Primeiro Dia De Trabalho.
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Cana não sabia bem o que pensar, sua cabeça estava rodando sem parar. Primeiro, ela tinha falado de tudo com Kagura, exceto Laxus e aquele era certamente o melhor encontro de sua vida, já que jantar romântico e entrar de mãos dadas eram certamente partes de um encontro.
Ela já sabia o processo todo de cor e salteado, entretanto, por mais que a situação lhe parecesse familiar, ela estava se sentindo desnorteada. Sempre se considerou extremamente heterossexual e nem tinha cogitado se envolver, nem que fosse um envolvimento meramente físico com outra mulher, embora essa situação estivesse mudando aos poucos.
Não, ela não tinha decidido descartar totalmente os homens, mas a mão aveludada que segurava a sua com uma firmeza singular fazia com que sua imaginação voasse pra mais longe. Estaria mentindo pra si mesma se não estivesse se esforçando para não beijar sua acompanhante.
E claro, Cana entrou nessa situação sem avaliar realmente os riscos, indo completamente contra sua profissão de atuária, não tinha considerado nenhuma possibilidade, como a beleza estonteante de Kagura e sua personalidade magnética, tudo isso unido a um dar de mãos perfeito. Cana adorava andar de mãos dadas. Dizia que era através das mãos que se conhecia uma pessoa e claramente, as mãos de Kagura eram perfeitas.
A situação, apesar de nova, tinha um caráter nostálgico. Fazia tempo que Cana não saía para encontros, simplesmente para conhecer pessoas ou ainda bater papo, as relações dela estavam tão líquidas quanto o vinho que tomava, o que não era exclusividade dela, mas sim da época a qual pertencia. As relações estavam muito instantâneas.
Obviamente que ela não era ingênua em imaginar que Kagura era completamente diferente de tudo aquilo. Não, a mulher era capaz de colocar Laxus no chinelo nessa questão sensual e para Cana Alberona, não existia homem mais sexy do que Laxus Dreyar. Que foi o motivo pelo qual Cana ligou para Kagura em primeiro lugar.
O jantar foi fantástico, a conversa foi maravilhosa e perceberam que tinham muito em comum, e Kagura nem estranhou quando Cana pediu um suco de laranja ao invés de um vinho. E como a noite era apenas uma criança cheia de energia, é até um pecado colocar a criança pra dentro antes da hora, não? Por isso ela aceitou prontamente quando sua acompanhante a chamou para prolongar a noite.
O programa proposto foi uma danceteria, a predileta de Kagura e mesmo apesar de Cana protestar sobre o fato de não saber dançar bem, a morena foi irredutível: ou dançavam ou iriam para casa. E mais uma vez, a curiosidade em saber qual a impressão que ela estava causando, fez a Alberona aceitar.
Enquanto Cana ponderava sobre as implicações de acompanhar Kagura naquela noite, Laxus estava pagando por todos os pecados quando teve a ideia de emprestar uma de suas roupas para Bacchus porque contava com o fato que ele fosse conquistar Kagura logo de cara. E como Bacchus estava se sentindo com sorte, aproveitou para caçoar demais de Laxus.
“Como você consegue dormir em um lugar desses? Parede roxa com painel de zebra? Você é o que? Cafetão?” Bacchus perguntava.
“Isso não é da sua conta e não esquece que eu bati em você, posso muito bem bater de novo. Eu to aqui te fazendo uma porra de favor e você vem tirando sarro da minha casa?”
“Ok, eu concordo que esse meu bolero mostrando o abdômen não é o mais indicado, contudo, você me dando conselhos estéticos...você já reparou onde você mora?”Bacchus indagou.
“Reparei, mas eu sou adepto de cores complementares, o que eu posso fazer? Eu gosto e roxo e amarelo, eu sou fã do círculo cromático e eu sou fã de animal print, pronto acabou. Não deixo de ser homem por isso e nem de ter senso estético, ao menos, aonde vamos, não deixam as pessoas entrarem sem camisa e cara, o que é esse coque aee? Tira isso da cabeça pelo amor de Deus! Tá parecendo a Chun-Li com um coque só.” Laxus retorquiu.
“Chun-Li? A do vídeo-game? Você tá me achando com cara de viado?” Bacchus reclamou.
“Não, de Chun-Li. Foi isso que eu acabei de dizer. Chun-Li! Cara, vamos! A gente é quase do mesmo tamanho, escolhe uma camisa aí e vamos logo porque se a Kagura for aonde eu tenho certeza que ela vai, a casa é lotada e eu não sou V.I.P. A gente tem que acelerar.”
Bacchus assentiu e fuçou em algumas camisas e achou uma que combinava com o tom do vestido de Kagura, claro, se repreendendo por lembrar da cor do vestido dela. Não pode deixar de imaginar ele tirando aquele vestido e com o bônus muito louvável de Cana no mesmo recinto. Aquilo lhe deu muitas ideias.
“Ow Bacchus, que merda é essa? Você tá excitado com as minhas roupas?”
Bacchus acordou de seu sonho e vestiu a camisa e soltou o coque, ficando surpreso de ainda ter os cabelos negros bem feitos e emoldurando o seu rosto com delicadeza e força ao mesmo tempo.
“A Kagura curte cabelos grandes, agora vamos, antes que ela tire a minha mulher de mim.” Laxus falou.
“Mas ela curte mulher também?” Bacchus perguntou
“Kagura é sedutora, entende? Ela nasceu pra seduzir e adora gente direta, o que a deixa em uma sinuca de bico, já que ela não consegue seduzir gente que vai direto ao ponto, o que é a preferência dela.”
“A Cana não é direta, por mais que ela pareça aquele furacão, é uma garota que precisa de carinho. Bom, você me chamou aqui e por mais que isso te doa, eu sou uma das pessoas mais próximas dela e...”
“Bom, eu sei que ela te deu a metade do fígado, né?”
“É, mas isso a gente já não era mais um casal. Éramos amigos. O padrinho nunca foi um bom pai e a mãe da Cana morreu quando ela era bem nova, então ela sempre foi criada meio solta, mas sozinha, entende? Ela nunca foi bem cuidada e aprendeu a se cuidar sozinha.”
“ E foi quando ela caiu na sua?”
“ Na verdade, caímos juntos, mas ela me salvou se afundando. O negócio é o seguinte: Cana é muito importante pra mim, ela é a minha melhor amiga, a minha companheira e eu realmente não ligo se você quebrar as minhas costelas chamando o seu amiguinho pra me dar outra surra, mas escuta com muita atenção. Se você está nessa pra brincar com a cara dela, cai fora e deixa a mulher com ela. Agora, se você quer algo além de uma brincadeira, não precisa casar, cara, mas respeitar ela, eu ajudo no que você quiser e eu acho bom você pensar com cuidado, porque além da sua barra não estar muito boa com ela, eu moro com ela e a garota está em um encontro com a mulher mais gostosa que eu já vi.” Bacchus falou.
Laxus parou pra pensar, na verdade, ele já tinha feito essa reflexão inúmeras vezes, aproveitando-se do fato de não estar tão próximo fisicamente de Cana e correndo o risco de seu julgamento estar nublado pela luxúria e finalmente chegou a uma conclusão: Ele simplesmente tinha se apaixonado. Não era tão complicado quanto parecia, apesar de ser bem estranho, mas ele estava apaixonado. Pegou-se fazendo planos com ela, os quais nunca tinha se permitido fazer ou sequer imaginar e sentiu-se realmente ameaçado, já que o alvo de seu novo sentimento tinha saído em um encontro que provocou muita comoção entre todos os envolvidos e Laxus se lembrou de uma coisa importantíssima: Cana saiu com Kagura e a mulher simplesmente não sabia o que era a palavra perder.
“Você está pronto Bacchus?”
“Sim.”
“Bora lá.”
As duas mulheres tinham acabado de entrar na danceteria, depois que Kagura praticamente hipnotizou o segurança, fazendo com que as duas conseguissem entrar sem pagar. Cana não tinha ido ainda na Blue Pegasus e achou o ambiente fantástico. Estava babando quando Kagura disse: “Na Mermaid Heel é ainda melhor, só que essa é a minha predileta. Vamos explorar?”
Cana assentiu e as duas foram caminhando displicentemente entre as pilastras, caminharam no meio da pista, observaram as luzes e curtiram um pouco da música. Depois, foram ao bar mais próximo e pediram uma bebida. As duas pediram água e depois começaram a conversar.
“Cana, me diga. Por que você me ligou?”
“Pra ser bem sincera, eu liguei por pura inveja. Inveja de como você e Laxus estavam se dando bem. Quero dizer, foi muito legal ver você, ele e o meu chefe correndo como se fossem duas crianças. Ele parecia muito confortável perto de você. Quando é comigo, ele parece infinitamente incomodado, isso quando não me agarra. Quando nos vimos pela primeira vez, conversamos muito e ele me pareceu muito interessante, mas agora, parece que ele sente tanta raiva de mim, que só quer ficar me agarrando, entende? Eu não sei o que eu fiz, se foi o fato de eu já ter transado logo de cara, ele parece sentir tanta raiva e eu queria conhecê-lo mais. Mas agora, neste momento, eu quero saber de você.”
“Bom, provavelmente Laxus tem um pouco de raiva de você, porque o centro dele foi abalado, sabe? Ele tem essa coisa de ser extremamente controlado, de saber tudo o que está a volta dele, de sempre tentar se destacar sendo ele por ele mesmo e não se utilizando do sobrenome. Porque ele tem essa cisma de todos acharem que ele é o que é só por causa do avô dele. Ninguém pensa isso, ninguém, mas ele acha que no universo dele, todos o observam e o criticam por isso. Sim, as pessoas observam e sim, as pessoas criticam, mas isso faz parte do universo delas. As pessoas sempre vão falar mal, não importa o quão perfeita a pessoa seja. Então, não tem como se livrar disso. Mas Laxus não leva isso em consideração, entende? E uma coisa, você realmente mexeu com ele. Nunca o vi tão alterado, nervoso. Quando o Jellal me ligou e contou do acontecido, eu fiquei realmente assustada. O Laxus não se deixa levar por arroubos assim, pelo menos não o que eu conheço. Então, pode se dizer que estamos na mesma situação. Você quer um Laxus que você não conhece e eu também quero ver um que eu não conheço, mas por razões completamente diferentes.”
“ E isso é bom?”
“Bom, não sei, mas eu sei de uma coisa! Estou morrendo de vontade de dançar. Vamos?”
“Vamos.”
As duas foram para a pista que estava lotada e se deixaram levar pela melodia sensual e quando Cana caiu em si, as mãos de Kagura estavam percorrendo os ombros de Cana. E a sensação era fantástica.
Bacchus e Laxus entraram na Blue Pegasus, um pouco antes das 23h e perceberam uma comoção fora do comum. Laxus já estava adivinhando o que estava acontecendo e tinha acertado. Kagura e Cana estavam protagonizando a cena mais bela que ele já tinha visto em sua vida, dançavam tão harmoniosamente que nem pareciam estar ali. E os olhares que uma dispensava à outra, tão penetrantes que não tinha como não reparar. O loiro só sentiu sua boca secar.
“Deus existe, não é? Loiro? Olha ali, dois anjos dançando pra gente.” Bacchus gaguejou.
Laxus só conseguia assentir lentamente, mas ao mesmo tempo disse: “Não só pra gente, cara. Olha o tanto de gente que tem ali. Vamos chegar mais perto.”
Fato! Tinha uma multidão cercando Cana e Kagura, e elas se comportavam como se não tivesse ninguém observando. Os braços já não passavam lentamente sobre o ombro de cada uma, mas sim possessivamente. Cana agarrava Kagura com delicadeza e firmeza, como se essa mistura fosse possível e em um arroubo de atrevimento, a impulsionou para trás e beijou-lhe o pescoço. Foi impressionante sentir aquela mulher tremendo sob seus lábios e surpreendentemente, os gritos de incentivo que vinham de todos os lugares.
Quando Cana voltou a si, deu uma olhada em torno e percebeu que estavam cercadas. Aquilo a assustou de uma maneira que ela começou a tremer, mas sentiu um apertão em seu pulso e um sussurro: “Calma garota, isso só está começando.” E dessa vez foi a vez de Cana tremer.
Continuaram a dançar e quando Cana menos esperava, os lábios de Kagura tocaram seus lábios, suavemente. Aquilo alarmou a Alberona, porque ela estava simplesmente querendo que o beijo fosse mais real, era outra experiência e necessitava sentir mais daquela mulher. Não podia negar que estava atraída, então, beijou-a profundamente.
Por mais que quisesse aquele beijo, as comparações não podiam ser evitadas. Os lábios de Kagura eram infinitamente mais suaves e seu gosto mais agradável. As mãos que percorriam a cintura de Cana eram mais suaves e a cintura que a própria apertava era muito fina. Formas com as quais Alberona não estava acostumada a lidar com quem estivesse beijando. Não era desagradável, muito pelo contrário, mas também não era um convite aberto para abandonar todos os homens. Não, não....o que Cana abandonaria era a si mesma naqueles lábios suaves e Kagura se afastou.
“Kagura..eu..me...”
E Cana foi beijada novamente. As duas se beijavam e dançavam conforme a música e Cana podia jurar que ouvia Laxus sussurrando ao seu ouvido, também podia ouvir Bacchus. Sim, os dois homens mais importantes da sua vida. Aquilo sim que era fantasia. Quando se afastaram novamente, Cana ouviu uma voz rouca e sentiu um arrepio na espinha.
“Será que mais duas pessoas podem fazer parte desse jogo, senhoritas?”
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