Primeiros Erros
15 Fatos
Notas iniciais
Fatos
—Bella?
—Dra. Cullen?
—Isabella?
Minha mão estava tremendo. A paciente estava literalmente aberta na minha frente, e eu precisava agir. Meus olhos estavam embaçados, o bisturi não tinha firmeza em minha mão.
—O que está havendo com ela?
—Devemos chamar alguém?
Eu não conseguia formular as palavras que fariam todos se calarem.
Alguém segurou em minha mão.
—Tudo bem querida, eu assumo aqui. Maike, acompanhe a Dra. Cullen até a sua sala, peça que Carmen cuide dela.
Eu parecia uma maldita telespectadora da minha vida naquele momento. Maike, o residente ridículo me levou com extremo cuidado até a minha sala, depois de tirar minhas roupas cirúrgicas. Eu chorei e tremi durante todo o processo. O que estava acontecendo comigo?
O especialista da psiquiatria foi chamado, James. Ele deixou que eu chorasse, até me acalmar, então o disse o que estava acontecendo.
Exames foram feitos, um diagnóstico saiu.
Estafa nervosa. Eles disseram.
Aquilo era ridículo, eu amava meu trabalho e não me sentia nem um pouco consumida por ele.
—Você trabalha demais, querida. — Eleazar explicou com toda calma do mundo. — Precisa cuidar de você agora.
—Não posso me ausentar do hospital agora… -Tentei argumentar. Não quando minha vida estava desmoronando, meu trabalho tinha que continuar em perfeitas condições!
—Não é uma negociação, Bella. -Ele disse sério. — Você vai se afastar e se tratar. Quando for possível pode voltar, com uma carga menor de responsabilidades.
Eu tive que encarar as perguntas de Enzo em casa.
Por que o papai foi embora de casa?
Por que ele tratou você daquele jeito?
Por que vocês brigaram?
O que ele fez mãe? Tem que me contar!
Quando meu filho passou a fazer perguntas insinuando que o pai tinha feito algo para mim, eu tive que o contar. Não era certo deixar Enzo pensando que o pai, seu herói, sua figura importante na vida, pudesse ter feito algo de ruim para comigo.
Edward tinha gritado e xingado? Sim, ele me assustou muito com isso, mas não era certo nosso filho pensar que… ele tinha me agredido fisicamente ou coisa assim.
Eu tomei um longo banho antes de chamar Enzo ao meu quarto, disposta a contar tudo a ele, ser completamente sincera com ele.
Coloquei roupas confortáveis e quentes, peguei um saco de batata Chips, o chamei em seu quarto e disse que o esperaria no meu.
—Finalmente vamos conversar. -ele disse adentrando. -Você comendo porcarias?
Dei de ombros colocando a batata na boca. Não precisava dizer que comer estava sendo particularmente difícil.
—Você tem o direito de saber o porquê do seu pai ter saído de casa. -Comecei sem esperar que ele se acomodasse na cama.
Enzo ficou tenso de imediato.
—Eu fiz muitas coisas erradas. Fui uma jovem inconsequente, que dava graças aos céus por ter Edward, e ele cuidar de tudo. Pagar as contas, comprar comida, cuidar de você.
Ele ficou quieto, só ouvindo.
—Eu me envolvi em muitos relacionamentos na adolescência, não me orgulho disso, quando imagino você tendo muitas namoradas meu estômago se revira. Acho que eu exagerei. -Suspirei. -Quando Rosalie e eu fomos a Itália, me envolvi com um jovem lá. Foi muito bom, divertido… e acabou. Conheci o seu pai no avião de retorno aos Estados Unidos, e logo estávamos muito envolvidos e eu grávida. E Edward foi o melhor apoio que eu tive na vida! E eu o amei por todos os motivos errados naquela época filho.
Eu estava chorando. Como podia ser tão… egoísta?
—Mãe… tudo bem reconhecer seus erros, mas passou. Ninguém vive de passado.
—Não, não vivemos. Mas ele está tendo seu peso agora.
—Nao entendo.
Era melhor eu dizer tudo de uma vez.
—O cara que me envolvi na Itália, voltou. Você tinha todos os motivos para não ir com a cara do Damon. Eu me envolvi com Damon naquela época, e ele ter vindo para cá foi só para bagunçar minha vida!
—Você está dizendo que o papai saiu de casa por causa de algo que o Dr. Salvatore disse?
Eu não estava sendo boa em explicar.
—Eu comecei uma relação com o seu pai logo que larguei Damon. Ele levantou a questão… de que talvez você fosse filho dele.
Enzo ficou lívido.
—Damon tem me cercado e insinuado isso. Exigindo um teste de DNA. Da última vez seu pai nos flagrou durante essa discussão e descobriu tudo.
—Mãe… isso é louco! Como é possível o papai acreditar neste homem?! É mentira não é? Eu não sou filho desse Damon!
—Claro que não é! -Afirmei
—Como o papai pode ter acreditado nele?! — Enzo se levantou da cama, andando de um lado para o outro bagunçando os cabelos. -Ele… acreditou no que no que esse cara disse? Disse aquelas coisas horríveis para você… saiu de casa, acreditou nele!
Aquilo não estava funcionando, Enzo estava pensando mal de Edward. Não havia jeito, eu teria que contar absolutamente tudo.
—Não foi só isso, querido. Edward… eu. Eu me envolvi de novo com Damon. -Sussurrei. Não tive coragem de olhá-lo. — Eu fui fraca. Nada justifica eu ter… me envolvido com ele de novo. Edward descobriu tudo, o fato de eu já conhecer ele, de termos nos envolvido no passado, dele estar questionando sua ascendência, não, dizendo ser seu pai. E o nosso envolvimento agora.
Eu estava muito envergonhada para olhar para Enzo.
Ele ficou quieto por um bom tempo. Eu fiquei encarando a colcha da cama.
—Afinal… quem é o meu pai? — ele sussurrou.
—Edward. -Respondi sem pestanejar.
—E ele acreditou no que o Dr. Salvatore disse.
—Filho…
—Talvez ele não queira ser meu pai.
Aquilo era exasperante! Digo ao meu filho que trai o pai dele, e ele se preocupa com o pai não quer ser o seu pai!
—Lorenzo, Edward saiu de casa porque está magoado comigo. Isso não tem nada a ver com você.
—Mãe ele vai fazer o teste de DNA. Ele não acredita que eu seja seu filho.
—Ele não acredita em mim momento, filho. E isso é bastante compreensível dado às circunstâncias.
Eu tinha pedido por tudo que estava acontecendo. Não podia culpar Edward por suas escolhas frente ao que estava acontecendo.
—Você vai ficar bem?
Tive vontade de chorar. Meu menino responsável se preocupando comigo no meio de toda essa merda.
—Claro que vou. -Lhe assegurei.
Não demorou para ele sair do meu quarto, e Rosalie entrar com a cara espantada.
—Ouvi parte da conversa e vocês… não acredito que afirmou para ele que Edward é o seu pai! — Ela sublinhou.
Dei de ombros sem me deixar abalar.
—O que queria que eu dissesse? Que não tinha certeza? Não posso transparece dúvida agora, Rose!
—Talvez seja a hora exata de você transparecer dúvida. Admitir que não tem certeza de quem é o pai dele!
—Tá louca?! — Ri — Não posso, não mesmo.
—Bella — Ela sentou na minha cama, reprimi a vontade de reclamar, ela estava com roupas de rua, nas cobertas que eu dormiria. — É a hora certa de pôr as cartas na mesa, pedir desculpas e dizer toda a verdade.
—Já falei a verdade. Admitir até mesmo ao meu filho que trai o pai dele.
—Faltou confessar que não sabe quem é o pai dele! — Ela disse mais alto.
—Xix… ele pode ouvir! — Reclamei.
—Bella você tem que dizer a verdade!
—Já disse. Enzo é filho de Edward, tem que ser.
— E se não for?
—É melhor que seja, Rosalie. Do contrário minha vida acabou.
XXX
Eu precisava dar tempo a Edward para digerir tudo. Isso era o mais difícil, eu o queria comigo, em nossa casa.
Tentei ocupar meu recém adquirido tempo livre cozinhando e fazendo parte da vida dos adolescentes da minha casa. Descobri que Bree nunca havia ido ao ginecologista, nem passava por médico nenhum desde os dez anos. A acompanhei nas consultas. Também conheci a sua mãe, Irina. Uma mulher fortemente acometida por depressão, que tinha perdido o interesse pela vida. Após longas conversas a convenci de que havia um motivo para viver; a filha. Com ajuda de amigos da comunidade custeamos sua internação numa clínica de reabilitação.
Eu tive que ir para a terapia. Era a condição de Eleazar para que passasse pelo menos seis horas diárias no hospital.
Eu queria muito voltar a trabalhar, e recuperar meu marido. Então cheguei na terapia despejando tudo na terapeuta, uma mulher negra de meia idade, com a expressão mais compreensível do mundo. Ela deixou que eu falasse e falasse e por fim me deu uma receita. Eu teria que tomar dois comprimidos pela manhã e dois a noite. Ela garantiu que não me daria sono.
Eu teria que voltar na semana seguinte.
Edward ignorou todas as minhas tentativas de aproximação. Passou o Natal de plantão, e no Ano Novo levou Enzo e Bree ao Pier para a queima de fogos. Não fui convidada, e seguindo o conselho da minha nora de quinze anos, não impus minha presença.
Passei com Rosalie e Emmett — este que ficava me lançando olhares censuradores sempre que pensava que eu não estava vendo, e Vanessa, a pequena filha do motorista do ônibus escolar, que estava lutando contra o Câncer.
—Amiga, eu sinto muito pelo o que vc está passando. — Alice me disse no corredor da ala infantil.
—A culpa é minha. -Dei de ombros.
— O que eu posso fazer para ajudar?
—Dar um jeito do teste de DNA ser favorável a Edward. — Brinquei.
— Posso descobrir onde eles farão o exame. Tenho amigos em muitas clínicas de patologia.
—Bom saber que posso contar com você. Mas prometi que não iria interferir no resultado do exame.
—Ele pode ser filho do Damon?
—Pode.- Suspirei.
—Isso é mau. Muito mau.
—Nem me fale. -respondi.
O ano novo era algo tranquilo no hospital. A ala infantil estava satisfatoriamente vazia, só os casos que realmente não podiam deixar o hospital estavam ali com seus familiares, e uma ceia de ano novo tinha sido feita.
—E aqueles dois? — Alice apontou Rosalie e Emmett que podíamos ver através da janela de vidro do quarto de Vanessa. Eles estavam na cama com ela, lendo uma história.
—Estou tão chocada quanto você. Minha prima parece feliz com ele, e com essa menina.
— Essa menina que ficará sem seus cabelos na próxima semana. — Alice sinalizou.
—Ela tem chances?
—Começamos a segunda rodada de quimioterapia. Tudo depende de como ela vai reagir agora. Não posso negar que a amizade com Rosalie tem ajudado muito, uma presença feminina. Ela perdeu a mãe, então o pai foi preso… então ficou doente.
—Acho que minha prima vai querer adotar ela.
—Ela tem que pensar bem antes disso, talvez Vanessa não sobreviva.
—Talvez com muito amor ela sobreviva. — Dei de ombros.
—Quem é você e o que fez com a minha amiga?
Ela brincou.
—Estou sendo mais otimista só isso. Vou aproveitar que estou aqui e ir na minha sala, copiar minha pesquisa para um pen-drive e trabalhar de casa.
Caminhei para o elevador, toquei o botão do meu andar e esperei pacientemente que subisse. Passava dá uma da manhã, logo a enfermeira chefe expulsaria Rosalie e Emmett do quarto de Vanessa mesmo que a menor não tivesse dormido ainda.
O elevador fez uma parada antes do meu andar, não havia ninguém então apertei o botão impaciente para que as portas de fechasse.
—Segura para mim! — Agi de modo automático segurando as portas. Até que vi Damon Salvatore com suas roupas brancas e olhar cansado. Soltei as portas e me encostei na parede.
—Sei não é Isabella Cullen, parou de fugir de mim? Ele adentrou apertando o andar que desejava.
—Se você não notou, nos encontramos por acaso no elevador. Se eu tivesse a mínima ideia de que você estaria neste andar...ah deixa pra lá. -Cruzei os braços.
—Ouvi Eleazar conversando com Carmen… Edward saiu de casa.
—Nunca achei que você fosse fofoqueiro. Meu andar! -Comemorei. Sai de Elevador, mas ele me seguiu.
—Edward não me procurou, devo ficar preocupado?
Parei me virando para a alisa-lo.
—Medo que ele procure Elena para falar sobre nossa indiscrição?
—Não mesmo, eu devia contar a ela sobre nós. — ele suspirou. — Só não quero que Katherine presenciei nada.
—Olha, não é do perfil de Edward nada disso. Fique longe dele, Damon.
—Ei, eu não fiz nada. Só quero meu filho Bella.
—Damon, corta essa cara de bom homem comigo. Você só queria foder minha vida, e literalmente me foder. Já conseguiu agora me deixe em paz. — Tentei dar as costas para ele, mas fui impedida. O corredor do meu andar estava deserto, a meia luz. Os olhos dele pareciam brilhantes. Amaldiçoei meu coração por bater mais forte.
—Eu não posso. Eu sinto isso dentro de mim, esse anseio por você. Bella, diz a verdade, Enzo é meu filho.
—Eu entendo que você queira muito isso, Damon. Mas ele é de Edward.
Usei toda a minha calma para deixar bem claro o que eu dizia.
—Você está mentindo!
—Não estou. E qualquer exame de DNA irá comprovar isso.
Ele pareceu enfurecido.
—Ele é meu. E não vai demorar muito para você também ser.
Ele não esperou uma resposta. Deu as costas e seguiu para as escadas.
Qual era o fudido problema de Damon? Ele não queria envolver Elena nisso, mas não contara a verdade para ela, e ao mesmo tempo insistia que ainda me teria. Damon também precisava de terapia!
Na primeira semana do novo ano, a terapia parecia algo legal. Contei como estava indo minha vida, que estava gostando de ter tempo para meu filho, de trabalhar menos.
—Mas Bella… você tem dúvidas sobre a verdadeira paternidade do seu filho. -Ela constatou.
— Sim. — Era muito bom ser completamente sincera com alguém que não poderia interferir na minha vida.
—Por que não disse isso ao Edward?
— Isso mostraria fraqueza da minha parte.
—E se ele for filho de Damon?
—Não pode ser. Isso arruinaria minhas chances de ter Edward de volta.
—Bella… sua mentira está arruinando suas chances de ter Edward de volta. Diga a verdade. Diga como realmente se sente. Para Edward, para seus pais!
Eu havia contado a ela que me sentia uma filha enfeite.
—Os meus pais não são importantes. Eles… não dariam importância. Melhor deixar para lá.
Com o passar das sessões eu me abria mais, até mesmo chorei algumas vezes. Eu era uma pessoa egoísta e tóxica. Meus amigos, filho e marido merecia alguém melhor. Eu estava tentando ser melhor, todos os dias.
—Ainda acho que você deveria dizer a verdade ao Edward. A essa altura ele não ficaria surpreso de você não ter certeza se ele é ou não o pai do Enzo. É melhor você dizer isso, do que deixar para hora do exame. E se Damon for o pai?
Rosalie ainda queria que eu admitisse meu erro.
—Rose eu não posso. Já fui longe demais, não dá pra voltar atrás. -Continuamos na calcado em direção a sua cafeteria favorita. Havíamos comprado roupas de inverno, tanto para nós quanto para Vanessa.
—A verdade seria um alívio, Bella. E talvez um elo para ligar você ao Edward nesse momento. -Ela abriu a porta do estabelecimento e estancou no lugar.
— O que… Rose entre logo!
—Sabe de uma coisa… acho melhor a gente ir direto pro hospital ver Vanessa. — Ela tentou sair.
—Mas você disse que estava com fome! -Reclamei e a empurrei para dentro.
—Bella, podemos ir em outro lugar…
—Olha é a Tanya… aquele é Edward. — Sussurrei.
—Bella… — Ela tentou me deter.
—Ele me pediu o divórcio para ficar com outra?! -Sussurrei.
É claro que eu fiz uma cena. Eu não era a pessoa mais certa do mundo, mas não estava disposta a aceitar meu marido com outra!
Em mais um dia de terapia...
—Edward deve está sofrendo… você acha certo isso? Só você pode libertar Edward desse sofrimento.
—Dando o divórcio? — Rebati com a psiquiatra. Depois que eu soube que Edward tinha uma amizade com Tanya, minhas sessões de terapia giraram muito em torno dele. Eu não queria prender o meu marido ao um relacionamento fracassado, mas eu estava me curando e queria que ele estivesse lá por mim! Isso não iria acontecer se eu o desse o divórcio.
—A melhor forma de amar alguém é deixá-lo livre para ir ou ficar. — A mulher disse.
Então eu deveria deixar Edward livre. Eu não faria isso, não era louca. Quem escolheria ficar comigo por livre e espontânea vontade? Ninguém!
Eu precisava encarar o teste de DNA, e mesmo que Enzo fosse filho de Damon…
Eu não podia pensar nisso.
Enzo seria filho de Edward, e eu o traria de volta para casa.
XXX
Por fim foi tudo muito dramático, minha roupa, minha atitude e a reação de Damon ao saber que Enzo não era seu filho. Para mim foi um grande alívio e eu só não me ajoelhei ali mesmo rindo, comemorando porque já tinha mostrado a Edward minha certeza inabalável.
—E finalmente acabou. — Falei para ele assim que Damon saiu da nossa casa.
—Sim. -Ele apertou a ponta do nariz.
—Edward… agora podemos falar sobre nós?
—Bella, achei que estivesse claro. Não existe um nós, não mais.
—Mas… acabou! Eu disse a verdade, Enzo é o seu filho, e ter me envolvido com Damon foi um erro. Você tem que me perdoar!
—Te perdoar não quer dizer que eu vá ficar com você. Eu realmente não posso.
—Por causa de Tanya? — Adivinhei.
Edward pareceu muito, muito cansado.
—Por minha causa. Porque eu preciso me amar primeiro, antes de amar outra pessoa.
— Olha, eu também estou aprendendo a ser melhor. Eu quero ser melhor para você e para nosso filho. Só… não me deixe agora. — Eu tentei me aproximar e ele permitiu. Toquei seus braços, ansiando tê-los à minha volta.
Ele colocou uma mecha de cabelo para trás da minha orelha. Seu olhar tinha um amor infinito, misturado com outro sentimento que eu não soube dar nome.
—Eu quero que você fique bem, Bella. E eu vou te ajudar como puder, mas não como seu marido.
— Não faz isso. — Eu estava chorando. Iria perder o único homem que me amou de verdade. E eu que não fui esperta o bastante para amar de volta com tudo o que eu tinha.
— Eu preciso. E você também, pode não ver isso agora, mas eu tenho razão. Preciso continuar, separados.
— Você me ama, eu sei. — Sussurrei sem conseguir conter as lágrimas.
—Esse é o problema, Bella. Amar você dói. Vamos ficar melhor assim, separados.
—Você nunca vai me perdoar por ter te traído. -Lamentei.
Ele me puxou para um abraço. Me permiti relaxar com o corpo junto ao seu.
—Se perdoe, Bella. -Sussurrou nos meus cabelos. -Nao vale a pena ficar remoendo o que passou.
Edward foi embora ainda falando em perdão, contou a Enzo sobre o resultado do exame e afirmou que não precisávamos mais nos preocupar com Damon. Mais dias se passaram até que eu recebesse os papéis do divórcio. Edward não havia voltado atrás.
Damon ficasse na dele no trabalho, não se aproximava de mim a menos que fosse por motivo profissional o que era muito raro agora que eu não atendia mais na emergência.
Foi numa sexta feira de março, que eu saí do trabalho a caminho do escritório de Jenkes, nosso advogado. Edward já estava lá com ele, os papéis do divórcio na mesa. Ele explicou de novo que era o melhor, a separação com um acordo entre nós, assim meu pai não ficaria sabendo. Seria rápido sem problemas. Eu só pedi que continuasse com o sobrenome Cullen, por já ser conhecida assim e não ter problemas com os pacientes que me conheciam por esse nome.
Em dado momento em que Jenkes explicava as coisas eu comecei a chorar e Edward segurou a minha mão por cima da mesa.
—Você tem certeza disso? Edward… não quero te deixar. -Implorei. -Eu amo você.
Ele fechou os olhos.
—Se realmente me ama, me deixe ir. — Sussurrou.
Era a única demonstração de amor que ele queria de mim. A única que eu não queria dar.
Tentei me recompor, me afastando dele. Peguei os papéis e assinei.
—Isso não muda nada. -Edward me assegurou. — Sempre poderá contar comigo.
Sorri triste para ele. Isso mudava tudo.
Edward ficou mais um tempo do escritório de Jenkes, eu peguei meu carro e fui para um endereço que sabia, mas nunca tinha frequentado.
A noite já começava, com toda certeza eles estariam em casa.
Foi uma sorridente Elena quem abriu a porta para mim.
—Bella! Que surpresa!
—Damon está? — Não esperei seu convite para entrar.
— Sim, está brincando de supermercado com Katherine. -Ela sorriu mais amplamente se possível ao falar da filha.
—Chame ele. Deixe sua filha onde está.
—Aconteceu alguma coisa?
Ela pareceu tensa.
—Sim, Elena. Aconteceram muitas coisas e você precisa saber delas. — A casa de Elena era aconchegante, com fotos de pessoas que julguei serem seus amigos.
—Vou chamar Damon. -Disse.
—Ah, não diga que eu estou aqui. — Me sentei no confortável sofá de sua sala. Ela assentiu e me deixou sozinha. Fiquei olhando a decoração cara, refletindo de onde eles tiravam dinheiro para aquele luxo. Ela não ganhava tão bem como professora do jardim de infância, e Damon era um médico recém formado. Talvez eles tivessem alguma herança, pensei dando de ombros.
Elena voltou a sala com Damon do seu lado parecendo surpreso.
—Bella.
—Ei querido. — O cumprimentei, levantei de imediato.
—Posso te serviu algo? Água, suco…
—Não se incomode, Elena. Minha visita é rápida. Aconteceram muitas coisas nos últimos meses, coisas que você não faz ideia. — Eu falava mantendo os olhos presos em Damon. Conforme as palavras saiam eu sentia mais raiva dele. Semanas de terapia ia para o lixo conforme eu continuava. -Conheci Damon, Elena, um pouco antes de você.
—Você não vai fazer isso. -Ele me interrompeu.
—Tivemos um envolvimento, não posso nomear como namoro. Acabou muito bem, sem rancores ou merdas do tipo, pelo menos da minha parte.
—Damon? -ela o chamou. Ele continuava com os olhos presos aos meus, um sorriso brincando no canto de sua boca.
—Damon fez vocês virem para cá atrás de mim. Ele achava que meu filho pudesse ser dele, e só sossegou depois que Edward fez um teste de DNA onde comprovou sua paternidade.
—Isso é verdade Damon? -Ela o questionou. Ele não respondeu, Continuava olhando para mim.
—Ele só quis vir a Chicago porque descobriu que Edward era meu marido. Ele veio atrás de mim, Elena. E conseguiu o que queria. Nós transamos na confraternização de Natal em Miami. -Olhei para Elena agora, que parecia muito aturdida. — Eu sinto muito. Agi por impulso ao me envolver com ele de novo, não pensei no meu marido, não pensei em você. Eu sinto muito. Muito mesmo. Espero que um dia possa me perdoar Elena.
Não esperei que eles dissessem qualquer coisa, saia da casa deles deixando a porta aperta. Eu estava ofegante quando cheguei ao meu carro. Pronto, Damon Salvatore tinha ferrado com a minha vida, ele teria a dele pelo menos um pouco bagunçada por mim.
Estavas nas mãos de Elena agora.
No dia seguinte, fui correr no parque como era meu novo e saudável costume dos fins de semana. Quando sentei num dos bancos observando as crianças brincarem, fui surpreendida por um copo de café sendo estendido em minha direção.
—Trégua? — ele ofereceu. Aceitei o copo.
—Eu soube que Edward insistiu no divórcio. Achei que você não envolveria Elena nisso, já estava até mesmo preparado minha transferência, estava pensando em voltar para a Itália.
—Não era justo com ela. — Dei de ombros sorvendo o líquido.
—Você queria se vingar de mim. Eu comecei tudo isso, entendo. Não era justo eu causar todo esse furacão na sua vida e sair ileso.
Não respondi.
—Agora Elena está se preparando para ir para a Itália sem mim. E levar Kate com ela é claro.
Eu queria dizer que sentia muito, mas seria uma completa mentira, então fiquei quieta.
—Eu vou ficar aqui. Quando vi você falando aquelas coisas na minha sala eu entendi uma coisa fundamental sobre nós dois. — Ele jogou casualmente um braço por cima dos meus ombros. Inclinei o rosto um pouco para olhá-lo. O sorriso vitorioso brincava no canto dos seus lábios.
—Somos perfeitos um para o outro. Somos egoístas, e a pessoa com quem mais nos importamos no mundo…
—Somos nós mesmo. -completei sua fala. A vida às vezes era sobre merecer algo. E eu merecia ter alguém, não é? Damon Salvatore era perfeito para mim.
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