Primeiro Dia De Trabalho.
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Jellal estava estático. A porta estava aberta e o vento soprava lá fora e só tinha a lembrança do calor daquela ruiva. Ele não entendeu como pôde brochar naquele momento! Ou teve ejaculação precoce, não soube discernir o que aconteceu. Só estava no amasso e Erza nua em seus braços e a ação simplesmente acabou. Ela ainda tentou ajudar e depois saiu decepcionada. Nem se vestiu. Foi direto para o carro e quando ele ouviu o bater da porta, ele percebeu que estava tudo acabado.
A raiva o consumia. Ele bateu no cara que Erza namorou somente porque era um idiota, não tinha motivo para ter feito o que fez, se deixou levar pelos instintos e foi consumido pela culpa. Não podia fazer amor com Erza, não podia tocá-la, não devia e depois disso, ela jamais se permitiria tocar novamente. Um cara obscuro, era o que ele era, o que sentia, o que achava.
“MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEERDAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Levantou-se, nu e foi até o bar para aquela que seria a sua única companhia da noite. A tequila. Bebeu até quase desmaiar, com a porta aberta. Sorte que o vento foi um pouco amigo e a fechou rapidamente. Mas antes que pudesse dormir o sono dos derrotados, recebeu uma ligação do seu chefe que o suspendia por uma semana por comportamento violento na frente da empresa. Deu um suspiro resignado. Ele estava sendo suspenso por fazer algo que não era do seu feitio. Quando foi que tinha se perdido? Ele não era o Laxus, não tinha aquela paixão doentia, ele realmente amava Erza e quando se desviou do objetivo, tudo caiu, incluindo seu pênis.
Por mais que ele estivesse medonhamente envergonhado, ficou secretamente agradecido. Quando fosse pra eles fazerem amor, se é que isso seria possível algum dia, ela teria que transar com Jellal, não com uma cópia mal feita de Laxus Dreyar. Ele a faria se apaixonar por ele e não por uma cópia barata de um brutamontes. Jellal cansou de se punir e se desculparia com Erza e a conquistaria, da maneira como uma mulher como ela merece ser conquistada e como ela o conquistou. Contudo, ele se direcionou para uma ressaca colossal e pegou mais uma garrafa e foi pra sua cama. Sozinho.
Laxus estava simplesmente furioso. Ele não via o que fazia. Chegou em sua casa e começou a quebrar tudo, xingar tudo o que podia. Aquela mulher o estava enlouquecendo. Nunca foi um homem de rompantes, sempre foi calculista, centrado, apesar de explosivo. Contudo, até suas explosões eram calculadas. O telefone tocou e era seu avô querendo saber se ele estava bem.
“Tô bem sim, velho. E o senhor? E o coração? Como tá?”
“O meu coração está muito bem e parece que o seu também vai ficar Laxus.”
“Pelo que eu saiba, não sou eu que tenho problemas cardíacos.”
“Ah, os jovens que não abstraem, tudo bem. Os velhos entendem. Mas o seu coração vai passar por umas provações, só que vai ficar bem. Me responde. Quanto da mobília você já quebrou?”
“Mas que velho miserável, como você sabe que eu estou quebrando a mobília?!”
“Bom, eu sei que você e aquele outro idiota do Fernandes espancaram um bêbado que parecia ter um relacionamento anterior com a funcionária nova e a Erza. Como eu sei que você não acha a Erza nem atraente, sei que é com a funcionária nova e olha só que coincidência, ela estava lá no hospital com o bêbado que você espancou. Não é interessante? Você bate no cara, porque além de ser um burro ciumento você não sabe se comunicar, e ele acaba com ela. Não é no mínimo curioso Laxus?”
“Onde ela está e como você sabe disso?”
“Não vou dizer onde ela está porque eu já disse antes, seu idiota. Não pense que porque é meu neto que vou facilitar. Porque vossa majestade não gosta mesmo disso. Ah, e eu não sei se você sabe, mas a empresa tem câmeras de segurança e olha, elas me trouxeram imagens muito peculiares de você subjugando essa moça duas vezes dentro da empresa. Isso não é encantador? Agarrando a mulher, não conversando, que nem o neanderthal que eu criei você pra ser, né? NAAAAAAAAAO! Eu criei você pra ser um homem e você está fazendo tudo, menos ser isso. Mas o que eu sei? Eu só sou um velho idiota que ainda acredita na decência dos homens e que eles precisam tratar as mulheres com respeito. Vou desligar, meu coração piora em saber que você fez isso. Ah, mais uma coisa. Você e o Fernandes estão suspensos por uma semana. Vocês bateram no homem na frente da empresa, dando um péssimo exemplo para os funcionários e serão punidos por isso. Até semana que vem, garoto.”
“Você não pode fazer isso velho! Como assim?”
“Me desculpe, eu não coloquei isso para deliberação ou ainda para saber se pode ou não. Isso é o que vai ser! É o certo. E se você não calar a merda dessa boca, vou demitir você. E por todas a regras que você mesmo impôs, sabe que vai ter que me obedecer, moleque imbecil. Fique em casa e esfrie essa cabeça.”
E desligou. Claro que o celular não foi poupado e o mesmo foi arremessado na parede mais próxima, explodindo em uma cascata de peças e cores estranhíssimas. E foi quando se deu conta que nunca tinha pedido o celular de Cana e ela tinha ousado se aproximar. Ousado mexer com todo aquele sistema que o grande Laxus tinha montado para não se machucar, mas ela iria pagar por isso, com o coração dela, não literalmente. Ele só queria que ela estivesse perdidamente apaixonada também. Só isso, claro que falar isso era impensável, a pobre mulher teria que se utilizar de sortilégios para tal, mas era só o que ele queria.
Cana estava preocupadíssima na sala de espera do hospital. Tinha utilizado de seu convênio que era muito bem pago por seu pai e se utilizou da relação estável com Bacchus para providenciar os cuidados médicos necessários, que se mostraram muitos. Um nariz quebrado, um pulso trincado e no mínimo duas costelas quebradas. Ele não tinha apanhado, tinha sido atropelado por um tanque de guerra e por quê? Porque um loiro superdesenvolvido tinha achado que ela não podia ter ninguém antes dele?
Ela se perguntava se era só por isso. Merda, será que tinha algo que ela não estava vendo? Porque era apenas um caso de uma noite. Não tinha mesmo como ser mais do que aquilo. Laxus não a conhecia. Não tinha trocado mais de 10 palavras com ela naquela semana e duvidava muito que se lembrasse de tudo o que conversaram antes de daquele depósito. Naquele papo, Cana se sentia a super mulher. Dizendo de tudo o que sabia e até o que não sabia para impressionar aquele homem que parecia assentir a tudo o que ela dizia. Ele parecia que estava prestando atenção, mas quando ele começou a fumar aquele charuto, Cana se viu arrebatada, ela desistiu de conquistá-lo e queria desfrutá-lo porque achava que ele era muito pra ela.
Mesmo com esse comportamento que ele apresentou, ele era mesmo muito pra ela. A família dele lhe dava apoio e essas conclusões regadas à baixa auto-estima eram desastrosas. Cana não tinha amor por ela mesma há tempos, mas isso não significaria que sucumbiria. Não! Iria perguntar o porquê daquela perseguição e mesmo que ela tivesse algum sentimento além de tesão pelo cara, se colocaria em seu lugar, mas antes, daria um tapa na cara dele por ter coragem de machucar o seu amigo, ou chutaria o saco dele pra ele sentir um pouco da dor que fez o seu amigo sentir.
Mas que porra era aquela? Ele não sabia quem era ela. Não sabia o que ela tinha feito, passado, sofrido. Eles só tinham trepado e se beijado. Nada além e nem aquém isso. Pelo que sabia, eles não tinham trocado nem um papo, e ele já se achava o dono dela? E ela naquela passividade toda? Claro que em seu íntimo, ela queria muito que ele a quisesse, como aquela música dos Mutantes, tanto que ela estava desligada, mas isso não garantia nada. E Bacchus podia ser aquele lixo de homem, mas ele a ajudou/destruiu quando precisava e isso nenhuma trepada poderia apagar. Ela ligou pro celular de Lisanna, mas como ela não atendia, deixou um recado. Tentou falar com Erza também, mas não deu certo. Mandou uma sms pras duas e se preparou para ficar ali com Bacchus por um tempo considerável.
Lisanna não acreditava naquilo. Natsu estava ali na casa dela, não que ele não tivesse ido lá antes, mas era a primeira vez que eles estavam sozinhos. E eles tinham tomado café juntos e conversado de amenidades. Provavelmente seu rosto estava tão rubro quanto o cabelo de Erza, mas dane-se, ela iria pelo menos saber como era o cheiro dele, já que ele realmente não estava atraído por ela. (N.A: Tem alguém aqui que não sabe ver os sinais, como a Lis e a autora? Deixa nos comentários.)
Natsu não estava diferente, mas se lembrou o motivo pelo qual estava ali. Ele a queria. Não sexualmente, ou pelo menos não só isso, ele queria ser amigo dela, jogar com ela, tomar o café com ela e principalmente o café da manhã. Mas não hoje. A grande questão é que Lisanna estava com os jogos de dança e nada de luta. Ela não precisaria dos controles. Logo agora que achou que zeraria o jogo do Harry Potter. Deu um suspiro resignado e foi ajeitando o videogame.
“Lisanna, você tem certeza que não é melhor a gente jogar o HP? Porque se você ficar pulando assim pode piorar e eu tenho que upar alguns stats. Será que você não quer jogar esse?!”
A platinada queria dançar justamente pra tentar ficar mais perto de Natsu, mas ele tinha razão e ela não podia ficar pulando que nem uma criança porque pioraria e também ela precisava voltar ao emprego, não. Suspirou resignada e concordou com ele e começaram a jogar o Harry Potter.
Natsu estava entusiasmado, agora era só fazer com que ela sentasse perto dele, coisa que não parecia muito lógica. Só que os deuses estavam do lado daquela coisa e ele pediu para que ela sentasse perto dele, mais precisamente em sua frente.
Lisanna não era nenhuma idiota. Ficou até feliz por isso, dele querer que ela sentasse na frente dele, só que a coisa ia contra toda a logística dos jogos. Ela ia ficar ali e os braços dele não iriam ter agilidade o suficiente. Ela argumentou sobre isso, mas recebeu um olhar tão triste que foi e sentou-se.
Natsu se controlou como um cavalheiro e respirava fundo, só que isso tinha o efeito contrário em Lisanna. O pobre Harry tinha morrido tantas vezes que ela estava morrendo de dó. Tentava se concentrar no bruxinho enquanto aquele homem respirava em seu cangote. Aquilo não devia estar acontecendo. Ele deveria estar sendo gentil e como não é lá o cara mais brilhante do mundo, não tem noção do que esse simples ato de respirar estava fazendo com ela. Ela estava sem controle, iria fazer algo se ele continuasse a mandar aquele hálito quente para o pescoço dela. A coitada não era de ferro. Ela respirou tão fundo quanto Natsu e ergueu o pescoço, e ele aproveitando o momento, cola um doce beijo no canto esquerdo.
Os dois se sobressaltam. Ela se desculpa pelo atrevimento de sentar ali e se levanta e ele se levanta junto pra se desculpar. Ainda bem que o controle não tem fios, se não seria um desastre maior. Como se levantaram juntos, acabaram se desequilibrarando e Natsu caiu pra trás com uma Lisanna muito envergonhada em cima dele. No sofá. (N.A: porque nas fics tudo pode! E eles caíram no sofá! =] )
A primeira reação é perguntar se o pulso dela foi pego nessa queda, mas como a garota está realmente muito feliz com aquilo, ela mente dizendo que está tudo bem, mas agradecendo pelo estoque colossal de analgésicos que a espera no quarto.
Quando ela vai se levantar, ele pede pra que eles fiquem ali por mais um momento, em silêncio. Sem empresa, sem Laxus, sem Erza, só aquela musiquinha irritante do jogo que se mistura com a trilha sonora da casa. A garota não entende, mas assente e aproveita para aspirar ao máximo do perfume do homem, como se o cheiro dele fosse um remédio para a dor, que estava latejante. As garotas podem sonhar.
Natsu aproveita que Lisanna concordou e a puxa mais pra cima, com uma delicadeza que não é normal do seu ser. Mas se bem que aquela noite não está normal mesmo, então ele vai aproveitar e ser diferente. Ele se ajeita naquele sofá divino que ela tem e ficam ali curtindo o momento. Ambos rubros e abraçados. Natsu aspira o perfume do cabelo dela e ela fica sentindo o perfume dele.
Aquela experiência superou de longe a vida sexual de Lisanna, aquilo era extracorpóreo, sensorial. Ela o sentia, mas não somente a excitação por estar perto de um corpo feminino, mas sentia as mudanças do seu cheiro, ouvia o ofegar de sua respiração, ouvia as batidas do coração dele. Era a sinfonia mais perfeita que ouvira em muito tempo.
Natsu não estava assim tão relaxado. Sabia que a garota estava machucada, sem falar que o ângulo o qual tinha escolhido para se arrumarem estava errado. A boca dela estava longe demais dele, só que ele não forçaria nada. Deixaria acontecer porque aquilo era muito mais do que ele imaginaria.
A garota se ajeitou e subiu um pouco mais, encarando o ruivo e sem delongas encostou os lábios nos dele, singelamente, com todo o cuidado. Demorou-se ali, como se pudesse decorar as fissuras da boca do moço, só que ele depois de um tempo, não se fez de rogado e lentamente foi aprofundando o beijo.
A música estava propícia e ele aproveitou. Serviu-se com fartura daqueles lábios. Depois de conhecer parcialmente os movimentos da boca da platinada, Natsu ousou mais, mordeu levemente aquele lábio inferior proeminente que era praticamente um universo, contudo, aquela posição não estava suficientemente boa, embora nem com uma arma na cabeça ele descolaria seus lábios dos dela.
Lisanna estava nas nuvens. Os lábios de Natsu, o beijo, era tudo perfeito. Era quente, como fogo. Não que ela já tivesse comido, mas aquilo a sustentava, ela estava praticamente nas nuvens. Só que se levantou, sobressaltando o garoto, mas fez com que ele sentasse e se sentou sobre ele, continuando o que estavam fazendo.
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