Pretty Boy
16 I Don't Belong Here
Notas iniciais
– Tudo bem, vamos pra minha casa agora, depois podemos sair pra jantar mais tarde ou algo assim. – Disse Blaine enquanto saía com Kurt do shopping, ainda esperando o taxi.
– Blaine, eu não posso, preciso voltar.
– Por favor, Kurt! – insistiu Blaine fazendo beicinho. – Você vai mesmo me deixar sozinho?
Kurt olhou para o moreno pensando um pouco, não que ele realmente precisasse, afinal, Blaine era adorável e Kurt jamais se imaginaria dizendo não para ele deste jeito.
– Bom, eu acho que eu posso...
– Yay! – Disse Blaine dando um soco no ar. – Bem, eu te disse, não há problemas, já te tenho para o dia todo.
Kurt sorriu para o moreno, antes dos dois embarcarem num taxi e voltarem para casa de Blaine.
~K&B~
Blaine se sentou confortavelmente ao lado de Kurt no banco de trás, desta vez ele não ensaiou tanto para tocar o castanho, e logo deixou seu braço circular a cintura do mais velho. Diferente do que Blaine imaginava, ao invés de Kurt se afastar bruscamente, ou dizer algo sobre como ele era apenas um garoto de programa, ele apenas encostou sua cabeça no ombro de Blaine e fechou seus olhos.
O moreno foi tomado por uma sensação de alegria e conforto ao sentir o peso de seu amante no ombro. Ele só sentia-se tão bem ao lado do castanho, tão especial por ser o único atualmente que realmente conhecia Kurt, o único em que Kurt confiava. Não importava o quão ruim as coisas eram, nem o quão partido o coração de Blaine estava, as coisas simplesmente não conseguiam parecer ruins ao lado de Kurt. Ele queria poder fazer Kurt se sentir tão bem quanto o castanho o fazia.
~K&B~
– Blaine, eu ainda não acredito nessa vista, aqui é lindo... – Disse Kurt com as mãos grudadas na janela olhando o sol se esconder dentro da cidade do outro lado do vidro, os grandes outdoors espalhados e prédios imensos. – Eu acho que não é possível ter o suficiente disto, esta é literalmente a vista mais bonita que eu já vi na minha vida. – Disse o dos olhos verdes, sem conseguir mover seus olhos do vidro.
Blaine sorriu para o castanho, sim, a cidade era linda e ele era totalmente privilegiado por poder ter esta vista todos os dias. No entanto, Blaine discordava, ele estava tendo a visa mais bonita de sua vida neste momento. Porque nada podia ser mais bonito do que Kurt Hummel debruçado na janela sob o por do sol, desesperadamente adorável, perigosamente deslumbrante, comestível.
Blaine sorriu para a vista e se moveu atrás do castanho, prendendo uma de suas mãos ao redor da cintura fina do garoto e deslizando a outra muito lentamente para virar o rosto do mais velho em sua direção, cobrindo os lábios rosas e perfeitos de Kurt, que já estava ofegante e respondeu imediatamente o contato.
– Kurt... Eu – Blaine começou falando, cobrindo os lábios de Kurt, mas foi interrompido ao som de batidas em sua porta.
– V-você está esperando visitas? – Perguntou Kurt, de repente muito tímido.
– Não! Eu não... Só um momento, eu vou ver quem é. – Disse, soltando os braços da cintura de Kurt e se movendo para a porta.
Kurt soltou um longo suspiro. Que tipo de visitas Blaine poderia ter?
Ele estava compartilhando um momento único de sua vida com o moreno, ele se sentia diferente com Blaine, uma mistura de incríveis emoções que ele nunca teve em sua vida, com nenhuma outra pessoa. Talvez ele realmente quisesse Blaine em sua vida, mais do que estava disposto a admitir.
– Oh Blaine querido, Parabéns! – Kurt ouviu a voz aguda vindo da porta, e rapidamente teve seus pensamentos quebrados.
Kurt encarou um pouco, a julgar pela aparência totalmente semelhante a de Blaine, exceto pelos cabelos longos, ele podia dizer que aquela era a mãe dele. Logo atrás dela vinha um homem, não tão parecido com Blaine, carregando uma caixa de papelão e abraçando Blaine com apenas uma mão, dizendo algo como “parabéns, filho” nada que Kurt estivesse atento o suficiente para perceber.
Ele não precisava pensar muito para descobrir que estava na mesma sala que os pais de Blaine, e neste momento ele queria se esconder atrás do sofá. Será que seria possível a situação piorar?
Bem, não demorou muito para que fosse provado para Kurt que sim, a situação poderia piorar. Assim que ele viu atrás dos pais de Blaine aquele sorriso ardiloso, com muitos dentes, carregando duas rosas na mão. O que Sebastian estava fazendo lá?
– Sebastian o que você está fazendo aqui? – Gritou Blaine, perguntando exatamente o que Kurt queria.
Neste momento o castanho realmente quis se jogar pela janela de Blaine, ele nunca pensou que teria de dividir o mesmo cômodo com Sebastian novamente.
– Blaine não fale assim! Sebastian queria te ver. – Repreendeu a mulher. – Sabe, algumas pessoas sabem dar valor ao que tem, e não são tão infantis ou orgulhosas a ponto de não correr atrás daquilo que amam. – Disse em tom sugestivo.
– Pensei ter dito para você não vir aqui nunca mais... – Disse Blaine emburrado, ignorando completamente sua mãe.
– Bem, não estamos aqui para discutir hoje. Não é todos os dias que o meu garoto completa 24 anos. – Disse o homem interrompendo a conversa, e se apossando da grande mesa de vidro no fundo da sala, retirando um grande bolo da caixa de papelão. – Vamos aproveitar o seu dia! – Disse o homem se virando e notando Kurt na outra ponta da sala, movendo seus pés desconfortavelmente. – Oh, você está com um amigo?
Blaine olhou para Kurt, e sua óbvia cara de desespero e foi puxar o castanho para perto de sua familia.
– Mãe, pai, este é Kurt. – Disse passando as mãos nas costas do castanho carinhosamente, tentando transmitir algum conforto. – Kurt, estes são meus pais.
– Muito prazer, senhores Anderson. – Disse polidamente, recebendo um aperto de mão do pai de Blaine e um olhar detestável de sua mãe.
– Blaine, querido... Você não me contou que estava saindo com outra pessoa. – Disse Andrea, com desgosto perceptível em sua voz. – Trouxemos até Sebastian junto, ele sente sua falta.
– Oh, não se preocupe Andrea, Kurt é apenas um garoto de programa... Eu duvido muito que Blaine esteja em algum tipo de relacionamento sério com ele. – Disse Sebastian sorrindo, esclarecendo o assunto.
Kurt de repente se sentiu enjoado, o que Sebastian estava fazendo ali? Como ele pode simplesmente contar aos pais de Blaine o que ele fazia da vida? Além disso, apenas o riso de Sebastian era capaz de fazer Kurt ter lembranças vívidas de sua noite juntos.
Harold mandou um olhar confuso para Blaine enquanto Andrea mantinha seu olhar de aversão.
– Não... Não é isso, não deem ouvidos para Sebastian. – Disse Blaine tentando concertar o erro, a última coisa que ele queria fazer era humilhar Kurt na frente de seus pais. – Kurt é apenas um amigo, vamos aproveitar que vocês estão aqui e vou buscar algo para comermos. – Falou as pressas, se mudando para a cozinha, deixando um Kurt desesperado para trás.
– Eu vou te ajudar. – Disse Andrea sem perder tempo indo atrás do filho.
– Blaine Anderson, que história é essa? – Gritou Andrea assim que entrou na cozinha atrás do filho.
– Sobre o que mãe? – Perguntou aborrecido.
– Quem é esse garoto?
– Mãe eu tenho vinte e quatro anos, por que devo te dar satisfação sobre as pessoas com quem ando? – Disse Blaine enquanto vasculhava os armários procurando alimentos e evitando os olhares de sua mãe.
– Oh Blaine, não finja que agora, de repente, você se tornou uma pessoa independente. – Disse irritada. – Eu trouxe Sebastian aqui para vocês fazerem as pazes, e você está aqui com um gigolô?!
– Mãe, pare com isso. – Falou Blaine, ainda concentrado em preparar os petiscos para a familia. – Você não sabe nada a respeito dele.
– Oh, obviamente não. Até então tudo o que eu sei é que ele é um garoto de programa. E eu sei o que garotos de programa fazem Blaine! – Disse em tom enfurecido. – Você está pagando um menino para dormir com você, Blaine isso é nojento, e perigoso, sabe quantos tipos de doenças ele pode ter? Você imagina a quantidade de pessoas diferentes que ele já dormiu?
– Já chega! – Gritou Blaine irritado se virando para sua mãe. – Eu já disse, você não sabe nada sobre ele. Kurt é gentil, engraçado, inteligente, e me trata muito melhor do que Sebastian jamais será capaz. – Disse alterado, tomando alguns segundos para respirar.- E se você quer uma resposta, sim, eu estou saindo com ele e sim, eu estou dormindo com ele. E não me importo com o que ele faz da vida, Kurt é uma boa pessoa, e eu gosto de estar perto dele. – Terminou furioso.
– Claro, porque todas as pessoas inteligentes e gentis ficam vendendo seu corpo por ai. – Disse Andrea irônica. – Blaine o quão inocente você é? – Após um riso maldoso a mulher deixou o aposento e se mudou novamente para a sala.
~K&B~
Kurt sentia como se tivessem passado horas desde que Blaine saíra. Ele estava sentado rígido em um sofá no fundo da sala, recebendo olhares sugestivos e zombeteiros de Sebastian, que estava no outro sofá sentado ao lado de Harold.
Ele se levantou para voltar a olhar para a janela, a esta altura o sol já tinha desaparecido completamente e as luzes artificiais tomavam conta da cidade. A vista era igualmente linda, mas nada conseguia deixar Kurt calmo neste momento.
De repente o castanho sentiu um arrepio correr sua espinha, e quando se virou para o lado encontrou a mãe de Blaine, debruçada no vidro próximo a ele.
– Olá Kurt. – Disse em um tom insuportavelmente doce. – Será que você tem tempo para conversarmos ou precisa sair daqui correndo por que tem cliente na próxima hora? – disse zombando. – De qualquer forma, serei breve e direta com você.
Kurt não respondeu, ele apenas manteve sua postura rígida, segurando firme na janela para não desmoronar.
– Bom Kurt, acho que você percebeu que somos uma familia totalmente sem preconceitos não é mesmo. Digo, Blaine sempre foi gay, e nós apoiamos ele com todas as forças, eu nem mesmo tinha problemas em comprar todas as barbies do mercado pra ele. – Disse pensativa. — Mas veja bem, Blaine tem que se casar com Sebastian Smythe. Eu sei que é difícil para alguém que faz o que você faz entender mas, os valores de familia são importantes para nós. Ele pode ate gostar de... ahn, passar as noites com você, mas você não é o que ele precisa em sua vida. Vocês não estão no mesmo mundo querido, vocês nunca estarão. Então sugiro que suma totalmente da vida dele agora antes que se machuque. – Disse em tom ameaçador, antes de se mover ao sofá próximo do marido.
Kurt ficou em estado de choque, na mesma posição que estava antes, no entanto agora a vista da cidade ficava completamente distorcida com as lágrimas que insistiam em deixar seu rosto.
– Pronto, já temos algum alimento, venham aqui servir, depois podemos partir o bolo. – Disse Blaine fingindo um sorriso ao entrar na sala.
Sebastian e Andrea tomaram lugares na mesa, enquanto Harold permaneceu no sofá. Blaine viu Kurt imóvel na janela e rapidamente se moveu próximo ao castanho.
– Kurt, eu sinto muito por isso, não imaginava que eles poderiam vir. – Disse em um sussurro.
O castanho se virou para encarar Blaine, ainda com o olhar atordoado, forrado de lágrimas.
– Não sinta... Eu não deveria estar aqui. – Disse sem expressão.
– Kurt, para com isso, eu estou feliz que você está aqui... Nós tivemos um bom dia e eu não queria que nada estragasse.
– Blaine, já chega... Eu cansei disso. – Disse Kurt realmente sentido. – Sebastian realmente acha que pode fazer o que quiser comigo só porque pode pagar, e sabe de uma coisa? Ele realmente pode. E se sua mãe acha que seus status a fazem um ser humano melhor do que eu provavelmente ela está certa, ás vezes eu nem me sinto mais como um ser humano.
– Minha mãe?! O que ela te disse? – Perguntou Blaine chocado. – Kurt, não importa, você não deve acreditar nela! – Falou suplicante. – E Sebastian? Tem algo entre você e Sebastian que eu não sei? – Perguntou já tomado pelo desespero. – Por favor Kurt, eu só quero te ajudar.
– Eu estou muito acostumado a ser humilhado por todos os meus clientes, mas de alguma forma com você é tudo muito pior com você. – disse inexpressivo. – E eu não posso nem ter o direito de não querer te ver mais, só porque você pode pagar. Se você quer realmente me ajudar pare de vir atrás de mim, por favor.
Kurt se virou e seguiu em direção a porta, ignorando os apelos do mais novo.
– Kurt você já vai? Não vai se juntar a nós? – Perguntou Harold.
– Não... Sra. Anderson tem razão, eu tenho muitos clientes hoje, não posso ficar perdendo tempo aqui. – Disse deixando todos na sala mudos. – Blaine depois eu te devolvo o dinheiro, afinal, nós não aproveitamos todo o dia não é? – Disse agora em um tom completamente irreconhecível, se virando para Blaine antes de abrir a porta e deixar a sala.
~K&B~
Kurt fechou a porta atrás de si e apertou o botão do elevador mais vezes do que o necessário, desesperado para sair daquele lugar.
Quando a porta se abriu o castanho permitiu o ar percorrer seus pulmões num suspiro aliviado, ele não queria nunca mais ter de respirar o mesmo ar que Sebastian, ele não queria nunca mais ter de olhar para a cara da mãe desprezível de Blaine. Ele sabia, ele sempre soube que não tinha espaço na vida do moreno, mas por que ele ainda insistia tanto nisso?
Assim que o elevador parou Kurt desceu correndo, fazendo seu caminho até o trem mais próximo antes que Blaine viesse atrás dele.
~K&B~
Blaine ficou boquiaberto recebendo olhares questionadores de todos da sala, até que seu pai começou a falar.
– Sério Blaine? Você trocou Sebastian por isso? – Perguntou Harold frustrado.
– Blaine é nojento ver você dormindo com alguém deste tipo...– Disse Sebastian, usando um de seus tons sínicos que Blaine mais odiava. — Mas eu sinto sua falta, acho que sou capaz de te perdoar ainda assim.
Blaine ignorou o apelo dos rapazes, assim como o olhar de desprezo de sua mãe e deixou a sala, em busca de Kurt.
~K&B~
Blaine já deveria ter imaginado que não seria possível encontrar Kurt assim tão fácil, ele correu ao redor dos quarteirões. Mas ele não imaginava se Kurt tinha embarcado em um ônibus, algum trem, ou mesmo que improvável ele pode ter pegado um táxi... Quem sabe Kurt não tinha corrido o mais longe possível só para chorar em um canto longe de Blaine?
O moreno deslizou em um banco da praça derrotado, tudo o que ele queria era ajudar o menino bonito. Mas agora ele tinha estragado tudo, o que Sebastian tinha feito de tão ruim para Kurt? Por que ele simplesmente havia contado sobre Kurt para seus pais? Blaine amava sua mãe, mas ele conseguia imaginar dezenas de coisas horríveis que ela deve ter falado com Kurt. Será que o castanho estava realmente falando sério em nunca mais querer vê-lo?
Se ele quisesse ver Kurt novamente ele sabia que não era dificil, ele podia fechar uma noite com ele e tentar fazer ele falar. Mas ele estava cansado de tratar Kurt como uma mercadoria, talvez ele realmente devesse deixar nas mãos de Kurt o direito de querer vê-lo ou não.
Mas apenas em pensar na possibilidade de nunca mais encontrar com aqueles olhos verde-azulados o coração de Blaine doía e seus olhos se enchiam de lágrimas. De repente Kurt era uma parte muito importante de sua vida, por que as coisas não podiam ser mais simples?
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