Primeiro Dia De Trabalho.
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Erza ficou com Cana até perceber que ela estava bem instalada e foi para o seu setor. Não sem antes dizer a ela se poderiam almoçar juntas, naquele mesmo lugar. A morena, disse que sim, mas não sabia como chegar lá, então Erza pediu para que fosse ao RH. E despediu-se solenemente, não antes de dar um “tchau” todo tímido para Jellal.
Quando ela saiu, a sala ficou em completo silêncio. Algumas pessoas foram saindo para o tal horário do café e só sobraram Jellal e Gray na sala que junto com Cana, formavam o trio mais tosco do mundo. Jellal estava visivelmente alterado, Cana estava constrangida e Gray aparentava estar se divertindo muito com tudo aquilo. Ele percebeu que Erza havia ouvido o que o chefe disse, sem falar que sabe que a história deles vem de muito tempo atrás. Depois de ver uma mensagem no celular, colocou-se a observar a situação do chefe e pensar como iria tripudiar de Natsu, o corno da vez.
Jellal estava em um outro mundo. As palavras de Erza, meio que ressegurando uma intimidade há muito perdida, ditas até de maneira inocente somadas àquela visão paradisíaca das coxas titânicas fazia com que o homem beirasse o desespero.
Não se enganem achando que ele era um homem lascivo assim. Jellal sabia controlar as emoções como ninguém. Não era adepto da vilania, contudo, não demonstrava sentimentos sem necessidade. Laxus era seu melhor amigo, desde sempre, então ele era o único que sabia dos sentimentos dele com a Titânia, apelido carinhoso que ele lhe deu depois de dar uma boa olhada naquelas pernas.
A coisa com a Erza vem desde os tempos remotos do colégio. Ela tinha aquele cabelo fantástico e ele tinha uma marca de nascença da mesma cor. Eles eram crianças quando um coleguinha implicou com ele e ela o defendeu. O agradecimento foi frio, mas aqueles cabelos despertaram algo naquele coração geladinho.
Claro que o tempo passou, e as lembranças de Jellal continuaram a crescer, assim como ele. Em todos os lugares, ele e Erza estavam juntos, sim, ele mantinha sua distância, mas ela sabia como se aproximar. Tanto que eles tinham até uma turminha, que ficou constante até quando a tão bela infância acabou e a aborrecência começou. Ah, aqueles pequenos contatos que começam. Jellal estava furioso consigo mesmo por ter entrado nesse loop de recordações, mas quer saber? Que lembre então!!! BOSTA!!!
Erza foi seu primeiro beijo. Ela não sabe disso até hoje! Ela pensa que ele beijou outra menina antes de beijá-la, ou pelo menos foi o boato que ele soltou por aí. A coisa toda rolou em uma daquelas brincadeiras horrorosas de verdade ou consequência. Aquela bendita garrafa tinha que mirar nele e aquele Sho, aquele garoto sabia de alguma coisa que ele não, ele ficou realmente satisfeito quando viu a garrafa parar nele. Deu uma olhadinha pra Erza e depois perguntou: “ Verdade ou consequência?” E Jellal, para estabelecer sua posição de fodástico do grupinho gritou: CON- SE-QUÊN-CIA!!
Sho pede para que ele beije Erza! O guri se desesperou! Erza era sua fada, sua amiga, sua colega. Como ele iria fazer aquela coisa com ela? Sem falar que ela parecia realmente muito incomodada com todo aquele rubor desnecessário. Poxa, nem ela queria. Jellal prostestou, mas protestou tanto, que até a pequena Erza derramou uma lágrima. Se sentiu um idiota!
Ele se levantou, com toda a pompa, vontade, medo dentro de si e foi em direção a ela. Encostou os lábios rapidamente nos dela e algo parecia errado. Aquilo já tinha levado todos os amiguinhos ao delírio. Era o primeiro beijo dos líderes da turma. Exceto Simon, todos estavam felizes: Cobra, Miliana, MidNight, Angel, Sho...todos eles festejavam. E Erza estava radiante. Mas algo ainda estava errado.
Depois do contato ele diz: “Droga, eu não queria ter feito isso.” Erza ficou desconsolada.
“Tudo bem Jellal, desculpe, não precisa.” A garota ficou envergonhada.
“Não! Erza! Levanta! Levanta porque eu fiz errado e eu quero fazer de novo! LEVANTA! AGORA” Jellal estava muito alterado.
Erza se levanta hesitante, morrendo de vergonha, mas ela levanta o rosto em direção a ele. Ela não se mexe e ele vem, decidido, pronto pra mostrar pra ela e pra todos aqueles invejosos o que é um beijo de verdade. Colou os lábios nela e dessa vez usa os braços, entrelaçando as mãos naquele cabelo que sabia ser praticamente seda pura, ele apertou mais forte, meio desajeitado e ela soltou uma exclamação, entreabrindo os lábios. O que foi a deixa para ele tentar fazer algo com a língua, coisa na qual ele não foi bem sucedido, porque Erza estava estática até então. Teve a ideia infeliz de apertá-la ainda mais e usar os dentes e as mãos ao mesmo tempo. Era muita informação! Ele puxou e mordeu demais.
Resultado: um grito de dor e uma boca sangrando! Dela!
Ele ficou tão envergonhado que saiu correndo rumo à sua casa e ficou sem falar com Erza até ela esquecer daquilo ou sair com outro rapaz! Ele não sabe o que aconteceu primeiro, mas ela começou a namorar o amigo deles, o Simon, mas o namoro deles não durou muito. Só que ele voltou a falar com ela socialmente.
Repentinamente ele exclama: “INFEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEERNO!! VOU FUMAR! GRAY, CONSERTA ESSA MERDA DESSA PORTA! Com licença Cana!
A porta, ou melhor, o que sobrou dela, foi colocada no devido lugar e Cana respirou fundo e esperou pelas atribuições. Só que seu chefe tinha saído e ela não sabia o que fazer. Tinha um cara bem charmoso ao fundo, mas nada comparado ao deus do sexo, então ela fez o que poderia ser feito: ficou estática.
Gray a chamou: “Oe, qual é o seu nome? Acho que a Erza te apresentou, mas com a mostra gratuita das coxas titânicas, a gente não prestou muita atenção.
“Cana, Cana Alberona. E o seu?”
“Gray, Gray Fullbuster, opa, vou ter que dar uma saidinha, tenho que fazer piada com um colega de trabalho. Fica à vontade Cana. Bom, sua mesa provavelmente será aquela do canto. Olha, fica sossegada que não mordemos, só queremos que você fique, porque esse é o setor com a maior rotatividade e isso acaba com tudo.” E com isso o moreno escapuliu.
Ela pensou em ir falar com Erza, e fez uma nota mental para contá-la sobre a reação de Jellal com a visita dela, mais precisamente com a visão das suas pernas, porque aquilo realmente não era normal no ambiente de trabalho, aquele rompante, sem falar naquela senhora ereção que estava aparecendo ali pra todo mundo! Benzadeus! “Boa sorte Erza!” Deu uma risadinha e foi para a mesa que Gray tinha indicado. Só que não tinha nada para fazer e começou a se lembrar do seu deus sexual que estava perambulando naquele complexo.
Lembrou-se do olhar safado dele quando ela sugeriu que saíssem dali, aqueles olhos âmbar, nem sabia que existiam pessoas com aquela cor de olho, aqueles lábios cruéis e como o fato de não ter nenhum laço com ele a deixava completamente lasciva. Aquela vontade que surgia em beijá-lo todo, descobrir todos os pontos erógenos dele e a satisfação interna em fazer aquele homem daquele tamanho, daquela categoria urrar e praticamente chorar de prazer! “ Droga, daqui a pouco quem precisa fumar sou eu! Deixa eu sair daqui e já que tá vazio mesmo, vou dar uma volta. Preciso de ar puro!”
Inconscientemente foi rumo ao fumódromo (escolha no mínimo excêntrica para quem queria ar puro, não?) e ouviu a voz dele. Seu coração parou, seus lábios secaram e ela saiu correndo rumo ao RH, ainda não estava preparada para vê-lo, ainda mais sem alguém pra lhe arrastar, porque sabia que não teria reação. Ouviu os gritos dele, antes e ir para o lugarzinho escondido, e ficou imaginando o que ele achou daquilo, queria, mas não podia saber ainda.
Já que Erza queria ser amiga, então que começasse agora porque ela estava precisando e muito. Chegou lá e bateu na porta, mesmo com o aviso [Entre sem bater], ela abriu e deu de cara com um casal loiríssimo e Erza descendo a lenha neles. Olhou para os lados em busca de um abrigo e reparou uma mocinha bem singela no canto e foi ter com ela.
“Olá – Cana sussurrou.
“Olá, muito prazer. Meu nome é Lisanna.” A garota sussurrou também.
“Meu nome é Cana, Cana Alberona.”
Lisanna lembrou-se que falou dela para o neto do patrão. Ela era mesmo lindíssima! Até sentiu uma pontinha de inveja do fato de um homem tão bonito como Laxus ter ido perguntar dela, mas o seu coração estava passando por um dilema. Não era bem um dilema, mais uma aflição. Ela estava mesmo interessada em Natsu e o cara namorava! Isso nunca tinha acontecido com ela. Sempre foi centrada, tranquila, não cobiçava nada alheio. Nem falar palavrão ela falava direito. Era até uma mulher sem graça. E por isso se condenava diariamente por essa atração instantânea. Não podia evitar e estava envergonhada por ter se encantado tão rápido.
Deus do céu, ela só havia falado com ele uma vez, por 4 horas e o via nas horas do almoço, só que isso aconteceu há uma semana ou um pouquinho mais. Tinha que enterrar esse sentimento cretino que insistia em aparecer no coração dela. Poxa, nada de roubar namorado alheio não! Ela já tinha ficado super chocada quando seu namorado Bickslow trocou-a pelo melhor amigo dele, o Freed, que por sinal namorava a irmã dela. Nada disso. Roubar namorados não é com ela!!!
Mas agora ela estava deixando de pensar em Natsu pela 9ª vez ao dia e prestando atenção na bronca que aqueles dois seres perfeitos estavam levando na sua frente. A mulher era lindíssima e o homem não ficava atrás. Loiros originais aparentemente feitos um para o outro. Aparentemente eles estavam com um comportamento inadequado na escada social e logo pensou na possibilidade de ter mesmo comportamento com Natsu. Deu-se um tapa na cabeça, alertando Cana que a olhou preocupadíssima. E depois começou a prestar atenção na bronca.
“Lucy, Sting, tá todo mundo cansado de saber que vocês dois tem muito tesão no outro. Tá lindo, tá ótimo! Vocês tem a vida sexual perfeita! Estou sabendo, estamos sabendo! Até as funcionárias novas que não conhecem vocês sabem disso. Mas e o respeito? Cadê? Lucy, você trabalhava aqui até um mês atrás! Por favor! Namorava o Natsu que ainda trabalha aqui até quase dois mêses atrás! Poxa vida! Cadê o respeito? Você não gosta dele mais? Tá bem! O pinto dele não sobe mais? Tá lindo, cara, mas eu não estou interessada em ver o seu mamilo quando eu estou indo trabalhar. Se você é ninfomaníaca, vai se tratar! E você Sting? Eu deveria demiti-lo agora mesmo, só que eu vou te dar mais uma chance. Porque você um bom funcionário, apesar desse comportamento idiota e eu acho que você era amigo do Natsu, então por favor, respeite os sentimentos dele, sim?
“Que sentimentos Erza? Que merda de sentimentos o Natsu pode ter agora?” Lucy perguntou
“Lucy, ele morou com vc por quase 7 anos pelo que a gente sabe, é impossível não sentir nada!”
“Então eu vou acabar com o resto.” Ela murmurou.
“O que você disse Lucy?” Erza perguntou.
“Nada não. Já vou. Vamos amor? Desculpe.” Lucy se afastou.
“Saiam daqui os dois!” Erza gritou.
No momento em que saíram de lá, Lucy perguntou se Sting gostava de trabalhar ali, o que ele respondeu que não importava. Então ela o conduziu para o setor de qualidade, onde ela posteriormente, ou melhor, anteriormente, foi encontrada por Natsu Dragneel.
Erza desabou na cadeira e Lisanna foi pegar um copo de água para ela. E pra Erza também. Era muita emoção saber que Natsu estava solteiro, mas depois de ver a ex dele, perdeu ainda mais as esperanças, se é que isso era possível. Kinana foi relatar os fatos anteriores, citando a entrada de Laxus, o interrogatório, a resposta de Lisanna e tudo o mais.
“Lisanna, vem aqui por favor!” Erza chamou
“Sim, senhorita!”
“Primeiramente, pode me chamar de Erza, depois, você mesmo sendo novata tem muita fibra! Gostei de ver.”
“Agradeço Erza, posso lhe fazer uma pergunta?”
“Claro!”
“Desculpe-me o atrevimento, mas quem era o casal?
“Lucy Heartfilia e Sting Eucliff. Ela não trabalha aqui, só ele. Ela se demitiu no mês passado, antes de terminar com o Natsu. Ele nem sabia que ela tinha se demitido. Eles eram namorados, mas terminaram e foi uma coisa super estranha. Logo depois ficou nesse agarramento com o Sting e faz de tudo pra mostrar.”
Nesse momento, a platinada pensa que Lucy quer fazer ciúmes no ex e pensa que ela foi uma idiota em largá-lo.
“A gente até pensa que ela quer provocar o Natsu, voltar com ele, mas o que ela quer mesmo é mostrar pra todo mundo que acabou. Simples assim, ela não o ama mais. Triste, né?”
A moça ficou tocada com o que ouviu, ia fazer mais um comentário quando escuta Cana falando com uma voz de ironia.
“Erza, meu setor está vazio, arrasado, detonado por sua causa. Meu chefe não aguentou a visão das suas coxas, como eles falaram mesmo, titânicas. Ele ficou tão agitado que não conseguiu controlar a animação, o que você vai fazer pra ajeitar isso?”
A ruiva ficou escarlate e gaguejava o tempo todo, ouviu o sinal do almoço e respirou fundo. “Lisanna, quer almoçar com a gente.? – a platinada assente – “Cana, vem também, me diz o que eu tenho que fazer pra ajeitar isso, mas antes, vamos comprar o bolo de morango, tá?
Fale com o autor