Notas iniciais
Voltei!!! Casadissima, com a corda toda pra escrever kkkk quem quiser ver fotos segue no meu instagram @missthay e não deixe de seguir o intagram da fic, onde posto previa @pensamentosdathayy Boa leitura!

Capítulo 13

Finalmente Isabella desistiu de tentar explicações e acusações para Damon, e foi se arrumar no banheiro do quarto, deixando a porta aberta num claro convite ao qual eu não cogitaria. Estava certo sobre não querer mais nada com ela.

Me mantive no quarto, pegando roupas e objetos pessoas, as apostilas de um curso online que tinha começado a fim de me preparar para entrar numa faculdade.

—Antes de irmos falar com Enzo, precisa saber que ele está confuso com tudo isso. — Ela começou a voltar ao quarto com uma toalha verde claro enrolada no corpo e os cabelos molhados.

—Claro que está. — Dei ombros.

—Não só como você imagina, mas está confuso também sobre você. Ele parece achar que você está chateado com ele, por isso saiu de casa.

—Enzo disse isso? — Franzi a testa achando aquilo tudo um grande absurdo.

—Não com todas as letras, mas… -Ela parou para suspirar — É o que parece.

—O que exatamente você disse a ele? — Parei o que estava fazendo, mantendo toda minha atenção nela. Bella suspirou de forma dramática e se jogou na cama, deixando a toalha cair do corpo. Se esticou toda, como uma gata e respirou fundo.

—Ele ficou atrás de mim desde o momento que você saiu, e por fim contei. Que ele tinha razão de sentir-se desconfiado sobre Damon, porque Damon e eu nos conhecemos no passado, nos envolvemos… e ele queria destruir a minha vida por conta de um rancor antigo.

Ri de sua lógica.

—Disse ao nosso filho que Damon queria destruir a nossa família?

—Disse a verdade. — Ela ficou de lado na cama, uma mão firmando a cabeça para me olhar, a outra estendida ao longo do corpo, fudidamente nua. Eu não era imune a Isabella, não ainda. Engoli em seco tentando me manter focado em seu rosto.

—Disse que foi você que permitiu isso ao se envolver com ele de novo? — Arqueei uma sobrancelha.

Ela se sentou de súbito.

—Edward, não houve um novo envolvimento… foi apenas sexo. -Ela disse devagar.

Eu estava farto disso. Me aproximei dela que abriu um sorriso enorme com isso, a peguei pelo braço.

—Coloque a porra de uma roupa e vamos falar com o nosso filho. -A puxei da cama sem delicadeza.

—Calma!

—Estou fodidamente cansado de ter calma com você, porra! — Gritei. -A porra da vida toda eu fui calma e paciente, agora acabou, ouviu bem? Acabou! Parece que quanto mais olho para você, ouço você, mais me odeio por todos anos que engoli suas merdas! Coloque a porra de uma roupa, vamos conversar com Enzo.

A deixei de pé no meio do quarto, nua e me fitando de olhos arregalados. Que se foda!

Sai batendo a porta, no corredor Rosalie estava de olhos arregalados com uma bandeja para cama.

—Ouvindo por detrás das portas? Pode ficar tranquila, não machuquei sua prima.

—Não fisicamente. — parou. — Espero. — Completou.

—Como vocês conseguiram sustentar essa mentira todos esses anos? -Bella tudo bem, era até compreensível, ela era mesmo egoísta ao ponto e eu um cego, mas Rosalie?

Ela endireitou a postura e pareceu mais dura.

—Bella tem certeza que Enzo é o seu filho. o único erro dela foi ter se envolvido as escuras com Damon Salvatore, e ter… cedido a ele de novo.

—Cedido? — Eu quis gritar.

—Edward não seja machista, Bella comentou um erro, quantos homens já não cometeram o mesmo erro?

—Pode ter razão, mas eu não sou todos os homens, e nunca cometi esse erro.

—Sei que nada que eu disser vai fazer você se acalmar agora, mas pense bem. Não deixe o veneno do Damon te pegar.

—Preciso ver meu filho. -Dei as costas a ela, segui pelo corredor parando à porta de Enzo. Eu queria estar junto de Bella para conversarmos com ele, mas talvez fosse melhor fazer isto sozinho já que ela já teve sua conversa com ele.

Bati na porta.

—Pode abrir! — Ele disse. Abri devagar.

—Filho? -Chamei colocando uma cabeça para dentro. -Posso entrar?

—Pai! -Ele deixou o controle do video game de lado. O quarto tinha roupas por cima de cada superfície. Pareceu surpreso ao me ver.

— Bree está por aqui ainda? — Perguntei adentrando.

—Não, foi para escola.

—Ela tem dormido aqui? — Perguntei. Ele pareceu culpado.

—Na maioria das vezes.

—Sabe que não é certo, ela tem uma mãe…

—Que se não preocupa se ela comeu, se vestiu, se está com frio… mamãe deixou ela ficar aqui, a casa dela é longe e não tem aquecedor.

—E a mãe dela?

Ele deu de ombros.

—Eu realmente não me importo, e Bree também não.

—Filho achei que estivessemos de acordo que iriamos ajudá-las e não adotar sua namorada.

—Achei que você estaria aqui quando eu precisasse, mas você e mamãe brigam e você sai de casa. — Ele olhava as estampas de sua colcha, evitando o meu olhar.

—Filho…

—Você realmente acha que não sou o seu filho? — Ele disse levantando a cabeça e o olhar encontrando com o meu.

—Enzo…

—Você realmente acha? -Ele se afastou quando tentei tocá-lo, se recostando na cabeceira da cama. — A mamãe falou que você é o meu pai e eu acredito nela.

Como fazer um adolescente de quinze anos entender que as coisas entre a mãe dele e eu eram mais profundas do que a dúvida de uma paternidade?

—Você não acredita nela. — Ele interpretou o meu silêncio de maneira errônea.

—Meu desentendimento com sua mãe vai muito além do que Damon diz. Ela errou comigo, Enzo. Vem errando há quinze anos.

—Porque justo agora você se importa?! Porque ela traiu você? Ela já disse que lamenta, não podem se separar por causa disso! — Ele estava ficando ofegante o que não era bom.

—Respire. -Sentei em sua cama e ele permitiu que tocasse seu ombro. — Sua mãe disse que vamos nos separar?

Ele sacudiu a cabeça.

—Você foi embora. vocês brigaram e você foi embora, o que quer que pense?! Você acha que eu não sou seu filho, e não consegue nem viver na mesma casa que eu! Por isso mandou eu ir embora da casa da vovó… — ele engasgou e começou a chorar. — Que porra! Eu...eu não que-queria chorar! Mas está doendo, merda! Não quero ser filho daquele cara! Não quero que me odeie, pai!

Eu o puxei para os meu braços, segurando firme no seu pescoço.

—Você é o meu filho, entendeu? Exame nenhum mudará isso! Mas temos que fazer, Damon deve exigir.

—Eu não quero!

—Não podemos deixar que isso vire uma briga judicial filho. — Murmurei. Ele ficou quieto, apenas deixei que se acalmasse sentindo suas lágrimas molhando minha roupa. Quando finalmente se acalmou levantou a cabeça.

—Mãe? -Olhou para trás de mim. Estava tão preso em nosso momento que não vi Bella entrar.

Ela tinha o rosto vermelho, claramente chorando vendo a cena que protagonizamos.

—Eu não queria interromper. — Sussurrou. -Sinto muito filho, que minha estupidez esteja te causando todo esse sofrimento. Sou a única culpada nisso tudo.

—Damon é culpado. -Ele disse com ódio o que não gostei nem um pouco. Eu não defenderia as atitudes de Damon, ele agiu sim de caso pensado, e com toda certeza estava se divertindo com o sofrimento causado a minha família, mas se as coisas chegaram até o ponto que estão é porque Bella permitiu.

E se divertiu no processo.

—Filho, não vamos discutir os culpados e inocentes, ok? Eu vou continuar por um tempo na casa dos seus avós, vamos marcar esse exame de DNA o mais rápido possível, e assim que comprovarmos a Damon que você é o meu filho não teremos que lidar com ele.

—E quando você vai voltar para casa?

Olhei para Bella, que parecia ansiosa de repente.

—O que houve entre sua mãe e eu não te diz respeito. -Falei em voz baixa, devagar. -Sou o seu pai, ela é a sua mãe e nada que ocorra entre ela e eu vai mudar isto.

Ele fechou os olhos, mas assentiu.

—Podemos fazer esse exame logo?

— Tudo fica meio parado proximo as festas de fim de ano, talvez tenhamos que esperar até o ano novo.

—Se cuide, descanse e tome os remédios. — Beijei seus cabelos.

—Eu te acompanho. -Bella disse subitamente formal. Andei em silêncio em sua frente saindo do quarto.

—Eu sei onde fica a saída. — Falei o mais tranquilo que podia.

—Edward, por favor. -Ela segurou no meu braço. — Deixe que Damon comece um briga na justiça, se esse for mesmo o plano dele. Meu pai…

—Eu não quero nada do seu pai. — Tirei sua mão do meu braço. — Vamos fazer esse exame, Enzo será o meu filho e estaremos livres de Damon. Ou você tem alguma dúvida?

—Enzo é o seu filho!

—Então não precisamos temer um exame. — Dei as costas e segui pela escada.

—Não precisamos fazer isso! Meu pai não deixaria um pedido desses passar pelo tribunal, ele conhece todo mundo lá, e todo mundo faz o que ele manda!

—De novo, podemos seguir a lei já que não há o que temer. — Parei no fim da escada. Ela se deteve no último degrau, me virei para olhar seu rosto.

Os olhos expressivos e cansados, com olheiras profundas, o conjunto de moletom preto que havia vestido era largo demais, os cabelos continuava molhados, agora penteados. Eu não podia negar o amor, a paixão que sentia por ela. Por que era assim? Fechei os mãos em punho, eu queria socar alguma coisa.

Me aproximei ao máximo dela, sem tocar o seu corpo, a altura extra causada pela escada, a fazia não precisar olhar muito para cima para estar em contato com os meus olhos. Os seus, chocolates, pareciam queimar, sempre fazendo com que eu me sentisse tonto, perdido, fraco, cheio de desejos.

Senti nossas respirações se misturarem.

Eu não perderia o controle.

—Vou te dar só uma chance, Isabella. — Sussurrei. Ela fechou os olhos entregue. — Se você tem alguma dúvida, se há alguma chance por menor que seja, de que Enzo não seja o meu filho, diga agora. Eu… posso te perdoar por isso. Mas se você estiver mentindo e ele não for o meu filho…

—Ele é o seu filho. — Ela sussurrou. — Precisa acreditar em mim.

—É impossível acreditar em você. — Lamentei. Eu tinha desenvolvido uma espécie de aversão às coisas que ela dizia. Sem dizer mais nada me virei para sair.

Ela não me impediu.

—Ei Edward! — Emmett caminhava na neve em minha direção, só o rosto era parcialmente visível, usava touca, casaco e botas. — A temperatura não para de cair! — Reclamou.

—O que veio fazer aqui? — Parei meu caminho até o carro.

—Vim encontrar Rosalie! — Ele sorria de orelha a orelha.

—Rosalie?

—Sim, ela me ligou pedindo para vir… aconteceram tantas coisas esses dias. — Ele parecia idiota olhando através de mim.

—Sim, eu me separei, minha mulher me traiu… — Comentei de forma casual.

—A mulher de quem traiu?! — Ele me olhou chocado.

—A minha. — Emmett parecia chocado demais para falar.

—Onde você se meteu? -Sacudi a cabeça incrédulo.

—Eu estava com Rose! Sabe, moramos no mesmo prédio, e esses dias ela estava no terraço, você sabe que amo cuidar das plantas que tem lá, eu sou o responsável por elas, o único que cuida. Ela estava lá queimando uns papéis, e pela primeira vez ela pareceu me da bola!

Eu não estava com paciência para Emmett.

—Ótimo! Apenas uma dica; cuidado com as mulheres da família Swan. — Continuei meu caminho até o carro.

—Edward, Espere! -Ele me segurou pelos ombros me mantendo no lugar. Nessas horas eu odiava que meu amigo fosse… forte. — Me explica essa historia direito!

—Você não é o novo melhor amigo de Rosalie Swan? Ou Hale? Que se foda, pergunte a ela!

Me libertei dele seguindo para meu carro, quando finalmente estava dentro do veículo, respirei de forma mais controlada. Emmett continuou parada na entrada da casa, deixando a neve encher seu casaco grosso, enquanto eu dava a partida e saia, sem me importar com o que Rosalie ou até mesmo Isabella pudessem dizer a ele.

Eu precisava me acalmar, decidi ir para o quartel, eu precisava de foco, o trabalho me daria isso.

XXX

O Natal veio naquele fim de semana, e quando Brandy, um senhor que estava perto de se aposentar na corporação me pediu para trocar a escala com ele, pois sua filha tinha vindo para casa, trazendo o seu primeiro netinho junto para passar o Natal, eu aceitei feliz. Tinha o motivo perfeito para não ter de estar na casa dos Swan naquela noite. Liguei para o meu filho explicando a situação, a qual ele pareceu compreender de imediato.

Então minha noite de Natal foi tranquila, no quartel com os outros plantonistas, nós tivemos dois chamados por acidente de carro devido as estradas escorregadias e só.

Recebi mensagens de feliz Natal de alguns amigos, ligações de Emmett e Tyler, o primeiro desesperado para conversar sobre minha separação, o segundo prometendo me levar para o Havaí no ano novo.

—’’Você precisa de praia, sol e mulher!’’ — gritara e percebi que já estava bêbado.

também recebi uma mensagem de texto de Bella.

Amaldiçoei meu coração por falhar ao ver seu nome brilhar na tela do telefone. ‘’Esposa’’.

Esse é o primeiro Natal em muitos anos que não receberei o seu abraço. Espero que seja o último também.

sinto sua falta, Edward. Vamos superar isso.

Eu não sei sobre você, Isabella, mas eu vou superar isso. Vou superar você.

Troquei o nome em seu número.

Como eu tinha passado o Natal de plantão, no ano novo estava livre, assim levei Enzo e Bree para esperar o novo ano no Navy Pier, uma tradição começada com meus pais que passei para minha família.

—Poderíamos ter trazido a mamãe. -Ele comentou em alto e bom som, mas olhando para sua namorada, tentando fingir que achava que eu não estava ouvindo. Ao meu lado Tyler, que desistira da ideia do Havaí, tinha um braço possessivo em torno dos ombros de Maria — que tinha voltado com ele no dia anterior — revirou os olhos. Ao meu lado, Tanya — que tínhamos encontrado sozinha na entrada do Pier disfarçou uma risado colocando a mão na boca.

Realmente, devíamos ter chamado Isabella, e até mesmo Damon Salvatore e quem sabe sua inocente esposa. — Falei alto. Enzo parou de andar e virou para mim com as bochechas coradas. Ele havia me contato que Damon estivera em noss… sua casa, querendo falar com ele, e Bella o expulsou com gritos e palavrões. Não me mostrei interessado em saber como estava a relação de sua mãe com seu amante.

—Desculpe pai, só é estranho sem ela aqui. — Ele disse, caminhou mais rápido com Bree.

—De tempo a ele. — Tanya comentou com uma mão em meu braço. Era bom tê-la ao lado, com seu sorriso tranquilizador.

—É tudo muito recente, e ter pais separados é uma merda.- Maria disse com uma careta.

—Ahhh não pense nos seus pais, gatinha. — Tyler a abraçou pela cintura.

—Não estou falando de mim, e sim da minha filha. — Ela disse confiante.

—FIlha? — Tyler se afastou para olhar para ela. Troquei um olhar confuso com Tanya.

—Sim, minha filha. Ela tem quatorze anos agora, mora com a avó paterna, sempre que a visito ela pergunta ‘’porque você e papai não tentaram ficar juntos?’’ Como se eu pudesse aturar aquele moleque mimado, fala sério!

—Maria, nos namoramos desde que tínhamos dezesseis anos e você nunca disse que tinha uma filha!

Tyler estava nervoso agora.

—Não é importante. — Ela sacudiu as mãos no ar.

—Edward, vamos na frente, para não perdermos as crianças de vista? -Tanya me chamou.

—Sim, vemos vocês dois perto da roda gigante para a queima de fogos. -Falei e não esperei uma resposta, peguei na mão enluvada de Tanya e a puxei para longe do meu amigo e sua até então namorada.

—Ela realmente nunca disse que tem uma filha? — Tanya riu.

—Não, mas pode ser mentira, ela gosta de provocar o Tyler. -Dei de ombros.

Continuamos a andar lentamente pelo Pier, podia ver Enzo e Bree logo a frente, graças aos cabelos verdes dela recém pintados.

—Obrigado por me convidar para ficar com vocês, eu saí de casa decidida a me divertir e acabei… — ela desviou o olhar, estalando os dedos da mão de modo frenético. — Ficando ali parada com cara de boba. — Riu nervosa mexendo nos cabelos como se fosse fazer um rabo de cavalo e depois soltando ao notar que não tinha com o que prender.

—Iria passar o ano novo em casa, sozinha? — Aquilo me parecia horrível.

—Não tenho muitos amigos. Eu… não lido muito bem com pessoas. -Deu de ombros.

Ri de sua declaração.

—Como é possível trabalhar em um RH de um Hospital e não lidar bem com pessoas? — Ri da impossibilidade.

—Não ria, Edward. — Ela bateu no meu braço, se sua intenção era me machucar falhou miseravelmente, mais parecia um carinho devido sua baixa força. — Não lidar muito bem com pessoas até ajuda, ok? Posso lidar com seus sentimentos com distanciamento.

—Distanciamento é uma palavra bonita para dizer que a pessoa é fria? — Voltamos a caminhar. Crianças passavam correndo por nós, pessoas riam e gritavam animadas.

—Nunca pensei por esse lado, mas parece lógico. Talvez sim.

—Médicos são muito frios? — mantive os olhos a frente ao perguntar, pensando em uma médica em especial.

—Eles precisam… ser profissionais. Não quer dizer que são frios, os novos internos sempre lidam pior com as coisas, vivem na minha sala chorando e precisam de aconselhamento direto. Acredite, muitos desistem da emergência logo que perdem um paciente.

—Talvez uma pessoa decida ser médico por ser frio e calculista. — falei baixo, sem ter certeza se queria que ela ouvisse. Tanya parou de andar imediatamente. Um casal que vinha atrás de nós esbarrou nela.

—Desculpe! — Ela disse tentando se equilibrar, a ajudei segurando seus braços. Logo que recuperou o equilíbrio ela se afastou.

—Edward, não sou psicóloga e não quero falar sobre Bella. — Disse logo.

—Desculpe, Tanya…

—Ela trabalha comigo. Quer dizer não diretamente comigo, mas… eu realmente não quero me meter em problemas, ou perder meu emprego.

—Por que conversar comigo a faria perder o emprego?

—Bella não é minha amiga. — Ela caminhou para a barraca de lanche. — Tenho certeza que não vai gostar de saber que ando batendo papo com o marido dela…

—Estamos separados…

—Vocês são casados! — Ela se virou para mim, a respiração irregular.- Essa é a segunda vez que nos vimos e conversamos, a primeira pode não ter sido nada para você, mas eu… fiquei pensando em você todos esses dias. E quando decidi vir para cá ver a queima de fogos mesmo sozinha… eu desejei te encontrar.

Eu fiquei impressionado com seu discurso.

—Edward não fique aí me olhando como se eu fosse doida! — Ela bateu as mãos na coxa e eu tive que rir, foi completamente adorável.

—Você é linda. — Falei num jorro de sinceridade. Ela era mesmo linda e encantadora.

—E você é casado. Com Isabella. Eu só posso ser doida! — Ela começou a se afastar.

—Ei, Tanya! — gritei e tentei a acompanhar.

— Preciso ir, Edward! Preciso passar os últimos minutos desse ano sozinha. — Ela andou rápido, e com facilidade por entre as pessoas por ser baixinha. Fiquei parado no meu lugar, sorrindo como um idiota e encantado por ‘’Tanya do RH’’.

Quando o novo ano chegou eu estava assistindo a queima de fogos no Navy Pier junto do meu filho e de sua namorada, e pela primeira vez em anos, sem a minha esposa.

O fato de eu não ansiar a sua presença ali me assustava.

XXX

Todo mundo faz promessa para o novo ano, não importa a sua crença. Comigo não era diferente, todos os anos eu fazia uma estúpida lista de coisas que queria fazer

no próximo. Tive vontade de jogar meu celular na parede ao olhar a número 1 de todos os anos; ter mais filho.

Eu achava que Bella era ocupada demais, mas uma hora cederia. Eu não me importava de ter de assumir a maioria das responsabilidades que dizia respeito ao nosso filho.

Viajar em lua de mel.

Bufei. Quando casamos ela estava começando na faculdade e não podia se ausentar, assim abrimos mão de uma lua de mel. Com o passar dos anos sempre deixamos para depois, priorizando viajar sempre junto do nosso filho.

Comprar jóias para Bella.

Eu era ridículo! Era deprimente!

Levar Bella para pescar.

Levar Bella e Enzo ao Superbowl.

Levar Bella ao show do Ed Sheeran.

A porra da lista seguia com coisas relacionadas a minha família, coisas que eu faria para eles ou com eles que me fariam feliz.

Apaguei a nota, eu não faria uma lista para esse novo ano.

As festas de fim de ano tinham passado, o ano começava a todo vapor- todo vapor possível durante o inverno- e eu já tinha esperado tempo demais.

Joguei o telefone na cama decidido a sair e encarar Damon Salvatore, mas o aparelho apitou anunciando a chegada de uma mensagem.

“Você precisa provar esse café de cápsula!”

A mensagem vinha junto de uma foto de uma xícara de café espumante, parecia café com leite.

Sorri automaticamente, ‘’Tanya do RH’’, como eu a chamava tinha esse poder sobre mim.

‘’Prepare um para mim então.’’

Digitei a resposta rápida, cliquei em enviar e logo me arrependi

Eu não tinha muitas amigas mulheres, era complicado porque eu tinha que admitir que elas não se aproximavam querendo a minha amizade, e sendo um homem casado e fiel eu evitava, mantendo amizade superficiais com as esposas dos amigos, e algumas amigas da época da escola, que quase não via pois moravam em Nova York e vinham pouco visitar os pais.Com Tanya era diferente, ela estava claramente interessada em mim, e com vergonha disso por eu ser casado com alguém do seu ambiente de trabalho.

E por ser casado mesmo, ela não era esse tipo de mulher.

Que se deixa levar por um homem casado.

Mesmo ele, eu, estando separado de corpo.

A resposta não veio, e suspirando segui para o banheiro.

Eu não via mal algum em tomar um café na casa de Tanya, mas deveria pensar no que isso significa para ela, e em que situação isso poderia deixá-la. Ela morava num prédio próximo ao hospital, seria fácil alguém de lá nos vê, talvez me reconhecer e espalhar alguma fofoca. Eu não queria a imagem dela manchada por nada.

Tomei um banho rápido,fiz a barba, coloquei roupas quentes. Sorri ao pegar o telefone da cama e vê a resposta de Tanya

“A hora que você quiser “ seguido de um emoticon sorrindo de olhos fechados e bochechas coradas.

Senti algo se revirar dentro de mim em expectativa, era uma sensação boa, que foi substituída por enjoo quando o nome ‘’Mãe do meu filho’’ apareceu na tela com uma chamada.

—O que você quer? — Atendi. Trocar o nome de Isabella de ‘’esposa’’ para ‘’mãe do meu filho’’ no meu telefone parecia um pouco dramático, mas eu estava me sentindo dramático no dia em que fiz.

—Edward, o Damon cercou o Enzo na escola!

Aquel filho de uma…

—Onde Enzo está?

Eu já estava descendo as escadas da casa dos meus pais pronto para sair.

—Ele está no quarto! Não me deixa entrar, disse que é tudo minha culpa e não quer me ver!

Eu podia notar a choro em sua voz

—Bella, respire. Bree está aí?

—Não, ela ficou na escola para um projeto de ciências ou coisa assim, ele veio com um amigo! Damon aproveitou a ausência dela para se aproximar dele aposto!

—Estou indo para aí ok? Se afaste da porta dele.

— Como sabe que estou na porta dele?

—Eu conheço você.- Revirei os olhos. Imaginei que ela estava sorrindo do outro lado.

—Sim, você me conhece.

—Estou no carro. — Disse ao desligar.

A neve tinha cedido um pouco, mas o frio aumentando se possível. Dirigi com atenção, era hora de muitas pessoas estarem saindo do trabalho ou escola, e o trânsito ficava pesado.

Toquei a campainha ao chegar, já tinha devolvido a minha chave. Bella atendeu de imediato

—Ainda no quarto? — Questionei. Reparei que ela ainda tinha as roupas do uniforme hospitalar

—Você nunca saí do plantão com roupa do hospital.-Observei. ela se sobressaltou olhando para baixo, parecendo só ter notado as roupas naquele momento.

—Eu estava no meio do plantão quando o Seth ligou. — disse me seguindo escada a cima

— Você saiu no meio de um plantão?

Aquilo me surpreendeu. Me virei para ver seu rosto ao me responder.

Ela apertou os lábios e empinou o nariz.

—Meu filho precisava de mim.

—Isso nunca a fez largar um plantão antes.

—Eu sempre pude contar com o pai dele antes.

—Não com Damon. — não resisti. Ela levantou a mão, mas fui mais rápido. Segurei seu pulso no ar antes de atingisse meu rosto.

—Você não vai me bater, ouvir?- Rosnei.

Ela pareceu irritada, a respiração saindo forte, o peito subindo e descendo. Ela sorriu lentamente.

—Talvez você devesse me dar umas palmadas, não? — Mordeu o lábio inferior.

—Você não vai me ter, Bella. -A soltei.

—Edward já vai fazer um mês! Um mês com você fora de casa e a gente nessa! Eu estou sofrendo, você está sofrendo, porra, o nosso filho está sofrendo! Sabe quem não está sofrendo? O maldito que causou tudo isso! Damon vive com um sorriso idiota no rosto!

—Então conte a mulher dele todo o nosso drama e acabe com a alegria dele.

—Rosalie acha que ela vai ficar do lado dele e se virar contra mim. — Ela cruzou os braços na frente do corpo.

—Ela teria que ser muito manipulável para isso.

—É o que parece ser. — Bella deu de ombros.

Sacudi a cabeça, por dentro tive que concordar com ela, Elena parecia completamente dominada pelo marido.

—Me dê um tempo com ele, ok?

—Tudo bem, vou tomar um banho, de banheira. Se terminar aí e quiser se juntar a mim, a porta vai estar aberta.

Ela andou para o que antes era o nosso quarto de modo sugestivo, acompanhei o balançar dos seus quadris, reparando que ela tinha emagrecido nesse quase um mês comigo fora de casa. A expressão também parecia muito cansada, apesar das insinuações sexuais.

Controlando a vontade de ir atrás dela e perguntar como ela estava de fato, me virei para o porta do quarto de Enzo. Bati.

—Mãe, eu realmente não quero falar com você agora.

—Sou eu. — Respondi.

Ouvi um baque alto, mais sons de algo chocando no chão, e a porta então foi aberta.

Enzo ainda estava com moletons de sair, os cabelos bagunçados e os olhos vermelhos.

—Ei garoto.

Ele se lançou no meus braços como se fosse um garotinho pequeno. Chorando.

—Ei. — Afaguei suas costas tentando acalmá-lo.

—Diz que aquele homem não é meu pai! Diz por favor, eu não quero! Não quero ter nada a ver com ele!

Falou entre soluços.

—Enzo você precisa se acalmar! — O guiei de volta a cama, o ajudei a se acomodar, a perna ainda com fixadores externos parecia inchada. — Filho está tomando os seus remédios? Você está andando demais, não é? Precisa fazer repouso!

Ele ignorou minha fala, limpando as lágrimas do rosto.

—Eu odeio aquele homem! Ele sempre passa pela escola, mas não tinha se aproximado, acho que pela cara de Bree, até eu tenho medo da cara dela, mas ela tinha trabalho, e o Seth que estava comigo… ele apareceu na minha frente!

—O que ele disse? — Perguntei calmo.

Enzo riu.

—Que se orgulha de mim, que sou a cara dele nessa idade! Que quer muito fazer parte da minha vida, e até… — Ele parou de falar.

—Até… — incentivei. Enzo fechou os olhos e disse.

—Ficar com a mamãe.

Fechei as mãos em punho.

Claro que ele também queria a Bella.

—Vamos resolver isso. — Afirmei. — Vamos fazer esse exame…

—E se eu for filho dele? — Lamentou.

—Até ontem você parecia certo de que não é.

—Ele disse que eu pareço com ele. — Sussurrou. Respirei fundo.

—Quando eu era criança, eu achava que era adotado. — Comecei. Enzo fungou e me olhou com mais atenção.

—Minha mãe tem os cabelos originalmente pretos, ela os pinta naquele tom de quase vermelho. Meu pai é loiro. Eu nasci meio ruivo.

—Mas ser ruivo independe dos pais. — Ele salientou.

—Eu soube disse depois, garoto inteligente. Mas eu eu não me via nos meus pais, e ficasse muito irritado com isso. ‘’Será que sou filho de outras pessoas?’’

Um dia fiquei muito revoltado, devia ter uns oito anos de idade, e reclamei com meus pais, ele pareceram achar graça, mas para provar que eu era sim seu filho, juntaram dinheiro e me levaram para a itália, onde meus avós paternos viviam. Lá conheci alguns primos, e esbarrei com a foto de uma irmã do meu avô, e adivinha? — Arregalei os olhos para dar emoção a minha fala. — Era completamente ruiva.

Enzo me olhou entediado.

—O ponto é… — Pigarreei. -Não acho você parecido com Damon Salvatore. Você tem os cabelos pretos de sua mãe, os olhos azuis de sua avó, o meu nariz, meus lábios finos, e parabéns por isso, a minha altura.

Ele riu um pouco.

—Mamãe diz que sou seu filho, eu acredito nela, mas quando aquele cara diz…

—Nós vamos fazer esse exame.

—Mamãe diz que não preciso fazer, e se Damon entrar com um pedido na justiça meu avô não vai permitir que passe.

—Lorenzo, usar influência para burlar a justiça…

—Eu sei que é errado, mas se temos o poder porque não usá-lo?

Esse é o tipo de coisa que seu avô, o pai de Isabella falava.

—Você é melhor que isso.

Ele virou o rosto para a janela.

Olhei em volta do se quarto, estava assustadoramente arrumado.

—Sua mãe contratou uma faxineira?

—Ela limpou meu quarto. Está com muito tempo livre agora que não está mais fazendo plantões.

—Ela estava de uniforme quando cheguei.

—Ela convenceu Eleazar a deixá-la ficar pelo hospital, mas pelo o que entendi ela está como uma estagiária. Não pode pegar paciente algum, só auxiliar, durante seis horas por dia. E claro tem a terapia.

—Estafa nervosa, né?

—Isso ai. — Assentiu. — Ela está se tratando pelo menos.

—Ela está… bem?

—Pai você e mamãe podem conversar sobre isso. Não vou servir de ponte.

Ele pegou o celular na cabeceira cama e começou a mexer nele.

—Acho que você já está melhor não é? Tenho que resolver umas coisas.

—Agora é assim, você vem quando é necessário e vai embora.- Ele não tirou os olhos da tela do aparelho ao falar.

Suspirei.

—Ezo você está crescido o bastante, ok?

—Vocês vão se divorciar?

Eu não queria falar sobre aquele assunto naquele momento.

—Pai, eu sei que mamãe agiu errado, mas vocês se amam! — Ele disse sem esperar uma resposta, o celular esquecido.

—Nossa relação está muito errado, filho.

—A mamãe está doente!

—Lorenzo, uma coisa de cada vez. Vamos fazer esse exame e nos livrar do Damon.

—E você vai se ‘’livrar’’ da mamãe?

Eu não queria colocar as coisas naqueles ternos. Eu não iria ‘’me livrar’’ de Isabella.

Ela sempre seria a mãe do meu filho, mesmo que exame disse o contrário. Enzo sempre seria meu filho, e eu lutaria para continuar sendo o seu pai legalmente mesmo se o exame dissesse o contrário.

Isabella tinha me traído. Ao esconder seu passado com Damon, e ao estar de fato com ele agora.

Só que mais do que isso, eu tinha que reconhecer que o nosso casamento estava errado desde o início, não se pode esperar muito quando um lado está dando mais, não é?

O problema era eu.

Eu me dei demais.

Eu encobrir os erros dela, não exigi sua dedicação.

Que porra, eu adorava o chão que ela passava!

Eu mesmo precisava de terapia.

Respirando fundo sentei ao lado de Enzo na cama, nossa conversa seria longa.

Não havia porque esconder dele minha intenção de me separar de Isabella.

Notas finais
Então, Bella tem estafa nervosa, é caracterizada pelo cansaço prolongado e entre outras coisas, podendo desencadear outras doenças. No casa dela o sangramento nasal é uma caracteristica dela, algo que ocorre quando ela fica muito estressada. Ela já está se tratando, então podem ficar tranquilas, nada de doença terminal para ela. vejo vocês nos comentários, bjs :*