Primeiros Erros
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Capítulo 14
—Podemos conversar? — Emmett surge na minha frente.
—Quem deixou você entrar? — Passo por ele, segurando firme a toalha em volta da minha cintura. Sair do banho e encontrar um dos seus melhores amigos no seu quarto podia ser algo bastante embaraçoso.
—Sua mãe, aliás ela fez bolo de chocolate.
—Achei que você estivesse de férias. — Peguei roupas quentes na cômoda, ainda havia muitas coisas minha na mala, mas as peças principais eu já tinha arrumado.
—Férias do batalhão não é férias do meu amigo. — Tirei a toalha a jogando na cama, Emmett podia lidar com a visão da minha bunda.
—O que Rosalie te disse? Primeiro, como ela passou a te dizer alguma coisa? — Vesti as roupas rapidamente. Emmett sentou na minha cama.
—Ela precisava de alguém para conversar e eu estava por perto. Descobri que o que ela estava queimando naquele dia no terraço era o pedido do exame de DNA assinado por você.
— Damon disse que precisava fazer uns exames em Enzo, e eu nem ao menos li. — Aquilo ainda me dava raiva.
—Ele realmente não é seu filho? — Emmett perguntou baixo.
—Bella diz que é. Eu… eu não sei o que pensar, Enzo sempre foi meu, Emm. Desde que o senti dentro da mãe dele, ele foi meu.
—Foi mais seu do que dela. — Ele assentiu de forma grave.- Eu achei que tivesse chamado atenção de Rosalie com a história falsa de noivado, mas agora acho que ela só se aproximou de mim para eu ficar do lado de Bella.
—Explique-se. — Me sentei também.
—Ah sei lá! Naquela noite, ela me contou um pouco da vida, de como era grata a prima e como a achava incrível, apesar de ser meio ‘’cabeça avoada’’- ele abriu aspas no ar. — Se eu soubesse o que ela estava queimando teria impedido.
—Meu problema com Bella não inclui você e Rosalie.
—Mas se ela sabia disso todos esses anos, e ajudou a Bella…
—Bella garante que não mentiu sobre a paternidade de Enzo, então isso não faz de Rosalie sua cúmplice.
—Mas quando ela viu o doutor lá ela sabia! Sabia e não disse nada!
Suspirei.
—Eu estou chateado com Rosalie. — Confessei. — Mas não cabia a ela me contar, a lealdade dela está com Bella.
—E a minha com você. Naquele dia eu só fiquei na sua casa até as duas me explicarem tudo.
—Não tem visto Rosalie desde então? — Arquei uma sobrancelha. Ele olhou para as paredes ao responder.
—A gente mora no mesmo prédio, seria impossível não vê-la.
—Emmett, não tem que se afastar de Rosalie pelo o que está acontecendo entre Bella e eu.
—Você é meu amigo!
—E você é apaixonado por ela há anos.
Ele sorriu de lado.
—Pela primeira vez a gente tem conversado de verdade. E ela é tão legal! Linda, encantadora, inteligente, amável…
—Ok, ok, te entendi. — Ri.
—Ela está visitando a filha do motorista do ônibus escolar todos os dias. Eu fui com ela algumas vezes.
—Como está Vanessa? Com tudo isso acontecendo eu me distanciei…
—Na mesma, ou pior. A quimio tem sido violenta.
—Ela é apenas uma criança. -Sussurrei com pesar.
—Ela também está muito apegada a Rose. Passamos o ano novo com ela no hospital, até Bella estava lá!
—Emmett, não precisa se afastar de Rosalie por minha causa. Se ela realmente estiver interessada em você, na pessoa que você é… não vejo mal algum em vocês tentarem algo.
—Você é um bom amigo cara. -Ele respondeu apenas, e eu soube que ele sairia da minha casa atrás de Rosalie.
XXX
—Eu não quero vê-lo. — Enzo repetiu pela sexta vez, ainda no carro, ainda no trajeto até a clínica onde recolheriam amostras do nosso DNA.
—Assim que tivermos o resultado desse exame ele nunca mais vai se aproximar de você. — O tranquilizei.
—Mas, pai! Ele nem precisaria fazer, faríamos apenas nós dois, o exame diria que sou seu filho, e pronto! Adeus Salvatore!
—O irmão dele é advogado, como já te disse, e essa foi a condição para não começamos uma briga na justiça pelo reconhecimento da paternidade.
—Eu queria uma briga na justiça. — Ele cruzou os braços na altura do peito e olhou para fora, emburrado. Controlei a vontade de rir do bico que se formou nos seus lábios finos, ele parecia demais com a mãe nessas horas. — Meu avô faria ele…
—Já falei o que penso do seu avô burlando a lei a seu favor. — Enzo bufou, pegou o celular no bolso do casaco e começou a mexer.
Eu não estava mais animado do que ele para encontrar os irmãos Salvatore na clínica. Eu conhecia Stevan quase ao mesmo tempo que conhecia Damon, o irmão mais novo não era a minha pessoa favorita, seu jeito frio e distante me deixava pouco à vontade. Damon o usou como intermediário para chegar a mim, a fim de marcar o exame.
Tinha voltado a nevar naquela manhã, firmei Enzo ao meu lado, que ainda fazia uso das muletas com medo que ele escorregasse no chão molhado.
Damon estava na frente da clínica, uma longe do hospital para garantir que nem ele, nem mesmo Bella, pudessem usar de sua influência para que o exame fosse adulterado.
—Lorenzo. — Damon disse abrindo um sorriso logo que estávamos perto.
Meu filho fez uma careta, e soltou algo como um ‘’bomdiar’’.
Ambos irmãos Salvatore estavam muito bem vestidos em suas roupas de inverno escuras.
—Bom dia Edward, Lorenzo. Sou Stevan Salvatore, advogado representante de Damon Salvatore…
—Eu me lembro de você, Stevan. Vamos pular as formalidades. — Fui direto. Ele recolheu a mão que me estendia e a ofereceu ao meu filho.
—Pode me chamar de Enzo. — Ele foi mais educado. Stevan sorriu.
—Lorenzo ficaria feliz em saber que foi homenageado. — Damon disse colocando as mãos no bolso de forma casual. Sua fala teve o efeito desejado, atraiu a atenção de Enzo.
—O que disse?
—Seu nome, é uma homenagem a um velho amigo meu. Eu falava muito dele com sua mãe. — Ele disse de forma sugestiva. Vi a expressão do meu filho endurecer.
—Acho que estamos bem em cima da hora. Vamos entrar? -Usei de toda a diplomacia que possuía.
—Claro, já avisei que chegamos, deve estar na nossa vez. — Stevan tomou a frente. Ajudei Enzo com os degraus e depois deixei que ele entrasse sozinho, coloquei uma mão no ombro de Damon o impedindo de entrar.
—Finalmente quer conversar? — Debochou.
—A sua reação quando mostrei uma foto da minha família deveria ter me dito tudo. — Falei. Sua expressão mudou, pareceu envergonhado.
—Eu não queria nada disso, Edward, mas ele…
—Ele não é seu filho.- Falei firme. — Você e Isabella terem escondido que se conheciam foi algo baixo, você trepar com ela em Miami foi mais baixo ainda, errado comigo e com Elena.
—Deixe a Elena fora disso!
—Aposto que ela está. Porém, se na mais remota das possibilidades, Enzo for seu filho, acho que Elena vai precisar saber.
Ele respirou fundo.
—Quer deixar sua mulher para ficar com Isabella?
—Você está abrindo mão dela? — Rebateu.
Sim, eu estava abrindo mão dela?
Tudo o que eu sabia, é que até aquele momento eu não conseguia me ver voltando para casa. E quando eu olhava mais adiante… eu não conseguia ver Bella ao meu lado.
—Se, e isso é uma situação hipotética muito grande, Enzo for seu filho biológico, não vou abrir mão dele. Quero que entenda bem isso.
—Se, numa situação quase nada hipotética, ele for meu filho, nunca tentarei afastá-lo de você, aliás, ele é bem grandinho, acho que eu terei que lutar arduamente para ter um pouco de reconhecimento por parte dele.
Fiquei encarando Damon, era muito difícil entender o que ele queria de fato.
—Eu nunca deveria ter tentando ser seu amigo. -Falei e o dei as costas. Foi a vez dele me deter. Quando me voltei, ele olhava para todas as direções menos para mim.
—Você foi o melhor amigo que tive naquela época. As coisas eram difíceis em casa, na escola… e ser seu amigo me deu coragem para ser amigos de outras pessoas.
Eu ri.
—Te deu coragem de enganar, mentir e trair. -Não esperei mais respostas dele, adentrei na recepção.
Logo nosso nomes foram chamados.
XXX
—Stevan parece ser legal. — Enzo comentou no caminho de volta para casa.
—Não tenho uma opinião formada sobre ele.
—Você os conheceu quando era criança?
—Sim. Damon apanhava do pai, Stevan era o protegido da mãe… -Manobrei o carro entrando na garagem. Vi Bella levantando a cortina da janela da sala.
—Vai entrar? Almoça com a gente.
—Não, preciso voltar ao batalhão.
—Pai, eu sei que não quer falar comigo sobre sua relação com a mamãe…
—Sim, eu não quero falar sobre isso com você.
—... mas eu preciso saber se você vai voltar para casa.
—Filho, eu preciso… de tempo. As coisas entre mim e sua mãe nunca estiveram exatamente… na mesma página.
—Você não a ama mais? — Ele questionou.
Eu não precisava pensar muito nessa resposta.
—Eu a amo. E sempre vou amar, e ser eternamente grato por ela ter me dado você.
—Mesmo se eu não for seu filho. — Sussurrou.
—Você é o meu filho. Um exame de DNA não pode apagar noites em claro cuidando de você doente, maratonas de filmes e séries, nossas troféus do futebol… — Baguncei seus cabelos e ele riu.
—Mas eu não quero mais ser o marido da sua mãe. — Fui sincero. Vi seus olhos encherem de lágrimas. — Eu estou muito magoado com ela, ainda. Quando isso passar, quando eu me livrar desses sentimentos ruins… ela terá um amigo em mim. E o pai do filho dela. Nada mais que isso.
—Acho que eu consigo te entender. — Uma lágrima escorreu na sua bochecha. Ele tentou disfarçar. — Ela ainda é a nossa garota e a gente vai cuidar dela, não é?
Sorri.
—Sim, nós vamos. E temos a Bree agora.
Ele fez uma careta.
—Bree não precisa de proteção, nós que precisamos contra ela, você não sabe como o tapa dela dói!
Senti o momento de tensão havia passado, desci do carro rindo.
—Fez algo para provocá-la?
—Tem uma menina na sala, Claire, ela acha que a menina tá a fim de mim! Me deu um tapa porque emprestei meu caderno pra ela!
—E a menina está afim de você? — cutuquei. Ele corou.
—Eu não sei!
—Ouça Bree, mulheres sempre sabem essas coisas.
—Se não são os dois homens da minha vida! — Bella veio nos receber à porta. Tinha se passado alguns dias desde nossa última discussão, sua aparência estava melhor, ela ainda me parecia muito magra, apesar de usar roupas de moletom que dificultavam minha visão clara do seu corpo, entretanto as olheiras vinham se apagando gradativamente.
—Oi mãe. — Enzo passou por ela cabisbaixo.
—Como foi lá? — Me perguntou assim que nosso filho virou na porta da sala.
—Rápido. — Falei.
—Vai ficar para o almoço? Temos peixe. — Ela sorriu, sabendo que eu amava.
—Não posso, vou voltar ao batalhão.
—Jantar então?
—Não. Tenho compromisso. — Me afastei.
—Edward…
—Ah. — Me lembrei da fala de Damon mais cedo. — Lorenzo era o nome de um amigo de Damon?
Ela ficou lívida. Sim, era.
—Ele disse que o nome do nosso filho era uma homenagem…
—Eu pensei nesse nome porque gostei! Não era uma estúpida homenagem ao coisa assim! Eu nem conhecia esse amigo dele!
Eu não estava disposto a começar uma discussão com Bella.
—Gosto do nome que você escolheu para ele. -Falei. — É o nome do meu bisavô, uma homenagem indireta, sem saber.
Ela pareceu relaxar.
—Eu era jovem e estúpida, Edward.
—Sim, você era. E eu um cego.
—Espera. — Ela segurou na minha mão. -Volta pra casa.
—Bella, eu não vou voltar.
—Eu errei, ok? Mas eu estou me tratando. Trabalhando menos, fazendo terapia… descobri que tenho compulsão por estar no controle, mas gostas que as pessoas façam coisas para mim. E sou dependente e carente.
—Então eu não sou o único que precisa de um tempo sozinho.
—E se eu te der isso?
Fiquei confuso.
—Me der o que?
—Um tempo. Eu para de insistir pra você voltar, paro de mim insinuar, correr atrás… te doou o seu tempo, como amigos.
—Eu… não quero ser seu amigo. Não agora pelo menos. Eu realmente quero o divórcio, Bella.
A expressão dela ficou dura.
—Eu sei que errei em te trair. Sei que venho errando você, até mesmo usando você. — Admitiu. -Eu te amo. Tenho certeza disso, e não quero abrir mão de você.
—Não cabe a você decidir.
—Uma merda que não! Não vai haver um divórcio! Pegue o seu tempo, tire férias de mim, porra. E quando se sentir bem, volte para casa!
—Você está se exaltando. Outra hora conversamos sobre isso. — Dei as costas.
—Não vou te dar o divórcio, Edward! Ouviu bem? Não vou te dar!
Deixe ela gritando na porta de casa, por sorte estava frio e nenhum de nosso vizinhos devia estar interessado em nossa discussão.
XXX
No fim daquela semana eu tive folga, e estava pronto para chamar Tanya para um café. Mesmo que não fosse em sua casa.
Esme me olhou especulativa enquanto eu me arrumava no espelho do corredor, e trocou um olhar suspeito com o meu pai. Nenhum deles me questionou pelo menos. Não sobre eu estar com meu melhor jeans, e moletom. E meus cabelos cuidadosamente despenteados.
—Quando tempo até o resultado do DNA sair? -Pai perguntou.
—Mais dez dias.
—Se tivessem feito no hospital que Isabella trabalha… — Esme começou.
—Não poderiam confiar no resultado, tanto ela quanto Damon poderiam influenciar o responsável.
—Tenho que ficar do lado de Bella nisso, se Enzo não for seu filho, eu mesma daria um jeito do resultado ser em seu favor.
—Esme! — Meu pai chamou sua atenção.
—Ah paciência, Carl! — Ela saiu batendo os pés no carpete.
—Sua mãe está muito tensa com tudo isso. — Ele deu de ombros.
—Eu a entendo.
—Vai sair com algum amigo? — Ele questionou mantendo a atenção na contra capa de um livro que trazia.
—Uma amiga. — Fui sincero.
— Filho…
—É só minha amiga, pai. Nada demais.
—Você e Bella…
—Logo que resolvemos essa questão de paternidade, vou entrar com o pedido divórcio.
—Tem certeza, filho?
—Pai ela vem mentindo e me enganando há anos.
—Mas você a ama. — Não era uma pergunta. -Não há a possibilidade de vocês…
—Eu preciso de um tempo para mim. — Confessei.
—E terá esse tempo se encontrando com outras mulheres, Edward? Não quero defender os erros de Isabella, mas ela ainda é sua esposa, perante a lei e perante a Deus.
—Eu sei disso. É só um café, com uma amiga. Até mais tarde pai.
Ele fechou os olhos sacudindo a cabeça.
—Juízo, filho. Juízo.
Eu sempre fui um cara responsável, não perderia isso agora. Uma ridícula rebeldia tardia.
Eu estava feliz. Parecia que uma venda tinha sido tirada dos meus olhos, ou até mesmo um antolhos*. Eu podia olhar em outras direções agora, eu queria outras coisas agora.
Estava pensando seriamente em cursar a faculdade de engenharia, não tinha comentado com ninguém ainda. exceto Tanya.
Antigos interesses estavam ressurgindo, como tocar violão, algo que não fazia desde a adolescência.
Eu pensava em Bella com frequência também, sentia a sua falta, e cada vez notava mais minha dependência dela, quase como se ela fosse uma droga. Eu não tinha um casamento saudável. Nenhum tipo de relação, onde você se anula em prol de outra pessoa, é algo saudável.
Eu poderia ser mais, ter mais. Eu só precisava… me colocar no centro do meu mundo.
Naquela tarde de sábado, eu adentrei na cafeteria do centro com um sorriso grande, e fugindo do vento frio. Tinha parado de nevar, mas a temperatura continuava a cair.
Avistei Tanya numa mesa afastada, próximo a janela. Ela escrevia algo num bloco, a testa franzia, parecia muito concentrada.
—Uma boa tarde para poesias? — Brinquei. Ela levantou a cabeça de subido, corando.
—Edward! Eu estava tão distraída.
—Já pediu? — Me sentei em sua frente.
—Não, achei melhor te esperar. -Sinalizei para a garçonete.
—Sr. Cullen! — A jovem me comprimentou, e me senti envergonhado de imediato por não reconhecê-la. Ela notou pela minha expressão. — Sou Jully,estudo com o Enzo.
—Ah Jully! — O nome não me fez sentido de qualquer jeito, eu conhecia mais os amigos do meu filho que frequentavam nossa casa, as amigas não eram tão frequentes. — Trabalhando já? Isso é bom. -Elogiei.
—Só nos fim de semana, e duas horas durante a semana. É bom, assim consigo o meu dinheiro. — Disse contente. -O que vão querer?
Olhei interrogativamente para Tanya.
—Dois espressos, e dois pedaços da torta de limão da Joyce. — Ela disse confiante.
—Hum boa escolha! -Ela fez suas anotações e saiu.
—Espero que o café daqui esteja bom, a torta é sempre maravilhosa, mas o café… — Ela fez uma careta.
—Porque me chamar para tomar um café num lugar que não gosta do café? — Sorri. Ela pareceu murchar.
—Gosto do ambiente, e como já disse gosto da torta. -Ela se inclinou para mim, falando mais baixo. — Se o café estiver horrível, embalamos a torta e te levo para mim casa, faço um ótimo café!
—Aposto que sim. — Ela se recostou em seu lugar, fechando o caderninho onde fazia anotações.
—O que você tanto escreve?
—Um livro. — Ela respondeu sorrindo.
—Algo que possa ler?
—É um romance sobrenatural, onde uma sereia se apaixona por um vampiro.
—Sério isso?
—Sim! Será um grande sucesso.
—Posso ler? — Estendi a mão. Ela recolheu o caderno, mas pegou na minha mão.
—Ainda não, quem sabe um dia. — Sussurrou. Seu toque era quente, sem as luvas pela primeira vez. Peguei sua mão na minha, observando as unhas compridas e bem pintadas num tom claro, meio bege, meio branco, eu não sabia precisar a cor.
—É nude. — Ela esclareceu vendo minha careta.
—Tem belas mãos. — Elogiei. Ela mordeu o lábio.
—É você é péssimo em paqueras. -Recolheu aos mãos das minhas. Foi a minha vez de chegar para trás, passei as mãos no cabelo, não os bagunçando graças ao gel. Ou foi nisso que acreditei.
—Tem lindos olhos também. Um sorriso encantador, me pego pensando nele várias vezes durante o dia. -E durante a noite também. Ela olhou para o lado sorrindo.
—Quando vai fazer as provas para a faculdade? — Ele mudou de assunto.
—Acho que só no meio do ano…
—Por que esperar tanto? Tenho certeza que pode acompanhar entrando no meio do semestre.
—Sua fé em mim é admirável. — Peguei sua mão brincando com seus dedos.
—Edward, você é bom. Tem estudado, vai se sair bem.
—Não estou duvidando de mim, apenas acho melhor esperar passar… toda essa loucura que estou vivendo.
Por falar em loucura, de como está a minha vida, ela ficou tensa.
—Quando tempo até o resultado do exame sair? — Sussurrou fazendo um carinho nas minhas mãos.
—Na próxima semana eles já devem ligar, dizendo que está pronto.
—Você sabe que isso não muda a sua relação com seu filho. Ele sempre será seu, independente do que o exame diga.
—É, mas se Damon for o pai dele, teremos de lidar com Damon, e talvez uma briga por reconhecimento de paternidade.
Fechei os olhos. Por mais que soubesse, sentisse no meu íntimo que Enzo era meu filho, a ideia de não ser… doia de mais.
Senti mãos quentes, e suaves no meu rosto.
—Você é um pai incrível, Edward. Merece o melhor, sempre.
—Você tem sido uma amiga especial, Tanya. — Segurei sua mão no meu rosto.
Ficamos presos naquele momento, trocando olhares e sorrisos. Tínhamos mais que uma amizade, isso era claro, mas eu não estava pronto para dar o próximo passado, e suspeitava que ela também não.
—É para isso que quer o divórcio?! — A voz indignada me era muito conhecida. O que Bella estava fazendo ali?!
Tanya se afastou, os olhos arregalados olhando para o meu lado. Suspirei sem a menor vontade de me virar e ver a minha ex-mulher.
—Bella, por favor, não vamos fazer uma cena! — Quando olhei, cansado, encontrei Bella e Rosalie, paradas ao lado do nossa mesa. Ambas traziam sacolas de compras.
—Eu quero fazer uma cena! Que porra é essa Edward? — Ela me olhava acusadoramente.
—Bella… — Tanya tentou falar.
—Você não abre a boca, ouviu bem?! Quer o divórcio para ficar com ela?
—Bella, Rosalie tem razão, você está fazendo uma cena. Não vai demorar até que alguém pegue o celular, grave, e caia na internet.
—Que se foda! Está me traindo?
Eu quis rir.
—Só estamos casados no papel, minha vida não te diz respeito.
—Bella, vamos, vocês podem conversar outra hora, em outro lugar! — Rosalie tentou segurar o braço dela.
—Vamos conversar aqui e agora!
Olhei em volta, não vi ninguém filmando o ataque dela, não havia muita gente na cafeteria, mas o risco de isso ir parar na internet, e de alguma forma atingir a campanha para prefeito do pai de Bella era grande.
—Jully. — Notei a garçonete nos olhando assustada, trazia a torta nas mãos. — Embale para viagem, cancele o café. Vamos? — Me levantei estendendo uma mão para Tanya. Ela pareceu acordar de um transe, se levantou pegando a bolsa, recusou a minha mão e caminhou rápido para a saída. Suspirei, me dirigindo ao caixa.
—Edward, você não vai ignorar o que eu acabei de ver! Sabe quem ela é? Ela trabalha comigo!
—Ela é do RH do hospital. — Falei entediado. — E não que te diga respeito, ela é só uma amiga.
—Amigos não se olham como vocês estavam! — Ela tinha diminuído o tom de voz, mas ainda reclamava muito, o rosto estava bastante vermelho.
Será que Tanya e eu parecíamos um casal apaixonado? A ideia me agradava.
Paguei pela torta, peguei o embrulho.
—Edward…- Bella continuou.
—Não vamos ter essa conversa aqui. — Fui ríspido.
—Vamos para casa então. — Sujeriu.
—Tenho planos para essa tarde, não incluir uma conversa com você, sobre o nosso divórcio que é uma realidade. discutiremos isso depois.
—Se você pensa que vou lhe dar o divórcio, está muito enganado. Prepare-se para uma longa briga no litigioso, onde você não vai conseguir se separar de mim. Nenhum juíz nesta cidade vai permitir isso. — Ela disse baixo dessa vez, os olhos flamejando. Senti uma súbita onda de pena, em que Bella tinha se transformado? Ou ela sempre foi assim?
—A cada vez que você age assim, só mata o amor que um dia eu senti por você. — Falei alto o bastante para ela ouvir. Acenei para Rosalie e fui embora.
XXX
—Tanya… me desculpa. -Eu repeti na porta do seu apartamento.
—Edward, de novo eu já te desculpei. Não há nada a perdoar! Você não tem culpa de Isabella ter aparecido, e ela nem me ofendeu ou algo assim… — Ela abriu a porta, e uma gatinho gordo veio se enroscar em suas pernas.
—Esse é o famoso senhor batata? — Brinquei.
—Sim! Em pelos e gordura! — Ela se abaixou pegando o gato nos braços. Ele pareceu curioso comigo, e não assustado.
—Eu amo gatos. — Contei pegando ele, e passando a torta para ela.
—Vou preparar um café. — Ela se afastou, e fechei a porta, com o gato nos braços.
O apartamento de Tanya era pequeno e aconchegante. A sala era dividida com a cozinha por uma mesa de quatro lugares, do meu lugar perto da porta eu podia ver a porta que devia ser do seu quarto, e outra a aberta que dava no banheiro. Atrás do sofá tinha uma grande janela, com a vista da cidade, escadas de emergência, onde tinham várias plantas.
A TV era pequena em comparação com a da minha casa, havia muitos livros e DVD’s na estante, competindo espaço com fotos.
—Este a sua família? — Perguntei. O gato no meu colo se agitou pulando para o chão.
—Minha mãe e meu pai. Sou filha única.
—E este? Quem é? — Havia a foto de um soldado uniformizado, de pele negra, olhos escuros, e sorriso simpático. Como Tanya não respondeu, me virei a procurando.
Ela estava arrumando a mesa e sorriu, não era um sorriso feliz.
—Laurent. Meu noivo… bom, ele era meu noivo. Quando faleceu no Iraque. Já faz cinco anos.
—Sinto muito Tanya.
—Já aprendi a conviver com a ausência dele. Eu só não consigo me desfazer dessa foto, foi um dia muito especial. -Ela não entrou em mais detalhes, e achei melhor não questioná-la.
Me aproximei da mesa, já não tinha só a torta, ela estava acompanhada de biscoitos e bolo.
—Um banquete no meio da tarde! — Comemorei me sentando.
—Só coisas que tinha aqui. — Ela se defendeu. Me ofereceu uma xícara de café.
—É café expresso, eu mesma que fiz, espero que goste. — Ela sorriu cortando uma fatia da torta e me oferecendo num prato de sobremesa.
Tomei um gole sentindo meu corpo aquecer, e a mente trabalhar. Sim, era o melhor café que havia experimentado na vida!
—Muito bom! — Contei e logo me servi da torta.
—Edward… sobre você e Bella… sobre a gente… não existe a gente… não que eu não gostasse, mas você é casado com ela…
—Ei,respire. — Brinquei. Ela parou a enxurrada de palavras.
—O que eu realmente quero dizer, é que sei que é um momento difícil, você está se reencontrando, e eu apoio isso, e sei como é importante passar um tempo sozinho. Solteiro.
Fiquei quieto esperando que ela organizasse seus pensamento.
Ela respirou fundo e me olhou com atenção.
—Eu quero estar aqui por você, se você realmente se divorciar, quando isso acontecer, e quando você se sentir pronto, eu gostaria de ser mais que uma amiga. -Ela terminou a frase bem baixinho.
Algo se agitou dentro de mim.
Eu não estava pronto para isso, me relacionar com alguém dessa forma.
Mas num futuro, eu estaria, certo?
E eu queria a amizade de Tanya desde de já.
Peguei a mão que ela usava para torcer a beirada da toalha de mesa.
—Eu ainda não sei quanto ao futuro, Tanya. O que eu sei é que adoro conversar com você, trocar mensagens com você, te mostrar vídeos de gatinhos fofos. -Ela riu com esse último. — Não quero te prender a uma promessa, nem te desrespeitar de alguma forma.
—Você não vai…
—Deixe eu terminar. Quando eu estiver com minha vida correta, eu gostaria muito de dar mais um passo com você. Mas não quero que se prive de conhecer alguém… -Senti seus dedos em meu lábios me detendo.
—Eu já conheci alguém, que está tomando café comigo aqui e agora, e vou esperar por ele o tempo que for preciso.
Ficamos sorrindo um para o outro, a vontade que eu tinha de beijá-la era enorme, mas me controlei. Eu não podia permitir que ela pudesse ser taxada de amante.
Conforme a semana se iniciou, eu recebi vários telefonemas de Isabella, e até mesmo do pai dela. A primeira querendo uma explicação para minha relação com Tanya, o segundo querendo que eu participasse de um evento para arrecadar doações para a campanha dele.
Isabella eu ignorei, logo que Tanya me assegurou de que ela não a estava assediando de modo algum no trabalho, nem mesmo haviam se cruzado. Já o meu ex sogro foi mais difícil de dispensar. Logo que percebi que não se preocupava com o motivo de eu me separar de sua filha, me irritei mais com ele, e exigi que ficasse longe de mim.
Charlie Swan só se importava com o que podia ter das pessoas. Se sua única filha estava doente, fora de si, encarando um divórcio… ele não estava nem aí.
Eu trabalhei, peguei Enzo na escolha, até cruzei com Bella no dia em que ela teve a mesma ideia que eu, fiquei surpreso, depois agradecido por ela não voltar ao assunto ‘’Tanya’’, e surpreso de novo por ela ter mobilizado alguns amigos para custear a internação da mãe de Bree numa clínica de reabilitação.
—Ela quis ir. — Deu de ombros, naquela tarde, enquanto estávamos parados na calçada esperando nosso filho.
—E você resolveu ajudar… — Incentivei.
—Não é certo Bree morar na nossa casa, sob mesmo teto que o namorado, eles só tem quinze anos. E se brigarem? E se separarem? Não é saudável. -Eu concordava com sua lógica. –Fui a sua casa, conheci sua mãe… e sugeri isso. Irina aceitou na hora. Vamos esperar que tudo dê certo, ela saia curada, e pronta para assumir seus deveres de mãe.
Na sexta feira, fui notificado de que os exames estavam prontos. Avisei a Bella, que propôs que nos encontrássemos na sua casa, e ao pegar o resultado segui para lá sem coragem de abrir o envelope.
Damon Salvatore estava na porta da casa.
—Estava esperando você. -Ele sorria.
—Que conveniente. — Murmurei
—Tenho que admitir, Bella não me deixou entrar. Por algum motivo obscuro ela evita a todo custo se encontrar comigo. -Deu de ombros.
—Não imaginar um motivo válido. — Ironizei.
Foi Rosalie quem abriu a porta.
—Esse cara precisa mesmo estar aqui? — Ela bufou, mas nos deixou entrar.
—Acho que dá um ar mais dramático a tudo. — Ele puxou uma mecha de cabelo dela, que o afastou com um tapa.
Bella estava sentado no sofá da sala, com Yuno com colo, estava muito bem maquiada, e vestida, com um longo vestido de cetim preto.
—É mesmo necessário todo esse drama? — Ela nos questionou.
—Não de verdade, mas nós sempre gostamos de um espetáculo. -Damon se sentou de frente para ela bastante confortável.
Yuno se arrepiou todo, rugiu para Damon e correu para a cozinha.
—Se Yuno não gosta de você, quem sou eu para contradizê-lo? -Rosalie deu de ombros, e logo se retirou.
—Enzo já chegou? — Perguntei a Bella.
—Não, deve estar a caminho. Devo ressaltar que ele acha tudo isso uma perda de tempo, e deixou bastante claro que não quer saber o resultado.
=-Então podemos abrir, aqui e agora. — Damon estendeu o envelope em suas mãos. Me seti nervoso naquele momento, minhas mãos pareciam suadas. Troquei um olhar com Isabella, a implorando pela verdade, se Enzo não fosse meu filho, eu preferia ouvir isso dos lábios dela.
—O resultado do seu exame é irrelevante, Damon. — Ela parecia tranquila, quase serena.
—Bella… — Eu quis, mais uma vez pedir a verdade a ela. Fui interrompido pela porta batendo com força na parede.
—Mãe, eu não quero esse homem aqui! — Enzo adentrou com Bree ao lado, parecendo nervosa.
—Eu disse para ele ficar calmo. — Ela se defendeu.
—Filho, não há motivos para alarde. — Contei.
—Você acha que eu não sou o seu filho! — Ele gritou. -Eu não quero saber o resultado dessa merda, você é e sempre será o meu pai!
Ele jogou a muleta no chão, dando ênfase ao que dizia, mancou para a cozinha. Eu quis ir atrás dele, mas sabia que tudo já tinha ido longe demais, era hora de pôr um fim naquilo.
—Devemos contar de um até três, abrir e mostrar? — Damon debochou. Respirei fundo abri meu envelope, pulando os termos técnicos que eu não entendia nada.
Ali, no fim da página havia a informação que fez meu coração perder uma batida e depois acelerar.
‘’O alegado pai não está excluído como pai biológico da criança testada. Baseado nos resultados obtidos dos locus ADN listados acima a probabilidade de paternidade é de 99,999999%.’’
Aquilo queria dizer que eu era o pai ou não? Teríamos que fazer outro exame?
Antes que eu pudesse pedir ajuda aos médicos presentes, Damon bufou.
—"O alegado pai está excluído como pai biológico da criança testada. Baseado nos resultados obtidos na análise dos locus de ADN listados a probabilidade de paternidade é de 0%. O pai é excluído com uma fiabilidade de 100% que não é o pai biológico da criança‘’ Quem você pagou Isabella? — Damon se levantou.
—Ora, Damon. Se não dá o resultado que você quer, a culpa é minha? — Ela sorriu largamente. — Vocês escolheram a clínica, não me disseram onde seria, fizeram tudo por conta própria. Não tenho envolvimento algum no resultado. Ah, até tenho, sou a mãe não é? -Bella se levantou, andou lentamente até Damon, parecia sedutora e confiante.
—Eu transei com você, quando éramos jovens e inconsequentes, e foi muito, muito bom. Eu não me arrependo do que tivemos, nem de como terminou.
—Nem do nosso flashback. — Ele se aproximou mais dela.
—É o maior arrependimento da minha vida. Agora que as coisas estão bem esclarecidas você pode sair da minha casa e nunca mais se aproximar do meu filho.
—Bella…
— Você a ouviu. Não é mais bem vindo aqui. — Tomei as rédeas da situação.
—Edward, não pode está acreditando nisso!
—Te prometemos um exame. Está feito, você não tem nada a ver conosco. Agora saia Damon.
Ele olhou mais uma vez para o olhar frio de Isabella.
—Não acabou entre nós. -Disse.
—Agora Damon. -Ameacei.
Ele assentiu e caminhou para a saída.
—Damon. -O chamei da porta. — É melhor não fazer mal algum a Isabella, ou terá problemas comigo.
Ele não respondeu, apenas me olhou e saiu batendo a porta.
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