Primeiros Erros
16 Livro II: Capitulo um
Notas iniciais
Livro II: Capítulo um
Dois anos depois.
‘’Liberdade é poder fazer suas próprias escolhas. Responsabilidade é saber lidar com as consequências delas.’’ -Autor desconhecido.
—Poderia me explicar exatamente por que eu estou vestido de pinguim? -Damon me questionou enquanto eu ajeitava sua gravata.
—É aniversário do meu pai, seu sogro, o prefeito da cidade. — Recitei mantendo um sorriso. Terminei e o beijei de leve nos lábios.
—O seu pai me odeia. -Ele sussurrou.
—Isso não é verdade. -Descartei.
—Talvez eu tenha me expressado mal. Ele não me nota para me odiar mesmo.
—Damon, não seja difícil tudo bem? -Pedi.
—Não serei. Você está linda esta noite. -Ele completou.
—Muito obrigado. Circule, seja simpático.
—Até o convidado de honra dele chegar. -Ele sussurrou. Ignorei seu comentário, avistei minha mãe conversando com algumas senhoras.
—Mãe, tudo bem por aqui?
—Filha, não precisa ficar toda desconfiada! Eu estou bem! Não dei nenhum vexame!
Renée havia sido diagnosticada com alzheimer precoce. Troquei um olhar com uma de suas amigas, a que na verdade era a sua enfermeira. Ela parecia ter se esquecido disso.
—Tudo bem mamãe. Se precisar de qualquer coisa…
—Eu te chamo. Agora vá circular, está linda nesse vestido! Mas acho que seu pai vai desaprovar…
Meu vestido era preto, com tela. Criava a ilusão de eu estar com muita pele exposta.
—Cuide dela. -Reforcei com sua enfermeira.
—Bella? — me virei para a voz conhecida.
—Tanya! -Eu não precisava parecer tão surpresa por ela estar ali. Me censurei. A cumprimentei com dois beijos. Ela parecia uma adolescente com um vestido curto e soltinho preto. — Que bom que vieram! -usei o plural mesmo não vendo Edward em lugar nenhum.
—Seu pai o sequestrou na entrada. O levou para uma roda de políticos.
—Charlie não perde uma oportunidade. -Revirei os olhos. Charlie havia ficado muito bravo com o meu divórcio, mais porque não pode fazer nada para evitar. Ele não havia criado grandes problemas porque isso não interferiu em sua campanha para prefeito. Ele continuava correndo atrás de Edward e se aproveitando de sua não desejada popularidade com a nossa comunidade.
—Bella, querida… ah oi Tanya. -Rosalie pareceu mais contida logo que notou minha companheira. -Bella, você precisa fazer Katherine comer. Dei a janta de Vanessa com elas na cozinha, e Kate não tocou em nada!
Katherine estava passando as férias de verão conosco. Como era seu costume desde o último ano. Sua mãe, Elena tinha se casado com seu tio Stefan e não vinha aos Estados Unidos.
—Por que? Não sou mãe dela. — Dei de ombros. Katherine Salvatore tinha apenas oito anos e tentava fazer da minha vida um verdadeiro inferno durante as cinco semanas que passava aqui. A greve de fome era o menor dos meus problemas.
—Então diga ao pai dela para tomar uma atitude!
—Rosalie, eu gosto muito de você então vou te dizer de novo; deixe Vanessa longe de Katherine Salvatore, antes de está a torne uma pequena pestinha!
—Você é muito exagerada! -Rosalie saiu batendo os pés.
Eu estava com a razão. Vanessa havia sido um pequeno milagre, venceu a leucemia. Rosalie a adotou, com uma ajudinha do meu pai por seu solteira. Agora ela estava noiva de Emmett, mas na época se tornou mãe solteira. Eu não queria que a minha doce e linda Vanessa se juntasse com Katherine Salvatore e se tornasse uma pestinha.
—Tanya, agradeça aos céus por não ter uma enteada criança.
Ela forçou um sorriso. Eu desconfiava que Tanya queria uma criança. Só não sabia o porquê dela ainda não ter uma.
—Fique a vontade, eu preciso achar o seu enteado. -Tentei sair. Ela segurou meu braço.
—Sobre isso… eu o vi seguir em direção a piscina, com um maço de cigarro em mãos. E Bree Turnner acaba de chegar, com o filho do vereador. — Me informou.
—Bree está namorando o filho do vereador?- Me apavorei.
—É o que parece.
—Ok, vamos fazer assim; você vai atrás do Enzo, e o faz não fumar por aqui. Ele tende a te ouvir mais. Eu vou falar com Bree.
—O que vai dizer a Bree? -Tanya perguntou. Eu não fazia ideia.
—Apenas comprimenta-la. -disse a primeira coisa que veio a mente. Tanya e eu seguimos caminhos diferentes.
Antes que pudesse achar Bree, avistei Edward na rodinha dos políticos. Ele estava muito bonito e despojado, com uma camisa social e um paletó por cima. Os cabelos bagunçados. Ele parecia mais a vontade em meio aos homens importantes, certamente os trabalhos e apresentações na faculdade de engenharia o estavam dando a confiança necessária. Estaquei no lugar, inebriada pelo seu sorriso, seus modos. Um dia ele tinha sido todo meu, agora… agora eu tinha sua amizade e isso teria que bastar.
—Admirando o que não pode ter?
—Credo, Bree! — Reclamei com a jovem. Ela riu abertamente.
—Desculpe, senhora C.
—Nao sou mais a senhora C. -Revirei os olhos.
—Sempre será a senhora C, para mim e para minha mãe também.
Respirei fundo olhando bem a menina de dezessete anos a minha frente. O vestido curto estampado. As botas de cana curto. A melhor coisa que fiz foi ter ajudado ela e a mãe. Quando o namoro dela com o meu filho chegou ao fim, ela tinha uma mãe para contar, e todos os sonhos pela frente.
—Por que está namorando o filho do vereador? — A questionei.
—Olha, o Antony… é legal. -Ela encolheu os ombros.
—Enzo é mais. -Desdenhei.
—Foi ele que terminou comigo, senhora C. Não o contrário.
—O meu filho está fora de si, Bree. Fora de si!
Enzo odiava Damon, e viver sob o mesmo teto que ele- o apartamento para onde nós mudamos, depois que decidi vender a casa- não ajudava em nada. Algumas vezes eu tinha medo de que ele fosse morar com Edward e Tanya, mas ele nunca passava mais do que alguns dias na casa do pai. Ele não lidou muito bem com o divórcio, e depois de sua recuperação, a certeza de que não voltaria ao futebol… isso o destruiu um pouco. Fazia pouco mais de um ano que ele havia terminado com Bree, e de lá pra cá suas companhias e atitudes eram revoltantes.
—Enzo comentou com um amigo nosso… que não pretende ir para a faculdade no próximo ano. -ela disse baixo.
—Ele comentou comigo, não sabe se quer cursar direito. A verdade é que nem eu posso imaginar meu filho como um advogado.
—É o que o avô dele quer.
—Sim. Mas ninguém vai obrigá-lo a fazer o que o avô quer. — Lhe assegurei.
—Isso é bom senhora C, porque se isso acontecer vai destruir o Enzo.
—Não vou permitir que o meu pai se meta na vida do meu filho a esse ponto. -Garanti.
A festa de aniversário do prefeito transcorreu de forma tranquila.
Não vi Lorenzo fumando dentro do salão, muito menos lá fora o que queria dizer que ele ouvira o que Tanya havia lhe dito. Damon circulou e sorriu, eu podia vê-lo agora de onde estava, ele no bar, e eu na beirada da piscina.
—Difícil falar com você. -Edward me surpreendeu com uma taça de champanhe que aceitei.
—Seu filho que tem um pulmão e meio está fumando. -Contei.
—Já conversei com ele sobre isso. -Ele passou uma mão pelo cabelo.
—E…
—Ele apenas deu de ombros. É difícil dizer o que pode ou não fazer, ele tem dezessete anos agora.
—Não deveria ser tão difícil. -Suspirei.
—Precisamos deixar que ele tome as próprias decisões Bella, e aprenda com elas.
—Mas o cigarro…
—Se você vê ele fumando, vai notar que ele não tem muita prática. Acho que é mais para nós irritar que qualquer coisa.
—Ele me deixa mais preocupada que irritada.
—Eu também! -Edward arregalou os olhos para mim, e tive que rir da sua cara.
—Ele não se perdeu Bella. É um bom garoto, só está confuso.
Mordi o lábio controlando a vontade de chorar.
—Você está certo. É só...difícil às vezes. Às vezes penso que fui pessimista de mais com a recuperação dele, sempre deixando claro que ele não voltaria ao futebol.
—Você foi realista. Não o deixou criar ilusões e descobriu outras coisas em que é bom.
Limpei o canto dos olhos das lágrimas que queriam descer.
—Ele realmente é péssimo fumando? -fiz uma careta e Edward riu.
—Acho que ele odeia o cigarro! Puxa e solta, e as vezes engasga!
—Nosso filho é um péssimo rebelde!
—sim, ele é. -Ficamos sorrindo um para outro. Eu amava poder conversar um pouco com Edward sozinha, não acontecia com frequência e nosso assunto em geral era Enzo. Gostava do seu sorriso e atenção direcionados a mim.
—E a faculdade? -Perguntei.
—Incrível. Eu tenho aprendido tantas coisas! -Ele se lançou num monólogo sobre engenharia, onde eu não entendia muita coisa e fiquei concentrada na forma como os seus lábios se moviam, suas mãos passávamos por seus cabelos. Eu podia ficar horas ali ouvindo ele.
—Licença. -Fomos interrompidos por Tanya. Ela chegou passando um braço pela cintura dele, ela a abraçou e beijou seja cabelos de forma carinhosa. Senti o costumeiro aperto no coração.
—Oi meu amor. -Edward disse carinhoso.
—Pronto para ir? Tenho… aquela coisa importante amanhã. -Ela o disse.
—Claro, vamos. Só vou me despedir de algumas pessoas. -Imediatamente ele se inclinou e me beijou no rosto, fechei os olhos aproveitando o contato o máximo que podia.
—Gostou da festa? -Perguntei a Tanya.
—Perfeita como sempre. -Ela garantiu.
—Tanya...obrigada por falar com Enzo. Eu fico muito feliz por você fazer parte da vida dele. -E era a mais pura verdade. Aquela mulher amava o meu filho.
—Eu fico feliz em poder ajudar. Eu amo o Enzo.É só uma fase, vai passar.
—Estou contando os minutos para que passe. -Brinquei.
Edward voltou e os dois seguiram juntos para a saída. Eu estava conversando com duas senhoras quando Damon me alcançou.
—Vamos embora. -Sussurrou no meu ouvido.
—Não podemos! Sou a filha do aniversariante, só posso ir quando o último convidado sair.
—Nós vamos embora, agora. -Ele disse baixo e firme. Trazia a filha nos braços, que parecia dormir em seu ombro. Não ficaria surpresa se ela estivesse fingindo dormir.
—Pode por Kate num dos quartos de hóspedes, esse salão tem até isso! Peço a uma das garçonetes para ficar de olho nela.
—Que parte do agora está difícil demais para você entender?- ele levantou um pouco a voz atraiu atenção indesejada. Engoli em seco, era melhor não contrariado.
—Vou me despedir dos meus pais. -Falei.
Ele assentiu.
—Te espero no carro.
Dei um beijo rápido em meu pai, que estava radiante demais e eu podia apostar ser pela presença de Edward. Troquei algumas palavras com a enfermeira plantonista desta noite da minha mãe, a recomendando que me ligasse se houvesse qualquer problema com Renée.
Não vi Rosalie em lugar nenhum, a mandei uma mensagem dizendo para ficar de olho em Enzo caso o visse.
Damon estava no estacionamento, ao lado do carro parecendo impaciente.
—Se despediu da festa toda? -Debochou de braços cruzados.
—Se tivesse feito isto não estaria aqui. -Rebati. Ele devia ter posto Katherine dentro do carro.
—Você gosta disso não é?
Suspirei cansada demais para uma briga.
—Damon eu perdi alguma coisa? Realmente não estou entendendo sua atitude hostil. — Foi a minha vez de cruzar os braços.
Ele riu. Um riso alto e amargo. Olhei em volta me certificando de que não havia ninguém presenciando nossa cena.
— Cochichando e rindo com Edward. Acha que ninguém nota como olha para ele? Como se comporta perto dele? É ridículo para uma mulher de trinta e cinco anos!
—Estou muito satisfeita com a minha idade. Você está mais próximo dos quarenta se precisa ser lembrado. -Eu estava destilando ironia. É que realmente não estava a fim de brigar hoje com ele.
—Você olha para ele como se fosse uma estúpida adolescente apaixonada! -Esbravejou. -Todos notaram isso! Os barmans estavam comentando isso achando que eu não ouvia!
Aquilo me surpreendeu. Seria possível os funcionários contratos para aquela noite perderem seu tempo comentando a forma como eu agia perto do meu ex-marido?
—Sinto muito se minha rápida conversa com Edward, a respeito do nosso filho o incomodou tanto.
—Está trepando com ele? -soltou.
—O que? Você é louco!
—Não é possível alguém olhar assim para uma pessoa sem estar trepando com ela!
—Damon, foi uma longa semana, e uma longa noite. Sua filha já dormiu. Vamos encerrar essa discussão inútil e irmos para casa.
Abri a porta do carro. Ele me impediu de entrar.
—Só não está trepando com ele porque ele não te quer. -Sussurrou. -Lembre-se disso, Isabella, quando estiver perto dele; ele não te quer.
Me libertei do seu aperto. Me sentei no banco afivelei o cinto.
Sim, Edward não me queria. Ele estava muito feliz no seu atual relacionamento.
Por curiosidade olhei para o banco de trás, checando Katherine. Ela apertou os olhos e tinha um sorrisinho no canto da boca. Pestinha. Ela tinha ouvido minha discussão com o pai, ou visto que estavamos brigando e claro, estava feliz com isso.
Damon tomou o lugar do motorista.
—Katheirne não jantou. -Me contou.
—Ele poderia ter jantado com Vanessa, Rosalie preparou um prato para as duas.
—Você poderia ter se certificado disso. -Ele manobrou pelo estacionamento.
—Damon, eu gostaria muito de me envolver mais na criação da sua filha. De coração, eu gostaria. Mas ela não gosta de mim!
—Ela só tem oito anos!
—Ela fica sem comer para chamar a sua atenção, e me taxar de malvada! Eu não vou perder o meu tempo com essa garota, ela não é o anjinho que você pensa.
Ele não me respondeu, talvez soubesse que o que eu falava era verdade. Seguimos em silêncio para o apartamento onde morávamos, no centro. Abri a porta de casa, ele entrou carregando a filha ainda adormecida.
—Vou colocá-la na cama. Você pode… pelo menos trocar as roupas dela? -Ele sussurrou.
—É claro. Na verdade ela precisa de um banho, está calor e ela brincou bastante.
—Isso vai acordá-la. -ele recusou.
—Ela vai voltar a dormir rápido. -O segui para o banheiro do corredor, o apartamento era bem menor que a casa que meu pai havia comprado para Edward e eu, mas era bem localizado e eu gostava dele. Três quartos, um suíte, sala de visita, sala de jantar. Um banheiro no corredor, cozinha e área de serviço. Quase um apartamento popular. Era alugado de todo modo.
Me livrei dos saltos.
—Katherine, querida. -Falei de modo doce, com a menina sonolenta de pé no box.
—Eu quero a minha mãe. -Ela resmungou. Aquilo me amoleceu um pouco. Ela tentava fazer de sua estadia aqui um inferno para mim? Sim, mas ainda era só uma criaça lidando com pais separados.
—A mamãe não está aqui, meu amor. A tia Bella vai te ajudar com o banho.
Damon nos deixou quando comecei a despir a menina.
Não foi uma tarefa difícil, a sonolenta Katherine ajudou bastante. A enrolei na toalha de banho e a levei para seu quarto com algum esforço. Ela estava mesmo grande. A vesti no pijama e arrumei de forma confortável na cama. Deixei a porta do quarto entre aberta ao sair, para que a luz do corredor iluminasse um pouco.
Damon estava na sala com um copo de whisky em mãos.
—Vem cá. -Me convidou. Andei com cautela até ele, e me sentei em seu colo. -Me desculpe. Eu… fico louco de ciúmes quando vejo você com ele.
—Não deveria. Como você mesmo ressaltou ele não me quer. -Brinquei com seus cabelos ao falar.
—Você ama ele. -Ele constatou.
—Sim. Mas estou com você. Não era isso que você queria?
Ele fechou os olhos
—Parece que está comigo para me punir. Eu te tenho, mas seu coração é dele.
Beijei seu rosto. Segui a linha da barba até chegar a sua boca.
—Não podemos ter tudo. Eu tenho você e você me tem. Somos perfeitos um para outro. -Citei sua fala preferida. Ele apertou minha coxa e me puxou para um beijo punitivo. Havia tanta raiva ali. Eu queria feri-lo por ter destruído todas as chances que eu podia ter com Edward. Ele queria me punir por não corresponder o seu amor.
Eu devia era estar sozinha. Mas era covarde demais. Eu precisava dele, eu precisava sentir que era amada. E Damon me oferecia esse tipo de amor, o amor louco. Eu sabia que ele estaria lá por mim, aqui por mim. Eu era o que sempre quis, não? Ele podia me ter, ter o que restara de mim.
Meu coração sempre seria de Edward.
…
Acordei tarde na manhã seguinte. Era domingo e eu podia me dar esse luxo. Além do mais uma boa noite de sexo sempre me deixava mole. Vesti um kimono por cima do meu camisola preto, e segui o cheiro de ovos e bacon até a cozinha. Parei à porta observando a cena que se desenrolava; Damon mexia algo no fogão, com seu avental de chef. A mesa uma Katherine sorridente comia e falava animadamente com Enzo que tinha uma tigela com seu cereal favorito.
—Eu devo estar sonhando. -Murmurei.
—Sei que está um pouco tarde para um café da manhã, mas todos acordamos tarde.-Damon colocou um prato ao lado de Enzo e fez sinal para que eu sentasse.
—Não vi você chegar ontem. -Comentei com Enzo.
—Cheguei tarde. -Ele deu de ombros. -Aqui, Kate.
Ele colocou algo no celular e o deu a menina.
—Você é demais, Enzo! -Ela comemorou.
—Precisamos conversar sobre isso. -Falei severa.
—Sim, nós precisamos mesmo conversar. -Enzo disse sério e olhou para Damon.
—Terminou o seu café querida? -Damon perguntou a Katherine.
—Sim, papai!
—Vá se arrumar, então.
—A Bella não vai né? -Ela fez uma careta.
—Katherine… -ele a repreendeu. Ela pulou da cadeira e correu para o quarto
—Onde vocês vão?
—Rosalie chamou Katherine para passar o dia com Vanessa. Vou deixar ela lá. -Ele explicou.
Rosalie não está seguindo o meu conselho, se Vanessa se tornasse uma menina chata e mimada eu teria o prazer de dizer “eu avisei”.
Damon saiu alguns minutos depois com a filha, que abraçou Enzo de forma efusiva e fez uma careta para mim.
—Por que essa criança me odeia? -Resmunguei para Enzo.
—De um desconto a ela. Ela tem ciúmes do pai, só isso. Vem, quero te mostrar uma coisa.
Empolgada pelo meu filho adolescente estar dispensando seu tempo comigo. Entramos em seu quarto, ele ligou o notebook e colocou no YouTube.
—Não vou ficar surpreso por você ainda não ter visto. -Ele prometeu. Mantive a atenção na tela, onde um rapaz com violão era visível. O rosto não aparecia, apenas do pescoço para baixo, o foco todo no violão. O rapaz no vídeo começou a cantar. Fiquei impressionada.
—Filho… uau. -Me sentei em sua cama.
—No começo eu só tocava. Então comecei a escrever...compor.
—Olha quantas visualizações você tem! E esses comentários!
—Eu quero ser um cantor. -Ele disse.
—Filho isso é incrível! — O abracei.-Eu não acredito que não me contou antes!
—Eu comecei só pra me distrair. Mas agora está ficando sério, até recebi uma proposta da gravadora do marido da tia Alice! Já falei com ela, ela disse que eu posso confiar. Tenho que ir a Los Angeles para combinar as coisas…
—Espera, isso está indo rápido de mais. A dois minutos eu não sabia que você era… um famosa na internet. Alice já sabe disso?
—Ela viu meu vídeo na internet, daí me reconheceu e as coisas tomaram essa proporção.
Como Alice podia saber dessas coisas e não ter dado um telefonema?
Ela morava em Los Angeles agora, junto do marido famoso Jasper. Nós não nos falavamos tanto, mas a amizade nunca morreu.
—Temos que conversar com o seu pai primeiro. Precisamos de um advogado. E a escola? Você está indo para o último ano!
—Calma mãe. -ele riu. -Vai da tudo certo. Agora… um amigo disse que viu você é Damon discutindo no estacionamento ontem.
Ah não.
—Não foi nada.
—Nao gosto como aquele cara te trata. Como se fosse o seu maldito dono. -ele disse tudo devagar, baixo.
—Damon e eu nos desentendemos ontem. Está tudo bem, você viu durante o café.
—Nao gosto disso. Não gosto dele. Você não precisa dele, mãe. Seja lá o que ele disse…
—Filho, está tudo bem, ok? -Segurei seu rosto. -Eu estou bem, de verdade. Obrigado por se preocupar. Agora, vamos falar do meu filho músico!
Passei o domingo com Enzo, ouvindo suas músicas, e babando nele. Meu filho estava crescendo muito rápido, estava crescido. Todo dono de si, cheio de sonhos.
A semana começou bem, finalmente Ketherine voltaria para a Itália, meu filho não era um adolescente rebelde sem causa, e Edward havia me mandado uma mensagem.
''Soube que brigou com Damon no estacionamento do evento. Bella, pode se abrir comigo, estou aqui para ajudar. A hora que estiver pronta, ok? Tenha um bom dia.''
Então eu estava sorrindo feito boba, no trajeto até o hospital. Não era certo deixar Edward pensando que eu precisava ser socorrida do meu atual relacionamento, mas era tão bom ter ele preocupado comigo.
—Venho te pegar a hora do almoço. — Damon disse.
Suspirei. Eu não estava exatamente animada com a ideia de levar Katherine no aeroporto, mas estava feliz com ela indo embora.
—Tudo bem.
—Você parece feliz esta manhã. — Ele observou.
—Enzo vai se tornar um cantor famoso. Ele não estava me evitando por rebeldia, mas porque estava compondo lindas canções. Acho que ele se inspirou em Bree… ah, queria tanto que eles voltassem. -Divaguei.
—Aqueles videos bobos do youtube vão levá-lo a algum lugar? -Ele debochou.
—Você sabia?
—É claro que sim. -Ele revirou os olhos.
—Não são videos bobos, ele realmente tem um talento. -Me ofendi da forma como desdenhava do meu filho.
—Te pego por volta do meio dia?
—Claro. Estarei pronta. Vê se não esquece nada da Kate em casa.
—Vou checar.
Damon estava de folga do hospital. Agora eu trabalhava no atendimento, não era mais da emergência. Eu era a Dra. Isabella Cullen da neurologia, atendendo seus clientes com hora marcada. Senti meu bom humor diminuindo conforme adentrava o hospital. No passado havia sido diagnosticada com Estafa nervosa, e eu não me sentia nenhum pouco cansada no meu trabalho na época. hoje, que eu seguia minha terapia a risca, me alimentava bem, trabalhava com horário fixo, eu tinha meu trabalho como algo massante. Uma obrigação.
A manhã passou rápida, entre um paciente e outro, e dei graças por isso.
—Karlie, meu paciente das onze? — Perguntei a minha secretária. A secretária de todos naquele andar do hospital.
—Está atrasado Dra. Cullen, e o próximo ainda não chegou.
Isso era bom!
—Vou dar uma volta pelo hospital. Se chegar antes de mim, você me bipa, ok?
—Sim doutora. — Ela afirmou e voltou a se concentrar no computador a sua frente.
Achei que eu era merecedora de uma barra de chocolate, sai a procura de uma máquina, a mais próxima deveria estar no andar de baixo, usei as escadas. O fato de ter saído da minha sala me alegrou, eu sorri para todos que sorriam para mim o caminhei até a máquina de doces. Coloquei uma nota e meu doce caiu.
—Tanya? — Sussurrei. A mulher estava sentada numa das cadeiras de espera dispostas no corredor. Pareceu surpresa ao me ver. — Ei o que faz qui? Não está de férias?
—Ah Bella. Sim, estou. Vim… me consultar. — Sua voz saiu baixa. Notei que parecia fraca, e mais pálida que o habitual.
—Você não me parece bem. Por que ainda não foi atendida?
—Não marquei hora.
—Isso é caso de emergência. — A censurei.
—Não precisa…
—Ei! — Chamei um rapaz de branco, deveria ser enfermeiro. -Me ajude a levá-la para um quarto.
—Sim Dra. Cullen! — Ele veio de imediato. Era comum as pessoas me conheceram por ali.
—O que você está sentimento? — Perguntei a Tanya.
—Eu… estou com um pequeno sangramento.
Sangramento?
—Onde?
Então a mulher começou a chorar. Ah, não só podia ser…
—Você está grávida, isso? Deveria ter ido direto pra emergência, Tanya! Rapaz, chame o doutor Jacob!
Jacob não demorou a nos encontrar, levou Tanya direto para a ultra-sonografia. Eu os acompanhei.
Tanya estava tendo um aborto.
—Eu conversei com ela, disse para vir assim que sentisse algo… mas não posso culpá-la. -Jacob me disse fora da sala. Podíamos ver Tanya pelo vidro.
—Eu não sabia que ela estava grávida.- Sussurrei. — Se ela estava sagrado porque não veio direto para a emergência?
—Teremos que fazer uma curetagem. Acho que ela queria evitar isso, da outra vez foi mais no início. — Ele explicou.
—Outra vez?
—Eu não devia estar te falando essas coisas.- Ele lamentou.
—Sou médica também, Jacob.
—Não a médica dela. Tanya teve outro aborto a alguns meses, eu queria esperar para fazer exames mais completos, contudo ela ficou grávida de novo.
—O que está ocasionando os abortos?
—Ainda não sei, o primeiro taxei como espontâneo, não achei nada que justificasse algo mais complexo. Agora vou procurar com mais afinco.
—Estranho Edward não está aqui com ela. -Comentei. Quando perdi um bebê, Edward esteve todo o tempo ao meu lado.
—Ela não deve ter dito nada a ele, é a cara dela. -Ele suspirou. — Querer passar pelos problemas sozinha.
—Vou ligar para ele, ele tem o direito de estar aqui, e ela precisa dele.
—Devo esperar para dar a notícia a ela?
—É melhor, Jake. Perder um filho… -Eu parei me lembrado. Aquilo era uma grande merda.
—Eu lido com isso com um pouco de frequência. Estar sozinha nunca é bom. -Ele suspirou. — Vou avisar as enfermeiras para não entrarem na sala. E preparar tudo para a curetagem.
Corri de volta a minha sala em busca do meu celular.
—Karlie, cancele minhas consultas até as três. -Avisei. Nas escadas liguei para Edward.
Ele demorou atender, tive de insistir por quatro vezes.
—Bella? O que foi? — Ele finalmente atendeu.
—Ei Edward. — Eu não podia disfarçar o efeito que sua voz tinha sobre mim.
—O que aconteceu? Enzo está bem?
—Sim, nosso filho está ótimo. Eu… estou te ligando porque Tanya está aqui no hospital, e é melhor você vir para cá. — Eu não sabia como dar esse tipo de notícia, ao meu ex-marido. Ele ficou quieto.
—Por que Tanya não me ligou?
—Edward… apenas venha ok? Aqui conversamos. — Não esperei sua resposta, tinha certeza que ele ficaria me questionando mais.
Na hora que havia marcado com Damon, o esperei na entrada do hospital. Juntos fomos até o aeroporto deixar Ketherine com a acompanhante de voo.
—Se comporte, sua mãe estará lá no desembarque te esperando. -Damon a orientou.
Ela assentiu, não era a primeira vez que viajava assim.
—Quando eu vou te ver? — Ela perguntou ao pai, abraçada a ele. Revirei os olhos, nessas horas era fácil esquecer como Katherine me odiava, ela era só uma criança.
—No Natal. — Ele prometeu.
Ele não tinha falado nada comigo sobre passar o Natal na Italia, desde já eu não queria ir.
—A Bella vai também? — Ela perguntou como se não me visse parada ao lado deles.
—Kate, a Bella é namorada do papai. E o papai ama muito ela. — Ele contou. — Seja legal com ela e ela será com você. — Ele apertou a ponta do nariz dela. Ela riu.
—Te amo, papai.
—Também te amo princesa. De um abraço em Bella.
Me abaixei para ficar na mesma altura que ela.
—Até mais, Katherine. Foi muito bom ter você aqui. — Menti. Ela me abraçou e me beijou no rosto. Quase me convenceu de sua bondade, quase.
—Foi bom, Bella.- Ela deu de ombros.
—Vamos, senhorita Salvatore? — A comissária de bordo, que tomaria conta dela durante o voz, e a entregaria nas mãos de Elena na Itália, estendeu a mão e ela a pegou. Acenou para nós. Elas caminharam juntos alguns metrô, então Katherine parou, se virou e gritou;
—Desculpe por colocar água no seu kit de maquiagem!
Aquela pestinha!
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