Primeiros Erros

19 Livro II: Capitulo quatro


Notas iniciais
Finalmente to de volta! Tive que postar pelo celular, então espero que a edição não esteja não ruim :/ assim que possível -quando estiver no pc- edito direito. Boa leitura ❤️

Livro II: Capítulo quatro

‘’Apaixonar é reencontrar o que estava escondido dentro de si. É ver o que há de melhor e doar isso a alguém. Apaixonar é viver.’’ — trecho de ‘’Amar é viver’’ de
Glaucon César

Destinatário: Edwardcullencullen@gmail.com
Assunto: Ela precisa de você.

Edward,
Tanya precisa de você agora. Ela já tomou a decisão dela, cabe a você aceitar e apoiá-la. É muito mais do que ter o seu filho. É o único filho que ela poderá ter, esta é a única chance dela. Esteja ao lado dela, dando todo o seu amor e carinho. Não a critique, não se lamente para ela. A cergue do seu amor.
Por falar em amor, eu tenho visto tanto amor por aqui Edward! Em cada criança que cuida seu irmão menor, em cada mãe com seu pequeno filho desnutrido. Coisas que são tão corriqueiras para nós que temos “tudo” ao nosso alcance para eles parece um milagre! Dei uma garrafinha de água para uma menina, e ela saiu correndo, o máximo que suas pernas magras permitiam. Eu a segui e adivinha só? Ela foi dar a água a um garotinho muito menor! É muito interessante ver todas essas famílias e pessoas de uma cultura tão diferente. Me faz admitir que sempre agi como se mundo se resumia a mim, é ridículo, mas é verdade, nunca desperdicei tempo pensando no tamanho do mundo e que ele não girava ao meu redor.
Você tem conversado com Enzo sobre Bree? Eu realmente acho que o nosso filho gosta dela, e naquela época se sentia perdido, confuso e… bem, minha relação com Damon exigiu bastante dele. Tenho certeza de que ele não terminou com ela por não gostar mais, e sim porque queria ficar sozinho e se revoltar. Não acho certo ela não saber como ele realmente se sente.
Meu pai está sendo muito apelativo com você? Me desculpe se estiver, você já tem tantas coisas na cabeça, e ainda ter de lidar com o meu pai! Acho que nunca te disse isso, mas penso que Charlie vê em você o filho homem que ele sonhou e não teve. Louco né?
Espero que eu consiga ler sua resposta logo, se encontrar com Rosalie diga que estou com saudades, sim?
Diga a Tanya que estou muito grata por tudo o que ela tem feito pelo nosso filho, com toda certeza não é fácil ter um adolescente, enteado, vivendo com você! Ela é incrível, e eu sou muito grata a ela por tudo.
Me escreva, ok? Mesmo que demore para eu ver e responder.

Como eu poderia finalizar aquele email? Até mais? Beijos? abraços? Arght! Nada parecia bom!

—Bella, temos que ir! — Senna cutucou meu ombro. Ela já tinha se levantado da cadeira e desligado o computador.
—Não sei como terminar este email. — Confessei.
—’’Com amor, mamãe.’’ — Ela ofereceu.
—Não é para meu filho. -Fiz uma careta.
—Para quem é então? — Ela se inclinou agora querendo ver o que eu tinha escrito. Coloquei as duas mãos na tela, tapando sua visão.
—EI! Privacidade é bom! — Reclamei.
—Tomamos banho nuas num rio garota. Privacidade não existe mais! -Ela beijou meu rosto.
Suspirei.
—Eu realmente não sei o que dizer. — Confessei.
Ela suspirou de modo dramático, puxou o teclado para o lado tomando espaço, ombro a ombro comigo.
Vi o que ela digitou rápido.
‘’Com amor e carinho, da sua, sempre sua
Bella.’’
—Não!- Meu grito foi real, puxei o teclado de volta antes que ela enviasse. Senna riu alto.
—Bella, você precisa relaxar! Estamos aqui há quase quatro meses e eu preciso te contar que… -Ela se aproximou abaixando o tom de voz — você não pegou ninguém.
Corei.
—Eu...eu não quis e não quero ‘’pegar’’ ninguém!
—Ai é que está o problema! Sabe o Alaister? -Ela falou do médico australiano, sexy e gato. O que? eu tinha olhos! Eu não o queria, mas podia ver o quanto ele é lindo. E gato. E sexy. — Está totalmente na sua! E você não o dá a menor bola!
—Não vim aqui para namorar.- Olhei para a tela do computador. Apaguei o fim da mensagem de Senna. Me rendendo escrevi; ‘’Com carinho, Bella.’’
—Nenhum de nós veio, mas podemos nos divertir. — Ela piscou para mim.
—Nossa diversão é salvar vidas. — Me levantei, passei um braço por seus ombros. — E é isso que vamos fazer!

Destinatário: Isabellacullen55@gmail.com
Assunto: Passagem de tempo

Bella,
realmente já faz quatro meses que você está aí? O tempo tem passado de formas diferentes para nós, imagino.
É um pouco estranho eu me sentir tão melhor depois do seu email? Espero realmente que não ache isso, porque preciso de você. É ainda mais estranho porque você está longe e eu nunca te senti mais perto. Fiz o que você disse nos últimos dias, estou ao lado de Tanya, por mais que me sinta dividido perante sua escolha. Como ela mesma já deixou claro em mais de uma ocasião; a escolha é dela.
Que bom que o tempo aí está de reconectando a sua profissão! Eu sempre soube que você amava a medicina. Preciso concordar, você sempre foi egoísta. Este era um dos problemas entre nós, não? Você era egoísta e eu altruísta demais. Enzo tem tentado não falar sobre Bree por mais que eu veja o quanto o faz mal. Ela terminou com o namorado- isso se classifica como eu estar fazendo fofoca? — e o dois se aproximaram um pouco devido aos amigos, dos quais Enzo se reaproximou. Me doía vê-lo tão só, o fim do futebol o atingiu em cheio, mas agora vejo as melhoras que a música tem causado.
Estou indo muito bem com o seu pai, obrigado por perguntar! Ele parece outro homem desde que Renée ficou doente, hoje me sinto orgulhoso de tê-lo como prefeito. Estou fazendo uma careta ao digitar isso, mas é a verdade!
É uma pena que foi preciso a sua mãe ficar doente para ele parecer mais… humano.
De qualquer forma, ele foi um bom prefeito desde o primeiro momento, não? Então as coisas estão bem ajeitadas por aqui.
Mando lembranças a Rosalie sim. Logo seremos tios, nada confirmado ainda mas Emmett quer muito o bebê, você sabe, mesmo Vanessa sendo uma filha para eles.
Tanya ama Enzo, Bella. Ela fica feliz em tê-lo aqui, eles se dão muito bem. Mas irei transmitir seus sentimentos de qualquer forma.
Fique bem, se mantenha segura e alimentada.
Um abraço, Edward.

Eu li aquele email de Edward antes de dormir, num hotel que contava com wifi. Fazia semanas que eu não sabia o que era dormir numa cama confortável e o prazer da noite se foi por sentir ele tão frio.
O que eu esperava?
Pelo amor do Pai! Ele está num relacionamento, seria PAI de novo! Eu tinha a amizade dele, o que estava esperando? Coisas fofas?
Bufei deixando o celular de lado e fechando os olhos, com o travesseiro na cara.
—Não seja dramática, Bella. — Heidi me acusou.
—Você nem sabe o que foi! — Me defendi
—Está apaixonada pelo seu ex marido e desesperada porque ele tem outra família agora. Gostar de ex deve ser um saco.
Fiz uma careta sem querer concordar com ela.
—Você precisa se focar no agora. Ele já foi, já passou. Esqueça e siga em frente!
—Eu já segui em frente, estou em outro continente se você não percebeu. — Eu lutava para manter uma expressão séria e não parecer a menina birrenta que na verdade eu era.
—Mas evita conhecer pessoas! Tá todo mundo se pegando, meu bem, menos você! -Joguei um travesseiro nela, que pegou com habilidade.
—Não quero ficar com alguém só por ficar. — Justifiquei. — Quero gostar de alguém e ficar com essa pessoa.
—Pensando no seu ex marido não vai da oportunidade a ninguém. E convenhamos, aquele homem é bem difícil de ser superado!
—Heidi! Achei que você não gostasse de homens. — Provoquei.
—Eu não sou cega. — Ela piscou de forma maliciosa.

Os dias se passaram de forma bem distintos, alguns pareciam brilhantes e cheio de tarefas, outros pareciam se arrastar, e cheio de saudades. A diferença era marcada pelo lugar onde estávamos; se estivermos em um local mais afastado da cidade, os dias eram rápidos e cheio de afazeres, já quando estávamos perto de uma cidade, pareciam se arrastar.
Eu trocava email com Edward sempre que podia, tendo atualizações sobre Enzo, minha mãe, e até mesmo Tanya, e pode parecer estranho, mas agora eu me sentia mais próxima dele do que estive nos últimos dezessete anos.
É estranho, mas a verdade é que desde que nos separamos, nos tornamos mais...íntimos.
E agora estando tão longe fisicamente sinto que estou mais próxima dele.
Estávamos curtindo uma atípica noite em moçambique, comemos bem, tomamos banho -ainda que cronometrado — e bebemos um pouco além da conta. Eu não podia negar que Alaister estava de fato interessado em mim, então agindo com o máximo de diplomacia me retirei para meu quarto, o primeiro com uma cama de verdade em semanas, e com a cabeça leve de bebida me deitei enquanto o quarto girava a minha volta e eu ria sozinha. Peguei meu celular, já quase sem bateria devido a quantidade de fotos que tiramos naquela noite.
movida pelo espírito do ‘’estou bêbada, posso tudo!’’ peguei o celular e digitei uma mensagem de texto para Edward.

Eu:Já posso sentir falta de casa? Cinco meses…

Nada de mais? O tipo de coisa que você manda para um amigos!
Muito provavelmente ele nem receberia por conto do pouco sinal.
fechei os olhos curtindo a sensação de tontura. Senti o aparelho vibrar na minha barriga. Não era possível!

Edward: Tem permissão. Senti sua falta desde que você foi.

O que era esse emoticon? uma mistura de surpresa e timidez?
Meu coração disparou, eu precisava pensar numa resposta rápida. Sentei na cama, meu estômago revirou e vomitei no chão.
Que ótimo!
Peguei uma garrafinha de água a fim de lavar a boca. Arght! Eu havia esquecido como era horrível passar mal por conta disto!
Com o coração aos saltos, peguei o celular e digitei.

Eu: Mesmo? Agora quero voltar…

A reticência significava; ‘’voltar para você’’. Suspirei pesadamente, eu nunca poderia dizer isto! Ele tinha a família dele agora, os problemas dele, eu não podia me comportar assim!
Eu era idiota demais por me sentir toda adolescente diante de uma mensagem do meu ex marido!

Edward: Seria egoísta da minha parte te pedir para voltar, quando eu sei o quanto o tempo aí está sendo bom para você.

Fiquei olhando a mensagem sem saber como responder.
Edward com toda certeza poderia ser egoísta! Se ele pedisse eu voltaria correndo!

—Eu vou para casa! — Tive a brilhante ideia e peguei minha mochila jogando as roupas dentro dela. Eu não tinha progredido muito quando a porta foi aberta e meus amigos entraram de forma ruidosa.
—Falei que ela tinha subido. -Riley se jogou na minha cama. Não reclamei de suas roupas sujas, tão empolgada que estava para cumprir meu plano de fuga.
—O que está fazendo? O que… eca, Bella! Você vomitou no chão?! sua blusa tem vômito também! — Senna tirou a mochila da minha mão.
—O que você está fazendo? -Heidi questionou com as mãos na cintura. A postura foi tão autoritária e materna que eu quis rir.
—Vou embora! — Falei com tranquilidade.
—Está chorando? — Senna limpou meu rosto.
—Eu quero ir pra casa!
—Ah céus, é a primeira crise dela! — Riley comemorou.
—Estou falando sério! Preciso ir para casa e encarar Edward e implorar que ele voltou comigo! -Três pares de olhos me fitaram como se eu fosse louca.
—Ok… vamos analisar a situação. — Heidi disse de forma lenta, empurrou as pernas de Riley para o lado e se sentou. -Não pode jogar tudo pro alto e apenas ‘’ir’’. Precisamos de você aqui.
Ao meu lado Senna assentiu concordando.
—Somos uma equipe. — Afirmou.
—Segundo; você quer correr para casa e gritar ao seu ex marido que o quer de volta. Ele tem uma mulher agora, uma mulher grávida. — Heidi prosseguiu.
—E você não sabe se ele quer deixá-la. — Riley comentou.
Foi a bebida, eu podia apostar. Mesmo sabendo disto, não pude controlar o acesso de choro que se seguiu.
—Eu quero ele de volta! Eu fui burra e estúpida toda uma vida! Eu traí ele por conta de uma ilusão!
—Você… traiu o cara? — Riley pareceu descrente. Eu não tinha contado esse detalhe aos meus amigos.
—Não faça uma grande cena sobre isso, homens traem na maioria das vezes e são perdoados. — Heidi o cortou. Riley deu de ombros dando pouca importância.
—Só fiquei surpreso, longe de mim julgar.
—Você ganhou direito a um banho! — Senna comemorou. — Porque não se limpa, vou arrumar algo para comermos e você nos conta direitinho sua história com Edward?
Funguei, mas assenti concordando.

….

Contar aos meus amigos e companheiros toda a minha história com Edward, sem poupar o fim dela me fez bem. Foi a primeira vez que falei para alguém — que não fosse minha psiquiatra — o que aconteceu e como me sentia, sem editar nada.

—Vocês estavam desgastados. — Heidi observou. Depois de um banho, e comida, eu me sentia mais composta e lúcida. Como podia ter pensado em voltar para casa de um nada?!

—O cara tinha apenas vinte anos, e assumiu uma família com uma garota que tinha acabado de conhecer! — Riley parecia horrorizado com a atitude de Edward perante minha gravidez.
—Ele assumiu as consequências dos atos dele. — Senna deu de ombros. — Isso não é grande coisas, a maioria das minhas amigas se casaram com dezessete, dezoito anos, com caras da mesma idade ou quase.
Riley ainda estava espantada.
—Vocês no Brasil só pensam em constituir família?! — Questionou.
—Família é algo que damos muito valor mesmo. — Ela concordou. — Acho que no fim, é tudo questão de escolha. Veja eu, falei das minhas amigas, mas não me casei ainda, nem tenho filhos.
—Achei que o foco da conversa fosse Bella. — Heidi chamou a atenção deles.
—Já falei o que houve. Agora eu sou apaixonada por um homem que já me pertenceu e hoje é de outra. Fim da história. — Eu quis me levantar da cama, mas minhas pernas estavam muito entrelaçadas a dos meus amigos.
—Ei! — Heidi segurou meu braço. — Esse não precisa ser o fim.
—Ele tem outra, Heidi. Outra mulher que ele ama, que está grávida, que precisa dele. Nem se se ele… correspondesse aos meus sentimentos, teríamos coragem de fazer isto com Tanya.
—Pois é, falando sobre corresponder, vendo aqui a conversa de vocês ele corresponde sim. Riley tinha meu celular nas mãos. Quando ele havia pego?
—Não te dei permissão para ler minhas mensagens!
—Estou fazendo isso para te ajudar. — Ele continuou com o aparelho em mãos.
—Mas tem essa mulher entre vocês então. — Senna constatou.
—Ela é uma boa pessoa. — Falei.
—Ninguém aqui disse que não era. — Heidi se manifestou. — Mas ela está no caminho de duas pessoas que se amam, isso não é justo.
—Não é justo eu me interpor na relação deles, Edward está com ela porque quer, porque gosta dela. — Era difícil diz aquilo, mas eu não queria ter falsas esperanças, ou magoar alguém neste processo.
—Bella, vocÊ errou? sim, claro, mas Edward também foi permissível demais! Ele deixou você viver sua vida, sua carreira sem cobrar nada de você.,
—Ele não culpa por isso.
—Mas agora você se culpa! Não é justo.
—E sobre esse Damon… já acabou. Pelo tom das conversas de vocês dois, ele já te perdoou, e na verdade, para ser bem sincero, se essa Tanya ver o tipo de mensagens que ele troca com você, todo carinhoso e preocupado… ela já vai considerar isso uma traição.
—Você foi apaixonada por esse Damon? — Senna me questionou.
—Sim. — Respondi. — Não por ele em si, mas pelo Damon que eu criei. É fácil amar quem não está perto, quem você não conhece realmente. Tudo que eu tinha dele eram lembranças, de como éramos, sabe? Eu me apegava isso e quando o vi… — Suspirei com raiva das minhas atitudes. — Foi divertido. Fácil.
—Bella, já passou. — Heidi me olhou seria. — Você se arrependeu, viveu aqui e acabou. O que vai fazer de agora em diante? É isso que importa, não o que já passou.
—O que nosso exemplo masculino acha? — Senna questionou Riley que tinha sua cabeça apoiada na barriga dela.
—Acho que o cara ta na sua. E você devia esquecer, seguir em frente.
—Mas se ele corresponde aos sentimentos dela, qual o ponto de seguir em frente? — Sennna parecia perplexa e eu quis rir.
—Ele tem alguém agora. Seguiu em frente. Ele tem uma história com ela, e se preocupa. E só. Esquece ele. — Riley se levantou de forma bruta, saiu pela porta a batendo.
—Que porra deu nele?! — Senna questionou.
—Ele esta a fim de Bella.- Heidi explicou.
—Não vai rolar. — Deixei claro.
—Ele sabe. A questão aqui é; você realmente não pode dar uma chance ao desconhecido?

—Oi Bella! — Tanya acenou pela tela do computador.
—Ei! -Eu estava surpresa por vê-la. Estava esperando ver apenas meu filho naquela noite.
—Enzo foi tocar de última hora na lanchonete do bairro, é aniversário de uma amiga dele. Como já tinha marcado de te ver hoje ele pediu que eu ligasse. — Ela logo esclareceu.
Ah… que brilhante da parte do meu filho, achar que eu gostaria de conversar com Tanya!
Nada contra, só era… estranho.
—E as coisas, como estão? Estou tão grata por você aceitar Enzo na sua casa!
—Enzo é um amor! E o filho de Edward, é claro que é bem vindo aqui. — Ela sorriu. parecia radiante e saudável.
—Mesmo assim, não faz com que seja menos o que está fazendo por mim.
—É ótimo ter Enzo aqui, tocando, com seus amigos! Eu estou de licença no hospital, passa a maior parte do tempo em casa, com os plantões do Edward eu fico muito só.
—Ele está de plantão agora? -Era uma pergunta inocente.
—Sim. — Impressão minha ou os olhos dela brilharam ao falar dele?
—E como vai… o bebê? — Eu precisava mesmo ter engasgado nessa parte?
—Se desenvolvendo como se espera. Imagino que Edward tenha te contado tudo sobre isso. — Ela pareceu insegura. — As vezes acho que ele está muito bravo por eu levar essa gravidez adiante.
—Ele se preocupa com você. Não é rejeição ao bebê, é medo… de te perder.
—Você o conhece bem. — Não tinha nenhuma agressividade na sua fala, não que eu tenha detectado pelo áudio ruim.
—Bom tenho alguns anos a sua frente. -Brinquei.
—E qual a sua opinião?
—Sobre? — FIquei confusa.
—Essa gravidez, Edward comigo…
—Tanya, vocês estão juntos a dois anos!
—Mas nós nunca falamos sobre isso.
—Ele ama você. — Frisei. — Ela está com você por isso, não por qualquer obrigação que você possa achar que ele tenha com você.
—Mas é com você que ele conversa sobre seus medos.
Suspirei. Obrigado Enzo, você me colocou num problemão.
—Edward conversar comigo sobre… como se sente te deixa insegura? Porque eu posso garantir…
—Ele também ama você. — Ela contou. Senti meu coração perder uma batida ao ouvir aquilo dela.
—Eu sou a mãe do filho dele. Assim como você também será.
—Talvez eu não viva o bastante. — Ela desviou o olhar. -Eu deveria me tratar, mas não posso abortar esse bebê! Eu sempre quis ser mãe.
—Não estou julgando você — Deixei claro.
—Edward está… distante. E eu não sei o que fazer.
Ah, quem diria que eu estaria ali, no lugar da ex mulher, apaixonada, dando conselho para a atual?
—Tanya…
—Bella, temos que ir! Agora!- Riley invadiu meu espaço aos gritos.
—Desculpe Tanya, tenho que ir. — Pelo tom de Riley era algo muito sério e urgente, era errado eu me sentir feliz por ter sido salva daquela situação, mas eu estava feliz.
—Tudo bem, vai lá. — Ela acenou. desconectei rapidamente, peguei um jaleco e corri atrás de Riley.
—Confronto entre facções criminosas . -Ele explicou. — Tem muito feridos.
Mantive meu foco na tarefa, qualquer coisa que tinha pensando em falar com Tanya sumindo da minha mente.

….

Bella: Eu queria mesmo fazer um tour na Africa do Sul, e um safari. Não vi nenhum animal selvagem!

Edward: você não deveria estar comemorando este fato? Está segura!


Bella: E que diversão há nisso?

Edward: você sempre encontrou a diversão onde quer que estivesse. Aposto que é a diversão entre seus amigos.

Mordi o lábio pensando numa resposta. Não, eu não era diversão, isto é, se eu não
considerasse o quanto meus amigos riam de mim. A mulher apaixonada pelo ex-marido.

Bella: Não sou a divertida, sou a que lembra que todos precisam ir dormir!

Edward: gostaria de ver isso.

Bella: Eu gostaria de ver você.

Pronto, eu falei. Sete meses longe era tempo o bastante, e eu queria falar. Queria ser completamente sincera com o que sentia.
Mesmo que minhas chances com Edward agora fossem nulas, eu queria deixar claro que o amava.

Edward: Que grande confusão nos metemos.

Está foi a ultima mensagem que recebi de Edward por dias.
No dia seguinte um ciclone atingiu a cidade que estávamos em Moçambique e tudo virou uma loucura.

(...)

Edward.

Eu amava Tanya.
Amava seu sorriso.
Amava a forma como ela fazia pão todo domingo de manhã.
Amava a forma como tratava meu filho, e gostava do olhar apaixonado que me lançava quando pensava que eu não estava olhando.
Eu amava fazer aquela mulher feliz e estar com ela.
Mas eu não estava apaixonado por ela.
Eu continuava apaixonado por Isabella, era assim há dezessete anos.
Nos últimos dois anos foi fácil, eu me envolvi com alguém que me fazia bem, Bella por sua vez assumiu um relacionamento com Damon.
Por vezes eu me vi imaginando estar ao lado dela de novo. Por vezes meu orgulho fez com que eu me afasta-se dela.
Mas Damon não era bom para ela, e por vezes eu tive meu filho desesperado na minha porta ouvir sua mãe e Damon discutindo. Perdi as contas de quantas vezes chamei Damon para um conversa com medo da sua relação com Bella estar causando algum mal a ela. Ela por sua vez sempre descartou, mas eu sentia que sua relação com ele funcionava mais como uma punição auto imposta.
Naquela época amei mais ainda Tanya, por seu entendimento e paciência comigo. Bella era mãe do meu filho, sempre me preocuparia com ela. E sempre a amaria de qualquer forma.

Estar com Tanya era bom, certo, fácil. Por que eu não podia me aquecer Bella e me concentrar cem por cento na relação que eu tinha?
Tudo ficou mais difícil com sua ida para a África. Ela parecia tão madura, tão segura! Ali eu via uma faceta dela que até então era desconhecida para mim; a Bella realmente altruísta.
E na sua distância física ela se tornou emocionalmente próxima.
Talvez minha distância de Tanya tenha contribuído para minha aproximação de Bella. Talvez nada tivesse a ver, era só algo natural que aconteceria quando nossos corações estivessem curados.
—Você está com a aquela cara de novo. -Tanya comentou jogando seus pés no meu colo.
—Que cara? -Sorri, ela havia acabado de acordar.
—De quem só está aqui de corpo. — Ela bocejou espalmando a mão na barriga, que logo teria cinco meses completos.
—Estava refletindo.
—Sobre…
—Sobre a vida.
— Quem pensa demais não vive. — Ela fez uma careta ao tentar se levantar
—O que está sentindo?
— Só um pouco de dor, não é nada
—Tanya, dor é alguma coisa
—Não precisa se preocupar, não é nada fora do comum
Comum. Eu não podia aceitar Tanya taxar a dor dela de algo comum
—Devemos ligar para sua médica.
—Não não devemos. Eu vou. -ela se calou colocando a mão sobre a boca e disparou para o banheiro. A segui, a encontrando ajoelhada diante do vaso vomitando.
Estava sendo uma gravidez muito difícil de se levar. Além do diagnóstico de câncer no colo do útero, Tanya passava muito mal e não conseguia se alimentar direito. Tudo ela vomitava, ou a deixava enjoada.
—temos que ir para o hospital.
—Não precisava, já disse que estou bem
—Tudo que você comeu nas últimas vinte quatro horas teve o mesmo destino, o vaso sanitário. Não está conseguindo se alimentar, isso é perigoso
—Eu…
—não estamos negociando. — A ajudei a se levantar. Com cuidado a despi e ajudei no banho. Ficamos o tempo todo em silêncio. Quando ambos estávamos prontos para irmos ao hospital ela me deteve no correr.
—Desculpe por tudo isso. Eu não queria que fosse assim. -Ela começou a chorar.
Segurei seu rosto e toquei minha testa na sua fechando os olhos.
—Estamos juntos nisso. Eu te admiro muito pela sua escolha e a respeito.
—Mas não a faria. Se fosse Bella e não eu…
—Ei… não, não pensa desse jeito. Sabe que Bella e eu também perdemos um bebê. Eu não tenho tanta certeza de qual seria a decisão dela se estiver na mesma situação. Eu só sei que estaria ao lado dela, como estou ao seu na sua.
—Eu amo você. — Ela disse e pela primeira vez senti o peso daquela declaração, porque não a amava da mesma forma. Tinha sido um erro me envolver com Tanya quando eu amava outra mulher. Tinha sido um erro começar uma vida ao lado dela sem poder corresponder aos seus sentimentos a altura. -Amo o homem que você é e por estar ao meu lado nessa situação que não escolheu.
—Vamos cuidar de você agora, ok? -declarei a beijei na testa.
O fato de Tanya não conseguir se alimentar como deveria era um problema, mais vitaminas foram receitadas, uma dieta especial foi criada. Repouso absoluto por conta das cólicas.
—Podemos saber o sexo hoje. — A médica declarou.
—Você quer saber? -Tanya me perguntou com os olhos brilhantes, o sorriso inseguro.
—Claro. Podemos começar a comprar as coisinhas dele ou dela melhor. -Segurei sua mão. Ela estava deitada na maca, a barriga exposta. Ela assentiu para médica.
—Bom, eu já sei o sexo do bebê. -Confessou para nós. Continuamos olhando o tela que pouco nos dia do bebê. — É uma menina.
Aquela som de coração veloz batendo ganhou um rosto. Ou um jeito. Uma menina. Bonecas, laços, fitas de cabelo.
Meu filho já estava com dezessete anos, e imaginar uma pequena garotinha andando pela casa, me chamando de papai…
Senti os dedos de Tanya limpando uma lágrima da minha bochecha que ainda não tinha percebido.
—Uma menina. — Eu disse para ela e sorri feito bobo.
—Sim. -Ela sussurrou o rosto banhado em lágrimas.
—Vou dar um tempo a vocês. Quando estiverem prontos voltem a minha sala. -A doutora nos deixou.

Eu quis passar numa loja de bebês na volta para casa, compramos alguns vestidos e laços. Tanya achava tudo muito exagerado, porque bebês cresciam muito rápido e perdiam muitas coisas, mas eu não me importava.
Olhei meu celular de novo apesar de estar dirigindo, eu havia mandado uma mensagem para Bella falando que teríamos uma menina. Ela ainda não havia respondido, mas eu não deveria ficar ansioso, afinal ainda não havia amanhecido por lá.
—Vou pedir a minha mãe para vir para cá. Já que preciso fazer repouso absoluto, será mais fácil com ela aqui me ajudando.
—Tem razão, não fico tranquilo em te deixar sozinha.
Fizemos o resto do percurso em silêncio, Tanya olhando os lacinhos na caixinha e eu perdido em pensamentos, imaginando o que Bella diria sobre a bebê que eu e Tanya teríamos. Eu queria muito que a reação dela fosse positiva.

—Onde você estava?! — A voz rude veio de um Enzo no meio da sala da casa de Tanya.
—Bom dia para você também. -Adentrei com tranquilidade. -Onde você dormiu aliás?
—Um ciclone atingiu a cidade onde a mamãe estava! A comunicação foi cortada, não se tem notícias de ninguém lá! As imagens mostram destruição e inundação!
—Calma filho, isso é muito sério.
—Não tem como ficar calmo! Não se tem notícias de lá, e os jornais não estão fazendo uma cobertura maciça! Minha mãe pode estar… morta. — Ele disse a última palavra e se jogou no sofá.
—Ela não está. -falei firme.
—Você é sempre otimista demais porra! Isso é irritante em você! Damon tinha razão, você é um fraco!
Ele gritou e saiu batendo a porta. Tanya estava pálida olhando a cena.
Respirei fundo, Enzo estava nervoso.
—Ele não quis dizer aquilo. -tanya sussurrou.
—Ele quis sim e você sabe. -Fui lógico. -Ele não é mais criança, dizer o que ele quer ouvir não vai funcionar. Vou atrás de notícias, e atrás dele. Você está bem?
Ela assentiu.
—Me informe quando tiver notícias dela. Eu vou ficar de olho na internet.
—Pode deixar. — lhe dei um beijo na testa, pegando meu celular e carteira deixei o apartamento.
Bella estava bem. Poderia ser muito inocente da minha parte imaginar isto, mas era o que eu sentia. O que eu ganhava pensando no pior?
Um mundo sem Bella. Ela tinha que estar bem, ela tinha muito o que viver agora! Estava se redescobrindo, crescendo e amadurecendo. Ela não podia morrer!
—Ela está bem. -Sussurrei sem parar durante todo o caminho até a prefeitura.
Nós tínhamos a droga de uma vida bagunçada! Nós cometemos erros atrás de erros tendo a certeza de que estávamos agindo certo.
Ela se envolveu com Damon para se punir pelo seu erro, passou fudido dois anos ao lado dele aceitando a punição por um momento de loucura.
Eu passei dois anos tentando amar uma mulher incrível que me ama, sendo guiado pelo orgulho e a necessidade de inflar meu ego.
Bella não podia estar morta, porque tínhamos que concentrar toda essa bagunça e…
E ficarmos juntos.

Notas finais
O ciclone é real e atingiu o sul da África na semana passada. Vejo vocês nos comentários e no Instagram? KKK bjs