Pretty Little Liars
4 Capitulo 4 - COMO TUDO REALMENTE COMEÇOU
Notas iniciais
2013 / 2014
Você conhece aquele garoto que mora a algumas casas descendo a rua e que é simplesmente a pessoa mais esquisita do mundo? Quando você está na varanda da frente da sua casa, quase dando um beijo de boa-noite em seu namorado, você pode vê-lo do outro lado da rua, parado ali, olhando tudo, que, de vez em quando, aparece do nada quando você está no meio da sua sessão de fofocas com suas melhores amigas — só que talvez não seja tão de vez em quando assim. Ele é o gato preto que parece conhecer seus caminhos. Se ele passa em frente à sua casa, você pensa: Vou me dar mal na prova de biologia. Se ele olha para você de um jeito engraçado, é melhor você se cuidar.
Toda cidade tem um garoto-gato-preto. Em Rosewood, o nome dele era Rubens, ou melhor Binho Vieira.
– Acho que ela precisa de mais blush. — diz Viviane se afastou e deu uma boa olhada em uma de suas melhores amigas, Patricia.
– Tenho corretivo da Clinique. — diz Marian, e saiu correndo para pegar sua necessaire de maquiagem, de veludo azul.
Patricia se olhou no espelho apoiado na mesinha de centro da sala de visitas da casa de Marian. Virou o rosto para um lado, depois para o outro e fez beicinho com seus lábios.
– Minha mãe me mata se me vir com tudo isso na cara — diz Patricia.
–Tudo bem, mas a gente mata você se tirar — advertiu Beatriz, que estava, por motivos que só ela conhecia, se exibindo pelo quarto, metida num sutiã angorá, que tricotara recentemente.
– É, Pata, você está linda — concordou Viviane. Vivi sentou de pernas cruzadas no chão, se virando para verificar se não estava pagando cofrinho em seu jeans Blue Cult, pequeno demais e de cintura baixa.
Era uma noite de sexta-feira de abril e Marian, Bia, Pata, Mili e Vivi estavam fazendo o que sempre faziam quando dormiam umas nas casas das outras, no sexto ano: maquiando-se exageradamente, se entupindo de batata frita sabor vinagre e sal e assistindo a Cribs na MTV, na televisão de tela plana de Marian. Naquela noite, o quarto estava ainda mais bagunçado, porque as roupas de todas estavam espalhadas pelo chão, já que elas haviam decidido trocar as roupas entre si pelo resto do ano escolar.
Milena ergueu um cardigã amarelo-limão de cashmere na frente do corpo.
– Pega para você — disse Marian. -Vai ficar legal.
Viviane colocou uma calça de veludo cotelê verde-oliva de Marian em volta de seus quadris, virou-se para Marian e fez uma pose.
– O que você acha? Será que o Cory Monteith ia gostar?
Marian gemeu e bateu em Viviane com uma almofada. Desde que elas haviam ficado amigas, em setembro, tudo sobre o que Viviane conseguia falar era do quanto ela amaaaaaava Cory Monteith, e Julio o menino da sala delas no colégio Rosewood Day, onde estudavam desde o jardim de infância. No quinto ano, Sean era apenas mais um menino baixinho e sardento, mas, durante o verão, ele crescera alguns bons centímetros e perdera sua gordura de bebê. Agora, todas as garotas queriam beijá-lo.
Era incrível quanta coisa podia mudar em um ano.
As garotas — todas, menos Marian — sabiam disso muito bem. Milena era a garota certinha, que se sentava nas carteiras da frente da classe e erguia a mão para responder a todas as perguntas. Beatriz era a maluquinha que inventava coreografias em vez de jogar futebol como o restante da turma. Patricia era a nadadora tímida e bem classificada no ranking estadual, que tinha toda uma vida escondida sob a superfície — se você conseguisse chegar a conhecê-la. E Viviane podia até ser boba e espalhafatosa, mas estudava a Vogue e a Teen Vogue e, de vez em quando, dava alguns conselhos sobre moda, vindo sabe Deus de onde, mas que ninguém mais sabia.
Havia algo de especial em cada uma delas, claro, só que elas viviam em Rosewood, Pensilvânia, um subúrbio a mais de trinta quilômetros da Filadélfia, e tudo era especial em Rosewood. O cheiro das flores era mais doce, a água tinha um gosto melhor, as casas eram maiores. As pessoas costumavam brincar dizendo que os esquilos de lá passavam a noite limpando tudo por ali e capinando os dentes-de-leão que nasciam por entre as pedras do calçamento para que Rosewood parecesse perfeita para os moradores. Num lugar onde tudo parecia tão impecável, era difícil manter-se à altura.
Mas, de alguma forma, Marian conseguia. Com seu cabelo longo, seu rosto em formato de coração e seus olhos, ela era a garota mais linda da região. Depois que Marian as uniu e as fez ficarem amigas — algumas vezes parecia que ela as havia descoberto -, as garotas tinham mesmo algo a mais em suas vidas. De repente, elas tinham passe livre para fazer todas as coisas que jamais ousaram antes. Como vestir saias curtas no banheiro das meninas de Rosewood Day depois que desciam do ônibus escolar. Ou mandar bilhetinhos com marca de batom para os meninos da sala. Ou andar pelo corredor de Rosewood Day lado a lado, intimidadoras, ignorando os perdedores.
Marian pegou um batom bem vermelho e passou em seus lábios.
– Quem sou eu? — perguntou Marian.
As outras riram. Marian estava imitando Imogen Smith, uma garota da sala delas que gostava um pouco demais de seu batom Nars.
– Não, espera aí. — diz Milena e apertou as bochechas dela e passou uma almofada para Marian.
– Legal.- diz Marian e colocou a almofada embaixo da camiseta polo, pink, e todas riram ainda mais. Corria o boato de que Imogen tinha ido até o final com Jeffrey Klein, um menino do décimo ano, e que ela estava grávida dele.
–Vocês são malvadas. — diz Patricia.
– O que foi? -perguntou Marian, que ficou de braços dados com Patricia. -Imogen está muito gorda. Ela deveria desejar estar grávida.
As garotas riram de novo, mas um pouco sem jeito. Marian tinha talento para encontrar a fraqueza de uma menina, e, mesmo que ela estivesse certa sobre Imogen, as meninas de vez em quando se perguntavam se Marian não falaria mal delas quando não estivessem por perto. Às vezes, era difícil ter certeza.
Elas recomeçaram a vasculhar as roupas umas das outras. Bia amou de paixão um vestido Fred Perry, ultraelaborado, de Milena. Patricia estendeu a minissaia jeans sobre seu corpo e perguntou às outras se não era curta demais. Marian estava passando pela janela para ir ligar o som, ela congelou.
– Ah, meu Deus! — gritou ela, correndo para trás do sofá cor de amora.
As meninas deram meia-volta. Rubens Vieira estava na janela. Ele estava... bem parado ali. Olhando para elas.
– Ei, ei, ei! -disse Bia, e cobriu o peito. Ela havia tirado o vestido de Milena e estava usando apenas o sutiã tricotado. Viviane, que estava vestida, correu para a janela.
– Afaste-se de nós, pervertido! — gritou ela. Rubens deu um sorriso malicioso antes de se virar e sair correndo.
A maioria das pessoas mudava de calçada quando via Rubens. Ele tem a mesma idade que as meninas, e sempre vagava sozinho pela vizinhança, parecendo espionar a todos, elas haviam ouvido rumores sobre ele: que fora pego beijando seu cachorro na boca; que era um nadador tão bom porque tinha guelras em vez de pulmões; que dormia em um caixão dentro de sua casa na árvore, no quintal dos fundos.
Só havia uma pessoa com quem Rubens falava: sua meia-irmã, Cristina, que estava no mesmo ano que elas, Cristina também era uma idiota sem salvação, apesar de muito menos assustadora — ela, pelo menos, era capaz de formular frases completas, e até tinha uma certa beleza, de um jeito monótono, com seu cabelo escuro e espesso, olhos escuros, pequenos e intensos, e lábios vermelhos.
– Eu sinto como se tivesse sido violada. — diz Bia, que torceu seu corpo naturalmente magro como se ele estivesse coberto de bactérias E. coli. Ela havia acabado de aprender sobre isso nas aulas de biologia. — Como ele ousa nos assustar?
O rosto de Marian ficou vermelho de ódio.
– Temos que nos vingar. — diz Marian
– Como? — perguntou Marian e arregalou seus olhos castanho-claros.
Marian pensou por um minuto.
– Deveríamos fazer com que ele experimentasse um pouco de seu próprio veneno — diz Marian
A coisa a fazer, ela explicou, era assustar Rubens. Quando ele não estava perambulando pela vizinhança espionando as pessoas, era quase certo que estaria em sua casa na árvore. Ele passava quase o tempo todo enfiado ali, jogando Game Boy ou, quem sabe, construindo um robô gigante para atacar o Rosewood Day. Mas, como a casa da árvore ficava, é óbvio, em cima de uma árvore — e como Binho sempre recolhia a escada de corda para que ninguém pudesse segui-lo — elas não tinham como simplesmente aparecer por lá e gritar "Bu!".
– Então precisamos de fogos de artifício. Por sorte, sabemos exatamente onde encontrar. — Diz Marian e sorri.
Binho era obcecado por fogos de artifício; ele mantinha um monte deles escondidos no pé da árvore e vivia acendendo rojões através da claraboia de sua casinha de madeira.
– Nós entramos lá sorrateiramente, roubamos um e o acendemos na janela dele — explicou Marian.
–Tudo bem — concordou Bia — mas e se alguma coisa der errado?
Marian suspirou, fazendo drama.
– Ah, gente, vamos lá. — diz Marian
Estavam todas quietas. Então, Viviane limpou a garganta.
– Por mim parece bom. — diz Viviane.
– Tudo bem — cedeu Milena, Patricia e Beatriz deram de ombros, concordando.
Marian bateu palmas e indicou o sofá perto da janela.
– Eu vou fazer isso. Vocês podem assistir dali.
As meninas se arrastaram até a janela perto da sacada e assistiram a Marian dando uma corridinha pela rua. A casa de Rubens era em diagonal com a dos Gomes, e construída no mesmo estilo vitoriano impressionante, mas nenhuma das duas era tão grande quanto a casa de fazenda da família de Milena, que ladeava o quintal da residência de Marian. A propriedade dos Grigio incluía seu próprio moinho, oito quartos, garagem para cinco carros, separada da casa, piscina com deque e um celeiro reformado à parte.
Marian correu para o quintal lateral dos Vieiras e foi na direção da casa da árvore de Rubens. Ela ficava parcialmente escondida por causa dos olmos e pinheiros altos, mas a rua fornecia iluminação suficiente para que elas tivessem uma vaga ideia do que estava acontecendo. Um minuto depois, elas tinham certeza de ter visto Marian segurando um rojão em formato de cone nas mãos a mais ou menos sete metros, distância suficiente para que ela tivesse uma visão clara através da janela azul tremulante da casa da árvore.
–Você acha que ela vai mesmo fazer isso? — sussurrou Patricia. Um carro em alta velocidade passou pela casa de Rubens, iluminando-a.
– Não. — diz Milena que se mexia, nervosa, em seus brincos de diamantes. — Ela está blefando.
Marian colocou a ponta de sua trança negra na boca.
– Está mesmo.
– Como é que a gente vai saber se Rubens está mesmo lá dentro? — perguntou Viviane.
Um silêncio angustiado se instalou. As meninas haviam participado de todas as peças que Marian pregara, mas haviam sido brincadeiras inocentes — se enfiar na banheira de hidromassagem de água salgada no spa Fermata, pingar tinta preta no shampoo da irmã de Milena ou mandar falsas cartas de amor do diretor Appleton para a boba da Mona Vanderwaal, que estava no mesmo ano que elas. Mas algo sobre essa brincadeira específica as deixava um pouco... desconfortáveis.
BOOM!!
Patricia e Beatriz deram um pulo para trás. Milena e Viviane grudaram os rostos contra o vidro da janela. Ainda estava escuro do outro lado da rua. Uma luz brilhante piscou na janela da casa na árvore, mas foi só isso.
Viviane deu uma olhada.
– Talvez não tenha sido o rojão — diz Viviane.
– E o que mais poderia ser? — perguntou Milena, sarcástica. — Um tiro?
Em seguida, os pastores-alemães dos Cavanaugh começaram a latir. As garotas agarraram os braços umas das outras. A luz do pátio lateral se acendeu. Ouviram-se vozes em alto volume e o sr. Vieiras atravessou correndo a porta que dava para o pátio. De repente, pequenas labaredas começaram a sair da janela da casa na árvore. O fogo começou a se espalhar. Parecia o filme que os pais de Patricia a faziam assistir todo os anos, no Natal. E, então, ouviram-se sirenes. Bia olhou para as outras.
– O que está acontecendo? — perguntou Beatriz
–Você acha que...? — sussurrou Milena.
– E se Ali... — começou Viviane.
– Meninas. — Uma voz veio de trás delas. Marian estava na entrada da grande sala. Seus braços estavam ao lado do corpo e o rosto, mais pálido do que elas jamais tinham visto.
– O que aconteceu? — perguntaram todas ao mesmo tempo.
Marian parecia preocupada.
– Não sei. Mas não foi minha culpa — diz Marian
A sirene chegou mais e mais perto... até que uma ambulância estacionava na entrada da garagem da casa dos Vieiras. Paramédicos saltaram da ambulância e correram em direção à casa da árvore. A corda havia sido baixada.
– O que aconteceu, Marian? — perguntou Milena. que se virou, passando pela porta. -Você tem que nos contar o que aconteceu.
Marian a seguiu:
– Milena, não.
Viviane e Beatriz olharam uma para a outra; estavam com muito medo para ir atrás. Alguém poderia vê-las.
Milena se abaixou atrás de um arbusto e olhou do outro lado da rua.
Então viu o buraco feio, recortado, na janela da casa na árvore de Rubens. Ela sentiu alguém se arrastando atrás dela.
– Sou eu — informou Marian.
– O que... — começou Milena, mas, antes que pudesse terminar, um paramédico começou a descer da casa da árvore, trazia alguém nos braços. Rubens estava machucado? Será que estava... morto?
Todas as meninas, as que estavam dentro e as que estavam fora, esticaram o pescoço para ver. Seus corações começaram a bater mais rápido. Então, por um segundo, eles pararam.
Não era Rubens. Era Cristina.
Alguns minutos depois, Marian e Milena entraram. Marian contou a elas tudo o que acontecera com uma calma quase sinistra: o rojão havia atravessado a janela e atingido Cristina. Ninguém a tinha visto acender o rojão, então elas estavam seguras, contanto que ficassem de boca fechada. Afinal de contas, o rojão era de Rubens. Se a polícia fosse botar a culpa em alguém, seria nele.
Durante toda a noite, elas choraram, agitadas, acordando e adormecendo diversas vezes. Milena, muito estressada, passou horas em posição fetal, sem dizer nenhuma palavra, zapeando do E! para o Cartoon Network e para o Animal Planet. Quando acordaram, no dia seguinte, a novidade já havia se espalhado por toda a vizinhança: alguém havia confessado.
Rubens.
As meninas pensaram que era uma brincadeira, mas o jornal local confirmou que Rubens tinha confessado que, ao brincar com um rojão aceso em sua casa na árvore, tinha apontado para o rosto da irmã sem querer... e que o rojão a havia cegado, Marian leu essa parte em voz alta, quando estavam todas reunidas em volta da mesa da cozinha da casa dela, de mãos dadas. Elas sabiam que deveriam estar aliviadas, porém... sabiam a verdade.
Nos poucos dias que passou no hospital, Cristina ficou histérica — e confusa. Todos lhe perguntavam o que havia acontecido, mas ela parecia não se lembrar. Cristina disse que também não era capaz de falar sobre nada do que acontecera imediatamente antes do acidente. Os médicos cogitaram que aquilo pudesse ser estresse pós-traumático.
O colégio Rosewood Day fez uma palestra não-brinque-com-fogos-de-artifício em homenagem a Cristina, seguida de um baile e uma venda beneficente de bolos. As meninas, Milena em especial, participaram de forma entusiasmada, apesar, claro, de fingirem não saber de nada a respeito do que havia acontecido: Quando alguém perguntava, elas diziam que Cristina era uma menina muito doce e uma das amigas mais chegadas que tinham. Várias garotas que nunca falaram com Cristina estavam dizendo exatamente a mesma coisa. Quanto a Cristina, nunca mais voltou a Rosewood Day. Foi para uma escola especial para cegos, na Filadélfia, e ninguém mais a viu depois daquela noite.
As coisas ruins em Rosewood Day, a certa altura, eram sempre gentilmente tiradas do caminho, e Rubens não foi exceção. Seus pais o mantiveram estudando em casa pelo resto do ano letivo. O verão passou e, no ano seguinte, Rubens foi mandado a um reformatório no Maine. Ele partiu sem cerimônias comoventes de despedida, num dia claro em meados de agosto. Seu pai o levou de carro até a estação, onde ele foi sozinho pegar o trem para o aeroporto. As meninas assistiram enquanto os Vieiras derrubavam a casa na árvore naquela tarde. Era como se quisessem apagar o máximo que conseguissem da existência de Rubens.
Dois dias depois da partida de Rubens, os pais de Marian levaram as meninas para acampar nas Montanhas Pocono. As cinco desceram corredeiras, escalaram as pedras e se bronzearam nos bancos de areia do lago. De noite, quando a conversa acabava caindo no tema Rubens e Cristina — e isso aconteceu muito naquele verão -, Marian lembrava a elas de que não podiam contar nada a ninguém, nunca..Tinham de manter aquele segredo para sempre... o que fortaleceria a amizade delas por toda a eternidade. Naquela noite, quando se enfiaram na barraca de cinco lugares, usando capuzes de cashmere J. Crew, Marian deu a cada uma delas uma pulseira colorida brilhante, para simbolizar a união. Amarrou a pulseira no pulso de cada uma e pediu que repetissem, depois dela:
– Eu prometo não contar nada até o dia da minha morte.
Elas sentaram em círculo, Milena, depois Vivi, Pata e Bia, dizendo exatamente essas palavras. Marian colocou a própria pulseira por último.
– Até o dia da minha morte — sussurrou ela, depois de fazer o nó, suas mãos espalmadas sobre o coração. As meninas apertaram as mãos. Apesar de ser uma situação pavorosa, elas achavam que tinham sorte por terem umas às outras.
As meninas usaram suas pulseiras ao longo de muitos banhos, férias curtas na primavera durante as quais iam para a capital do país e Colonial Williamsburg — durante treinos enlameados de hóquei e surtos de gripe. Marian dava um jeito de estar com sua pulseira sempre mais limpa que as das outras, como se sujá-la fosse enfraquecer seu propósito. Algumas vezes, elas tocavam as pulseiras com a ponta dos dedos e sussurravam "até o dia da minha morte", para lembrarem a si mesmas como eram próximas. Aquilo se tornou a senha delas; todas sabiam o que significava. Na verdade, Marian dissera a frase há menos de doze meses, no último dia de aula do sétimo ano, quando as meninas estavam comemorando o início do verão, ninguém poderia saber.
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