Pretty Boy
10 Torn
Notas iniciais
– Ai meu deus Blaine, tudo aqui é lindo! – Disse Kurt empolgado enquanto adentravam o teatro. – Sério, é muito melhor do que o que eu sonhava.
Blaine sorriu ao ver os olhos brilhantes do menino, mas ao mesmo tempo seu coração torceu um pouco, este era um sonho que Kurt não conseguira realizar.
– Realmente, a magia do teatro musical. Vamos, eu separei um lugar na primeira fileira pra você.
– Primeira fileira!? Sério?
– Tudo para o meu amigo. – Disse o moreno em meio a uma piscadela. – Você pode se sentar enquanto eu me preparo, ainda vai demorar um pouco, fique a vontade.
Kurt esperou algumas horas pela apresentação, essas que não foram desperdiçadas, ele se ajeitou confortavelmente na poltrona e deixou seus olhos correrem cada pequeno detalhe do teatro, aquele poderia facilmente ser seu lugar favorito, Kurt jamais vira algo tão incrível em toda sua vida. Desde o pequeno detalhe com gesso nas paredes, até as pesadas cortinas do palco, tudo era perfeito.
Kurt era um legítimo fã de teatro musical, mas ele nunca teve realmente a chance de se apresentar em um teatro de verdade, nem mesmo de assistir uma peça em um palco autêntico.
Now there you are;
Yes, there's that face,
That face that somehow I trust.
It may embarrass you to hear me say it,
But say it I must, say it I must:
You have the cool, clear
Eyes of a seeker of wisdom and truth;
Yet there's that upturned chin
And that grin of impetuous youth.
Oh, I believe in you.
I believe in you.
Quando Blaine subiu ao palco não existia mais nada que Kurt poderia realmente prestar atenção. Vê-lo lá, sendo a estrela daquele palco, com aquela imensa plateia, de repente fez Kurt lembrar-se que ele já havia passado algumas noites com aquele rapaz, e ele lembrou-se também que eles eram uma espécie de amigos. Claro, na mente de Kurt ele nunca poderia simplesmente ser amigo de Blaine, ele queria mais, muito mais, algo que ele jamais teria e seria melhor ser mantido em segredo.
To see the cool, clear
Eyes of a seeker of wisdom and truth;
Yet, with the slam-bang tang
Reminiscent of gin and vermouth.
Oh, I believe in you.
I believe in you.
Se Kurt já estava perdidamente apaixonado antes, agora que viu Blaine cantando e atuando, ele com certeza estava muito mais. Provavelmente ninguém naquela vasta plateia aplaudiu o show tanto quanto Kurt, o castanho sentia tanto orgulho de Blaine, mesmo não tendo este direito.
~K&B~
– Você foi incrível! Blaine eu nunca imaginei que você poderia ser assim tão... – Kurt parou, pois não encontrava nenhuma palavra boa o suficiente para descrever a apresentação de Blaine.
– Maravilhoso? Inacreditável? Exuberante? – Sugeriu Blaine.
– É... Tudo isso. – Kurt concordou. – E mais um pouco.
– Eu fico feliz que você tenha gostado Kurt, embora eu realmente não mereça todos esses elogios. Talvez nós possamos assistir mais algumas peças qualquer dia para você ver os verdadeiros cantores da Broadway.
Kurt sorriu, seu coração cantou um pouco com o pensamento de continuar saindo com Blaine em algum lugar que não fosse aquele quarto.
– Então, o que você acha de comemorarmos com um jantar agora? Tem um restaurante maravilhoso por aqui.
– Eu não sei Blaine, eu preciso voltar para... – Kurt iria dizer casa até se lembrar que não tinha uma. — Você não deveria comemorar com seus colegas de elenco? Afinal, você é o protagonista...
– Eles sobrevivem sem mim, espere um pouquinho, vou conversar com eles e logo sou todo seu. – Quem dera algum dia Blaine pudesse ser de fato, todo de Kurt.
Kurt assistiu Blaine se afastar, até que o moreno foi interrompido no meio do caminho por um belo homem alto, com olhos verdes vibrantes e cabelos castanhos arrumados perfeitamente na forma de um topete, que carregava um enorme buque de rosas vermelhas. Kurt sabia que aquilo não podia ser uma coisa boa, ele nem podia ouvir o que os dois estavam conversando, mas já sentiu um refluxo subindo pela sua garganta.
~K&B~
– Oh Blaine, eu tinha esquecido o quão maravilhoso você era nos palcos, querido, você foi incrível!
– S-sebastian... O que faz aqui?
– Seu bobo, isso é jeito de me receber? Meu amor faz tanto tempo que não nos vemos... E claro que eu vim para te assistir, como eu poderia perder a grande apresentação do meu fascinante noivo?
– E-eu não esperava v-você por aqui. – Blaine estava nervoso, ele conhecia Sebastian a quase dez anos mas ainda não se acostumava com a presença do (ex) namorado. Mesmo que agora a ansiedade fosse por outros motivos. – E, caso você não se lembre nós não somos noivos, nem namorados, nem nada, você me traiu. – De repente Blaine sentiu vontade de gritar todas as verdades que Sebastian merecia ouvir, mas ele se conteve, ele não queria chorar, não naquele dia tão importante. – E é claro que eu estranhei sua presença, você nunca veio assistir a uma peça minha.
– Nunca? Ah Blaine, pare com isso, quem te ajudou a conseguir essas apresentações? Eu sempre estive aqui, de um jeito ou de outro. E eu meio que me lembro que não somos mais noivos, não é todo dia que se é abandonado no altar afinal. – Dizia o cretino com aquele sorriso sagaz que jamais abandonava seu rosto.
– Não vire o jogo como se eu tivesse apenas te abandonado no altar. Você sabe que estava errado primeiro! Você vem errando há muito tempo, e eu demorei demais para acordar. – O tom de voz de Blaine foi claramente aumentando, a medida que sua voz ficava mais estridente.
– Blaine nós temos todas as chances de sermos felizes! Eu vim me desculpar tudo bem? Eu realmente sinto muito, eu sai com vários caras, mas eu claramente só posso amar você. — Sebastian tinha conseguido acertar Blaine, ele raramente pedia desculpas, ou fazia declarações como esta. – Eu te amo tanto Blaine... Eu não consigo imaginar minha vida sem você, você também se sente assim? Nós estamos juntos a tanto tempo que as vezes eu penso que nem posso respirar sem você.
Uma parte de Blaine queria gritar com Sebastian, dizer para ele parar com suas atuações porque elas não funcionavam, mas isso claramente seria mentira, Blaine era ingênuo demais, e era muito fácil para Sebastian manipulá-lo. E para ser realmente sincero, Blaine sentia-se assim, realmente, logo que eles terminaram ele teve dificuldade em fazer qualquer coisa sem Sebastian, mesmo que isso não seja recíproco, ele queria se jogar nos braços do menino que ele amava e continuar a viver em sua falsa felicidade.
– O que você acha de sairmos para comemorar o seu grande sucesso e o nosso amor?
– Eu n-não... Eu não posso, já tenho compromisso.
– Eu posso falar com o seu elenco, eles podem entender que você tem compromissos mais importantes. Eu não quero nada adiando nosso sexo de reconciliação.
– Não é o elenco Sebastian, eu tenho um... um acompanhante.
– Acompanhante? Você terminou comigo a menos de um mês e já está saindo com qualquer cara que vê pela frente? Eu achei que significasse mais para você... – E lá vai Sebastian, fazendo com que Blaine se sinta culpado.
– Não é assim Bas... Eu não sai com mais ninguém, na verdade estou acompanhado de um... de um g-garoto de pro-progama.
– O que!? Blaine você está saindo com uma prostituta? Isso é nojento! – umas expressão incrédula tomou conta do rosto de Sebastian.
– Não Sebastian, você entendeu tudo errado... Conheci Kurt por acaso, nós nos tornamos amigos rapidamente e... Ele está longe de ser nojento, Kurt é uma pessoa muito boa na verdade.
– Kurt? Esse é o nome da sua vadia agora? Posso conhecê-lo?
– Ele não é minha vadia, já falei Sebastian, somos amigos! – Blaine tomou alguns segundos para enviar um olhar na direção de Kurt, que esperava um pouco incerto, ele achou melhor se despedir de Blaine, ele não queria atrapalhar.
– Oh ele é seu amigo... – Continuava Sebastian. — Então isso significa que você não andou fodendo com seu amigo. – Blaine odiava isso, odiava Sebastian o julgando. Quem era ele pra falar? Ele saia com muito mais cara do que Blaine imaginava.
Blaine estava tão irritado, confuso, chateado, um misto de sentimentos inundando sua mente que ele nem percebeu a aproximação de Kurt.
– Não é assim... Sebastian, você não entende! Ele é só um garoto de programa! Kurt não significa nada pra mim. Você sabe que eu te amo, mas eu não sei se posso ficar com você, admita, não existe nenhuma chance de nosso relacionamento dar certo mais!
Kurt apanhou durante sua vida escolar inteira, assistiu seu pai lutar contra a morte duas vezes sem poder ajudar em nada, foi estuprado mais vezes do que é possível contar, assaltado, usado, jogado fora, desprezado, mas nada, absolutamente nada, chegava perto da dor que ele estava sentindo nesse momento. Kurt sabia que eles jamais teriam algum tipo de futuro juntos, sabia que eles vivam em mundos diferentes, sabia que ele não era digno de qualquer tipo de felicidade, mas ele pensava que talvez uma mísera contribuição para a felicidade de Blaine viria da parte dele.
Ele estava enganado.
Talvez fosse melhor Kurt voltar pra casa, viver a sua vida do jeito que ela deve ser vivida, ele não tinha o direito de se apaixonar, ele sabia disso, e ainda assim seu coração insistia em inundar sua mente com imagens de Blaine e falsas esperanças.
Kurt pigarreou para chamar a atenção de Blaine, junto com a de Sebastian, inevitavelmente, interrompendo a conversa.
– Oh Kurt, você então é a famosa vadia do Blaine? – Disse Sebastian em um tom de falsa empolgação, por dentro ele ficou um tanto impressionado com a beleza de Kurt, com certeza ele era deslumbrante.
– Sebastian... – Blaine tentou repreender o namorado (ex?) sem sucesso.
– Espere um segundo Blaine, estou tentando conhecer seu amigo seja educado! – agora Sebastian falava como se Kurt não estivesse realmente ali. – Ele parece delicioso, agora eu posso te entender um pouco, talvez eu me trocasse por ele também, desculpado meu amor. Quanto você paga? – Kurt ficou parado sem reação, ele não confiava em seu corpo, ele estava com medo de começar a falar e ser impedido pelas lágrimas.
Sebastian estava fazendo aquilo que Blaine odiava, tratando Kurt como se ele fosse apenas um objeto sem valor a venda.
– Isso não é da sua conta. Sebastian, Kurt é uma pessoa, ele é sensível e compreensivo, eu não quero que você fale assim com ele!
– Oh ele tem sentimentos? Sinto muito, você me confundiu Bee, até pouco tempo estava dizendo que ele não significava nada... Além disso esse seu quadril quase me faz esquecer de pensar. Mas, tenho certeza que Blaine não te paga para você se meter na conversa com o namorado dele, certo Kurt?
– Sim, na verdade só vim aqui para avisar que eu estou de saída... – Kurt se virou antes que começasse a chorar na frente de Blaine, e pior, de Sebastian também.
Aquele cara definitivamente não merecia Blaine.
O moreno assistiu Kurt se afastar, até perceber o que estava acontecendo, ele se virou para Sebastian pedindo desculpas.
– Seb, eu vou falar com ele, ahn... Acertar o pagamento ou algo assim, e podemos sair pra jantar, tudo bem?
– Claro, meu amor, te espero aqui.
~K&B~
Kurt saia pela grande porta de madeira do teatro, andando preguiçosamente na rua, ele não tinha certeza se valia a pena ir para qualquer outro lugar agora, sua vida de repente fazia menos sentido do que o normal.
– Kuuurt!
Extintivamente o rosto do castanho virou rapidamente para encontrar Blaine.
– Oi.
– Kurt, está tudo bem? Você não quer mais jantar comigo?
– Não seja bobo Blaine... Você precisa acertar as coisas com Sebastian, essa é a oportunidade que você esteve esperando há tanto tempo. Acho que seu dia não podia ser melhor, certo? Sua apresentação foi um sucesso, e lá está o amor de sua vida te esperando, você não tem que perder tempo comigo.
Mesmo que o coração de Kurt estivesse destruído, ele não conseguia deixar de olhar aquele sorriso bobo de Blaine, alguns cachos fugindo adoravelmente da prisão de gel, como ele ficava ainda mais lindo à luz da lua, ele não deixava de pensar em como era ver aqueles olhos penetrantes cheios de lágrimas, e ele não queria mais isso, ele só queria que Blaine fosse feliz.
Felicidade era uma coisa que há muito tempo Kurt não tinha em sua vida, e provavelmente jamais teria novamente. Mas nada o impedia de desejar tudo para Blaine, mesmo que eles jamais tivessem uma chance, ele sabia que amava o moreno em sua frente, e ele não conseguia ficar com raiva, ele não queria nada além de coisas boas.
– Eu não sei o que quero com Sebastian Kurt... Eu estou tão confuso, as coisas aconteceram rápido demais. Eu já estava me acostumando a viver sem ele...
– Bom, aproveite o jantar hoje, veja o que ele tem a dizer, talvez ele realmente esteja arrependido. – Kurt disse com um sorriso brilhante, que não coincidia nada com o que sentia naquele momento. – Preciso pegar o ônibus agora, antes que acabe o itinerário.
– Tem certeza Kurt? Posso pelo menos chamar um táxi?
– Não vai ser necessário... Já estou de saída, fique feliz, não precisamos de nos ver mais. – O coração de Kurt batia dolorosamente em seu peito, mas ele continuava forte em as decisão, Blaine não precisava ver mais nenhuma lágrima sua.
– Mas eu já disse que somos amigos Kurt! Eu ainda quero te ver.
– Blaine, eu espero honestamente que nós não nos vejamos mais. Torço para que tudo dê tão certo entre você e Sebastian que você jamais tenha que procurar um garoto de programa novamente.
– Eu sei que você não gosta muito que eu te contrate, a maioria das vezes eu sinto que estou te obrigando a algo. – Blaine dizia enquanto procurava desesperadamente por um papel em seu bolso. – Então... Aqui está meu telefone, eu não quero ser apenas um cliente te enchendo o saco, então eu quero que você me procure quando estiver confortável o suficiente para fazer isso. – Blaine disse entregando um cartão amassado nas mãos de Kurt. — Bem... agora você tem meu telefone, eu espero que use.
– Então, parece que isso é um adeus.
Kurt guardou o papel cuidadosamente dentro de seu bolso antes de aproximar-se do rosto de Blaine, tomando seus lábios para si por alguns segundos. Quando sentiu o gosto do moreno ele quase esqueceu de todas as limitações que a vida tinha jogado sobre ele.
Quase.
Após alguns segundos ele se mudou para ir embora, caminhando pelas ruas frias de Manhattan.
– E você nunca vai ser apenas um cliente... – Murmurou, com uma lágrima solitária escorrendo pelos seus olhos de cor indefinida. — Idiota.
Fale com o autor