Pride & Prejudice
3 Capítulo 3
Ele moveu os lábios, suspirando longamente.
A mão perdia-se entre os finos fios roxos, puxando-os devagar. As respirações se misturavam e Himuro não fazia ideia há quanto tempo estavam perdidos naquele beijo. Eu não consigo parar... beijá-lo é simplesmente viciante.
"A... Atsushi," ele murmurou quando os lábios se afastaram, "precisamos ir."
"Ainda não..."
A resposta foi baixa e a conversa encerrou-se quando Murasakibara apoderou-se novamente de seus lábios. O moreno riu, fechando os olhos e retribuindo à carícia. Era bom. Beijá-lo era melhor do que uma vitória em um jogo. Havia uma estranha euforia, um novo e peculiar sentimento que parecia nascer de seu estômago indo instalar-se em seu coração.
"Atsushi... nós precisamos ir."
A voz soou um pouco mais séria e sua companhia apenas suspirou, ficando em pé e oferecendo a mão, que foi aceita prontamente. Himuro bateu a poeira da calça do colégio enquanto o rapaz ao lado se espreguiçava. A paisagem havia mudado e o céu azul de verão deu lugar ao alaranjado do pôr do sol. É lindo... ele sentiu-se sorrir ao encarar o horizonte. O vento que soprava na cobertura do colégio Yousen era fraco, mas o suficiente para aliviar um pouco o calor, o pôr do sol parece ainda mais bonito.
Tudo mudou depois do incidente no vestiário, há duas semanas.
Os cinco minutos passados naquele pequeno espaço foi o divisor de águas para aquela relação e o Lançador ousaria dizer que também foi responsável por mudar sua vida. Naquele fim de tarde após o treino, porém, ele não sabia que o beijo trocado com Pivô seria não somente o primeiro, como também o último. Himuro nunca mais voltaria a beijar outra pessoa, embora, na ocasião, ainda não soubesse desse detalhe.
O beijo encerrou-se e os dois jogadores se encararam. Eu fiquei assustado; eu não tinha noção do que aconteceria. O silêncio foi o mediador daqueles instantes, até que ele se levantou e passou as mãos nos cabelos, pensando em como sair daquela situação.
“Eu gosto de você”, foi dito por uma voz rouca e baixa, mas audível. Ele virou-se, encarando um corado Murasakibara que tinha o rosto escondido entre os joelhos. Daquele ângulo aquele gigantesco garoto parecia tão pequeno quanto uma criança.
"D-De mim?" Ele não sabia o que dizer. Meses de antipatia, indiferença e insensibilidade passaram diante de seus olhos. "Não, você me detesta e deixou isso claro várias vezes."
Não houve resposta.
O moreno continuou a encará-lo, vendo as orelhas tornarem-se vermelhas e esperando alguma explicação. A realidade foi sendo revelada aos poucos, como a peça faltante de um quebra-cabeça. Como uma criança... Ele ajoelhou-se devagar, pousando uma das mãos sobre a cabeça roxa e sentindo os macios fios. Eu não acredito que estou achando um homem de mais de dois metros adorável.
"Atsushi, diga novamente."
"..."
"Por favor..."
O Pivô ergueu o rosto e naquele momento seu coração pulou uma batida. As bochechas sempre pálidas estavam absurdamente coradas e ele mordia o lábio inferior como se acabasse de ser repreendido pela mãe. Os olhos violetas — estes sempre sem vida e preguiçosos — brilhavam como duas pedras preciosas. Quem é essa pessoa...?
"Eu... Eu gosto de você, Muro-chin."
Muro-chin... eu poderia me acostumar a ser chamado assim.
A resposta foi um sorriso. Parte dele não sabia realmente como agir, completamente inexperiente naquele ramo da vida. Eu pulei etapas. Eu tive amantes mas nunca namorados. Eu tive o prazer antes do amor. Naquele momento o Lançador entendeu porque a figura de seu colega de time surgira em sua mente durante os momentos íntimos. No fundo Atsushi sempre ocupou um lugar especial em meu coração, eu só não entendia qual.
"Eu também gosto de você, Atsushi. Eu sempre gostei."
"M-Mesmo?" Os olhos violetas se arregalaram.
"Sim, sempre!" Himuro tocou as grandes mãos que estavam apoiadas nos joelhos. Os dedos se entrelaçaram automaticamente. "Mas tudo isso é novo para mim, então pedirei que seja paciente."
"Eu também!" Murasakibara apressou-se. "Eu nunca gostei de ninguém antes, e nunca havia beijado ninguém..."
"Espere..." As sobrancelhas negras se juntaram. "Você está me dizendo que eu fui seu primeiro beijo?"
"Sim."
A sensação quente em seu peito espalhou-se por seu corpo. Nenhum rapaz até aquele momento havia conseguido tocá-lo daquela maneira. A sinceridade contida em cada palavra era quase tangível e Himuro inclinou-se e depositou um gentil beijo na testa daquele que não havia deixado sua mente desde que pisara naquele colégio.
"Eu me sinto honrado por ter sido seu primeiro beijo," as bochechas tornaram-se rubras e ele sorriu, "espero que possamos ter outras primeiras vezes juntos. Eu gostaria disso."
Depois daquele mútuo entendimento, os dois colegas de time ainda passaram mais algum tempo no vestiário.
O dia seguinte marcou sua nova vida. O rapaz de cabelos roxos o esperava na estação e os dois seguiram juntos para o colégio. Os olhares cansados e preguiçosos ainda continuavam, no entanto dessa vez havia certo interesse no que ele dizia e até mesmo os colegas de time perceberam que algo estava diferente, ainda que nenhum deles dissesse nada.
E, por duas semanas, Himuro nunca se sentiu tão feliz.
x
Depois de um verão quente sempre vinham os ventos frescos do outono, e a vida não seguia regra diferente.
Por algumas semanas ele viveu uma espécie de lua de mel emocional. Estar com Murasakibara tornou-se parte de seu dia a dia, e aos poucos os dois passaram a se conhecer melhor. O Lançador não sabia, por exemplo, que ele não era somente fã de doces, mas também um excelente confeiteiro; e que, apesar da aparência, era mais inteligente que a maioria, apesar de não se esforçar em demonstrar isso e suas notas serem medianas.
O convívio os aproximou mais, até o dia em que Himuro percebeu que tê-lo ao lado havia se tornado extremamente natural. Os dois passaram a ir e voltar juntos do colégio; os almoços eram feitos na cobertura, encostados próximos à grade e conversando sobre bobagens e comidas. Contudo, como era natural entre dois garotos de 16 e 17 anos, não demorou a que os beijos longos e as conversas se tornassem insuficientes.
Uma parte nele desejava-o a ponto de receber visitas diárias e imaginárias durante, bem, seus momentos pessoais. Ainda não. É muito cedo para darmos esse passo.
O moreno surpreendeu-se ao pegar-se pensando em respeitar o ex-jogador da Geração dos Milagres. Sua sexualidade sempre foi aflorada e ele dificilmente perdia a chance de aproveitar algumas horas de prazer com algum parceiro. É diferente com Atsushi. Ele é diferente. A ideia de preservar aquela relação o máximo possível vinha do fato de que, até aquele momento, não houve uma real conversa sobre eles. O dia seguinte ao ocorrido no vestiário foi apenas uma sequência ao anterior e nenhum deles entrou em detalhes, aceitando aquela nova vida como se fosse natural.
Ele sabia bem que um dia seria inevitável sentar e conversar e temia que talvez Murasakibara mudasse de ideia. Eu me tornei confortável em tê-lo comigo... não, não é isso. A verdade é que não quero deixar de sentir o que sinto, e temo que ninguém mais me fará sentir como Atsushi. As emoções cruas, o frio na barriga antes de encontrá-lo na estação, os arrepios quando nos beijamos... eu não quero perder esses momentos.
O dia em que o Lançador decidiu ter a conversa foi no começo daquela nova semana.
Não haveria aulas no sábado e o time foi dispensado do treino, então ele sugeriu que estudassem para os testes que se aproximavam. Claro, a revisão era somente uma desculpa para levá-lo até seu apartamento. O ponto principal seria o rumo daquela relação.
Ele não entendia como relacionamentos funcionavam, por não ter experiência em nada que durasse mais de uma noite. Entretanto, seria uma inverdade afirmar que o que possuíam não era real. Tudo aconteceu estranhamente espontâneo. O beijo e o depois... é como se desde o começo isso estivesse fadado a acontecer. Eu quero saber o que Atsushi pensa e o que faremos daqui em diante.
Aparentemente, aquela conversa também seria inevitável e, quando a sexta-feira chegou, Himuro tentou não aparentar nervosismo durante o caminho do colégio ao apartamento. Sua companhia abaixou-se ao passar pela porta, costume esse que havia sido adquirido após sua segunda visita. A entrada era um pouco mais baixa e, para alguém com mais de dois metros de altura, era muito fácil ganhar um belo galo no meio da testa.
O anfitrião entrou primeiro, tirando os sapatos e o convidando a fazer o mesmo. As luzes foram acessas conforme ele passava, terminando no quarto onde as janelas foram abertas. O fraco sol ao longe pintava o céu de um opaco alaranjado.
"Você pode deixar seus doces sobre a cômoda," ele não precisou virar-se para saber que fora seguido, "quer tomar banho primeiro?"
"Eu posso esperar." Murasakibara sentou-se sobre a cama. "Você pode ir, Muro-chin."
Ele aceitou de bom grado, pegando uma troca de roupas limpas e seguindo para o banheiro localizado no meio do corredor entre a sala e o quarto. Eu estou nervoso, surpreendentemente nervoso. Não era a primeira vez que o rapaz de cabelos roxos o visitava, todavia, passar a noite inteira seria uma atitude inédita. Normalmente eu estaria ansioso por isso, porque saberia que teria uma noite interessante. Porém...
A decisão de manter aquele relacionamento o menos físico possível começava a ter seus efeitos colaterais. Eu o quero, mas ao mesmo tempo sei que será um erro. Atsushi se transformará em mais um cuja estadia em minha vida foi vaga e passageira.
O banho foi rápido e, apesar de ter limpado seu corpo, não foi suficiente para afastar certas dúvidas que se tornaram piores quando, ao retornar para o quarto, o único olho azul fitou o exato momento em que Murasakibara retirava seu suéter. A camisa do colégio ficou presa à peça e abdômen e peitoral ficaram expostos, fazendo com que ele corasse como uma garota inexperiente que tinha pela primeira vez um garoto em seu quarto.
"É a sua vez," a voz soou nervosa e ele optou por dar as costas, procurando uma toalha limpa em uma das gavetas da cômoda, "tem certeza de que não quer uma troca de roupas? O conjunto esportivo que você trouxe é fresco demais e talvez você sinta frio durante a noite."
"Eu ficarei bem," o Pivô retirou o conjunto vermelho de dentro da bolsa, "e suas roupas não me serviriam de qualquer forma, Muro-chin. Você é pequeno."
"É mesmo..." Pequeno? Himuro sorriu enquanto oferecia a toalha. É a primeira vez que escuto isso.
Com a ida de Murasakibara ao banho, o moreno viu-se com a chance de colocar a mente em outro assunto. O jantar seria curry, e isso porque ele havia cozinhado demais na noite anterior. O arroz foi colocado na máquina e tudo o que restava fazer era arrumar a sala para a refeição e eventualmente os estudos. O futon foi arrastado para fora do guarda-roupa e aquela foi definitivamente a parte mais difícil. Nós dormiremos lado a lado. Eu estarei na cama, mas continuaremos próximos.
Suas emoções acalmaram-se com o tempo.
O ex-jogador da Geração dos Milagres deixou o banheiro e os dois seguiram até a sala. O curry foi elogiado e o assunto do jantar foram alguns treinos, os testes e uma nova confeitaria que seria inaugurada na próxima semana. Murasakibara adiantou-se ao convidá-lo a ir, oferecendo-se para pagar e parecendo uma criança ao relatar os diversos bolos que degustaria no local.
Ele ouvia a tudo com um sorriso, um pouco incrédulo por sentir-se tão feliz por algo tão insignificante. Os momentos ao lado daquela pessoa sempre tinham um lugar especial em seu coração, por mais banais e cotidianos que fossem. Ouvi-lo falar de seus doces favoritos fazia seu coração bater mais rápido, desejando poder comprar todas as guloseimas do mundo somente para fazê-lo feliz.
Os pratos e copos foram levados para a cozinha e a segunda parte da noite também começou na mesinha de centro. A conversa seria realizada no quarto e antes de dormirem, então era preciso atravessar uma etapa de cada vez. Nós realmente temos testes em algumas semanas e nenhum dos jogadores pode se dar ao luxo de ir mal. Eles não precisavam de aulas extras, mas boa parte do tempo livre era gasto com treinos. Por isso, quando surgia a oportunidade de serem meros estudantes do ensino médio, era preciso aproveitar com sabedoria.
Por quase duas horas não houve outro assunto na pequenina sala do apartamento além de Matemática, Física, Japonês e História Ocidental. Mais da metade da matéria do último semestre foi revisada e pontos que haviam ficado obscuros ou mal explicados ganharam vida através de explicações objetivas e sucintas. Murasakibara tornava-se sério quando chegava sua vez de tomar a voz, deixando os olhos preguiçosos de lado e fazendo-se entender com extrema facilidade. Parece outra pessoa... eu gosto desse lado de Atsushi. Vez ou outra ele ajeitava seus óculos de leitura, retirando-os, ao final, e espreguiçando-se longamente ao perceber que já passava das 22h.
"Terminamos, hm?" O moreno pousou os óculos sobre a mesinha e recostou-se ao sofá, apoiando a cabeça em um dos assentos enquanto fitava o teto.
"Finalmente..."
Uma grande sombra engoliu sua luz e um belo rosto surgiu em seu campo de visão. Os olhos azuis se fecharam devagar e o beijo não o surpreendeu. Durante os estudos o rapaz de cabelos roxos havia devorado uma taça de sorvete, e o gosto doce do chocolate dava à carícia um toque especial. A mão desceu furtivamente por seu peitoral, tocando os mamilos propositalmente por cima da camisa branca. Atsushi pensa que sou uma garota? Não adianta insistir, eu não criarei seios de uma hora para outra. A mão encontrou fácil acesso por dentro da peça de roupa e o toque tornou-se sério.
"Eu não sou uma garota..." Himuro riu ao arrepiar-se com o modo como os dedos brincavam com seu mamilo direito.
"Eu sei," Murasakibara coçou a nuca e ficou em pé. “Eu nunca achei que fosse.”
A certeza de que aquela noite seria divisora de águas levou um gosto amargo à boca do Lançador, que desejou que o beijo não houvesse acabado. Os cadernos e livros foram arrumados sobre a mesinha e não restava mais nada a fazer além de dormir. Ele perguntou se sua companhia não gostaria de ver alguma coisa na tv ou acessar a internet, porém o Pivô rejeitou todas as opções, afirmando que gostaria de ir para cama.
Os dois dividiram a pia para escovar os dentes e ele não se surpreendeu ao ver que a escova de dente de Murasakibara era pintada como uma vaca malhada e sua pasta era infantil e sabor morangos. Ele é encantador. Eu nunca conheci alguém tão interessante e adorável como Atsushi. Uma vida inteira não seria o bastante para conhecê-lo totalmente.
O futon foi arrumado ao lado da cama e aqueles segundos foram suficientes para deixar seus nervos à flor da pele. O rapaz de cabelos roxos deitou-se em sua cama provisória, coçando a nuca e bocejando, no entanto, deixando um espaço vago ao lado.
"Eu vou dormir na cama, Atsushi, obrigado." Himuro fingiu inocência. "Você pode ficar confortável no futon."
"Eu estou confortável," ele bateu com a mão sobre o lençol, "seria um desperdício dormimos separados, Muro-chin."
"Não, obrigado, eu ficarei com a cama" era a única resposta viável para aquela situação e ele sabia disso melhor do que ninguém. O moreno sempre foi o responsável, o irmão mais velho, a voz da experiência e razão... Contudo, após fechar a janela, seus joelhos se flexionaram e seu corpo deitou-se naquele perigoso espaço.
A conversa parecia cada vez menos possível e, por mais que sua mente gritasse que aquela escolha havia sido um erro, era difícil fazer com que seu corpo obedecesse. Há mais de seis meses sem receber o toque de outro ser humano, tudo o que ele queria naquela noite era poder sentir Murasakibara. No fundo, ele desejava transformar suas fantasias em realidade, mesmo que, talvez, o custo fosse alto demais.
O Pivô arrastou-se até ele, como um predador que sabia o poder que exercia sobre a presa. Himuro teve tempo apenas de se virar para o lado, esperando que aquilo fosse suficiente para frear os hormônios. A tentativa mostrou-se inocente, pois o rapaz de cabelos roxos simplesmente fez o mesmo, virando-se e deixando que ficassem frente a frente.
A grande mão direita tocou sua cintura, puxando-a e juntando os corpos. As respirações se misturavam e cada segundo naquela posição, e com aquela proximidade, fazia a ideia de castidade, respeito e tolerância tornar-se apenas uma teoria.
O moreno iniciou o beijo e soube naquele exato momento que aquela noite seria um erro, independente do que acontecesse entre eles. A carícia foi retribuída prontamente por um faminto Murasakibara, que não poupou esforços em fazer-se entender. A mão subiu pelas costas, tocando e apertando a pele. Os corpos se esfregavam e não foi preciso muito para que os hormônios falassem mais alto e as ereções fossem sentidas por baixo de várias camadas de roupas.
O Lançador deixou que sua mão descesse pelo largo peitoral, sentindo os músculos e o calor da pele. Entretanto, ao chegar à altura da calça, seus olhos se abriram e ele parou. Era ali. Qualquer movimento em falso e aquela relação terminaria como as anteriores: sem despedidas e fadadas a caírem no esquecimento.
A língua do ex-jogador da Geração dos Milagres subiu por seu queixo e o beijo recomeçou onde o primeiro havia parado. Sua indecisão caiu por terra e seus dedos entraram pela calça que fazia parte do conjunto esportivo vermelho. A ereção deslizou por seus dedos, úmida devido ao pré-orgasmo e arrepiando-o. Atsushi é maior do que eu imaginava... Ele já havia sentido o membro quando os beijos se tornavam mais eufóricos, mas tocá-lo diretamente era diferente. O calor da pele e sua extensão jamais poderiam ser sentidos sem um toque direto.
"Vamos parar um pouco. Nós precisamos conversar sobre isso...”, ocorreu uma única vez, porém, tal pensamento foi afastado quase de imediato. Himuro sempre foi fraco para relações físicas e Murasakibara era literalmente a personificação de seus desejos e fantasias mais íntimas. Terminaria mal, ele sabia. Ele também sabia que a culpa cairia em suas costas e o fardo teria de ser carregado com um sorriso no rosto. Entretanto, o que poderia ser feito? Como lutar quando o inimigo é si mesmo?
A mão do rapaz de cabelos roxos não perdeu tempo em tornar aquele momento recíproco. O moreno sentiu os dedos envolverem seu membro, e seu baixo ventre inclinou-se à frente para que as ereções se encontrassem. O beijo precisou ser interrompido, uma vez que era difícil manter a concentração em qualquer outra coisa que não fosse o modo como as mãos se misturavam enquanto masturbavam os dois sexos. A voz de Atsushi... Ele arrepiou-se ao ouvir o tom rouco em seu ouvido. A respiração estava descompassada e saber que era o responsável por tal reação o fazia sentir-se incrivelmente desejado.
O clímax do Pivô aconteceu primeiro, mas foi logo seguido pelo seu. A sensação de satisfação que invadiu seu corpo só poderia ser comparada àquelas de longas e passionais noites, que chegavam a tirar-lhe os sentidos. No entanto, apenas tocá-lo havia sido suficiente para deixá-lo completamente excitado. Se eu não me policiar as coisas sairão do controle. O inevitável beijo aconteceu após alguns segundos necessários para moderar as respirações e ele decidiu que aquele seria o fim da linha. Prosseguir a partir daquele ponto seria simplesmente impensável.
"Nós não iremos fazer mais do que isso, Atsushi." A voz soou baixa e rouca. Era preciso deixar claro sua decisão para evitar dúvidas ou mal entendidos.
"Eu sei..." Murasakibara limpava ambos os abdomens com os lenços que havia encontrado na beirada da cama. "Mas foi muito bom, Muro-chin. Eu nunca havia feito isso antes."
Aquela confissão fez seu coração tornar-se apertado, já que ele não poderia dizer o mesmo. Sua vida sexual começou aos 13 anos e nesses últimos anos seu corpo havia conhecido amantes de diversas idades, portes físicos e personalidades. Atsushi não sabe disso. Ele não sabe de nada, por isso precisamos ter uma conversa séria antes de começarmos essa caminhada. Ele tem o direito de saber a verdade.
"Sim, foi."
A única resposta viável a ser dada foi seguida por um meio sorriso e um novo beijo. Os corpos voltaram a se encontrar, todavia, dessa vez ambos sabiam que a noite acabaria assim que a carícia fosse encerrada. Himuro tentava afastar o pessimismo que cantava aos seus ouvidos e lembrava-o de que, talvez, quando Murasakibara soubesse a verdade, aquela noite não passaria de uma mera lembrança.
Continua...
Fale com o autor