Primeiro Dia De Trabalho.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Cana não podia acreditar na semana louca que teve. Arrumou 3 amigas e estava a ponto de se mudar. Divertiu-se como nunca no setor atuário, com todas as exigências e chiliques de Jellal, sem falar que Gray foi bem solícito e respondeu a todas as dúvidas, mesmo quando ele tinha acabado de ensiná-la, claro, sem nenhuma segunda intenção. O que a deixou aliviadíssima.
As horas do almoço com Erza, Lisanna e Kinana, (outra recém-chegada) foram regadas a drama feminino, o que divertia a Alberona. Era incrível o quanto as mulheres ainda não cresciam, o quanto elas apenas disfarçavam as crianças que foram. As meninas pareciam-se com ela, seres resignados, sem muitos objetivos e apenas se deixando levar pela maré. Ela nunca teve amigas meninas, sempre achava garotas aproveitadoras, que não eram solidárias, mas também não tinha amigos homens. Era um ser solitário, mas aquilo estava mudando.
Erza tinha sido a melhor surpresa. A ruiva era fanática por bolo de morango e Cana utilizou desse vício ao favor dela. Toda a hora de almoço, Erza ia comprar o bolo de morango na mesma hora em que Jellal ia comprar sua barra de chocolate. Cana descobriu que ele tem um vício louco por açúcar e que compra todos os dias na máquina do refeitório. A informação fez com que Erza falasse com Jellal 4 vezes na semana, e coisas além de “bom dia e boa tarde”. Aquilo estava se refletindo no humor dele, que estava melhor do que nunca.
Ainda tinha a questão de Laxus. Cana não parava de pensar nele e aquilo a estava deixando louca, mas não conseguiu vê-lo em lugar algum, apesar de não ter procurado, embora não tenha se escondido ou corrido também. Pra falar a verdade, ela passou um BOM TEMPO indo ao fumódromo e demorando um pouco mais na hora do café. De acordo com Gray, ele teve uma viagem de negócios, junto com o pessoal da qualidade, aparentemente, eles iriam receber treinamento em outra cidade. Isso também deixou Lisanna triste, já que o Natsu também viajou.
O convite para morar com Lisanna surgiu no fim da semana, quando elas foram levá-la pra casa depois do happy-hour. Infelizmente, Cana ficou severamente embriagada, precisando de uma carona e assim as meninas viram a pocilga onde ela vivia. Cana deu a chave para Erza abrir a porta e deparou-se com uma quitinete menor do que qualquer padrão desejado, uma cama quebrada e um guarda-roupa com uma porta só, sem falar na higiene que tinha mandando lembranças.
Claro que Cana não pretendia que as colegas vissem sua morada, mas ela estava se restabelecendo, há pelo menos uns cinco anos, mas essa era a desculpa que daria. O convite deu-se no sábado a tarde, quando uma mensagem chegou ao celular dela. Lisanna precisava de pelo menos uma companheira, já que sua irmã tinha voltado para a cidade natal, não aguentando o trauma de ser trocada por um homem. Ela hesitou, mas abraçou a oportunidade de uma vida nova.
Passou o sábado ajeitando e vendendo e jogando coisas fora e constatou com tristeza que tudo o que possuía poderia ser colocado em um saco médio de lixo. Nem precisava de caixas. A tal mobília pertencia ao apartamento, então não podia levar. Juntou seus poucos pertences e ficou meditando no sábado, além de acertar as coisas com o locatário, pensando se talvez ela não poderia se arrepender. Mas ela ainda estava querendo mudar de vida.
E no domingo, ela se dirigiu ao prédio onde Lisanna morava e ela passaria a morar.
Só que Cana não era a única a se mudar. Natsu Dragneel também estava se mudando, exatamente para o prédio de Lisanna e foi com ele que se deparou quando estava levando seus poucos pertences para o apartamento. Entraram juntos no elevador e Natsu parecia incrivelmente desconfortável com o silêncio. Então, começou com a conversa mais desconfortável ainda.
“Ah..ah, oi. Você trabalha lá na Fairy Tail, né?”
“Ah, sim! Comecei essa semana. Você também trabalha lá?”
“Sim, trabalho no setor de qualidade. Em qual você trabalha?”
“No atuário.”
“Hum, então nos encontraremos por lá, os nossos setores trabalham combinados, te falaram?”
“Na verdade não, só estava vendo os detalhes e me familiarizando com os programas, sabe como é essa coisa de novatas, né?”
“Sim sim. Ah, você está de mudança pra cá também?”
“Estou! Vou dividir o apartamento com uma colega de lá da Fairy também.
“E quem é?”
“Uma moça do RH, novata também. A Lisanna, não sei se você a conhece. Se bem que eu também não te conheço. Como é seu nome?”
“Na...Natsu Dragneel.”
“Cana Alberona. Muito prazer Natsu. Ah, esse é meu andar, até mais lá na empresa.”
Ela saltou do elevador deixando um Natsu meio intrigado, mas contaria pra Lisanna depois. Chegou ao apartamento e bateu na porta, sendo recebida por uma platinada bem feliz.
“Que bom que você aceitou meu convite Cana, as coisas estão muito difíceis, desde que a Mira-nee foi embora, eu estou me matando pra manter esse apartamento. Eu não queria procurar outro, sabe? É tão lindo, grande e perto da empresa, que dá dó. Mas deixa de reclamação, cadê as suas coisas??”
“Bom Lis, é isso daqui mesmo. As roupas e os acessórios, cabem tudo nesse saco preto aqui.” Cana assentiu.
Lisanna ficou em choque, mas disfarçou decentemente. “Bom, você tem lençol, roupa de cama, essas coisas? Eu não tenho lá uma cama extra, mas tenho um colchão que era da Mira, só que ela usava com o namorado, não sei se você vai querer. Não, ela também dormia sozinha, ai Cana, me desculpa. Você quer que compremos um colchão ou ainda roupa de cama pra você? É melhor, né? Eu estou nervosa. Nunca morei com ninguém além da Mira antes. Espero que essa seja uma experiência muito boa pra você.!
“Ah, Lis, eu topei porque eu tava precisando mesmo, mas eu tenho umas perguntinhas. Pode ser?”
“Claro.”
“Como funciona trazer pessoas pra cá? Pode trazer?”
“Como assim? Amigos?”
“Homens, pra passar a noite.”
A moça não sabia se podia ficar mais vermelha, mas disse que tudo bem, desde que ele não roubasse nada.
Cana estava se matando de rir, mas explicou:
“É que temos um novo vizinho também.”
“Quem?”
“Natsu Dragneel, não seria legal você ir lá dar as boas vindas? Você disse que ele te apresentou a empresa, retribua o favor apresentando o prédio.”
“Não posso! Eu não vou conseguir. Eu não tenho chances, nem adianta me encher de esperanças. Você viu quem é a ex dele, né? A mulher é lindíssima. Eu tenho comigo, que um dia ela recuperará o juízo e nunca mais deixará o Natsu sozinho. Mas e o Laxus?!”
“Bom, eu não acho o Natsu tudo isso não, de verdade! Mas o que tem o Laxus?”
“Você vai encontrá-lo de novo??”
“Não sei, eu nem sei o setor onde ele trabalha. Estou pra perguntar pra Erza mas eu sempre esqueço. Se bem que eu preciso dar um jeito de juntá-la com o meu chefe.”
Lisanna sorri, mas com um sorriso triste. Isso de ser cupido era uma coisa da irmã dela. Sempre funcionou dessa maneira desde que as duas eram crianças. Todos os namoradinhos de Lisanna eram intermediados pela Mira-nee. Em um ponto, ela começou a pensar se ela só não tinha rolos porque a irmã ajudava e começou a olhar Cana como uma espécie de nee-chan também. Só que mal sabia que Cana precisaria de uma irmã também. E claro, ela estaria lá para ajudá-la.
“Então você vai dar uma de cupido pra minha chefa e pro seu? É isso? E como vai fazer? E eu posso ajudar??”
“Não pode ajudar não! Você vai agora lá achar o apartamento do Natsu e oferecer uma xícara de café!”
“Café? Mas eu não tomo café.”
“Você trabalha em uma empresa, no setor mais tenso do planeta e não toma café? Vai começar agora. Também você mora comigo e eu bebo. Preciso tomar café. Então, vamos comprar as coisas e você vai dar uma de boa vizinha, né?”
“Eu posso ir lá e perguntar se ele precisa de ajuda. Sem café e sem esperança. Nem adianta ficar com esse sorrisinho Cana, a única que vai se dar bem nesse apartamento será você.” E se dirigiu à porta. “Ah, fica à vontade, a casa é mesmo sua.”
Ela não sabia o motivo pelo qual todos estavam querendo que ela investisse em Laxus. Sim, teve uma noite tórrida com ele, da qual se lembraria pelo resto da vida. Alguns dos arranhões estavam sumindo, mas vamos e convenhamos, o cara era um deus! O homem mais lindo e saboroso que ela teve o prazer de conhecer na vida, sem falar que devia ser podre de rico, mesmo com tudo que a Erza falou. E o que ela era? Uma bêbada lasciva que transou com ele loucamente sem nem saber o nome!!! E não adiantava ela jogar aquela de que fez isso só com ele porque não era verdade! A diferença é que Laxus era bom, muito bom e isso dificultava um pouco as coisas.
Ok, dificultava muito as coisas, porque ele era fantástico e estava trabalhando com ela, mas como eles não se encontrariam, ela manteria o seu emprego até que ele estivesse casado com uma moça da alta sociedade! Aquele pensamento fez o estômago dela revirar.
“Ah, quer saber? Vou tomar um banho!!!”
Cana foi até o banheiro e começou seu banho. Começou a imaginar aqueles braços fortes de Laxus sobre ela e os sussurros no seu ouvido. Arrepiou-se mesmo com a água morna e foi obrigada a mudar a temperatura antes que precisasse se aliviar naquela mesma hora! Sem falar que era o primeiro dia na casa de Lisanna, não podia ter esse tipo de comportamento, pelo menos não no primeiro dia, né? Ou pelo menos até que se sentisse em casa.
Ela terminou o banho, com muito custo e muito frio, se enrolou na toalha e foi em direção à sala para pegar o tal saco preto onde estavam as suas roupas. E qual foi a sua surpresa em ver que Laxus Dreyar em carne, osso e músculos estava na sua “sala de estar”?
“Oh, meu Deus!”- ela exclamou enquanto viu Laxus pegar seus pertences. Juntou a pouca dignidade que tinha e foi em direção ao quarto, mas ela precisava se vestir. O que ela faria? “Meu santo Onofre, me ajude.”
Laxus foi ajudar Natsu na mudança e ficou muito satisfeito ao ver que ele estava até animado. Ele saiu do apartamento, deixando tudo para Lucy, mas ele tinha como tocar a vida. Até ficou animado em procurar a moça do RH, depois que o embebedaram e fizeram-no admitir que achava ela bonitinha. Foi ótimo também embriagar Gajeel e fazer com que ele ligasse pra Levy se declarando, às 5 da manhã de uma quarta-feira. A viagem de treinamento fez bem pra eles, mas deixou Dreyar furioso. Ele perdeu 4 dias de trabalho para aprender algo que já fazia bem, sem falar que perdeu tempo precioso para se saciar com a sua deusa da Luxúria. Sabia o setor onde ela trabalhava, já que era muito amigo de Jellal, que estava fazendo o papel de ponte. Ficou sabendo que ela é mesmo fã de jazz, mora sozinha e não tem namorado, mas tinha muita coisa que queria saber, mas Jellal parecia avoado demais para contar pra ele. Então só restava encontrá-la na empresa e tentar levá-la pra cama novamente, mas com o mesmo cortejo de antes, quem sabe ela podia ser uma recorrente? Porque ela era muito divertida pelo que se lembrava.
Jellal estava um péssimo informante. Titânia estava seduzindo-o com bolo de morango, pelo menos era isso que ele dizia. Parece que ela ia comprar o bolo na mesma hora em que ele ia comprar o chocolate dele e fazia questão de colocar o “indicador no chantilly e chupá-lo pecaminosamente”. Ele sempre falava essas frases, como se Erza fosse esse furacão todo e não a paspalha que ficava vermelha por causa de tudo. Vai entender as leis da atração?
E qual foi a surpresa da dupla quando Lisanna chegou lá com sua camiseta preta e seus shorts jeans perguntando se precisavam de ajuda. Laxus viu a pressão de Salamander subir, mas aceitou a ajuda da moça assim mesmo.
Era muito engraçado ver como ele ficava sem jeito na presença dela, como se fosse um menininho, não sabendo como lidar. A moça não era muito diferente e eles quase quebraram tudo ao invés de montar as coisas, o florescer dos sentimentos era uma coisa estúpida.
Ele, como solteiro convicto que era, jamais se deixaria levar por essas efemeridades. (N.A: Quem vê pensa!)
E depois de quase acabar com a mobília, ela os chama para um lanche, vendo que na casa do Salamander não tem nada. Laxus bem que podia achar que ela estava querendo puxar o saco do neto de Makarov, mas até ele em sua arrogância sabia que ela estava tentando flertar com aquela coisa obtusa que era o Natsu.
Enquanto ele assistia aquela versão idosa de “Confissões de Adolescente” rolando na cozinha, se deparou com um saco preto no meio da sala. Começou a fuçar e viu umas roupas de mulher, quem sabe Lisanna estava pensando em doar pra alguma instituição, não? Aquela mulher tinha cara de fazer isso, mas tinha um celular ali dentro, que começou a tocar, o que causou a maior surpresa do fim de semana.
Era Cana, sua deusa, vindo correndo com uma camiseta e somente isso e pegando o tal celular.
”O que foi velho?”
“Cana, minha filha, faz mais de um mês que você não liga.”
No meio desse diálogo, ela pegou o saco das mãos de Laxus e foi para o quarto, terminar de falar com quem quer que estivesse falando.
Lisanna e Natsu tentaram chamar a atenção dele, mas foi como se todo o ar daquele local tivesse acabado. Ele não prestou atenção em nada do que foi dito. Laxus estava ofegante, ansioso, estava domando seus piores instintos, se segurando pra não ir atrás dela. Iria dizer o que? “Oi Cana, vamos trepar? Não podia fazer isso mas não conseguia deixar de pensar naquelas pernas. Ela nem olhou para ele! Ela veio com aquele cabelo molhado, aquelas pernas matadoras, correndo em direção a ele e tomou o aparelho e começou a falar, como se ele não estivesse ali! E virou as costas e voltou de onde tinha saído. Ele ficou tão nervoso que agarrou a pobre Lisanna pelo braço e começou a apertá-la.
“Quem ligou pra ela?”
“Ai, eu não sei!” Lisanna respondeu.
“Quem é esse velho ligando pra ela???” Laxus gritou
“Eu não sei!” Lisanna se desesperou
“Laxus, solta a Lisanna, faz favor! Ela não sabe, você esqueceu que a Cana só veio pra cá faz uma semana, ela veio morar aqui com a Lis, chegou hoje também. Ela te falou isso. Solta ela agora.”
Laxus a soltou, pediu desculpas pelo ocorrido e saiu chutando a porta! Quem aquela mulher pensava que era pra rejeitá-lo? Sem falar que tinha outro homem?! Mas ela seria dele, totalmente dele! Claro, ele estava confuso demais pra lidar com esse sentimento de ciúme inoportuno, mas o objetivo já estava mais do que traçado.
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