Pretty Boy

21 I'll Stand By You


Notas iniciais
Oi, tudo bem? Não vou nem ficar aqui justificando os quase dois anos sem atualizações, até porque nem sei se tem alguém aqui para ler. Mas disse algumas vezes que voltaria se terminasse a história toda, e adivinha? Isso mesmo, história (quase) prontinha, agradeçam minhas férias do trabalho. É uma meta pessoal finalizar todas as histórias que comecei aqui, então talvez nos encontremos até 2057 ahahahaha Capítulo para a DudaSoares que recomendou a história e não tive a oportunidade de agradecer. Também para vocês que deixaram reviews e mensagens.

Blaine estava dormindo melhor do que ele havia há algum tempo. O cheiro de Kurt era tão calmante para ele, e sentir o seu toque era como estar em casa, ele devia se certificar de nunca deixar o menino ir. Infelizmente esse sono durou pouco tempo, uma vez que ele começou a perceber uma movimentação estranha em seu sono.

O moreno acordava atordoado, sendo arrancado de seu sono aos poucos, ele pegou rapidamente o celular, para constatar em seu visor o horário de 2h27m. Sentando-se na cama ele finalmente se deu conta de que Kurt estava agitado em seu sono, se mexendo muito, e sussurrando uma sequência de frases que ele não conseguia reconhecer. Ele se aproximou um pouco mais do castanho, colocando uma mão sobre as costas do menino, sentindo que ele estava molhado de suor, e quente demais para a temperatura que estavam.

— Kurt, acorda. – Sussurrou carinhosamente, enquanto sacudia o menino pálido. – Kurt!

A única resposta do castanho era tremer ainda mais violentamente, Blaine tentava conter o desespero, sem querer imaginar o quão ruim poderia ser seu sonho. Será mesmo que seu menino não podia ter paz nem mesmo quando estava dormindo?

— Você está tendo um pesadelo... Vamos lá menino bonito. – Blaine sacudiu o namorado mais rapidamente, se assustando quando sentiu o corpo do castanho se afastar bruscamente de suas mãos.

— Por favor, pare, eu já disse que vou fazer o que você quiser! – Kurt gritou com lágrimas nos olhos, se encolhendo no canto da cama.

— Kurt... – Blaine disse suavemente, querendo envolver o castanho em um abraço, mas não querendo assustá-lo ainda mais.

Kurt ainda tremendo olhou lentamente para Blaine, com respirações aceleradas e lágrimas nos olhos o castanho olhava a cena, tentando processar tudo. Tinha sido somente um sonho.

— B-blaine... – Falou com a voz fraca, não conseguindo evitar o rubor em seu rosto. Ele era patético.

— Sim, sou só eu querido... – Blaine estendeu uma de suas mãos para segurar a mão de Kurt. – Você está bem?

Blaine sabia que ele estava sendo ridículo, era simplesmente óbvio que Kurt não estava bem, ele só não sabia o que fazer. Quando ele olhava o menino agora ele parecia tão pequeno, tão ferido.

— E-eu vou ficar, não se preocupe... Desculpa ter te assustado, melhor você voltar a dormir. – Kurt respondeu ainda envergonhado evitando os olhos cor de mel.

Kurt permanecia encolhido com os braços abraçando suas pernas com força, visivelmente tentando conter os tremores de seu corpo, ainda com a respiração ofegante. Blaine suspirou, não existia nenhuma chance de ele simplesmente voltar a dormir agora e deixar Kurt assim.

— Eu posso te abraçar? – Perguntou simples, já se arrastando na cama para chegar mais perto de seu namorado.

Kurt o encarou por um tempo, assentindo levemente, e no mesmo segundo já sentiu os braços fortes de Blaine enlaçando seu corpo. O moreno permaneceu um bom tempo em silêncio, não querendo constranger Kurt, deixando o castanho falar somente se estivesse à vontade. Os dois se deitaram novamente, ainda mantendo o silêncio. Blaine segurando Kurt com todo o cuidado, como se ele pudesse quebrar a qualquer momento.

— Eu sinto muito por isso. – Falou simples.

— Você não tem com o que se preocupar...

— Você sempre deixa as coisas mais fáceis... – O mais velho completou com a voz rouca.

— Bom, essa é a intenção... Eu espero que esteja dando certo. – Respondeu com um riso triste. Kurt estava tão próximo dele que sentiu seu corpo vibrar enquanto as palavras saíam.

Era pedir muito poder se sentir assim para sempre?

Eles passaram a maior parte do tempo em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos e aproveitando a proximidade do outro. E no calor dos braços de Blaine, Kurt sentiu o sono tentar alcançar-lhe novamente, porém com muito medo de dormir e deixar o namorado preocupado.

— Você pode dormir se quiser, eu vou estar aqui quando acordar. – O moreno disse como se adivinhasse o que Kurt estava pensando.

Kurt afundou seu rosto no peito de Blaine, quando sentiu novamente a vibração das cordas vocais do moreno. Mas dessa vez em forma de um belo canto,

“Oh, why you look so sad, the tears are in your eyes,
Come on and come to me now, and don't be ashamed to cry,
Let me see you through, 'cause I've seen the dark side too.”

Blaine cantarolava suavemente, e Kurt achou que nunca havia escutado uma música tão bonita em sua vida.

“When the night falls on you, you don't know what to do,
Nothing you confess could make me love you less”

Sem lutar mais conta seu sono o castanho já sentia seus olhos se fechando e quando o moreno olhou para baixo, notou que o menino já estava com os olhos fechados e a respiração tranquila.

— I’ll stand by you. Won’t let nobody hurt you. I’ll stand by you. – Concluiu a música calmamente, dando um beijo suave sobre os cabelos do mais novo, enquanto acariciava suas costas.

Blaine olhou triste para o corpo de Kurt adormecido, agora ele havia perdido todo seu sono. Como ele podia ter deixado a situação chegar a este ponto? Já fazia quase um ano que ele conhecia o castanho, e até então ele não havia feito nada para poder ajudar o menino.

As lágrimas quentes escorriam silenciosamente pelo rosto de Blaine, que encarava o anjo em seus braços tristemente. Pensando em todas as dores que ele teve que sentir sem ninguém para ampará-lo, por tudo que ele teve que chorar sem ter quem o acalmasse, por todo o sofrimento que ele aguentou tanto tempo sozinho...

Blaine se agarrava a Kurt grato por ele estar aqui, grato por seu menino ter sido tão forte e ter resistido por tanto tempo. Agora ele faria algo para ajuda-lo, ele daria um jeito de tirar Kurt daqui o mais rápido possível, e então encheria a vida dele somente com coisas boas daqui para frente.

~K&B~

Perdido em seus pensamentos Blaine nem percebeu a hora em que caiu no sono. Só notou que o dia tinha começado quando sentiu o sol banhando o interior do quarto, fazendo com que abrisse os olhos desconfortavelmente, e viu Kurt de banho tomado em frente ao espelho terminado de se arrumar.

— Bom dia, dorminhoco! – Kurt exclamou, estranhamente para a noite que ele teve.

— Bom dia, meu amor. Que horas são? – Blaine perguntava, enquanto se sentava, esfregando as mãos nos olhos para terminar de acordar.

— Dez e meia... achei que você não fosse acordar hoje. – Disse em meio a um sorriso.

— A culpa é sua... você sabe, dormir do seu lado é confortável demais para ter que acordar. – Blaine disse na defensiva, enquanto se levantava, entrando no jogo de Kurt e fingindo que nada tinha acontecido.

Kurt não respondeu, mas esboçou um sorriso para o moreno através do espelho enquanto terminava de passar o rímel em seus olhos. Era verdade que Kurt era lindo, e esse contorno preto em seus olhos verdes só descavam mais a sua beleza. Mas olhando agora Blaine conseguia ver muito mais através desse sorriso, ele sabia que Kurt passava a maior parte do tempo somente tentando ser forte.

— Você quer sair para tomar café comigo? – Perguntou, enquanto puxava Kurt pela cintura para deixar um beijo carinhoso em sua bochecha.

— Eu não posso Blaine. Tenho muitos clientes hoje, o dia vai ser cheio. — Blaine tentou disfarçar a decepção, e somente mudou de assunto.

— Tudo bem, eu também estou com um pouco de pressa hoje. Preciso resolver algumas coisas antes da peça a noite. – Isso não era mentira, ele havia dormido demais, e precisava terminar algumas coisas inacabadas.

Blaine foi ao banheiro escovar seus dentes, e depois começou a arrumar suas coisas rapidamente, Kurt sempre ficava triste a hora que Blaine ia embora, talvez se ele tivesse um emprego normal ele poderia tirar o dia só para fazer nada com seu namorado.

— Eu volto amanhã para te ver, tudo bem? – Falou enquanto colocava a mochila em suas costas.

— Eu vou te esperar. – O castanho deu um sorriso triste.

Antes de abrir a porta Blaine se aproximou de Kurt, colocando seu rosto entre suas mãos e olhado bem fundo nos olhos verdes.

— Eu amo você. – Estas três palavras bastavam para Kurt saber que todos os acontecimentos de ontem não foram somente na sua imaginação.

Kurt não respondeu, somente deu um sorriso tímido, inclinando-se para dar um beijo casto no namorado.

Quando a porta se fechou, Kurt sentou-se na cama suspirando, mesmo numa situação dessas ele ainda sentia borboletas no estômago quando estava com Blaine.

~K&B~

Erick estava subindo para encontrar Kurt quando viu Blaine saindo de seu quarto. Ele não podia acreditar que depois de tudo aquilo Kurt ainda estava se relacionando com esse cara.

E ele parecia feliz, então os dois estavam bem? Esse homem não fazia bem para o seu Kurt, ele precisava de distância. Se esse relacionamento não terminasse por bem, Erick seria obrigado a tomar uma iniciativa.

Quando seus olhos se cruzaram, nenhum dos dois desviou o olhar, e mantiveram fixamente, obviamente com muitas coisas entaladas na garganta.

Blaine sempre conseguiu lidar bem com Erick para poder ver Kurt. Mas agora só de olhar para o homem ele sentia todo seu corpo se encher de ódio. Será que ele estava indo importunar Kurt agora? Este era o homem que tinha acabado com a vida do seu menino, se Blaine o empurrasse da escada agora e tirasse a vida dele Kurt estaria livre. Livre, e os dois viveriam juntos e felizes.

— Seria bom se você ficasse longe do meu menino. – Falou Erick calmo, irrompendo o silêncio. – Desde que você começou a vir aqui, ele tem se tornado uma bagunça.

— Kurt está sofrendo por sua culpa. – Falou com a raiva contida. – O que você quer pra deixar ele em paz? – Perguntou.

— Eu não quero e nem preciso de nada. Kurt é a minha melhor mercadoria, eu não me livraria tão fácil assim dele. – Continuou em tom de brincadeira. – Pelo menos não agora que ele está em sua melhor forma, quero dizer.

Blaine agora já não conseguia mais controlar sua raiva, ele empurrou Erick na parede, pressionando seu pescoço, em uma tentativa de enforca-lo.

— Kurt não é uma mercadoria. – Falou com dificuldade. O ar faltando em seus pulmões devido a tanto ódio.

Erick gargalhou, se livrando facilmente dos braços de Blaine.

— Tem certeza? Você mesmo... quanto dinheiro gastou só com sexo?

Blaine respirou fundo para não tomar nenhuma decisão precipitada, ainda mais porque qualquer coisa que ele falasse afetaria diretamente a Kurt, e tudo o que ele queria é que os últimos dias de Kurt aqui fossem o menos dolorosos possíveis. Abaixando o olhar Blaine seguiu seu caminho. Só ele sabia que o que tinha com Kurt era mais do que sexo. E só quando estava no fim de seu caminho escutou a voz de Erick ecoar novamente.

— Essa coisa de você conseguir enxergar nele algo a mais do que sexo, ou salvá-lo dos caras maus é até que bonitinho. Mas você sabe que só existe em filmes. – Falou sem se dar ao trabalho de olhar para Blaine agora. – Quem decide o que é melhor para Kurt agora, e para o resto da vida dele sou eu. Quando ele se acabar a única pessoa que vai estar lá para assistir sou eu. Então repito novamente para evitar qualquer situação desnecessária. – Falava agora mais lentamente. – O melhor que você pode fazer é ficar longe desse menino e aproveitar a sua vidinha.

Blaine não podia mais ouvir nenhuma palavra de Erick, ele acelerou seu passo e saiu o mais rápido possível do bordel. Ele vai ajudar Kurt, nem que isso custe a sua vida.

~K&B~

Blaine passou a maior parte de sua tarde na internet, lendo todos os guias de Lima, verificando todas as oficinas. Kurt certa vez disse para Blaine que seu pai era mecânico, e ele achava que isso era pista suficiente para encontrar o homem. Mas ele imaginava que Kurt vinha de uma cidade interior bem pequena, porém julgando pelo número de mecânicos que ele encontrou não era tão pequena assim.

Ele sabia que se perguntasse qualquer coisa para seu namorado ele se irritaria, diria para Blaine que não queria ver seu pai nunca mais e pediria para ele não se meter em sua vida. E bem, isso estragaria o plano.

Quando estava quase contratando um detetive particular, Blaine viu na página 17 do guia da cidade uma localização que chamou sua atenção.

“Hummel Tires & Lube
746 S Main St, Lima, OH 45804”

Hummel... Tinha que ser! Este era exatamente o endereço que ele precisava. Sem pensar duas vezes, Blaine abriu outra aba no navegador, e comprou uma passagem para Lima. Ele tentaria falar com Burt, diria que sabia sobre seu filho, e se Blaine não era suficiente para convencer Kurt a sair de lá, seu pai com certeza seria.

Bom, era o que Blaine esperava, ele precisava agir rápido. Kurt estava quebrando, ele sabia disso. Ele reparou pelas olheiras, pelos tremores. O corte em sua perna... Quem acharia que aquilo foi um acidente? Agora os pesadelos. Blaine sentia vontade de vomitar só de pensar em Kurt acordando desesperado desse jeito sozinho neste quarto.

Kurt estava esgotado, e ele dava sinais disso a todo tempo. Ele precisava fazer algo rápido para ajudar o castanho a se livrar dessa vida ou... Ou ele jamais se perdoaria se algo pior acontecesse.

Cansado emocionalmente Blaine tomou um banho demorado, pensando se Erick tinha ido falar alguma coisa para Kurt, querendo saber se seu menino estava bem, como os clientes de hoje o estavam tratando. Sem muito tempo para enrolar, Blaine saiu de casa com pressa, já atrasado para a apresentação da noite.

~K&B~

Blaine chegou em cima da hora, cumprimentando rapidamente os demais membros do elenco, e foi direto para seu camarim trocar sua roupa. Tantos anos fazendo isso, e por pior que estivesse sua situação, quando o moreno começava a se trocar ele já se sentia mais vivo.

Ele começou a fazer sua maquiagem calmamente, Blaine assistia sua transformação no espelho e já se sentia outra pessoa, como se de repente todo o peso fosse tirado de suas costas. Ele amava o teatro, sua vida era isso, o cheiro das cortinas, a correria nos bastidores, as pessoas animadas. Blaine não sabia mais se seria capaz de viver sem isso. Sorrindo para o espelho depois de terminar os últimos retoques, levantou-se, pronto para sua apresentação.

Como sempre o show havia sido um sucesso, a casa cheia e todo o elenco muito animado ao terminar a peça. Seus parceiros insistiam para que Blaine saísse para comemorar com eles, mas Blaine disse apenas que precisava terminar alguns assuntos importantes.

Quando já estava quase pronto para deixar o teatro ele viu seu diretor correndo em sua direção.

— Anderson, você não acredita na novidade que eu tenho! – Falou um homem, com cerca de 40 anos, porém com uma aparência conservada. Cabelos castanhos curtos, e os olhos também castanhos brilhavam de alegria.

— O que aconteceu? – Perguntou dando toda a sua atenção ao homem.

— A nossa peça foi a escolhida para a turnê mundial! – Falou como se fosse a melhor notícia da vida.

— Isso é sério? – Perguntou em estado de choque. – E-eu não posso acreditar.

E então Blaine tinha conseguido, finalmente uma peça que ele ajudou nas músicas, e acompanhou toda a criação, todos os ensaios, eles seriam reconhecidos mundialmente!

— Seríssimo! Nós vamos encerrar as apresentações aqui em Nova Iorque na próxima semana, mas logo em seguida já vamos começar a nos preparar para novas apresentações. 14 Países diferentes, Blaine!

Blaine sentia-se orgulhoso de si mesmo e de toda a equipe, mas na próxima semana, parecia tão perto... agora ele mal estava ouvindo o resto da explicação de Carlos. É verdade que se fosse algum tempo atrás essa seria a melhor notícia que Blaine poderia receber, mas agora existiam outras preocupações na vida do moreno.

— E-eu acho isso incrível. Acho que toda a companhia merece, e você também por ser um ótimo diretor, eu estou super empolgado com tudo isso. Mas eu não tenho certeza se vou poder participar. – Disse com certa dificuldade para encontrar as palavras.

— Como assim? Quando criamos esta peça você estava tão animado! Ajudou a desenvolver tudo conosco... você não pode estar pensando direito.

— Eu posso te dar a resposta depois? – Perguntou receoso.

— Bem, você não é obrigado a ir. Mas espero que considere que será um problema termos que treinar o ator substituto para todas as peças. Você faz parte do sucesso.

Blaine sentiu uma pontada de tristeza, ele lutou tanto para isso, será que ele poderia deixar tudo para outra pessoa aproveitar? Talvez ele pudesse levar Kurt consigo... Não, isso é uma ideia completamente ridícula.

— Eu agradeço a confiança, mas estou com alguns problemas para resolver por aqui. – Falou tristemente.

— Bom, vou te dar essa última semana para resolver, até lá vamos aproveitar a peça o máximo possível

Blaine sorriu e se despediu de Carlos, agora sim pronto para retornar para casa. Ele precisava se concentrar nos problemas do mundo real, sua viagem marcada para Lima e o menino que ele precisava ajudar.

Notas finais
To meio ansiosa >.< Mas bom, vou postando um capítulo por semana até terminar.Então até sexta que vem ♥ Se já leu até aqui, tire um tempinho para me dizer o que achou *~*