Pretty Little Liars

3 Capitulo 3 - UMA ESTRELA CAÍDA


Na segunda-feira de manhã, em vez de estar sentada na carteira da primeira aula, que era biologia, Patricia estava ao lado dos pais, nos bancos da Abadia de Rosewood, com seu teto alto e chão de mármore, ela puxava, desconfortável, a saia Gap preta, pregueada e muito curta, que tinha encontrado no fundo do armário, e tentava sorrir, a sra. Gomes ficou na porta, usando um vestido preto de gola alta, saltos e minúsculas pérolas de água-doce, ela caminhou aé Patricia e a afundou num abraço.

– Patricia! — disse a sra. Gomes e chorou.

– Eu sinto muito — Patricia sussurrou de volta, com os próprios olhos lacrimejando. A sra. Gomes ainda usava o mesmo perfume Coco Chanel. Ele, instantaneamente, trouxe de volta todo tipo de lembrança: um milhão de idas e voltas ao shopping no Infiniti da sra. Gomes, entrar escondida no banheiro para roubar comprimidos de dieta TrimSpa e experimentar sua cara maquiagem La Prairie, entrar no seu enorme closet e experimentar todos os seus vestidos de festa, tamanho 36, da Dior.

Outros garotos de Rosewood pululavam à volta delas, tentando encontrar lugares nos assentos de madeira de encosto alto da igreja. Patricia não sabia o que esperar da cerimônia em memória de Marian, a abadia cheirava a incenso e madeira, lâmpadas simples em forma de cilindros pendiam do teto; e o altar estava coberto com um bilhão de tulipas brancas. Tulipas eram as flores favoritas de Marian, Patricia se lembrou. Marian ajudava a mãe a plantar fileiras delas no jardim de sua casa todos os anos.

A mãe de Marian finalmente recuou e secou os olhos.

– Eu quero que você se sente na frente, junto com todas as amigas de Marian. Está bem? — perguntou a sra Gomes.

A mãe de Patricia concordou com a cabeça.

– Claro. — Patricia ouviu cada dique dos saltos da sra. Gomes, e o arrastar de seus próprios sapatos volumosos, enquanto elas andavam pelo corredor, de repente, ocorreu a Patricia, a razão pela qual ela estava ali, Marian estava morta, Patricia agarrou o braço da sra. Gomes.

– Ah, meu Deus. — Seu campo de visão estreitou-se, e ela ouviu um uaaaah em seus ouvidos, o sinal de que estava prestes a desmaiar.

A sra. Gomes a segurou.

– Está bem. Venha. Sente-se aqui. — diz a sra. Gomes.

Às tontas, Milena deslizou pelo banco.

– Ponha a cabeça entre suas pernas — ela ouviu uma voz familiar dizer.

Então, outra voz familiar bufou.

– Diga isso mais alto, assim todos os garotos vão poder ouvir.

Patricia olhou para cima. Ao lado dela estavam Beatriz e Viviane. Bia usava um vestido listrado azul, púrpura e fúcsia, com decote canoa, uma jaqueta de veludo azul-marinho, e botas de caubói, era tão Bia — ela era do tipo que pensava que usar cores vivas em funerais celebrava a vida, Vivi, por outro lado, usava um minivestido com decote em V e meias pretas.

– Queridas, você pode chegar um pouquinho para lá? — perguntou a sra. Gomes, que estava com Milena, que usava um conjunto cor de carvão e sapatilhas tipo bailarina.

– Oi, garotas — disse Milena a todas elas.

– Então, nós nos encontramos novamente — sorriu Bia.

Silêncio. Patricia espreitava todas elas com o canto do olho. Bia estava remexendo em um anel de prata no polegar, Vivi fuçava dentro da bolsa e Milena estava sentada muito ereta, encarando o altar.

– Pobre Marian — murmurou Milena.

As garotas ficaram paradas e quietas por alguns minutos. Patricia vasculhava seu cérebro procurando algo para dizer. De repente, o telefone celular de Bia zumbiu. Ela o procurou em sua bolsa e olhou a tela.

– O quê? — Bia olhou para cima, percebendo que todas a estavam encarando.

Viviane brincou com o pingente de sua pulseira.

–Você, hum, acabou de receber uma mensagem de texto? — perguntou Milena

– Sim, e daí? — pergunta Beatriz

– Quem era? — perguntou Viviane.

– Era minha mãe — respondeu Bia, lentamente. — Por quê?

Uma música instrumental baixa começou a cadenciar através da igreja. Atrás delas, mais jovens entravam na nave em silêncio.

– Deixa pra lá — disse Viviane. — Estamos sendo intrometidas.

– Espera, sério. Por quê? — pergunta Beatriz

Vivi engoliu em seco, nervosa.

– Eu... eu só pensei que talvez coisas estranhas também estivessem acontecendo com você — diz Viviane.

A boca de Bia se abriu.

– Estranho não define bem o que vem acontecendo — diz Beatriz.

– Espere. Vocês também? — sussurrou Milena.

Viviane concordou com um gesto de cabeça.

– Mensagens de celular? — pergunta Viviane

– E-mails — acrescentou Milena.

– Sobre... coisas do sétimo ano? — sussurrou Bia.

– Gente, vocês estão falando que... sério? — guinchou Patricia.

As amigas se encararam. Mas antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, o som sombrio do órgão encheu a igreja, e o irmão de Marian e os outros parentes saíram em fila da igreja. Milena, meio tontinha depois de uns goles de uísque, notou que suas três velhas amigas haviam se levantado dos bancos que ocupavam e deu-se conta de que deveria fazer o mesmo.

Todo mundo do colégio Rosewood Day se dirigiu para os fundos da igreja, dois garotos da equipe de lacrosse aos geeks obcecados com jogos de computador a quem, com certeza, Marian deveria ter provocado no sétimo ano. O velho sr. Jason — que era encarregado pelos programas de caridade da Rosewood Day — ficou num canto conversando baixinho com o sr. Antonio, professor de artes. Até mesmo os velhos amigos da equipe júnior de hóquei tinham vindo de suas respectivas faculdades e estavam aconchegados, chorando juntos, perto da porta, Milena observou todos aqueles rostos familiares, lembrando-se de todas as pessoas que ela um dia conhecera, mas que não reconhecia mais. E depois, ela viu um cão, um cão-guia.

Ah, meu Deus.

Milena puxou o braço de Beatriz.

– Olha ali, na saída — sussurrou Milena.

Bia deu uma olhada.

– Será que é... — ia dizendo Beatriz.

– Cristina — sussurrou Viviane.

– E o Binho — acrescentou Milena.

Patricia empalideceu.

– O que é que eles estão fazendo aqui? — pergunta Patricia.

Milena estava passada demais para responder, eles pareciam os mesmos, embora totalmente diferentes.

Binho, o irmão de Cristina, flagrou Milena os encarando, um olhar amargo, de nojo, tomou seu rosto. Milena desviou os olhos rapidamente.

– Não posso acreditar que ele tenha vindo — sussurrou ela, baixo demais para que as outras ouvissem.

Quando as meninas chegaram à pesada porta de madeira que levava aos degraus de pedra meios soltos, Binho e Cristina já tinham ido embora, Milena ergueu os olhos para ver o céu azul, perfeito, que brilhava à luz do sol. Era um daqueles dias do começo do outono, sem umidade, nos quais se morre de vontade de matar aula, deitar na grama e não pensar nas responsabilidades. Por que era sempre em dias como aquele que alguma coisa horrível acontecia?

Alguém tocou em seu ombro e Milena deu um pulo. Era um policial louro e forte. Ele fez sinal para que Viviane, Beatriz e Patricia o acompanhassem.

–Você é a Milena Grigio? — perguntou ele.

Ela concordou com a cabeça, em silêncio.

O policial juntou suas duas mãos enormes e disse:

– Sinto muito por sua perda. Você era muito amiga da senhorita Gomes, não era? — perguntou ele.

– Obrigada, sim, eu era. — diz Milena.

– Eu preciso falar com você — o policial enfiou as mãos nos bolsos. — Este é meu cartão, como vocês eram amigas, você deve poder nos ajudar, tudo bem se eu precisar de você por alguns dias?

– Hum, claro — balbuciou Milena. — Tudo que eu puder fazer.

Feito um zumbi, ela foi para junto de suas velhas amigas, que estavam todas juntas, debaixo de um chorão.

– O que ele queria? — perguntou Bia.

– Eles querem falar comigo também — informou Patricia, depressa. — Não é nada de mais, né?

– Tenho certeza de que é a mesma lenga-lenga de sempre. — disse Viviane.

– Ele não pode estar imaginando que... — começou Bia, ela olhou aflita para a porta de entrada da igreja, onde Binho, Cristina e o cão dela haviam estado.

– Não — retrucou Patricia, rapidamente. — Nós não poderíamos ter problemas por causa disso, poderíamos?

Elas se entreolharam, preocupadas.

– Claro que não — respondeu Viviane, por fim.

Viviane olhou em volta, para todos que conversavam baixinho pelo gramado. Sentiu-se enjoada depois de ver Binho, e não via Cristina desde o acidente, mas era coincidência que o policial tivesse falado com elas logo depois que ela os vira, certo?


" — Eu vou contar para todo mundo A Coisa que aconteceu com Cristina. Você é tão culpada quanto eu.

– Mas ninguém me viu."

Não havia nenhuma prova. Fim de papo. A não ser que...

– Esta foi a pior semana da minha vida — confessou Bia de repente.

– Da minha também — concordou Viviane.

– Acho que podemos olhar isso tudo pelo lado bom — disse Patricia, sua voz aguda, tensa. — Não dá para ficar pior que isso.

Quando seguiam o cortejo para fora do estacionamento de cascalhos, Milena parou, suas velhas amigas pararam também. Milena queria dizer algo a elas — e não era sobre Marian, M, Binho ou a Cristina ou a polícia, em vez disso, mais que tudo, queria dizer que sentira falta delas todos aqueles anos.

Mas, antes que pudesse dizer alguma coisa, o telefone de Bia tocou.

– Peraí — murmurou Bia, procurando o telefone na bolsa. — Deve ser a minha mãe de novo.

Depois disso, o celular de Milena vibrou. E tocou. E apitou. Não apenas o telefone dela, mas os das amigas também, os sons altos e repentinos pareceram mais estridentes ainda por causa do cortejo sombrio do funeral, os outros acompanhantes olharam irritados para elas.

Bia pegou seu celular para silenciá-lo; Patricia lutava com seu Nokia. Milena tirou seu telefone com violência do bolsinho de sua bolsa, Viviane leu a tela do seu.

–Tenho uma nova mensagem — diz Viviane.

– Eu também — sussurrou Bia.

– Aqui também — acrescentou Patricia, Milena viu que ela também tinha uma mensagem, todas apertaram LER. Um momento de silêncio perplexo se passou.

– Ah, meu Deus — sussurrou Bia.

– É de... — guinchou Viviane.

– Vocês acham que ela quer dizer que... — murmurou Bia.

Milena engoliu em seco, em duplas, as meninas leram os recados umas das outras, todos diziam exatamente a mesma coisa:


"Eu ainda estou aqui, suas vacas, e eu sei de tudo.

– M."