Notas iniciais
Olá pessoal! Sim, como prometido estou aqui com mais um capítulo, espero que vocês gostem!

A noite estava a cada minuto mais fria, quase na temperatura de seu coração agora. O bar estava lotado, a música soando nos alto-falantes de forma agradável, os ruídos de copos, cadeiras se arrastando e murmúrios aleatórios tomavam conta do local. O homem estava sentado lá havia horas, esta era sua rotina agora, passava a noite em bares assistindo tudo em seu ambiente com um rancor guardado. Casais sorrindo enquanto aproveitavam a noite juntos, jovens dançando no meio do salão, os caras tentando empurrar uma bebida para encontrar companhia. Observava inclusive os olhares se cruzando através das mesas, aquelas pessoas inseguras pensando se deveriam iniciar uma conversa ou se receberiam uma resposta negativa.

Sebastian Smythe nunca tinha sido uma pessoa romântica, ele não precisava. Outrora ele era incrivelmente bom em flerte, ele sempre conseguia achar companhia para noite, e também já tinha um namorado muito feliz o esperando em casa. Ele achava que caso se cansasse de Blaine, seria muito fácil achar qualquer outro idiota por aí, mas ele nunca pensou que seria Blaine quem o deixaria. E vamos encarar os fatos, talvez Sebastian não ligasse tanto para romantismo, e achasse que amor era somente uma besteira de filmes, mas ele estava confortável em sua vida antiga, ele gostava da companhia de Blaine, ele gostava do jeito em que ele sempre estava disponível, sempre entregue e sempre tão apaixonado.

Ele já estava com a vida construída, seu futuro todo planejado. Ele tinha um emprego perfeito, tinha um noivo bonito, de boa família e bem-sucedido que o amava, ele iria se casar e viver aquela vida de dar inveja em todo mundo. Mas agora ele estava se afundando, ele não tinha Blaine mais, ele nem passava mais muito tempo sóbrio, por quanto tempo ele manteria esse emprego? Tudo culpa de uma única pessoa.

Kurt Hummel.

Ele odiava esse menino, mais do que ele achava que fosse possível. Ele era relativamente bonito, e uma boa foda, mas como Blaine pode tê-lo trocado assim? Ele era só um garoto de programa. Sebastian nunca se sentiu tão humilhado. Mas as coisas não ficariam assim. De forma alguma.

Ele queria destruir Kurt. Fazê-lo sofrer cada pedacinho do que ele sofreu. Vê-lo deteriorar-se mais e mais, até que o menino imploraria pela morte.

Já havia algum tempo que Sebastian estava planejando a melhor forma de se livrar do menino. Considerando que Kurt era quase um indigente, ele não teria nenhum problema legal. Só Blaine perceberia, e se ele fizesse as coisas de forma correta, a morte pareceria um acidente terrível. E seu ex noivo ficaria desolado, e claro Sebastian estaria lá para confortá-lo.

Sebastian tomou mais um gole do uísque, que descia queimando sua garganta, enquanto pensava na melhor forma de se livrar de seu pequeno empecilho.

~K&B~

Blaine teve uma noite perturbada, ele demorou para conseguir dormir, e quando finalmente acordou viu que estava atrasado. Ele andava em péssima forma. Faltava pouco menos de duas horas para seu voo, droga, ele não conseguiria ver Kurt pela manhã. Ele tinha prometido, mas ele também precisava ir para Lima, quanto antes ele fosse para lá, antes seus problemas seriam resolvidos. Kurt entenderia, certo?

Esta noite ele não teria nenhuma apresentação, então quando chegasse ele poderia ir até Kurt contar todas as suas novidades. Hoje seria um dia longo, mas ele estava animado. O moreno tomou um banho quente tentando relaxar e terminar de despertar, e depois de se vestir chamou um táxi para ir até o aeroporto.

No aeroporto Blaine gastou algum tempo para resolver a parte burocrática de sua passagem, e aproveitou o tempo que sobrou antes da viajem para tomar um café, tentando controlar sua ansiedade.

~K&B~

Kurt estava um tanto inquieto pela visita de Blaine, ele esperou a manhã toda e o moreno não aparecia. Será que aconteceu alguma coisa? Kurt só conseguia repetir os acontecimentos de ontem em sua mente, a cada segundo mais preocupado.

“Quando a porta se fechou, Kurt sentou-se na cama suspirando, mesmo numa situação dessas ele ainda sentia borboletas no estômago quando estava com Blaine

O castanho fechou os olhos e ficou imaginando se em algum universo paralelo ele e Blaine viviam uma vida feliz, e ficavam juntos para sempre. Kurt sorriu com o pensamento, que logo foi interrompido pela porta sendo aberta rudemente. Assim que ele desviou seu olhar percebeu que era Erick que estava entrando, já sentiu um mal-estar em seu estômago.

— E então querido, como você está? – Perguntou, e Kurt não tinha certeza de se ele realmente estava interessado em uma resposta. – Acabei de encontrar seu amado no corredor. – Debochava de Kurt, enquanto se encostava na parede. – Ás vezes eu tenho dificuldade de acreditar no quão idiota e iludido você consegue ser, Kurt. Menos de uma semana atrás você estava chegando aqui mal conseguindo ficar em pé, se acabando de tanto chorar em meus braços por ter o seu coração partido, e agora você está de gracinhas com ele de novo. Quero dizer... Você já conheceu muito bem o mundo horrível que nós vivemos, você tem mesmo esperança de que ele quer algo bom de você?

— E-eu não tenho nada com ele. Ele é meu cliente, achei que não estivesse em posição de recusar ninguém que viesse aqui. – Alegou um tanto retraído. – Além disso por pior que seja esse mundo eu não acho que só existam pessoas terríveis e manipuladoras como você, Blaine é uma pessoa boa. – Irritou-se o castanho, sem se dar conta que não deveria ter dito nenhuma dessas palavras.

Antes que Erick respondesse qualquer coisa, Kurt sentiu um tapa forte acertar seu rosto. Ele já devia ter previsto que essa seria a resposta.

— Você é ingrato. – Rugiu o mais velho. – Eu te dei tudo, Kurt. Tudo o que você tem. Eu sou a única pessoa que esteve aqui por anos com você, e como você me retribui? Você deveria reconhecer tudo o que eu faço por ti, se não fosse por mim você teria morrido de fome anos atrás. – Gritou irritado, fazendo Kurt se encolher um pouco.

— Ás vezes eu me pergunto se não teria sido melhor morrer... – Sussurrou o castanho. Ele já havia parado de enfrentar Erick alguns anos atrás, mas Blaine de alguma forma o fez forte, o deixou com vontade de lutar.

Erick puxou Kurt com força pelo braço, e continuou seu discurso com o rosto muito próximo do castanho.

— Eu estou cansado de você, por que não consegue enxergar que você precisa de mim? – Bradava entredentes. – Isso tudo é culpa daquele maldito Blaine Anderson, você estava em excelente forma antes de ele começar a encher sua cabeça de besteiras.

— B-blaine não tem nada a ver com isso. – Kurt falou fracamente, tentando se soltar do aperto de rude de Erick que já estava machucando.

— Você precisa entender que eu não tenho nenhuma intenção de machucar seu Blaine, isso só me traria problemas. Eu só preciso que você entenda que eu sei o que é bom para você, e não ele. – Dito isso Erick jogou Kurt de volta na cama. — Quanto antes você aprender isso e me aceitar de bom grado, menos você vai sofrer.

O mais velho saiu do quarto, deixando um Kurt ofegante e apreensivo. E se Erick fizesse algo com Blaine?”

Kurt sentiu um calafrio só de lembrar da cena de ontem. Será que Erick falou algo para Blaine e ele decidiu que seria melhor não aparecer mais aqui?

Talvez assim fosse melhor. Kurt não se perdoaria se algo acontecesse com Blaine por sua culpa.

~K&B~

Quando chegou em Lima, Blaine achou melhor alugar um carro para poder circular pela cidade. Ele sempre foi péssimo com ônibus, vivia se perdendo. Inclusive se perdia de carro também, mas seria mais fácil se encontrar, ainda mais que ele tinha um tempo limitado hoje.

Ele não entendia com clareza o endereço que havia olhado na internet, e como ele saberia se era realmente Burt quando o encontrasse? Depois de mais de uma hora circulando pela cidade, ele finalmente encontrou seu destino “Hummel Tires & Lube” dizia na fachada, era este o lugar!

E foi nesse momento que o pânico bateu em Blaine mais forte, ao invés de parar em frente a oficina ele continuou seguindo o caminho e estacionou o carro em uma rua ao lado. O que ele faria agora? Blaine se deu conta de que não havia planejado absolutamente nada. Burt acharia que ele era louco, ou que estava simplesmente brincando com sua cara, como ele diria que um filho que ele acha que está morto há mais de cinco anos está precisando de sua ajuda?

O moreno se sentiu idiota por um tempo, ele precisava se lembrar que a vida não era um conto de fadas e que as coisas não seriam resolvidas assim tão facilmente. Mas ele também não perderia toda a viajem.

Sem pensar em uma alternativa mais inteligente, Blaine abriu o porta-malas do carro, em busca de uma chave estrela. Ele nunca havia trocado um pneu, mas viu Sebastian fazer isso vezes o suficiente para ver onde ficavam os equipamentos. Blaine gastou bons minutos batendo com a chave com toda força no pneu do carro, tentando fazer com que descolasse da roda. Uma vez que obteve sucesso ele viu o pneu começar a esvaziar rapidamente.

Feliz com seu feito, Blaine guardou a ferramenta e entrou no banco do motorista novamente, dando uma volta no quarteirão com dificuldade, dirigindo o mais lentamente possível para não perder o controle do carro e o bater. Depois de muito sacrifício ele conseguiu adentrar a oficina, e foi recebido por um homem careca de meia idade, trajando um boné e um macacão de mecânico, com uma plaquinha escrito Burt no peito. Perfeito.

— Boa tarde! E-eu acho que bati em uma pedra no caminho e o pneu começou a muchar... Felizmente vi que tinha sua borracharia no caminho, senão estaria perdido. – Inventou rapidamente uma desculpa.

— Por que você não colocou o estepe? É perigoso dirigir por aí assim. – Burt repreendeu o menino.

— Eu nunca troquei um pneu, também não conhecia esta cidade, estou aqui a trabalho e esse carro é alugado, preciso arrumá-lo o mais rápido possível antes de devolver. – Pelo menos nessa parte ele não estava contando nenhuma mentira.

Burt suspirou, era difícil aparecer este tipo de caras ricos em Ohio, que nem mesmo sabiam trocar um pneu.

— Bom garoto, você está com sorte. Eu vou dar um jeito aqui, pode aguardar, por favor. – Burt falou para Blaine, e logo se virou para o lado, gritando para outra pessoa. – Ei, filho, venha me ajudar aqui.

Um garoto muito alto e um pouco atrapalhado veio do outro lado da oficina, e Blaine se assustou, Kurt tinha um irmão? Mas eles não se pareciam em nada.

— Finn, coloque o estepe nesse carro, eu vou reparar o pneu que descolou da roda. Este rapaz precisa do carro ainda para hoje. – Disse autoritário.

— Claro, vamos levantar esse carro. – Respondeu alegre o garoto.

— E-ele é seu filho? – As palavras saíram antes que Blaine pudesse se conter.

— Isso não é da sua conta. — Burt falou com raiva, antes de pegar o pneu e levar para outra parte da oficina, onde faria o reparo. Enquanto Finn deitava embaixo do carro, preparando-se para instalar o pneu novo.

— Por favor não o leve a mal, ele não é uma pessoa ruim. – Blaine ouviu a voz de Finn. – Eu não sou seu filho, tenho um emprego aqui de meio período para ajudar Burt. Desde que seu filho se foi ele se tornou uma pessoa muito amarga. – O menino alto continuava falando, enquanto trabalhava.

— O filho dele morreu? – Perguntou Blaine, tentando entender em que situação ele estava.

— Sim... Bom, quero dizer, ele desapareceu há alguns anos. Kurt era o nome do filho dele, estudávamos juntos. Ele desapareceu em Nova Iorque, a polícia encerrou a investigação um ano depois de seu sumiço. Eu fico triste que ele não tem nenhum túmulo para deixar flores... – Finn falou mais baixo agora, com piedade em sua voz. — Mas Burt nunca conseguiu aceitar isso, ele é um pouco perturbado, diz que sente que seu filho ainda está vivo, perdido em algum lugar. Ele não consegue superar isso, ele também é viúvo e não tem ninguém. Por isso fico aqui com ele, Burt sempre foi uma pessoa muito boa, eu não tenho pai e ele sempre me ajudava quando eu precisava. – Finn sorria agora. – Aguarde um momento, preciso buscar uma peça.

Primeiro Blaine ficou feliz em achar uma pessoa tão aberta quanto Finn para contar tão rapidamente tudo o que ele queria saber. Em contrapartida, Blaine se sentia péssimo agora, isso era horrível. Ele sempre olhou para Kurt e tudo de seu ponto de vista, imaginava seu pai como uma grande incógnita. Nunca tinha realmente parado para pensar que por trás de toda essa história tinha um pai desesperado que achava que tinha perdido seu filho. Todo o sofrimento, toda a dor... Burt sentia que Kurt estava vivo e as pessoas achavam que ele era louco, isso era horrível.

Blaine estava com um nó enrolando em sua garganta, e forçando o máximo para segurar as lágrimas em seus olhos quando Burt e Finn voltaram novamente, dando os últimos reparos no carro.

— Pronto, eu acredito que não vai haver nenhum problema quando for devolver o carro na locadora. Mas qualquer coisa pode voltar aqui. – Burt dizia, enquanto entregava um papel com o detalhamento do serviço e o preço para Blaine.

Blaine tirou o cartão da carteira, e Burt o chamou para a sala no fundo da loja para pagar, e enquanto Burt fazia a cobrança, Blaine só podia reparar em uma única foto na parede de sua sala. Com um Burt mais novo e mais sorridente, e um garotinho com os olhos mais brilhantes e um sorriso mais feliz, mas com certeza seu Kurt.

— Muito obrigado por tudo, Sr. Hummel. – Blaine dizia enquanto agarrava a mão de Burt com suas duas mãos. – Vou levar um cartão seu e com certeza vou voltar. – Continuou o moreno, prometendo muito mais do que ele poderia pôr em palavras.

— Claro, sempre que precisar. — Burt estranhou o gesto, mas apenas acenou com a cabeça educadamente. – Só espero que não dirija com o pneu daquele jeito novamente.

Blaine assentiu em entendimento, com um sorriso sincero, ainda se controlando para não chorar. Ele saiu da sala e se despediu de Finn, entrando novamente no carro alugado e deixando a oficina.

Assim que virou a esquina Blaine deixou suas lágrimas caírem. Quanto mais ele conhecia essa história, mais parecia horrível para ele. O moreno não conseguia nem imaginar o tipo de pesadelo que Burt vivia. Agora ele entendia porque Kurt não queria dar nenhum tipo de esperança para seu pai. Mas Blaine também entendia que não faria nenhuma diferença para Burt o tipo de coisa que Kurt teve que fazer para sobreviver estes últimos anos, ele amaria Kurt de todo jeito. Kurt precisava entender isso, ele só queria seu filho de volta.

E então Blaine enxergou que não existia nenhuma possibilidade de Kurt poder ser feliz simplesmente fugindo com ele. Ele precisava do amor e do carinho de seu pai que foi negado para ambos durante muito tempo já.

Blaine também se deu conta que não faria nenhum sentido aceitar a tour agora. Ele não poderia deixar Kurt sozinho com Erick, não depois de tudo o que ele prometeu para si mesmo e para Kurt. Ele também não poderia levar Kurt consigo, além de Erick poder facilmente rastrear ele seguindo os locais da tour, viajar com o teatro não é o lugar de Kurt. É melhor do que o que ele tem agora, mas não é o melhor para ele, o lugar de Kurt é aqui em Lima com seu pai, e Blaine faria o possível e o impossível para juntar estes dois.

Após se recompor Blaine seguiu o caminho até o aeroporto, com algum tempo de sobra antes de seu voo. Como não tinha nada para fazer aqui em Ohio parou para comer algo, ele nem percebeu que não tinha comido nada desde o café no aeroporto, mas também ele nem conseguia sentir fome com tanta ansiedade. A visita a oficina do Sr. Hummel o deixou muito abalado, desde a noite que ele conheceu Kurt, Blaine gastava muito tempo somente pensando no quanto a vida dele era difícil, e a cada momento que ele descobria mais as coisas pareciam somente piorar.

Quando o sol dava sinais que iria se pôr, Blaine pagou a conta no restaurante e foi devolver o carro na locadora, e ele nem mesmo teve que pagar uma multa pelo pneu, Burt era um excelente mecânico, de fato.

Entrando novamente no avião, Blaine passou o caminho de volta ainda mais perdido em seus pensamentos do que na ida. Ele sentia falta de Kurt, precisava ver seu menino se possível ainda hoje.

Notas finais
Certo, aqui tivemos acontecimentos importantes, já que estamos caminhando para o finalzinho. Me deixem saber o que vocês acharam, sua opinião é muito importante para mim!! Até sexta ♥