Primeiros Erros

17 Livro II: Capítulo dois


Notas iniciais
Oi meninas!!!! A maratona da escrita de carnaval se encerrar aqui! rsrsrs voltamos a nossa programação normal! Muito obg pelos comentários, se continuarassim tem capitulo sábado, não to prometendo, ou barganhando, e que conforme leio os comentários, vou ficando doida pra escrever >< Boa leitura ♥

Livro II: Capítulo 2

“ Ajudar o próximo não é mais do que ajudar a si mesmo na busca do equilíbrio certo para viver em paz.”

—Não fique triste, no Natal poderá vê-la denovo. -Comentei afagando as costas de Damon. -Ele bufou e começou a andar. O segui tranquila. Katherine Salvatore estava nas alturas voando para sua casa, longe de mim.

—Falei aquilo por impulso, sei que você não vai querer passar o Natal longe da sua mãe.

A doença de Renée havia nos aproximado. Eu sabia que ela não tinha muito tempo, e estava aproveitando o máximo que podia, para conhecer uma mãe menos crítica.

—Não precisa que eu vá para ir. -Comentei tranquila.

—Você adoraria isso, não é? Me ter longe.

—ah Damon, você está sendo tão dramático por esses dias… -Me queixei segurando seu braço. Ele continuou rabugento todo o caminho até o hospital.

Eu ainda tinha tempo até meu próximo paciente, pedi a Kerli para descobrir se Tanya ainda estava por ali.

—Quinto andar, quarto 408. -Ela me relatou.

—Obrigado Kerli.

Eu não sabia o que diria a eles, ou se haveria algo a ser dito. Eles tinham acabado de perder um filho, o segundo pelo o que Jacob disse. Talvez não fosse uma boa ideia eu aparecer.

Só uma olhadinha. Me garanti. Bati na porta do quarto. Edward que abriu.

—Bella.- Ele pareceu surpreso.

—Ei! Eu...vim ver como estão. Sinto muito. -Falei logo. Ele olhou para trás, saiu do quarto e fechou a porta atrás de si.

—Ela acabou de dormir. -Ele disse. Estava com uniforme, ou quase. A camisa branca, a calça do uniforme. -Ela está muito abalada com tudo.

—Ela precisa descansar. -Concordei. Fiquei trocando de uma perna para outra, sem saber o que fazer.

—Desculpe não ter falado nado antes. O primeiro foi muito rápido, nós queríamos esperar um pouco… e logo ele se foi. Dessa vez nós estávamos esperando o tempo de risco de um aborto espontâneo ocorre passar.

—Não se preocupe com isso, vocês não precisam relatar cada passo da vida de vocês.

—Sim, mas você… você já passou por isso. Nós passamos por isso. -Nao consegui resistir, segurei suas mãos e o puxei para as cadeiras dispostas no corredor.

—E eu tinha você ao meu lado, por isso superei. -Deixei claro. Edward parecia muito abalado. Correspondia ao meu aperto.

—Quando perdemos o primeiro, eu conversei com minha mãe. Ela disse para dar todo o apoio a Tanya, e acatar o que ela decidisse fazer a partir dali. Ela quis tentar de novo, imediatamente. Eu não tinha certeza sobre isso, mas aceitei. O tempo todo eu senti que queria falar com você.

Meu coração pareceu inflar com a sua declaração.

—Nós tivemos um filho juntos, o criamos. Nós também perdemos um filho. Você era a única pessoa que compartilhava da minha dor e me entendia fora Tanya.

—Por que não me procurou? -minha teimosa mão direita se moveu para sua nuca, brincando com os cabelos dali.

—Nao achei certo. Com Tanya, com você…

—Somos amigos, não somos? Estou aqui por você, sempre. -afirmei cheia de paixão. Ele virou a cabeça para e fitar.

Fiquei com medo de ter ido longe demais. Ele entrelaçou nossos dedos.

—você está diferente.

—Espero que de uma forma boa -Brinquei.

—É boa. -ele garantiu. -Obrigado por estar aqui.

—Tanya vai superar isso, Edward. -Falar de Tanya era bom, eu não podia me deixar levar pelo o que sentia e Edward acabar me afastando. -vocês vão superar isso juntos.

Doeu dizer aquilo, mas era verdade. Eles estavam juntos, e conseguiriam passar por isso juntos. Porque foi assim que eu superei a perda de um bebê, com esse homem ao meu lado.

—Bella… eu tenho tentado não me meter na sua vida. De verdade. Mas não posso ignorar o que causa em nosso filho.

Fiquei quieta esperando que ele continuasse.

—Tem algo de muito errado no seu relacionamento com Damon. Enzo já percebeu isso, ele reclama bastante da forma como aquele homem te trata. Estou tomando com base no que ele me diz, nunca vi… nenhum interação rude entre vocês.

—Nós discutimos algumas vezes, só isso.

—Você sabe que não precisa dele, não é? É linda, inteligente, bem sucedida.

—Edward…

—Eu estou aqui por você. Você não está sozinha, nunca esteve e nunca estará. Se ele estiver.. fazendo qualquer coisa para te deixar mal ou desconfortável, apenas diga.

Sorri.

—E virá me salvar?

—Estou falando sério. Você tem uma família e amigos que não vão aceitar que ele te maltrate de forma alguma. Apenas diga e… vamos te salvar. -Ele completou sorrindo.

—Obrigado, Edward.

—Amigos são para isso mesmo. -Ele respondeu com espiritualidade.

Amigos. Era tudo o que eu teria dele e a culpa era toda minha.

Ficamos em silêncio, eu não queria que suas mãos deixassem as minhas. Respirei até devagar para não alertá-lo de nada, para que ele não se afastasse. Fiquei sentindo seu cheiro, curtindo sua mão na minha. Até meu bipe avisar que tinha um paciente.

Os dias pareciam passar rápido e sem grandes coisas. Eu trabalhava, voltava pra casa, estava com Damon, discutia com Damon, fudia com ele.

Nós discutimos por coisas cada vez mais bobas e irritantes. Se eu tivesse saído do trabalho e não tivesse ido direto para casa “porque não avisou?”

Se eu me arrumasse para ir a casa dos meus pais ver a minha mãe. “Que necessidade tem disso? Vai encontrar alguém lá?” Tudo muito repetitivo e cansativo.

Algumas semanas depois da perda do bebê de Edward e Tanya, ele viajou com nosso filho para Los Angeles, para tratar da carreira musical dele.

Meu filho estava se tornando um cantor, eu podia ver isso agora, já que estava de olha nas redes sociais. Eu estava viciada no Instagram, gostava de me arrumar e tirar fotos para postar, os seguidores de Enzo migravam para mim, e era satisfatório ver aquele número de pessoas me seguindo, comentando que eu era linda.

A pior parte do meu dia era estar no hospital. Eu não entendia quando o meu trabalho deixou de ser algo importante, eu estava me abrindo sobre isso com Rosalie em sua recém inaugurada cafeteira.

—Talvez precise de uma mudança. Voltar para a emergência? -Ela sugeriu. Fiz uma carreta.

—Eu teria que conviver com Damon, ou meus plantões seriam o contrário dele e nunca iriamos nos ver.

—Não pode continuar odiando seu trabalho. -Ela me alertou. Suspirei.

—Eu sei. -Mechi a xícara de café na minha frente.

—Mãe! -Vanessa entrou gritando acompanhada de Emmett.

—Ei linda! -Rosalie a pegou nos braços, ela já estava com cinco anos, um pouco grande para isso não?

—Tia Bella! — ela deixou a mãe e se jogou em mim. A abracei forte.

—Oi minha linda!

—Já sei o que quero de aniversário. -Ela disse séria.

—Sabe é? -A incentivei. O aniversário dela estava longe demais para aquela conversa.

—Uma baby Alive. -Confidenciou.

—Vanessa… o que falamos sobre pedir essa boneca sem parar? — Emmett perguntou.

—Katherine disse que eu devia pedir o tempo todo, pra todo mundo até que alguém me daria! — Ela bateu o pé.

—A Kate disse é?! — Reprimi uma risada e olhei exasperada para Rosalie. Eu avisei.

—Querida, vá com o tio Emmett comer algo na cozinha. -Ela dispensou a menina.

Ela saiu pulando com Emmett logo atrás.

—Vamos papai!

—Ela está chamando Emmett de pai?

Rosalie sentou na cadeira a minha frente.

—Sim. Eu tentei evitar a todo o custo, mas parece que não tem jeito.

—Porque tentou evitar, vocês vão se casar. — sorvo o líquido da minha xícara.

—E se não desse certo? Eu sempre pensei nisso, não queria o Emmett preso a mim por causa de uma filha que não é dele.

—Mas ele quer muito isso, não é?

—Sim. -Ela sorriu. — Quando penso em como fui boba por manter ele afastado, idealizando um cara perfeito que não existia… -ela suspirou apoiando o rosto na mão.

—Já passou, agora vocês estão juntos com toda uma vida pela frente.

—Vanessa pergunta sobre o pai. O verdadeiro. Bella, o cara vai passar vinte anos preso!

—Diga a ela de modo que entenda. Porque aí ela já vai crescendo sabendo e não vai haver aquela grande revolta de revelações, como acontece nas séries. Imagina, essa doce menina virando a adolescente rebelde porque esconderam dela que o pai estava preso? -Estremeci com a imagem.

—Vou conversar com a psicóloga dela.

—Por falar em psicólogas, tenho que ir ver meu psiquiatra.

—Se abra mais sobre sua carreira. -Ela ofereceu.

—Claro, vou fazer isso. -Revirei os olhos. Eu não sabia porque ainda fazia terapia, não parecia me levar a lugar algum. Quer dizer, lugar algum que eu realmente queria. Eu via as melhorias na verdade. Não mentia, não sentia impulso algum de esconder fatos ou como me sentia frente as coisas, com exceção a Edward, que eu amava e desejava, mas era apenas sua amiga ex-mulher.

Sim, eu devia conversar sobre a minha carreira, não estava satisfeita com ela e era uma área em que poderia mudar.

—Eu não quero ser pessimista, mas se o seu filho se tornar um cantar drogado, deprimido, que vive saindo em notícias por arrumar confusão? -Damon não sabia curtir um momento de paz pós-sexo.

—Esse não é Enzo.

—A fama muda as pessoas, Bella. Pode fazer muito mal a ele.

—Damon, ele é apenas um garoto de dezessete anos que ganhou a oportunidade de gravar algumas de suas músicas. Ele ainda não explodiu nem nada disso. E se acontecer, eu e o pai dele estaremos lá por ele, para manter os dois pés dele no chão. -Damon tinha acabado com a minha paz. Me levantei da cama, nua e segui para o banheiro.

Não me importei de fechar a porta, mas esperava que ele não tomava aquilo como um convite.

Voltei ao quarto minutos depois e o encontrei com meu celular na mão.

—Alguém ligou?

—Edward.

—E o que ele queria? Falou que eu retornava?

—Nao, desliguei o celular. -Ele deu de ombros e deixou o aparelho no colchão

—Que porra? Por que fez isso?

—Que porra digo eu, porque Edward está te ligando?

—Seu doente, ele está com o nosso filho em Los Angeles!

Damon pegou o próprio aparelho aparentando calma.

—Enzo mesmo poderia te ligar.

—Que porra Damon! Eu tô cansada de você!

Ele riu.

—Cansado de mim? Bella por favor, seria mais fácil eu cansar de você. Você anda tão… sem graça.

—Então o que você faz aqui? -Perguntei gélida.

—Nao tenho nenhum outro lugar para ir.

Minha respiração acelerou. Aquilo foi demais.

Eu não precisava de Damon!

Eu não precisa de homem nenhum, porra!

—Então arrume outro lugar agora. -Falei devagar.

—Bella se calma, está bem? Retorne para ele se quiser, e depois vem me chupar.

—Damon eu falei sério. Sai do apartamento, acabou.

Ele se levantou, andou em minha direção completamente nu.

—Está me mandando sair porque desliguei o seu telefone quando o seu ex ligou?

—Ele não é apenas o meu ex, é o pai do meu filho!

—É a porra do cara que você ama!

—Sim, eu amo e nunca menti sobre isso! -Esbravejei. -Você aceitou ficar comigo, você impôs a sua presença na minha vida até que eu cedi. Mas eu nunca disse amar você, Damon, muito menos disse ter esquecido Edward! Agora eu cansei disso que temos e quero que você saia!

—Não pode me mandar embora!

—Não? -Ri. — Assista então!

Comecei a tirar todas as suas roupas das gavetas, todas as suas camisas do armário.

—,É melhor parar com o show, você mesma terá que arrumar!

—Acabou Damon! Eu não quero mais você na minha vida porra! Vá embora!

—Eu não vou! Você tem que se acalmar!

Então saio eu!

Eu não precisava do apartamento, eu não precisava dele. Coloquei roupas, peguei algumas mudas, joguei numa bolsa e sai batendo a porta.

Chega de Damon Salvatore.

—Sabe que pode ficar aqui o tempo que quiser. -Rosalie passou por cima de uma caixa cheia de presentes. Seu casamento seria dali a alguns dias, e os convidados já estavam mandando presentes para sua casa.

—Sei e agradeço muito, de coração. Mas essa situação não se sustenta por muito tempo. Vou arrumar um lugar para mim.

—Esta arrependida por ter vendido a casa?

—Muito. -Me lamentei.

—Agora já passou. Tenho certeza que pode arrumar outra.

—isso dá tanto trabalho… -Apoie a cabeça na mesa.

—Pode ficar no meu quarto tia Bella! -Vanessa ofereceu com sua voz infantil.

—Ahhh você deixa Vanessa? -Sorri para a menina que mexeu no meus cabelos.

—Sim!

—O convite é real. -Rosalie confirmou. -Pode ficar o tempo que quiser, você e Enzo.

—Seria mais justo Damon da o fora do meu apartamento.

—Ele não vai fazer nada para facilitar a sua vida,querida. Então devo acrescentar que avisei, e disse para não ficar com ele. Mas você não me ouviu.

—Estou ouvindo agora. -Sinalizei.

—Antes tarde do que nunca!

—Oh não! Não diga que é tarde! Eu tive coragem de chutar Damon da minha vida e adivinha? Nem existe outro cara. Eu vou ficar sozinha Rose, pela primeira vez na minha vida, eu vou ficar sozinha.

Minha prima revirou os olhos para minha declaração, mas sua pouca fé em mim não me abalou.

Rosalie e Emmett se casaram numa linda tarde de outono, onde eu fui madrinha junto de outras amigas dela e até mesmo Tanya.

Todas usávamos vestidos azuis que se diferenciavam no corte.

Não me interessei em pegar o buquê, e apesar de vê-la lá sem se empolgar para pegá-lo, de algum jeito ele caiu nos braços de Tanya.

—Então… teremos outro casamento em breve? -Brinquei com Edward.

—se eu for o noivo acho difícil. Ele respondeu.

—vocês estão juntos todo esse tempo. Por que não?

—Nao sei. Apenas não… penso nisso. É meio egoísta da minha parte, não é? Talvez seja o sonho dela.

—Não coloque os sonhos de outra pessoa a frente dos seus. — O avisei. Ele sorriu

—Eu não faço mais isso. -Garantiu. -Ouvi dizer que Damon saiu da cidade.

—Foi para a Itália, ficar perto da filha. -Isso foi o que ele me disse quando liberou o apartamento.

—E você está bem Bella?

—Sim eu estou. Vivendo um dia de cada vez, sem ouvir desaforos de um homem que eu não gosto e ele não gosta de mim.

—Fico feliz com isso.

—Edward! -Tanya o chamou acenando com o buquê.

—Vá tirar umas fotos! -o empurrei em direção a namorada.

Edward estava feliz. Isso era nada menos do que ele merecia.

Enzo fez um pequeno show no casamento, sua empresária -Uma mulher jovem, baixinha e mandona- disse que seria bom para começar a pegar o gosto do palco.

Eu sabia que as músicas compostas foram feitas pensando em Bree, e acho que foi o mesmo que ela pensou pois eu tive certeza de ver a menina chorando. Eu esperava que meu filho tivesse puxado a veia romântica do pai, respirasse fundo e fosse atrás da garota que eu tinha certeza que ele amava.

Rose e Emm decidiram fazer uma pequena viagem para a Disney, uma lua de mel em família, se isso existia.

Eu tentei falar com Tanya sobre o aborto que ela sofreu, mas ela foi toda sorrisos e descartou a conversa. Talvez doesse demais para ela falar, talvez não quisesse falar comigo.

—Karlie, vou aproveitar que meu último paciente cancelou a consulta e sair mais cedo. -Avisei a secretária. Aproveitaria o tempo extra para encontrar Rosalie em sua cafeteria, está que tinha voltado de lua de mel.

—Tudo bem Dra.Cullen.

Peguei minhas coisas, desliguei o computador. No elevador encontrei alguém que não via a um bom tempo.

—Maike? -o ex-interno estava diferente. Mais magro, mais bronzeado. O cabelo loiro quase não era visível devido ao corte muito curto.

—Dra. Cullen! Está indo para o auditório?

—Hã… na verdade estava indo para casa. -Citei sem graça.

—Não mesmo! A senhora sabe o que estou fazendo aqui? Vim roubar médicos deste hospital para uma causa maior.

Agora o novato tinha a minha atenção.

—Roubar.

—Isso mesmo. — Ele parecia empolgado, com o sorriso aberto. -Venha comigo para o auditório e te contarei tudo. As portas se abriram no andar do auditório. Dei de ombros e o segui.

—Eu estava muito triste sendo um interno. Eu era pior que todo mundo.

Eu não iria concordar com a sua declaração, mas não poderia discordar também. Fiquei quieta.

—Eu conheci essa organização que une médicos do mundo todo e os manda para países necessitados na África. Eu só me formei porque o meu pai era um generoso doador da faculdade, eu sei. Mas eu gosto de ajudar as pessoas. Posso não fazer coisas grandiosas aqui, num grande hospital, mas lá, onde eles não tem mais ninguém… eu faço a diferença.

—Aposto de sim. -Fique fascinada pelo o que ele dizia.

E mais fascinada ainda por ele mesmo. Maike Newton era um jovem interno literalmente “sem noção.” Agora parecia maduro, confiante e tinha um brilho no olhar invejável ao falar das coisas que fazia na África. Me acomodei nas primeiras cadeiras no auditório, ouvindo ele e outros médicos, mais velhos, mais experientes, falarem sobre os desafios de aplicar a medicina naquele continente sem recursos, em tribos, aldeias onde muitos olhavam para médicos com desconfiança até. Eles precisavam de mais voluntários.

Eu senti meu coração acelerar, enquanto uma ideia se formava em minha mente.

Eu mandei uma mensagem para Rosalie cancelando nosso encontro, e dirigi para casa de Edward após a palestra no hospital. A ideia que tinha ganhado vida dentro de mim só faria sentido se eu conseguisse colocar em ação e para isso o aval de Edward era fundamental.

Ele agora morava com a namorada no centro, não muito distante do meu próprio apartamento, que eu conseguirá de volta porque Damon tinha saído dele, levando apenas seus pertences pessoais.

Dei na portaria do prédio meu nome e deixaram eu subir. Sacudi a cabeça para a pouca segurança do lugar, esperava que pelo menos tivessem interfonou avisando que eu estava subindo.

Eu não havia estado muitas vezes na casa de Tanya, ela era sempre simpática e gentil comigo, mas eu preferia evitar, não queria que ela notasse como eu olhava para o namorado dela, meu ex-marido.

Foi ele mesmo que atendeu a porta, de shortes e sem camisa.

—Sempre atende a porta semi-nu? -Perguntei o empurrando para o lado e adentrando.

—Bella? O que você…- ele estava corado, olhando para os lados aposto em busca da camisa

—Não se incomode não tem nada aí que eu já não tenha visto- e que não queira ver de novo.

—Eu precisava vir aqui conversar com sobre. -Comentei a falar andando de um lado para o outro. -Hoje aconteceu essa coisa incrível, e eu pensei “por que não?” É a oportunidade perfeita para me reencontrar com a minha carreira! Ajudar pessoas, medicina em sua essência. Mas então eu estava dirigindo para cá, e pensei que talvez não dê certo, Enzo está no meio dessa coisa nova e precisa de mim, não seria certo deixá-lo agora, e você tem a sua vida, eu estou sendo tão idiota r egoísta…

—Bella, eu não estou entendo nada. -Ele segurou minhas mãos e me puxou para o sofá. Ri.

—Ah Edward! Parecia uma ótima idéia, mas não é boa, não agora. Esquece.

—Não, não vou esquecer nada. Você vai me explicar direitinho o que essa cabecinha está pensando enquanto faço um chá para nós.

—Tanya está? -Perguntei o seguindo para a cozinha, me sentei.

—Sim. Ela apareceu durante seu monólogo, fiz sinal para que nós deixasse.

Eu estava nervosa mesmo, nem ao menos a tinha visto.

—Eu não queria atrapalhar vocês, me desculpe.

—Bella? — Ela chamou minha atenção. — Respire. Por que não me conta do início, e de vagar que ideia você teve?

Então comecei a falar de Maike. E como eu achava um residente insuportável e estava muito surpresa por vê-lo amadurecido desse jeito. Falei sobre o que vi nos vídeos de apresentação do projeto, e como aquilo acendeu algo dentro de mim.

—Eu tenho odiado o meu trabalho, Edward. — Completei. -Sou uma médica neurologista, de trinta cinco anos que odeia o seu trabalho.

—E você acha que ajudar essas pessoas, nos primórdios da medicina vai resgatar a sua paixão.

—Eu sinto isso. Eu queria muito, mas… não posso deixar Enzo agora. — A realidade já tinha se abatido sobre mim.

Edward ficou em silêncio, nos serviu chá, colocou dos potes de biscoitos na mesa e se sentou puxando a cadeira para perto de mim. Engoli em seco com sua aproximação.

—Você quer ir?

—Não se trata de mim. Eu tenho responsabilidades, foi uma ideia estúpida, Enzo vai precisar mais de mim agora…

—Ele está se saindo bem. Cantando, estudando… não acho que sofre grandes diferenças no momento. Eu posso cuidar dele, Alice está de olho em tudo também.

—Edward, não posso pedir que você fique supervisionando a carreira do nosso filho, você tem uma vida.

—Você também. Olha, eu realmente gostei da ideia, eu tenho visto como você anda triste, e se… ir para África vai te ajudar terá todo o meu apoio.

talvez, só talvez, uma parte minha estivesse esperando ouvir que ele sentiria a minha falta, que não deveria ir.

—Podemos arranjar isso, de modo que seja bom para todos nós. Vamos conversar com Enzo antes.

—Você não acha que é uma completa loucura? — Sussurrei. Ele pegou minhas mãos.

—Faz muito tempo que eu deixei de ver você tão empolgada com o seu trabalho. Farei tudo o que puder para ver esse brilho nos seus olhos. -Ele fez um carinho na minha bochecha.

—Edward… — Mordi a língua. Não, eu não poderia dizer nada. Nada que o atrapalhasse na sua vida, minha chance com ele já tinha passado. Edward estava feliz e isso era tudo que importava.

Enzo vibrou com a minha ideia de ir para a África, e quis até ir junto. O pai e eu tiramos essa ideia da cabeça dele.

—Mas… você tem certeza que vai ficar bem?

—Claro mãe! A minha música tá vendendo mais que água no verão! Mas eu vou ficar em Chicago até me formar, e ainda é cedo para pensar em turnê.

—Enzo ficará comigo e Tanya. — Edward reforçou.

—Por que não posso ficar aqui? Já tenho quase dezoito!

—Quase dezoito não é dezoito. — Edward revirou os olhos.

—Vou ficar mais tranquila se você estiver com seu pai. — Falei.

—Então está tudo decidido. Você vai salvar vidas na África! — Enzo comemorou se jogando para cima de mim. Olhei para Edward ainda receosa. Ele moveu os lábios formando ‘’não se preocupe’’.

As coisas não aconteceram de forma tão imediata assim. Eu conversei com Eleazar sobre me afastar do hospital por tempo indeterminado, ele entendeu minha necessidade de me reencontrar com minha profissão, me desejou boa sorte e afirmou que quando eu quisesse voltar teria um lugar no corpo médico daquele hospital.

Eu tive de fazer um treinamento, e acredite se quiser, provas práticas e teóricas para poder entrar no corpo médico de voluntários, lá eu estaria de frente mais como clínica geral, então minhas habilidades em diferentes áreas da medicinas precisaram ser testadas antes.

Eu também tive de tomar um número considerável de vacinas, e como algumas davam reações, não tomei todas juntas e também tive que esperar cada uma fazer efeito.

No fim de novembro estava tudo arranjado, e eu fui levado ao aeroporto internacional junto do meu filho, e do meu...do pai dele. Rosalie estava sensível demais, e chorona — eu suspeitava de uma gravidez — não quis ir até lá conosco, preferindo se despedir de mim um dia antes.

‘’Tome muito cuidado, será que as vacinas que você tomou estão fazendo efeito? Lá tem muitos animais selvagens! Não sei se é uma boa ideia, Bella!’’

Eu passei boa parte do meu tempo acalmando minha prima.

—Mãe, eu sei que o sinal lá deve ser péssimo, logo que você sair da África do sul o contato será escasso. Mande cartas também, ok? Vão demorar chegar, mas serão um contato a mais.

—Pode deixar. — Sorrir largamente, ansiosa para embarcar.

—Use repelente, lá deve ter muitos mosquitos. — Edward ajudou. Ele carregava minha bolsa de viagem. -Assenti a pegando dele. Eu iria voar para a África do sul junto de mais três médicos, que eu conheci durante o treinamentos, podia vê-los de onde estava, a minha espera no portão de embarque.

—Você, se alimente direito, não durma muito tarde. — Lembrei a Enzo. — Não beije muitas garotas também.

—Mãe! — Ele corou.

O puxei para meus braços.

—Eu te amo, filho. Sei que não sou a melhor mãe do mundo, mas te amo mais que tudo. — Falei.

Ele me apertou mais forte. Estava mais alto do que, minha cabeça batia em seu peito.

—Também te amo mãe. Muito. — Ele sussurrou.

Senti meus olhos embaçados pelas lágrimas. Me afastei dele.

—É isso, eu tenho que ir. — Sorri para os homens que eu amava.

Edward abriu os braços.

—Um abraço?

—Não precisa pedir. -Falei me jogando em seus braços.

—Esses cabelos curtos te deram um ar poderoso. E sexy. — Ele brincou. Eu tinha seguido um conselho Heidi, umas das médicas que estava embarcando comigo, era sua terceira viagem para lá, e ela recomendou que eu cortasse o cabelo curto, por ser mais prático, já que não teríamos tempo de ficar nos -palavras dela- embelezando. Eu fui radical em minha mudança, cortei bem curtinho e puxei mechas loiras. Eu estava me sentindo um menino.

—Obrigado por tudo, Edward. Tudo. Eu amo você, por tudo o que você é, tudo o que representa. Eu amo você. — Sussurrei em seu peito. Seu aperto ficou mais forte.

Ele segurou meu rosto, me fazendo encará-lo.

—Se cuide, ok? E nos mantenha informados. -Seu hálito quente soprou em meu rosto.

Assenti, emocionada demais para falar. Peguei minha mala, acenei para ele, e segui.

Rumo a uma nova jornada.

Notas finais
Grandes reviravoltas aqui! D: Bella indo para uma nova jornada de autoconhecimento e para ajudar o proximo. Quem fica feliz pelas mudanças na Bella? o/ bjs :*