Notas iniciais
Oi pessoas, como vocês estão? Eu queria muito trazer este cap para vcs, então não fiz uma revisão... obg a cada comentário, em especial a MagCullen, amei sua leitura dos personagens! Vou começar a responder todos os ocmentários, ok? Muito obg, vcs me tem me feito escrever! Ah, aqui entramos nos capítulos que serão narrados pelo Edward. Boa leitura ♥

Capítulo 11

‘’Seja bom Edward. Seja bom para as pessoas e Deus vai te recompensar de alguma forma.’’

—Mesmo se baterem?

—Principalmente se te baterem. Não revide, ame-o ainda mais. Damon passa por muitas coisas… seja um bom amigo.

—Mas ele não quer ser meu amigo!

—Ele quer, tenho certeza que sim. Ele ainda só não sabe como.

Meu nonno era um homem bom e sábio, que tentava transmitir aos filhos e netos os melhores sentimentos do mundo. Ele queria o melhor de mim, e eu tentava dar. Foi assim que me esforcei para ser amigo de Damon Salvatore, um garoto recluso e brigão. Ser bom como meu nonno dizia não era ruim, e eu cresci tentando ser, conseguido e realmente vendo as recompensas disso.

‘’Vejo o melhor das pessoas Edward’.’’

‘’Entenda-as.’’

‘’Ajude-as.’’

Nunca tinha sido realmente difícil, em 35 anos de vida eu só via recompensas em ser bom com as pessoas.

Até agora.

Eu devia saber que havia uma linha tênue entre ser bom e ser bobo. Se fosse um pouco mais observador teria visto os sinais ali; o nervosismo de Bella logo que falei em Damon; o constante olhar vago, sempre mordendo os lábios parecendo estar a quilômetros de distância; as ligações sussurras para Rosalie, a prima que servia de cúmplice.

Eu simplesmente tinha pedido que isso ocorresse, simples e claro. Eu fui omisso.

Me lembrei da noite anterior, os eventos ficavam rondando a minha mente.

—Edward...não é assim, eu amo você! Eu nunca quis te magoar…

—Só me usar! Você só queria me usar e conseguiu não é? Mas o meu filho não, Isabella, o meu filho você não tira de mim, ouviu bem?! — Podia sentir meu rosto em chamas, Bella estava em chamas na minha frente, tudo o que eu via era vermelho, raiva.

Ela parecia assustada, acuada contra a parede. Sua cara me dava mais raiva, ela não tinha a porra do direito! Eu estava certo, ela havia mentido e enganado, eu tinha todo o direito de estar puto!

—Não me olhe assim, você tem ideia da merda que você fez?! Me responde porra! Você e Damon passaram os últimos anos rindo às minhas custas?! -Ela estava encostada na parede, olhando para os lados, procurando uma saída. A cerquei com um braço de cada lado do seu rosto, obrigando a me olhar. Sua expressão de medo só aumentava a minha raiva, eu queria socar algo.

—Responde! — Soquei a parede do lado da sua cabeça. Ela encolheu mais.

—Por favor não faça isso consigo mesmo. — Ela sussurrou tentando me encarar.

Eu não iria bater nela, ou iria? Me afastei um pouco, notando que minhas mãos tremiam.

Não, eu não era esse cara violento!

—O que você fez comigo Isabella? — Sussurrei olhando meus temores.

Ela tentou se aproximar, as mãos estendidas.

—Você não é assim, vamos conversar. Sua mão está sangrando, deixe eu ver.

—Não toca em mim! Você não toca mais em mim entendeu?

Olhei a parede atrás dela, onde meu punho entrou em contato havia rachaduras. Olhei da minha mãos machucada, a marca na parede, o olhar dela.

—O que você fez comigo Isabella? -Repeti com a voz rouca. Eu não queria chorar, a mulher na minha frente havia me humilhado e traído, e talvez o meu filho não fosse meu filho de sangue. Tudo isso cercado de suas mentiras.

—Edward, eu não quis… Damon… ele…

—Te estuprou? — Cuspi a palavra. -Te obrigou? Foi isso?

—Não. — Ela disse séria. Fechei os olhos.

—Sua traição carnal é o que menos me atingi. Uma mulher que mente… me engana por anos! Uma traição do corpo é o de menos.

—Enzo é o seu filho! Damon só apareceu para me confundir, e separar a gente você não percebe?

—Você é a única culpada nessa história. O que eu fiz pra você? porque não me contou quando nos conhecemos? Quando descobriu a gravidez, porque não me disse que tinha motivos para duvidar?! Ou você já saiu grávida da Itália?

—Eu não queria duvidar! Você era tudo o que sempre quis, Edward! Ter um filho seu…

—Ter um filho para eu cuidar. — Eu ri. — Para ser a babá perfeita enquanto você vivia sua vida de universitária! O que os seus pais teriam feito? A obrigado a abortar, aposto!

—Eu nunca teria feito isso. -Ela sussurrou, as lágrimas transbordando. Não, ela não tinha o fudido direito de chorar. A peguei pelo braço a sacudindo.

—Você não chora! Ouviu bem?! Não tem o direito de chorar! -Gritei no seu rosto. Sua expressão de medo me alertou, só um pouco. Eu estava fora de mim. A soltei com algum esforço, vendo a marca dos meus dedos na sua pela branca. Tentei respirar, me afastei dela e dei de cara com o espelho do nosso closet. Minha expressão era irreconhecível, de ódio puro.

Bella havia me transformado num monstro.

—Eu preciso sair daqui. — Falei baixo.

—Vamos conversar. — Ela disse baixinho.

—Não quero conversar com você. Não aqui, não agora. Eu vou acabar fazendo uma loucura se continuar aqui. — Peguei uma mochila no fundo do closet, joguei algumas peças de roupa dentro e sai do quarto.

—Edward! — Ela veio atrás de mim.

—Bella me deixa! — Implorei no topo da escada. Ela tinha uma mão em meu ombro.

—Por favor! Me diz que vai passar, você vai me perdoar… vamos passar por isso juntos!

Eu ri amargo.

—Você é inacreditável! — Libertei meu braço com um safanão. Ela recusou, mas me seguiu pela escada.

—Edward, me promete que não irá contar ao Enzo. -Não quis responder, não iria magoar o meu filho ou pintar uma imagem ruim de sua mãe, contudo eu queria vê-la sofrer com a dúvida.

—Edward! — Ela me segurou de novo, senti nojo do seu toque e a empurrei com o braço, minha intenção era apenas me libertar de seu aperto, mas talvez tenha usado força de mais. Já estávamos no final da escada, ela caiu sentada. Meu filho estava na porta de casa analisando a cena diante de si.

—Mãe?! — Ele olhou de mim para ela, o mais rápido que pode, por conta das muletas foi para o lado da mãe. -Você se machucou? caiu da escada?

—Não filho, estou bem.

—Onde você vai pai? Que mochila é essa? -Ele me olhou cheio de perguntas. -Você andou chorando?

Não entendi se perguntou a mim ou a Bella.

Nenhum de nós respondeu.

—Foi o Sr. Cullen ou a Sra.Cullen que estava dirigindo e destruiu o canteiro de rosas? — Bree adentrou alheia ao clima.

—O que aconteceu? Pai? — Enzo se prostou na minha frente, autoritario. Quando ele havia crescido daquele jeito? Só de pensar que ele poderia não ser meu filho…

—Depois conversamos, filho. Tome conta da sua mãe. — Falei e segui pela porta.

—Como assim, onde você vai?! Pai! -Ele me seguiu. Eu não poderia parar agora, olhar para Enzo e enxergar outro homem no meu filho, ou explicar que havia derrubado sua mãe, a machucado. Abri a porta do carro mal estacionado no jardim, joguei a mochila no banco de trás. Dei a partida, com Enzo batendo no vidro. Tive medo que ele se machucasse com a perna daquele jeito, mas eu não podia parar agora. Manobrando da melhor forma de pude, saí em direção a rua, para a segurança. Dirigi para casa dos meus pais.

Soquei o volante com frequência, as palavras ditas de Damon para Bella no festa se repetindo sem parar na minha cabeça.

—Enzo é o meu filho, e não adianta você querer negar ou jogar comigo, se não colaborar eu vou até Edward e conto tudo de uma vez, vai ser mais fácil assim!

—Idiota! — gritei socando o volante de novo. Como eu podia ser tão estúpido?

—Damon o que aconteceu em Miami não vai se repetir.

Eles estavam tendo um caso. A porra desse tempo todo eles estavam tendo a porra de um caso! Mas Bella negava que Enzo fosse filho de Damon, esse era o motivo real da briga deles. Se enzo não fosse meu filho…

—Meu filho não! — Lamentei. Era horrível demais, Damon podia ter Isabella se quisesse, que os dois fossem para o inferno juntos! Mas Lorenzo não, meu garoto não!

Suas primeiras palavras foram ‘’papai’’, a primeira vez que ele andou foi em minha direção. Eu me lembrava de cada resfriado mais grave de sua infância que me tirou o sono. De cada conquista, de cada decepção compartilhada comigo! Mesmo se ele não fosse meu filho de sangue, era o meu filho de alma e isso esse filho da puta não tiraria de mim.

—Edward?! — Minha mãe atendeu a porta quando a esmurrei. — Por Deus, filho o que houve? Onde estão Bella e meu neto?

—Em casa. — Foi tudo o que falei. Tentei passar por ela, mas eu deveria saber que não seria tão fácil sem explicações.

—Carl! Venha aqui! Edward você está tremendo! Como saiu nesse tempo sem casaco?

—Posso ficar no meu quarto? Só essa noite?

Meu pai apareceu no corredor vindo do seu escritório.

—É claro, meu filho, mas explique para nós o que aconteceu! -Ela suplicou com as mãos no meu rosto.

Eu ri, sentindo o choro irromper no meu peito.

—É tudo uma mentira mãe. Eu vivi uma mentira, e agora a verdade destruiu isso. -Apoiei a cabeça em seu ombro e chorei.

Meus pais não disseram mais nada, me ajudaram a subir para meu antigo quarto, que eles usavam agora como quarto de hóspedes, pude ouvir minha mãe falar baixinho ao telefone no corredor.

—Era Enzo, ele queria saber se o pai estava aqui. O tranquilizei, me disse que Bella também está muito abalada e não diz o que houve.

—É capaz dela contar mais uma mentira. — Sussurrei.

—Filho, se você não diz o problema, não podemos ajudá-lo.- Meu pai sentou na beirada da cama.

Me sentei também tentando recuperar o senso.

—Bella estava me traindo, e talvez Enzo não seja meu filho. — Falei sério. Minha mãe pareceu horrorizada e meu pai confuso.

Me preparei para contar tudo aos dois. Eu não precisa sentir essa dor sozinho, me dei conta. Eu tinha meus pais, minha base e minha força. Eu dividiria meu fardo com eles.

Levou mais tempo que julguei necessário, eu chorei algumas vezes, tive que parar para socar o travesseiro, tomar água, respirar. Falar na possibilidade de Enzo não ser meu filho era o que mais dois

—Eu nunca pensei… quando você a apresentou a nós ela já estava grávida, me lembro de você trazê-la aqui para dizer que se casaria com ela. nem ao menos pensei em questionar se o filho era mesmo seu! -Minha mãe se originou.

—Esme estamos falando de algo que ocorreu há quinze anos, Enzo é nosso neto. — Meu pai pareceu severo.

—Carl eu concordo com isso, mas Bella e ganhou nosso filho por anos! Nos enganou!

—Ela não tem certeza, não é? Pode ser filho de Edward, e de qualquer forma é. Você não abrirá mão de Enzo, certo?

—Nunca! -Rosnei

—Vamos nos acalmar, você durma um pouco. Amanhã as coisas não parecerão tão ruins.

—Não posso vê como não irão parecer ruim. aquela mulher e ganhou e mentiu por anos! Eu sempre tive minhas desconfianças com Isabella, mas acreditava que ela era a única que prestava daquela família. Parece que ninguém se salva por lá!

—Esme! -Meu pai a repreendeu.

—Deixe a mamãe falar. Ela tem razão, Isabella é tão manipuladora quanto o pai, e tão leviana quanto a mãe. — Meu tom estava cheio de repulsa.

—Edward ela ainda é a mãe do seu filho. Vamos esclarecer tudo e evitar xingamentos, você foi criado melhor do que isso. — o tom sensato do meu pai só me irritou mais, eu não queria pensar só queria xingar e gritar.

—Não quero pensar em Bella agora. Podem me deixar sozinho?

—Não acho que seja… -minha mãe começou.

—Vamos Esme, o garoto precisa descansar.

Garoto. Quis rir com a palavra, mesmo sendo um homem de trinta e quatro anos, sempre seria o garoto do meu pai.

—Como Enzo será o meu. — sussurrei Eu precisa mesmo apagar por umas horas, a vontade de correr por aí e gritar e quebrar coisas não havia passado. Eu precisava apagar.

Peguei alguns comprimidos no banheiro do corredor que eu sabia que era calmantes que minha mãe deixava por ali, e os tomei. Apenas três, seria o suficiente. Amanhã eu estaria mais racional.

Eu esperava.

Era manhã de domingo então, eu olhava o teto do meu antigo quarto num estupor. Não queria levantar, não queria me mover.

Ouvi a movimentação do lado de fora do quarto.

—Eu preciso vê o meu pai!

—Lorenzo eu já disse que ele precisa descansar!

—Ele me deve uma explicação!

Eu estava um pouco zonzo, aparentemente não havia dormido o bastante. Me sentei com dificuldade no exato momento em que Enzo irrompeu pela porta com dificuldade e mancando.

—Pai! — Ele estava ofegante. O suor no rosto demonstrando o esforço em caminhar com as muletas, ele devia estar com dor.

—filho como chegou aqui? Você devia estar descansando em casa. — minha cabeça doía.

—Você não atendia ao telefone! Como pode sair de casa daquele jeito? Tem noção de como a mamãe está?

Eu não queria pensar em Bella e no seu bem estar

—Desculpe, filho. Nós tivemos um desentendimento.

—Tão grande pra você sair de casa? E deixar ela daquele jeito?

—O que ela te disse?

—Nada que fizesse sentido! Só ficou dizendo que a culpa era dela e você tinha razão para deixá-la e implorando que eu não fosse…-Ele sacudiu a cabeça. -Pai o que está acontecendo?

Eu não podia dizer com todas as letras o que tinha acontecido.estava.

—Nós brigamos, coisa de adulto…

—Vocês nunca brigam! Nunca! Não queria me deixar de fora, eu exijo uma explicação!

—Enzo você não exigi nada de mim. — Falei mais duro. — Volte para casa, para sua mãe. Cuide dela, as coisas vão se ajeitar. Olhe para você, andando por aí de muletas quando devia estar de repouso!

—Foda-se o repouso! Eu quero saber agora o que está acontecendo!

—Eu e a sua mãe brigamos, vamos dar um tempo. Você vai voltar para casa, descansar e tomar conta dela, estamos combinados?

—Não…

—Sim nós estamos. — Falei firme. -Como você veio para cá?

—Bree me trouxe. — ele fechou a expressão olhando para os lados. -Eu realmente não estou gostando nada disso. Tem algo a ver com o doutor Salvatore?

A pergunta me pegou de surpresa. Porque Enzo falaria dele?

Eu não respondi, chocado demais fiquei apenas encarando meu filho de volta

—Nao gosto dele. — ele se justificou. — Sempre fazendo perguntas e com olhar cínico… não gosto dele. Pedi a mamãe para ele não ser mais o meu médico.

—porque não me disse nada?

—ele é seu amigo, não queria criar briga entre vocês. Mas se ele tiver algo a ver com a briga entre você e a mamãe.

—Enzo é domingo de manhã, eu estou cansado. Volte para casa e descanse, as coisas vão se ajeitar. — Eu duvidava disso.

Ele queria me questionar mais, contudo Carlisle o convenceu a ir para casa, depois é claro de tomar o café da manhã com eles.

—Filho, o que vai fazer? -Carlisle me questionou naquela manhã mais tarde.

—Eu não sei pai, está tudo tão confuso… — Lamentei me sentindo um menino período, não o homem de trinta e quatro anos.

—Não tome nenhuma decisão precipitada, ok? Mesmo com a sua mãe derramando um calvário de ofensas a Bella. — Ele fez uma careta no final.

—Ela estava só esperando uma oportunidade não é?

— Você conhece a sua mãe, Bella nunca foi a pessoa favorita dela.

—Ela tem se controlado por anos, só esperando uma oportunidade.- Bufei.

—Isso não é culpa da sua mãe, Edward. — Ele disse sério.

—Eu sei é só… é demais para processar. -Bufei. -Meu filho pai. Meu filho pode ser de Damon!

—O que Bella diz?

—Ela estava negando a Damon. Mas ela escondeu isso de mim todos esses malditos anos! Ela pode estar mentindo para ele também

Carlisle ficou quieto por um tempo, quando voltou a falar a voz era carregada de sabedoria.

Vocês precisam conversar isso é óbvio. E dizer toda a verdade o quanto antes. Ela é quem esconde coisas pai!Como converse com ela. Entenda o que realmente aconteceu e então… tome uma decisão.

Ele não precisava deixar mais explícito qual a decisão que eu deveria tomar após conversar com Bella. Independente do que ela me disser um exame de DNA se fará necessário, já que Damon debate que o meu filho na verdade é dele.

O que seria do meu casamento após tudo isso?

Eu amo aquela mulher. Estava magoada, ferido, triste, mas amo aquela mulher. Mas eu tinha sido traído e humilhado, haveria salvação para o meu casamento depois disso?

Eu quis rir do meu pensamento, Bella estava me traindo com Damon, era provável que ela mesma quisesse o fim desse casamento!

Tanto tempo juntos, tantas coisas passadas juntos! Eu estaria mentindo se disse que algo além da gravidez nos uniu de primeiro instante. Eu a quis, isso foi nítido e ela me envolveu desde do primeiro momento, desde a primeira conversa! Mas nós não tínhamos muito em comum, nosso relacionamento acabaria ali, depois de algumas noites juntos.

Mas ela veio com a notícia que teríamos um filho. Chorando, desesperada, carregando um filho meu na barriga. Tomei aquilo como um sinal divino de que tínhamos que ficar juntos! Eu faria tudo pelo meu filho, nosso filho, e nosso relacionamento daria certo!

Eu podia lembrar com perfeição de quando ela me procurou no quartel, os olhos banhados em lágrimas, o rosto vermelho de tanto chorar. Eu estava treinando com meu amigo, Tyler quando fomos interrompidos.

—Edward! — Eu ouvi meu nome ser gritado na sala de pesos. Bella correu na minha direção, estava com um vestido leve azul, totalmente impróprio para o frio que começava na cidade.

—Ei! Cuidado! — Era um perigo correr por ali. Ela só parou quando se chocou contra mim.

—Bella! -A segurei.

—Eu não queria… não sei como isso aconteceu… não sei o que fazer…

—Alguém machucou você? — Tyler se aproximou preocupado.

—Não, não foi isso… Edward precisamos conversar. — Ela respirou fundo tentando conter o choro.

—Ok… vamos conversar. -Afirmei com medo. O que poderia vir de bom do seu choro e desespero?

—Tyler…

—Vou pro banho, se precisar de alguma coisa… — Ele disse se retirando. Ficamos sozinhos na sala de pesos.

—Vou pegar um pouco de água para você. — Falei a sentando num dos bancos. Ela apenas assentiu.

Me demorei no bebedouro com receio de voltar e encarar Bella. nós conheciamos a pouco mais de um mês, nos víamos apenas no fim de semana por conta do seu ritmo de estudos na faculdade de medicina e meus plantões no quartel dos bombeiros. Eu realmente estava começando a pensar que não nos veríamos mais, ela parecia dar a entender isso quando não respondia às minhas mensagens com empolgação como nos primeiros dias. Eu já estava aceitando isso, afinal éramos de mundos completamente diferentes. Ela filha de um Juiz e uma dona de casa da alta sociedade, envolvida com eventos beneficentes e essas coisas, e eu… filho de um casal de professores do colegial. Eu nem mesmo tinha ido para a faculdade, e não queria, estava satisfeito nos bombeiros. Mas a cada fim de semana com Bella e suas festas extravagantes, eu tinha mais certeza que o mundo dela e o meu eram muito diferentes. Voltei e a ofereci minha garrafa de água. Ela Bebeu um longo gole antes de começar a falar.

—Você deve estar achando que sou doida. — Disse e riu engasgando um pouco.

—Não mais do que já penso. — Sorri de volta. Seu sorriso despertava algo em mim, me fazia sentir um comichão ou coisa assim no estômago.

—Edward, eu preciso de ajuda. — Sussurrou ficando séria.

—Imaginei isso no momento que você cruzou a porta. — Mesmo que Bella dissesse que não podíamos continuar saindo, eu ainda iria querer a sua amizade. Amigos com interesses diferentes era algo bom, certo? Tirei uma mecha de cabelo do seu rosto. Ela segurou minha mão a detendo ali.

—Eu estou grávida. — Sussurrou e mordeu o lábio.

Grávida.

Isto era… esperando um bebê?

Todo o choro e corrida era por isso?

Ela estava grávida?

—Por isso está chorando? — Consegui perguntar, ela apenas assentiu. Respirei fundo e sentei ao seu lado.

Isso era algo grande.

—Por favor, Edward. Diz alguma coisa! — Ela segurou minhas mãos e olhou para mim aflita.

Eu soltei uma risada.

—Edward? — Ela me olhou como se eu fosse louco, mas não me importei. Me levantei e a peguei nos braços, a abraçando e girando.

—Eu vou ser pai! Isso é demais! É incrível! — Comemorei ainda com ela nos braços.

—Me põe no chão! — Reclamou, mas senti seu tom brincalhão. Ela me olhava com atenção.

—Você não está bravo. — Constatou.

—Como eu poderia?! Eu vou ser pai! — Comemorei. Depois pensei melhor no estado em que Bella chegou. — Você não gostou disso.

—Eu estou confusa. -Sussurrou. — Meu pai vai me matar! Eu comecei a faculdade agora! Charlie vai querer a minha cabeça Edward!

—Eu vou conversar com ele, ok? Vamos fazer isso do jeito certo.

Ela me olhava como se procurasse um significado oculto.

—Rose disse… que você daria um jeito. -Sussurrou.

—É o nosso filho, Bella. Vamos dar um jeito, ok? — Ela apenas sorriu e assentiu. Coloquei uma mão em sua barriga plano, logo estaria crescendo com o nosso filho.

Não seria fácil, eu sabia. O juiz Swan iria me odiar, meu filho não poderia ter muito luxo, mas nada iria faltar para ele e Bella. Eu trabalharia por isso! Por eles!

Na segunda feira não fui trabalhar, liguei pedindo minhas folgas atrasadas e o capitão cedeu quando disse que estava com problemas familiares. Eu precisava colocar minha cabeça em ordem antes de confrontar a Bella, ou Damon. Pensei em Enzo no meio disso tudo, e liguei para ele para saber como estava. Ele voltaria para a escola assim que terminasse o recesso de fim de ano. Rosalie estava na casa tomando as rédeas da situação, enquanto Bella estava trancada no quarto e só saiu para o plantão daquele dia.

—´Pai você precisa voltar e resolver o seu problema com a mamãe! — Ele estava severo. — Isso não é jeito de tratá-la!

—Você não sabe o que sua mãe fez. — Meu tom foi cheio de revolta.

—Se um de vocês me falasse…

—Filho não é o momento. Se cuide, ok?

Enzo bufou.

—Tchau pai. -Desligou sem mais. Ele estava no direito dele, Enzo não era mais criança e estava completamente no escuro. Fiquei surpreso por Bella não ter permanecido em casa, ou tentado me ligar mais. Eu sabia a mulher que tinha, era dada a dramas para conseguir o que queria, o que em geral eu fazia de bom grado. Ela não está se trancando no quarto e fazendo uma greve de fome me surpreendeu. Não que ela já tivesse feito uma antes.

—Eu estava sentado na minha cama, ao terceiro dia de reclusão, mexia em meu celular vendo nossos fotos de família, quando minha porta foi aberta.

—A dor de um corno. É algo lindo não? — Tyler tinha um sorriso de debochado. — Levante-se daí homem, bem vindo ao mundo dos chifres. aliás, o que é um homem sem chifres? um guerreiro indefeso. — Ele abriu as cortinas deixando a luz da rua entrar.

—O que quer Tyler? Quem te contou?

—Ninguém precisou.- Ele se jogou na minha cama de uniforme. Você exigiu suas folgas e não viajou com a família, não posta nada em redes sociais, saiu de casa… só duas alternativas; colocando chifre, ou levando. Como eu conheço o meu amigo vim consolá-lo.

Ele tentou me abraçar.

—Sai fora!- Reclamei.

—Eu sei que você prefere o Emmett que vai deixá-lo chorar e se lamentar, ainda bem que ele arrumou uma namorada e está distraído com ela.

Emmett namorando?

—Que namorada?

—Não sei, ele está fazendo mistério sobre isso? Esses troféus são seus?! — Ele olhou a cômoda com alguns troféus que ganhei no ensino médio.

—Não, do meu irmão gêmeo. -Debochei.

—Edward você é péssimo até nisso. Me diz, o que Isabella fez?

—O nome me causou náuseas, eu iria vomitar.

—Não quero conversar sobre isso. — Resmunguei.

—Tudo bem, sem conversa. Se arrume, vamos sair.

—Tyler você pode não se comportar como uma garotinha de quinze anos?

—Edward, você pode não se comportar como um velho de noventa? É quarta feira livre, as bebidas estão baratas, nós vamos ao bar! Não aceito um não como resposta!

Eu não estava no clima para sair, então talvez, só talvez, fosse bom eu acompanhar Tyler. Ficar em casa me lamentando não ajudaria em nada mesmo.

XXX

A uma semana para o Natal o termômetro da cidade marcava sete graus. Eu me peguei mais focado nele no que nas pessoas a minha volta que riam e bebiam. Minha cerveja continuava intacta em meu copo, e eu trocava olhares entre o termômetro lá fora e minha mão enfaixada.

—Sabe, cerveja quente não agrada ninguém. — A voz feminina me fez virar ligeiramente para a direita. Loira, olhos claros, sorriso simpático. Eu tinha a ligeira impressão de já a conhecer, mas não sabia precisar de onde.

—Desculpe, nos conhecemos? — Perguntei. Ela pareceu surpresa com a minha pergunta e corou, olhou suas mãos muito bem enluvadas antes de me responder.

—Não oficialmente, mas eu sei quem você é. Trabalho com sua esposa no hospital, sou a Tanya Danali. — Ela estendeu a mão. A peguei voltando a me sentir enjoado a menção de Bella.

—Edward Cullen, como você já sabe. — Dei de ombros.

—Nunca a vi por aqui. — Tentei puxar um assunto.

—Não sai muito. — Ela fez uma careta.

—Eu também, mas tenho um amigo que estava disposta a usar da força para me tirar de casa. — Indiquei Tyler a alguns metros a frente de papo animado com um morena.

—Amigos. — Ela estendeu o copo de cerveja em um brinde, a acompanhei notando que minha cerveja estava realmente quente. Pedi ao barman para me trazer outra bebida.

—E Bella?- Ela disse de repente.

—Não quero falar sobre ela. — Fui um pouco rude, e logo me arrependi. Tanya não devia fazer ideia do que se passava entre mim e Bella, estava apenas sendo simpática e tentando puxar assunto.

—Desculpe. — Ela sussurrou e percebi que iria se retirar.

Num impulso segurei em seu branco coberto com um grosso casaco.

—Não, por favor. Fique.

—Acho que você está com problemas… conjugais. Não amiga de Bella, mas trabalho no mesmo hospital, sou do RH. Não acho que seria muito profissional conversar com o marido dela, se vocês estão com problemas.

—Sim nós estamos. Não vamos falar de Bella, do hospital… eu preciso urgente de um amigo, ou amiga que não queria me embebedar. -Forcei um sorriso. -Pode ser minha companhia nesta noite, Tanya?

Ela ainda parecia meio indecisa, mas aquiesceu e se sentou no banco ao meu lado, gesticulou para o barman e pediu sua bebida.

—Então, RH em um hospital… deve ser algo trabalhoso. — Comecei.

—Você não faz ideia! Os médicos estão sempre passando do horário dos plantão… — Ela parou. — Achei que não fossemos falar do hospital.

—Ah só me fale um pouco como é ser RH. Não posso me imaginar fazendo trabalho de escritório.

—Passo muito tempo pelos corredores também. -Ela se defendeu — Mas com toda certeza ser bombeiro tem mais ação.

Me vi envolvido numa conversa agradável com Tanya, percebi que sentia falta disso, conversar de forma distraída num bar. Fora meu tempo no quartel eu ficava sempre em casa, Bella estava sempre cansada pelos plantões então era difícil sairmos.

Eu tive que ser o adulto para definir a hora de ir embora, Tyler estava muito bêbado e eu decidi que era hora de levá-lo.

—Seu amigo vai ficar bem? — Tanya disse preocupada vendo o esforço que eu fazia para manter Tyler de pé.

—Ele vai sim. — Garanti. — Quer carona?

—Ah não, meu carro está ali. Tenho que voltar e chamar minha amiga de qualquer forma. -Ela agitou as mãos ao falar.

—Foi muito bom te conhecer Tanya. — Disse firmando mais Tyler que tinha ficado quieto mexendo no celular.

—Fez da minha noite melhor, Edward. — Ela sorriu e depois pareceu preocupada. — Olha, eu não tenho nada haver com o que está acontecendo entre você e Bella, nem sei se de fato a algo… mas me desculpe e fui intrometida…

—Ei para, não foi não. Não se preocupe com isso.

—Ela respirou fundo.

—É que depois do que aconteceu ontem, com o afastamento dela…

—Como assim afastamento?

Ela pareceu surpresa.

—Ontem cedo Bella foi para um cirurgia de emergência, mas não consegue realizá-la. Começou a tremer, e Eleazar a estava assistindo com outros residentes. Ele mandou Bella sair e James assumir o lugar dela. Depois a fez passar por exames e pediu seu afastamento. Dei entrada nos papeis no fim do dia.

—Eu não sabia disso. — Como poderia saber se não queria ouvir falar da minha mulher.

—Não sei o que aconteceu entre vocês, mas ela precisa muito de você agora. — Ela pôs uma mão em meu braço, não senti vontade de afastá-la, não parecia conter a malícia que maioria das mulheres direcionava a mim.

—O que ela tem? -Sussurrei, o vento estava mais frio e jogava o cabelo de Tanya em seu rosto. Ela se encolheu no casaco.

—Não sei se posso dizer, eu só sei porque sou do RH e preparei o afastamento dela.

—Eu sou o marido dela!
—Então pergunte a ela. — Ela deu de ombros.

Eu não podia perguntar a Bella sem ter uma ideia do que podia ser, dada a dramas como era, podia mentir para que eu tivesse pena dela.

E pena era algo que eu nunca sentiria dela.

—Bella e eu estamos realmente com algumas...divergência. O que ela tem Tanya? Por favor… — Me libertei de Tyler, ele tinha o celular na orelha e se afastava um pouco a passa a passos trôpegos.

Tanya mordeu os lábios pensativa e olhou para os lados, a rua deserta por conta da hora.

—Ela está com sintomas graves de estresse. Eleazar recomendou que ela procurasse um psiquiatra, e só voltasse ao trabalho com o aval do médico.

Bella precisava de um psiquiatra? Me lembrei dos episódios de sangramento nasal e fortes dores de cabeça, isso era sintoma de estresse ou algo mais grave?

—Tem certeza que é apenas isso? — a pressionei.

—É o que consta no laudo médico. — Ela deu ombros.

Agradeci a Tanya pela informação, peguei Tyler pelo braço e fomos para o meu carro.

—Você deveria ir para casa com a loira gostava, e me deixar no bar.- Ele reclamou enquanto eu afivelar o seu cinto.

O ignorei.

—Ela não quer me ver, Edward. — Ele lamentou, parecia prestes a chorar.

—Quem? — Eu estava com a cabeça cheia de Bella.

—Maria, meu amor! — Não deu outra, ele começou a chorar.

Maria e Tyler namoravam desde o ensino médio, entre indas e vindas, separações, e outros relacionamentos dos dois. Um traía o outro, ficavam algum tempo com outros parceiros e depois reataram. Na última separação, há pouco mais de quatro meses, parecia definitiva, Maria não aparecia no quartel em busca do meu amigo, e ele não falava dela. Até agora.

—Você ligou para ela? -Adivinhei dando a partida no carro.

—Sim, implorei para me deixar ir para casa dela, e ela disse que não! Não me quer mais Edward! Eu já a perdoei por me trair!

—Ela te perdoou. Talvez seja melhor, amigo. Esquece-a. — Aconselho.

—Não posso, ela é minha e eu dela. — Ela sussurrou. Suspirei, esse era o problema com Tyler e bebida, sóbrio ele estava bem, bêbado estava na lama.

—Vou te levar para casa. — Para a minha, acrescentei mentalmente. Não podia deixar Tyler sozinho naquele estado, e ele seria uma boa distração para que eu não parece na minha casa. Eu ainda não estava pronto para encarar Bella.

Notas finais
O que dizer do amor do Edward pele a Bella? Nada saudavel né? bjs :* 06/02/18