Pretty Little Liars

2 Capitulo 2 - NÃO SE INCOMODE COMIGO, EU SÓ ESTOU MORTA!


– Um x-burguer por favor? — pediu Beatriz a o Barman.

– Claro, um minuto — disse o Barman, e Beatriz olhou um cartaz que tinha ali com uma foto da Marian " DESAPARECIDA, Marian, 16 anos."

– Tudo bem com você? — pergunta um jovem.

– Sim, só estou com um pouco de sono, acabei de chegar do canada — diz Beatriz.

– Hum,eu morei por um tempo por lá, acabei de me formar, meu primeiro emprego como professor — diz o jovem.

– Legal, sempre quis ser professora — diz Beatriz.

– É formada em que? — pergunta o jovem.

– Hãm... olha eu tô querendo fazer literatura — diz Beatriz.

– É oque eu ensino — diz o Jovem rindo.

– E eu escrevo também, mas por enquanto nada sério, é pessoal, só pra mim — diz Beatriz.

– Tô impressionado — diz o Jovem.

– Por que? — pergunta Beatriz.

– Bom, tentei escrever, mas eu não fui muito longe, você tem sorte, se escreve só pra você é por pura paixão, será que posso ler alguma coisa sua? — pergunta o Jovem.

– Quer ler? — pergunta Beatriz.

– Claro, você é inteligente, viajada, eu quero te conhecer melhor — diz o Jovem, e Beatriz sorri sem graça.

Dias depois

No colégio, primeiro dia de aula, Beatriz chegou e logo reconheceu sua velha amiga, Patricia.

– Bia, quase nem te reconheci, ultima vez que se vimos seu cabelo estava cheio de mechas — diz Patricia.

– Os pais sempre querem que seus filhos sejam alténticos, por isso as mechas — diz Beatriz.

– Era bonito, devia ter me ligado, é estranho esbarrar com você na rua — diz Patricia.

– A gente perdeu contato — diz Beatriz.

– Foi bom a gente se afastar um tempo — diz Patricia.

– Eu vi um cartaz da Marian ontem — diz Beatriz.

– É estranho, a gente sabe que ela tá morta né?– diz Patricia.

– Eu nunca ouvi ninguém dizer isso — diz Beatriz, e elas entram na sala de aula.

– Ouvi dizer que o professor novo é um gato — diz Patricia, e elas sentam nas cadeiras.

– Aquela é a Vivi?– pergunta Beatriz, assim que Viviane entra na sala de aula junto com a Janu.

– Sim, ela é popular agora, e onde ela tá a Janu está também — diz Patricia.

– Que mudança — diz Beatriz.

– Não foi só com você que perdemos o contato, e sim todas nós — diz Patricia, assim que ela fala isto, chega o professor, que olha diretamente para a Beatriz que está olhando para seu caderno.

– Eu não acredito nisso — sussurra o professor, e o celular da Beatriz vibra com uma mensagem.

– Desculpa — diz Beatriz.

– Tudo bem, bom dia pessoal, prazer sou o Sr. Eduardo, novo professor de Literatura — diz o Eduardo, e Beatriz olha a mensagem.

" Bia, esse tipo de professor gosta só de divertir-se com as alunas, pode perguntar a o seu pai.

– M."

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Bia acordou com a campainha tocando, só que não era o barulho normal que a campainha de sua família fazia.

Ela se atirou para fora do edredom, enfiou uma blusa azul florida, colocou os tamancos que tinha comprado em Amsterdã e desceu a escada em espiral com os sapatos fazendo "toe,toe" para ver quem era.
Quando abriu a porta, engasgou, era Marian. Ela estava mais alta e seu cabelo estava cortado em longas mechas bagunçadas, o resto dela parecia ser mais angular e ter mais glamour do que no sétimo ano.

– Tcharãa! — disse Marian, sorriu e abriu os braços. — Estou de volta!

– Ai, meu... -Bia parou no meio da frase, piscando repetidamente algumas vezes. — O-onde você esteve?

Marian revirou os olhos.

– Meus pais estúpidos — respondeu ela. -Você se lembra da minha tia Camille, aquela realmente legal, que nasceu na França e se casou com meu tio Jeff quando estávamos no sétimo ano? Eu fui visitá-la em Miami naquele verão, daí, gostei tanto daquilo que simplesmente acabei ficando por lá, eu falei para os meus pais sobre isso, mas aposto que eles se esqueceram de informar o restante das pessoas.

Bia esfregou seus olhos.

– Então, espera. Você esteve esse tempo todo em... Miami? Você está bem? — perguntou Beatriz.

Marian deu uma voltinha.

– Eu pareço estar mais do que bem, não pareço? Ei, você gostou dos meus textos? — pergunta Marian.

O sorriso de Bia empalideceu um pouco.

– Hum... na verdade, não — diz Beatriz, Marian pareceu magoada.

– Por que não? — perguntou Marian.

Bia ficou olhando, perplexa.

Marian semicerrou seus olhos. -Você vai me mandar embora de novo? — perguntou Marian.

– Espere, o quê? — balbuciou Bia.

Marian deu uma olhada atenta para ela, e uma substância negra, gelatinosa, começou a escorrer de suas narinas.

– Eu contei aos outros, você sabe, sobre seu pai, eu contei tudo — diz Marian.

– Seu... nariz... — Bia apontou, de repente, a coisa começou a escorrer pelos olhos.

Como se ela estivesse chorando óleo. Estava fluindo de suas unhas, também.

– Eu estou apenas apodrecendo. -Marian diz e sorri.

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Bia pulou da sua cama, o suor ensopava sua nuca, o sol se esgueirava através da janela, e ela ouviu "American Idiot" vindo do estéreo do irmão na porta ao lado, checou suas mãos procurando pela substância negra, mas elas estavam limpas.

Uau.

Foi tudo um sonho....

– Bom-dia, querida — diz a mãe da Beatriz.

Bia desceu cambaleando pela escada em espiral e viu o pai, vestindo apenas uma cueca samba canção xadrez e uma camiseta sem mangas, lendo o Philadelphia Inquirer.

– Oi — murmurou ela, em resposta.

Mexendo na cafeteira, ela olhou fixamente, por um longo tempo.

– Pai? — sua voz parecia levemente fraca.

–Hã?

Bia dava voltinhas em torno da ilha da cozinha.

– Os fantasmas podem enviar uma mensagem de texto? — pergunta Beatriz.

O pai levantou o olhar para ela, um tanto surpreso e confuso.

– O que quer dizer com "uma mensagem de texto"?

Ela enfiou uma das mão em uma caixa aberta de cereal e retirou um punhado deles.

– Deixa para lá — diz Beatriz.

–Tem certeza? — perguntou seu pai.

Ela mexeu o maxilar, nervosa. O que ela queria perguntar? Será que tem um fantasma me mandando mensagens? Ora, ela sabia que não. De qualquer modo, não saberia explicar o motivo pelo qual o fantasma de Marian faria algo assim, era como se quisesse vingança, mas será que isso era possível?

Marian tinha sido incrível no dia em que flagraram o pai de Bia no carro, Bia fugira pelo canto e correra até não aguentar mais, ela continuou andando por todo o caminho até sua casa, sem ter certeza do que fazer consigo mesma, Marian a abraçara por muito tempo.

– Eu não vou contar — sussurrou ela.

Só que no dia seguinte, as perguntas começaram, você conhece aquela garota? Ela é estudante? Seu pai vai contar para sua mãe? Você acha que ele está transando com outras alunas? Normalmente, Bia podia lidar com as perguntas, e até mesmo com as provocações de Marian numa boa — ela não tinha problemas em ser a "garota esquisita" do grupo. Mas aquilo era diferente. Aquilo doía. Então, nos últimos dias antes do desaparecimento, Bia evitara Marian. Não enviava mensagens de texto dizendo "estou entediada" durante a aula de ciências, nem a ajudava a arrumar o armário dela. E, certamente, não falava sobre o ocorrido. Ela estava chateada com Marian por estar se intrometendo — como se isso fosse alguma fofoca de celebridades da Star, e não a vida dela. Ficou maluca com o fato de Marian saber. Por um tempo, mas então, três anos depois, Bia entendia que não fora com Marian que estivera chateada, mas com o pai.

– Sério, deixa para lá — Bia respondeu ao pai, que estava esperando pacientemente, mexendo seu café. — Só estou com um pouco de sono.

– Ok — disse seu pai, sem muita convicção.

A campainha da porta tocou, não era o Green Day, mas o ding-dong de sempre. O pai olhou para cima.

– Acho que pode ser para o Thiago — diz Bia.

– Você sabia que uma garota do colégio quaker veio aqui umas oito e meia procurando por ele? — diz seu pai.

– Eu atendo — diz Bia, ela abriu cuidadosamente a porta da frente, mas era apenas Patricia.

Patricia convidou sua amiga Beatriz para pedalar, desviando por pouco de um corredor na lateral da estrada.

– Cuidado! — gritou um garoto, quando passou por um vizinho, que passeava com dois enormes cães dinamarqueses, as meninas pedalaram além de Myer Park, onde elas e Ali costumavam se balançar por horas.

De acordo com as pequenas superstições de Bia, Marian estava

prestes a voltar para elas, talvez ela estivesse bem o tempo todo.

Elas fizeram força, pedalando ladeira acima e em volta de uma curva fechada. Por pouco evitaram uma pedra, um marco do memorial da batalha da Guerra Revolucionária. Se Marian estivesse de volta?

Uma ambulância de Rosewood passar zunindo, uma rajada de svento soprou, jogando pó em seus rostos. Elas esfregaram os olhos e viram a ambulância subir até o topo da colina e fazer uma pausa na rua de Marian.

Agora ela estava entrando na rua de Marian. O medo tomou conta de Patricia e Beatriz. Elas agarram as empunhaduras de borracha do guidão da bicicleta.

– Ah, meu Deus — sussurrou Patricia.

Elas pedalaram furiosamente e derraparam na esquina.

Então a ambulância encostou, parando em frente à casa de Bel, a antiga casa onde morava Marian. As sirenes ainda rugiam. Carros de polícia estavam em todo lugar. Médicos de jaleco branco saíram do veículo e correram para a casa. Uma multidão tomava o jardim de Bel, algumas pessoas estavam com câmeras. Patricia jogou sua bicicleta na calçada e correu desajeitadamente em direção à casa.

Isabel irrompeu através da multidão, as lágrimas correndo, desordenadas, por sua face.

–Você está bem? — perguntou Patricia.

– Eu estou bem — disse Isabel.

Mas havia algo em sua voz que, claramente, não estava bem. Os olhos de Isabel estavam vermelhos e úmidos, sua boca estava repuxada para baixo, nervosamente.

– O que foi? — perguntou Beatriz. — O que está acontecendo?

Isabel engoliu em seco.

– Encontraram a amiga de vocês — diz Isabel.

– O quê? — Perguntou Patricia, encarou então a cena no gramado de Isabel.

Era tudo tão assustadoramente familiar: a ambulância, os carros de polícia, as multidões de pessoas, as câmeras de lentes longas, um helicóptero de notícias dava voltas acima delas, aquela era exatamente a mesma cena de três anos atrás, de quando Marian desaparecera.

Patricia deu um passo para trás, com um riso de incredulidade. Ela estava certa! Marian estava de volta para a casa dela, como se nada nunca tivesse acontecido.

– Eu sabia! — murmurou Patricia.

– Eles estavam cavando para a quadra de tênis, minha mãe estava lá, ela... a viu, eu ouvi o grito dela do meu quarto.

– Espere, o quê? — pergunta Beatriz.

– Eu tentei ligar para alguma de vocês — completou Isabel.

Patricia franziu a sobrancelha, então, olhou a equipe de vinte fortes policiais, para a sra. St. Gomes, soluçando no balanço de pneu, para a fita PERÍMETRO SOB INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA, NÃO ULTRAPASSE, dando voltas em torno do quintal, e então, para uma caminhonete estacionada na entrada de carros, tinha a inscrição NECROTÉRIO DE ROSEWOOD, elas tiveram que ler seis vezes até que as palavras fizessem sentido.

– Eu não... entendo — falou Patricia, confusa, dando outro passo para trás. — Quem eles encontraram?

– Sua amiga Marian Gomes — disse Isabel. — Eles acabaram de encontrar o corpo dela.