Pretty Boy
11 I Want to Break Free
Notas iniciais
Blaine ficou parado alguns minutos, (segundos? horas?) Assistindo o menino bonito ir embora, ele ainda estava muito confuso para tomar qualquer decisão. Se ele escolhesse ficar com Sebastian ele jamais poderia encontrar Kurt novamente, por que ele iria querer um garoto de programa se ele tivesse o seu amor de volta? Mas não encontrar Kurt nunca mais era muito tempo. Existia algum problema em querer vê-lo novamente? Kurt era uma pessoa doce, gentil, compassiva, sensível e piedosa, doía para Blaine pensar em não vê-lo novamente. A mente do moreno estava em conflito, ele não estava acostumado a lidar com seus problemas e tomar decisões impactantes.
– Ei amor, pra que tanta demora? – Disse Sebastian envolvendo seus braços pelas costas do moreno. – Você realmente precisa de todo esse tempo para se despedir de uma prostituta?
– Não fale assim dele...
– Assim? Diga-me o que eu falei que era mentira. – Desafiou o castanho, com aquele sorriso perspicaz. – Mas não vim aqui pra falar dele, podemos ir para o meu apartamento agora, querido? Eu posso cozinhar o jantar. – Disse em meio a uma piscadela.
– Claro. – Blaine disse com hesitação notável em sua voz. – Eu deixei meu carro no estacionamento aqui ao lado, podemos ir com ele.
– Que tal irmos com o meu? – Disse Sebastian depois de pensar alguns segundos. – Você passa a noite lá e eu te levo para o ensaio amanhã. Assim podemos passar um tempo decente juntos.
– Tudo bem, acho mesmo que precisamos conversar.
Os dois caminharam lentamente até o carro de Sebastian, o castanho tentava agarrar a mão de Blaine, que evitava contado com o ex-namorado. Após alguns minutos os dois estavam confortáveis no carro, Sebastian dirigindo, e Blaine no banco do passageiro, perdendo seu olhar na janela, evitando qualquer tipo de conversa.
~K&B~
O vento forte ainda soprava nas ruas do Bronx, Kurt finalmente havia chegado a seu destino, sua casa. Seus pés conheciam muito bem aquele caminho, ele mal percebeu toda a estrada que andou, como ele poderia? Talvez toda a dor que estivesse sentindo fosse o suficiente para anestesiar seu coração. Ou então, ele finalmente tomou seu merecido choque de realidade e percebeu que Blaine não era feito para se encaixar em sua vida. De qualquer forma lá estava ele de volta aquele lugar que lhe trouxe tanta desgraça.
Erick ainda estava sendo estranhamente agradável com o menino, o que assustava Kurt muito, ele tento apenas ignorar e aproveitar que as coisas não estão sendo tão ruins quanto poderiam.
E mais uma vez Kurt se afundo em seu travesseiro, mas agora seus olhos estavam secos, nem uma única lágrima para Blaine. Ele podia viver assim, ele esteve sozinho há anos, e só porque ele experimentou a sensação falsa de ter alguém por perto, não significa que ele não possa se acostumar com a solidão novamente. Mesmo que seja muito mais difícil agora.
Claro, na teoria tudo era muito simples, mas nada podia tirar o tremor dos lábios secos do castanho, ele queria mais que tudo Blaine naquela cama novamente. Ele se arrependeu arduamente de todas as vezes que se esquivou dos beijos do rapaz pelo qual estava apaixonado.
Como simplesmente tirar Blaine de sua vida?
Para Kurt, Blaine era uma passagem para outro mundo de cor e alegria, fonte da felicidade que há muito tempo ele desistira de encontrar. Mas para Blaine, Kurt era apenas um garoto de programa, uma atraso insignificante em sua vida.
~K&B~
– Ente meu amor, afinal, você já está bastante familiarizado com esse apartamento, certo? – Disse Sebastian jogando as chaves na mesa, assim que adentrou seu apartamento. – Quer comer algo em especial?
– Não na verdade. — Blaine seguiu o ex-namorado para dentro do apartamento em passos curtos. – Nós precisamos conversar.
– Pra que a pressa? A noite é uma criança. Vou abrir uma garrafa do seu vinho favorito e podemos conversar depois que eu fizer o jantar, isso se nossas bocas não estiverem tão ocupadas.
Blaine ignorou os apelos do ex, e se sentou no sofá procurando o controle da televisão, para não ter que olhar para a cara do castanho. Sebastian sorriu e se mudou para a cozinha, voltando rapidamente com duas taças e uma garrafa de Cheval Blanc. Ele derramou o liquido arroxeado nas taças e passou uma para o moreno, sentando-se perigosamente perto.
– Então, além dessa nova putinha que você achou para foder quando estava sem mim, o que mais você tem feito da vida? – Sebastian falava sem dar muita atenção para as palavras, deixando seus olhos verdes percorrerem descaradamente todo o corpo de Blaine. O moreno sentia-se como uma presa prestes a sofrer um ataque.
– Eu já te pedi pra não falar assim dele, Kurt é uma pessoa incrível, você não o conhece realmente. – Blaine disse soando mais na defensiva do que gostaria. – Acho melhor eu ir agora, foi um erro ter vindo aqui, você sabe que nós terminamos e não existe nenhuma maneira pela qual possamos voltar a nosso relacionamento.
– Blaine, você não está se esforçando o bastante! – Sebastian depositou a garrafa e sua taça na mesa do canto da sala, e se ajoelhou na frente de Blaine. – Eu estou literalmente te implorando de joelhos para voltarmos, por que você não pode me dar uma chance?
– Porque... – Blaine definitivamente não queria perder todo seu tempo novamente explicando para Sebastian todos os motivos.
– Vê? Você não tem um real motivo para me chutar. Eu te amo e você me ama, nosso amor não é o bastante? – Blaine sabia que Sebastian estava mentindo, sabia que seu ex era o maior enganador do mundo, mas ele se sentia idiota, pois ainda assim ele conseguia cair nas armadilhas do castanho.
Blaine ficou em silêncio, ele simplesmente não sabia o que dizer. Sebastian aproveitou sua chance para levantar-se e tomar os lábios de Blaine com os seus.
Blaine imediatamente se afastou, os beijos que a poucos meses eram motivos de euforia agora causavam ância no menor. Tudo sobre Sebastian era errado em sua vida, eles não eram feitos para estarem juntos para sempre e agora ele sabia disso.
– Eu não posso, Sebastian. – Disse sério o moreno se levantando. – Você precisa entender, eu nunca estive tão certo em toda minha vida. Acabou.
– Por que você está falando isso? Blaine nós podemos tentar!
– Sebastian nós tentamos durante a vida toda, você já sabe que não funciona. Por que você me quer se quando está comigo fica atrás de outras pessoas? Eu claramente não sou o suficiente pra você.
– Por que você dificulta as coisas? Eu estou tentando o melhor para cuidar do nosso relacionamento.
– Nosso relacionamento nunca existiu, e você aqui é o único tentando dificultar, você podia ter me dito antes que não gostava de mim, podia ter me deixado muito antes, e nós dois já estaríamos vivendo uma vida separados e felizes.
– Você realmente acha que pode ter uma vida feliz sem mim?
– Tudo o que eu sei é que eu não posso ter uma vida feliz com você.
– Isso tem alguma coisa a ver com aquele garoto?
– Não importa se isso é sobre Kurt ou não. As coisas pararam de ser da sua conta no momento em que você parou de fazer parte da minha vida.
Blaine se levantou muito irritado, mas pela primeira vez realizado por ter conseguido dizer tudo aquilo que pensava. Ele passou pela porta e bateu descontando toda sua raiva na madeira.
– Você ainda vai se arrepender Blaine, eu sei que você vai voltar implorando para mim assim que não achar ninguém mais em sua vida. Mas quer saber? Eu não dou a mínima para você. – Blaine entrou no elevador ignorando os últimos gritos de Sebastian, ele se sentia livre como há muito tempo não se sentia.
Sebastian sentia o ódio literalmente circular por todo seu corpo, sempre havia sido tão fácil arranjar Blaine para fazer as coisas do jeito que ele queria. Mas agora Blaine estava sendo um completo idiota, Sebastian jamais imaginaria levar um fora da única pessoa que colocaria a mão no fogo por ele.
E Sebastian sabia que só existia uma única pessoa culpada por tudo isso.
~K&B~
Erick tinha dado para Kurt a noite de folga, o menino podia até ter ficado feliz, mas as coisas eram estranhas demais para conseguir ficar em paz com tudo isso. E além disso, cada segundo sem fazer nada, era tempo para pensar sobre Blaine.
Como ele poderia simplesmente dormir depois de ter beijado Blaine Anderson?
– Kurt? – Kurt virou-se rapidamente para encontrar o homem adentrando o quarto.
– Oi.
– Onde você esteve? – Perguntou o homem sério, sentando-se ao lado do castanho.
– Eu fiquei com Blaine o tempo todo, você me viu saindo com meu cliente.
– Eu não gosto desse cara.
– Por que? Ele é o que melhor paga. – Kurt disse sério, um pouco de desespero em sua voz.
– Eu tenho observado ele muito tempo aqui, tenho medo que ele esteja desenvolvendo algum tipo de sentimentos por você. – Kurt quase engasgou com sua respiração na hora.
– Por que você acha isso?
– Kurt, eu não sou idiota, você sabe disso. E que eu me lembre, já conversei com você sobre relacionamentos externo, você não tem tempo em sua vida pra isso. – Kurt estremeceu ao ouvir as palavras.
– Blaine não quer um relacionamento sério comigo. Qual o seu ponto? – Disse o castanho mais irritado do que deveria.
– Ontem Heather foi assassinada. – A notícia pegou Kurt de surpresa. Ele mal conversava com as outras pessoas da casa, mas isso era uma coisa horrível de se ouvir, ela parecia uma boa menina, e estava lá da mesma maneira que Kurt, sem alternativas.
– Como? – Kurt perguntou com a voz afinada pela vontade de chorar.
– Ela tinha um cliente que era obsecado por ela. Ele vinha aqui sempre, pagava bem, levava ela para lugares caros, comprava presentes, eu não sei o motivo exato, mas ele a matou ontem no quarto do hotel em que eles estavam. Heather não tinha nada nem ninguém além de nós, e mesmo que você ache que eu não dou a mínima pra vocês eu me preocupo.
– Eu não entendo...
– Você sabe Kurt, você vive em um mundo em que pessoas como você não significam muito, você não é mais criança e sabe muito bem que uma prostituta morta em um quarto de hotel não significa nada.
Kurt apenas acenou calmamente, Erick no fim tinha razão, ele não significava nada, e não havia nada que ele podia fazer a respeito.
– Você acha que eu fico o tempo todo tentando estragar sua vida. Talvez eu tenha sido horrível com você algumas vezes, mas não existe ninguém no momento que se preocupe com você tanto quanto eu. Eu posso te tratar como se você fosse meu o tempo todo, mas eu nunca escondi que você é meu favorito, e eu não deixaria nada desse tipo acontecer com você.
– Eu... Aonde você quer chegar?
– Eu estou preocupado com esse cara, Blaine.
– Não há nada para se preocupar com Blaine. Ele não vai mais aparecer por aqui, e caso apareça, eu duvido muito que ele tente algo.
– Bom, estou te avisando. No final de tudo, você é minha melhor mercadoria e eu não posso correr o risco de te perder. – Oh, novamente com essa história de obejto...
– Claro... Algum outro problema?
– Não na verdade, vou terminar alguns serviços. Tenho um cliente pra você amanhã cedo, então não demore a levantar.
– Tudo bem. – Antes de Erick deixar o quarto ele se inclinou deixando um beijo molhado nos lábios do castanho, que instintivamente correspondeu.
Não eram nada como os de Blaine.
~K&B~
Erick desceu as escadas do quarto de Kurt e se mudou para a recepção do bordel. Em alguns minutos um rapaz alto de olhos verdes adentrou o local e se inclinou rapidamente para o balcão.
– Posso ajudar?
– Estou procurando por Kurt. Um da pele branca, parece porcelana, ah, aquele da bunda grande.
– Eu sei quem é Kurt, Kurt Hummel é o meu garoto mais procurado. Ele não está atendendo mais hoje.
– Você tem certeza? Eu estava pensando em contratar uma noite cheia. E obviamente eu pagaria o valor merecido para a pessoa mais cobiçada desse bordel.
– De quanto estamos falando?
O castanho deu um sorrisinho de meia boca antes de começar a negociação.
~K&B~
Kurt continuou deitado na cama, agora ainda mais acordado. Sua mente estava inundada de coisas a respeito de Blaine, e agora sobre a pobre menina que havia sido assassinada. Além disso, ele havia achado um motivo para o tratamento estranho de Erick.
E se ele começasse a implicar com Blaine? Seria terrível não poder mais ser o cliente do moreno.
Bobagem... Blaine não voltaria mais.
Os pensamentos de Kurt foram interrompidos, não pela primeira vez naquela noite, por fortes batidas na porta. O castanho levantou rapidamente para abrir. Surpreso seria eufemismo para Kurt no momento em que ele girou aquela maçaneta.
– Boa noite.
– S-Sebastian? O que você faz aqui?
Fale com o autor