Pretty Boy

13 Let Me Take Care of You


Notas iniciais
Muito, muito obrigada a Maria Clara por ter recomendado a história . Muito obrigada também a todos os outros leitores, vocês são lindos. Espero que gostem!!

Blaine se sentia completamente livre pela primeira vez em sua vida, o moreno só queria levantar e cantar pela rua, a vida era maravilhosa, por que não comemorar? Ele acordava de cinco em cinco minutos naquela madrugada para poder processar os fatos.

Nada de Sebastian.

Ele podia fazer qualquer coisa agora e ninguém estaria julgando ele. De repente ele não queria nem dar ouvido a seus pais. Ele tinha sua peça na Broadway, que estava tendo uma temporada muito melhor do que ele imaginava, provavelmente seria estendida. Além disso, já tinha sido convidado para novos trabalhos, que ele ainda não sabia se iria.

Mas no meio de coisas como Sebastian, familia e Broadway, Blaine só usava seu tempo livre para pensar nos únicos olhos azuis. Kurt, como esquecer ele simplesmente? Seu ultimo encontro com o menino era reprisado de novo e de novo em sua mente. E o beijo?

Kurt tinha beijado ele.

Blaine sonhava em encostar seus lábios no de Kurt desde que conhecera o garoto de programa. E quando finalmente aconteceu ele nem teve tempo para processar, ele sequer memorizou a sensação. Ele precisava encontrar o menino bonito novamente.

~K&B~

Lágrimas, dor e sofrimento eram companhias fixas de Kurt naquela madrugada. Ele estava tão cansado que achou que pudesse simplesmente virar e dormir, mas não, cada única vez que Kurt fechava os olhos via imagens daquele sorriso ardiloso, toda vez que ele encostava-se ao travesseiro ele ouvia a voz de Sebastian “Você é só uma prostituta, não é pra isso que você serve?” por que Kurt não podia simplesmente ignorar isso? Ele realmente era um garoto de programa, sexo era uma parte essencial de sua vida agora, ele fazia sexo mais vezes por dia do que comia, ele passava seus dias bebendo mais sêmen do que água. Por que Sebastian o incomodava tanto?

Vez ou outra Kurt soltava alguns gemidos estridentes, acompanhados de soluços, ele só queria que parasse de doer, queria voltar a respirar. Kurt com certeza nunca se odiou tanto quanto agora, e isso era bastante coisa, visto que Kurt se odiava muito.

Ele só queria as mãos fortes de seu pai o envolvendo em um abraço, afagando seus cabelos e dizendo que tudo ficaria bem. Ele queria seu pai para dizer o que ele faria agora, dizer que nem tudo estava perdido e mostrar algum caminho.

Ele precisava de seu pai, mas ele não o tinha.

Ele não tinha ninguém, e nenhuma alternativa senão sofrer em silêncio para os outros não perceberem, porque ninguém se importava. Nessas horas ele desejava mais do que tudo continuar sendo um perdedor em Ohio, por que ele nunca escutou as pessoas que diziam que ele jamais conseguiria seguir seus sonhos em New York? Era melhor estar trabalhando na oficina de seu pai, ou como garçom do lima bean e estar estudando na faculdade comunitária do que estar onde ele estava. Kurt simplesmente não chegou a lugar nenhum, ele parou no meio do caminho e começou a afundar sem parar sem ter nada nem ninguém onde se segurar.

Kurt podia ouvir cada tique-taque do relógio, a noite arrastou-se dolorosamente lenta, até o sol nascer e bater na cara de Kurt que ele teria de passar por mais um dia de sua vida. Até quando isso? Ele não queria mais, viver de repente não fazia mais sentido.

~K&B~

Blaine levantou ainda saltitante e fez sua rotina como todas as manhãs. Tomou seu banho demorado ouvindo sua playlist favorita da Katy Perry, fez um banquete no lugar do café da manhã e se preparou para sair. O quão estranho era contratar um garoto de programa na parte da manhã? Bem, ele levaria as calças de Kurt que estavam em seu carro, assim ele teria uma desculpa ao menos.

~K&B~

Kurt se obrigou a levantar da cama e colocou uma roupa qualquer, ele tinha um cliente já nas primeiras horas da manhã e ele mal conseguia andar, isso já era um sinal de que este dia seria terrível.

...

– Oh, como eu senti falta desse seu corpo. – Disse um homem adentrando a porta saudando Kurt.

Kurt sentia como um pedaço de carne prestes a ser devorado por um leão. Ele não sabia se iria vomitar ou começar a chorar, mas ele não estava ansioso para o que estava prestes a acontecer.

– Por que você não me deixa ver o que tem embaixo dessas roupas? – Disse o homem sem tirar os olhos do menor.

Kurt sabia que as roupas não eram necessárias, no fim as pessoas nem reparavam no que ele vestia, ele era um objeto sexual, usado geralmente sem roupas. Kurt sentia seus olhos arderem quando se lembrava dos dias em que ter uma roupa na moda significava tudo para ele.

O castanho tirou as roupas cuidadosamente tomando cuidado com os hematomas que Sebastian tinha deixado lá na noite anterior, sem sucesso. Seu corpo todo parecia que estava prestes a quebrar, e aquele homem nojento não tirava os olhos nem por um segundo. Kurt odiava Brian, tudo bem, ele odiava todos os seus clientes, mas odiava ainda mais os brutos, e nas condições que ele estava ele não sabia se podia suportar alguém tão grosseiro.

– Oh, parece que alguém já poupou meu trabalho cuidando de você, não é mesmo? – Disse o homem se aproximando de Kurt e dando um tapa em seu quadril. Kurt estremeceu ao toque, ele definitivamente não estava pronto para isso.

– Tudo bem, você pode começar chupando tudo com essa sua boca sem dentes, do jeito que você sabe. – Disse Brian, abrindo o zíper de suas calças e empurrando Kurt de joelhos no chão, o que não era dificil, já que o menino estava praticamente desossado.

~K&B~

– Eu preciso dele para o resto do dia! – Insistiu Blaine, na recepção do bordel onde Kurt trabalhava.

– Por que você é tão obsecado com ele, o que você quer com meu garoto? – Blaine sentiu um refluxo subindo pela sua garganta. Kurt não era o garoto de Erick, ele não era de ninguém.

– O que eu poderia querer além de sexo? – Blaine se sentiu enjoado assim que disse cada palavra. — Você sabe muito bem que não existe ninguém aqui mais sexy do que ele. – Essa parte pelo menos era verdade.

Erick encarou por um tempo, ele não tinha certeza se podia deixar Blaine muito tempo com Kurt, algo lhe dizia que coisas ruins poderiam acontecer. Mas como ele poderia simplesmente recusar tanto dinheiro?

– Bom, ele tem um cliente agora, você vai ter que esperar.

~K&B~

– Oh meu deus, é isso ai. – Gemia o homem com as mãos afundando no cabelo do mais novo. – Você definitivamente foi feito para isso.

Feito pra isso... Kurt odiava essa expressão, será mesmo que a única coisa na qual ele era bom era em fazer esses caras nojentos encontrarem seu ápice? No caso ele preferia não ser bom em nada.

– Vira pra mim, eu quero estar dentro de você.

Kurt obedientemente tirou o membro de sua boca e deitou de costas na cama. O homem não perdeu tempo e enfiou tudo em uma única estocada. Fazendo Kurt congelar na cama.

Ele nem tinha se preparado hoje. Ainda era cedo, e ele se sentia tão dolorido, ele estava evitando os pontos certos de todas as maneiras. Mas agora Brian estava entrando e saindo dele bruscamente. Kurt tentava gemer da melhor maneira possível para esconder o fato de que a dor era completamente insuportável.

...

– Você foi terrível hoje, Kurt. – Disse o homem depois de abotoar suas calças novamente. – O que aconteceu com aquele garoto sexy que me satisfazia completamente antes? Será que você já está no momento de parar?

– E-eu sinto mu-muito senhor. – Disse Kurt com dificuldade, ainda tentando segurar suas lágrimas de dor. – E-eu p-prometo que dá pró-próxima vez v-vai ser m-melhor.

– Eu não sei se vai ter próxima vez, talvez eu já possa começar a encontrar alguém mais útil do que um lixo como você.

Disse o homem, antes de bater a porta do quarto.

Kurt precisava tomar um banho, mas ele não estava em condições, sua entrada estava ainda mais ferida do que antes, se é que isso era possível, e Brian fez questão de deixar novos hematomas para combinar com os de Sebastian.

Como não tinha mais nenhum cliente, Kurt se sentou na cama e voltou a deixar as lágrimas escorrerem. Até que ouviu uma batida em sua porta.

Quem poderia ser?

Kurt não tinha mais clientes, Erick nunca batia na porta, e bem, Kurt não tinha mais opções. Talvez alguém tivesse alugado um novo horário, Kurt não suportava a ideia de ser violado mais uma vez naquele dia. Logo, as batidas cessaram e a porta se abriu, revelando um rosto bastante conhecido.

– Kurt. – Disse Blaine sorrindo quando entrou pela porta. Logo que ele viu o estado do castanho sua expressão foi substituída por horror. – K-kurt, o-que a-aconteceu com você?

Kurt tentou se livrar da expressão de choro em seu rosto e rapidamente puxou o lençol da cama para cobrir seu corpo ferido, ele não queria que Blaine o visse nesse estado.

– Nada. – Respondeu Kurt, sério. – O que você quer?

Blaine ignorou a pergunta de Kurt e se sentou ao lado do menino na cama.

– Kurt, me deixa ver isso. – Disse o moreno tentando tirar o lençol de Kurt.

– Tira. A. mão. De. Mim. – Disse Kurt sério, depois de dar um tapa na mão de Blaine.

– E-eu sinto muito. – Respondeu Blaine, já sentindo lágrimas em seus olhos. – Quem fez isso com você, querido? – Como poderia existir um ser humano tão cruel.

Sebastian. Sebastian. Sebastian.

– Oh, eu não sei Blaine, eu devo ter sido fodido por uns dez clientes ontem, como você quer que eu me lembre? – Perguntou Kurt irônico.

– Kurt... Por favor me deixa ajudar! – Disse Blaine tentando novamente puxar o lençol, quando viu um filete de sangue descendo pela perna do castanho. – Oh meu deus, K-kurt...

– Para com isso Blaine! Eu já disse que não quero você me tocando. – Kurt se levantou abruptamente, caindo de novo ao sentir uma enorme dor por todo seu corpo.

– Vem cá, deixa eu te ajudar. – Disse Blaine tentando mais uma vez.

– Por favor... Eu não quero que você me toque. – Disse com a voz cansada. – Apesar de que... Você deve ter vindo aqui por sexo não é? É isso que você quer, Blaine?

– K-kurt, não...

Kurt jogou o lençol ao lado da cama e se sentou com uma perna de cada lado de Blaine.

– O que você quer que eu faça? – Perguntou distribuindo alguns beijos no pescoço de Blaine, enquanto tentava arrancar a camiseta do moreno. – Você quer me foder agora ou quer que eu te chupe primeiro?

– Para Kurt! – Gritou Blaine sério, segurando nos ombros de Kurt e afastando o menino.

– O que você quer comigo Blaine? O que eu posso fazer por você? Eu não tenho nada além do meu corpo pra te oferecer. – Disse o castanho entre gritos agudos, quase desesperado.

Agora sem o lençol ele podia ter uma boa vista do corpo de Kurt. Desde sua bochecha esquerda até a sua cocha, tudo estava preenchido por diversas manchas arroxeadas e inchadas, Kurt parecia um animal pequeno, ferido e com medo. Blaine tentou esconder sua cara de surpresa, mas não conseguiu, as lágrimas de antes já estavam escorrendo de seus olhos, isso não era justo, quem poderia ter feito isso com Kurt?

– E-eu... Eu estou aqui porque eu gosto de você Kurt. – Respondeu o moreno finalmente a pergunta. Jogando cuidadosamente seus braços em volta do corpo machucado de Kurt. – Vai ficar tudo bem. – Disse com a voz quase transparente.

Dessa vez Kurt não resistiu, ele apenas afundou seu rosto no pescoço de Blaine e começou a chorar junto com o moreno. E permaneceram assim por um longo tempo, até Blaine se afastar um pouco e começar a falar.

– V-você tem algum anticéptico? Ou qualquer coisa para podermos limpar essas suas feridas?

– T-tenho álcool no ba-banheiro. – Respondeu Kurt com a voz fraca.

– Tudo bem... – Disse Blaine meio sem saber o que fazer. – Vamos, eu vou te ajudar a tomar um banho antes disso.

Blaine passou o braço pela cintura de Kurt e ajudou o menino caminhar até o banheiro. Ele ligou o chuveiro e ajudou Kurt a ficar em pé debaixo na corrente de água. Ele sentia o menino estremecer enquanto via as novas gotas de sangue escorrerem pelo ralo.

– Vai ficar tudo bem.– Blaine tinha a necessidade de dizer alguma coisa, mas ele não sabia exatamente o que. — Eu prometo. – Kurt sabia que aquelas palavras eram provavelmente mentiras, mas ouvir a voz de Blaine era realmente confortante.

Blaine ajudou Kurt a lavar seus cabelos, sussurrando palavras de conforto o tempo todo. Quando Kurt estava limpo o suficiente, Blaine girou a torneira enrolou Kurt na primeira toalha que encontrou, e ajudou o menino a caminhar de volta para cama.

Kurt ficou deitado por um tempo enquanto esperava Blaine que estava pegando algumas coisas no banheiro.

– Você está bem?

– Eu vou ficar. Já passei por coisas piores. – Respondeu o menino sem ânimo. O coração de Blaine doeu um pouco em pesar num Kurt ferido sem ninguém para ajudá-lo.

– Eu vou passar um pouco de álcool nas feridas, tudo bem?

– Uhum.

– Eu tenho um creme hidratante na minha bolsa, eu posso passar depois nessas contusões, eu acho que vai refrescar, ou algo assim.

Kurt apenas assentiu, ele não queria que Blaine tivesse que vê-lo assim, ele lutou tanto tempo sozinho e de repente Blaine estava lá se preocupando com ele, tudo estava errado. Kurt virou com a barriga pra baixo e afundou seu rosto no travesseiro, suspirando um pouco quando Blaine começou a passar álcool em sua pele nua.

– Eu sei que está ardendo, mas eu prometo que é melhor pra você. – Disse Blaine docentemente depositando um beijo nos cabelos de Kurt.

Após ter limpado tudo com álcool, Blaine fez alguns curativos nas feridas mais abertas, depois pegou a loção hidratante pronto para massagear o menino.

– Se eu estiver te machucando você me avisa tudo bem? – Disse seguido por mais um beijo, dessa vez no ombro de porcelana.

Blaine passou suas mãos delicadamente em cada machucado nas costas de Kurt, espalhando a loção cuidadosamente em toda a sua pele. Kurt fechou os olhos e se deixou aproveitar o momento, Blaine era perfeito, era quase como se toda dor tivesse ido embora. Quase.

Kurt de repente sentiu as lágrimas vindo novamente, ele não aguentava mais se manter forte, ele não queria ser forte o tempo todo. Existia algo errado em querer chorar e gritar? Bem, se existia Kurt não estava se importando naquele momento.

– K-kurt, eu fiz algo errado? – Essas palavras só fizeram Kurt chorar mais ainda.

– V-vo-cê n-nunca fa-faz n-nada e-rrado. – E o choro voltava, cada vez mais alto, cada vez mais sofrido.

Blaine arrastou Kurt cuidadosamente até seu colo, e circulou seus braços em volta do menino bonito. Ele não podia simplesmente assistir Kurt chorar.

– Kurt... Bebê, o que eu posso fazer por você? –

– E-eu não aguento mais. – Gritou com a voz esganiçada. – Eu não aguento mais.

– Kurt... Eu...

– Eu não aguento mais!

Kurt repetia as quatro palavras quase como se fosse um mantra sussurrado. Blaine não sabia o que fazer, não existe nada que ele não faria pra colocar um sorriso naqueles lábios tão bonitos.

– Eu não aguento mais... – Disse mais uma vez o menino sem voz. – Eu estou exausto, eu estou acabado Blaine.

– Kurt... Eu quero poder fazer alguma coisa, por favor, me deixe fazer alguma coisa!

Fique comigo, fique comigo para sempre.

– Não tem nada que você pode fazer... – Kurt tornou a chorar, mais e mais. O castanho estava se despedaçando na frente de Blaine e não existia nada que o mais novo podia fazer.

– Eu quero tanto te ver feliz, menino bonito. – Disse arrastando seus dedos limpando as mais novas lágrimas de Kurt. – Eu quero, eu realmente desejo, tudo de bom pra você Kurt. Por favor, me diga o que eu posso fazer.

Kurt chorou mais um pouco se esmagando no peito de Blaine, se afogando no perfume do moreno.

– Você já faz... Blaine, há anos ninguém nunca me mostrou nem um pingo de humanidade, nenhuma bondade, só você. — Kurt respirou fundo e encostou sua testa na de Blaine.

Para Blaine, foi um convite mais que explicito para tomar os lábios para si. Ele sentiu a respiração de Kurt próxima a sua, sentindo o lábio do mais velho roçar o seu, o moreno não se segurou e lambeu o lábio inferior de Kurt, deixando sua língua entrar na boca do menino bonito, Kurt instantaneamente sentiu uma onda de prazer varrer todo o seu corpo.

Dessa vez Blaine aproveitou cada segundo do beijo, ele não deixou passar nenhum detalhe, o cheiro doce, mas ao mesmo tempo másculo do menino, o jeito que Kurt se movia, o jeito que os olhos azuis esverdeados abriam de vez em quando, o jeito em que suas mãos passeavam suavemente pelos braços de Blaine. Kurt era perfeito.

– Jesus... Kurt, você é tão lindo. – Disse antes de pegar os lábios para si novamente. – Tão lindo...

Kurt continuava o beijo cada vez mais urgentemente enquanto Blaine tentava fazer as coisas irem devagar, ele não queria machucar Kurt. Os dois continuaram com beijos lentos e cuidadosos, sem nem pararem para pensar o que estava havendo. Blaine gostava de Kurt, Kurt gostava de Blaine, por que eles tinham que parar? Pelo menos nesse dia eles não deviam pensar nas limitações que a vida havia imposto entre eles.

Notas finais
Awn, Klaine *~* Então gente, o que o Sebastian fez não será esquecido okay? Em algum outro momento ele vai pagar (ou não) pelo que fez! Espero que tenham gostado ~ deixem reviews pra eu saber o que vocês estão achando, eles me deixam mais animada para escrever :33 É isso, obrigada.