Primeiros Erros

8 Primeira Amizade


Notas iniciais
Um pouco depois do prometido, mas aqui estou. Demorei um pouco mais revisando. Muito obrigado! >< sigam meu instagram, lá tem as novidades do capítulo ♥ https://www.instagram.com/pensamentosdathayy/ Boa leitura ♥

Primeira Amizade

Narrador

Rosalie Hale odiava ter as coisas fora de controle, ou fora de lugar. Bella traindo o marido era um problema enorme, e ela tinha que consertar.

Sempre foi assim, desde que conseguia se lembrar; ela tomava conta de Bella.

Bella era sua prima amada, aquela que a salvou dos piores pais possíveis, pelo menos mãe, o pai havia morrido antes dela poder ter lembranças dele, e graças a ela Rosalie estudou nas melhores escolas, teve as melhores roupas e as melhores viagens. Mas a prima não era muito controlada. Quando crianças Isabella Swan gostava de pegar coisas. Jóias em sua maioria, nos jantares e festas que iam com os pais de Bella, Rosalie sempre tentava devolver ao final, no mesmo lugar onde a prima havia pego, quando não conseguia jogava fora. Se sua tia, Renée descobrisse o que as duas aprontavam nas festas, seria o fim de Rosalie e Bella; a primeira voltaria a morar com a mãe e o padrasto, pobres e violentos, e a outra acabaria no internato.

Na infância, os pequenos furtos eram fáceis de resolver, os problemas vieram na adolescência, quando Bella passou a se envolver com meninos. Em geral a prima de Rosalie gostava de garotos mais velhos que namoravam, seu objetivo acabava sendo conquistá-los, o que ela conseguiu sem muito custo, mas as namoradas abandonadas viam atrás dela, e aí entrava Rosalie, mais alta que a maioria das meninas da sua idade, para colocar medo nas possíveis agressores de Bella.

A adolescência foi especial para ambas, por mais tímida que Rosalie fosse, era popular graças a prima que tinha o dom de atrair pessoas para sua volta, e ela gostava do status que tinha. Mas enquanto a prima se envolvia em namoros e mais namoros, Rosalie se mantinha no mundo dos livros, trocava beijos com alguns meninos, mas não os dava muita liberdade, não tinha coragem de dar o próximo passo.Quando elas tinham dezessete anos, e Bella percebeu que a prima evitava ficar sozinha com garotos a questionou, e para surpresa de Rosalie aceitou o fato desta não querer transar com qualquer menino.

‘’Você vai encontrar o cara certo, Rose, na hora certa! E não vai conseguir parar...até tê-lo dentro de você! E vai ser incrível, Rose, e você vai querer todos os dias! — Bella tinha dito, rindo e abraçou a prima. Rosalie passou a admirar a prima ainda mais depois disso.’’

‘’Porque você também não… espera? Esperou?’’

Bella riu antes de responder.

‘’Porque eu já achei o cara certo! Achei varias vezes… Eu me sinto atraída por essas pessoas, Rose, e eu tenho que senti-las, sabe? Mas você é especial, de uma forma diferente de mim, e tem esse cara ai, ou garota, vai saber… que será especial para você. Eu sei disso.’’

Mas às vezes era difícil acreditar nesse discurso de liberdade e alegria, quando ela ouvia a prima chorando no banheiro depois de estar com alguém.

Isabella Swan tinha um vazio, que Rosalie não sabia explicar, só agradecia por não compartilhar dele.

Bella havia suprimido esse vazio com Edward, ele a fazia bem, a colocava nos trilhos. Rosalie não permitiria que esse Damon destruísse a felicidade que a prima havia construído ao longo dos anos.

Uma traição? Quantos homens traiam ao longo da vida, e eram perdoados? O casamento de sua prima não seria destruído por isso!

Com passos decididos ela irrompeu pelas grandes portas duplas do hospital, que estava relativamente calmo.

—Onde encontro o doutor Damon Salvatore? — Ela nem cumprimentou a recepcionista.

—Ele está na emergência… espere! Não pode entrar assim!

Rosalie sabia muito bem onde ficava a emergia, o movimento a estava deixando com calor, retirou o sobretudo deixando a calça jeans justa e a blusa long a mostra por completo. Notou que chamava atenção, tentou não se abalar por isso, era sim uma mulher bonita e deveria se orgulhar disso!

Não foi difícil achar o homem no meio de outros médicos na emergência. Havia um número considerável de internos a sua volta. Se deteve por um instante, não querendo atrair mais atenção do que deveria já ter atraído. Deu sorte, ele levantou a cabeça após dar algumas instruções, e encontrou Rosalie ofegante a portar. Ela ferveu de raiva ao ter o sorriso dele lançado na sua direção, ela nunca, nunca mesmo confiou nele, e a prova vinha agora, quinze anos depois.

Ele caminhou em sua direção sorrindo ainda.

—Rosalie, certo? É muito estranho saber seu nome, mas combina com você… rosas.

—Você sabe porque estou aqui. — Ela foi direta. Ele arqueou sobrancelha divertido.

—Você e sua prima ainda dividem tudo?

—Bella está esperando você, a duas quadras daqui, no meu carro.

—Sim nós precisamos conversar. — Ele passou uma mão pelo cabelo, não parecia nervoso.

—Seja lá o que estiver tramando…

—Eu? Não estou tramando nada, o que houve entre nós… — ele se interrompeu quando uma enfermeira passou por eles. — Foi forte, intenso. Reviver isso…

—Você pode enganar a Bella com esse papo, mas não a mim. Você não está aqui por uma coincidência, você não dormiu com ela por um impulso. Você quer algo e eu vou descobrir.

—Posso te poupar da procura. Tem razão, em partes pelo menos. Eu quero algo sim, e você sabe muito bem o que.

Rosalie se calou deixando que o outro se explicasse.

—Meu filho. — Sussurrou. A expressão de Rosalie não se alterou.

—Ouvi dizer que você tem uma filha.

—Meu filho com Bella, que vocês esconderam.

—Você está louco? Enzo não é seu filho!

—Isso é o que vamos ter certeza. Já solicitei um exame de paternidade, quando ele vier para a revisão…

—Precisa da autorização dos pais para isso. — Sussurrou Rosalie.

O sorriso dele aumentou.

—Edward já assinou, sem saber o que é. Onde encontro Bella mesmo? Num carro ali na esquina, certo? Até breve Rosa.- Ela a deixou ali, sem resposta e ser ar.

Pense Rosalie...pense...pense…

Alice!

Rosalie correu pelo hospital na direção contrária a de Damon. Alice já devia estar na ala infantil.

—Onde vai com tanta pressa? — Ela foi interceptada por Jacob Black, ou doutor moreno quente como ela sabia que ele era chamado.

—Viu Alice? — Ela perguntou sem rodeios.

—Está no fim do corredor…

Rosalie não esperou que ele terminasse, com passos rápidos se pôs no caminho.

Deteve-se na sala de quimioterapia. Respirou fundo antes de entrar, Alice cuidada das crianças na oncologia, e nada magoava mais em Rosalie do que uma criança doente.

Ela se deve na porta assim que viu Alice, havia apenas uma enfermeira e uma criança com elas.

—Eu vou ficar mesmo mais forte? — Uma menina de cabelos castanhos e olhos claros, levemente pálida olhava com expectativa para Alice. Não devia ter mais que quatro anos

—Esse é o soro especial da Mulher-Maravilha. O que acha Jennifer? Nossa amiga vai ficar mais forte? — Alice brincou.

—Com toda a certeza! — Enfermeira Jennifer respondeu com um sorriso brilhante enquanto arrumava a bolsa que contia o tratamento da menina, Rosalie não conseguia vê o liquido dentro, pois a ‘’embalagem’’ era vermelha com o escudo da Mulher-Maravilha.

—Então coloca dois tia! Coloca dois que eu vou ficar forte, e matar os bichinhos dentro de mim!

O coração dela se apertou ao ver os olhos brilhando de esperança da inocência infantil.

—Alice. — Ela disse ainda da porta.

—Rosalie? Ei o que faz por aqui?

—Preciso falar com você.

—Deixa só eu terminar com essa menina incrível aqui, e já vou ai! — Alice parecia animada e feliz.

Rosalie esperou de forma paciente, olhando todo o movimentar da enfermeira e de Alice em torno da menina.

—Agora a tia Alice tem que conversar com a amiga, ok? Já volto para te vê.

—Não vai me deixar sozinha? — A menina parecia triste pela primeira vez.

—Enfermeira Jennifer vai ficar com você, e eu volto logo para te vê. — Alice piscou e deu as costas para a garota.

—Eu posso ler para você, o que acha Vanessa? -A enfermeira se sentou na cadeira ao lado da menina.

—Isso! -comemorou.

—Como você aguenta? O que ela tem? — Rosalie sussurrou logo para Alice.

—Aguentar… — Alice se recostou na parede do corredor, com as pontas dos dedos fez massagem no nariz. — Estou tentando salvar meus pacientes, e a alegria deles é a minha força. E o que Vanessa tem é Leucemia Linfóide Crônica Estágio Rai III.

—Ela vai ficar bem? — Rosalie perguntou.

Alice suspirou ao responder.

—Talvez, ela é uma guerreira, mas não sem um doador.

—Onde estão os pais dela?

—Ela é orfã. — A naturalidade de Alice ao dizer isso espantou a Rosalie. — Bom de mãe pelo menos, o pai é o motorista do ônibus da escola do Enzo. Ele está preso, nenhum advogado que consegue pagar consegue sua liberdade. Ninguém quer briga com o Juíz Swan. Agora a menina vive num abrigo para menores, ou coisa assim.

Rosalie olhou de novo pelo corredor, querendo voltar a sala onde estava a pequena criança.

—Vamos esquecer meus pacientes por um momento, para você estar aqui deve ser algo

importante.

A mais alta não conseguia entender a frieza da médica na sua frente, mas se lembrou que não era o assunto da vida profissional de Alice que fora tratar ali.

—Preciso da sua ajuda.

—Imaginei. — Alice cruzou os braços sobre os seios, ela e Rosalie não eram o que poderia se chamar de amigas.

—Preciso que me leva a sala do doutor Damon, onde ele guardaria uma autorização para um exame.

Alice ficou surpresa.

—Não entendo seu propósito Rosalie.

—É pra ajudar Bella, isso é tudo o que você precisa saber.

—Não posso invadir a sala do doutor Salvatore só porque você diz que é pra ajudar a Bella! Se fosse isso ela mesma me pediria, somos…

—’’Grandes Amigas’’ — Rosalie a cortou sem paciência. -Minha prima gosta muito de você, não vou negar. Mas eu sou a prima dela, a parceira dela pra tudo. Se estou aqui pedindo a sua ajuda é porque precisamos.

—E porque Bella mesmo não me pede?

—Porque ela não sabe ainda! Por favor, Alice, é muito sério.

Alice mordeu os lábios pensando. Claro que queria ajudar Bella, mas não queria se meter em encrencas. Porque Bella iria querer algo da sala de Damon? pior, porque não contaria a própria Alice?!

—Alice, eu e você só temos uma coisa em comum; Bella. Acredito que você faria o que fosse preciso para ajudá-la, mesmo sem saber os detalhes.

—Claro! Mas isso…

—Está na hora de provar. Prove que a sua amizade com ela é algo importante para você.

Alice jogou os braços para cima em frustração, e respirou exasperada.

—Vou te ajudar, mas se me meter em problemas eu corto o seu cabelo loiro falso. — Ameaçou.

—Você teria que crescer pelo menos dez centímetros para isso. — Riu a loira. Agindo como uma menina pequena, Alice mostrou a língua.

—Vamos. — Andou na frente indicando o caminho.

Na rua, Damon andava tranquilo e decido ao encontro de Bella. Ele não queria admitir, mas estava ansioso para o reencontro depois da noite que tiveram. As coisas fugiram do controle, ele tinha que admitir. Quando decidiu se mudar para Chicago, após o choque de descobrir que a esposa do seu amigo de infância era sua grande paixão de verão, ele tinha planejado tudo nos mínimos detalhes; iria acusar Bella de esconder seu filho, teriam uma briga na justiça, o casamento dela seria desfeito, e ele teria uma adição na família. Claro que Elena, sua esposa, iria aceitar o filho dele do qual ele não tinha conhecimento até recentemente, de braços abertos.

No meio de tudo isso tinha Edward, que era um cara legal que sofreria, mas ele não podia se ater a isso! O filho era dele afinal, e Bella nunca se preocupou com o sofrimento que causou a ele ao ir embora daquele jeito, a exigir que ele não a procurasse, não soubesse seu nome.

Claro que foi divertido e excitante, mas conforme a ausência dela aumentava, ele se pegou na saudade, e o que mais queria era ter a conhecido de fato.

Se não fosse Elena tê-lo tirado de sua vida vazia e sem sentido, Damon não sabia o que seria hoje.

Claro que havia a possibilidade do menino não ser seu filho, Edward havia dito que eles se conheceram logo que voltava da Itália, e com toda certeza Damon podia imaginar que Bella se envolveu com ele imediatamente, se deixando levar pela paixão como Damon sabia que ela era.

Ele não iria trabalhar com a possibilidade do menino ser filho de Edward, e sim com a certeza de ser seu! E se fosse… ele cobraria seus direitos sobre a criança.

Bella estava no banco do motorista de óculos escuros, e expressão grave.

Ele abriu a porta do passageiro e se sentou.

—Não deveria sair de jaleco. — Foi a primeira coisa que ela disse.

—Desculpe, saí com presa.

Ele a viu apertar o volante com mais força.

—Acho melhor sairmos daqui. — Ele sugeriu.

Bella não respondeu, mas deu a partida no carro.

—Quando você volta para o hospital?

—Na próxima semana. — Respondeu. Ele podia perceber as leves alterações no corpo dela, como sua respiração parecia mais errática, a veia pulsando na jugular...Damon franziu a testa.

—Você tem pressão alta? — Questionou. Bella se virou para ele incrédula.

—Não.

—Está um dia fresco, você parece com a pressão alta.

—Obrigado doutor, mas não o chamei para uma consulta. — O carro parou numa rua mais afastada do centro, com pouco movimento. Ela se virou para ele e tirou os óculos. Damon não gosto do que sentiu, do poder que aqueles olhos castanhos tinham sobre ele. Ele se viu querendo beijá-la.

—Aposto que não . — Foi tudo o que respondeu.

—Damon, o que houve entre nós foi um erro.

—Parece uma frase ensaia, dita milhares de vezes.

—Nunca por mim. Nunca tive de me arrepender por ter dormido com alguém.

mas nós não dormimos. — Ele sorriu

—Não seja engraçadinho pelo menos uma vez na sua vida. Edward é seu amigo, não se arrepende?

—Edward é seu marido. Você deveria ser arrepender.

—Você também é casado!

Damon se inclina para mais perto dela, faz um carinho em sua bochecha. Ela não vai resistir.

—Não me arrepende de nenhum momento passado com você.

—Damon…- ela tentou resistir, mas ele sabia que já tinha ganhado. Seus rostos ficaram mais próximos, suas respirações se misturando no ar.

—Por favor… -Ela sussurrou fechando os olhos

—Por favor o que? — ele respondeu.

—Não deixe eu ser esse tipo de pessoa.

Com uma mão ele segurou firme em sua nuca a obrigando a encará-lo.

—Nós já somos esse tipo, egoísta. Eu e você somos iguais Bella não tente negar.

Ela queria negar, ou foi isso que ela disse a si mesma mais tarde. Naquele momento ela acabou com o espaço que havia entre eles, e uniu seus lábios em um beijo.

Fogo. Paixão. Proibido. Errado.

E era bom, muito bom.

—O que vamos fazer? -Ela sussurrou quando pararam de se beijar.

Ele se afastou.

—Me diga a verdade. Enzo é meu filho, certo?

Bella sentiu como se milhares de espelhos se partissem a sua volta a trazendo a realidade.

—Você desconfia disso. -ela sussurrou seria.

— Ele é meu filho não é? Apenas diga!

—Ele é filho do Edward! O que você realmente quer de mim Damon?

—Eu quero você. E Enzo.

—Enzo não é o seu filho! Vou te dar um aviso Damon, fique longe da minha família.

O clima de proibido e paixão se foi.

Ele riu.

—Você acaba de me beijar. Se eu tivesse insistido mais um pouco você estaria gemendo meu nome no banco de trás. E agora me vem com discurso de família? Eu só quero a verdade e vou descobrirá.

—Você já tem uma família, deixe a minha em paz!

—Não posso, você mexe comigo de uma maneira… -ele fechou os olhos. -Eu quero você. Você e o nosso filho.

—Não existe nosso filho!

— Existe, você sabe e tem mentido!

—As coisas estão muito bem como estão, não acha? -Ela tentou ser altiva e fria, mas estava com medo do ele poderia fazer.

Ele brincou com uma mecha de cabelo dela.

— Você fez algo muito errado, Bella. Esconder um filho de mim. Eu não sabia onde você estava, mas você sabia como me achar e não fez nada. Não posso te perdoar. Quer saber o que vou fazer? Dizer a verdade ao Edward e ao meu filho.

—Nao vai ganhar nada com isso. Edward é o pai de Enzo.

—Ele não deixará de ser. Enzo só vai ganhar mais um pai, agora tanto um quanto o outro não vão mais querer saber de você. Mas não se preocupe, quando todos te derem as costas eu ainda estarei aqui disposto a estar com você. Nos vemos amanhã na sua casa, certo?

Bella não respondeu, ficou apenas encarando ele sair do carro e seguir a pé pela rua.

Bella.

Rosalie estava estranha quando a encontrei para destrocarmos os carros.

—Como foi com Damon? — Ela perguntou.

—Mal. Ele está certo de que é o pai de Enzo. -despejei.

—Isso é muito, muito ruim.

—Nem me fale. Estou pensando seriamente em pedir demissão, pegar meu filho e meu marido e me mudar para longe.

—Edward não aceitaria, a família dele está aqui.

—Edward faria qualquer coisa para me deixar feliz. — Eu não queria soar prepotente, mas era uma verdade; bastava eu pedir e ele fazia.

—Bella isso não é um jogo simples. Damon não está jogando para perder. — Rosalie estava séria e tensa na minha frente no estacionamento do hospital.

—Já percebi isso. Mas vou deixar que ele faça o próximo movimento e…

—Não tem próximo movimento! Ta vendo isso aqui? -Ela agitou uma folha dentro de uma envelope oficial pardo na minha frente. — Ele foi a sua casa no domingo pegar uma maldita autorização da parte de Edward para fazer um DNA!

—Edward sabe. — Sussurrei em pânico. Não era possível, Damon teria jogado isso na minha cara!

—Não, não sabe. -Rosalie rolou os olhos. -Ele disse que era para uns exames para ter certeza que Enzo está bem. Você conhece o Edward, ele é um homem braçal, de atitudes e não de leitura. Claro que assinou sem ler. Do contrário você estaria na rua agora.

Olhei feio para ela.

—Ele nunca me expulsaria de casa.

—Bella, eu acho bom você descer do mundo dos sonhos! Você fez merda, e uma das grandes! Quando Damon apareceu na sua frente você devia ter dito tudo que já o conhecia pelo menos, isso limparia um pouco sua barra. Ninguém a julgaria por ter um passado com ele.

—E eu então eu diria; ‘’amor, não tenho certeza, mas Damon pode ser também o pai do nosso filho’’.

—Seria uma boa. Teria sido bom você dizer isso na época, levantar a suspeita… Edward teira assumido Enzo de qualquer forma, está louco por você. -Ela parou olhando para os lados antes de continuar. — Pelo menos fingir que você não sabia da verdade. Ele teria te perdoado. Agora… do jeito que as coisas estão seguindo, se Edward descobrir… acabou.

Olhei para cima, o sol estava encoberto, logo choveria. O escuro no céu parecia um ótimo comparativo para o que sua vida tinha se transformado.

—Existe uma pequena chance do Damon ser pai do Enzo, nós duas sabemos. Mas eu não tenho certeza, se engravidei do Damon foi na nossa ultima transa, e dois dias depois eu estava transando com o Edward… não posso ter certeza, Rosalie!

—Uma mulher sabe. Sempre sabe. — Rosalie me acusou. Aquilo doeu, porque eu confiava nela, e nunca tive seu julgamento. Eu torcia para que Enzo fosse filho de Edward, justificava seus cabelos escuros parecidos com os meus e do meu pai, seus olhos claros com os da minha mãe.

—Eu nunca quis magoar o Edward. -Sussurrei. Senti uma gota de chuva cair na minha testa.

—Eu sei prima. -Rosalie sorriu triste para mim. Sua pena era pior que sua bronca. — Eu vou levar isso e queimar, ok? E você fique longe do Salvatore.

—Ele vai estar na minha casa amanhã para um jantar. Vou conhecer sua esposa.

—Cuidado com o que você vai fazer.

—Ele vai estar na minha casa, vai jogar com a minhas regras. Agora que eu sei o que ele quer, não tem como ele me enganar.

—Então mantenha as pernas fechadas. -Rosalie se inclinou para depositar um beijo na minha bochecha.

Achei melhor não dizer a ela que tinha beijado Damon no seu carro, não seria de bom tom.

Esperei Rosalie entrar em seu carro e dar a partida, para então deixar o Hospital.

Ver o carro do juiz Swan na entrada de veículos da minha casa me desanimou. Passava das três das tarde, ele já devia ter ido embora!

Mas não, todo o tempo passado com o neto era único e precioso,

e ele aproveitava. Me perguntei maliciosamente se ele ainda amaria tanto o neto se descobrisse que ele era um bastardo.

Sorri com o pensamento, se Enzo realmente fosse filho do Damon, e a verdade viesse à tona, a revolta do meu pai faria tudo isso valer a pena.

Soquei o volante com o pensamento. Como eu podia pensar nisso? Se Edward não fosse pai do Enzo isso destruiria os homens mais importantes da minha vida! E os faria me odiar.

Leves batidas na minha janela me fizeram levantar a cabeça.

Era Bree. Abri a porta saindo do carro.

—Bree. — A cumprimentei.

—Senhora Cullen, está tudo bem? Seu rosto está vermelho… ai isso é sangue?! — Passei os dedos abaixo do nariz. Ótimo, sangramento nasal de novo, eu devia estar passando por alguma crise nervosa, não havia outra explicação!

—Sim, está tudo bem. Sou médica lembra? — Brinquei.

—Se a senhora diz.. — Ela abriu a porta para eu passar.

—Obrigada. — Agradeci com a mão no nariz tentando parar o sangramento. Deixei minha bolsa na bancada e corri para o banheiro de baixo. Minha expressão era péssima, rosto afogueado, nariz sangrando. Retirei a blusa pressionando o contra o sangramento.

Eu precisava avaliar meus sintomas antes de ir ao médico, mas meu pai estava na casa então não era hora. Quando o sangramento parou, peguei uma blusa da lavanderia já limpa e coloquei. Bree continuava na cozinha brincando com Yuno, jogando um limão para ele e ele rebatendo para ela.

—Engraçado como esse gato gosta de você. As vezes eu acho que ele é o dono da casa e nós moramos de favor. — Peguei o gato gordo no colo, ele se aninhou no meu pescoço ronronando.

—Ele ama a senhora, ao contrário do que dizem gatos são muito leais.

—Penso assim também, sempre preferi gatos. Como foi o almoço com o meu pai?

Logo percebi que era a pergunta errada, a menina se encolheu.

—O juiz pode ser duro as vezes, mas… — Tentei incentivar.

—Ele conhece meu pai. Ele que deu a sentença para ele ser preso há alguns anos.

—Ah — foi tudo o que disse. — Meu pai destratou você de alguma forma. — Não era uma pergunta.

—Não, ele.. — Ela se deteve e foi até um pouco engraçado ver a ansiedade ali. Essa menina tinha medo do meu pai. — Disse para eu me afastar do Enzo, antes que o colocasse em mal caminho.

—E você concordou plenamente. — A olhei sugestiva.

—Mandei ele se fuder. — Ela arrebitou o nariz. Para a surpresa de nós duas eu ri.

—Você mandou o Juiz Swan se foder?

Ela deu de ombros.

—Sei o que meus pais são, não me orgulho, mas também não tenho vergonha, não mais. Meu pai roubava porque era viciado em drogas.

—Seu pai roubava porque era mau caráter. — a corri com a frase que aprendi com o juiz. -E a sua mãe uma puta que prefere trepar com desconhecidos do que cuidar da filha.

Bree ficou me encarando divida entre raiva e surpresa.

—Foram as palavras exatas do seu pai para mim.

Sorri brilhante para ela.

—Vou te contar um segredo; ele já me chamou de puta muitas vezes.Todas as mulheres são putas para ele, não leve para o pessoal.

—Como ele pode dizer algo assim para a própria filha?

—Ah… ele me pegou transando na cama dele e da mamãe, com um primo meu em terceiro grau. Eu tinha dezesseis. Não conte isso para Enzo.

—Não vou contar.

—Obrigado. — Mexi os lábios.

—Aí está você. — Charlie apareceu. Estava de terno preto como era seu costume, os cabelos grisalhos cada vez proeminentes.

—Sim, desfrutando da companhia da minha nora. — Revirei os olhos para ela.

—Para de se comportar como uma garotinha mimada. — Disse rude.

—Estou na minha casa, pai. — O lembrei.

—E isso não te da o direito de se comportar assim. -Ele.

—Mãe! Bree! Que bom ver minhas duas garotas favoritas tendo um tempo juntas. — Enzo me beijou no rosto e se prostou ao lado de Bree. — Que cara é essa?

—Nada. -Ela estava fazendo drama, eu podia apostar. Não demoraria muito para contar a ele como o avô a havia trato. Enzo não sabia da conduta do avô, eu me perguntava como ele reagiria ao saber que o juíz Swan não era um homem bom e justo.

—Então pai, onde está a mamãe? — Perguntei sem de fato querer uma resposta.

—Você conhece sua mãe, deve estar com o personal trainer nesse momento. -Ele manteve os olhos em mim ao responder. Ótimo, minha mãe devia estar trepando com o personal.

—Com certeza não está fazendo nada que te surpreenda. -pontuei.

—Vovô foi ótimo passar a tarde com o senhor, acho que tenho que descansar um pouco agora.

—Te ajudo a subir. — Bree ofereceu.

—Foi um prazer conhecer sua namorada. — Ele sorriu.

—Daqui a pouco levo um lanche para vocês.

—Obrigado mãe.

Esperei até terminar de ouvir os passos deles pelas escadas.

—Não quero que destrate Bree. — Fui direta.

—Ela não é boa para ele.

—Não é você quem decidi isso.

—Eu tenho que decidir, Edward é fraco demais, acredita no ‘’melhor das pessoas’’. — Ele abriu aspas no ar. — O que vai ser um desastre com essa menina na vida no meu neto.

—Bree é uma boa garota. -Defendi.

—Não o bastante. Existem garotas mais adequadas a Enzo.

—E você é a pessoa ideal para decidir quem é. — Ironizei.

—Sou particularmente bom em julgar carácter. Por exemplo… quando você nasceu e o médico a colocou nos meus braços… — Isso era novidade, Charlie Swan nunca falava do meu nascimento. — Eu soube imediatamente que você seria um problema. Teria as fraquezas da família de sua mãe…

—Me sinto muito mais parecida com você. -Falei baixo para não deixar meu tom de choro transparecer muito. -Sei mentir e enganar como ninguém. — Ele riu.

—Acho que não sei da sua aventura na Itália? E que Damon Salvatore está trabalhando com você?

—Como você…

—Não pode esconder nada de mim, Isabella. Principalmente algo que possa envergonhar o nome da família.

—Damon e eu…

—Um casinho de verão. Mas muito me surpreende Edward não saber disso. Entenda eu gosto dele. É justo, bondoso, a comunidade o ama… a imagem dele vai ajudar na minha campanha para prefeito.

Eu não podia acreditar. Era sempre assim com Charlie, sempre se aproveitando do que as pessoas podiam dar a ele. Ele gostava da popularidade de Edward com a comunidade.

—Não vai usar a imagem do meu marido para conseguir votos.

—Sim eu vou, com toda certeza. E espero que você continue sendo uma excelente mãe, médica e esposa, sem escândalos, estamos entendimentos? — Ele segurou meu queixo analisando meu rosto. Era ridículo que meu pai tivesse tal poder sobre mim, mas eu não conseguia reagir.

—O que está acontecendo aqui? -Não ouvi quando Edward chegou.

—Meu genro! Apenas conversando com minha filha. — Charlie me soltou.

Edward tirou o casaco, tinha uma blusa de mangas vermelha por debaixo, parte do uniforme. Veio para o meu lado.

—Você está bem? — Acariciou meu rosto. Apenas assenti sentindo a umidade nos meus olhos.

—Claro que ela está bem… — Charlie começou, mas se interrompeu com um olhar de Edward.

—Você tem que ir embora. -Edward disse serio.

—Edward, não precisa…

—Não Bella, ele precisa sim. Seu pai não pode vir a nossa casa e te destratar de qualquer forma. Não vou tolerar isso.

—Meu pai não…

—Deixe querida, Edward tem razão. Nós tivemos um pequeno desentendimento, Edward. As vezes é preciso corrigir os filhos mesmo depois de crescidos.

—Não acho que você esteja corrigindo algo. Você faz mal a Bella e isso é nítido. Agora se puder fazer o favor… — Ele indicou a porta.

—Gosto de você Edward. É um bom homem. Conversando depois Isabella. — Ele saiu da cozinha.

Descansei o corpo em Edward.

—Amor o que foi? — Ele perguntou esfregando meu braço. — Sei que seu pai não é muito legal, mas isso… o que ele fez a você?

Eu não consegui falar. Não podia, não conseguia manter minha postura forte naquele momento e bolar um mentira convincente. Edward estava acostumado ao meu distanciamento de Charlie, mas nunca vira uma briga nossa. E eu estava cansada, apenas muito cansada das mentiras.

—Eu sou uma farsa Edward. Eu sou a porra de uma farsa, e você não vai gostar nada de descobrir. — Sussurrei em meio às lágrimas o abraçando mais forte.

Notas finais
Então... Bella não sabe de quem Enzo é filho! :x E vocês? apostam em quem? não se esqueçam de seguir https://www.instagram.com/pensamentosdathayy/ você vcs lá e nos comentários :*