Pretty Boy
12 Revenge
Notas iniciais
– O que eu faço aqui, Kurt? – Disse Sebastian com seu tom provocante adentrando o ambiente. – As pessoas costumam te procurar para algo que não seja sexo? – Disse finalmente, depois de se sentar na cama.
Kurt encarou o rapaz por alguns instantes. O que ele faria agora? Sebastian era um cliente? Realmente? Ele não poderia simplesmente recusar se deitar com ele, Erick o mataria. Mas ao mesmo tempo, as coisas estavam confusas com Blaine, e se Sebastian tivesse voltado com o ex e estivesse lá apenas por vingança?
– Algumas procuram. Como Blaine, por exemplo, pensei que vocês tivessem ido jantar. – Disse o castanho sem perder a pose.
– As coisas com Blaine andam complicadas, você já deve saber, já que anda dormindo com ele sabe... Será que vocês conversam durante o sexo?
– Receio que isso não seja da sua conta. Você sabe, eu tenho sigilo com todos os meus clientes.
– Falando assim parece até que você é alguém importante. – Disse Sebastian zombando. – Sério, como Blaine te achou no meio desse fim de mundo em que você vive?
– Isso você vai ter que perguntar pra ele. Pelo o que eu lembro ele estava procurando um lugar pra ficar, pois havia sido traído por um namorado... Deprimente, não? – Disse Kurt, com uma pontada de raiva, infelizmente ele não podia fazer muito contra Sebastian.
– Então esse é o procedimento, você é traído e imediatamente encontra um garoto de programa sexy e com uma bunda gostosa pra foder até esquecer seus problemas reais?
– Isso depende dos clientes, só acontece com os que têm parceiros imbecis. A grande maioria vem só pela parte do garoto de programa sexy.
– Você se acha muito esperto, não é?
– Eu não disse isso. Afinal, você é o único que está me pagando hoje.
– Nisso você tem razão, você é meu por toda a noite. — Kurt sentiu um refluxo subindo pelo seu corpo, o quão ruim as coisas podiam ser? – Receio que Blaine faz o mesmo, não é?
– Já te disse que não falo sobre meus outros clientes. Se quer tanto saber por que não pergunta para o seu noivo? Ou ex-noivo, seja lá o que ele é seu.
– Blaine está tendo um momento de confusão, graças a algumas pessoas desagradáveis em sua vida.
– Oh, então eu imagino que você seja uma delas. Eu me lembro muito bem quando ele chegou aqui acabado porque seu namorado de anos havia o traído, não pela primeira vez.
Sebastian sabia que provavelmente tudo o que Kurt estava dizendo era verdade, mas isso não muda o fato de que um garoto de programa não deveria estar se metendo em sua vida. Sebastian se aproximou lentamente do menino que ainda estava parado na porta, o ódio que a pouco estava contido exalava pelos poros de seu corpo.
– Por que esse silêncio repentino? Será que eu falei alguma coisa que era verdade? – Perguntou Kurt, provocando. Todo o seu cérebro alertava que ele não devia incitar Sebastian, mas ele tinha tanta raiva desse homem que a pouco conheceu.
– Escute bem, as coisas da minha vida não são da sua conta. Eu vim aqui pedir gentilmente para você se afastar de Blaine e nunca mais colocar suas mãos sujas nele. – Disse o mais alto, apertando o pulso de Kurt com tanta força que o menino tinha certeza que havia prendido sua circulação.
– Não sou eu que fico atrás de Blaine o tempo todo, não sou eu que pago pra passar a noite com um garoto de programa. Se Blaine vem pra cá, é por livre e espontânea vontade. – Respondeu o castanho com os dentes cerrados, ainda resistindo à pressão de Sebastian.
Kurt não teve tempo de falar muito mais, quando Sebastian atingiu seu estômago com o punho fechado. O impacto foi tão forte que fez Kurt se contrair, e automaticamente recuar, em busca do ar perdido.
– Quanto Blaine te paga?! – Agora Sebastian estava gritando, com sua voz temerosa infiltrando a mente de Kurt.
– Isso não é da sua conta! – Kurt tentou gritar de volta, mas foi interrompido por mais socos, cada um em seu ponto estratégico, impedindo Kurt de pensar, falar ou respirar.
De repente, houve mais um punho na direção de seu rosto, jogando seu corpo diretamente no chão, e batendo violentamente contra a porta. Kurt tentou regularizar sua respiração, mas não conseguiu, foi perseguido por mais murros e explosões de dor em torno de todo o seu corpo. Ele tentava se afastar e impedir os golpes, mas Sebastian era maior e mais forte, Kurt mal conseguia enxergá-lo após tantos golpes.
Após a seção de socos, Sebastian parou ofegante deixando um Kurt esgotado e humilhado no chão do quarto. A cabeça de Kurt trabalhava para pensar em algo que ele devia fazer, mas não parecia existir alguma chance de escapar de Sebastian essa noite.
– Fico feliz que você finalmente tenha ficado em silêncio. – Disse Sebastian com a voz calma novamente. – Será que você pode me mostrar seus serviços agora? – Kurt apenas encarou o mais alto com uma expressão de incredibilidade e assombro, ele definitivamente não estava ansioso para essa noite. – Vamos lá! Será que o melhor garoto dessa casa não tem capacidade de me satisfazer?
– Sabe, eu estou pagando muito por isso. E eu posso pagar até mais pra você por fora. Quanto Blaine te paga? Aposto que eu posso te dar muito mais. Além disso, o dinheiro é só um bônus depois de ter o prazer de passar a noite comigo, porque se você for como Blaine, logo estará implorando por mais.
Kurt podia afirmar honestamente que nunca tinha sentido tanto nojo de um cliente em toda a sua vida. E isso era muita coisa, visto que a maioria de seus clientes superavam a barreia de seres desprezíveis.
– Você não fala mais? Cadê toda a sua petulância de agora a pouco?
Kurt pensou em correr, talvez chamar Erick. Poderia ser uma boa ideia, afinal, Erick estava estranhamente agradável esses dias. Mas e se ele ficasse furioso porque Kurt recusou sexo para um cliente?
– Você é frustrante. Por que você não abre essa maldita boca e não me conta o que está acontecendo? – Disse Sebastian se aproximando violentamente, como há poucos minutos atrás.
– Fique longe de mim! – Kurt disse, tentando abrir a porta do quarto.
Sebastian segurou seu braço com força e puxou Kurt perigosamente perto.
– Aonde você vai, princesa? Eu sou o único pagando por aqui, e que eu me lembre temos a noite toda. – Sebastian prensou Kurt na parede, continuando sua tortura emocional. – Vamos lá meu amor, trabalhe enquanto seu cliente favorito está ocupado...
– Para com isso! Me solta, eu não... eu não... Não importa quanto você me pague, eu não quero que você me toque! – Kurt tentava conter seu desespero, e mais ainda suas lágrimas, não havia nenhuma maneira de que ele iria chorar na frente de Sebastian.
– Não importa o dinheiro? Kurt vamos lembrar sua posição aqui. Você é uma prostituta, você está vendendo sexo, eu estou disposto a comprar, então, qual o problema? Acredito que se você não precisasse do dinheiro não estaria aqui. Agora pare de resistir, você sabe que é inútil. Querendo ou não eu vou fazer isso porque eu já paguei, esse é o meu direito, o que vai fazer, chamar a polícia e dizer que está sendo estuprado?
De repente uma onda de frustração tomou conta de Kurt. Sebastian podia fazer exatamente tudo o que ele quisesse ali e ninguém se importaria, Kurt era uma prostitua, ele era ilegal. Ele estava vendendo sexo, e Sebastian estava comprando. Seria uma situação ridícula um garoto de programa ser estuprado, não? Se fosse outro cenário Kurt estaria rindo desta história incoerente.
– Pare de tentar me impedir, você sabe que precisa desse dinheiro. Você é mesmo uma graçinha e não duvido que tenha muitos clientes, mas eu duvido que exista alguém que te pague tanto quanto eu estou disposto a pagar. – Sebastian percebeu que Kurt tinha enfraquecido um pouco com suas investidas.
A dor e o fracasso de Kurt insistiam em assumir sua coragem, ele não tinha chances de vencer Sebastian na força, muito menos na lógica legal. Mas se talvez Sebastian tivesse um coração, essa seria uma boa hora dele aparecer, certo? Não. Kurt não precisava de piedade de ninguém, Sebastian era um cliente, e deveria ser tratado como um.
– Então bebê, esse é o seu trabalho, não é? — Sebastian passou a mão docentemente na marca roxa deixada no rosto de Kurt a pouco enquanto falava com sua melhor voz calma. Fazendo Kurt tremer. – Eu não quero nada demais aqui, por que tanto desespero?
Sebastian se aproximou ainda mais, fechando a distância entre os dois e roubando um beijo molhado e demorado do menino. Kurt não retribuiu, ele nunca retribuía os beijos que recebia.
– Me desculpe, mas... Eu não beijo na boca. – Disse Kurt se afastando, Sebastian não iria conseguir nada além de sexo aquela noite.
– Mas isso não foi tão difícil, foi? Acho que tive uma ideia errada quando vi você beijando Blaine esta noite. – Kurt endureceu ao ouvir o nome.
– B-Blaine é diferente...
– Você sabe que ele não se importa com você, certo?
– Isso não é verdade, nós somos amigos e... – Sebastian cortou com sua voz, misturada com um riso cruel.
– Blaine não se importa com você. Ele tem uma vida boa, um emprego maravilhoso, uma familia amorosa, e ele tem a mim. Ele não precisa de você.
Kurt sabia disso, ele sabia de tudo isso, sempre soube. Ele não precisa de Sebastian pra ficar falando tudo agora. Kurt substitui o sentimento de derrota por raiva novamente, Sebastian fazia essas coisas com ele.
– De qualquer forma, eu não beijo na boca. Quando pagou deveria saber disso. Você tem razão, você me tem pela noite toda, mas deve seguir minhas normas.
– Ou o que ? – Sebastian desafiou, assistindo Kurt com aquele sorriso insuportável. – Eu não gosto muito de normas, Kurt.
– Eu não me importo com o que você gosta. Mas então, você vai fazer alguma coisa ou vai querer conversar a noite toda? – Kurt perguntou com seu melhor olhar de vadia para Sebastian, que se derreteu ao ver aquele menino tão bonito em sua frente. Sim, ele conseguia entender Blaine perfeitamente.
– Conversar? Será que alguém vem aqui apenas para falar com você? – Perguntou Sebastian, enquanto arrastava Kurt para a cama, apertando seu corpo dolorido.
– Não, na verdade. As pessoas não costumam desperdiçar seu dinheiro, todos querem aproveitar a noite ao máximo. A não ser Blaine, é claro. – respondeu o menino, quebrando por dentro ao se lembrar de Blaine. O quão chateado Blaine ficaria agora? E se Sebastian tivesse voltado com ele e estivesse o traindo com o próprio Kurt?
– Eu consigo facilmente enxergar Blaine trocando uma noite de sexo por uma noite vendo filmes da Disney. – Disse Sebastian pensativo, e Kurt odiou como esse cara conhecia Blaine tão bem. – No entanto, eu não sou idiota como ele, meu negócio não é conversa. Eu gosto de sexo, Kurt, sexo puro, sujo, selvagem, quente e violento.
– Eu imagino... – Kurt sussurrou acompanhado de um sorriso que poderia facilmente deixar Sebastian louco, ele era um ator muito bom, mas por dentro ele só queria que a noite acabasse logo para se livrar de Sebastian, ele odiava os clientes brutos, e Sebastian já havia começado a noite com uma surra, ele não estava ansioso para o que viria.
– Você já está ansioso pra mim Kurt? – Perguntou, movendo seus lábios próximos ao ouvido de Kurt, sussurrando as palavras, cheias de tensão sexual. – Eu aposto que posso fazer você gritar a noite toda.
– Hmm... – Kurt gemeu, pensando um pouco nas palavras, o que Sebastian queria exatamente? Ele não estava pronto para implorar.
– Isso é tudo o que você tem pra mim? Vai precisar tentar com um pouco mais de vontade. – Disse Sebastian em meio a uma gargalhada.
– Se eu fosse você aproveitaria essa chance. Eu tenho caras como você todos os dias, mas você dificilmente vai encontrar alguém como eu. – Respondeu Kurt, com seus olhos azuis fixos nos verdes de Sebastian.
– Oh, audacioso... – Sebastian subiu em cima de Kurt, livrando-se da camisa do menino, ele segurou as mãos do castanho em cima de sua cabeça e usou sua boca pra deixar quantas marcas conseguia no pescoço do menino. – Você é tão sexy... – Ele empurra seus quadris friccionando com os de Kurt, buscando atrito. Kurt se movia, mas pelo motivo de desconforto, ele sentia que seu corpo quebraria a qualquer segundo, Kurt nem pensava em se olhar no espelho mais.
– Eu sei disso... – Respondeu Kurt ofegante, mas nem um pouco duro ainda. Ele aproveitou pra passar suas mãos nas costas de Sebastian, puxando a camiseta do maior, para não ser o único exposto.
Sebastian continua distribuindo beijos e toques em qualquer parte do corpo de Kurt que ele encontrava. Ele lambe os mamilos do menor, um de cada vez, demoradamente, e deixando sua saliva escorrer pelo peito branco de porcelana.
– Eu não preciso te preparar, certo? Você já deve estar bem aberto, não é? – Disse Sebastian enquanto lutava contra os botões da calça de Kurt.
– Hum... Você pode só me foder e acabar logo com isso. – Kurt respondeu ofegante.
– Você não tem que me dizer o que fazer, Kurt. – Sebastian enfim conseguiu desfazer o aperto da calça de Kurt, deslizando com um pouco de dificuldade a peça pelas pernas do menino, e tirando sua cueca junto.
Ele tirou um preservativo de seu bolso antes de se livrar de suas próprias calças, colocou a camisinha sobre seu membro e enrolou as pernas nuas de Kurt na sua cintura, estranhamente gentil.
– Eu quero que você me sinta amanhã, no dia seguinte e depois. – Kurt estava perdido, ele nem sabia se ainda tinha capacidade de fingir ou se ele teria um ataque de histeria no meio da noite.
Sebastian não ensaiou por muito tempo, ele deixou seu membro deslizar pela entrada inteira de Kurt em uma única estocada, fazendo o menino soltar um grito de dor involuntário.
– Você pode deixar a vizinhança inteira saber o quanto você está gostando.
Kurt apenas solta um gemido de frustração, e tenta pensar no ultimo livro que estava lendo enquanto Sebastian definia seu ritmo áspero e brutal, ás vezes ele aproveitava para morder a pele de Kurt deixando mais marcas roxas para a coleção, às vezes ele apenas puxava os cabelos de Kurt. Nesse momento Sebastian não estava pensando sobre nada específico, ele só queria foder Kurt e ouvir seus gritos incoerentes, ele queria acordar toda a vizinhança e derreter o menino em seus braços. Ele estava com tanto ódio de Kurt, ele dava cada estocada preenchida de ódio, mas ainda assim tudo parecia tão bom, Kurt era inacreditavelmente apertado, e aqueles gemidos que ele solava vez ou outra...
Oh, os gemidos.
Kurt não conseguia decidir o que era pior, Sebastian apertando cruelmente seus hematomas recém-ganhos ou a ferocidade com que o rapaz estava entrando e saindo do castanho. Kurt tentou relaxar da melhor maneira possível para facilitar o processo, mas nada parecia adiantar com o ritmo ríspido de Sebastian. Kurt passou a noite toda controlando suas lágrimas, mas agora ele sentia seus olhos cheios e não havia nada que ele pudesse fazer para parar. Era uma mistura de humilhação e dor insuportável para o castanho, ele se sentia tão nojento e descartável no momento, e não podia fazer nada em relação a isso. Ele tenta disfarças seus gemidos de dor com súplicas por mais, suas pernas estavam fracas, ameaçando deixar Sebastian a qualquer segundo, mas ele não podia deixar aquele homem saber que ele estava sofrendo. Cada vez que Sebastian alternava entre ir para frente e para traz, Kurt tentava encontrar uma nova maneira de buscar ar, ainda doía intensamente cada vez que ele puxava sua respiração.
Sebastian estava simplesmente amando a posição de Kurt agora, seus olhos cheios de lágrimas contidas por um orgulho que há pouco havia sido pisado, dezenas de hematomas distribuídos perfeitamente naquela pele branca, cada um que Sebastian fez questão de deixar, o suor escorrendo pelo seu peito e seus cabelos tão perfeitos há pouco, agora rebeldes e incontroláveis. Sebastian sorriu ao assistir o que estava fazendo, o que Blaine pensaria se visse isso? Ele conseguiria aproveitar o quão delicioso e sensual Kurt parecia machucado desse jeito? Ou ele imploraria para deixar Kurt em paz? Ambas as formas pareciam satisfatórias, a cada segundo ele só queria Kurt ainda mais.
Ele queria machucar o menino e bagunçar sua vida o quanto ele tinha bagunçado sua própria, ele queria vingança por ter tido seu Blaine tirado dele, ele queria aquela pele de porcelana o mês inteiro com manchada de mordidas e contusões para Kurt se lembrar exatamente o motivo de não chegar perto de seu noivo. Sebastian não aguentava mais aquela visão, era impossível não se derramar apenas assistindo Kurt. Seu orgasmo veio intenso e rápido depois de uma série a mais de golpes rudes, fazendo Kurt se contrair com a sensação. Ele ficou alguns segundos dentro do castanho, e depois saiu, tomando alguns segundos para assistir Kurt, e sorrindo com o pensamento do menino deliciosamente doloroso durante toda a semana, ou mais talvez.
Sebastian se deita pesadamente na cama, ao lado do corpo inanimado de Kurt. Ele fecha seus olhos pensando na seção de sexo insana que ele teve com uma prostituta, ele nunca precisou pagar por sexo, mas esse valeu cada centavo. Quando Sebastian sentiu que podia levantar, ele removeu seu preservativo e colocou as roupas desajeitadamente, deixando Kurt ainda confuso na cama
– Bom eu já vou indo...
– V-você não t-tinha fechado a noite? – Kurt perguntou, com a voz mal saindo de sua garganta.
– É, mas eu não quero passar nem mais um segundo nesse lugar desprezível – Disse com seu sorriso sacana. – Além disso, já consegui tudo o que eu queria.- Completou em meio a uma piscadela. — Eu espero que isso seja suficiente para se lembrar de mim durante a semana, Kurt. Creio que possamos repetir isso outras vezes. — Kurt amaldiçoou mentalmente, rezando para não ter de ver Sebastian nunca mais. – E imagino se você gostou disso tanto quanto eu.
Kurt apenas assistiu Sebastian abrir a porta e sair, sem falar nada. Kurt queria fechar os olhos e apenas dormir, mas ele precisava de um banho, ele se sentia nojento, gasto, usado, descartado e sujo. O castanho se levantou com um pouco de dificuldade, tendo uma vista de todas as suas novas contusões no espelho, grandes manchas arroxeadas, algumas marcas de dentes avermelhadas, agora suas lágrimas podiam calmamente deixar seus olhos.
Kurt ligou o chuveiro quente, deixando a água levar para o ralo suas lágrimas, saliva, sangue, suor e outros fluidos de Sebastian, enquanto ele se esfregava com força o suficiente para rasgar sua pele. Não adiantava, ele sabia disso, ele nunca podia ser verdadeiramente limpo, ele tentava isso depois de todos os clientes, exceto Blaine é claro, de alguma maneira com Sebastian parecia pior.
Sebastian. O noivo babaca que estava traindo Blaine, o homem que tinha tudo que Kurt queria e não dava valor, aquele cara desprezível que fez questão de humilhá-lo e ainda havia estado dentro dele. Kurt permaneceu no chuveiro por mais alguns minutos derramando suas lágrimas, antes de se secar e colocar uma roupa leve que não incomodasse seus hematomas.
Kurt deitou na cama, e embora estivesse acabado, ele não conseguia dormir. Por que Sebastian tinha esse poder de abalá-lo tanto? Ele era um garoto de programa a anos, coisas assim não deveriam fazer parte de sua rotina? Bem, ele já havia passado por casos de estupro muito mais violentos do que essa noite. Ele tinha que parar de ser uma criança, ele não deveria ficar chorando a cada noite só porque sua vida não estava do jeito que ele queria. Será que ainda existia algum motivo pelo qual valesse a pena estar vivo?
Kurt não tinha certeza, sua mente só tentava processar o quão horríveis as coisas podiam ser e o quanto sua vida teria de afundar, e se talvez um dia ao menos ele seria feliz.
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