Notas iniciais
Meninas! tudo bom? Assim, papo serio aqui... eu vou casar na próxima semana, então estou numa correria danada! Se eu não postar nos próximos dias me perdoem, ok? Meu super obrigado a Brenda Cullen, Mariana, MagCullen, Michelle Garcia, RaiiStew, Bela02, NovaCullen, cMone, Superbatatinha, pelos comentários, vocês são o gás para escrever nesses dias de correria e stress! >< Vou precisar de muitos comentários viu? algum fantasminha por ai? rsrsrs Boa leitura ♥

Capítulo 12

—Aí está você! Filho, o que Tyler faz no meu sofá? — Minha mãe me questionou logo que desci para o café da manhã. Olhei meu amigo encolhido em cobertores no sofá da sala.

—Ele bebeu um pouco além que do que devia ontem, e achei melhor trazê-lo para cá. — Falei e a dei um beijo no rosto.

—Você me parece bem. — Ela me olhou atentamente.

—Tive uma boa noite, coloquei a cabeça no lugar. — Respirei fundo.

—Isso é bom, o Natal está chegando e não quero que o meu neto fique no meio de uma briga entre os pais.

—Tem razão, vou conversar com Bella hoje. -Afirmei.

—É o certo, vocês precisam conversar… mas não seja precipitado, ela tem muito o que explicar!

— O que quer dizer exatamente, mãe?

—Não vai perdoá-la, não é? -Foi direta. — Eu aceitei ela na sua vida, mesmo sabendo que não era boa o bastante para você, e ela ter mentido no passado só prova que eu estava certa! Ela não merece o seu perdão.

Eu imaginei que Esme gritaria isso na minha cara, o que me faria revidar, contudo ela disse de braços cruzados, em tom baixo e seria. E o pior, ela tinha razão, pelo menos na última parte. Eu não queria perdoar Bella tão pouco.

—Nós precisamos colocar essa história em pratos limpos. — Concordei. — Pelo bem do Enzo. Não quer dizer que vou voltar para casa, nem mesmo seguir com esse casamento. Essa decisão já tomei, não vou voltar a morar com ela, independente do que disser.

O telefone da casa tocou, interrompendo minha mãe.

—Alguém desliga isso! -Tyler reclamou e Esme riu.

—Não seja idiota, você não está na sua casa! — Peguei uma almofada e joguei na cabeça dele, a única parte do seu corpo que conseguia ver.

—Não enche Cullen! — Reclamou.

—Meninos. -Minha mãe nos repreendeu como se fossemos meninos de fato. — Filho atende o telefone, vou ver se o bolo está pronto.

Peguei o aparelho no gancho.

—Residência dos Cullen?

—Edward? — Fechei os olhos ao reconhecer a voz do outro lado da linha.

—Renée.

—O que faz na casa dos seus pais? Esquece, não quero saber. Sua mãe está? Só quero confirmar que a ceia de Natal será aqui em casa.

Com toda certeza eu não passaria o Natal com a família Swan.

—Não será. Passar bem Renée. — Desliguei sem esperar uma resposta.

—Era Renée? — Minha chegou.

—Sim, querendo falar sobre a ceia de Natal, já disse que não vamos.

—Edward! Você sabe que Charlie Swan criará um caso se não passar o Natal com Enzo, e eu também quero estar com o meu único neto neste dia.

Ela pegou o telefone da minha mão já discando o número de Renée.

—Eu não vou estar junto da família Swan no Natal. — Deixei claro.

—Não vai passar o Natal com seu filho? — Me olhou desafiadora.

—Não quero estar com Bella. — Me defendi.

Ela pareceu cansada.

—Vá conversar com ela, definam algo. Meu neto não pode ser prejudicado por essas coisas, ouviu bem?

—Mãe, Bella e eu estamos separados para todos os efeitos, ok? Enzo não é um bebê, vamos conversar com ele, deixar as coisas clara e…

—Ele terá que aprender a ser filho de pais separados. — Ela completou. — Graças a Deus ele não é mais criança para ficar sendo jogada de um lado para outro, por outra lado ser adolescente pode ser até pior!

—Eu não sei o que você quer que eu faça! — Me exasperei.

—Eu não vou me meter em nada, Edward. Só não quero que meu neto sofra.

Minha mãe podia não concordar com a esposa que escolhi, e até mesmo não gostar dos pais dela, mas pelo neto suportava os.

—Vou acordar Tyler e vou para casa. — Anuncie.

—Não, você vai tomar o café da manhã e vai para sua casa se resolver com sua mulher. Deixe o menino descansar. Ah alô Renée! Desculpe por Edward, ele e Bella brigaram.

Fui para a cozinha indisposto a ouvir a conversa das duas. Naquele momento Esme parecia estar jogando em dois times.

Quando estava pronto para deixar a casa dos meus pais, peguei o carro e voltei para minha casa, ou melhor a casa de Bella, o pai dela tinha comprado aquela casa e nos dado, porque não queria que seu neto ‘’crescesse preso em um apartamento minúsculo’’ como ele chamava a casa que aluguei para Bella e eu logo que ela revelou a gravidez.

Eu não queria aceitar nada do juíz, o filho e a mulher eram minha responsabilidade, eu poderia e deveria assumir, mas ele foi inflexível e Bella me convenceu.

Nunca esqueceria o orgulho que tive de engolir desde o dia em que fui apresentado a ele.

Há quinze anos.

—Não precisamos contar ao meus pais, eles são horríveis, você não precisa passar por isso. -Bella dizia nervosa, estava com a cabeça em meu peito depois de termos feito amor no meu quarto, no apartamento que dividia com Emmett.

—Como seus pais podem ser horríveis se eles tiveram você? — Brinquei e pude sentir ela fazer uma careta contra o meu peito.

—Eu mesma sou horrível. -Disse, sua voz abafada pelo meu corpo. Puxei seu rosto para cima, os olhos castanhos fugindo dos meus, ela realmente acreditava não ser uma boa pessoa?

—Bella você é incrível. — Afirmei. -Tem apenas dezoito anos, começou a faculdade de medicina, medicina!

—Meu pai que paga. — Sussurrou.

—Mas foi aprovada por mérito próprio.

—Não posso ter certeza, meu pai é grande doador da instituição.

—Bella. — A fiz sentar e ficamos no olhando, minha atenção sendo facilmente desviada para seus seios. -Você quer ser médica não é? Vai se esforçar e vai ser maravilhosa! Você é sim uma boa pessoa, uma boa amiga… para de se colocar para baixo.

Ela sorriu de canto, acariciou o meu rosto.

—Quero que nosso filho seja como você. Bom assim, que veja o melhor nas pessoas.

Segurei sua mão.

—Você é boa.

Ela sacudiu a cabeça, mas não discordou em voz alta.

—Vamos até seus pais hoje?

—Se você insiste… mas lembre-se que te avisei.

—Vou me lembrar! — Garanti. A beijei, deitei meu corpo sobre o seu devagar, controlando o meu peso para não pesar sobre ela. acabamos nos amando de novo.

Bella me deixou dirigi seu Audi A3 até a casa dos pais, que ficava num condomínio de classe média-alta, bem distante do meu apartamento, e mais distante ainda da casa dos meus pais.

—Edward. — Bella segurou meu braço antes de sairmos do carro. -Eu amo você. -Sussurrou e senti meu coração perder uma batida. Ela me amava? Assim, sem esperar eu recebia essa notícia! Segurei seu rosto em minhas mãos.

—Eu também já te amo, Bella. Eu estava com medo, sabe? Antes, achei que não teríamos futuro, porque… — Olhei para a frente, a grande casa dos seus pais. — Somos muito diferentes.

—Isso não importa quando amamos alguém. — Ela franziu a testa.

—Exatamente. Vamos fazer dar certo, ok? Eu e você juntos, vamos fazer da certo. — A beijei de leve.

—Você é incrível! — Ela então sorriu mais parecida com a garota que eu conhecia, abriu a porta e pulou para fora do carro. Abri minha porta, e dei a volta para encontrá-la. Estava encostada na lateral do carro e tinha a mão direita na cabeça.

—O que foi?

—Levantei rápido demais, fiquei tonta. — Esclareceu. Com uma mão entrelaçada na sua e a outra em suas costas, seguimos para a porta da frente.

—Por favor, se os meus pais forem… rudes com você de alguma forma, só tente não ligar, ok? — Ela pediu com uma careta. Apenas assenti sem entender os motivos que a levavam a me alertar tanto com relação a eles. Eles não poderiam ser uns monstros não é mesmo? Bella abriu a porta com sua chave, foi recepcionada com uma espécie de governanta, baixinha e gordinha de expressão muito grave. Ela indicou que aguardássemos na sala de estar.

—Meus pais devem vir logo. — Ela torcia as mãos no colo.

—Pare com isso. — Segurei suas mãos nas minhas.

—Só me prometa que vai ficar.

—É claro que vou.

—Não pelo bebê. Por ele também, mas… fica comigo. -Seus olhos estavam marejados.

—Sempre. — Prometi firme.

Fomos interrompidos por uma voz estridente.

—Uma surpresa você em casa no meio da tarde de um sábado! — A mulher que supus ser sua mãe estava vestida com uma roupa de ginástica, se sentou no sofá de frente para o nosso.

—Preciso conversar com você e o papai. — Bella contou.

—Primeiro me apresente esse adonis do seu lado. -A mãe, agindo de modo muito estranho passou a língua pelos lábios.

—Mãe! -Bella reclamou recostando seu corpo do meu.

—Não tem problema Bella, tenho mesmo que me apresentar. Sou Edward Cullen, senhora Swan.

—Gosto do seu nome. Quando anos tem?

—Vinte.

—Mãe! -Bella reclamou de novo e Renée riu.

—Não seja tola menina, claramente ele é algo seu além de um amigo. Não tenho interesse em algo que seja seu… ainda.

Ponderei sobre os avisos de Bella sobre seus pais. Teria fundamentos?

—Onde está papai?

—Ao telefone resolvendo algo. — Ela sacudiu as mãos no ar banalizando o tema. -Então Edward, o que o traz aqui ao lado da minha filinha?

Reparei que Bella revirou os olhos para o adjetivo.

—Acho que devemos esperar o senhor Swan.

E foi o que fizemos, sob as perguntas de duplo sentido de Reneé e as caretas de Bella.

Até que Charlie Swan se fez presente e até mesmo Bella endireitou a postura.

—Desculpem a demora, o promotor queria discutir alguns pontos de um processo. Você é o… — Ele se dirigiu a mim estendendo a mão.

—Edward Cullen. -Me levantei para receber seu cumprimento.

—Gostaria de dizer que já ouvi falar de você, Edward, mas a minha filha não interage muito com os pais. Deve ser um mal da idade. — Ele parecia relaxado e simpático.

—O pai não tem muito tempo para ouvir a filha. — Bella comentou para todos ouvirem.

—Bobagem, querida. Entende muito bem que todos temos os nossos compromissos. Edward também tem os seus certos? Está na mesma faculdade de Bella? Eu não entendo como ela não quis ir para Harvard.

—Eu não passei. -Ela murmurou olhando para o chão.

—Não senhor, não estou na faculdade. Sou bombeiro da cidade. -Charlie pareceu ligeiramente surpreso, pigarreou e sorriu.

—Um bombeiro, um herói em nossa cidade! — Disse alto.

—Nem tanto senhor. — Fiquei encabulado, sem saber se ele brincava, falava sério ou debochava de mim. Nunca fui bom em distinguir uma coisa da outra.

—E qual a sua relação com minha filha? Bella nunca nos apresentou um rapaz.

—Bom nós…

—Estamos namorando e vamos ter um bebê. — Bella disse alto, sem gaguejar em um só fôlego.

Sua mãe piscou várias vezes, seu pai me olhou de novo, sério e avaliativo.

—Bella, talvez devesse deixar eu falar. — Sussurrei.

—Era melhor jogar a bomba logo. Não me importo com o que eles digam. — Era mentira, eu tinha certeza. Podia conhecê-la a pouco tempo, mas algo que tinha ficado muito bem claro era como ela se importava com a opinião dos pais sobre ela.

—Você só tem dezoito anos! — A mãe foi a primeira a dizer.

—Posso conceber desde dos dez, quando menstruei. -Ela desafiou.

—Não seja promíscua, Isabella!

—Renée. — O pai repreendeu a esposa. Logo Renée se calou evitando olhar para a filha.

Charlie tinha sua completa atenção em mim.

—Edward… creio que era isso que queria tratar conosco.

—Sim. — Afirmei sem saber o que esperar.

—Creio que devemos conversar em meu escritório, longe da fragilidade feminina. -Ele se levantou. Eu não queria deixar Bella sozinha com a mãe, a mulher parecia conter uma raiva homicida, e só esperaria a hora certa para se lançar sobre Bella.

A beijei na testa.

—Se ficar em apuros é só gritar. — Sussurrei e ela sorriu de canto. Segui Charlie Swan para seu escritório.

Era grande, parecido com o que eu achava ser o gabinete de um grande reitor de faculdade. Fiquei impressionado com os diplomas ali expostos em quadros, medalhas e troféus.

—Época da escola. — Ele explicou vendo meu interesse.

—Acho que aqui é seguro para conversarmos. Longe dos prováveis gritos de Renée. — Ele se acomodou em sua poltrona, deixando a mesa de negócios de lado. Sentei no sofá a sua frente.

—Senhor…

—Não, sem formalidades. Pode se explicar como tenho certeza que ensaiou antes de Bella te cortar. Como juiz, gosto de ouvir a história antes de dar um parecer.

—Eu realmente imaginei fazer isso com mais cuidado. As coisas saíram um pouco de controle.

—Minha filha de apenas dezoito anos, que acaba de entrar na faculdade está grávida. Eu diria que saíram muito do controle.

Eu precisei respirar fundo buscando as palavras que realmente tinha ensaiado. As abandonei, já não conseguia me lembrar de modo que fizesse sentido.

As invés disso abri meu coração.

—Sei que o senhor não está satisfeito com isso, claro que não está nenhum pai ficaria. Mas eu vou honrar com meu compromisso com sua filha e o nosso filho que ela carrega. Não faltará nada a eles, e Bella não vai deixar de estudar.

— Quando você diz que honrará um compromisso com ela, estamos falando abertas em matrimônio?

—Sim senhor. Me casarei com ela assim que for possível.

Charlie ficou me olhando, parecia fazer reflexões profundas, ora olhava para as paredes, hora para mim, hora suspirava.

—Dado às circunstâncias. — ele voltou a falar, se levantou e caminhou pela cômodo com as mãos para trás, finalmente reparei que ele usava um terno azul marinho bem alinhado. — vejo que Isabella poderia ter feito muito pior, seria mais o perfil dela. De todos os males que minha filha poderia expor o nosso nome, um casamento com um homem.. sem muitos recursos é o de menos. — Concluiu. Eu não precisava ser um gênio para perceber o seu desprezo por mim, o juiz me considera pobre e não gostava nada disso. Mas ele era o pai de Bella e eu não queria desavenças com a família dela.

—Espero que cumpra com o que me prometeu, rapaz.–Lhe dou minha palavra, senhor.

Estendi a mão para um cumprimento, homens adultos fazem isso certo? Ele pareceu achar graça, mas eu não podia ter certeza se era. Sorriso ou uma careta por debaixo de seu bigode.

Vou preparar tudo para o casamento de vocês ser o mais breve possível.

Naquela época eu achava que Charlie fosse apenas um pai preocupado, mas logo mostrou que era controlador e se importava muito com que as pessoas do seu meio social pensavam dele. E de sua família por consequência. Inúmeras vezes se ofereceu para custear meus estudos, para que eu me tornasse advogado ou “ qualquer coisa com um diploma”. Eu nunca permiti, não queria dever nada ao juiz, com algumas coisas não pude debater, fosse o custeio da faculdade de Isabella, fosse a mesada muito generosa que ele a dava, e ela chateava muito das contas da casa com ela. Afinal, meu salário não daria para manter o padrão de vida ao qual ela estava acostumada e ao qual queria criar nosso filho. Eu aceitei pensando no melhor para eles. Charlie nunca jogou nenhuma ajuda na minha cara, e nunca me cobrou nada, mas eu sentia com o passar dos anos e meu reconhecimento até mesmo pelo prefeito da cidade por salvamentos, ele querer se aproveitar da minha chamada “popularidade” com a comunidade. Aprendi muito cedo que o orgulho não nos levava a lugar algum, e para viver na família Swan, para fazer a mulher que eu amava feliz eu deveria abdicar desse sentimento todos os dias.

Agora não era o orgulho que me fazia tomar a decisão de deixá-la, e sim o senso de correto. E infelizmente eu tinha que admitir, a mágoa. Eu estava muito magoado com Bella. Não era idiota, sabia que nossa relação era cômoda para ela, mas ela sempre pareceu feliz! Eu sabia que a amava mais, mas não é assim? Alguém sempre ama mais, certo? Não me importava desse alguém ser eu. E no fundo sentia raiva de mim, porque precisava admitir que se não fosse a mentira com relação a Damon no passado, eu perdoaria sua traição de agora.

Eu era um fracasso de homem sem amor próprio, sem senso de honra. Mas eu amava Isabella, perdoa-la fazia parte do pacote do amor, não?

Eu precisava conversar com Emmett e logo.

Parei o carro na vaga da calçada, o canteiro de flores continuava destruído e imaginei que ficaria pior, quem plantou e cultivou era eu, sem mim lá morreriam.

Respirei fundo enquanto fazia o caminho que havia percorrido dias antes sobre a tensão das mentiras reveladas.

Toquei a campainha. Nenhum movimento para me alertar se havia ou não alguém dentro da casa. Toquei de novo.

—Eu estou sozinha nessa casa? — O grito de Rosalie se fez presente. — Bree você bem pode abrir a porta!

—Estou na cozinha! — Ouvi a outra responder. Contive um sorriso, Bree a prova viva que minha família construído em cima de mentiras servirá para alguma coisa. Uma menina ainda, perdida que através do meu filho vinha melhorando suas notas na escola, fazendo amigos e sonhando em conquistar seus objetivos, mas do que isso, finalmente traçando objetivos na vida.

Eu não estava sendo justo, Enzo também era um exemplo que o meu casamento serviu para alguma coisa.

ouvi os passos ruídos de quem supus ser Rosalie, e só para criar mais discórdia tocou a campainha de novo.

—Que bosta! — Ela abriu num rompante se assustando ao meu ver. — Edward?

—Bom dia Rosalie.

—Porque bateu a campainha? — Ela estava nervosa, dava para ver, contudo tentava disfarçar. Se afastou dando espaço para que eu entrasse.

—Não é a minha casa. — Dei de ombros seguindo para a sala. Ela entrou na minha frente.

—Não seja infantil, uma única briga gerada de um mal entendido não é válida para acabar com um casamento de quinze anos.

—Um casamento gerado em cima de uma mentira que durou quinze anos.

—Você e Bella precisam conversar. — Ela seria. Senti raiva.

—Você sabia,não é? Sabia disso o tempo todo! É a maior cúmplice nessa história toda!

—Não aumente a voz comigo! Bella está no quarto, se recusa a comer. Tome — ela andou um pouco até um mesa de apoio perto do sofá e pegou uma bandeja com um café da manhã. — Leve para ela e a faça comer.

Eu quis rir do cinismo de Rosalie.

—Eu não vou levar um café na cama para ela. — Debochei. Resolvi subir as escadas e acabar logo com isso.

—Ao menos mantenham o tom baixo, Enzo ainda está dormindo.

Eu quis perguntar o que então Bree estava fazendo ali àquela hora da manhã se meu filho continuava a dormir, mas não importava muito.

Andei determinado até o quarto que já foi nosso e a partir de agora seria apenas dela. Não bati na porta, mas ela me ouviu entrar. Estava deitada de costas para mim, os cabelos pareciam embolados, o cobertor chegava aos ombros, apesar do frio não chegar ali graças ao aquecedor.

—Rose eu não quero comer. Me sinto enjoada. — Ela sussurrou.

—Rosalie não trouxe o seu café. E você mesma deveria descer e prepará-lo. — Falei baixo. Ela se sentou de subido, os cabelos realmente revoltos, revelando que por debaixo coberto, vestia uma camisa minha, do uniforme.

—Edward. — Ela moveu os lábios, não parecia acreditar que eu estava ali. Tinha olheiras profundas, parecia que não dormia desde o dia que a deixei. Os lábios estavam rachados e ressecados.

Não deixaria que sua aparência debilitada me atingisse.

—Precisamos conversar. Quer que eu saia para você se arrumar? -Ofereci. Vê-la não estava causando uma profusão de sentimentos ruins em mim, como temia. O costumeiro frio na barriga, sim, mas nada de raiva ou vontade gritar acusações. Isso era bom.

—Não. — Ela sussurrou. puxou as cobertas revelando o lugar na cama.- Vem aqui.

—Nós vamos conversar, Isabella. Você vai me contar toda essa história, a sua história com… Damon. — Foi difícil dizer o nome, tornou tudo muito real. — E eu vou ouvir. Só.

—Por favor, Edward. Eu não estou me sentindo bem, mal tenho comido e dormido nesses dias.

—Problema seu.- Falei. A dor que cruzou o rosto dela fez com que eu quisesse retirar as palavras ditas, mas já era tarde eles se foram. Eu não queria sentir pena de Bella, mas também não queria me ressentir dela. Isso só faria mal a mim mesmo.

Os olhos dela encheram-se de lágrimas, e senti a quentura da raiva varrer o meu corpo; eu não conseguia acreditar no seu sofrimento, a ideia que eu tinha dela naquele momento era de puro fingimento.

—Eu nunca quis que você sofresse. — Ela sussurrou se levando seus joelhos a altura do queixo e se apoiando. — Sim, eu tive uma aventura de verão com Damon, e foi só isso. Uma aventura! Eu não o queria na vida depois que eu voltasse para os Estados Unidos, e não mantivemos contato em todos esses anos.

—Porque não me contou quando o encontrou no hospital? — Perguntei já sentado na poltrona do quarto, que ficava próximo a cama. Era uma distância segura.

—Eu fiquei em choque, eu não o conhecia!

Bufei.

—Tem que acreditar em mim! Nós nunca nos apresentamos, foi tudo muito… leviano. — Ela abaixou o tom e se voltou para mim.

—E ao se encontrarem a chama do amor reacendeu. — Debochei.

—Não foi assim — Ela se lamentou se jogando nos travesseiros.

—Está trepando com ele desde que ele chegou? — Soltei e ela se encolheu pela minha escolha de palavras.

—Edward....

As evasivas dela estavam me tirando do sério. Me levantei, caminhando pelo quarto.

—Ele veio para cá para ficar com você?

—Não!

—Nos corredores do hospital? Nos leitos? — Me aproximei da cama, ela me olhou meio em pânico de novo, me afastei tentando recuperar a sanidade.

—Sei que é difícil acreditar em mim no momento, mas se deixar explicar vai entender.

Foi preciso todo o meu autocontrole para que me acalmasse, sentasse e a ouvisse.

Então ela falou de Damon.

Da Itália.

De como eles estavam de acordo em não revelarem seus nomes, apenas curtirem o verão juntos.

Como ela o deixou para trás e nunca mais pensou nele.

—O reencontro com ele no hospital mexeu sim comigo. — Confessou de olhos fechados. Era isso, eu precisava ouvir isso. -Eu sempre fui uma mulher de paixões, Edward, desde muito nova. O que Damon e eu tivéssemos foi especial a sua maneira.

—Por isso viajou para Miami. — Sussurrei. Aquilo me magoou.

—Não! — Ela pulou da cama, pareceu ficar tonta e caiu sentada de volta. Reprimi a vontade de me aproximar, permanecendo na poltrona. -Não foi assim! Se eu soubesse que ele estaria lá não teria ido!

—Você se entregou a ele. -Não era uma pergunta. Ele me fitou, sabia que não podia negar.

—Eu não sou perfeita. — Sussurrou.

—Nenhum de nós é. — Contei. — Mas muito de nós consegue se manter fiel aos votos feitos no casamento.

—Foi só uma vez, num momento de fraqueza!

Eu ri, o som saiu meio estrangulado.

—Enzo é meu filho Bella? — Fiz a pergunta que realmente importava.

—Sim. — Ela respondeu sem pestanejar, o que me pegou um pouco de surpresa. Eu esperava algum vacilo da parte dela.

Fiquei quieto fitando minhas mãos.

—O que Damon quer?

—Apenas causar discórdia. — Ela respondeu rápido.

—Ele parece bem certo da paternidade.

—Ele só quer arrumar problemas entre nós. — Ela disse, se levantou vindo em minha direção.

—Não. — Ergui um braço tentando a manter longe.

—Eu sinto sua falta. — Sussurrou segurando meus dedos. — Na nossa cama. Da sua risada e cantoria no banheiro.

Sua fala mole me desarmou um pouco, deixei o braço pender, ela se aproveitou sentando em meu colo, circulou meu pescoço com os braços.

—Volta pra casa. Vamos resolver isso juntos, eu errei em ficar com Damon, sinto muito. Foi a primeira e última vez. -Ela sussurrou no meu ouvido.

Foi bom ela ter dito o nome dele, eu não confiava em mim mesmo, poderia ceder a qualquer momento. A fastei com a maior delicadeza que pude, talvez nem tanta já que ela foi ao chão.

—Desculpa. — Soltei saindo de perto dela.

—Edward… — Ela se levantou vindo para perto de mim.

—Nós vamos nos separar. — Falei segurando suas mãos impedindo que me tocasse. Logo, sua expressão se transformou, de carente a fúria.

—Não pode estar falando sério!
—Não sou dado a brincadeiras como você. -Cuspi. — Não quero mais isso, esse casamento onde sou o único que se importa.

— Quer jogar anos da nossa vida vida juntos fora, por causa de um único erro meu? — Ela levantou a voz.

—Um único erro seu? Construímos essa relação em cima de mentiras, Isabella! Onde eu te amei e você me deu o que pode.

—Eu amo você! — Ela gritou

—Vem contando essa mentira há tantos anos que já acredita nela. — Sacudi a cabeça. Mero erro, fechei os olhos e não pude ver a mão dela vindo ao encontro do meu rosto. Ouvi o estalo da sua palma na face antes de sentir o ardor.

—Eu amo você. — Disse, lágrimas escorrendo pelo rosto.

Toquei o lugar em que ela havia me batido, desejando que fizesse de novo, esperando que isto me fizesse acordar e deixar de amá-la.

porque eu estava magoado. Me sentia traído e usado, mas o pior era saber que eu tinha deixado as coisas seguirem esse rumo quando fui permissivo, eu sabia que Bella se aproveitava das pessoas a sua volta para ter o que quisesse delas. Eu era o mais disposta a dar. Eu fui o seu brinquedo humano, dando tudo que ela queria e precisava, e recebendo suas migalhas de amor em troca.

A culpa não era dela afinal, ela nunca fingiu ser outra pessoa, eu que aceitei quem ela era e me moldei a sua forma para me encaixar em sua vida da melhor maneira possível.

—Desculpe. — Seu sussurrou não me abalou.

—Eu mereci. Você pode ter me amado do seu jeito egoísta, mas isso não muda o que você fez. Se Enzo não for o meu filho…

—Ele é. — ELa grunhiu.

—Eu não consigo acreditar em nada do que você diz! — Joguei os braços para alto em frustração.

—Precisa confiar em mim.

—Não chegamos a esse ponto pela minha confiança cega em você?!

Ela não respondeu, continuou para na minha frente chorando.

—Eu não devia ter transado com Damon. -Disse por fim. — Você não merecia isso, nossa família não merecia isso…

—Mas você queria. -A interrompi. Eu a conhecia, pelo menos as partes que ela permitia conhecer. -Você ainda se sente atraída por ele, mesmo depois de todos esses anos?

Ela apenas assentiu fitando o chão. Algo se partiu dentro de mim com afirmação dela. Eu não senti raiva, apenas muito, muito cansado.

—Eu vou pedir um exame de DNA, acho que é isso que o Damon também quer. E vou entrar com o pedido de divórcio.

—Edward…

—Independente do resultado, eu não vou abrir mão do Enzo, entendeu? — Ela me olhou atentamente. — Ele é meu filho, eu não sou todo estudado como vocês, mas vou lutar por ele. Sei que tenho meus direitos. — Falei mais por falar, torcendo para ser verdade. Se Enzo não fosse o meu filho biologicamente eu ainda teria direito sobre, permaneceria sendo seu pai perante a lei?

—Eu errei com você Edward, errei por esconder que já conhecia Damon quando ele apareceu, e errei por ter cedido a.. luxúria. Eu nunca levantei a questão de talvez ele não ser o seu filho porque nunca houve essa dúvida dentro de mim. -Ela disse firme, olhando em meus olhos. Ela estava atuando.

—Era só isso que tínhamos de resolver… vou pegar algumas roupas.

—Eu já contei a Enzo. — Ela disse me detendo. — Ele ficou me questionando, e resolvi contar.

—O que contou?

—Tudo. — Sussurrou e voltou a chorar. — Minha traição,que Damon alega ser o pai dele.

—A cabeça dele deve estar uma confusão. Devíamos ter conversado com ele juntos.

—Eu não sabia quando ou se você apareceria. — Ela se abraçou.

—Não… você se aproveitou da situação. Contar sozinha num momento em que está aparentemente frágil o faria ficar do seu lado.

—Nosso filho não tem que escolher um lado.

—Concordo com você.

De novo o silêncio.

—Edward… — Ela tentou se aproximar de novo.

—Eu vou pegar uma mala, outra hora venho tirar o resto das minhas coisas.

—Nós podemos resolver isso. — Insistiu.

—A solução é essa, Isabella. Eu finalmente parei de lutar por você. Vou começar uma nova vida, e você não vai fazer parte dela.

Notas finais
Eu me apaixono cada vez pelo Edward >< bjs 13/02/19