Primeiros Erros

21 Livro II: Capítulo seis


Notas iniciais
Presentinho de pascoa! Desculpem por demorar, mais uma vez, é que estou no ultimo período da facul, trabalhos para entregar... me atolei um pouco. Como sempre muito obrigado pelos comentários, vou lá responder assim que der. Boa Leitura ♥

Livro II: Capítulo seis

‘’Depois do erro a redenção.’’ — Pulsos, Pitty.

Bella.

No último ano eu conheci muitas pessoas. Pessoas que me ensinaram coisas únicas, que me transformaram de uma maneira extraordinária, em e fez desejar ter agido de modo diferente em diversos momentos da minha vida.

Passei por dias difíceis, dias tristes, dias cansativos.

Houve dias que tudo o que eu desejava era minha cama, meu banheiro.

Teve dias que eu quis abraçar meu gato, Yuno.

Teve dias que eu queria voltar no tempo e aproveitar mais da infância do meu filho.

Houve os dias em que eu chorei de ódio, por ter coloca os sentimentos de outra pessoa a cima dos meus, e estar longe do homem que eu amava mais a cada dia.

Como era possível eu amar Edward, mesmo ele estando a milhares de quilômetros de distância, vivendo a vida dele com sua família?

Eu tive crises de ansiedade horríveis, que tentei esconder da melhor forma que consegui. No último ano, Heidi quis me mandar de volta para casa inúmeras vezes, mas eu a convivência no fim que ela sentiria muito a minha falta, já que Senna tinha voltado a Brasil, e Riley não ficava tanto com o nosso grupo.

Estávamos na Angola, e o trabalho era mais tranquilo agora, ficávamos muito com crianças quando não estávamos atendendo a população local. Conhecemos um grupo de missionários cristãos brasileiros, a maior parte um pouco mais velha que meu filho — o que fazia a saudade dele aumentar. Aprendi muito com aqueles jovens, tive até um pouco de inveja deles, do seu senso de ‘’saber’’. Eles sabiam o que queria da vida, qual era a sua missão aqui. Da idade deles eu só pensava em mim mesma. E foi quando eu exteriorizei esse pensamento para Michelle, uma jovem de vinte e um anos, que suas palavras me transformaram. De novo.

—A vida não é uma corrida, Bella. — ela me disse em inglês, devagar testando as palavras para ter certeza de que falava corretamente e eu tinha entendido. Muitos deles não falavam inglês, aprendemos muito da língua um do outro. — As coisas que você viveu, seus propósitos… te trouxeram até aqui. O que seria de mim, se você aos vinte e um anos não estivesse cursando medicina tão avidamente? Não estaríamos tendo esta conversa!

—É que… as vezes bate o arrependimento pelas coisas erradas que já fiz. — Confessei.

Ela suspirou.

—Confesse. Diga como se sente, peça desculpas. Se perdoe, e siga em frente. Não pode apagar o passado, mas pode aprender com ele, como vejo que aprendeu. O que importa, é sua vida daqui para frente.

Conforme os dias se tornaram meses, eu fui me assegurando da minha decisão de permanecer naquele continente. Charlie veio me visitar duas vezes, uma logo depois que Enzo e Edward voltaram aos Estados Unidos, e outra vez não faz muito tempo. Ele conseguiu ajuda para aquele país, e onde eu estava duas escolas estavam sendo construídas. Ele continuava duro e exigente, e nós não conversamos muito sobre coisas pessoas ou que já tinham passado, mas eu sentia um laço forte entre nós se formando.

Em poucos meses, a doença da minha mãe parecia ter avançado muito, e depois de um ano e quatro meses fora, eu não tinha certeza do que ainda me prendia na Angola.

Eu não tinha certeza se queria ver minha mãe tão debilitada.

Eu queria estar com ela, eu tinha liberado… todo o perdão.

Eu só não sabia se conseguia estar ao seu lado nesse momento.

—É egoísmo meu. — Concluí falando com Edward ao telefone.

—Você está com medo, é compreensivo. Mas, Bella… quando ela se for…

senti um nó na garganta se formando, pisquei para afugentar as lágrimas que se formavam no canto dos meus olhos.

—Você vai se lamentar por não ter estado ao seu lado.

Eu sabia que ele tinha razão.

Algumas crianças passaram correndo por mim.

—Cuidado! vão acabar se machucando! — Os repreendi, eles riram para mim. Tive de sorrir de volta com afeto. Eu tinha um carinho especial por cada um deles.

—É muito engraçado vê você com essas crianças. Você as está ajudando muito. — Ele disse. Eu enviava fotos e vídeos para ele direto.

—Eles que estão me ajudando, Edward. Ah, Valentina está tão linda! Como é possível ela só tem nove meses? Ela vai falar logo, Edward!

Ouvi sua risada orgulhosa do outro lada.

—Uma pequena guerreira. Você tem que vê-la com Yuno! A primeira palavra dela será Yuno, tenho certeza!

—Não, Tanya não merece isso. — Brinquei.

—A primeira palavra dela não será mamãe. — Ele zombou.

—Você quer que seja papai. — Provoquei.

—Acho que perdi essa, será Yuno.

ficamos em silêncio após rimos de novo.

—Bella…

—Eu preciso ir.

—Bella, eu preciso te contar uma coisa. Já era para te falado, mas não queria te pressionar a nada.

Fiquei muda.

—Ainda existe um possibilidade de um ‘’nós’’? — Ele perguntou e meu coração parou.

Foi quando um Riley sorridente apareceu na minha frente, depois de muitas semanas.

—Isabella! — Ele gritou mesmo estando bem na minha frente.

—Eu tenho que ir. — Sussurrei e desliguei em choque.

O sorriso de Riley morreu.

—Aconteceu algo? Sua mãe…

—Está tudo bem.- Respondi.

—Parece que você viu um fantasma!

—Vi você. — Dei de ombros tentando me recompor. Ele fez uma careta.

—Mulher, sou o homem mais lindo que você conhece.

—Sonhe. — Brinquei e o puxei para um abraço.

Durante todos esses meses, evitamos falar de ‘’nós’’. Eu não sabia como ia a relação de Edward com Tanya, eu evitava pensar ou falar nisso. Nem mesmo Rosalie comentava nada sobre eles, e eu não perguntava! Não queria ser esse tipo de mulher. Que torce para um relacionamento acabar.

Por que Edward tinha perguntado sobre nós?!

—E que atitude de doze anos a sua para desligar na cara dele! — Heidi reclamou quando a contei o que havia acontecido.

—Eu não sabia o que fazer!

—Dissesse a verdade. ‘’Sim, Edward. há a possibilidade de um nós! você está solteiro?!’’ Bella, não deixe a vida passar sobre você! Eu vou ligar para Edward, e deixar claro que sua xota tem estado reservada para ele. — Ela vasculhou os meus bolsos em busca do meu celular.

Xota?! — Eu ri da palavra, enquanto ela me apalpava e eu me esquivava. Ela parou bufando.

—Senna. — Ela disse o nome em explicação. Sentimos muito a falta de nossa amiga, que tinha sempre nomes diferentes para se expressar.

—Eu vou ligar para o Edward, ok? E ter uma conversa adulta. Mas primeiro… eu vou conversar com Rosalie e saber como as coisas estão. — Ela revirou os olhos e eu fiz uma careta.

—E agora Alice está metida neste escândalo! — Rosalie disse apavorada e eu ri.

—Tenho certeza de que ela vai se sair bem dessa.

—Bella, você está muito afastada do ‘’mundo cruel’’. Gaste um pouco da sua parca internet e procure o nome de Alice, você vai ficar em choque.

—Ok, mas nós sabemos que ela e Enzo não tem nada, pelo amor de Deus, ela o viu bebê! — Eu cai na gargalhando pela fofoca dos tablóides, que inventaram que Enzo e Alice estavam num romance secreto, onde ela trai seu marido e músico Jasper Withlock, com meu filho, e também músico, Enzo Cullen.

—Como Bree está lidando com tudo isso?

—Rindo como você. Não deixo de me surpreender com essa menina, ela confia muito em Enzo.

—Eles se amam. — Expliquei.

—Mesmo assim! Ele está vivendo em Los Angeles! Ainda não entendi porque ela não se mudou com ele.

—Ela quer ficar perto da mãe. — Suspirei. Bree passou boa parte da infância e então da adolescência sofrendo com uma mãe viciada e ausente, era difícil para ela se afastar da mãe lúcida que tinha agora.

—Mas ela que viver a própria vida. — Rosalie argumentou.

—Concordo. — Falei vagamente.

—Vamos, diga logo. Sei que essa ligação no meio da noite não foi atoa.

—Eu te acordei? — Repeti o que perguntei logo que ela atendeu minha ligação.

—Não, você sabe. Está difícil de dormir.

—Seis meses, né? — Perguntei.

—Sim, mas estou muito imensa. Emmett quer fazer aqueles ensaios de gestante, mas não sei se aguento.

—Você precisa fazer! Não seja chata!

—E você precisa estar aqui quando seus sobrinhos nascer. Ou sobrinhas. Eles não estão colaborando para vermos o sexo. Pronto, me distraí! Por que ligou Bella?

—Ah… e Vanessa?

—Está ótima. Por que você ligou Bella?

Me rendi.

—Edward me perguntou uma coisa da última vez em que nos falamos… e eu congelei. Descobri que precisava de mais detalhes antes de continuar a conversa com eles.. Rose? Ainda está aí?

—Sim, estou… o que você quer saber?

—Edward e Tanya estão juntos? -Mordi a língua assim que as palavras saíram. Minha resposta foi o silêncio de Rosalie do outro lado da linha.

—Bella…

—Apenas me responda sim ou não!

—O que ele te disse?

—Eu não perguntei isso a ele!

—Que pergunta ele te fez para que você quisesse saber disso, e não perguntasse diretamente a ele?!

—Rose, por favor! eu preciso que você me responda!

—Me conte, o que ele disse. — Ela insistiu. — E diga logo, porque os bebês se acalmam aqui dentro, e vou aproveitar para dormir.

—Ele perguntou se ainda existe a possibilidade de um ‘’nós’’. -Falei exatamente o que ele tinha me dito. Eu podia ouvir sua voz, como se ele estivesse bem, ali, do meu lado.

De novo o silêncio.

—Rose? — Achei que o sinal tivesse caído.

—Você sabe a resposta. Não precisa me perguntar isso. -Seu tom era de graça.

—Isso não é engraçado, Rose!

—É sim! Nunca te vi toda adolescente insegura, nem mesmo quando era adolescente.

—Prima… — Apelei.

—Isabella, você conhece o Edward. Ele pensaria em vocês se estivesse preso a outro relacionamento?

Prendi a respiração.

Prima, você está sendo boba.

—Mas… desde quando?

—Você também sabe a resposta dessa pergunta. Converse com Edward. ARGHT! Você passou esses meses todos conversando com ele, e até mesmo com Tanya, e ninguém comentou nada?!

—Você também não comentou nada! — Acussei.

—Nós não temos conversado tanto, e achei que você soubesse e não quisesse… sei lá, fazer fofoca!
—Agora eu estou muito afim de fazer fofoca!

Rimos juntas.

—Bella, quando você estiver aqui fofocamos sobre isso. Eu realmente preciso dormir agora.

—Vá descansar, Rose. Te amo, se cuida.

—Você também.

Mesmo sabendo disso, eu não consegui me decidir a voltar para casa. Eu estava pronta para começar algo com Edward?

A decisão de voltar foi tomada pelo destino, dois dias depois.

Meu pai ligou, informando que Renée havia sofrido um AVC*

Por sorte, ou destino, no dia seguinte ao que recebi a notícia, um grupo com novos médicos voluntários chegou, e no dia seguinte eu poderia ir.

Quando ele desceu da van dos voluntários, eu não fiquei tão surpresa. Talvez uma parte minha, a que sempre estaria conectada a ele, o sentiu chegar.

Ele tão pouco pareceu surpreso ao me ver ali.

seu sorriso de lado, os olhos mais azuis. Ele não tinha mudado nada, se possível parecia mais bonito.

—Damon. — O cumprimentei sem cerimonias, contudo não me aproximei para um abraço.

—É aqui que você se esconde em busca de redenção. — Ele olhou em volta.

Acompanhei seu olhar, a escola recém construída ao lado do posto médico, a quadra logo a frente onde algumas crianças tinham aulas de futebol.

—É um ótimo lugar para esse propósito. — Dei de ombros.

Ficamos parados, sem falar, olhando em volta.

—Você quer saber porque eu realmente estou aqui. Primeiro, não estou te perseguindo.

—Fico muito aliviada de saber isso. — Sinalizei, mesmo achando impossível que fosse o motivo.

—Segundo, foi uma ideia da Elena.

—Estão juntos de novo? — Isso sim era uma surpresa.

—Sim, desde que… você me largou voltei para Itália disposto a destruir o relacionamento dela com meu irmão. — Ele arregalou os olhos de forma teatral. Cruzei os braços na altura dos seios esperando que ele continuasse.

—Talvez eu esteja exagerando só um pouquinho sobre tentar destruir a relação deles.

—Só um pouquinho. — Fiz coro.

—Acha que podemos ter uma conversa adulta? — Ele soltou. — Sem ironias, apenas dois adultos colocando em pratos limpos uma história em comum?

—Não sei se consigo confiar em você quando diz que será uma conversa ‘’limpa.’’ — Fui sincera.

O responsável pelo grupo dele o chamou.

—Eu vou me instalar, está bem? Vamos conversar, eu realmente quero… me desculpar com você.

—Vá tomar o seu lugar. — Gesticulei com a cabeça para o grupo dele que seguia seu líder. Ele fez uma careta, se virou e os seguiu.

—Quem é o bonitão? — Michelle perguntou parando ao meu lado.

—Antigo problema. — Sussurrei.

—Ele é… — Ela se virou para mim, com os olhos ligeiramente surpreso. Eu havia contado a ela todos os motivos que me levaram a escolher a África como refúgio.

—Sim.

—Por que ele está aqui? Devo avisar a alguém, ela a perturbou de alguma forma…? — Eu ri puxando seu braço para entrelaçar com o meu, a guiei em direção a escola, era hora da aula de música e eu gostava de ver as crianças praticando nos instrumentos doados.

—Aparentemente ele aparecer aqui é uma grande coincidência. Está de volta com a ex mulher, e ela e a filha também virão.

—Bella… não pode ser uma coincidência! Não é difícil saber que você está aqui, é só pesquisar seu nome no google que ele aparece associado ao seu filho.

Ela tinha razão, a fama de Enzo me colocou nos holofotes de certa forma.

—Ele disse que quer se desculpar comigo. — Parei de caminhar, já na frente da porta da sala de música.

Ela me olhou bem censuradora, achei engraçado, parecia muito com Rosalie nessas horas.

—Pelo o que você me contou, Damon Salvatore — fiquei surpresa por ela se lembrar do nome dele — serve de gatilho para você. Não quero que regride em nada.

Olhei para o lado, tentando avaliar o que ela me dizia. Sim, Damon era um gatilho que despertava a mulher inconsequente que havia em mim.

Só que era diferente agora.

—Eu entendo o que você quer dizer, mesmo. Vou tomar cuidado prometo. Talvez… eu precise mesmo de uma conversa com ele para finalizar o que tivemos.

—Bella… — Ela me censurou. Segurei suas mãos.

—Michelle, eu sei o que estou fazendo.

—Espero que tenha razão.

—Afinal, amanhã estou indo para casa. Vamos, preciso de despedir dessas crianças.

Ela ainda não acordou, o que pode ser um péssimo sinal.— Charlie disse.

—Pai… estarei ai o mais rápido que puder. — Prometi sem saber o que mais poderia dizer.

O garoto está aqui.— Sua voz foi tomada por uma forte emoção. O garoto a quem ele se referia, era meu filho.

—Levou uma corja de paparazzi? — Fui tomada por um pouco de humor. Charlie bufou.

Sim, são uns abutres!

—Você é o prefeito da cidade, já atrai atenção. — Lembrei.

O garoto tem jeito com a coisa, tenho que admitir.

Como surgido de chão, Damon brotou na minha frente.

—Pai, preciso ir. Amanhã começo minha peregrinação de volta.

Faça uma boa viagem. — Ele disse meio rude, escondendo a emoção.

—Obrigado. — Desliguei o aparelho.

—Planejando sua fuga agora que apareci? — Ele debochou.

—Não, Damon. Minha mãe está muito doente.

Sua expressão se suavizou.

—Sinto muito.

Dei de ombros, sem me importar com seus sentimentos.

—Você queria conversa… como ouviu eu estou indo embora, esse é o único tempo que você terá.

—Eu sabia que você estava aqui, quando decidir vir. — Ele começou.

Ah não, de novo não!

—Damon…

—Deixe-me terminar! A ideia de vir para cá foi de Elena, e talvez ela soubesse que você está aqui. Eu concordei por ser um novo começo para nossa família.

Ele parecia sincero, mas quando Damon não pareceria acreditar em tudo que dizia?

—Elena quer me dizer ‘’algumas verdades?” — Minha voz foi tomada pelo sarcasmo.

—Ela não te culpa por nada que aconteceu, sabe que foi consequência dos meus atos.

—Você a traiu comigo. Nós dois nos envolvemos porque queríamos e magoamos nossos cônjuges porque… — Inclinei a cabeça avaliando o homem na minha frente. — Nós nos odiávamos Damon. Eu consigo ver isso com clareza agora, eu não odiava a minha vida, eu me odiava, e ter você… fazer as coisas que fiz com você… aceitar o que aceitei… tudo foi reflexo da revolta que eu tinha comigo mesma.

—Terminar a nossa relação foi o melhor que você fez, por nós dois. — Ele sorriu.

—Sim.

—Desculpe pelas coisas que fiz, agi… tenho muita vergonha disso hoje. Quando olho para Katherine, e penso em um homem se aproveitar dela… usá-la como eu usei você…

—Doí né? — Cruzei os braços.

—Muito. Estou fazendo terapia! — Ele riu e tive de o acompanhar.

—Estou te dizendo, todos deveriam fazer.

Ficamos em silêncio, observando a noite que caia. Finalmente eu podia curtir um momento de paz ao lado de Damon.

—Você superou todas aquelas merdas? Quer dizer… aquelas coisas que eu falava sobre você…

—Eram mais sobre você do que sobre mim. -Dei de ombros. — Eu amadureci, Damon… sei o mal que fazíamos um ao outro e o porque. Você sabe?

Me virei para ver sua expressão. Ele torcia os lábios. Sim, ele sabia os motivos, mas ainda não havia reconhecido, ou não queria reconhecer para mim.

De qualquer forma, eu tinha que me despedir dos meus amigos, não havia tempo disponível para ser gastos com os fantasmas de Damon.

Me descontei da coluna onde me escora, ao passar por ele, de pé ao meu lado, toquei seu braço.

—Seu irmão não tem culpa de ter sido o predileto do seus pais. — O contei. -Tudo bem que você tem sua família, mas Stefan é parte dela. Pare de arrumar problemas com ele, peça desculpas… — Me interrompi sem saber como terminar aquela frase. -Apenas viva. -Dei de ombros.

Ele não me respondeu. Retirei minha mão do seu braço e segui para meu alojamento.

—Bella? — Sua voz saiu baixa, mas ainda pude ouvir e me detive. Me virei devagar para encará-lo. Tinha um pequeno sorriso no canto da boca. — Obrigado. E boa sorte com sua família.

Apenas assenti. Eu era afortunada demais por ter a família que tinha.

—Me mantenha informada das coisas lá. — Heidi pediu.

—Aviso.

—Quando tudo isso passar, vamos ao Brasil passar o carnaval com Senna. — Ela me abraçou.

—Ela vai amar ter todos nós em sua casa bancando os típicos turistas. — Brinquei retribuindo o abraço.

—Sei que está indo pela sua mãe, mas não se esqueça do bombeiro gatão. — Ela sussurrou.

—Não se eu quisesse poderia esquecê-lo. — Cochichei de volta.

—Se joga com tudo nele!

Eu ri, apesar de saber da verdade de suas palavras.

—Se cuide. — Dizemos juntas.

....

Depois de mais de um ano, eu desembarquei em Chicago, e o vento frio foi uma surpresa agradável. Eu estava com saudade de casa afinal.

Não fiquei surpresa por não ser recepcionada, eu mesma tinha preferido dessa forma, mas talvez, só talvez… uma parte minha esperasse vê Edward lá.

Uma loucura, já que eu vinha evitando ele nos últimos dias e nem ao menos tinha dito a ele que estava chegando.

Eu tinha pensado em ir direto para o hospital, mas precisava de um banho, dessa forma peguei um taxi e fui para a casa dos meus pais.

A grande casa parecia mais fria do que me lembrava. A atual governanta era um mulher de meia idade, alta, magra e polida. Disse que estava me esperando, e me indicou meu quarto. Meu quarto na casa dos meus pais! Eu me senti muito descolada e pouco a vontade.

Renée sempre foi uma mulher presente em casa, do tipo que você repara os toques dela desde o tapete da entrada, a um jarro de flores em um dos corredores.

Por mais que eu soubesse que aquela casa estava decorada do mesmíssimo jeito que minha mãe tinha deixado antes de ficar doente, eu não conseguia identificá-la ali.

Eu queria muito que ela ficasse bem, só que sabia das características degenerativas da doença, e que muito provavelmente ela não voltaria casa.

O quarto disponibilizado para mim ficava no segundo andar, e era um dos vários de hóspedes. Não me prendi a decoração, clara e aberta, fui loga deixando minha mochila no chão e tirando minhas roupas fui para o banheiro. Não pude deixar de me deslumbrar um pouco com um banheiro totalmente privativo, grande e confortável. Afinal, eu era uma ‘’menina rica’’ desde que nasci.

Ri sozinha ao imaginar os comentários que Riley e Heidi fariam quando viessem me visitar, e sim, eu tinha certeza que um dia eles viriam.

Era estranho ainda, estar em casa. após o banho coloquei roupas simples, que já estavam à minha espera ali, um jeans, tênis, camiseta e um casaco fino por cima. Deixei meu cabelo curto solto, após penteá-los. Não passei maquiagem, por mais que soubesse que estava protelando a ir para o hospital, não me sentia pronta para isso.

—A senhora gostaria de um lanche? — A governanta me ofereceu logo que adentrei a cozinha onde ela estava sozinha.

—Sim, pode deixar que eu mesma faço. -Deixei claro e mesmo me sentindo desconfortável com todos os objetos luxuosos da cozinha dos meus pais, encontrei os ingredientes para um sanduíche com facilidade.

Ainda protelando só sai de casa uma hora depois, esbarrando em alguém que iria tocar a campainha naquele momento.

Meu coração falhou, e senti meu estômago se contorcer assim que levantei o rosto e dei de cara com um par de olhos verdes me fitando surpresos.

Daria tempo de voltar para dentro de casa?

—Bella? — Edward exclamou. Não, não daria tempo de entrar. Me ajeitei, encostando as costas na porta da casa, sem jeito mexi no cabelo.

—Ei! O que faz aqui? — Perguntei.

Ele riu.

—Acho que alguém realmente não sentiu a minha falta.

—Edward! — Dei um soco em seu braço o empurrando um pouco. Ele abriu os braços e me joguei neles.

—Sim, eu senti a sua falta.- Respirei seu cheiro, meu nariz coloca ao seu uniforme.

—Também senti a sua.

—Como sabia que eu estava aqui? — Me afastei um pouco, mantendo minhas mãos espalmadas em seu peito.

—Não sabia. Encontrei com seu pai no hospital e ele pediu que eu viesse pagar uma pasta com documentos importantes.

—Ele poderia ter ligado, sabe que estou aqui. — Franzi a testa.

—Talvez ele quisesse promover o nosso encontro. -Ele piscou e eu me sentia porra de uma adolescente de quinze anos.

—Talvez. — Concordo.

—Está indo para o hospital?

—Sim.

—Vamos juntos, só vou levar dois minutos. — Ele se esquivou de mim, adentrou a casa, e parecia bem à vontade ao andar pelos cômodos.

Fiquei parada na varanda esperando Edward voltar, agradecendo as forças divinas pelo nosso encontro não ter sido tão estranho quando pensei que poderia ser, e principalmente por ele não ter falado diretamente sobre eu estar evitando ele nos últimos três dias.

Mas uma carona com Edward para o hospital resultaria em pelo menos vinte minutos no carro, e não era do perfil dele enrolar. Ele me cobraria uma resposta a sua pergunta.

Assim que ele voltou, e estávamos em seu carro o silencio me deixou desconfortável e eu não sabia o que dizer. Até ele abrir a boca.

—Bella… — Começou.

—Sim, eu quero você! — Falei sem deixar que ele terminasse.

Não tive coragem de vê sua expressão. durou cinco segundos no máximo, o silêncio que se seguiu a minha declaração, então ambas caímos na gargalhada.

—Desculpe, Edward… não sei o que me deu. — Limpei uma lágrima que escorreu pela minha bochecha em meio às risadas.

—Eu só iria perguntar como está se sentindo com tudo isso, a volta para casa, Renée…

—Eu não tinha admitido como sentia falta de um bom banheiro, até estar em um. — Confessei. -E estou preocupada com Renée.

Edward ficou em silêncio por mais uns minutos.

—Eu sei que é um momento difícil, e você não quer pensar em nós…

Toquei seu braço com cuidado, não queria distraí-lo ao volante.

—Eu fui tola. Quando você me perguntou aquilo, eu senti… que devia voltar correndo. Mas também fiquei confusa. sobre você e Tanya…

—Não existe mais eu e Tanya desde que voltei da África.

—Eu sei. Talvez eu sempre soubesse pelo tom das nossas conversas, mas eu tinha medo de ter certeza e criar falsas esperanças. Quero dizer… o que esperar da nossa relação? Podemos ter uma relação?

—Você sabe como eu me sinto. — Ele disse, tirou uma mão do volante e pegou a minha.

—Prefiro que você deixe claro como se sente.

Ele ficou quieto, tínhamos chegados ao hospital. Ele estacionou, desligou o carro, tirou o cinto, mas não fez nenhum movimento para sair do veículo. Tirei o cinto também, e me movi para ficar com o corpo de lado, de frente para ele. Ele também se virou em minha direção.

Senti seus dedos em meu rosto e fechei os olhos com o contato.

—Nós éramos tão jovens quando nos conhecemos. Nós dois erramos no nosso casamento, você não fez nada sozinha.

—Eu…

—Espere… me deixe falar. Eu me magoei muito com você, mas eu errei também. Eu me dispus completamente na nossa relação, tomei a frente de todos os papais em nossa casa e quando me sentir sobrecarregado… não dividi com você.

—Eu traí você. -Sussurrei, a velha dor fazendo meu coração falhar algumas batidas, e voltar a bater de forma dolorosa.

—E eu te perdoei. -Abri os olhos e seu rosto estava muito perto.

encostei nossos narizes.

—Você é maravilhoso, Edward. — Sussurrei. Selei nossos lábios num beijo lento,casto quase. Ele quis aprofundar o beijo, porém não permite, me afastei mantendo minha testa encostada na sua.

—A gente passou muito tempo longe, eu não sei… se isso… se nós pode dar certo.

—Bella, essa é hora de nós darmos certos. Estamos bem, estamos na mesma direção.

—Por que não me disse que tinha deixado Tanya? — Questionei. Edward se afastou, olhando o estacionamento.

—Desde que voltei da África, eu voltei para casa dos meus pais.

—Por que não me contou?

—Você teria vindo para cá?

—Não — Respondi rápido.

—O que importa agora?

Ele tinha razão. Já não importava o que tinha passado, e o meu medo agora era outro.

—Tenho medo de você está apaixonado por uma Bella que idealizou enquanto estávamos longe. — Confessei.

—Nós nos falamos quase todo o dia. -Ele bufou.

—É completamente diferente de conviver, e você sabe disso. — Falei calma.

Ficamos mais um tempo em silêncio, até que ele quebrou.

—Não deveríamos estar tendo essa conversa agora, sua mãe…

—Sim, Renée. — Suspirei. Peguei minha bolsa no banco de trás, e abri minha porta.

—Bella. — Ele segurou minha mão. — Vou te provar que merecemos uma segunda chance.

—Acho que merecemos uma nova chance, Edward. A Bella que sou agora, e Edward que você é.

Não esperei que ele respondesse, seu sorriso de canto foi a confirmação que eu precisava. Talvez levasse tempo, mas isso nós tínhamos, certo?

Eu passei o máximo de tempo que podia ao lado da minha mãe, me inteirei do seu caso e não pude evitar dar alguns palpites. Infelizmente, mesmo depois que a medicação foi retirada, Renée não recuperou a consciência.

Ela partiu numa madrugada, eu estava dormindo de acompanhante em seu quarto, quando os aparelhos indicaram que seu coração havia parado. Não houveram tentativas de reanimá-la, ela havia decidido por isso há muito tempo, antes de ficar doente. Eu nunca mais vi a minha mão consciente e tentei não pensar muito a respeito.

Percebi em que patamar meu filho estava com a fama no enterro da avó, quando foi preciso uma equipe grande de seguranças, e a polícia para deixar afastado os curiosos, paparazzis e fãs, que traziam ursos, e pasmem, choravam.

Enzo ficou ao meu lado durante todo o velório, e enterro, quando as pessoas viam nos cumprimentar. Edward ao lado do meu pai nos passava segurança.

Charlie estava sério e compenetrado, em volta dos olhos estava vermelho, como se tivesse chorado, contudo eu não vi. Emmett estava presente, representando minha prima, já que ela não pode comparecer por seu estado avançado de gravidez. Fiquei um pouco supresa ao ver Tanya caminhar em minha direção, com vestido simples preto. Ela parecia mais jovem se possivel.

—Sinto muito, Bella. -Ela disse e inclinou para um abraço. -Desculpe por não ter aparecido antes.

—Tudo bem, imagino que seja uma loucura. — Sussurre com a voz embargada.

—Eu sabia que você estava no hospital. -Ela deixou claro. — Só não sabia o que te dizer, como dizer…

—Obrigada. Sua presença aqui significa muito.

Era verdade, principalmente para meu filho que se emocionou ao ver a ex madrasta e a abraçou forte.

eu admirava o laço que tinha surgido ali.

Seguimos para a casa do meu pai, Edward conosco.

Charlie seguiu para seu quarto, Enzo para o dele junto a Bree, e eu fiquei na sala meio apática. Fiquei incontáveis minutos olhando para a cadeira onde minha mãe costumava ficar horas folheando uma revista de moda.

—Você precisa descansar. Passou dias no hospital. -Edward surgiu ao meu lado sussurrando. Senti seu dedo em minha bochecha, percebi que eu chorava.

—Nós éramos tão distantes, Edward. — Falei. — Ela era a minha mãe, e tudo o que sei sobre ela são coisas superficiais. Nós precisávamos de mais tempo.

—O tempo que tiveram foi o necessário para se amarem. -Encostei a cabeça em seu ombro, eu não queria discordar dele. Eu sentia um pesar muito grande pela morte de Renée, mas não sabia se aquilo era amor, ou remorso.

Edward ficou em silêncio ao meu lado por um bom tempo, fez uma sopa alegando que eu não tinha comido nada, e quando me recusei a subir para o quarto, ele trouxe cobertas e improvisou uma cama no tapete. Adormeci com sua mão fazendo um carinho em meus cabelos.

Notas finais
*AVC: Acidente Vascular Cerebral Entãooooooooo próximo capítulo será o ultimo :x Devemos ter alguns extras também. bjs :*