
—Edward, nosso filho se machucou, podíamos ter perdido ele.
—Mas não perdemos. Graças a Deus.
—Deixe que o homem pague por seus crimes! — Me libertei de seus braços, aquele assunto estava estragando meu humor!
—Bella, o perdão é algo libertador. Sabe quem está indo visitar o pobre homem na cadeia, e se ofereceu para pagar um advogado?
Ele não iria dizer…
—Os pais do Jullian. — Ele completou.
—Eles são santos, irão para o céu. Eu concordo com o meu pai, esse homem tem que apodrecer na cadeia.
—Enquanto uma menina de três anos com leucemia sofre sozinha num hospital. — Ele cruzou os braços sobre o peito esperando minha reação.
—Edward, você é um homem bom, correto e justo. Sério, o mundo não merece você, você está a anos luz de bondade. — Ele fez uma careta. — E os pais de Jullian devem fazer o que for o melhor para superarem a morte do filho, agora eu deixo os atos de bondade para vocês. Não tenho esse coração bom, quero que o homem que fez mal ao meu filho pague!
—E quanto a filha dele? — Ele parecia incrédulo de minha postura.
—Ela está internada?
—Sim. No hospital de Eleazar, nós da associação de pais estamos custeando os gastos.
—Orgulho de você. A menina não tem culpa do pai que tem. — Eu continuava a andar pela cozinha e arrumar os pratos.
—Ela precisa do pai, ele não pode pagar pelo resto da vida por uma fatalidade.
—Um homem sabe que não deve pegar num volante se não está com condições para isso. Ele pegou. Crianças morreram. Edward ele sabia o que estava fazendo!
—Então você concorda com o seu pai?
—O que quer dizer com isso?
—Você reclama das atitudes dele, mas quando tem a chance de ir contra algo que ele pensa, você pensa igual!
—’’Aqui se faz, aqui se paga’’. Essa é lei da vida.
—Não cabe a nós a vingança Bella!
Respirei fundo, meu lindo marido queria fazer de mim uma pessoa melhor, mas isso não iria acontecer, não hoje.
—A carne está no forno, as batatas assadas, a mesa posta… você termina com a cebola para o molho? Vou tomar banho. — Retirei meu avental.
Bella? — Ele chamou quando já estava na soleira da porta.
—Todo o bem que fazemos a alguém, volta para nós de alguma forma. E o mal também. Esse homem já sofreu muito, a esposa morreu, a filhinha está doente… se podemos ajudar, devemos ajudar.
—Você é o melhor homem que conheço Edward. Vamos fazer o melhor para essa garotinha, está bem? Mas não conte comigo para ajudar o pai dela. — Dei as costas, subi para o nosso quarto.
Eu não estava esperando uma noite calma e tranquila, como um reencontro de amigos. Meu… amante? Damon era meu amante? Não, eu não gostava de pensar nele nesses termos.
Damon estaria ali, na minha casa, com a esposa do lado, e ele só podia se julgar esperto demais para tal. Mas eu era mais, não entraria mais no joguinho dele, ele que faria o meu.
Toda paixão que ainda sentia por ele se apagou diante da possibilidade de eu perder meu filho e meu marido. Eu nunca mais trairia Edward, a dúvida sobre a paternidade seria enterrada, viraria cinzas junto da autorização para o exame que Rosalie queimou e eu descobria algo para ameaçar Damon e fazê-lo ir embora da minha cidade, do meu hospital.
Para um jantar em sua casa, com outro casal, o que poderia vestir sem parecer vulgar, arrogante, ou desleixada? Qual era o equilíbrio perfeito entre os três? Fiquei alguns minutos após o banho parada de frente para os meus vestidos pensando nisso.
Escolhi por fim um tubinho preto, eu colocaria saltos para fortalecer minha imagem. A maquiagem deixaria suave, um batom fraco apenas para realçar meus lábios.
Quando me julguei pronta, fui ao quarto de Enzo. Ele estava deitado na cama, lendo.
—Filho? Posso entrar? — Coloquei a cabeça para dentro.
—Claro mãe. -Ele deixou de lado o livro.
—Uau! Eu não acredito que vocês vão jantar em casa, o papai deveria exibi-la por aí!
—Não sou um objeto para ser exibido, garoto. — O repreendi, mas sorrindo.
—Não mesmo, é muito mais valiosa. — Ele juntou os dedos e os sacudiu na frente no rosto, como seu avô Carlisle fazia ao imitar os velhos italianos.
Sentei na beirada da cama de frente para ele.
—Quer que traga seu jantar?
—Pode ser mais tarde. Falou com meu pai sobre trocar de médico?
—Ainda não, mas se Damon sugerir algo vou cortá-lo. Ele não será mais o seu médico.
—Sabe, isso não é tão importante, ele é amigo do papai.
—Não quero você perto de Damon, Enzo. Ouvi bem?
—Porque diz isso?
—Não gosto dele. Tenho os meus motivos e isso é tudo o que vou dizer. Sua perna como está?
—Formigando, quando vou tirar esse ferro? — Ele fez uma careta.
—Acho que vai levar pelo menos dois memes. — Tentei ser suave, eu tinha certeza que levaria mais.
—Eu vou poder jogar bola, não vou?
—O seu pai disse…
—O meu pai não é médico, a minha mãe que é. O que diz?
Suspirei.
—Provavelmente não. — Eu não vinha vantagem em mentir. — Mas vai poder fazer muitas outras coisas, tem sorte de ainda ter perna! — Tentei brincar e ele riu fraco.
—Meu pai disse que se eu me esforçar na fisioterapia… — Enzo era um garoto cheio de sonhos e esperanças. Eu não queria desmotivá-lo, mas também não queria iludi-lo. A lesão era bastante grave.
—Talvez você sinta dor pelo resto da vida, e se lesionar denovo acabe perdendo a perna. Você não quer isso, não é?
Ele sacudiu a cabeça.
—Você vai ficar bem filho, futebol não é tudo na vida.
—Era tudo para mim. — Sussurrou os olhos ficando marejados.
—Vai encontrar outras coisas, tenho certeza. Você só tem quinze anos. -Me levantei. -Estou bonita mesmo? — Dei uma voltinha.
—Maravilhosa. — Ele sorriu. Me inclinei o beijando no rosto.
—Vou descer, estarei com o celular, ligue para mim quando quiser comer, não grite.
—Sim senhora.
No topo das escadas ouvi que nossos convidados já haviam chegado.
—Falei para Damon que era muito cedo, devíamos ligar antes de aparecer! — A voz da mulher era suave e cortês. Eu quis vomitar.
—Eu queria chegar antes, poderiam ajudar em alguma coisa! — O tom de Damon tinha um falso alarde. Edward riu com o amigo.
—Bella já deve estar descendo, vou deixá-la com vocês enquanto me arrumo, preciso de um banho para deixar o cheiro de temperos para trás!
—Me parece um cheiro maravilhoso em você. — A voz de mulher que devia ser Elena, esposa de Damon, soou cheia de segundas intensos. Me perguntei se Damon tinha um casamento aberto.
Cheguei ao final da escada a tempo de ver meu marido corando em vários tons de vermelho.
—Por favor, Elena, não deixe o meu marido sem graça. Nem todos os homens estão preparados para fortes galanteios como Damon. — Me fiz presente. Elena, como julguei tinha um vestido justo vermelho que marcava suas curvas suaves, a magreza me faria acreditar que se tratava de uma modelo, não professora do jardim de infância. Os cabelos era longos, chegavam ao quadril uma cascata lisa e preta. Tinha os olhos escuros, bem acentuados pela maquiagem. O sorriso era largo e simpático. Soube naquele momento que não podia confiar nela.
—Amor, esta é Isabella, esposa de Edward e minha colega de trabalho no hospital. — Damon fez as honras. Ele estava com uma camisa polo azul-marinho, calça jeans e tênis esporte. Os cabelos escuros estavam úmidos. Me inclinei para comprimentá-la com dois beijos na bochecha.
—É um prazer finalmente conhecê-la Damon fala muito de você, como é um exemplo no hospital de técnica e profissionalismo, e o como o inspirar a ser mais. — Ela tagarelou.
Sorri duro sem saber como responder ao elogio, talvez ela não fosse ‘’não-confiavél’’ e fosse apenas… estúpida.
—Porque não se acomodam na sala? Vou jogar uma água no corpo e já volto. — Edward pediu licença deixando um beijo no meu rosto e sussurrando ‘’você está linda.’’
—Por favor, me acompanhem. — Fui mais formal do que deveria, fiz uma nota mental para relaxar.
—Linda a sua casa, Isabella. — Elena elogiou.
—Obrigado Elena, Edward e eu decoramos juntos, imagine só, dois jovens recém casados. -Os indiquei o sofá.
—Sei como é, Damon e eu também fizemos isso logo que os casamos, e agora de novo com essa mudança completa de vida! Chicago é incrível, muito barulhenta e grande devo admitir, mas tem seu charme.
Aquilo chamou minha atenção. Damon percebeu e me pareceu tenso.
—Achei que você fosse daqui. — Falei com um sorriso olhando para o seu marido.
—Daqui? Não mesmo sou de uma cidade pequena no interior da Virgínia, Falls Church. Conheci Damon quando estava estudando literatura em Londres. Quer dizer… conheci Stefan. -Seu rosto se contraiu ao dizer o nome. Se Damon notou o desconforto da esposa não fez comentários.
Talvez Elena não fosse nada perigosa, só muito inocente.
—Eu te falei isso, Bella. Fui ganancioso e arrumei uma briga com meu irmão pelo coração de Elena. — Damon sorriu, passou um braço pelos ombros de Elena e a beijou no rosto.
—Claro, eu devo ter entendido errado. Então Damon quis se mudar para cá. — Chutei.
—Sim, ele encontrou Edward no enterro do avô, e eles conversaram por horas! É muito bonito ver uma amizade de infancia que dura anos, não acha?
Apenas sorri, a amizade entre eles não podia ser tão forte. Emmett era o melhor amigo de Edward e eles viviam juntos. Damon foi amigo de infância, apenas.
—Lindo. — Concordei
—Então Damon me convenceu que precisávamos de novos ares, se bem que Chicago me parece muito violenta para criar um filho. — Ela franziu a testa.
—Sim, uma cidade grande, completamente diferente da Itália.
—Mas eu sentia falta dos Estados Unidos, estou amando estar aqui!
Ah Elena, você não conhece o demônio com quem dorme?
—Damon, Edward deu a ideia de acendemos a lareira, mas a madeira está lá atrás. Poderia pegar para mim? Vou te mostrar onde. Elena, posso te serviu algo? Uma bebida?
—Sim por favor. -Ela sorriu.
—Vou pegar uma taça de vinho. — Pisquei para ela. O bar ficava na sala de visitas mesmo, então eu permaneci no campo de visão deles o tempo todo. Elena continuava sentada no sofá, Damon estava encostado no balcão analisando cada movimento dele, eu podia sentir seus olhos me devorando, isso causava uma espécie de frenesi, ou borboletas mesmo no meu estômago. Mas não me afeta mais, eu não me deixaria levar por Damon Salvatore nunca mais.
Contudo se o meu marido olhava para uma mulher como Damon estava me olhando, principalmente eu estando presente, teríamos sérios problemas.
Não me demorei, ofereci a taça de vinho a Elena, e com a minha em mãos chamei Damon para os fundos da casa.
—Já voltamos, fique a vontade. — Declarei.
—Vou aproveitar e ligar para a babá, saber como Ketherine está.
Damon me seguiu de perto, quando irrompemos no quintal fui direta.
—Você armou toda essa historinha, trouxe sua família para cá… a troco de quê Damon? Pura vontade de fuder com a minha vida? — Subilei.
Ele continuou o caminho a minha frente quando avistou a lenha.
Me mantive perto dele.
—Fuder com você também. E foi uma foda muito, muito boa. -Eu queria arrancar aquele sorrisinho do rosto dele.
—Sua esposa na minha sala não sabe de nada, não é mesmo? Pura inocência!
—Elena não é tão inocente assim, mas quando eu contar a ela do filho que você escondeu de mim…
—Enzo não é seu filho porra! — Eu quis gritar, mas apenas sussurrei de forma veemente.
—Isso é o que veremos. Já sei que mandou sua amiga a minha sala para roubar a autorização para o exame. -Estávamos um de frente para outro, nossa respiração era visível entre nós devido a noite fria.
—Ouça bem Damon, se não desistir dessa loucura, vou contra você com todas as armas que tenho e você não vai gostar nem um pouco!
—Armas? Quem dá as cartas sou eu, Isabella. Eu sou tão vítima no meio disso tudo quanto Edward. Se você se comportar direitinho, não direi nada sobre nosso pequeno deslize em Miami, afinal não quero pressionar Elena demais, e seria difícil esconder um escândalo.
Ficamos nos encarando tensos, eu queria socar a cara dele, talvez matá-lo e enterrar no jardim. Como eu pude ser tão estúpida a ponto de me sentir atraída por ele de novo?
—Se não se importa eu gostaria de entrar, está uma noite fria.
—Eu vou matar você Damon. — Sussurrei com todo o ódio que havia dentro de mim. — Eu posso não valer nada, mas Edward e Enzo são a minha família e não merecem o mal que quer fazer a eles.
—A verdade dói, mas é muito melhor que uma mentira. Acredite em mim.
inclinei a cabeça o analisando, parecia falar sério.
—Tem problemas com o papai Damon? — Debochei.
—Digamos que a minha mãe tenha sido um tanto leviana, como você. Só que quando meu pai soube ele não a deixou, ele preferiu se vingar de mim de outras formas.
—Queria dizer que sinto muito, mas não sinto. — Dei de ombros. -Por que não volta para a Itália com seus malditos traumas e deixa a minha família em paz?!
—Bella? Damon?! -Ouvi Edward nos chamar da porta. Me virei e pude vê-lo com com calça jeans, e blusa comprida de moletom. — Vocês vão congelar aí fora.
—Bella me pediu ajuda para pegar um pouco de lenha. — Damon sorriu e acenou com uma mão, caminhando na minha frente de volta a casa. Respirei fundo olhando para o céu, a noite escura que caia. Logo estaria nevando.
—Amor? — Edward me chamou com Damon ao seu lado. Dando meu melhor sorriso segui para dentro de casa.
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—Não acredito, eu não teria a menor coragem! — Elena comentou dando risadinhas. Estávamos no fim do jantar, que estava transcorrendo estranhamente bem.
—Bom eu mesma fiquei apavorada, mas o que podia fazer? Sempre confiei nos meus garotos. — Sorri e beijei o rosto de Edward.
—Mas nadar com tubarões? Enzo só tinha dez anos mesmo? — Elena continuava incrédula
—Ela ainda não tinha dez completos, estávamos lá para comemorar o seu aniversário de dez anos. — Edward esclareceu com nostalgia.
—Pior! — Ela riu e tomou outra dose de vinho. -Eu não deixo Katherine nem mesmo na piscina sem companhia.
—E faz bem, muitos acidentes ocorrem com crianças nessa faixa etária na piscina de casa. — Lembrei.
—É verdade, sempre tem um caso ou outro no hospital. -Damon completou.
—Ai meu Deus, eu estou cercada por dois médicos e um bombeiro. Faz a minha profissão parecer entediante! — Ela reclamou.
—Muito pelo contrário, faz parecer fascinante! — Me inclinei em sua direção. — Como aguenta crianças o dia todo, e seus pais te cobrando tudo?!
—Eu realmente gosto de crianças, e minha profissão me deixa mais perto da minha filha. Ela estuda na sala ao lado. — Elena riu se inclinando para Damon. Parecia haver um magnetismo entre eles, ficavam bem juntos, pareciam em sintonia. O que era muito estranho já que Damon não valia nada.
—É isso o que que sempre digo, devemos trabalhar no que amamos. — Edward emendou.
—Deve ser incrível, vocês dois salvam vidas!
—O de Edward é mais de tirar o fôlego, e ele é muito bom com as pessoas. Quando eu era residente, fiquei como socorrista, eu não era boa em passar tranquilidade, e não conseguia me focar tão bem numa cena de acidente. Prefiro a tranquilidade de uma sala de cirurgia.
—Uma sala de cirurgia nem sempre é tão tranquila. — Damon me lembrou. Dei de ombros.
—Me sinto mais a vontade alí.
—Já eu me sentiria péssimo, é preciso certa...frieza para lidar com as pessoas durante uma cirurgia. — Edward fez uma careta. Fiz um carinho no seu rosto.
—Tentar esquecer que é o pai de alguém, mãe alguém, o amor de alguém… ajuda. Mas com o tempo você só pensa ‘’é meu paciente, tenho que salvá-lo.’’ — Contei.
—E quando não conseguem? — Elena parecia fascinada em ouvir outro médico que não fosse seu marido.
—Temos que lidar com a dor. — Foi a minha vez de dar de ombros.
—Já perdeu muitos pacientes, Bella? — Damon perguntou.
—Seis. — Sussurrei — Lembro de cada um, cada situação, e história. Cada morte me quebrou de um jeito, mas as pessoas que vieram de acidentes e não pude salvar… essas não esqueço de seus rostos.
Um silêncio caiu sobre a mesa. Senti a mão de Edward em minha coxa por debaixo da mesa.
—Bom, esse jantar estava maravilhoso, vocês cozinham muito bem! -Elena não era sutil na mudança de assunto.
—Obrigado. -Agradeci.
—Eu pego a sobremesa. — Edward se ofereceu.
—Te ajudo. — Damon se levantou.
Meu celular tocou, olhei o visor com a foto do meu filho.
—Vou levar o jantar para Enzo. — Declarei.
—Como ele está? Posso dar uma olhada nele? — Damon parou a caminho da cozinha.
—Acho melhor não, você não está aqui para uma visita médica. — Desconversei. — Elena, pode me ajudar a levar o jantar?
—Claro, querida. — Ela se levantou animada.
—Vamos Damon, deixe as mulheres terem um tempo. -Edward bateu no ombro de Damon com divertimento.
Esperei eles entrarem na cozinha.
—Então Elena, você e Damon estão juntos a muito tempo?
—Dez anos. Dez rápidos anos, não é incrível como o tempo passa rápido?
—Nunca deixo de me surpreender. — Como eu conseguiria algo de valioso dela?
Espere eu estava jogando da forma errada! Elena não era a chave para algum segredo de Damon, ele mesmo havia me dito o que eu precisava!
Ele tinha problemas com o pai, era um bastardo. Isso tinha deixado sua marca nele. Explicava o jovem tímido e retraído que conheci na juventude.
Também explicava a obsessão dele em Enzo ser seu filho.
Mas como eu usaria isso para fazer Damon se afastar da minha família?
Subi ao quarto do meu filho com uma bandeja de comida e Elena ao lado tagarelando sobre a filha de sete anos.
—Ela deve ser um amor. — Comentei.
—Sim ela é, e muito esperta para a idade!
Enzo? — Chamei a porta.
—Pode entrar, mãe! — Acenei com a cabeça para que Elena abrisse a porta.
—Licença. — Ela disse.
—oi! — Enzo me olhou exasperado pela desconhecida em seu quarto.
—Essa é Elena esposa do doutor Salvatore. — Fiz as apresentações.
—Damon fala muito de você! — Ela não se aproximou para cumprimentá-lo, respeitando seu espaço na cama.
—É um prazer conhecê-la, seu marido salvou a minha vida. — Ele disse.
—Sente-se para comer. — Falei deixando a bandeja na cama.
—E como vai sua recuperação?
—Estarei no hospital na segunda para ver como está a minha perna, e fazer exames.
Não era hora de eu declarar que não haveriam exames.
—Tenho certeza que você ficará bem! — Ela disse em tom reconfortante.
Ficamos mais um pouco no quarto, Elena perguntou algumas coisas a ele sobre o futebol, rimos quando ela disse que também jogava.
—Mas não sou muito boa. -Completou com uma careta.
Elena puxou assunto com Enzo acerca dos livros que ele estava lendo, espalhados por sua cama e cabeceira, e vi que meu filho realmente havia gostado da mulher, que era a grande aposta de Damon caso ele se revelasse pai o do meu filho.
Imaginei essa mulher cuidado dele, conversando, frequentando suas atividades extra-curriculares. Elena parecia aquele tipo de mãe participativa, que eu tinha vergonha de não ser.
O celular dela tocou.
—Ah é a babá. — Ela se desculpou atendendo. — Oi querida! -Sua testa franziu logo que ouviu a voz do outro lado.
—Desde que horas? — Perguntou preocupada. — Não, tudo bem, estamos voltando. De um banho frio nela. -Terminou.
Olhei para ela esperando.
—Katherine está com febre, estava enjoadinha o dia todo. É melhor irmos para casa, vou ter que recusar a sobremesa. Foi ótimo te conhecer Enzo, você vai ficar bom logo. -Dessa vez ela se inclinou para beijá-la na testa.
Sorri para Enzo e a acompanhei.
—Mas como ela está?
—Deve ser um resfriado, mas cedo não estava com febre, só meio mole. Crianças… — Ela descia rápido as escadas. Encontramos Edward e Damon na mesa de jantar rindo de algo e comendo uma fatia de bolo de chocolate.
—Amor, temos que ir. A babá ligou Kate está com febre. — Damon ficou de pé imediatamente, era nítido sua preocupação com a filha.
—Se precisarem de algo… -Edward foi logo oferecendo.
—Obrigado velho amigo. -Damon bateu uma mão no ombro. Não conseguia achar encenação, ele parecia gostar de Edward. Porque iria destruir a família do amigo então?
Talvez seu ódio por mim fosse maior. Não evitei dar de ombros diante do pensamento.
—Ligue dando notícias dela, ou mande uma mensagem.- Pedi a Elena.
—Obrigado pela preocupação, Bella. Vejo que seremos boas amigas.- Ela me abraçou.
Edward e Damon trocaram algumas palavras, então vimos os dois seguirem para seu carro de baixo da neve fina que começava a cair.
Edward me abraçou de lado.
—Acho que vocês serão amigas. — Disse.
—Eu gostaria. -Sussurrei. Era a verdade, por mais que achasse impossível de certa forma. Damon e Elena precisavam ir embora de Chicago, ou eu e minha família teríamos que deixar a cidade. Se permanecemos todos juntos, meu segredo seria revelado, e não parecia ter algo forte o bastante para barganhar o silêncio de Damon.
Talvez deixar claro o quanto isso magoaria Enzo e Edward. Um homem tão preocupado com a filha deveria valorizar o sentimento dos outros! Ele parecia gostar de Edward, não deveria causar esse mal ao amigo.
Se Edward não fosse o pai de Enzo, isso o destruiria.
Entramos em casa abraçados.
—Você está tensa. — Edward comentou.
—Preocupada com a filha da Elena. -Sacudi a cabeça.
Ele se sentou no braço do sofá da sala, e me puxou para o meio das suas pernas.
—Sei que crianças pequenas dão trabalho, mas se anima de tentarmos outra?
Sorri olhando seu rosto tão esperançoso.
Sabendo o que eu sabia agora, e temendo perdê-lo, eu daria qualquer coisa a esse homem para vê-lo feliz.
—Vou sair da emergência do hospital. Vou atender com hora marcada, em horário comercial. Estarei mais presente em casa para você e Enzo, e quem sabe… dentro de alguns meses podemos ter um bebê. — sussurrei. Ele me encarou incrédulo primeiro. Então um sorriso genuíno se espalhou pelo seu rosto, e seus olhos brilharam. Ele me abraçou.
—Está falando sério? Quer mesmo isso?
—Eu quero tudo com você. — Sussurrei em seu ouvido.
—Eu amo você Bella. -Ele beijou meu pescoço, colo, rosto e finalmente boca.
—Eu amo muito, muito você, Edward. -Meu coração se apertou, pela primeira vez em anos eu tinha medo de perder esse homem incrível nos meus braços.
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